Previsão de Falência no Setor Bancário
Previsão de Falência no Setor Bancário
bancário português
por
Dânia Janine Saraiva Amaro
2015
Agradecimentos
A caminhada até aqui foi longa e com alguns obstáculos. É um trabalho de investigação
exaustivo, solitário e de superação. A sua conclusão não teria sido possível sem o
contributo de algumas pessoas e entidades, às quais aproveito para deixar o meu
profundo reconhecimento e agradecimento:
Ao meu orientador Professor Doutor José Carlos Dias pela sua disponibilidade, apoio,
sentido crítico e competência cientifica que se revelaram ser uma mais valia na
conclusão deste estudo.
À minha família, amigos e namorado pela paciência, incentivo e apoio ao longo deste
último ano.
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Resumo
Os modelos de previsão de falência existem com o intuito de ser uma ferramenta útil
para os diversos gestores a analistas financeiros. Edward Altman (1968) foi o primeiro
na história a desenvolver um modelo do género, denominado de Z-Score. Rapidamente
surgem seguidores de diversas áreas que adotam a mesma e outras metodologias.
Atualmente, somos atingidos com uma das piores crises financeiras e económicas desde
que há memória. O sistema financeiro está intimamente ligado entre si quer a nível
nacional quer internacional, onde é constantemente alvo de especulações, incertezas e
volatilidades, onde uma possível ruptura é facilmente transmissível a todo o sistema,
traduzindo-se num elevado risco para a economia. Tornando-se por isso fundamental
uma maior atenção aos sintomas que o sistema financeiro emite.
Neste sentido, o objetivo deste trabalho é aplicar o modelo pioneiro de Altman (1968)
na previsão de falências no setor bancário em Portugal e verificar a capacidade preditiva
do mesmo. Para o efeito, foram escolhidos 7 rácios utilizados pela Moody's e analisados
6 bancos (3 solventes e 3 insolventes), 18 relatórios de contas e respetivas
demonstrações financeiras entre os anos de 2005 a 2013.
O estudo permitiu concluir que o modelo revelou ser satisfatório principalmente nos 2
anos anteriores ao da falência e que as variáveis que melhor discriminam os dois grupos
de bancos são a concentração de ativos, a rentabilidade e a liquidez.
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Abstract
The models of bankruptcy prevision exist with the purpose of being a useful tool for
several managers and financial analysts. Edward Altman (1968) was the first in history
developing one of these models, called Z-Score. Soon there were followers in several
sectors that adopted the same and other methodologies.
Nowadays, we are being struck with one of the worst finance and economic crisis since
we remember. The financial system is intimately connected on a national and
international level among itself, where it is constantly a target of speculations,
uncertainties and volatilities and, a possible rupture is easily passed on to the whole
system, being a high risk to all economy. It is why it’s fundamental to pay a bigger
attention to the symptoms the financial system provides.
Thus, the goal of this work is to apply the pioneer model of Altman (1968) in the
prediction of bankruptcy in the Portuguese bank sector and verify its predictive
capacity. To do so, 7 ratios used by Moody’s were chosen and 6 banks were analysed (3
solvent and 3 insolvent) as well as 18 annual reports and their financial statements
between the years of 2005 and 2013.
The study allowed to conclude that the model revealed itself to be satisfactory mostly in
the 2 previous years to the bankruptcy and the variables that best discriminate the two
bank groups are the assets concentration, the profitability and the liquidity.
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Índice
1. Introdução ----------------------------------------------------------------------------------- 8
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4.3. Análise de dados e resultados --------------------------------------------------------- 56
6. Conclusão ------------------------------------------------------------------------------------- 75
Bibliografia --------------------------------------------------------------------------------------- 76
Anexos -------------------------------------------------------------------------------------------- 83
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1. Introdução
Este trabalho tem como objetivo analisar a falência no mercado bancário português
através do modelo de Altman (1968) no âmbito da dissertação como requisito parcial
para obtenção do grau de mestre em Análise Financeira do Instituto Superior de
Contabilidade e Administração de Coimbra.
A falência não acontece sem que haja alguns sinais que o indiquem e, por isso, a
principal fonte de informação deste estudo centra-se nos relatórios de contas dos
bancos, nomeadamente nas demonstrações financeiras e notas anexas.
A crise financeira e económica que se instalou ao nível global desde meados de 2007
está intimamente relacionada com a crise dos subprimes e com a titularização1 de
crédito. A rápida valorização dos preços da habitação encobriu a deterioração do
mercado de hipotecas e consequentemente o verdadeiro grau de risco dos empréstimos
hipotecários (Demyanyk, 2009). Os agentes envolvidos nos subprimes eram
conhecedores do elevado risco de incumprimento a quem eram concedidos os créditos,
no entanto não foi levado em conta. E porquê? Porque há a facilidade de transformar
empréstimos em títulos para poderem ser vendidos junto dos investidores, e desta forma
“…permitiu aos bancos desembaraçarem-se deles nos seus balanços, estruturando-os e
vendendo-os nos mercados financeiros, contornando assim a regulamentação sobre os
rácios de capital.” (Mota el al., 2009).
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falência no setor empresarial. O alerta surge precisamente com a falência do banco
norte-americano Lehman Brothers, onde a partir deste momento todo o sistema bancário
nacional e internacional é afetado.
O restante trabalho encontra-se dividido em cinco capítulos. O capítulo dois recai sobre
a atividade bancária, os seus principais riscos e a gestão destes.
No capítulo três é abordado o conceito de falência e ainda quais as principais causas e
sintomas que uma determinada entidade ou instituição apresenta. Far-se-á também uma
síntese dos principais modelos de previsão de falência que foram desenvolvidos ao
longo dos anos, nomeadamente ao nível da análise univariada e multivariada.
No quarto capítulo são apresentados e discutidos os resultados relativamente à aplicação
do modelo Z-Score no setor bancário português. Por fim, temos o quinto e sexto
capítulo, onde serão abordadas as principais limitações do estudo e as principais
conclusões que resultaram do estudo empírico, respetivamente.
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2. ATIVIDADE BANCÁRIA
2.1. Introdução
Mas, a atividade bancária per si está sujeita a diversos tipos de riscos relacionados
estreitamente com a probabilidade de perda.2 Como tal, abordarei a seguir quais os
principais tipos de riscos associados ao negócio bancário.
A Revisores e Auditores datada de Abril a Junho de 2015, publicou uma lista constante
no anexo 5 dos vários riscos inerentes à atividade bancária. Os riscos são inúmeros e
por isso alvo de estudo e de uma análise cuidada de modo a haver uma gestão eficiente
dos riscos associados à atividade das instituições financeiras. De acordo com a mesma,
os riscos podem ser distinguidos em financeiros, não financeiros e outros.
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Em relação aos “outros riscos”, estes têm características muito próprias, onde a
ocorrência destes tipos de riscos resultam em fortes desequilíbrios para todo o sistema
financeiro quer a nível nacional quer internacional.
O sistema bancário enfrenta por isso diversos riscos, onde o risco de crédito, de
mercado, de liquidez e o operacional são os que ocorrem com maior frequência.
O risco de mercado por sua vez é associado a risco de flutuações de cotações. Estas
flutuações podem ocorrer junto das taxas de juro, das taxas de câmbio e dos preços do
mercado acionista e das matérias-primas.
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portanto, há risco de liquidez a partir do momento que esta capacidade deixa de estar
presente no dia-a-dia.
A crise financeira levou a que o Comité de Basileia III, atribuísse uma maior regulação
e preocupação com os níveis de liquidez bancários, introduzindo assim novos padrões e
dois novos indicadores (Liquidity Coverage Ratio (LCR)) e o Net Stable Funding Ratio
(NSFR)) que permitem dar um feedback mais rápido em relação a uma possível ruptura
bancária.
Por fim, segundo a disciplina de mercado de 2014 do Banco Santander Totta, o risco
operacional consiste no “risco de incorrer em perdas como consequência de
deficiências ou falhas de processos internos, recursos humanos ou sistemas, ou
derivado de circunstâncias externas”.
