Procariontes (Bactérias e Arqueas)
Melissa Vieira de Lucena
Por meio de registros fósseis, estima-se que há 3,5 bilhões de anos, surgiram as primeiras
formas de vida: as arqueas e as bactérias. Assume-se que foram procariontes pois são a forma
mais simples de vida que existe.
Descrição dos Procariotos
- Primeiros organismos a habitar a terra;
- Possuem célula procarionte;
- São unicelulares;
- Ausência de organelas membranosas;
- Ausência de envelope nuclear/carioteca;
- Diversidade nutricional e adaptações metabólicas;
- Embora sejam unicelulares e pequenos, os procariotos são bem organizados,
realizando todas as funções vitais de um organismo dentro de uma única célula. Eles
produzem proteínas, geram ATP, obtêm alimento ou podem até mesmo produzir seu
próprio alimento;
- Encontram-se bactérias e arqueas extremamente difundidas pelo planeta devido à sua
diversidade nutricional e adaptações metabólicas.
- Ribossomos 70s;
Os ribossomos das bactérias são 70s, enquanto o nosso é 80s. Por isso, não somos afetados
diretamente pelos antibióticos que tomamos (eles reconhecem o problema a ser resolvido por
meio do tipo de ribossomo).
Porém, sintomas de fatiga podem aparecer indiretamente. Isso se deve ao fato de que, devido
à sua origem endossimbiótica, as mitocôndrias são procariontes e possuem ribossomo 70s.
Assim, os antibióticos podem afetar a síntese proteica das mitocôndrias, e por isso podemos
sentir sonolência ou cansaço.
Papeis Desempenhados Pelos Procariotos
- Decomposição da matéria orgânica morta;
A maior parte das bactérias e arqueas atuam como decompositores de material orgânico e
transformando-os em nutrientes. Toneladas de folhas mortas caem todos os dias nos solos e é
trabalho das bactérias rapidamente torná-las em nutriente para que as plantas continuem
sobrevivendo. Sem as bactérias, a nossa biodiversidade nunca mais seria a mesma, pois elas
são essenciais para a fertilidade do solo.
- Interações mutualísticas (+/+);
Dentro do nosso intestino grosso existem milhares de bactérias que, sem elas, não
sobreviveríamos. Porém, ao ser retirada de nosso corpo, a própria bactéria também não
sobreviveria. O mutualismo então fala de relações de dependência mútua.
Exemplo.1: Microbiota Intestinal: ajudam na produção de vitaminas e o nosso sistema
imunológico.
Exemplo.2: as vacas e bois, animais ruminantes, se alimentam somente de vegetais, porém
não conseguem digerir a celulose (a base de sua dieta), assim como qualquer mamífero. Por
isso que eles possuem arqueas e bactérias que vão quebrar essa celulose para eles. Assim,
eles não sobreviveriam sem elas, porém elas também não sobreviveriam em outro ambiente.
- Participação em ciclos biogeoquímicos;
Os ciclos biogeoquímicos são processos biológicos, geológicos e químicos que promovem
transformações nos elementos dos ecossistemas.
Exemplo: os primeiros seres vivos a fazerem fotossíntese e liberarem oxigênio para atmosfera
foram as cianobactérias. Sem elas, provavelmente não existiriam seres aeróbios.
- Indústria alimentícia;
Exemplo: Os lactobacilos vivos são um grupo de bactérias amplamente encontrados na
natureza e têm uma relação simbiótica com os seres humanos, sendo particularmente
importantes para a saúde do sistema digestivo. Os lactobacilos vivos oferecem diversos
benefícios para a saúde humana, principalmente devido ao seu papel na manutenção do
equilíbrio da microbiota intestinal e na promoção de um ambiente gastrointestinal saudável.
Essas “bactérias do bem” ajudam na digestão de alimentos, auxiliando na quebra de
nutrientes, na absorção de minerais e na produção de enzimas digestivas.
- Remoção de poluentes (biorremediação);
Existem diferentes tipos de seres vivos que realizam biorremediação, não são somente as
bactérias.
Bio = vida; remediação = tratar
Quando um ser vivo é utilizado para remediar algum impacto ambiental, isso recebe o nome
de biorremediação.
