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Diferenças entre Neurose, Psicose e Perversão

O documento aborda as estruturas clínicas na psicanálise, focando nas diferenças entre neurose, psicose e perversão. A neurose é caracterizada por conflitos inconscientes e sintomas como ansiedade, enquanto a psicose envolve a perda de contato com a realidade, resultando em delírios e alucinações. A perversão, por sua vez, nega a castração e busca um gozo transgressor, desafiando as normas estabelecidas.

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Diferenças entre Neurose, Psicose e Perversão

O documento aborda as estruturas clínicas na psicanálise, focando nas diferenças entre neurose, psicose e perversão. A neurose é caracterizada por conflitos inconscientes e sintomas como ansiedade, enquanto a psicose envolve a perda de contato com a realidade, resultando em delírios e alucinações. A perversão, por sua vez, nega a castração e busca um gozo transgressor, desafiando as normas estabelecidas.

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MODULO 2:

ESTRUTURAS CLÍNICAS NA
PSICANÁLISE:
NEUROSE, PSICOSE E
PERVERSÃO

[Link] BAIÃO
OBJETIVOS DA AULA
COMPREENDER AS DIFERENÇAS
ENTRE NEUROSE, PSICOSE E
PERVERSÃO.
EXPLORAR OS CONCEITOS DE
RECALQUE, FORCLUSÃO E
DESMENTIDA.
DISCUTIR AS IMPLICAÇÕES
CLÍNICAS DAS ESTRUTURAS.
Estrutura x Sintoma

Estrutura: Organização psíquica


permanente.
Sintoma: Manifestação variável
dentro da estrutura.

Destaque: A estrutura se mantém ao


longo da vida, mas o sintoma pode
mudar.
Freud e as Estruturas Clínicas

Freud (1894, 1896, 1924): divisão entre neurose,


psicose e perversão.
Base para a teoria lacaniana.
A estrutura se define pela relação do sujeito com
o Outro.
A neurose
O que é? A neurose é uma estrutura psíquica
na psicanálise caracterizada por um
conflito inconsciente entre o desejo e
as normas internalizadas pelo sujeito.

Esse conflito gera sofrimento psíquico


e se manifesta por meio de sintomas
como ansiedade, obsessões, fobias e
sintomas conversivos.
1. Mecanismo Defensivo Central:
Recalque, que impede que certos
conteúdos indesejáveis do inconsciente
acessem a consciência.
2. Conflito Psíquico: O desejo
inconsciente entra em choque com
Principais proibições internas, gerando sintomas
características como forma de compromisso.
3. Manutenção do Princípio da
Realidade: O neurótico reconhece a
realidade, mas a vivencia com
angústia e sintomas.
4. Presença de Sintomas: Estes são
formações de compromisso entre o
desejo reprimido e as normas
internalizadas.
A neurose pode ser compreendida dentro do
modelo estrutural da psique freudiana, que é
composto por três instâncias: id, ego e superego.

O conflito neurótico surge da tentativa do ego de


equilibrar as demandas do id e do superego.
O Conflito Neurótico no Modelo Estrutural

Id (Princípio do Prazer)
Fonte dos impulsos instintivos e desejos inconscientes, especialmente
de natureza sexual e agressiva.
Opera de maneira primitiva e busca satisfação imediata sem considerar
normas sociais.
Superego (Princípio da Moralidade)
Interiorização das normas, regras e valores sociais e parentais.
Atua como uma instância crítica, gerando culpa e vergonha diante de
desejos considerados inaceitáveis.
Ego (Princípio da Realidade)
Função mediadora entre id, superego e realidade externa.
Busca equilibrar os desejos inconscientes do id e as exigências morais
do superego para garantir o funcionamento do sujeito na sociedade.
Como a Neurose Surge?

O id impulsiona desejos inconscientes que entram em choque


com as proibições do superego.

O ego, para lidar com esse conflito, usa mecanismos de defesa,


sendo o recalque (Verdrängung) o mais importante.