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decisão não é aquela que minimiza o risco, mas a que confere um melhor resultado
para um determinado grau de risco.”1
É fundamental que haja uma supervisão constante na gestão dos diversos riscos a que as
instituições financeiras estão expostas diariamente. E, por isso, foram desenvolvidas
variadas técnicas de análise de gestão de risco.
Neves (2005) considera que o processo de rating envolve a análise dos riscos
económicos e políticos, a competitividade da indústria, o posicionamento da empresa e
a análise financeira. Para isso, são analisados um conjunto de fatores, como por
exemplo:
A sensibilidade dos fluxos de caixa face às flutuações económicas,
concorrência, regulamentação do sector, entre outros;
A qualidade da gestão, especificamente em relação à capacidade de reação
dos gestores;
A estrutura financeira da empresa;
As previsões e a gestão da tesouraria;
Os planos de financiamento;
Rendibilidade, alavanca financeira, cobertura de ativos, flexibilidade
financeira e nível de fluxos de caixa.
De notar, que apesar da análise de rácios ser importante no processo de rating, a análise
qualitativa tem tido um maior peso neste tipo de processo. A informação qualitativa é
conseguida através da estreita ligação entre a agência de rating e a entidade emissora
(os gestores e diretores da empresa) e, desta forma, a informação sobre uma
1 Publicação trimestral nº 1 de 2014 do Banco de Portugal.
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determinada entidade é resumida e atribuída uma notação. Este processo vem auxiliar os
investidores na tomada de decisões, na medida em que através da notação de rating
atribuída eles conseguem avaliar com maior rapidez e facilidade a entidade onde
querem investir.
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Quadro 1 – Escala de Rating
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Em relação ao sistema de scoring ou método de análise multivariada, já visto
anteriormente, consiste na criação de um indicador Z-Score para classificar uma
determinada observação num dos grupos definidos à priori. O número mínimo de
grupos é dois, podendo variar conforme o interesse do estudo do analista financeiro.
Em Portugal, os modelos de scoring têm vindo a ter menos seguidores devido ao facto
de estes modelos se basearem apenas em dados contabilísticos, refletindo apenas
acontecimentos passados da empresa, não fornecendo dados ou estimativas quanto ao
futuro da empresa.1
No que respeita à análise do risco de liquidez, esta compreende uma avaliação contínua
ao longo do tempo por parte das diversas instituições face aos rácios e indicadores de
liquidez, de modo a obterem níveis de liquidez sustentáveis. “A gestão do risco de
liquidez na CGD tem na sua génese a análise dos prazos residuais de maturidade dos
diferentes ativos e passivos do balanço. Os volumes de cash inflows e cash outflows são
evidenciados por intervalos temporais em função do seu prazo residual de ocorrência e,
a partir daí, apurados os respetivos gaps de liquidez tanto do período como
acumulados.”3
Com a recente crise financeira que se instalou a nível internacional e com o novo
quadro regulamentar do Basileia III, os níveis de liquidez bancários têm sido alvo de
maior atenção por parte dos diversos reguladores e como tal alvo de maior supervisão e
avaliação.
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Em relação à gestão do risco operacional, este é monitorizado pelas instituições através
da sua identificação, medição, controlo e reporte da informação.1 De acordo com o Pilar
1 do Basileia II existem três métodos para determinar quais os requisitos mínimos de
fundos próprios, são eles:
Método do indicador básico (BIA): os requisitos são determinados
como uma percentagem de 15% de um indicador de exploração
relevante;
Existem diversos indicadores que nos podem auxiliar na análise das principais áreas de
um banco, podendo ser elas representadas pela seguinte sigla: “CAMEL” (Capital,
Assets quality, Management quality, Earnings capacity, Liquidity position).
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Temos ainda o rácio de alavancagem (quociente entre o ativo total e o capital próprio)
que reflete o grau de risco de um banco. Um nível elevado de alavancagem significa que
existe uma baixa relação de capital sobre ativos totais, ou seja, o banco tem menos
capital para absorver perdas por unidade de ativo, aumento assim o risco de um Banco
não ser capaz de honrar os seus passivos.
Caixa
Empréstimos Dívida,
“seguros” depósitos e
financiamento
Empréstimos
“arriscados”
O Capital
absorve as Capital
perdas
A imagem acima revela que grandes quantidades de dívida com pequenas quantidades
de capital e combinado com empréstimos de alto risco levam um banco à situação de
insolvente. E porquê? Porque o capital não é suficiente para absorver uma grande parte
dos empréstimos “arriscados” e por conseguinte não vão poder ser totalmente
reembolsados. E, assim o passivo do banco fica maior que o seu ativo, ou seja, o banco
torna-se insolvente.
É neste sentido que se torna importante alertar, que para o banco ser mais resistente
contra possíveis falhas é preciso grandes quantidades de capital. E, caso o nível de
empréstimos “arriscados” for muito elevado, maior é a quantidade de capital que o
banco necessita.
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Segundo o Banco de Portugal, os Bancos mostraram uma tendência positiva dos níveis
de solvabilidade desde a falência do Lehman Brothers em 2008, apresentando um
crescimento de 28,6% de 2008 a 2011. No entanto, a avaliação do 1º trimestre de 2015
revela que os níveis de solvabilidade diminuíram ligeiramente, atendendo a que os
valores a partir de 2014 deixaram de ser comparáveis com anos anteriores devido a
diferenças metodológicas no cálculo das componentes dos fundos próprios.
Por sua vez, temos a qualidade da gestão, que na sua grande maioria das vezes não é
atribuída a importância necessária. A pessoa, a equipa de gestão que está à frente do
banco é uma peça fundamental, pois de nada adianta ter todo um conjunto de
instrumentos financeiros, reguladores, modelos e indicadores económicos se não
tivermos uma boa gestão. Ao longo dos anos, a literatura tem vindo a revelar que uma
das causas mais comuns na falência de empresas e bancos é a gestão ruinosa.
Depois a capacidade de um banco para gerar lucros depende muito da combinação entre
a taxa ativa e taxa passiva dos bancos. A taxa passiva dos bancos é a taxa que o banco
oferece aos seus depositantes e a taxa ativa é a que o banco cobra pelos seus
empréstimos, e a diferença entre estas duas taxas resulta num ganho, na chamada
“margem financeira”.
Por último, mas não menos importante, temos a posição líquida de um banco. É sabido
que parte dos problemas dos Bancos é a falta de liquidez.
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Exemplo de um problema de liquidez:
Financiamento
Empréstimos a longo prazo
“estável”
Capital
Uma grande quantidade de financiamento “instável” a curto prazo em relação aos ativos
líquidos, como caixa, significa que caso todos os investidores retirarem o financiamento
a curto prazo ao mesmo tempo, os ativos líquidos do banco ficam rapidamente
esgotados. Logo, o banco muito dificilmente consegue reembolsar a 100% todos os
investidores, entrando assim em default.
Portanto, para os bancos evitarem problemas de liquidez, há que ter uma combinação de
fontes estáveis de financiamento com quantidades suficientes de ativos líquidos.
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3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1. A FALÊNCIA
3.1.1. Introdução
Má ou ineficaz gestão
Acontecimentos
imprevistos ou
Erros de planeamento estratégico e/ou imprevisíveis
execução
Leva à Falência.
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"saudável" a uma empresa "doente" são a incapacidade da gestão e uma deficiente
estrutura económico-financeira.
Mas, são diversas as causas ou fatores que podem levar uma empresa à falência, que
geralmente a literatura as classifica em externas e internas. Kloster e Jacobsen (2005),
através de um estudo na Noruega centralizado nos fatores macroeconómicos (externos)
presentes durante um processo de falência, concluíram que as alterações nas margens de
lucro, competitividade, taxas de juro reais, assim como as constantes flutuações cíclicas
foram as que mais contribuíram para um aumento de falências nos últimos anos.
