MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE
PERNAMBUCO - CAMPUS PESQUEIRA
Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental
PESQUEIRA/PE
DEZEMBRO/2024
JAYDSON AVELINO SOARES
NATHALYA LARYSSA GALINDO LIMA
Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental
Pesquisa apresentada como
requisito para a avaliação da disciplina
de Geografia I, do curso de Edificações,
do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia de Pernambuco.
PESQUEIRA/PE
DEZEMBRO/2024
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
1.2 OBJETIVOS
1.3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS
2.1 OS MEMBROS DA CEDEAO
2.2 ACORDOS
2.3 INTERVENÇÕES MILITARES
3. ESTRUTURA DE GOVERNANÇA
3.1 A CONFERÊNCIA DOS CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO
3.2 A COMISSÃO
3.3 EVENTOS
4. VISÃO PARA 2025
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1. INTRODUÇÃO
Não podemos imaginar o mundo atual sem comunicação; talvez seja esse o principal
motivo de todo um processo irreversível imposto pelo capitalismo, na escala com que se
houve após a Segunda Guerra Mundial. Na atualidade, a imposição de uma soberania
mundial se dá, exatamente, pela rapidez com que as pessoas e as Nações se
comunicam, transformando o mundo em uma grande Nação, cada qual com suas
peculiaridades, mas todas elas envolvidas em uma rede de informações que culminam
com a imposição de costumes e de práticas, de forma a criar um intransponível alicerce.
Naturalmente, não se pode deixar de lado que culturas são adaptadas, quando não
exterminadas, para que se siga o modelo imposto pelas Nações ricas e poderosas, em
detrimento daquelas menos favorecidas, que se veem sob um domínio silencioso mas
eficaz.
Dá-se a todo esse processo o nome de globalização, que antes de ser um movimento
que traga somente benefícios, acaba muitas vezes se transformando na imposição de
culturas, economias e políticas, tudo de forma, muitas vezes, a tornar os pobres ainda
mais pobres, subjugados pela força dos mais poderosos, vendo-se na iminência de
perderem suas tradições e de sofrerem com as imposições imperialistas. Com o fim da
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, os países capitalistas iniciaram uma
verdadeira guerra na busca do controle dos mercadores consumidores. Esse foi o
principal efeito do chamado “mundo globalizado”, pois diante da limitação unitária,
resolveram as nações se unirem em blocos econômicos, inicialmente regionais, com o
objetivo de facilitar o alcance dos mercados, além da mútua ajuda entre os membros.
Assim, foram criados os chamados “blocos econômicos”, tipo de acordo
intergovernamental onde as barreiras do comércio são reduzidas ou eliminadas. São
associações criadas entre os países, com a finalidade do estabelecimento de relações
econômicas entre si e entre os demais Estados-Nação, visando o crescimento das
relações mútuas econômicas, com a integração das relações de comércio. Começaram a
surgir após a Segunda Guerra Mundial, e foram viabilizados em razão da tecnologia das
comunicações e do transporte, que diminuiu as distâncias e possibilitou a aproximação
de Nações e culturas diferentes, em busca de ajuda mútua, efeito da globalização.
A proliferação dos blocos econômicos regionais deu-se, especialmente, em razão dos
seguintes fatores:
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(I) é natural que países com políticas econômicas semelhantes avancem para alianças
comerciais, buscando o comércio multilateral e aumento natural da competitividade;
(II) a conversão dos Estados Unidos da América ao regionalismo;
(III) o desmonte do Bloco do Leste, fazendo com que os países que giravam sobre a
extinta União Soviética procurassem celebrar acordos de livre comércio;
(IV) o chamado “efeito dominó do regionalismo”, com o desejo de adesão dos países que
ficam de fora da criação ou do aprofundamento dos blocos econômicos regionais
Nesse sentido, em 1957 foi assinado na Europa o Tratado de Roma, que deu origem à
Comunidade Econômica Européia (CEE), à atual União Européia (UE); o Tratado de
Assunção, em 1991, que deu origem ao Mercado Comum do Sul (Mercosul); em 1992, o
Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), formado pelo Canadá, Estados
Unidos e México; a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)
criada em maio de 1975, objeto de estudo desta pesquisa.
