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Danos Morais em Negativa de Tratamento

O agravo interposto pela UNIMED de Araras foi conhecido, mas o recurso especial não foi aceito. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi mantida, reconhecendo a recusa indevida de tratamento e a consequente indenização por danos morais no valor de R$ 20.000,00, considerando a gravidade da situação do paciente. A revisão do valor foi considerada impossível devido à aplicação da Súmula n° 7 do STJ.

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Danos Morais em Negativa de Tratamento

O agravo interposto pela UNIMED de Araras foi conhecido, mas o recurso especial não foi aceito. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo foi mantida, reconhecendo a recusa indevida de tratamento e a consequente indenização por danos morais no valor de R$ 20.000,00, considerando a gravidade da situação do paciente. A revisão do valor foi considerada impossível devido à aplicação da Súmula n° 7 do STJ.

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AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.285.

395 - SP (2018/0098867-3)

RELATOR : MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO


AGRAVANTE : UNIMED DE ARARAS - COOPERATIVA DE TRABALHO
MÉDICO
ADVOGADOS : RICARDO SORDI MARCHI - SP154127
LUCIANA CAMPREGHER DOBLAS BARONI - SP250474
AGRAVADO : SERGIO FERREIRA BALTHAZAR
ADVOGADOS : FERNANDO DE OLIVEIRA CAMARGO - SP144638
LUIZA HELENA PEDREIRA DE CERQUEIRA PORTELA -
SP364884
EMENTA

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. RECUSA


INDEVIDA DE TRATAMENTO. DANOS MORAIS. OCORRÊNCIA.
VALOR ARBITRADO DENTRO DOS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. REVISÃO.
IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 7/STJ. AGRAVO
CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL.

DECISÃO
Vistos etc.
Trata-se de agravo interposto por UNIMED DE ARARAS - COOPERATIVA DE
TRABALHO MÉDICO contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que
negou seguimento a recurso especial com fundamento na alínea "a" do permissivo
constitucional.
A agravante infirmou os fundamentos da decisão agravada.
Nas razões do recurso especial, a recorrente alega violação aos artigos 186, 188, e,
944 do Código Civil. Defende, em síntese, a não ocorrência de dano moral passível de
indenização, pois, "a Recorrente apenas agiu no exercício de um direito legalmente
reconhecido pelo contrato!" Aduz, ainda, que "nunca houve PRESSÃO PARA A
REALIZAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA, houve apenas um questionamento se a
transferência não poderia ser realizada" (e-STJ Fl. 239). Por fim, requer a redução do
valor arbitrado a título de danos morais.
É o relatório.
Passo a decidir.

Documento: 83921865 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 30/05/2018 Página 1 de 3


A irresignação recursal não merece prosperar.
Com efeito, em relação à suposta violação aos artigos tidos por violados, o Tribunal de
origem assentou que:
"De fato, assiste razão ao recorrente, respeitado o entendimento do
Douto Magistrado.
A troca de e-mails retratada em fls. 35/37 evidencia que, em primeira
internação realizada pelo paciente em situação de emergência, a
UNIMED ARARAS, ora apelada, requisitou sua transferência
porque 'não mais autorizara diárias para internação no Rio de
Janeiro' (fl. 35).
Em momento posterior, após alta médica e havendo prescrição de
nova internação em caráter urgente para transfusão de sangue (fls.
107/108), houve comprovação de negativa expressa por parte da
apelada (fl. 109), o que exigiu da família do apelante a busca de
tutela jurisdicional perante o i. Juízo da Comarca do Rio de Janeiro
para garantia da cobertura devida ao segurado (fls. 110/112).
O quadro circunstancial de ameaça de ruptura da internação e negativa
de tratamento evidencia, per se, que a conduta ilícita importou sem
dúvida alguma em desassossego anormal, agravando a situação do
apelante.
Houve, às claras, sofrimento anormal, longe de um singelo
aborrecimento decorrente de inadimplemento contratual,
notadamente ante o quadro clínico do paciente pessoa idosa de 71
anos, portadora do Mal de Alzheimer, Doença de Parkinson e anemia
refratária à transfusão sanguínea e o quadro de urgência e de risco de
morte retratado pelos relatórios médicos (fls. 38 e 107).
Reconhecida a lesão extrapatrimonial, tem-se que inexiste critério fixo e
determinado para o arbitramento da quantificação da compensação,
devendo ser observada a peculiaridade do caso concreto, levando-se em
consideração as condições das ofendidas, da ofensora e do bem jurídico
lesado. Tal indenização deve satisfazer as vítimas na justa medida do
abalo sofrido, não podendo ser fixada em valor tão alto que se converta
a dor em fonte de enriquecimento sem causa das ofendidas, nem em
quantia tão irrisória que não reprima a ocorrência de eventos da
mesma natureza.
Na espécie, com fundamento na norma do artigo 944 do Código Civil,
arbitra-se o montante indenizatório em R$ 20.000,00 (vinte mil reais),
justificando-se tal importe na essencialidade e urgência da
assistência médica provida no caso e a gravidade que representaria
sua suspensão, caso não fosse evitada por provimento jurisdicional.
Em resumo, a soma atende aos princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade que norteiam o arbitramento do quantum
Documento: 83921865 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 30/05/2018 Página 2 de 3
indenizatório, não se revelando 'manifestamente exagerado ou
irrisório' (RT 814/167).
Tal montante será corrigido a partir do presente arbitramento (Súmula
362, STJ), com os critérios da tabela prática deste Tribunal, sem
prejuízo da incidência de juros de mora a partir da citação, nos termos
do artigo 405 do Código Civil.
3. Diante de todo o exposto, de rigor que se proveja o apelo a fim de
que, reformada em parte a r. sentença, condene-se a apelada ao
pagamento de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a título de indenização por
danos morais, importância essa que será corrigida desde o presente
julgamento, com incidência de juros de mora desde a citação" (e-STJ
Fls. 224/226).

Assim, elidir as conclusões do aresto impugnado firmadas no sentido de que houve sim
negativa indevida da agravante de internação prescrita à parte agravada, e, não apenas mero
questionamento de transferência, como quer fazer crer a recorrente, demandaria,
necessariamente, o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada
nesta sede especial a teor da Súmula 07/STJ.
Considerando o disposto no § 11 do art. 85 do CPC/2015, e, respeitada a
sucumbência decidida na origem, majoro os honorários advocatícios, originalmente fixados em
15% (quinze porcento) (fl. 226, e-STJ), para 17% (dezessete porcento) sobre o valor da
causa, a serem suportados exclusivamente pela parte recorrente.
Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Intimem-se.
Brasília (DF), 28 de maio de 2018.

Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO


Relator

Documento: 83921865 - Despacho / Decisão - Site certificado - DJe: 30/05/2018 Página 3 de 3

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