Exemplo: Quando o petróleo acidentalmente derrama endurece, ele impede a passagem de
Sol, o que é muito prejudicial para o solo e os seres vivos. Derramamentos de petróleo
costumavam ser resolvidos com um produto que dissolvia o petróleo, porém contaminava a
água. Cientistas descobriram que algumas bactérias conseguem reverter o problema do
petróleo. Por mais que façam isso mais devagar, não criam outro problema, que nem os
produtos tóxicos fazem ao contaminar a água.
- Produção de combustível;
- Biotecnologia e engenharia genética
Bactérias geneticamente modificadas geram produtos de interesse humano.
Exemplo: ao serem modificadas geneticamente, algumas bactérias conseguem produzir
insulina. Vários outros hormônios e medicamentos são compostos por bactérias
geneticamente modificadas.
- Ação patogênica (bacterioses)
As bactérias que causam doenças (bacterioses) são, na verdade, a minoria. As arqueas não
causam doenças.
Como diferenciar uma bactéria de uma arqueia?
- A parede celular das bactérias são feitas de peptidoglicano
Domínio Eubacteria
O domínio eubacteria inclui a grande maioria das espécies procarióticas familiares à maioria
das pessoas, desde espécies patogênicas até espécies benéficas.
Estrutura Celular Bacteriana
Coloração de Gram
As bactérias gram-positivas têm uma parede feita de peptidoglicano. O cristal violeta entra na
célula, onde forma um complexo com o iodo na coloração. Muito grande para passar através
da espessa parede celular, esse complexo não é removido pelo enxágue com álcool.
Resultado: o cristal violeta mascara o corante vermelho de safranina.
As bactérias gram-negativas têm uma camada fina de peptideoglicano, a qual está localizada
entre a membrana plasmática e uma membrana externa. O complexo cristal violeta-iodo pode
passar através desta fina parede celular e, portanto, é removido pelo enxágue com álcool.
Resultado: a safranina cora a célula de cor-de-rosa ou vermelho.
Positivas: azul / Negativas: vermelho
!!: As bactérias gram-positivas tem uma parede celular espessa feita de peptidoglicano. As
bactérias gram negativas têm uma camada fina de peptidoglicano que está localizada entre a
membrana plasmática e uma parede externa. Se um antibiótico não conseguir passar por essa
parede externa, ele não fará efeito, por isso os médicos precisam reconhecer o tipo de bactéria
antes de realizar o tratamento (as gram-negativas são, portanto, mais difíceis de combater).
A imagem abaixo serve para ilustrar a grande diferença entre o formato das bactérias.
Diversidade Nutricional
Assim como todos os organismos, os procariotos podem ser classificados pela forma como
obtêm energia e o carbono utilizado na construção das moléculas orgânicas que constituem
suas células.
Autótrofos
O autotrófico produz o próprio alimento (Reino Plantae, por exemplo).
- Fotossíntese: o indivíduo produz o próprio alimento graças à presença de luz. Ex:
cianobactérias.
- Quimiossíntese: o indivíduo produz energia a partir de reações químicas. Ex:
nitrobactérias e ferrobactérias (oxidam o nitrogênio e o ferro).
Heterotróficos
O heterotrófico não produz o próprio alimento (Reino Animália, por exemplo).
A bactéria heterotrófica mais comum são as de compositoras.
O metabolismo procariótico também varia com respeito ao gás oxigênio (O2).
Adaptações Metabólicas
Aeróbios
- Necessitam usar o O2 para a respiração celular.
Anaeróbios Estritos
- Alguns anaeróbios obrigatórios vivem exclusivamente por fermentação, outros
extraem energia química por respiração anaeróbia;
- Procuram lugares anóxicos (que não tenha oxigênio, senão eles podem morrer)
Anaeróbios Facultativos
- Usam o O2 se ele está presente, mas também podem efetuar fermentação ou a
respiração anaeróbia em um ambiente anaeróbio. Eles escolhem fazer a respiração
celular pois ela rende mais ATP do que qualquer fermentação.