O desejo recalcado não desaparece, mas retorna de maneira


disfarçada na forma de sintomas neuróticos, como ansiedade,
compulsões ou sintomas conversivos.
Exemplo Clínico
Uma pessoa com desejo
inconsciente de agressividade
contra um ente querido (id)
pode ter um superego rígido
que a condena por tais
pensamentos. Para evitar a
culpa, o ego recalca esse desejo,
mas ele pode retornar como um
sintoma, como uma fobia (medo
de objetos que simbolizam a
raiva reprimida) ou uma
obsessão (rituais para "anular"
pensamentos agressivos).
O que é o recalque na
psicanálise?
O recalque é um dos principais mecanismos de
defesa descritos por Freud. Ele consiste na exclusão
de desejos, impulsos e lembranças inaceitáveis da
consciência, mantendo-os no inconsciente.
Freud desenvolveu o conceito de recalque em suas
primeiras teorizações sobre a neurose,
especialmente na histeria, e depois o aprofundou
ao formular o inconsciente como um sistema
dinâmico em constante conflito.
Tipos de Neurose Histeria:
Conversão corporal, deslocamento
do desejo.
Sintoma como metáfora do desejo
recalcado.
Exemplo: Caso Dora (Freud, 1905).
Neurose Obsessiva:
Pensamento repetitivo, rituais,
culpa.
Defesa contra o desejo e o gozo.
A psicose
Psicose na Teoria Freudiana
A psicose, segundo Freud, é uma estrutura
psíquica caracterizada pela perda do contato com
a realidade. Diferentemente da neurose, onde o
conflito psíquico gera sintomas que mantêm o
sujeito dentro da realidade, na psicose ocorre uma
ruptura na relação com o mundo externo,
resultando em delírios e alucinações.

Freud estudou a psicose principalmente a partir


do caso do Presidente Schreber (1911), um jurista
que desenvolveu um complexo delírio de
perseguição e transformação corporal.
Mecanismos central: Foraclusão
A forclusão (Verwerfung) é um conceito da psicanálise lacaniana
inspirado nas ideias de Freud sobre a psicose. Diferente do
recalque, onde o desejo é reprimido mas ainda existe no
inconsciente, na forclusão o significante nunca foi integrado ao
psiquismo. Isso significa que algo essencial para a organização
da realidade psíquica foi excluído desde o início e, por isso, não
pode ser simbolizado.

Quando um elemento fundamental da linguagem e da estrutura


psíquica é forcluído, ele retorna no real de maneira direta e
brutal, causando delírios e alucinações.
Exemplo:
Imagine que uma pessoa está aprendendo a falar uma língua e
nunca aprendeu uma palavra essencial, como “não”. Essa palavra
nunca fez parte do seu vocabulário, então ela não pode usá-la
para entender certas proibições e limites da realidade.

Na psicose, algo muito mais profundo acontece: o significante


que estrutura a relação do sujeito com a realidade nunca foi
inscrito na sua mente, e por isso ele não pode organizar
simbolicamente sua experiência.
O que é o Nome-do-Pai?
O Nome-do-Pai é um conceito criado por Lacan a partir da teoria freudiana. Ele
representa a função paterna, que não é apenas o pai biológico, mas o papel de uma
lei simbólica que organiza o desejo da criança.

Na infância, o bebê inicialmente vive uma relação fusional com a mãe (ou com quem
exerce esse papel), onde tudo gira em torno da satisfação de suas necessidades. O
Nome-do-Pai entra como um terceiro elemento nessa relação, trazendo a lei e a
separação, ajudando a criança a entender que:
Ela não é tudo para a mãe, pois há algo além (trabalho, parceiros, interesses).
O desejo tem regras e limites, o que permite a entrada na ordem simbólica
(linguagem, sociedade).

Essa “separação” imposta pelo Nome-do-Pai é fundamental para que a criança


organize seu psiquismo e sua relação com o mundo.
A Psicose no Modelo Estrutural: Id, Ego e
Superego

Na teoria freudiana, a psique é composta por id, ego


e superego, e cada estrutura clínica (neurose,
psicose e perversão) apresenta uma dinâmica
específica entre essas instâncias. Na psicose, o
problema central é a fragilidade do ego, que não
consegue mediar a relação entre o id, o superego e
a realidade externa.
Como Isso Explica os Sintomas Psicóticos?

1. Delírios:
Quando o ego não consegue sustentar a realidade, ele cria uma nova.
O delírio é uma tentativa de "costurar" a realidade psíquica rompida.
2. Alucinações:
São experiências sensoriais geradas pelo id, sem que o ego consiga
filtrá-las.
Exemplo: Um esquizofrênico pode ouvir vozes que, na verdade,
representam suas próprias tensões internas projetadas no mundo
externo.
3. Sensação de Perseguição:
Pode surgir de um superego cruel e projetado no exterior.
Exemplo: Um paciente pode acreditar que está sendo vigiado por
câmeras, quando na verdade esse sentimento pode representar uma
culpa inconsciente intensa.
Diferença entre Neurose e Psicose na Estrutura do Ego

Neurose Psicose

Ego forte, mas em conflito com o id e o


Ego frágil, incapaz de lidar com a realidade.
superego.

Superego rígido, mas estruturado. Superego caótico ou persecutório.

Recalque impede a consciência de certos


Forclusão impede a estruturação simbólica.
desejos.

O desejo retorna como sintoma A realidade entra em colapso e precisa ser


neurótico. reconstruída via delírio.
Exemplo Clínico

Um paciente com esquizofrenia pode relatar que alienígenas falam


com ele por meio da TV.