Relativamente à questão da "má gestão", Laia (1999) explica que nem sempre é fácil
avaliar se uma determinada equipa de gestão de uma empresa está a agir corretamente
ou não. Mas Laia (1999) indica-nos que, em último caso, é a gestão que acarreta sempre
a responsabilidade de monitorizar a progresso da empresa. Isto porque se a equipa de
gestão fosse realmente eficaz esta seria capaz de acompanhar o comportamento externo
de forma a acautelar situações mais complicadas.
Laia (1999) atribuiu dois tipos de causas de falência, sendo elas estratégicas/económicas
e financeiras. Em relação às estratégicas/económicas, o autor considerou a recessão
económica, o mau negócio pontual, a má gestão, a falta de competitividade, de
mercados e estratégia desadequada. Em relação às financeiras considerou a subida das
taxas de juro, o financiamento mal negociado e a estrutura de capital.
Bescos (1987) enunciou algumas das primeiras causas que levam uma empresa à
ruptura, sendo elas: a redução de atividade (33,2%), problemas de gestão (23%),
problemas de tesouraria (18,7%), a redução das margens e da rentabilidade (17,6%) e
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por último as causas acidentais (7,5%). Presenciando deste modo que as causas de
potenciais falências são na sua grande maioria de origem interna.
Brilman (1993), tal como Laia (1999), defende que os gestores são os principais
culpados. O estudo de François Mader do Crédit Nacional (1977) mostra que, " a maior
parte das empresas já conheciam as suas dificuldades financeiras há 3 a 5 anos, mas,
mesmo assim, continuavam ainda a recrutar pessoal e a investir, alguns meses antes da
falência.". Brilman (1993) salienta algumas das explicações que estão interligadas com
a tardia reação dos gestores, como por exemplo: as expetativas de haver melhorias da
conjuntura, a utilização de indicadores desfasados, realização de orçamentos demasiado
otimistas, o recurso a soluções fáceis, a incapacidade da gestão perante situações de
crise, entre outras. Portanto, reagir tardiamente pode causar enormes prejuízos para as
empresas, onde a certa altura já não há "remédio" algum que possa salvar uma empresa.
O estudo de Brilman (1993), em contraste a outros que vimos até aqui, aponta três tipos
de causas de falência: natureza estratégica, gestão defeituosa e sistema de poder. No
quadro seguinte mostra-se um resumo desse estudo:
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Eliminação das
Má localização Comercial sem direção
contribuições bancárias
Blum (1974) adota como conceito de falência a incapacidade de uma empresa pagar as
suas dívidas e deste modo entrar num acordo para redução das dívidas ou então entrar
num processo de insolvência. Já, o estudo de Ohlson (1980) considera uma empresa que
tenha requerido insolvência ou que seja declarada como insolvente.
Taffler (1982) define falência como uma liquidação voluntária ou ordem judicial,
enquanto Karels e Prakash (1987) consideram que o momento exato em que a falência
de uma empresa ocorre é difícil de identificar e portanto para estes autores a falência é
um processo que tem início quando surgem as dificuldades financeiras e tem fim
quando a situação seja consomada legalmente.
Mais tarde, em 1993 surge a publicação do livro "Corporate Financial Distress and
Bankruptcy", por Altman e Hotchkiss. Neste livro, os autores visam esclarecer
diferentes termos que são frequentemente utilizados na literatura, são eles: a falência
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(failure), a insolvência (insolvency), o incumprimento (default) e a bancarrota
(bankruptcy).
Altman e Hotchkiss (1993) consideram que o termo falência não pressupõe que a
empresa seja extinta, consideram antes que é quando a taxa de retorno do investimento
numa empresa é inferior em relação às taxas de retorno em investimentos semelhantes,
ou também quando as receitas da empresa não são suficientes para cobrir os seus custos.
Ou seja, uma empresa pode estar em falência e continuar a existir. Mas, a partir do
momento em que uma empresa não consiga solver as suas responsabilidades legais, a
empresa pode ser extinta e entra em "falência legal". Por outro lado, a insolvência é
vista pelos autores como um processo mais técnico, que ocorre quando uma empresa
não tem capacidade para cumprir com os seus compromissos devido à falta de liquidez.
Por sua vez, o termo incumprimento reflete essencialmente a relação entre a empresa e
os credores. Os autores consideram dois tipos de incumprimento: o legal e o técnico. O
"incumprimento técnico" resulta do facto de a empresa não respeitar uma determinada
condição contratual para com o seu credor, resultando deste modo em diligências legais
por parte do credor, isto é, resultando em "incumprimento legal".
Por último, a bancarrota é, para estes autores, uma situação de insolvência permanente
ou um pedido legal da empresa para a sua extinção.
Segundo Santos (2000), a falência pode ser definida como o estado económico-jurídico
da empresa que a impossibilita de solver os seus compromissos, resultando em "falência
legal", ou seja, uma falência decretada em tribunal.
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3.1.3. O conceito de falência em Portugal
1
De acordo com o artigo 17º-B do CIRE, um devedor está em situação económica difícil quando enfrenta
dificuldade séria em honrar pontualmente as suas obrigações, nomeadamente por ter falta de liquidez ou
por não conseguir obter crédito.
2
Artigo 1º do CIRE.
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procedimentos administrativos de dissolução e de liquidação de
entidades comerciais, devendo o juiz comunicar o encerramento e o
património da sociedade ao serviço de registo competente."
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3.2.2. Análise Univariada
1
Morgado (1998) considerou como sendo igual a [(Ativo corrente - existências) - Passivo de curto
prazo]/(custos operacionais desembolsáveis/365).
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iguais, isto é, na realidade existem mais empresas não falidas do que empresas falidas,
logo o erro de previsão tem tendência a ser maior na prática do que no modelo (Neves,
2005).
A análise discriminante múltipla consiste numa técnica estatística que é utilizada para
classificar qualquer observação em um ou mais grupos à priori dependendo das
características individuais da observação. É usada para classificar a variável dependente
na forma qualitativa, ou seja, em falência ou não falência.
(1)
Onde:
= Coeficientes discriminantes;
1 Redes Neurais.
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é utilizado para classificar se uma empresa é solvente ou insolvente em cada um dos
grupos definidos à priori.
De acordo com Bellovary et al. (2007), de entre as mais variadas técnicas que existem
para prever falências de empresas, a ADM é a técnica mais utilizada desde os anos 60.
Ao longo dos anos, foram vários os modelos que surgiram com base nesta técnica,
contudo abordarei apenas alguns dos principais modelos tendo especial atenção ao
modelo de Altman (1968).
Este modelo foi desenvolvido por Altman (1968) e é até hoje um dos modelos mais
importantes, conhecido e utilizado, que combinou diversas medidas de rendibilidade e
risco. Este modelo provou ter uma boa capacidade preditiva de falências em diversos
contextos e mercados.
Altman (1968) utilizou uma amostra de 66 empresas industriais cotadas, em que 33
empresas pertenciam ao grupo 1 (falidas) e as outras 33 ao grupo 2 (não falidas) durante
o período de 1946 a 1965. Os dados foram extraídos a partir de demonstrações
financeiras anteriores à falência e as variáveis classificadas em cinco categorias:
liquidez, rendibilidade, endividamento, solvabilidade e funcionamento.
;
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perdas existentes, diminuindo a proporção de ativos correntes sobre o total de ativos,
representando desta forma a liquidez de uma empresa.
;
;
;
.
Por último, temos o rácio que mostra a capacidade que a empresa possui na geração
de vendas com base nos seus ativos, sendo um indicador muito útil para os gestores das
empresas poderem atingir os seus objetivos em termos estratégicos.
Página | 29
Tabela 1 - Média das Variáveis e Teste de Significância (empresas cotadas)
*
*
*
*
Página | 30
Altman (1968) conclui assim que, contrariamente à análise inicial, as variáveis , e
são as que mais contribuem para discriminar os diferentes grupos de empresas. E
assim, de acordo com o estudo original de Altman (1968), a função discriminante para
empresas cotadas é a seguinte:
(2)
A literatura que envolve previsão de falências continua a referir que podem ocorrer dois
tipos de erros de previsão na classificação das observações: erro do Tipo I e erro do
Tipo II (Bellovary et al., 2007). O erro de Tipo I consiste sucintamente em rejeitar a
hipótese nula, quando na realidade é verdadeira. Contrariamente, o erro de Tipo II
traduz-se em não rejeitar a hipótese nula, quando na realidade é falsa. Implicando, desta
forma, que a análise dos modelos de previsão de falência não deve ser realizada de
forma independente dos custos associados aos erros de previsão (Weiss, 1996).
