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Prática introdutória em LIBRAS
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Introdução Aula 1 Aula 2 Aula 3 Encerramento Midiateca
Aula 1
LIBRAS e contextos sociais
O maior desafio da sociedade brasileira hoje é tornar-se, de
fato, inclusiva. O fator mais relevante a esse preceito é a
conquista da cidadania plena, com respeito às diversidades e às
singularidades humanas. Na área da surdez, observamos o
empenho a esse preceito nos fatores de: reconhecimento da
cultura surda e da língua de sinais.
Verifica-se um esforço em todos os setores em atender ao
paradigma da inclusão, que impõe novos olhares diante do
nosso cotidiano social. Ressaltamos que, como enfatiza Mittler
(2003), abordar a questão da inclusão/exclusão não significa
vê-la como algo experimentado somente por grupos
culturalmente diferentes ou, no caso, por grupos rotulados
como deficientes. Atualmente, a problemática da
inclusão/exclusão vem atingindo a todos nas suas mais diversas
formas, ou seja, todos podem ser excluídos de alguma situação
e incluídos em outra.
Não obstante, nesse percurso, numerosos e distintos entraves surgem à concretização de
efetivas e significativas práticas de interação e respeito às diferenças humanas, impondo aos
sujeitos sociais a busca de formas de superação ao fenômeno — exclusão social.
Nesse contexto, os surdos brasileiros obtiveram alguns direitos garantidos com o surgimento de
leis em consonância com uma sociedade civil propícia às mudanças democráticas, cujos
princípios encontram-se vinculados ao exercício pleno da cidadania.
No entanto, em qualquer contexto social, a troca de
paradigmas, enraizados historicamente, é circundado
pela multidimensionalidade de desafios à sua
implantação. Os cidadãos surdos ainda lutam pela
superação da desvalorização da sua língua materna e
pelo entendimento social de que a LIBRAS é uma
modalidade que respeita o indivíduo surdo na sua
totalidade, ou seja, como um ser histórico-
sociocultural e como usuário de uma língua que, assim
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Fonte da imagem: Escola Frei Angélico.
Prática introdutória em
como qualquer outra, possui características linguísticas
LIBRAS
próprias.
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Historicamente, a língua de sinais — em suas múltiplas
Introdução Aula 1 Aula 2 Aula 3 Encerramento
dimensões Midiateca
e em sua relação com a cultura e a
sociedade como um todo, cujo reconhecimento como
uma língua legítima, com status linguístico, tão
completa e complexa quanto qualquer outra língua —
foi permeada por diversas manifestações histórico-
sociais, provocando, na inclusão social dos surdos,
alguns preconceitos quanto às suas competências
profissionais, educacionais e sociais.
Com relação aos preconceitos, assista ao depoimento de uma surda que utiliza as duas
línguas (Português e LIBRAS) para passar a sua mensagem. Preste atenção nos sinais das
palavras, para que você aumente o seu vocabulário. O nome do filme é: A barragem de
comunicação entre surdos e ouvintes, de Laura Pompeu.
E quais seriam as manifestações histórico-sociais no campo da surdez?
Vale ressaltar que, enquanto sujeitos históricos, somos constituídos e constituintes dos processos
de desenvolvimento da sociedade. Portanto, o desenvolvimento em todas as áreas da sociedade,
seja de ordem econômica, política, cultural ou social, corroboram para concepções ideológicas,
que podem alterar a forma de "estar", "vivenciar" e "enxergar" o mundo.
Assim, a história dos surdos, de acordo com o desenvolvimento da sociedade, passou por
diversos momentos, dos quais emergiram concepções que influenciaram as atitudes dos sujeitos
sociais e determinaram o entendimento e o atendimento ofertado às pessoas surdas.
O quadro abaixo destaca alguns desses momentos:
Desde a antiguidade até o séc. XV
Os surdos eram considerados incapazes, já que, privados da audição,
eles não falavam. Na Antiguidade, por exemplo, eliminava-se ou
abandonava-se os "diferentes", pois o padrão da sociedade era a
perfeição do indivíduo. Devido à ausência de pesquisas científicas
desenvolvidas na área da surdez, os surdos eram considerados como
anormais, desprovidos de linguagem e com algum tipo de atraso na
inteligência. Creditava-se à surdez questões de ordem espiritual. Para
ser considerado "normal" perante a sociedade era preciso falar e ouvir
e, sob esse prisma, os sujeitos surdos eram excluídos da vida social e
educacional.
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Prática introdutória
Séc. XVI até em
XVII LIBRAS
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Com o avanço da medicina, a surdez foi considerada problema médico,
Introdução Aulae 1não Aula
mais 2espiritual.
Aula 3 Começaram,
Encerramento
assim, Midiateca
debates sobre a interação
social dos surdos, dos quais surgiram vários pesquisadores, educadores e
filósofos que desenvolveram trabalhos com os surdos. No bojo desse
cenário, podemos destacar a inserção da concepção de que o surdo
possuía habilidade de raciocinar e interagir socialmente, mas não
superou o fato de a surdez ser tida como uma "doença", que deveria ser
tratada. Moura (2000, p. 18) ressalta: "A possibilidade de o surdo falar
implicava o seu reconhecimento como cidadão." Assim, as tentativas de
ensinar o surdo a falar e/ou a se comunicar por meio da escrita foram
inúmeras.
