Genéricos, uma série de Gonçalo “Ribas” Ribeiro
Administrativo III – Contratação Pública
A série Genéricos é uma série de instrumentos de acompanhamento ao estudo destinada a alunos de Direito que estejam no modo
“desespero” mais desesperado conhecido ao Homem. Não devem ser sinónimos de dispensa de consulta de outros materiais de estudo ou
de aulas, sejam estas teóricas ou práticas. Foram feitas com base em elementos de estudo, já de si, reduzidos e/ou esquemas de resolução,
por um aluno de média 12 (ainda por cima açoriano) que se declara, assim, abertamente, inimigo de “chupanços” e de prolongamento de
sebentas além do conteúdo estritamente necessário e útil. São 5 da manhã e tens recurso amanhã? Toma este genérico e ALHAMDULILLAH.
Básico do básico para colar em todas as respostas para mostrar que se sabe
- O que constitui um Contrato Público?
Contratos Públicos são relações contratuais que utilizem dinheiro ou meios públicos que, por essa razão,
estão submetidas a controlo público, maior e especial. Não dependem da natureza das partes (tanto podem ser
entidades públicas ou privadas), porque o relevante para a classificação é a capacidade das partes estarem ligadas ao
Direito Público, nomeadamente com a afetação de fundos ou meios públicos.
Assim, por exemplo, uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, apesar de ser uma figura
de Direito Privado, pode celebrar Contratos Públicos. (Há uns beefs doutrinários quanto à concretização legal destas
partes se tiverem tempo e paciência de verem).
A jurisdição para resolver litígios desta área do direito está nas mãos dos Tribunais Administrativos.
- Que código devia ter comprado no início do semestre (spoiler - é o CCP)? Por onde começo?
Agora que já sabes o que é um contrato público, ou a definição, pelo menos, vai à Livraria tentar comprar (se
não estiver esgotado) um Código dos Contratos Públicos ou uma Coletânea qualquer que tenham metido este no
meio – vai ser útil para o resto e para ires colando isto lá.
Logo no artigo nº 1 do Código deves meter sublinhado com uma setinha a dizer “critério subjetivo” e depois
vais logo para a lista de compras do artigo 2º (metem lá “âmbito subjetivo” ao lado) para veres qual dessas figuras se
encaixa melhor no caso ridículo que te deram. Têm também os artigos 275º a 277º para casos extremos e fora do
habitual que inshallah nunca tenham que usar.
Como sei que mentiram quando disseram que já sabiam o que era um contrato público, aqui têm a lista de
tipos de contratos públicos que vão ser abordados e que podem já ter ouvido falar nas notícias quando na vossa
autarquia o presidente da CM X do partido Y fez umas ilegalidades bacanas:
- Empreitadas de obras públicas;
- Concessões de obras ou de serviços públicos;
- Prestações de serviços;
- Compras públicas;
Com estes exemplos, e experiências pessoais de assistir ao Telejornal no Tatu a meio de um jantar de praxe
ou ir aos comentários do Facebook de um post da CM, conseguem perceber que os contratos públicos são
instrumentos utilizados para realizar as tarefas das diferentes entidades que gerem fundos públicos. Devem atender
ao interesse público (complicado) e apontados a cumprir um fim ou objetivo definido, geralmente, com ênfase neste
geralmente, tendo como critério tradicional para decisão, quanto a qual contrato escolher, o que tem preço mais
baixo (embora assim seja mais difícil fazer maroscas políticas para desviar um money money).
Como há dinheiro público no meio, as decisões tomadas devem ser mais rigorosas, assentando em 3
conceitos nucleares: a concorrência, o mercado e a lealdade.
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E se me aparece um caso à frente? O que faço?
Infelizmente para ti, eu não tive Administrativo III porque escolhi optativas mais fáceis (e porque não sou um
cromo), mas a vida dá voltas e acabei por estar a estagiar numa área em que preciso de saber Contratação Pública e
tive que aprender isto sozinho na pele. Não te posso ajudar com casos, mas posso duplicar e passar à próxima
pessoa aka simplificar e dar dumb down no que vais ver no Código e/ou Sebentas.
