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Verificação de Iluminância em Salas de Aula

O estudo analisa a iluminância em salas de aula, focando na ergonomia e segurança do trabalho, com o objetivo de garantir o conforto e a saúde visual dos trabalhadores. Utilizando pesquisa qualitativa e quantitativa, foram avaliadas três salas em Ponta Grossa, Paraná, considerando fatores como a orientação das janelas e o uso de luz natural e artificial. O trabalho destaca a importância de um bom projeto de iluminação e abre possibilidades para futuras pesquisas na área.

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Verificação de Iluminância em Salas de Aula

O estudo analisa a iluminância em salas de aula, focando na ergonomia e segurança do trabalho, com o objetivo de garantir o conforto e a saúde visual dos trabalhadores. Utilizando pesquisa qualitativa e quantitativa, foram avaliadas três salas em Ponta Grossa, Paraná, considerando fatores como a orientação das janelas e o uso de luz natural e artificial. O trabalho destaca a importância de um bom projeto de iluminação e abre possibilidades para futuras pesquisas na área.

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Verificação do nível de iluminância no posto de trabalho: Estudo de

caso de salas de aula


Cris Rogerson Tonon (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) [Link]@[Link]
Luciene Ferreira Schiavoni Wiczick (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) lucienesw@[Link]

Resumo:
A ergonomia, dentro da segurança do trabalho, estuda as características do ambiente visando o
conforto, prevenção de acidentes, doenças e o bem-estar do trabalhador. Um dos pontos analisados é a
iluminação empregada nos postos de trabalho. Um bom projeto de iluminação deve atender a saúde
visual do trabalhador, prevenindo assim possíveis doenças ocupacionais. Este estudo consiste em um
estudo de caso, utilizando uma pesquisa qualitativa e quantitativa, fundamentada nas Normas
Brasileiras Regulamentadoras, analisando a iluminância de três salas de aula de uma instituição de
ensino situada em Ponta Grossa, Paraná. Entre os fatores analisados, estão as orientações das janelas,
utilização de luz natural e artificial. O estudo deixa a possibilidade de continuidade futura da pesquisa
em aberto.
Palavras chave: Iluminância, sala de aula, luz.

Checking the illuminance level at the workstation: Classroom case


study

Abstract
Ergonomics within work safety studies the characteristics of the environment aiming comfort, accident
prevention, illness and the well-being of the worker. One of the analyzed issues is the lighting used in
the workstations. A good lighting design must meet the worker's visual health, thus preventing
possible occupational diseases. This study consists of a case study, using qualitative and quantitative
research based on the Brazilian Regulatory Standards, analyzing the illuminance of three classrooms
of a teaching institution located in Ponta Grossa, Paraná. Among the analyzed factors are the
orientation of windows, use of natural and artificial light. The study let the possibility of future
research.
Key-words: Illuminance, classroom, light