1.1 CLASSIFICAÇÃO
Os blocos econômicos são classificados em:
(I) áreas de livre comércio, onde há a isenção de taxas e impostos na
comercialização de produtos e serviços entre os países que formam o bloco;
(II) união aduaneira, com a implementação de condutas de comércio com vistas
a alcançar países fora do bloco;
(III) mercado comum, com a integração da economia, possibilitando a passagem
de mercadorias e pessoas entre os países;
(IV) união econômica e monetária, com a integração da economia e a criação
de moeda única para os países do bloco.
Essa classificação representa as fases em que os blocos acabam se
constituindo. É o caso, que ocorreu na Comunidade Económica dos Estados da
África Ocidental (CEDEAO), todas as fases foram seguidas, até o presente
objetivo de promover a criação de uma união económica na África Ocidental.
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1.2 OBJETIVOS
O objetivo da Comunidade é promover a cooperação e a integração, conduzindo à
criação de uma união económica na África Ocidental, a fim de elevar os padrões de vida
dos seus povos e de manter e reforçar a estabilidade económica, fomentar as relações
entre os Estados-Membros e contribuir para o progresso e o desenvolvimento do
continente africano.
1. A harmonização e coordenação das políticas nacionais e a promoção de programas,
projetos e atividades de integração, nomeadamente nos sectores alimentares, agrícolas e
naturais, indústria, transportes e comunicações, energia, comércio, dinheiro e finanças,
fiscalidade, políticas de reforma económica, recursos humanos, educação, informação,
cultura, ciência, tecnologia, serviços, saúde, turismo, assuntos jurídicos;
2. A harmonização e coordenação de políticas para a proteção do ambiente;
3. A promoção do estabelecimento de empresas de produção conjunta;
4. A criação de um mercado comum;
5. A liberalização do comércio através da abolição, entre os Estados-membros, dos direitos
aduaneiros cobrados sobre as importações e exportações, e a abolição, entre os
Estados-membros, das barreiras não tarifárias a fim de estabelecer uma zona de
comércio livre a nível comunitário;
6. A adoção de uma tarifa externa comum e de uma política comercial comum face a
países terceiros;
7. A supressão, entre Estados-Membros, dos obstáculos à livre circulação de pessoas, bens,
serviços e capitais, bem como o direito de residência e de estabelecimento;
8. A criação de uma união económica através da adoção de políticas comuns nos sectores
económico, financeiro, social e cultural e a criação de uma união monetária.
9. A promoção de empresas comuns por empresas do sector privado e outros operadores
económicos, nomeadamente através da adoção de um acordo regional sobre
investimentos transfronteiriços;
10. A adoção de medidas para a integração dos sectores privados, nomeadamente a criação
de um ambiente favorável à promoção das pequenas e médias empresas;
11. O estabelecimento de um ambiente jurídico favorável;
12. A harmonização dos códigos nacionais de investimento que conduzam à adoção de um
código comunitário único de investimento;
13. A harmonização de normas e medidas;
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14. A promoção de um desenvolvimento equilibrado da região, prestando atenção aos
problemas especiais de cada Estado-Membro, nomeadamente os dos Estados-Membros
insulares sem litoral e dos pequenos Estados-Membros insulares;
15. O incentivo e o reforço das relações e a promoção do fluxo de informação, nomeadamente
entre as populações rurais, mulheres e organizações de jovens e organizações
socioprofissionais, tais como associações dos meios de comunicação social, empresários
e mulheres, trabalhadores e sindicatos;
16. A adoção de uma política demográfica comunitária que tenha em conta a necessidade
de um equilíbrio entre os fatores demográficos e o desenvolvimento socioeconómico;
17. A criação de um fundo de cooperação, compensação e desenvolvimento; e
18. Qualquer outra atividade que os Estados-membros possam decidir empreender
conjuntamente com vista a atingir os objetivos comunitários.
De forma resumida, a visão da CEDEAO é estabelecer uma região sem fronteiras, onde
a população aceda aos recursos abundantes da região e demonstra a capacidade de os
explorar pela criação de oportunidades num ambiente sustentável. O que a CEDEAO
estabeleceu é uma Região integrada, onde a população goza da livre circulação, tem
acesso a sistemas educativos e de saúde eficientes e se envolve nas atividades
económicas e comerciais enquanto leva uma vida condigna num ambiente de paz e
segurança. Espera-se que a CEDEAO seja uma Região governada em conformidade
com os princípios da democracia, do Estado de direito e da boa governação.
