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Características e Ciclo das Pulgas

As pulgas, pertencentes à ordem Siphonaptera, são insetos ectoparasitas hematófagos que afetam principalmente mamíferos e aves. Elas possuem um ciclo biológico que inclui ovos, larvas e adultos, e podem causar problemas de saúde em hospedeiros, além de atuarem como vetores de doenças. As principais famílias de pulgas com importância médica e veterinária no Brasil incluem Pulicidae, Rhopalopsyllidae e Tungidae.

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Características e Ciclo das Pulgas

As pulgas, pertencentes à ordem Siphonaptera, são insetos ectoparasitas hematófagos que afetam principalmente mamíferos e aves. Elas possuem um ciclo biológico que inclui ovos, larvas e adultos, e podem causar problemas de saúde em hospedeiros, além de atuarem como vetores de doenças. As principais famílias de pulgas com importância médica e veterinária no Brasil incluem Pulicidae, Rhopalopsyllidae e Tungidae.

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Pulgas (Siphonaptera)

(Siphon = sifão; A = ausência; Pteros = asas)

A ordem Siphonaptera é formada por insetos ectoparasitos hematófagos


popularmente conhecidos como pulgas e bichos-de-pé. A maioria das espécies de
pulgas parasita mamíferos, mas também existem espécies que parasitam aves.
Apenas as pulgas adultas são parasitas e ambos os sexos são
hematófagos. Elas são insetos pequenos (1 a 6 mm de comprimento), com
coloração castanho-escura, sem asas e com corpo achatado lateralmente.
Possuem antenas com três segmentos. Apresentam três segmentos torácicos
(pronoto, mesonoto e metanoto) e possuem o terceiro par de pernas mais longo que
os demais, o qual é adaptado para saltar. Possuem numerosas cerdas, de grande
importância taxonômica. As cerdas mais relevantes para a taxonomia das pulgas
são as que estão na cabeça, atrás das antenas e os ctenídeos (cerdas mais
espessas, em forma de pente) presentes junto do aparelho bucal (gena) e no
pronoto.

Figura 1. Características morfológicas de uma pulga adulta. (Fonte: Gullan e


Cranston, 1994.)

Ciclo biológico das pulgas em geral

Após a cópula (a fêmea sobe no macho) e repasto sanguíneo, as fêmeas


fazem a postura diária e parcelada de 3 a 18 ovos. Os ovos das pulgas são brancos,
tem formato ovoide e possuem 0,3 a 0,7 mm de comprimento. A postura pode ser

Texto retirado e adaptado de:


[Link]
no solo ou sobre o hospedeiro, do qual caem pouco tempo depois. A eclosão
ocorre, em média, em 5 dias. As larvas são vermiformes, esbranquiçadas e ápodas.
Elas apresentam aparelho mastigador e se alimentam de sangue digerido
eliminado nas fezes das pulgas adultas, de matéria orgânica e de microrganismos
presentes no ambiente. A larva sofre duas mudas e forma então um casulo, do qual
o adulto emerge. Em condições ideais de temperatura (23-26℃) e umidade relativa
do ar elevada, o ciclo completo pode levar em torno de 21 dias. Dependendo das
condições do ambiente, o desenvolvimento do ciclo pode variar de 6 a 12 meses.

Figura 2. Ciclo evolutivo típico de pulgas: adulto (A); ovo (B); larva (C); pupa (D).
(Adaptada de Séguy, 1944.)

Classificação das pulgas

A ordem Siphonaptera inclui mais de 3 mil espécies de pulgas, as quais estão


distribuídas em 15 famílias. Das oito famílias de pulgas existentes no Brasil, apenas
três apresentam espécies de importância médica e/ou veterinária:

• Pulicidae, com os gêneros Ctenocephalides, Pulex, Xenopsylla;

• Rhopalopsyllidae, com o gênero Polygenis;

• Tungidae, com os gêneros Hectopsylla e Tunga.

Texto retirado e adaptado de:


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Importância em medicina veterinária e saúde pública

As pulgas ocupam diversos nichos na interação entre organismos, atuando


não somente como parasitos, mas também como vetores ou como hospedeiras
intermediárias. Como parasitos, as pulgas exercem a hematofagia diariamente ou
em dias alternados. O repasto sanguíneo pode provocar dermatite, reações
alérgicas, prurido, anemia e lesões cutâneas nos locais de parasitismo (neste caso
por Tunga penetrans). Além das reações cutâneas, muitas espécies de pulgas são
capazes de parasitar uma ampla variedade de hospedeiros, dificultando o seu
controle. Como vetores, as pulgas poder ser transmissoras de vírus, bactérias e
protozoários. Como hospedeiras intermediárias, podem abrigar protozoários
(como Trypanosoma lewisi), cestódeos (como Dipylidium e Hymenolepis) e
nematódeos (como Dipetalonema reconditum e Dirofilaria immitis).