- Princípios para despejar consoante vejas que encaixam e para mostrar que sabes ler
Novamente, não estás com sorte, porque o legislador despejou todos os princípios que podias usar para
fingir que estudaste algo no Código. O artigo 1º-A/1 do CCP (sim, porque não vou estar a escrever isto sempre)
parece uma sopa de letras de princípios, que vou meter na vertical para ser mais fácil – não te preocupes que depois
vou dizer os mais importantes em cada procedimento:
- Legalidade;
- Prossecução do interesse público;
- Imparcialidade;
- Proporcionalidade;
- Boa-fé (o clássico);
- Tutela da Confiança;
- Sustentabilidade;
- Responsabilidade;
- Concorrência;
- Publicidade;
- Transparência;
- Igualdade de Tratamento e Não-Discriminação;
- Sim, a Parte I do CCP é só isto. Agora vem a Parte II – Formação dos Contratos Públicos
A partir do artigo 16º do CCP tens a parte relativa à formação dos contratos. Problema: tu só sabes o que
são contratos públicos porque um burro que nem teve a cadeira te disse e uma lista de princípios, nem sequer
imaginas o que se tem que fazer até eles serem celebrados. Não metas a carroça à frente dos bois. Tal como a Lua, e
ela (sim, sabes quem és), a Contratação Pública é feita de fases.
Antes de irmos para as fases, temos que entender que estas vão se adaptar ao tipo de procedimento
escolhido pela entidade adjudicante – quem quer contratar, assim é mais fácil. Este tipo de procedimento é
escolhido do elenco do artigo 16º do CCP (respeitando o princípio da tipicidade, este é bom para chutar por isso
anota ao lado), com base nos critérios definidos nos artigos 17º e ss. do CCP, que condicionam os procedimentos
com base no valor do contrato e com quem vai ser celebrado.
Esta escolha do último parágrafo vai depois influenciar como o processo corre, mas, para terem uma ideia
geral e não stressarem tanto, a matriz das fases da Contratação Pública é a seguinte:
- Existe uma decisão de contratar pela Entidade Adjudicante (artigo 36º do CCP);
- É escolhido o procedimento a seguir como já vimos;
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- Decorre a tramitação do procedimento pré-contratual (os preparativos antes da festa);
- Existe a Adjudicação (também vou explicar à frente);
- O contrato é celebrado (quem contrata passa de Entidade Adjudicante a Contraente Público);
A decisão de contratar é o momento que marca o início jurídico do procedimento, o nascimento da criança
de nome Contrato Público (melhor que Ken ou Enzo). É feita pelo órgão competente para contratar, que,
simultaneamente, autoriza a despesa em causa e, nos casos que assim o exijam (os do artigo 67º do CCP), designa o
júri que irá presidir o procedimento. É uma manifestação dos princípios da legalidade e prossecução do interesse
público, devendo ser garantida também a isenção dos titulares dos órgãos competentes de forma a assegurar o
respeito pelo princípio da imparcialidade no processo – artigo 55º do CCP. Por ser um ato administrativo, esta
decisão tem que ser devidamente fundamentada. O CCP ajuda-nos nesta parte do processo ao definir, a partir do
seu artigo 34º um conjunto de normas, fáceis de perceber, que devem ser cumpridas nos momentos preparatórios
do procedimento.
A escolha de procedimento, o próximo passo, já foi batido em cima, mas vale a pena acrescentar que
também deve ser fundamentada (artigo 38º do CCP), de forma a garantir os princípios da imparcialidade e de
concorrência. Esta fundamentação tem que se basear, e fundamentar/justificar aquele que for seguido, nos critérios
dos artigos 17º e ss. CCP, designadamente o valor do contrato (artigos 17º a 22º CCP) e critérios materiais (artigos
23º e ss. CCP).