1.3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
A CEDEAO pauta-se pelos seus Princípios fundamentais em todas as suas relações com
os Estados-Membros, as dezenas de pessoas e outros organismos externos. Estes
princípios estão consagrados no Tratado da Comunidade, que é também o documento
fundamental que reúne os membros.
Os Princípios Fundamentais da CEDEAO estabelecem que:
● igualdade e interdependência dos Estados-Membros;
● solidariedade e autoconfiança coletiva;
● cooperação entre Estados, harmonização das políticas e integração dos
programas;
● não agressão entre Estados-Membros;
● manutenção da paz, estabilidade e segurança regionais através da promoção e
do reforço da boa vizinhança;
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● resolução pacífica de litígios entre Estados-Membros, cooperação activa entre
países vizinhos e promoção de um ambiente pacífico como condição prévia para
o desenvolvimento económico;
● reconhecimento promoção e proteção dos direitos humanos e dos povos’ em
conformidade com as disposições da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos
Povos’;
● responsabilidade, justiça económica e social e participação popular no
desenvolvimento;
● reconhecimento e observância das regras e princípios da Comunidade;
● promoção e consolidação de um sistema democrático de governação em cada
Estado-Membro, tal como previsto na Declaração de Princípios Políticos adoptada
em Abuja em 6 de Julho de 1991;
● distribuição equitativa e justa dos custos e benefícios da cooperação e integração
económicas.
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2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS
Antes da criação da CEDEAO, o território da África Ocidental, era constituído por
estados com diferentes experiências coloniais e administrativas. Antes do colonialismo, a
região foi palco de muitos soberbos impérios e reinos que perduraram durante séculos,
dos quais os do Ghana, Mali Songhai, Wolof, Oyo, Benin e Kanem Bornu.
O processo de descolonização e independência dos países do continente africano, foi
resultado da luta organizada africana, porém, com grande impacto dos ajustes na ordem
mundial realizados após a Segunda Guerra Mundial. Percebeu-se a descolonização
como um processo inevitável e, por conseguinte, as potências buscaram controlar o
processo visando institucionalizar novas formas de controle sobre estes novos Estados.
O Sudão foi o primeiro país a tornar-se independente juntamente com a Libéria, Etiópia e
a África do Sul em 1956, seguido da Costa do Ouro, atual Gana, em 1957. Entre os anos
de 1957 e 1962, vinte e nove novos países haviam atingido a autonomia formal. Essa
gigantesca mudança inaugurou um período de grande otimismo na África. As jovens
nações buscavam aprofundar os laços já existentes com seus vizinhos, principalmente
por meio da integração regional, associada com o desenvolvimento econômico, social,
liberdade política e recuperação do orgulho africano. Com todos esses fatores somados,
o nacionalismo africano aflorava no continente que buscava retomar seu papel de sujeito
na construção de sua própria história.
Ao final da Segunda Guerra Mundial, as primeiras manifestações populares pela
descolonização africana haviam sido reprimidas pela França na revolta na Argélia em
1945 e a insurreição de Madagascar. Diante da escalada do conflito, os movimentos
nacionalistas começaram a organizar a luta armada contra as metrópoles. Em 1954, o
partido socialista da Argélia criou a Frente Nacional de Libertação (FNL), onde o mesmo
foi parte do corpo revolucionário que dirigiu a guerra pela independência em uma luta
armada contra a metrópole francesa.
Diante deste cenário e no sentido de aproximar os países africanos, em razão das
demandas por integração comercial e econômica, foram gradualmente criadas
organizações regionais que viabilizassem a integração nos âmbitos políticos e
econômicos como uma forma de cooperação multilateral e até mesmo na busca e apoio a
países que ainda não eram independentes. É a partir desse contexto que criou-se a
organização que é nosso objeto de estudo, a Comunidade Econômica dos Estados da
África Ocidental (CEDEAO).
O primeiro esforço de integração data de 1945, com a criação do franco CFA que reuniu
os países francófonos da região numa união monetária única. Posteriormente, em 1964,
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o Presidente da Libéria William Tubman propôs uma união económica da África Ocidental
que resultou num acordo em 1965 entre Côte d’Ivoire, a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa.