Pulicidae

A família Pulicidae inclui espécies parasitas de uma ampla variedade de


mamíferos e apresentam distribuição mundial. Os gêneros de importância médica
e veterinária são Ctenocephalides, Pulex, e Xenopsylla.

O gênero Ctenocephalides inclui espécies que são geralmente parasitas de


carnívoros, mas algumas espécies parasitam lebres e esquilos. As espécies C.
canis e C. felis tem como hospedeiros gatos, cães e humanos, sendo que a C.
felis é a espécie mais encontrada. As pulgas desse gênero possuem olhos e
apresentam ctenídios pronotal e genal.

A espécie de maior relevância pertencente ao gênero Pulex é a Pulex irritans.


Essa pulga exibe preferência pelo ser humano, mas também pode parasitar outros
hospedeiros como suínos, canídeos, felinos e roedores.

O gênero Xenopsylla inclui espécies de pulgas que parasitam ratos. A


espécie Xenopsylla cheopis é cosmopolita e é a principal transmissora da Yersinia
pestis, causadora da peste bubônica em humanos. No Brasil, de modo geral, X.
cheopis é prevalente sobre X. brasiliensis.

Rhopalopsyllidae

A família Rhopalopsyllidae inclui espécies de pulgas que em sua maioria são


parasitas de roedores. Espécies do gênero Polygenis parasitam roedores silvestres
e são mantenedoras da peste bulbônica nas Américas.

Texto retirado e adaptado de:


[Link]
Tungidae

A família Tungidae inclui espécies do gênero Tunga, popularmente chamado


de bicho-de-pé e espécies do gênero Hectopsylla (pulgas semipenetrantes).
As espécies do gênero Tunga são as menores pulgas conhecidas, exibindo
em torno de 1 mm de comprimento. As espécies desse gênero são parasitas de
edentados (tatus, tamanduás), animais de produção, roedores e humanos. Tunga
penetrans parasita mais frequentemente humanos, suínos, cães e gatos.
A cabeça dessas pulgas tem fronte com tubérculo pronunciado. Possuem
duas mandíbulas retilíneas, serrilhadas e longas e palpos labiais com dois
segmentos pouco quitinizados. O tórax dessas pulgas é quase inexistente, sendo
que os três segmentos torácicos juntos são menores do que um segmento
abdominal. Elas não apresentam ctenídeos. Ambos os sexos são hematófagos,
mas apenas a fêmea fecundada é que se introduz na pele do hospedeiro (no
homem, preferencialmente na sola plantar, calcanhar e cantos dos dedos dos pés).
A cabeça e o corpo dessas pulgas ficam mergulhados nos tecidos, deixando
apenas a região posterior do abdome em contato com o meio externo, onde se
encontram a abertura do ovipositor, o ânus e os estigmas respiratórios. Após a
fêmea alimentar-se de sangue e líquido tissular, inicia-se o desenvolvimento dos
ovos que permanecem no abdome, o qual aumenta significativamente de tamanho,
podendo alcançar o tamanho de uma ervilha. Após a liberação dos ovos através do
ovipositor, a pulga morre e cai ao solo ou é destruída pelo processo inflamatório
formado no local da penetração. Essas pulgas costumam ser frequentes em
ambientes secos e arenosos.

O gênero Hectopsylla inclui espécies parasitas de aves e morcegos. Essas


pulgas possuem maxilas e lacínias bem desenvolvidas. As pulgas fêmeas são
semipenetrantes, aderindo-se ao hospedeiro apenas pelas lacínias da maxila,
ficando o tórax e o abdome expostos.

Referências

Neves, D. P. Parasitologia Humana. 11ª edição. São Paulo: Atheneu, 2004.

Monteiro, S. G. Parasitologia na Medicina Veterinária. 2ª edição. Rio de Janeiro:


Editora Roca, 2017.

Taylor, M. A.; Coop, R. L.; Wall, R. L. Parasitologia Veterinária. Tradução da 4ª


edição (2016). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

Texto retirado e adaptado de:


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