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Os resultados do estudo de Altman (1968) para um ano antes da falência revelaram o
seguinte:
Previsão do modelo
Realidade
da Empresa Grupo 1 - Falidas Grupo 2 - Não Falidas
Conclui-se, assim, que o modelo teve um erro do tipo I de 6% indicando que o modelo
para um ano antes da falência classificou 2 das 33 empresas falidas em não falida. Por
outro lado, obteve um erro do tipo II de 3%, ou seja, das 33 empresas não falidas o
modelo classificou uma como falida, mostrando assim que o modelo obteve uma
capacidade preditiva de 95% para um ano antes da falência.
Finalmente, os resultados do estudo de Altman (1968) para dois anos antes da falência
revelaram o seguinte:
Previsão do modelo
Realidade
da Empresa Grupo 1 - Falidas Grupo 2 - Não Falidas
Para dois anos antes da falência os erros do tipo I e II foram de 28% e 6%,
respetivamente, indicando assim que o modelo de Z-Score alcançou uma previsão
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correta dois anos antes da falência de 83%. Altman (1968) testou a previsão do modelo
até cinco anos antes da falência, mostrando que à medida que se aumenta o número de
anos a capacidade de previsão do modelo diminuiu.
Contudo, o estudo de Altman (1968) teve algumas limitações. Uma das mais relevantes
prendeu-se com o facto de o modelo apenas estar preparado para ser testado em
empresas cotadas, ou seja, que apresentassem valores de mercado dos seus capitais
próprios. Por conseguinte, Altman (1983) alterou o rácio onde o valor de mercado
dos capitais próprios foi substituído pelo valor contabilístico dos capitais próprios, uma
vez que o valor de mercado em muitos casos não é facilmente obtido.
(3)
De referir que o modelo Z-Score de Altman (1968), tem as suas limitações, como por
exemplo o facto de não poder ser incluído dados qualitativos, ou seja, os dados
financeiros considerados não refletirem imprevistos que possam acontecer na atividade
da empresa e que por vezes não estão espelhados nas demostrações financeiras e
também pelo facto de os rácios terem sido escolhidos com base em significância
estatística e popularidade literária e não por uma correta correspondência à realidade do
país e empresas. No entanto, o modelo continua a ser o mais utilizado por diversos
agentes económicos. Ao Z-Score estão associadas algumas das principais
características: simplicidade, técnica estatisticamente estável, de fácil interpretação e
eficiência.
Note-se que este modelo e todos os outros não dizem exatamente quando é que essa
falência vai acontecer, apenas revela que existem grandes probabilidades de solvência
ou insolvência no futuro mediante os sintomas que a empresa anuncia no presente.
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[Link].2. Modelo de Deakin (1972)
O estudo de Deakin (1972) utilizou 32 empresas industriais falidas e não falidas que
pertenciam ao mesmo setor, que tivessem o mesmo tamanho de ativos e o mesmo ano
fiscal para o período de 1964 a 1970. Este modelo obteve 97%, 95%, 95%, 80% e 83%
de sucesso para 1, 2, 3, 4 e 5 anos antes da falência, respetivamente.
Este novo modelo conseguiu ter uma boa capacidade preditiva até cinco anos antes da
falência. A amostra envolveu 53 empresas falidas e 58 empresas não falidas do ramo
retalhista e da indústria transformadora de 1969 a 1975. Após um processo iterativo
com o objectivo de reduzir o número de variáveis, foram escolhidos apenas os rácios
que melhor discriminaram os dois grupos de empresas, sendo eles os seguintes:
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Serviço da Dívida:
Rendibilidade acumulada:
Liquidez:
Capitalização:
Dimensão:
Basicamente, se as matrizes forem idênticas, então o formato linear que agrega todas as
observações é o mais apropriado para o modelo. Se as matrizes não forem idênticas,
então uma estrutura quadrática é a mais adequada porque cada grupo pode ser avaliado
de forma independente.
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Altman et al. (1977) verificaram que apesar de em termos de propriedades estatísticas a
estrutura quadrática ser melhor, o estudo mostrou nos testes de validação que a estrutura
linear apresenta uma melhor precisão a longo prazo.
Anos antes
1º ano 2º ano 3º ano 4º ano 5º ano
da falência
Empresas
96,2% 84,9% 74,5% 68,1% 69,8%
falidas
Empresas
89,7% 93,1% 91,4% 89,5% 82,1%
não falidas
A tabela acima indica-nos que o modelo classificou corretamente mais de 90% das
empresas para um ano antes da falência e cerca de 70% até cinco anos antes da falência.
Assim, verificou-se que o modelo conseguiu superar o anterior Z-Score.
Taffler (1983) utilizou o modelo Z-Score para medir a solvência de empresas. Para isso,
considerou dois grupos de empresas – 46 falidas e 46 não falidas. Taffler (1983)
escolheu as empresas falidas com base nos vários conjuntos de situações de falência
relevantes dos últimos seis anos e as empresas solventes foram selecionadas
aleatoriamente tendo por base a sua solidez financeira, dimensão e setor.
(4)
Página | 36
Onde,
- z corresponde ao Z-Score;
Seguidamente surge a variável com 18%, com 16% e por fim com 13%.
Como resultado da fórmula adotada por Taffler (1983) temos que, ceteris paribus,
quanto maior o valor do primeiro, segundo e quarto rácio e menor o valor do terceiro
rácio, maior é o índice Z e menor é o risco da empresa entrar em falência.
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[Link].5. Modelo de Zeytmoglu e Akarm (2013)
Este estudo teve como objectivo desenvolver um modelo fiável para identificar o risco
de insuficiência financeira das empresas cotadas na Instambul Stock Exchange. A
amostra envolveu dados de demonstrações financeiras de 115 empresas da ISE durante
o período de 2009 a 2011.
;
.
Isto implica que os rácios que medem a autonomia financeira e a capacidade que a
empresa tem para fazer face às suas responsabilidades de curto prazo foram as mais
relevantes ao longo do período da amostra.
Os resultados das previsões de Zeytmoglu e Akarm (2013) para os três anos encontram-
se na tabela seguinte:
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Tabela 6 – Resultados da previsão para os três anos (valores em %)
Em 2009, 2010 e 2011 obtiveram 88,7%, 90,4% e 92,2% de sucesso nas suas previsões,
respetivamente. Isto é, as previsões do modelo corresponderam na sua grande maioria à
verdadeira situação da empresa.
Muitos outros estudos na área que foram e têm sido desenvolvidos ao longo dos tempos,
poderiam ser mencionados, como o caso de Blum (1974), Altman et al. (1979) ou Yi
(2012) que analisou a crise financeira na China no setor imobiliário de 2008 a 2009 com
base no indicador Z-Score e concluiu que este foi adequado para emitir alertas face à
crise, no entanto a taxa de sucesso ficou abaixo dos 90%.
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homogeneidade das matrizes de variância-covariância, a existência de diferenças
significativas entre os grupos e a remoção de outliers1 fazem parte desses requisitos.
A não consideração de dados qualitativos pela ADM significa que é uma análise
baseada unicamente em dados contabilísticos e rácios e, por conseguinte, não considera
outras variáveis, como por exemplo: a competência do gestor, a formação dos
trabalhadores, os clientes, a estratégia, entre outras.
Uma outra desvantagem prende-se com o facto de os grupos terem que ser definidos à
priori, ou seja, para aplicar a análise discriminante é necessário saber qual o ano que
antecede a falência, porque, se queremos estudar o futuro da empresa quanto ao seu
possível insucesso não o podemos fazer sem saber o ano que o antecede.