- É o Bicho, é o Bicho, ele vem te pegar – agora é que as coisas se multiplicam
A fase com mais palavras difíceis de ler e escrever para alguns de vós, analfabetos – a tramitação do
procedimento pré-contratual. É aqui que isto fica russo para os ucranianos, árabe para os israelitas. Não vale a pena
começar pela pintura geral do que pode, ou não, acontecer ou decorrer num prisma geral quando vamos abordar os
diferentes tipos de procedimento. Vamos começar por aí e depois chegamos a um panorama geral, que se revela
inútil quando focamos nos casos especiais.
Ajuste direto e consulta prévia (artigos 112º e ss. CCP)
Quem prestou atenção às JMJ certamente já ouviu de polémicas por causa de ajustes diretos. Estes
procedimentos são procedimentos que afastam de forma total, ou parcial, a concorrência, respetivamente. No
ajuste direto, é convidada uma entidade a celebrar o contrato; na consulta prévia, são convidadas pelo menos 3 para
lutar pela mão da donzela – as restantes RIP in peace, não há contrato para vocês. Muito beef como podem imaginar
sobre isto, como podem imaginar, mas como só gosto de fofoca de qualidade, deixo para os outros meios para
fazerem a vossa exploração quanto ao assunto.
Vamos começar as speedruns que vão ser características desta parte da tramitação:
- artigo 67º/1 do CCP: este tipo de procedimentos dispensa a constituição de júri devido às suas
características (evitar pessoas extra que questionem os tachos e negociatas);
- artigo 113º do CCP: define quem tem competência para iniciar o procedimento;
- artigo 114º do CCP: define quem pode ser convidado pelas entidades (aqui, além da noção que devia existir
por quem decide, existem os limites legais do artigo 55º do CCP);
- artigo 115º do CCP: define o que deve constar do convite (dá as mãos com os artigos 40º e ss. CCP);
- artigos 118º a 121º do CCP: estabelece a fase de negociação, para a consulta prévia (pode ter júri, mas só
se for prevista esta possibilidade anteriormente);
- artigos 121º a 124º do CCP: estabelece as fases do procedimento, também só para a consulta prévia
(atender ao artigo 125º do CCP caso só resulte daqui uma proposta);
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- artigo 127º do CCP: eficácia do contrato depende da publicidade do mesmo. Neste tipo de contratos
públicos, existe um maior rigor na publicidade destes de forma a que seja sempre assegurado o respeito pelos
princípios da imparcialidade e da prossecução do interesse público;
- artigo 128º do CCP (também conhecido por tacho supersónico ou ajuste direto simplificado): possibilidade
de, em contratos de aquisição de bens e/ou serviços com valor <5.000€ ou empreitadas com valor <10.000€, o ajuste
ser feito de forma “apressada” pelo órgão competente para contratar, através da fatura para a despesa;
Concurso Público (artigos 130º e ss. do CCP)
É o créme de la créme da Contratação Pública, a fantasia de qualquer legislador da matéria, porque é o
procedimento mais eficaz para a prossecução do interesse público e a sua garantia de concorrência pela não
limitação dos concorrentes.
Mais uma speedrunzinha:
- artigo 40º do CCP: estabelece como devem ser elaboradas as peças do procedimento, nomeadamente o
programa do concurso (artigo 132º do CCP) e o caderno de encargos (artigos 42º e ss. do CCP);
- artigo 130º do CCP: define que o concurso tem que ser publicado no Diário da República;
- artigo 133º do CCP: corolários dos princípios da transparência e concorrência (aquele despejo básico de
princípios que é sempre bacano);
- artigos 135º e 136º do CCP: estabelecem os prazos, caso sejam concursos internos ou internacionais;
- artigo 139º do CCP: avaliação das propostas, por parte do júri, com base na análise das mesmas;
- artigo 140º do CCP: quando se trate de contratos de locação ou de aquisição de bens móveis e/ou
serviços, acrescentando a possibilidade de, nestes casos, ocorrer um leilão eletrónico nos termos dos artigos 141º e
142º do CCP.