Contudo, não houve nenhum resultado concreto na sequência deste acordo até 1972,
quando, o Chefe de Estado Nigeriano Yakubu Gowon e o seu homólogo togolês o
Presidente Gnassingbe Eyadema, fizeram uma digressão na região para promover a
ideia de integração. Assim, graças aos esforços envidados, foram apresentados projetos
com base nos quais foi elaborado em 1975 o Tratado de Lagos que instituiu a CEDEAO.
O Tratado de Lagos estava, previamente, limitado às políticas económicas, mas, com a
ocorrência de problemas políticos, foi sujeito à revisão que permitiu, em 1993, o
alargamento do seu âmbito de aplicação e das suas prerrogativas.
2.1 OS MEMBROS DA CEDEAO
A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental é sediada na cidade de
Abuja, na Nigéria, e praticamente toda a região faz parte da organização. O Cabo Verde
aderiu à organização em 1976 e a Mauritânia deixou de participar no ano 2000. Os atuais
Estados membros são: Benim; Burkina Faso; Cabo Verde; Cabo Verde; Costa do Marfim;
Gâmbia; Gana; Guiné; Guiné-Bissau; Libéria; Mali; Níger; Nigéria; Senegal; Serra Leoa;
e, Togo.
Os objetivos estabelecidos no tratado constitutivo de 1978, apesar de mantidos, ainda
não foram atingidos desde a sua criação. Após décadas de funcionamento, os Estados-
membros sentiram a necessidade de revisar o tratado constitutivo após o final da Guerra
Fria. Dessa forma, em 1993, os Estados membros se reuniram em Benin, na cidade de
Cotonou, para fazer a revisão do Tratado de Lagos, o que resultou na assinatura de um
novo tratado que buscou superar o caráter mercantil e financeiro do anterior, abarcando
diversas áreas e expandindo o poder da organização internacional.
2.2 ACORDOS
Acordo de Parceria Econômica:
O objetivo principal do APE entre a África Ocidental e a União Europeia é o
estabelecimento de uma zona de comércio livre entre a Europa e a África Ocidental
(CEDEAO + Mauritânia), em consonância com o artigo XXIV do GATT, através da
eliminação gradual das restrições comerciais entre os dois parceiros comerciais. O APE
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tem por objectivo promover a integração harmoniosa e progressiva dos países ACP na
economia mundial, tendo em conta as suas opções políticas e prioridades de
desenvolvimento, incentivando o seu desenvolvimento sustentável e contribuindo para a
erradicação da pobreza. As negociações dos APE foram oficialmente lançadas a nível
global ACP em 27 de Setembro de 2002. Na região Oeste Africana, as negociações entre
a UE e a AO tiveram início a 4 de Agosto de 2004, após o lançamento do Roteiro de
Acra.
Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento:
A Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO)
celebrou acordos de longo alcance com o Governo da Alemanha sobre cooperação para
o desenvolvimento. Os Acordos alcançados no decurso da reunião de consulta de dois
dias, encerrada na sede da Comissão da CEDEAO a 10 de outubro de 2019, em Abuja,
Nigéria, abordaram setores que incluem cooperação sobre liberalização do comércio em
uma conjuntura económica mundial aprimorada, estratégias para lidar com a migração
ilegal, bem como cooperação técnica em desenvolvimento organizacional. Outras áreas
abrangidas são a cooperação técnica em Assuntos Políticos, Paz e Segurança e a
cooperação financeira para o estabelecimento do Fundo Regional de Estabilização e
Desenvolvimento (FRED) em regiões frágeis dos Estados-membros da CEDEAO.
2.3 INTERVENÇÕES MILITARES
O Grupo de Monitoramento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental
(ECOMOG), o braço militar da CEDEAO, foi formado em 1990 para intervir regularmente
em conflitos dentro da região. Algumas intervenções realizadas foram:
1990, Libéria
Em 1989, Charles Taylor liderou uma milícia contra o governo da Libéria, levando à
eclosão da guerra civil lá. Consequentemente, o bloco regional fez um movimento sem
precedentes para intervir em 1990. O contingente inicial de 3.000 homens da ECOMOG
foi formado com pessoal da Nigéria, Gâmbia, Gana, Guiné e Serra Leoa, com soldados
adicionais contribuídos pelo Mali. A missão foi controversa devido a um rastro de
violações dos direitos humanos cometidas por seu pessoal, especialmente contra as
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mulheres, mas garantiu a paz. As tropas estavam presentes no país até 1996, quando a
guerra terminou.