Uma delas, já referenciada, centra-se no facto de permitir uma melhor captação das
interações das diversas dimensões da empresa, combinando uma série de rácios das
demonstrações financeiras. Uma outra, prende-se com uma diminuição do efeito que
possa haver na manipulação de dados contabilísticos. Segundo Morgado (1998): "O
método de análise discriminante multivariada, ao proceder ao diagnóstico do risco de
insolvência de uma empresa, fá-lo relativamente a todas as outras. Por isso as
consequências daquela manipulação têm aqui uma importância relativamente menor.”.
1 Outlier, significa de acordo com Hawkins (1980) “an observation which deviates so much from
other observations as to arouse suspicions that is was generated by a different mechanism".
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Outra regalia da análise discriminante múltipla é o facto de reduzir o espaço da amostra
do analista, isto é, passamos de um número de diferentes variáveis independentes para
G-1 dimensões, onde G é igual ao número de grupos à priori (Altman, 1968), tornando
assim a tarefa mais fácil e acessível a um maior número de utilizadores. Por fim, a sua
fácil interpretação, aplicação e eficiência são os pontos fortes da análise discriminante
múltipla.
De acordo com Dias (2015) a probabilidade de falência pode ser escrita da seguinte
forma:
(5)
Onde,
(6)
Com,
e (7)
Ohlson (1980) foi um dos pioneiros da análise Logit. Estudou empresas industriais
norte-americanas durante o período de 1970 a 1976, onde foram seleccionadas
aleatoriamente 2163 empresas, das quais 105 eram falidas e 2058 estavam em atividade.
Página | 41
Foram testados 3 modelos para 1 ano, 2 anos e entre 1 ano e 2 anos antes da falência das
empresas, respetivamente. O modelo considerou nove variáveis explicativas, sendo elas
as seguintes:
Dimensão: Log ;
Liquidez: ;
Uma variável dummy que assume valor “1” se o resultado líquido dos
últimos dois anos for negativo e assume valor “0” se o resultado líquido
dos últimos dois anos for positivo;
A variação do resultado líquido (RL) através da fórmula
O estudo de Ohlson (1980) concluiu que o poder preditivo de qualquer modelo depende
do timing em que é colocada a informação financeira e contabilística junto dos demais
agentes económicos.
Página | 42
antes da falência. As empresas incluídas na amostra envolveram 45 falidas e 45 não
falidas de setor e dimensão semelhantes pertencentes à Bolsa de Valores de Nova
Iorque e ao mercado over-the-counter (OTC) para o período de 1972 a 1978. As
variáveis consideradas para o modelo estão no anexo 2 e envolvem essencialmente
rácios de liquidez, de investimento e financeiros.
Página | 43
O modelo Logit considerado foi o seguinte:
(8)
e,
(9)
Onde,
Log – logaritmo;
é a probabilidade do banco ir à falência no próximo período;
onde é a variável dependente;
é o coeficiente da variável de previsão .
A variável dependente dá valor “1” para bancos falidos e valor “0” para bancos não
falidos. Portanto, coeficientes positivos potenciam a probabilidade de fracasso e vice-
versa.
Este estudo permitiu observar o seguinte: os bancos falidos exibem um return on assets
(ROA) negativo e as suas rentabilidades diminuem à medida que o tempo se encurta
antes da falência ocorrer; os bancos falidos enfrentam grandes problemas de liquidez; os
bancos menos rentáveis, ilíquidos e descapitalizados têm maior probabilidade de
fracassar e a varável dimensão não se mostrou significativa em nenhum dos anos,
indicando assim que os bancos falidos não são consistentemente maiores ou menores do
que os seus pares que não faliram.
Shaffer (2012) observou quais foram as principais mudanças ao nível dos rácios e
probabilidades de uma possível falência bancária. Foram analisados os bancos
americanos de 1980 a 2008, onde a questão da dimensão dos ativos e a proporção do
capital sobre o total do ativo de um banco foram aquelas que mais sofreram alterações
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ao longo dos anos; onde a dimensão dos ativos está intimamente relacionado com o
enfraquecimento da teoria “too-big-to-fail”1.
O modelo Probit é muito similar ao modelo Logit, no entanto o Probit considera uma
função de distribuição cumulativa normal, ou seja, obtém-se uma função normalizada.
Ambos os modelos são adequados quando é necessário estudar a possibilidade de
ocorrerem duas alternativas (Hoetker, 2007).
De acordo com Hoetker (2007), vamos supor que uma empresa quer decidir se é melhor
produzir ou comprar um determinando componente. Então, a empresa produzir um dado
componente é dado por , sendo linearmente relacionado com um vector de variáveis
explicativas e o termo de erro , onde este inclui fatores não observáveis.
(10)
Quando a variável dependente for maior que zero, a empresa decide produzir o
componente, caso contrário, a empresa compra o componente. Ou seja, assume valor
1 para a empresa produzir e valor 0 se for para comprar.
(11)
Página | 45
Zmijewski (1984) através da análise Probit, estudou todas as empresas listadas na bolsa
de valores de Nova Iorque e América entre 1972 e 1978, onde o número de empresas
variou entre as 2082 e as 2241 por ano. Foram consideradas para análise 81 empresas
falidas e 1600 não falidas.
Tem-se o seguinte:
(12)
(13)
(14)
Onde,
;
;
;
;
;
(15)
Página | 46
Onde,
;
.
(16)
Onde,
Zmijewski (1984) faz uma comparação entre o modelo Probit não ajustado e o modelo
ajustado pela técnica WESML, onde os resultados do modelo ajustado revelam que há
uma diminuição dos desequilíbrios. No entanto, o autor reforça a ideia de que estes
desvios/desequilíbrios não afetam significativamente as inferências estatísticas ou as
taxas globais de classificação correta nos modelos de previsão de dificuldades
financeiras, apenas afetam expressivamente as taxas de erro dos grupos individuais.
Samad (2012), através do modelo Probit, conseguiu prever quais os fatores relacionados
com o risco de crédito mais importantes na previsão de falência de bancos Norte-
Americanos. Foram analisados para o período de 2009 um total de 255 bancos, sendo
134 falidos e 121 não falidos. As provisões para perdas com empréstimos/ créditos e a
percentagem de empréstimos não correntes no total dos empréstimos dos bancos foram
as mais relevantes no estudo. O modelo estimado apenas com estas variáveis foi o que
obteve melhor sucesso na previsão, atingindo 77,25% de classificação correta.
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Lennox (1999), em contraste com outros estudos, argumentou que o modelo Logit e
Probit obtiveram maior capacidade preditiva face à ADM. A amostra envolveu 949
empresas do Reino Unido entre os anos de 1987 e 1994, onde concluiu que
rentabilidade, dívida, cash flow, dimensão, ciclos económicos e setor da indústria são os
fatores mais importantes a ter em conta na previsão de falências de empresas.
As Neural Networks ou redes neurais artificiais têm vindo a ganhar cada vez mais
popularidade ao longo dos anos por vários investigadores de diversas áreas. Assentam
fundamentalmente numa estrutura muito semelhante ao do sistema nervoso humano.
Este tipo de análise surge por volta dos anos 40 com McCullock e Pitts (1943) a
apresentarem um modelo matemático onde esquematizam como funciona uma
determinada unidade de processamento.
Página | 48
Em que:
Tam e Kiang (1992) consideram uma rede neural composta por um número de unidades
de processamento homogéneos interligados, onde cada unidade é um dispositivo de
computação simples.
O comportamento de uma rede neural pode ser modelado por funções matemáticas
simples. Uma unidade recebe sinais de entrada a partir de outras unidades, agregados,
estes sinais com base numa função de entrada geram um sinal de saída com base
numa função de saída . Por sua vez, o sinal de saída é encaminhado para outras
unidades, funcionando deste modo em rede.
e (17)
Onde,
é o input da unidade ;
é o output da unidade ;
é a conexão ponderada entre a unidade e ;
é o enviesamento da unidade .