- artigo 146º e ss. do CCP: estabelecem a fase de preparação da adjudicação que consiste no relatório
preliminar (artigo 146º do CCP), na audiência prévia dos concorrentes (artigo 147º do CCP) e, por último, o relatório
final (artigo 148º do CCP);
- artigo 149º e ss. do CCP: abrem a possibilidade para uma fase de negociação nos concursos públicos.
Com o terminar do concurso público, escolhido o concorrente para contratar, passamos à adjudicação, nos
termos gerais dos artigos 73º e ss. do CCP, com a devida publicitação exigida pelos artigos 78º e 78-A do CCP;
Em casos de urgência extrema (o gajo que ia rebentar Ciências fugiu e é preciso criar um muro para evitar
que terroristas matem inocentes, por exemplo), existe a possibilidade de uma simplificação da tramitação acima
descrita e um encurtamento de prazos – é ELE, o Concurso Público Simplificado (artigos 155º e ss. do CCP).
Concurso limitado por prévia qualificação (artigos 162º e ss. do CCP)
Não deixa de ser concorrencial, ou seja, mais fixe, mas há uma avaliação subjetiva dos concorrentes antes da
fase de apresentação de propostas. É tipo o Tinder, eles até que te vão ouvir, mas primeiro têm que te achar uma
delícia. Segue um regime semelhante ao dos concursos públicos salvo as exceções naturais exigidas pela sua
natureza (artigo 162º do CCP). Já sabem, começar a correria:
- artigo 163º do CCP: fases do procedimento feat. genocídio da fase de negociações; começa então com a
apresentação das candidaturas e a qualificação dos candidatos, os swipes right e swipes left do mundo
administrativo, de onde se retiram os concorrentes desejados e os descartáveis;
- artigo 164º + 40º + 42º e ss. do CCP: regras para a elaboração das peças do procedimento;
- artigo 167º do CCP: regras sobre a publicitação;
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- artigo 170º do CCP: estabelece como devem ser apresentadas as candidaturas;
- artigos 173º e 174º do CCP: definem os prazos caso se trate de um concurso interno ou internacional;
- artigo 177º do CCP: publicitação da lista de candidatos, feita pelo júri, no dia após o fim do prazo para
apresentação de propostas, atendendo aos princípios da transparência, igualdade e imparcialidade;
- artigos 178º e ss. do CCP: definição de como deve ser feita a análise e avaliação das propostas através dos
modelos definidos nos artigos 179º e 181º do CCP;
- artigo 185º do CCP: reflete o dever de audiência prévia que o júri deve cumprir;
- artigo 186º do CCP: o relatório final do júri deve ser fundamentado;
- artigo 187º do CCP: define como deve acontecer a notificação do candidato escolhido, pelo órgão
competente, no que se reflete num ato administrativo;
- artigo 189º do CCP: como é feito o convite à apresentação da proposta, que deve respeitar, também, os
artigos 56º e ss. do CCP;
- artigos 190º e 191º do CCP: tal como acima, diferenciação dos prazos a atender em função do concurso ser
interno ou internacional;
Depois desta sequência de acontecimentos (tipo descrição do que aconteceu a 11 de setembro de 2001 na
costa Leste dos Estados Unidos da América), voltamos à sequência geral da Contratação Pública, ou seja:
- artigo 138º do CCP: publicitação, pelo júri, no dia seguinte ao fim do prazo;
- artigos 139º e ss. + artigos 70º e ss. do CCP: elaboração pelo júri de relatório preliminar, garantia do dever
de audiência prévia dos candidatos e, finalmente, elaboração do relatório final;
- artigo 73º do CCP: início do processo de adjudicação;
Negociação (artigos 193º e ss. CCP)
Pronto, começamos agora as figuras que deviam ter assumido ir comprar tabaco e nunca nos terem
assombrado com a sua existência. Daqui para a frente, a aplicação no mundo real já é menos comum e, diga-se, a
própria consagração legal é uma teia de aranha que não é estudando por aqui que vão conseguir entender, mas se já
estás no anfiteatro e faltam 5 minutos, lê estes artigos por alto.