1. Introdução
A luz é um potente agente biológico e terapêutico, fundamental para a vida em nosso planeta.
Os organismos vivos necessitam da energia solar, isto é, tanto as radiações eletromagnéticas
visíveis quanto as radiações eletromagnéticas próximas do visível, emitidas pelo Sol, são
necessárias para a sobrevivência da maioria das espécies do planeta. (VARGAS, 2009).
“Mais do que exercer impacto direto sobre a forma como percebemos o espaço que nos cerca,
a luz é capaz de despertar emoções de diversas formas”. (LOVISETTI, 2009).
A rotação terrestre limita a luz solar que incide na terra, formando assim os dias e as noites.
Através da evolução humana vê-se um melhor aproveitamento dos períodos diurno e noturno,
utilizando a luz natural do sol e desenvolvendo também luzes artificiais.
Segundo Serra et al. (2015), “diferente do Sol que é natural e não controlável, a luz artificial
dá poder evolutivo ao homem moderno, seja para a simples tarefa de iluminação de ruas e
casas ou até mesmo para televisores e computadores, isto leva a pesquisas incessantes nessa
área e ao desenvolvimento de teorias e materiais adequados para as finalidades desejadas”.
Uma boa iluminação deixa o ambiente mais confortável, ocasiona o aumento da
produtividade, além de também evitar acidentes.
Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa é verificar se três salas de aula, escolhidas conforme
a orientação de suas janelas, estão adequadas segundo as NBR 5413/92, NBR 15215/04, NBR
5461/91 e NBR 5382/85 vigentes que tratam sobre este assunto. As salas de aula analisadas
ficam em uma instituição de ensino, destinada ao ensino de crianças, adolescentes e adultos,
localizadas na cidade de Ponta Grossa, Paraná.
2. Sustentação tecnocientífica
Eficiência, conforto, segurança, aliado ao baixo consumo, são os objetivos da boa iluminação
nos ambientes de trabalho. Ergonomicamente falando, vale ressaltar que o trabalho nunca
deve ser adaptado a iluminação existente, este sim deve ser adequado as necessidades
psicofisiológicas dos trabalhadores locais.
A iluminacão natural deve ser considerada desde o início do projeto e levar em conideração
sua variação diária e sazonal, para que assim sua luz possa ser aproveitada pelo maior tempo
possível, e para que a iluminação artificial supra a deficiência da iluminação do posto de
trabalho, apenas quando a iluminação natural não for suficiente.
A adequação dos ambientes de trabalho realizadas pela segurança do trabalho, é verificada
através das NBRs existentes.
Desde 1992 quando se trata de iluminamento nos postos de trabalho, utiliza-se como
parâmetro a NBR 5382/85 em parceria com a NBR 5413/92. Mas em 2013 “nasce” a ABNT
NBR ISSO/CIE 8995-1.
A nova norma trouxe uma série de conflitos entre os conceitos técnicos aplicados para uma
correta interpretação dos resultados de exposição. Sendo assim, o Ministério do Trabalho
divulgou a Nota Técnica n°224 em 2014, dispõe sobre a NR17, item [Link] com o objetivo
de definir que a NBR 5413/92 continua sendo o parâmetro para avaliação de iluminamento.
Segundo Guerrini (2007), “o iluminamento de interiores é objeto da NBR 5413/92,
Iluminância de Interiores. Outras normas relativas ao assunto são a NBR 5461/91, Iluminação
Terminologia, e NBR 5382/85, Verificação de Iluminância de Interiores – Métodos de
Ensaio”.
Para a NBR 5413/92, quando a altura do plano de trabalho não é definida, adota-se 0,75
metros do piso, como altura padrão.
Além disso, “considera-se válida uma iluminação suplementar do plano de trabalho, quando
necessária uma elevada iluminância, com o cuidado de que a iluminância no restante do
ambiente não seja inferior a um décimo do valor adotado no campo de trabalho”.
(GUERRINI, 2007).
Quando se fala em iluminância em si, alguns conceitos são necessários.
Costa (2005), diz que “o fluxo luminoso representa uma potência luminosa emitida ou
observada, ou ainda, representa a energia emitida ou refletida, por segundo, em todas as
direções, sob a forma de luz. Sua unidade é o lúmen (lm)”.
No sistema internacional a unidade de medida do fluxo é o lúmen, e significa fogo em latim.
Ainda segundo Costa (2005) “o melhor conceito sobre iluminância talvez seja uma densidade
de luz necessária para uma determinada tarefa visual”.
Do latim, lux significa luz e corresponde ao iluminamento ou iluminância de uma superfície
de um metro quadrado, onde incide, com um ângulo de 90°, um fluxo luminoso de um lúmen.
As medições de iluminância são realizadas com o luxímetro, também chamado de fotômetro,
que consiste em uma célula fotoelétrica ligada a um mini amperímetro, absorvendo e
calculando tanto a luminosidade natural quanto a artificial.
A Tabela 1 apresenta alguns exemplos retirados da NBR 5413/92 a qual define três valores de
iluminâncias para cada grupo de tarefas.

ATIVIDADES VALORES MÉDIOS EM SERVIÇO


Biblioteca 300 500 750
Salas de Aula 200 300 500
Fonte: Adaptado de NBR 5413/92 - Verificação de Iluminância de Interiores
Tabela 1: Valores de iluminância adequados para cada tarefa, medidos em lux

A utilização dos valores é consequência da utilização da Tabela 2, que leva em consideração a


idade do usuário, velocidade e precisão com que a tarefa deve ser realizada e refletância do
fundo da tarefa.