Página | 49
Coats e Fant (1993) utilizaram as redes neurais com o intuito de prever as dificuldades
financeiras das empresas. Para isso analisaram 94 empresas incluídas no relatório dos
auditores externos como casos suspeitos no que diz respeito à permanência em atividade
e 188 empresas em atividade durante o período de 1971 a 1990. Os autores conseguiram
80% de classificação correta relativamente às empresas que tinham sido identificadas
como casos suspeitos.
Boritz et al. (1995) consideram a rede neural artificial como um sistema de computador
que se inspira em factos conhecidos sobre como o cérebro humano funciona. E, pode ser
“treinada”, tal como “nós” humanos, de modo a identificar determinados problemas ou
a identificar padrões específicos. Boritz el al. (1995) argumentam mesmo que uma das
grandes vantagens deste tipo de análise é a sua capacidade indutiva de algoritmos de
reconhecimento de padrões.
O estudo de Altman et al. (1994) compara as redes neurais com a ADM, onde
verificaram que as redes neurais obtiveram resultados bastante favoráveis, sendo até por
vezes superiores aos das outras análises como a Logit e a discriminante. Porém, Altman
el al. (1994) alertam para o facto de haver determinado tipos de comportamentos que
não são aceitáveis pela rede e também pelo facto de serem de difícil compreensão e
resolução. No entanto, têm exibido características satisfatórias para continuar a haver
incentivo na melhoria das Neural Networks.
Página | 50
4. ESTUDO EMPÍRICO
4.1. Caracterização da amostra
O grupo dos bancos insolventes foi selecionado com base no facto de terem entrado em
processo de recuperação ou falência. Enquanto o grupo dos bancos solventes carateriza-
se pelo facto de no final do período de 2014 não ter existido qualquer registo de
processos de recuperação ou falência. O período temporal da amostra envolve os três
anos anteriores ao da falência (N-3, N-2 e N-1) para o grupo 1, mais especificamente:
BES (2011 a 2013), BPP (2005 a 2007) e BPN (2009 a 2011). Em relação ao grupo dos
bancos solventes, temos a CGD (2011 a 2013), o Banco Santander Totta (2005 a 2007)
e o BPI (2009 a 2011). Os anos do grupo 2 foram escolhidos tendo em conta os anos
analisados para os bancos insolventes, de modo a haver uma melhor comparabilidade
entre os rácios, uma vez que os mesmos não foram todos à falência no mesmo ano. Os
dados são analisados a partir das demonstrações financeiras de todos os bancos que
constituem a amostra e depois inseridos numa folha de cálculo de modo a ter um
conjunto de variáveis e rácios a ser testados.
Página | 51
4.2. Seleção das variáveis
A escolha das variáveis a ser utilizadas no modelo não é uma escolha fácil, pois não
existe propriamente nenhuma teoria universal sobre quais as variáveis ou rácios que
devem ser utilizados na previsão de falências bancárias.
Na grande maioria dos estudos que têm sido realizados nesta área e não só, os autores
utilizam diversos métodos ou teorias para justificar a escolha das variáveis, como por
exemplo, através de técnicas econométricas, análise univariada, popularidade literária,
com base em estudos anteriores, entre outros. Existe portanto um leque variado de
estudos que recorre a um leque variado de fontes de informação.
Categoria Rácios
Estrutura de
Capital
Rentabilidade
1
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Concentração de 1
ativos
2 3
Liquidez
Qualidade dos
ativos
Categoria Pesos
Rentabilidade 24%
Liquidez 7%
Página | 53
Como referido anteriormente, o objetivo da presente dissertação consiste em verificar a
capacidade de previsão do modelo de Altman (1968) no setor bancário português e para
isso vai ser utilizado o modelo “RiskCalc V3.1 US Banks” devido à não existência de
algo similar para Portugal.
Rácios Interpretação
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Estas variáveis medem as perdas
potenciais dos bancos, refletindo
deste modo a qualidade dos
ativos de crédito realizados pelos
bancos.
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Fonte: Dwyer et al. (2006)
Nos quadros seguintes estão expressos os valores dos bancos solventes e dos bancos
insolventes em relação aos vários indicadores que compõem os rácios e respetivos
rácios. (No anexo 6 constam os cálculos auxiliares dos quadros 6 e 7).
São ainda exibidos dois quadros adicionais que contêm as taxas de variação anuais de
modo a observar os maiores ou menores impactos em determinados indicadores.
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Quadro 6 - Bancos solventes
X1 = (a) / (b) 0,0443 0,0623 0,0604 0,0550 0,0646 0,0636 0,0485 0,0430 0,0191
Resultado
-488424904 -394715421 -575784930 340039000 353914000 510816000 175034000 184796000 -284871000
Líquido ( c )
X2 = ( c )/ (b) -0,0041 -0,0034 -0,0051 0,0094 0,0105 0,0122 0,0037 0,0040 -0,0066
Juros recebidos
5368194633 5074298115 3615139657 2234799000 3110573000 3319416000 2245815000 1909307000 2004810000
(d)
Rentabilidade
Juros pagos ( e ) 3682929281 3730282958 2756878736 1620615000 2491602000 2622030000 1661502000 1282916000 1461486000
Média dos
7824762532
ativos 6
74713101199 70074461613 27248716000 26361538000 30303618000 29955585000 30055006000 28318264000
remunerados (f)
X3 = [(d) - ( e )]/
0,0215 0,0180 0,0122 0,0225 0,0235 0,0230 0,0195 0,0208 0,0192
(f)
Página | 57
Empréstimos 3662188200
35303344000 33667392000 11113756000 11682269000 11459966000
imobiliários (g) 0
Empréstimos
5408026000 4627019000 4155683000 27379122000 26531283000 30462816000 850720000 796184000 724492000
Concentração construção (h)
de ativos Empréstimos
3637729500
comerciais e 0
34457547000 31805088000 17850740000 17411571000 15954403000
industriais (i)
X4 =
0,6503 0,6366 0,6164 0,7558 0,7909 0,7253 0,6284 0,6546 0,6551
[(g)+(h)+(i)]/(b)
Títulos do
tesouro (j)
7127228000 10556859000 11090798000 486837000 418481000 525641000 2961637000 2614116000 2068275000
Títulos
municipais (k)
Liquidez MBS (Mortgage-
backed security) 5484778000 5282326000 5056714000 1787767000 12803768000 13459715000 2381550000 2450702000 2565351000
(l)
X5 =
0,1046 0,1355 0,1429 0,0628 0,3941 0,3330 0,1126 0,1109 0,0481
[(j)+(k)+(l)]/(b)
Empréstimos
comerciais
"charge-off" (m)
2904797000 4167663000 4517952000 197778000 137324000 125102000 229837000 198436000 211081000
Empréstimos
Qualidade de consumo
ativos "charge-off" (n)
Outras
propriedades de 470913000 582756000 654890000 87274000 71887000 65550000 63109000 74411000 85637000
imóveis (o)
Página | 58
X6 = (m+n) / (b) 0,0241 0,0357 0,0400 0,0055 0,0041 0,0030 0,0048 0,0043 0,0132