No modelo estrutural, isso pode ser entendido como:


O id projeta impulsos internos de forma desorganizada.
O ego, enfraquecido, não filtra essa experiência.
O superego, que deveria dar limites, pode se manifestar como um
perseguidor externo.
Como a realidade entrou em colapso, o ego cria um novo mundo
onde os alienígenas fazem sentido.
Tipos de Psicose

Esquizofrenia:
Dissociação psíquica, perda da unidade do eu.

Paranoia:
Delírio organizado com lógica interna.
Exemplo: Caso Schreber (Freud, 1911).
A perversão
A Perversão na Psicanálise

A perversão é uma das três estruturas clínicas descritas na


psicanálise, ao lado da neurose e da psicose.

Diferente da neurose, onde o desejo é reprimido, e da


psicose, onde a realidade é rompida, a perversão está
relacionada à negação da castração e à busca ativa de um
gozo transgressor.
A Perversão na Psicanálise

A perversão é uma das três estruturas clínicas descritas na


psicanálise, ao lado da neurose e da psicose.

Diferente da neurose, onde o desejo é reprimido, e da


psicose, onde a realidade é rompida, a perversão está
relacionada à negação da castração e à busca ativa de um
gozo transgressor.
A Perversão no Modelo Estrutural (Id, Ego e Superego)

Id (Impulsos e Desejo)
O id é dominante na perversão, com forte presença do desejo sexual e do prazer
imediato.
Diferente da neurose, o desejo não é recalcado, mas colocado em prática de forma
desafiadora.
Ego (Mediador da Realidade)
O ego na perversão reconhece a lei, mas opta por contorná-la.
Não há um conflito interno, como na neurose, mas sim um jogo entre obediência e
transgressão.
Superego (Moral e Regras)
O superego perverso não reprime; pelo contrário, ele estimula o gozo.
Ele funciona como um "tirano", empurrando o sujeito a ultrapassar os limites.
A Perversão no Modelo Estrutural (Id, Ego e Superego)

Id (Impulsos e Desejo)
O id é dominante na perversão, com forte presença do desejo sexual e do prazer
imediato.
Diferente da neurose, o desejo não é recalcado, mas colocado em prática de forma
desafiadora.
Ego (Mediador da Realidade)
O ego na perversão reconhece a lei, mas opta por contorná-la.
Não há um conflito interno, como na neurose, mas sim um jogo entre obediência e
transgressão.
Superego (Moral e Regras)
O superego perverso não reprime; pelo contrário, ele estimula o gozo.
Ele funciona como um "tirano", empurrando o sujeito a ultrapassar os limites.
A Perversão e a Lei: O Papel do Nome-do-Pai

Diferente da neurose, onde o sujeito aceita a castração simbólica (ou


seja, o reconhecimento da falta e da impossibilidade de ter tudo o que
deseja), na perversão há uma negação dessa castração.

Na neurose: O sujeito aceita que há limites e proibições.


Na psicose: A lei foi forcluída (não existe no psiquismo).
Na perversão: O sujeito vê a lei, mas a desafia constantemente.

A frase que define a perversão seria: "Eu sei que há um limite, mas ajo
como se ele não existisse".
Mecanismo Fundamental: A Desmentida

Freud identificou o mecanismo central da perversão como a


desmentida, que significa negar uma realidade evidente para
sustentar o desejo.

➡ Exemplo clássico: Na fase infantil, ao perceber a diferença


anatômica entre os sexos, o menino perverso nega a castração
da mulher e imagina que ela ainda tem um pênis oculto. Essa
recusa em aceitar a falta é a base do funcionamento perverso.
Diferença entre Neurose, Psicose e Perversão

Neurose Psicose Perversão

A lei foi forcluída (não


Conflito entre desejo e lei. A lei existe, mas é desafiada.
existe no psiquismo).

Mecanismo: Recalque. Mecanismo: Forclusão. Mecanismo: Desmentida.

Sintomas como fobias, TOC, histeria. Delírios, alucinações. Comportamentos fetichistas, sádicos.

A realidade entra em
O desejo recalcado retorna como sintoma. O desejo é posto em ato sem culpa.
colapso.
Exemplo Clínico: O Fetichismo

No fetichismo, o perverso cria um objeto substituto para lidar com a falta


do pênis na mulher.

Um exemplo clássico é o fetiche por sapatos:


O sujeito sabe que a mulher não tem pênis, mas age como se o sapato
fosse um substituto simbólico.
Assim, ele nega a castração sem perder totalmente o contato com a
realidade.

Isso mostra como a perversão mantém uma relação com a realidade, mas
desafia a norma para buscar o gozo.

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