Reprodução Assexuada
Se todas as bactérias fizessem reprodução assexuada sempre, todas as bactérias seriam iguais,
já que reprodução assexuada não promove variabilidade genética. Um ponto de vista positivo
é que as bactérias, com a reprodução assexuada, podem se reproduzir de forma extremamente
rápida. Mas, do lado negativo, temos o perigo da falta de variabilidade genética pois a
permanência no planeta é dificultada, uma vez que todas as bactérias seriam suscetíveis aos
mesmos perigos e também não acompanharam as evoluções naturais.
Fissão Binária
- Também conhecida como bipartição ou cissiparidade;
- Reprodução rápida e ocorre em ambientes favoráveis;
- Por fissão binária, uma célula procariótica única se divide em duas células, a qual
então se divide em 4, 8, 16 e assim por diante.
1. Início da replicação cromossômica. Em seguida, cada cópia da origem se move
rapidamente em direções opostas da célula por meio de um mecanismo que envolve
proteínas semelhantes à actina.
2. A replicação continua. Agora, cada cópia da origem situa-se nas extremidades da
célula, ao mesmo tempo em que a célula se alonga.
3. A replicação termina. A membrana plasmática invagina por meio de proteínas
semelhantes à tubulina e uma nova parede celular é formada.
4. Temos duas células-filhas.
Mecanismos que Agregam Diversidade Genética nas Bactérias
Mutações
Novas mutações, embora raras, podem aumentar rapidamente a diversidade genética em
espécies com tempo de geração curtos e grandes populações.
Mutações ocorrem em todo tipo de vida e são mudanças no DNA de forma aleatória.
As mutações silenciosas são aquelas que não trazem nenhuma mudança significativa para a
bactéria.
Algumas mutações geram proteínas alteradas, que podem culminar na morte da bactéria.
Outras mutações podem gerar novas proteínas, que auxiliam na sobrevivência e adaptação
das bactérias.
Conjugação
O DNA é transferido entre duas células procarióticas (em geral, da mesma espécie) que estão
temporariamente ligadas. Isso muitas vezes ocorre para transferir genes de resistência para
promover uma maior chance de sobrevivência para a bactéria que recebe o DNA.
A bactéria não tem DNA apenas em seu cromossomo principal, ela tem pedaços de DNA que
ficam espalhados no seu citoplasma e são chamados de plasmídeos. Os genes que ficam nos
plasmídeos são geralmente genes associados à resistência bacteriana, que geram proteínas
que tornam a bactéria mais bem adaptada ao meio e podendo passar suas características à
frente para a próxima geração
OBS: “super bactérias” = bactérias resistentes a antibióticos, pois elas possuem plasmídeos
que impedem que eles sejam afetados por essas drogas já que elas conseguem metabolizar os
antibióticos.
Transformação
Quando uma bactéria morre, o seu DNA é expelido para fora. Se uma bactéria encontra esses
pedaços de DNA, ela pode incorporar isso ao seu genoma, podendo promover ou não uma
capacidade de produção de proteínas.
O genótipo, ou seja, o conjunto de genes, é alterado, pois ela agregou genes que ela não tinha,
o que gerou diversidade genética. Isso, porém, não garante que produzirá novas proteínas
funcionais, pois o DNA que ela pegou já havia sofrido degradação.
O genótipo, e possivelmente o fenótipo de uma célula procariótica são alterados pela
captação de DNA exógeno a partir de seu entorno.
Transdução
Na transdução, fagos (de “bacteriófagos”, os vírus que infectam as bactérias) carregam genes
procarióticos de uma célula hospedeira para outra. Na maioria dos casos, a transdução resulta
de acidentes que ocorrem durante o ciclo replicativo do fago.
O vírus entra em uma bactéria. A bactéria, porém, é resistente, e ao invés de deixar o vírus
colocar o seu DNA nela, ela neutraliza o vírus e coloca um de seus plasmídeos no capsídeo
do vírus. O vírus, quando for para outra bactéria e tentar inserir o seu DNA, vai acabar
inserindo o DNA da bactéria anterior.
OBS: por meio da transdução que geramos bactérias que carregam o hormônio da insulina.
Domínio Archaea
Os primeiros Procariotos classificados no domínio Archaea vivem em ambientes extremos
onde poucos outros organismos podem sobreviver. Esses organismos são chamados de
extremófilos e incluem os halófilos e os termófilos.