X7 = (o) / (b) 0,0039 0,0050 0,0058 0,0024 0,0021 0,0016 0,0013 0,0016 0,0020
Capital Próprio (a) 6192475000 7732744000 7049296000 206347345 218090854 256191104 -2013418000 -2141278000 -494619000
Estrutura de
capital Total ativo (b) 80237372000 83690828000 80608016000 1247692624 1604585377 2187214331 7510564000 7016646000 4639236000
X1 = (a) / (b) 0,0772 0,0924 0,0875 0,1654 0,1359 0,1171 -0,2681 -0,3052 -0,1066
Resultado Líquido ( c ) 3796000 119836000 -514871000 13471974 18181606 24407124 -216584000 -126643000 -87131000
X2 = ( c )/ (b) 0,0000 0,0014 -0,0064 0,0108 0,0113 0,0112 -0,0288 -0,0180 -0,0188
Rentabilidade Juros recebidos (d) 4084862000 3914109000 3467017000 23200233 32828500 59368551 351883000 191622000 165494000
Juros pagos ( e ) 2903271000 2733601000 2432709000 11025128 20469710 41961167 261870000 158108000 107865000
Página | 59
X3 = [(d) - ( e )]/ (f) 0,0241 0,0247 0,0223 0,0391 0,0408 0,0225 0,0173 0,0105 0,0183
Empréstimos imobiliários
11512794000 11031692000 10705811000 437102000 481943000 481025000
(g)
Empréstimos construção
304628249 299465702 768654996 145284000 71120000 63711000
Concentração (h)
de ativos 38152383000 37181614000 36026453000
Empréstimos comerciais e
5235466000 2719179000 2567341000
industriais (i)
X4 = [(g)+(h)+(i)]/(b) 0,6190 0,5761 0,5797 0,2442 0,1866 0,3514 0,7746 0,4664 0,6708
X5 = [(j)+(k)+(l)]/(b) 0,1522 0,1239 0,1212 0,0096 0,0073 0,0029 0,5729 0,0839 0,0908
Empréstimos comerciais
"charge-off" (m)
Qualidade de
1403259000 1966012000 2825794000 9853000 9853000 9853000 779398000 20152000 307740000
ativos
Empréstimos consumo
"charge-off" (n)
Página | 60
Outras propriedades de
1531180000 2843378000 3387737000 0 0 0 93697000 97789000 60797000
imóveis (o)
X6 = (m+n) / (b) 0,0175 0,0235 0,0351 0,0079 0,0061 0,0045 0,1038 0,0029 0,0663
X7 = (o) / (b) 0,0191 0,0340 0,0420 0,0000 0,0000 0,0000 0,0125 0,0139 0,0131
Capital
36,4% -6,3% 8,9% 23,3% -14,7% -58,1%
próprio
Resultado
-19,2% 45,9% 4,1% 44,3% 5,6% -254,2%
líquido
Juros
-5,5% -28,8% 39,2% 6,7% -15,0% 5,0%
recebidos
Página | 61
Juros pagos 1,3% -26,1% 53,7% 5,2% -22,8% 13,9%
Média dos
ativos -4,5% -6,2% -3,3% 15,0% 0,3% -5,8%
remunerados
Empréstimos
-3,6% -4,6% 5,1% -1,9%
imobiliários
Empréstimos
-14,4% -10,2% -3,1% 14,8% -6,4% -9,0%
construção
Empréstimos
comerciais e -5,3% -2,3% -2,5% -8,4%
industriais
Títulos e
obrigações
do tesouro e 48,1% 5,1% -14,0% 25,6% -11,7% -20,9%
outros títulos
públicos
Página | 62
Empréstimos
comerciais e
43,5% 8,4% -30,6% -8,9% -13,7% 6,4%
consumo
"charge-off"
Outras
propriedades 23,8% 12,4% -17,6% -8,8% 17,9% 15,1%
de imóveis
X6
48,0% 12,1% -25,0% -27,2% -10,3% 204,4%
X7
27,7% 16,3% -11,1% -27,2% 22,5% 22,3%
Fonte: Elaboração própria
Capital
24,9% -8,8% 5,7% 17,5% 6,4% -76,9%
próprio
Página | 63
Resultado
3056,9% -529,6% 35,0% 34,2% -41,5% -31,2%
líquido
Juros
-4,2% -11,4% 41,5% 80,8% -45,5% -13,6%
recebidos
Juros pagos -5,8% -11,0% 85,7% 105,0% -39,6% -31,8%
Média dos
ativos -2,7% -2,9% -2,5% 155,2% -38,7% -1,2%
remunerados
Empréstimos
-4,2% -3,0% 10,3% -0,2%
imobiliários
Empréstimos
-1,7% 156,7% -51,0% -10,4%
construção
Empréstimos -2,5% -3,1%
comerciais e -48,1% -5,6%
industriais
Página | 64
Títulos e
obrigações
do tesouro e 2,8% -0,7% -2,4% -45,4% -96,9% -4,5%
outros títulos
públicos
Empréstimos
comerciais e
40,1% 43,7% 0,0% 0,0% -97,4% 1427,1%
consumo
"charge-off"
Outras
propriedades 85,7% 19,1% 0,0% 0,0% 4,4% -37,8%
de imóveis
X6
34,3% 49,2% -22,2% -26,6% -97,2% 2209,7%
X7
78,0% 23,7% 0,0% 0,0% 11,7% -6,0%
Fonte: Elaboração própria
Página | 65
Relativamente aos quadros acima identificados podemos depreender os seguintes
aspetos:
Quanto às rendibilidades não existe uma uniformização, isto é, por exemplo no BES e
no BPP houve uma diminuição das rendabilidades mas, no BPN houve um aumento. Já
em relação à CGD e BPI, estes têm níveis de rentabilidade piores face aos insolventes.
Seria de esperar que bancos solventes tivessem melhores níveis de rentabilidade, pois
baixos níveis de rentabilidade aumentam a probabilidade de default. Podemos assim
indicar que à priori os rácios de rentabilidade não são relativamente significativos na
discriminação dos grupos dos bancos.
Em relação à liquidez dos bancos existem diferenças notórias, ou seja, os bancos que
foram à falência apresentam níveis de liquidez inferiores. A situação líquida de um
banco é talvez um dos aspetos mais importantes e alvo de grande atenção desde o
despoletar da crise em 2008. Baixos níveis de liquidez significam que não existe ativos
líquidos suficientes em relação ao total dos ativos para fazer face às responsabilidades
dos bancos. Contudo, pode-se observar que a liquidez do BPN melhorou em N-1,
principalmente devido a um aumento das obrigações e bilhetes do tesouro (OT’s e
BT’s) e também a um aumento da titularização de crédito. Enquanto a situação do BPI
deteriorou-se.
Página | 66
Por fim, temos a questão da qualidade de crédito dos bancos, medidas pelos últimos
rácios X6 e X7. Quanto a esta questão, observa-se um aumento substancial no crédito
em incumprimento dos bancos insolventes face aos não insolventes. No BES e no BPN
houve uma degradação da qualidade de crédito muito evidente, onde o BPN atingiu
aumentos na ordem dos 1400%, prejudicando desta forma a posição do banco.
Página | 67
Podemos observar que existe uma degradação dos rácios dos bancos insolventes à
medida que se aproxima o ano da falência, principalmente ao nível da qualidade de
crédito, solvabilidade e liquidez. Enquanto o grupo dos bancos solventes estão piores
em relação aos rácios X4 e X3, realçando a necessidade de haver uma maior dispersão
da carteira de crédito e uma diminuição ao nível dos rendimentos com juros e comissões
dos bancos, grande parte devido à diminuição em geral do crédito a clientes,
respetivamente.
Média do Média do
Teste F
grupo 1 grupo 2
X1 -0,00049 0,05121 0,049559
X2 -0,00414 0,00230 0,869697**
X3 0,02442 0,02004 0,460233**
X4 0,49654 0,67925 0,068990
X5 0,12941 0,16052 0,546607**
X6 0,02973 0,01497 0,089602
X7 0,01496 0,00286 0,010240
De acordo com o quadro 11, podemos observar que os rácios que melhor discriminam
os grupos de bancos é a variável X2, X3 e X5. Mostrando que são as variáveis que mais
diferem em valor entre bancos falidos e não falidos. Por outro lado, a variável que
demonstrou menor nível de significância foi a X7, indicando assim que esta variável
não representa na realidade diferenças significativas entre os dois grupos de bancos.