1997, Serra Leoa
A próxima parada da ECOMOG foi a capital da Serra Leoa, Freetown, em 1997, após a
derrubada do governo civil eleito de Ahmed Tejan Kabbah pelo major Johnny Paul
Koroma em um golpe militar. A força, sob o comando das tropas nigerianas, transferiu
parte de seu pessoal de Monróvia, a capital da Libéria, para recapturar Freetown do
grupo rebelde Frente Unida Revolucionária (RUF). Em fevereiro de 1998, ECOMOG
lançou um ataque que levou à queda do regime militar e Kabbah foi reinstalado como
líder do país.
1999, Guiné-Bissau
A próxima parada para ECOMOG foi uma missão de cessar-fogo na Guiné-Bissau
depois que as hostilidades eclodiram após uma tentativa de golpe em 1998. A luta foi
entre as forças do governo apoiadas pelo vizinho Senegal e Guiné contra os líderes
golpistas que tinham o controle das forças armadas. As hostilidades foram resolvidas
após um acordo de paz ter sido posto em prática em Novembro de 1998 sobre as
condições de um governo de unidade nacional e novas eleições em 1999, mas um novo
surto de conflito em Maio de 1999 destruiu o acordo. Em novembro, um acordo de paz foi
assinado em Abuja, que, em parte, declarou a retirada das tropas senegalesas e
guineenses e a implantação das forças ECOMOG para garantir a paz.
2003, Côte delituvoire
Depois que as forças armadas da Costa do Marfim e os grupos rebeldes chegaram a um
acordo de cessar-fogo em 2003, a CEDEAO implantou tropas como forças da CEDEAO
em Côte deltaIvoire (ECOMICI) para complementar as tropas das Nações Unidas e da
França.
2003, Libéria
A segunda guerra civil da Libéria também exigiu o retorno das tropas regionais.
Enquanto a primeira guerra civil levou Charles Taylor ao poder, a segunda guerra civil
entre 1999 e 2003 levou à sua saída. Desta vez, a CEDEAO enviou tropas sob a Missão
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da CEDEAO na Libéria (ECOMIL) com cerca de 3.500 soldados, com o maior número
vindo da Nigéria. Eles serviram como uma força de interposição, mantendo as partes em
conflito separadas e facilitando a chegada da Missão das Nações Unidas na Libéria
(UNMIL).
2013, Mali
Um golpe de 2012 no Mali levou a um colapso da ordem e grupos armados
imediatamente aproveitaram o golpe que se seguiu para invadir o norte do país. A
CEDEAO liderou a Missão de Apoio Internacional liderada pela África no Mali (AFISMA)
para apoiar o governo do Mali na luta contra os rebeldes em 2013. A missão foi
autorizada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e seu mandato inicial
foi de um ano. A Nigéria contribuiu com a maioria das tropas, mas uma série de outros
países da África Ocidental, incluindo Gabão, Costa do Marfim, Níger e Burkina Faso,
também apoiaram a missão. O AFISMA acabou por dar lugar à Estabilização Integrada
Multidimensional das Nações Unidas no Mali (MINUSMA).
2017, Gâmbia
Codenamed “Operation Restore Democracy”, uma operação da CEDEAO liderada pelo
Senegal enviou tropas para Banjul para forçar Yahya Jammel, que se recusou a conceder
uma perda eleitoral a Adama Barrow nas eleições de 2016. Barrow foi empossado como
presidente na embaixada da Gâmbia em Dakar e solicitou uma intervenção militar da
CEDEAO. As tropas garantiram a transição dentro de três dias. O nome da missão foi
posteriormente alterado para Missão da CEDEAO na Gâmbia (ECOMIG) e durou até
dezembro de 2021.