As regras definidas para a negociação são semelhantes às do regime do concurso limitado por prévia
qualificação (que, por sua vez, tem um regime baseado no dos concursos públicos), salvo nas exceções apresentadas
ao longo do seu regime, sendo que a diferenciação é neste procedimento existir uma fase de negociação (duh). A
cena é que, apesar de isto já estar um triângulo amoroso, chega o primo estranho – o ajuste direto – para tornar isto
um quadrado amoroso incestuoso porque também existem muitas remissas para o regime do ajuste direto (EU
AVISEI QUE ISTO NÃO CABE NA CABEÇA DE NINGUÉM). O bom disto é que, presumo eu com a minha inocência de
quem ainda acredita que os professores procuram preparar os alunos para o que interesse realmente naquilo
chamado vida real, não devem ter grande contacto com esta modalidade. Vamos lá enfrentá-la de frente tho:
- artigo 194º do CCP: estabelecimento das fases do procedimento;
- artigo 195º do CCP: neste modelo não há a possibilidade de haver leilão eletrónico;
- artigo 196º do CCP: define o que deve estar no concurso em si;
- artigos 197º e 198º do CCP: estabelecem como devem ser feitas as apresentações das candidaturas e a
qualificação das mesmas;
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- artigos 199º e 200º do CCP: regulam a fase de apresentação das versões iniciais das propostas (sim, iniciais
porque depois há a negociação para deixar as coisas bonitinhas, é toda a particularidade disto);
- artigos 201º e 202º do CCP: a namesake deste procedimento – a negociação – mas que não é criativa ao
ponto de tratar de si mesma, então manda aquele passe em profundidade para o ajuste direto ajudar a tratar da
coisa, remetendo para os artigos 118º a 121º do CCP;
- artigos 203º do CCP: agora com remessa com carinho para outro regime, o do concurso público (artigos
152º a 154º do CCP), define como deve ser feita a análise das versões finais e a adjudicação. Deem uma olhada
acima para perceber, mas vai sempre na onda de relatório preliminar, audiência prévia e relatório final.
Diálogo concorrencial (artigos 204º e ss. do CCP)
Ao contrário do próprio nome, nem vale a pena dialogar sobre este tópico. Tal como o Braga a tentar ser
relevante no futebol português, é inútil. Não é usado em Portugal. Foi uma modinha inventada nas Diretivas
Europeias (devem ser as de 2014, mas nem vale a pena saber nada sobre este cromo deste diálogo concorrencial)
que o legislador teve que colar no CCP sob pena de invasão (para efeitos legais, devo admitir que esta última parte
não é verdade).
Parceria para a inovação (artigos 218º-A e ss. CCP)
Começamos mal. Começamos logo como um artigo que tem uma letra à frente. Certamente, e perdoem-me
a ignorância legal, deve haver algum artigo com uma letra à frente minimamente útil, mas eu não os conheço. Para
mim são os equivalentes legais aos prémios de participação no Interturmas. Mas a máxima “não julgar o livro pela
capa” existe porque tem fundo de verdade. Admirem-se, não é uma figura inútil e, até posso dizer mais, é
interessante qb. Também é recente no direito interno, foi concretizada em 2018 por força das Diretivas de 2014.
Além dos artigos assinalados em cima, que constituem o seu regime, temos que voltar também aos artigos
29º a 30º-A do CCP, porque o legislador deixou lá uns pozinhos importantes para ter uma visão geral completa.
Este procedimento resume-se em haver uma necessidade qualquer por parte de uma entidade pública, mas
não há algo no mercado capaz de satisfazer essa necessidade nos moldes pretendidos. Para resolver este problema
forma-se então a dita parceria, com objetivo do desenvolvimento, pela entidade contratada, desse “algo”, seja ele
um bem ou serviço, por exemplo, desejado. É um pouco abstrato, sim, mas, por isso, são exigidos nas peças do
procedimento elaboradas pelas entidades adjudicantes:
- A identificação da necessidade da inovação que é procurada, que não é possível de obter no mercado,
definindo também, desde já, os objetivos mínimos que têm que ser atingidos no desenvolvimento;
- A definição das disposições adotadas quanto à propriedade intelectual (de forma a procurar evitar litígios
que possam surgir nesta questão entre as partes, após a criação da inovação);
- A inclusão dos requisitos de competência que os concorrentes devem possuir, de forma a que exista uma
adequação da competência dos concorrentes ao projeto (não vamos ter uma empresa de construção civil a
investigar microrganismos capazes de matar bactérias que matam peixes, no âmbito da pesca);
Esta parceria, como é passível de analisar no artigo 218º-D/2 do CCP, não precisa de ser celebrada
exclusivamente com uma entidade, podendo existir parcerias concorrentes para o mesmo projeto desenvolvido a
investigar, simultaneamente, o assunto, com divisão de tarefas.