4.4. O modelo
Tendo por base o modelo de Altman (1968) e os rácios e respetivos pesos definidos pela
agência de rating Moody’s, temos a seguinte função discriminante no setor bancário:
Página | 68
O Z-score foi obtido a partir dos dados das demonstrações financeiras para cada grupo de bancos e ainda para cada banco em particular. Os
resultados obtidos constam no quadro abaixo:
BANCOS SOLVENTES
Caixa Geral de Depósitos Banco Santander Totta Banco Português de Investimento
ANOS ANOS ANOS
N-3 (2011) N-2 (2012) N-1 (2013) N-3 (2005) N-2 (2006) N-1 (2007) N-3 (2009) N-2 (2010) N-1 (2011)
Indicador Z-Score 0,1788 0,1846 0,1791 0,2028 0,2369 0,2172 0,1727 0,1775 0,1653
BANCOS INSOLVENTES
Banco Espirito Santo Banco Privado Português Banco Português de Negócios
ANOS ANOS ANOS
N-3 (2011) N-2 (2012) N-1 (2013) N-3 (2005) N-2 (2006) N-1 (2007) N-3 (2009) N-2 (2010) N-1 (2011)
Indicador Z-Score 0,1874 0,1842 0,1848 0,1166 0,0952 0,1228 0,1625 0,0291 0,1458
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Através do quadro acima verifica-se diferenças no valor Z-Score entre os dois grupos de
bancos. Observa-se à partida que os bancos insolventes apresentam menores valores de
índice Z. O Z-Score pode assumir valores de 0 a 1, onde valores mais próximos de 1
manifestam menor probabilidade de default e valores mais próximos de 0, o inverso. As
diferenças no valor Z estão evidenciadas no gráfico seguinte:
0,2500
0,2000
Indicador Z-Score
0,1500
Bancos Solventes
0,1000
Bancos Insolventes
0,0500
0,0000
N-3 N-2 N-1
Anos
O gráfico 1 mostra que os valores mais elevados do Z-Score ao longo dos anos
pertencem ao grupo dos bancos solventes. Ao contrário do que seria previsível, é no
ano N-2 e não no ano N-1 que ocorrem as maiores diferenças, ou seja, que as condições
financeiras dos bancos se diferenciam mais. Indicando desta forma, que podem haver
outras variáveis que sejam mais eficazes na discriminação entre os grupos para o ano
imediatamente anterior ao da falência.
Com base no quadro seguinte são definidos três grupos de classificação, onde o valor Z
apresenta limites inferiores e superiores.
Página | 70
Quadro 13 - Valor médio total do Z-Score dos bancos
Caso o valor Z seja superior a 0,19 o banco tem baixa probabilidade de entrar em
default, mas se o valor Z for inferior a 0,13 o banco tem elevada probabilidade de entrar
em default. Caso o valor Z se encontre entre estes dois limites, então o banco não tem
uma tendência bem definida, isto é, não fica claro se o banco pertence ao grupo dos
insolventes ou dos solventes.
0,25
0,2
0,15
TOTTA
0,1 BPP
0,05
0
2005 2006 2007
Podemos observar que ao longo dos três anos, o modelo classificou corretamente 100%
dos bancos, mais especificamente:
Ano 2005
Valor Z = 0,2028 (Santander Totta) > 0,19 - Zona solvente
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Valor Z = 0,1166 (BPP) < 0,13 - Zona insolvente
Ano 2006
Valor Z = 0,2369 (Santander Totta) > 0,19 - Zona solvente
Valor Z = 0,0952 (BPP) < 0,13 - Zona insolvente
Ano 2007
Valor Z = 0,2172 (Santander Totta) > 0,19 - Zona solvente
valor Z = 0,1228 (BPP) < 0,13 - Zona insolvente
0,2
0,15
0,1 BPI
BPN
0,05
0
2009 2010 2011
Ano 2009
Valor Z = 0,1727 (BPI) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Valor Z = 0,1625 (BPN) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Ano 2010
Valor Z = 0,1775 (BPI) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Valor Z = 0,0952 (BPN) < 0,0291 - Zona insolvente
Ano 2011
Valor Z = 0,1653 (BPI) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
valor Z = 0,1458 (BPP) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Em 2009 e 2011 o modelo não mostra com clareza se um banco é considerado solvente
ou insolvente. Evidenciando assim, que o BPI estaria a passar por momentos de stress
financeiro, influenciado grande parte pelo despoletar da crise em 2008. Enquanto em
Página | 72
2010 é visível que o modelo classifica corretamente o BPN, sendo neste ano que
ocorrem as diferenças mais significativas entre os dois grupos de bancos.
0,19
0,188
0,186
0,184
0,182 CGD
0,18 BES
0,178
0,176
0,174
2011 2012 2013
Ano 2011
Valor Z = 0,1788 (CGD) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Valor Z = 0,1874 (BES) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Ano 2012
Valor Z = 0,1846 (CGD) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Valor Z = 0,1842 (BES) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Ano 2013
Valor Z = 0,1791 (CGD) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
valor Z = 0,1848 (BES) > 0,13 e < 0,19 - Zona "cinzenta"
Os bancos em todos os anos não têm uma tendência bem definida, quer seja a CGD
como o BES. De facto o modelo revela que os bancos estão a passar por períodos
turbulentos e que uma possível situação de falência é possível. Em 2011 e 2013 o BES
atinge um Z-Score superior face à CGD, indicando que está a ocorrer um erro do Tipo I,
ou seja, está a classificar um banco que à priori é considerado como insolvente num
banco solventes, ou seja, em que à partida tem menores problemas financeiros.
Página | 73
5. PRINCIPAIS LIMITAÇÕES DO ESTUDO
3. A escolha dos rácios não foi a mais correta, isto porque, foram utilizados rácios que a
agência de rating Moody's utilizou para discriminar grupos de bancos americanos. É
óbvio que a realidade portuguesa não é a mesma que a americana, no entanto existem
algumas semelhanças devido ao facto de em 2010 ter entrado em vigor o Sistema de
Normalização Contabilística (SNC) e, assim permitiu que houvesse uma maior
harmonização contabilística, comparabilidade e informação utilitária entre as
instituições financeiras de diferentes países.
4. Deveriam ter sido analisados e testados outros rácios ao nível do setor bancário que
melhor descreveriam a realidade portuguesa, de modo a construir um modelo adaptado
para Portugal.
Página | 74
6. CONCLUSÃO
O estudo de previsão de falências é um tema que tem sido abordado ao longo dos anos e
tem sido desenvolvido no sentido de ser cada vez mais eficaz como ferramenta útil para
os demais agentes do mercado.
Podemos verificar que apesar das limitações do estudo acima identificadas, o modelo Z-
Score mostrou-se satisfatório. Observou-se no geral, que em média os bancos
insolventes obtiveram valores de Z-Score inferiores face aos bancos solventes.
Destaca-se que, apesar de no ano N-1 não se ter obtido os resultados esperados,
verificou-se que foi no ano N-2 que houve as maiores disparidades, ou seja, a
capacidade de discriminação foi melhor. O que nos leva à questão de que possam existir
outros rácios que melhor contribuem para a capacidade preditiva do modelo no ano N-1.
Para finalizar, é importante que continue a haver contributos nesta área, em particular
na previsão de falências bancárias.
Página | 75
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Página | 82
ANEXOS
Anexo 1
Página | 83
Anexo 2
Anexo 3
Página | 84
Anexo 4
Página | 85
Anexo 5
Página | 86
Anexo 6
Página | 87
Banco Português de Investimento
Página | 88
Juros pagos = Juros e encargos similares
Para o valor dos empréstimos considerou-se os empréstimos imobiliários, os de
construção e os comerciais e industriais como sendo o total do crédito vivo (pág.
114)
Títulos do tesouro, obrigações do tesouro e outros títulos públicos = soma dos
títulos que constam nas pág. 169,170,172, 175 e 176.
Para o valor dos Mortgage backed-security considerou-se o valor total das
responsabilidades representadas por títulos - pág. 180
Valor dos empréstimos "charge-off" considerou-se o valor dos empréstimos em
incumprimento com mais de 90 dias - pág. 113
Valor dos imóveis em dação de crédito - pág. 127
Página | 89
Para o valor dos Mortgage backed-security considerou-se o valor das
responsabilidades representadas por títulos - pág. 160 e o valor dos ativos
titularizados não desreconhecidos - pág. 146
Valor dos empréstimos "charge-off" considerou-se o valor dos empréstimos em
incumprimento com mais de 90 dias - pág. 147
Valor dos imóveis em dação de crédito - pág. 145
Página | 90
Banco Privado Português
Página | 91