3. ESTRUTURA DE GOVERNANÇA
3.1 A CONFERÊNCIA DOS CHEFES DE ESTADO E DE GOVERNO
A Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO é a instituição suprema
da Comunidade e é composta por Chefes de Estado e/ou de Governo dos Estados-
Membros. A Conferência é responsável pela direção geral e pelo controle da
Comunidade e toma todas as medidas para assegurar o seu desenvolvimento
progressivo e a realização dos seus objetivos. A Conferência é responsável pela
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determinação da política geral e das principais orientações da Comunidade, fornece
diretivas, harmoniza e coordena as políticas econômicas, científicas, técnicas, culturais e
sociais dos Estados-Membros. A Conferência supervisiona o funcionamento das
instituições comunitárias e acompanha a execução dos objetivos comunitários. O cargo
de presidente da Conferência é desempenhado anualmente por um Estado-Membro
eleito pela Conferência.
3.2 A COMISSÃO
A Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Comissão da
CEDEAO) foi transformada a partir de um Secretariado da CEDEAO em 2007,
implementando a visão, missão e objetivos da CEDEAO como um agrupamento regional
de quinze (15) Estados Membros. Com sede em Abuja, na Nigéria, a Comissão é
chefiada pelo Presidente, assistido por um Vice-Presidente e cinco Comissários, um
corpo de profissionais experientes que estão na liderança. O Presidente da Comissão é o
Diretor Executivo da Comunidade e de todas as suas Instituições. A Comissão executa
as decisões tomadas pela Conferência e a aplicação dos Regulamentos do Conselho. A
Comissão é igualmente responsável pela promoção de programas e projetos de
desenvolvimento comunitários , bem como das empresas multinacionais da região,
convocando, quando necessário, reuniões de ministros sectoriais para examinar as
questões sectoriais que promovam a realização dos objetivos da Comunidade, a
elaboração de projetos de orçamentos e programas de atividade da Comunidade e a
supervisão da sua execução aquando da sua aprovação pelo Conselho, apresentação de
relatórios sobre as atividades comunitárias em todas as reuniões da Conferência e do
Conselho, entre outras. A Comissão está agrupada em departamentos e direcções, é
uma instituição multilateral com funcionários a nível estatutário, profissional e geral, de
diversas origens culturais, étnicas, nacionais, profissionais, género, intelectuais e
profissionais, incumbidas de concretizar a missão, visão e objetivos estabelecidos ao
abrigo dos Protocolos da CEDEAO, para ajudar a cumprir o mandato ao abrigo do
Tratado da CEDEAO de 1975, revisto em 1993.
Departamentos:
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● Gabinete da Presidência
● Gabinete do Vice Presidente
● Infra-estruturas, Energia e Digitalização
● Assuntos Económicos e Agricultura
● Serviços internos
● Desenvolvimento Humano e Interesse Social
● Assuntos Políticos, Paz e Segurança
● Assuntos Sociais e Gênero
3.3 EVENTOS
Seleção de um consultor (empresa) para realizar um estudo para a atualização do Plano
Diretor de Infraestrutura Regional da Ecowas
- 26 Fev, 2025
Plano de Estudo e Ação sobre Comércio Eletrônico, com foco em Mulheres, Jovens,
Pessoas com deficiência e Comerciantes de Pequena Escala na região da CEDEAO
- 05 Fev, 2025
Plano de Aquisições da Comissão da CEDEAO 2025
- 21 Fev, 2025
4. VISÃO PARA 2025
A seguinte declaração constitui a base sobre a qual a Visão 2050 da CEDEAO está
construída:
“Uma Comunidade de Povos, plenamente integrada numa região pacífica e próspera,
com instituições fortes, respeitadora das liberdades fundamentais e trabalhando em prol
de um desenvolvimento inclusivo e sustentável.”
Esta Visão é baseada em cinco pilares principais:
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PILAR 1: Paz, Segurança e Estabilidade: Fazer da CEDEAO uma região segura,
estável e pacífica é um imperativo de desenvolvimento numa área particularmente
exposta às ameaças de segurança multidimensionais. O objetivo é reforçar a segurança
humana na região através de iniciativas endógenas e sustentáveis e a implementação de
instrumentos e políticas apropriadas, bem como a implementação de mecanismos
adaptados.