As fases deste procedimento estão estabelecidas no artigo 218º-A do CCP, com as devidas remissas
necessárias para outros regimes de forma a complementar um regime próprio que é curto.
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- O Mal já passou, vamos agora sintetizar tudo bonitinho
Agora que já avaliamos as particularidades dos modelos passíveis de adotar (menos tu, diálogo
concorrencial, tu ficas caladinho aí no canto), deves ter reparado que haviam várias remissões para aquilo que se
apresenta como o regime geral de procedimentos, que é (quase comum) a todos, salvo diferenças naturais relativas
a características dos próprios modelos.
Estas regras gerais, presentes nos artigos 40º a 111º do CCP, estabelecem que fases devem ter os
procedimentos (embora algumas não sejam obrigatórias para todos), assim como muitas das regras que vão ser a
substância de como devem ser executados.
Temos este esquema mais ou menos simples:
- Fase inicial
- decisão de contratar;
- escolha do procedimento (artigos 16º e 17º do CCP);
- elaboração e publicitação das peças do procedimento (variam entre os tipos - artigos 40º a 42º do CCP);
- Fase de qualificação (nem sempre acontece, como já vimos – depende do tipo de procedimento)
- Fase de apresentação e aceitação das propostas
- a proposta aqui é uma declaração dos concorrentes da sua vontade de contratar com a entidade
- deve definir como pretende fazer o que é procurado (artigo 56º/1 do CCP);
- deve conter os documentos exigidos (artigo 57º do CCP);
- deve atender às regras estabelecidas (artigos 58º e ss. do CCP);
- após a sua aceitação, são elencadas e publicitadas numa lista de concorrentes
- é feita pelo júri e é publicada no dia seguinte ao fim do prazo (artigo 138º/1 do CCP);
- Fase de avaliação das propostas e de preparação da adjudicação
- é responsabilidade do júri
- este júri é designado pelo órgão competente a contratar (artigo 67º/1 do CCP) e entra em funções
no dia seguinte à publicação do anúncio (artigo 68º/1 do CCP);
- tem as competências explanadas no artigo 69º (nice) do CCP, sendo que quando analisar as
propostas tem que atender às regras para as mesmas (artigos 56º e ss. do CCP), assim como às regras sobre como
deve proceder (artigos 70º e ss. do CCP);
- depois da análise, procede com a elaboração de um relatório preliminar onde pode propor
exclusões de certas propostas e onde ordena as restantes;
- em sequência deve cumprir o seu dever de garantir a audiência dos concorrentes;
- por último, elabora o relatório final do seu trabalho;
- Fase da adjudicação (artigos 73º e ss. do CCP)
- é a parte em que acontece a escolha de com quem se vai fechar contrato e observam-se as formalidades
necessárias nesse sentido;
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- Fase da preparação e celebração do contrato
- dá-se a habilitação e prestação da caução (artigos 81º e ss. do CCP);
- aceitação da minuta do contrato (artigo 98º do CCP);
- há que atender à exigência do período de standtsill de, pelo menos 10 dias, antes de fechar
totalmente o contrato (artigo 104º do CCP), de forma a que possa ser impugnado por qualquer razão que se
verifique como válida nos termos legais. É um limbo em que está tudo “pronto”, mas ainda não se pode avançar de
verdade.