Sé[Link] até XIX
Surge o reconhecimento da língua de sinais como a possibilidade de os
surdos aprenderem e dominarem diversos assuntos e, assim, exercerem
diversas profissões. Agregou-se a esse contexto a defesa da linguagem e
escrita de sinais e a concepção de que os surdos podiam expressar seus
pensamentos por meio da sua língua, porque a mesma lhe dava as
mesmas condições que a língua oral dá aos seus usuários. Entretanto,
em 1880, no congresso de Milão, em que se discutiu a educação dos
surdos, foi declarada a proibição do método gestual no contexto
escolar, prevalecendo a comunicação oral, pois, segundo Silva (2006),
acreditava-se que as palavras eram consideravelmente superiores aos
gestos. Assim, a proibição da comunicação gestual-visual em detrimento
ao oralismo diminuiu a sociabilidade do surdo, criando obstáculos para a
sua inclusão.
Séc. XX até XXI
Na década de 1960, preconizou-se a Comunicação Total, isto é, o uso
simultâneo das línguas dos sinais e oral. Nesse processo histórico,
aumentam as pesquisas sobre a língua de sinais, enfatizando que a
mesma ajuda o desenvolvimento social e educacional dos surdos,
legitimando sua completude linguística. Assim, na década de 1980,
surge a modalidade bilíngue, presente até hoje, na educação de surdos.
Tal modalidade é uma proposta de ensino que propõe o acesso dos
surdos a duas línguas no contexto social e escolar, mas que língua
sinalizada deve preceder a oral. Nesse contexto, chegamos ao sé[Link],
com promulgação da Lei nº 10.436, de 2002, e do Decreto nº 5.626, de
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2005 (estudados anteriormente), que ratificam a completude linguística
Prática introdutória em LIBRAS
da língua de sinais e sua importância na inclusão efetiva dos surdos na
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sociedade, bem como reconhece a LIBRAS como a língua materna das
Introdução
comunidades
Aula 1 Aula 2
surdas.
Aula 3 Encerramento Midiateca
Para melhor aproveitamento sobre a cultura surda, leia o artigo História cultural dos
surdos: desafios contemporâneos (2014), de Gladis Perlin e Karin Strobel (profissionais
surdas e pesquisadoras na área da surdez).
Ao situarmos essa breve trajetória sobre alguns momentos históricos vivenciados pelos surdos,
observamos avanços e retrocessos nos processos de tentativas de legitimação da língua de sinais
como a língua natural dos surdos.
Na atualidade, mesmo com muitos avanços, ainda são percebidas atitudes sociais não
condizentes com uma sociedade que se diz inclusiva. O desconhecimento sobre a cultura surda e
a não apropriação da LIBRAS, acabam por traduzir processos sociais de exclusão.
+A garantia da LIBRAS como língua materna dos surdos não só os beneficia no seu
desenvolvimento integral, nas ordens cognitiva, afetiva, cultural e social, como
também possibilita aos não usuários da língua refletirem sobre o seu papel diante
desse novo contexto, no qual os surdos, quando lhes é dada a oportunidade de se
reconhecer enquanto cidadãos de direitos e não lhes negam uma educação e formação de
qualidade, são capazes de se sentirem pertencentes a uma sociedade que não é dele, sua ou
minha, mas NOSSA.
Vídeo da Unidade
Para enriquecer seu conhecimento na área da surdez, assista aos depoimentos de dois
profissionais surdos: o professor/tradutor em línguas de sinais Ricardo Boraetto, que nos
esclarece sobre as profissões que os surdos podem exercer; e a professora Alexandra
Ferreira Paiva, que nos relata sobre as dificuldades encontradas no processo de sua
formação profissional. Esses depoimentos exemplificam a questão de que os surdos podem
estar incluídos na sociedade enquanto sujeitos competentes e participativos, desde que
lhes viabilizem as oportunidades.
Se preferir, faça o download do áudio (mp3 compactado) deste vídeo clicando aqui.
Caro(a) aluno(a), antes de passarmos para a próxima aula, sugerimos que você: pesquise
as profissões no Dicionário da Língua Brasileira de Sinais (lembre-se de que alguns sinais
desse site podem aparecer como indeterminados, devido às diferenciações linguísticas
regionais e estudos); consulte outros sites; veja de novo o vídeo do professor Ricardo
Boareto, ou pergunte aos surdos da sua cidade; e visite as unidades anteriores para
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inseri-las em frases. O exercício ajudará você no aprendizado da língua. Vamos lá, tente,
Prática introdutória em LIBRAS
você consegue!
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Introdução Aula 1 Aula 2 Aula 3 Encerramento Midiateca
Atividade
Acredita-se que uma sociedade inclusiva não é feita somente com atos legais, mas também
com ações e relações interacionais, realizadas em todos os contextos sociais. Atualmente,
temos nos defrontado, na área da surdez, com novos paradigmas que estão mudando as
representações sociais em torno das pessoas surdas, creditando ao reconhecimento da
Libras o entendimento de que elas podem ser participativas e competentes em todas as
áreas, desde que sejam respeitadas e valorizadas em suas diferenças, oferecendo-lhes
oportunidades.
Com relação ao reconhecimento da Libras como a língua materna das comunidades surdas,
podemos destacar que:
V Verdadeiro. I) Dificulta a aprendizagem dos surdos e seu
desenvolvimento cultural.
F Falso.
II) É uma língua compartilhada pelas comunidades
surdas.
III) É entendida como uma língua completa
linguisticamente.
IV) É uma língua inferior à língua portuguesa.
V) Ajuda na superação da desvalorização da cultura
surda.
conferir
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