PILAR 2: Governação e o Estado de Direito: A fim de construir uma região onde a
democracia e o Estado de direito prevaleçam até 2050, é necessário assegurar a
implementação e o bom funcionamento de instituições fortes e credíveis que garantam o
respeito dos direitos e das liberdades fundamentais. A região irá trabalhar para reforçar a
governação democrática e consolidar o Estado de direito e a justiça, promovendo
simultaneamente o respeito pelos direitos e liberdades fundamentais bem como lutando
contra todas as formas de discriminação.
PILAR 3: Integração Económica e Interconectividade: O aprofundamento do processo
da integração económica está no centro deste pilar. Este aprofundamento está previsto
sob o prisma não só da livre circulação de pessoas e de bens, mas também da
integração comercial e dos mercados, bem como da realização da união económica e
monetária. Isto contribuirá para a consolidação do processo de integração da CEDEAO e
da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZLECAf). Nesta perspectiva, será
necessário o desenvolvimento de uma agricultura eficiente e a promoção de cadeias de
valor. Acima de tudo, o desenvolvimento das infraestruturas continua a ser uma
dimensão chave para a melhoria da interconectividade e da competitividade regional.
PILAR 4: Transformação e Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável: O objetivo final
é fazer da CEDEAO uma potência económica regional na África e no mundo que faça o
melhor uso possível do seu potencial humano e dos seus recursos naturais para melhorar
o bem-estar dos seus cidadãos, tal como estipulado na Estratégia de Desenvolvimento
do Capital Humano da CEDEAO. Este pilar baseia-se portanto na melhoria das condições
de vida das populações, através da otimização, dos benefícios do dividendo demográfico,
da qualidade do sistema educativo e da aquisição de conhecimentos, da criação de
empregos decentes para os jovens e as mulheres bem como através do reforço da
resiliência na saúde pública. Este pilar apoia-se também na transformação estrutural das
economias através da digitalização da economia, do empreendedorismo, da ciência e
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tecnologia, bem como através de investimentos estruturantes nos setores em
crescimento. Visa promover a gestão eficiente dos recursos naturais e reforçar a
resiliência da região face às mudanças climáticas e aos choques exógenos.
PILAR 5: Inclusão Social: Este pilar coloca os cidadãos da África Ocidental, em
particular as mulheres, as crianças e os jovens, e todas as pessoas vulneráveis (incluindo
os deficientes e os idosos) no centro do desenvolvimento e do processo de integração.
Até 2050, a CEDEAO deve assumir os desafios ligados à coesão social no seio dos
povos, criar as condições de pertença, características de uma cidadania comunitária,
suscetíveis de favorecer a emergência de uma identidade cultural em torno de valores
partilhados.
A CEDEAO se compromete aos valores universais de igualdade, de respeito pelos
direitos fundamentais e das liberdades num clima em que:
● Os princípios democráticos são respeitados;
● Todas as formas de discriminação são combatidas graças à promoção da
igualdade de oportunidades para todos;
● As mulheres e os jovens são agentes de mudança e têm um papel importante a
desempenhar no processo de desenvolvimento;
● A solidariedade é encorajada para reforçar a diversidade, a inclusão e a coesão
social;
● O acesso aos serviços sociais básicos é garantido aos cidadãos instruídos,
educados, formados, bem nutridos e saudáveis.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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de Développement, 2019. BAD (2020).
Perspectives économiques en Afrique de l’Ouest, Banque Africaine de
Développement, 2020. BAD (2021).
Perspectives économiques en Afrique, Banque Africaine de Développement,
2021.
CEA (2020b). Population dynamics, demographic dividend and sustainable
development in west Africa, report.
CEDEAO (2008). Livre blanc, «Pour une politique régionale, sur l’accès aux
services énergétiques des populations rurales et périurbaines pour l’atteinte des
objectifs du millénaire pour le développement », Janvier 2008.
CEDEAO (2010). “Vision 2020 de la CEDEAO, vers une communauté
démocratique et prospère”, Juin 2010.
CEDEAO, ICMPD et OIM (2016). “Enquêtes sur les politiques migratoires en
Afrique de l’ouest”, rapport, deuxième édition, 2016.
OIM (2018a). Global Migration Indicator 2018.
OIM (2018b). Etat de la migration dans le monde, 2018.
PNUD (2020). Rapport sur le développement humain, La prochaine frontière Le
développement humain et