- Regime substantivo dos contratos administrativos (adormeci a escrever este título)
É a última matéria relativa aos contratos em si. Depois há os acórdãos europeus (que grande seca, eu sei)
sobre sustentabilidade (conversa de merdinha, perdoem-me o francês, porque o impacto das deslocações desses
dirigentes europeus nos seus aviões privados tem maior impacto do que contratação pública a pequena escala, mas
pronto), mas isso é outra conversa. Isto aqui é basicamente as invalidades dos contratos.
Vem na Parte III do CCP (artigos 278º e ss. do CCP) mas há mais beefs doutrinários sobre o âmbito de
aplicação que vem no artigo 280º do CCP (a doutrina precisa de tocar em muita relva). Eu, seguindo a minha
doutrina do foda-se, vou adotar a que diz que o âmbito da aplicação diz respeito aos contratos em si e também à sua
execução, seguindo assim as Diretivas de 2014.
Dentro das invalidades em si, temos 2 que dá para dividirmos:
- invalidades consequentes, ou seja ilegalidade dos procedimentos que fomos vendo (artigo 283º do CCP)
- isto aqui faz pouco sentido, e tenho que concordar com o lado do beef que diz que esta ideia é
ridícula, mas quando um procedimento tenha sido já, ou ainda possa ser, declarado como nulo, o contrato que dele
nasce é nulo (artigo 283º/1 do CCP). Onde é que isto cabe na cabeça de alguém abrir a possibilidade de ser
declarado nulo quando ainda não houve a decisão concreta de que o procedimento assim o foi. Mas, work smarter
not harder, caguem de cima se não quiserem explicar esta idiotice e adotem a letra da lei, sendo que podem explicar
que existe este beef.
- na mesma onda, mas no prisma da anulabilidade, é igual: o contrato é anulável quando o
procedimento em que este assentou tenha sido declarado anulável, ou ainda o possa ser (artigo 283º/2 do CCP).
Este efeito anulatório pode, porém, ser afastado através de uma decisão judicial ou arbitral, nos termos do artigo
284º/2 do CCP.
- invalidades próprias do contrato (artigo 284º do CCP)
- são anuláveis os contratos que tenham sido celebrados com ofensa a algum dos princípios fofinhos
de que fomos falando (artigo 284º/1 do CCP);
- são nulos os contratos quando se encaixarem no que diz o artigo 284º/2 do CCP (são coisas mais
graves do que a violação dos princípios pelos vistos, apesar de constatarem situações claras de violação de
princípios, fazendo uma graduação de importância de princípios como consequência);
- também é preciso relembrar do regime civil de nulidade e anulabilidade provocadas por falta e
vícios da vontade (artigo 284º/3 do CCP) como são exemplos os artigos 240º/2; 246º; 247º; 251º do CC (façam a
indicação e devida remissa caso seja o caso);
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- Acórdãos (o meu 11/9) e a sustentabilidade
Não vou alimentar esta doença interna da FDL de atribuir importância que não é merecida a acórdãos tolos
que nunca vão ter utilidade na vida de um aluno após o momento em que é copiado do Código para a frequência,
sem qualquer reflexão sobre o mesmo.
Certamente não os saberei explicar porque não os li, não sei os seus nomes, nem do que se tratam além do
contexto da temática. Mas, em poucas palavras, a UE lembrou-se há pouco tempo que o ambiente é importante e
que os Estados-Membro deviam fingir que se preocupam, ao nível da Contratação Pública, ao ter em conta critérios
ligados ao ambiente e a elaborar planos de impacto ambiental em caso de afetação do mesmo.
Disclaimer final: novamente, não há uma responsabilização do autor pela confiança desmedida atribuída a este documento, fundada em
puro desespero. Utilizem de forma consciente e com noção do propósito da sua existência. Em caso de erros de formatação ou ortografia é
irreverência do artista. Em caso de erros de matéria: errei, fui mlk. Querem que diga o quê? Eu já tenho o curso feito, estudem mas é.
“As gaivotas seguem a traineira porque sabem que ao mar vão ser atirados peixes” – Eric Cantona, 1995