PESO
CARACTERISTICA DA
TAREFA E DO OBSERVADOR -1 0 1
Idade em anos < 40 40 a 65 > 65
Velocidade e Precisão Sem Importância Importante Crítica
Refletância do Fundo da Tarefa > 70 % 30 a 70 % < 30 %
Fonte: Adaptado de NBR 5413/92 - Verificação de iluminância de interiores
Tabela 2: Fatores determinantes da iluminância adequada

Todas as características devem ser analisadas para a determinação do peso. Se a soma


algébrica for -2 ou -3, utiliza-se o valor mínimo. Para valores de +2 ou +3, deve-se utilizar o
valor máximo. O valor médio será utilizado para os outros casos.
2.1 Impactos e respostas humanas a luz
O olho possui sensores que detectam a luz, sensores estes que agem no comportamento do ser
humano, fazendo uma relação com a arquitetura e a iluminação dos ambientes, atuando no
bem-estar, melhorando o desempenho e a estética do ambiente.
“Enquanto os cones são responsáveis pela visão das cores, os bastonetes registram a
intensidade luminosa por meio do processamento da rodopsina nas moléculas da
retina quando da recepção dos fótons geradores de luz. Os cones são células
receptoras da retina, cuja função é possibilitar a discriminação ou detalhes finos,
além e, principalmente da percepção das cores, possuem também sensibilidade para
altos níveis de iluminamento e luminâncias acima de 3cd/m²(visão diurna ou
fotópica).
Já os bastonetes são responsáveis pela visão para baixos níveis de luminância (na
faixa de 0,001cd/m2) e não captam as cores, sendo muito sensíveis aos movimentos
e variações luminosas (visão noturna ou escotópica). Da “resposta” da retina às
excitações luminosas decorre, para cada indivíduo, uma sensibilidade maior ou
menor à luz”. (MOREIRA, 1933).
É através da luz que é possível observar as coisas, pois quando se vê um objeto, na verdade
vê-se a luz refletida por ele.
“A sensação visual ocasionada pelos estímulos luminosos gera impulsos que são
transmitidos até o cérebro através do nervo ótico, onde se processa a interpretação
das diferentes intensidades de luz. A iluminação tem como característica a produção
de reflexos que, transportados ao olho humano, geram informações do meio externo,
permitindo que o cérebro possa analisá-las e interpretá-las, provocando distinções de
cor, forma, tamanho e posição dos objetos por meio da percepção visual”.
(ALMEIDA apud VARGAS, 2009).
Desde o momento que se acorda, até o momento que se vai dormir, os seres vivos são guiados
pelos estímulos causados pela luz.
Desta forma, segundo Crepaldi (2006), “pode-se constatar as cores como elemento muito
importante na vida das pessoas. Elas têm a propriedade e a habilidade de despertar sensações
e definir ações e comportamentos, além de provocar reações corporais e psicológicas”.
A luz e os estímulos causados por ela variam conforme as horas passam e os ambientes
frequentados durante o dia. Os humanos possuem um ciclo circadiano, onde ao acordar, no
período da manhã, está mais calmo, e com a luz não é diferente, tendo temperaturas baixas,
3000K, com um tom mais avermelhado.
Ao meio dia, quando se está a todo vapor, a luz possui a temperatura mais alta, por volta de
5000K, um tom mais branco. Quando anoitece, a luz diminui e os seres vivos começam a
entrar em repouso. Dessa forma, a iluminação deve ser projetada para minimizar as
interferências com os ritmos circadianos normais em plantas e animais.
Assim pode-se concluir que quanto maior a temperatura da cor, maior o índice de atenção e
irritabilidade, e para temperaturas mais baixas, um maior conforto e descanso. Também se
pode dizer que, quanta mais alta a temperatura da luz, mais claro é seu tom. A unidade de
medida utilizada é o Kelvin (K), e isso significa a tonalidade de cor que ela emite e não o
calor emitido pela lâmpada.
“Através da cromoterapia, uma ciência que usa a cor para estabelecer o equilíbrio e a
harmonia do corpo, da mente e das emoções, pode-se reestabilizar o equilíbrio emotivo,
espiritual, fisiológico e/ou psicológico do ser humano e propiciar sua cura”. (SILVA, 2008;
MONTEIRO, 2008).
Os estudos apontam que diferentes cores e tonalidades, causam diferentes estímulos e
sensações nos seres humanos. Um processo de tratamento psicológico pode ser acelerado,
utilizando diferentes linguagens visuais utilizando a iluminação.
Conforme Beck et al. (2007), “pelas teorias da cor, sabe-se que em quase todos os idiomas a
palavra cor designa tanto a percepção do fenômeno, sensação, bem como as radiações
luminosas diretas ou as refletidas por determinados corpos, matiz ou coloração, que o
provocam”.
Por exemplo, a cor vermelha está relacionada com energia, amor, perigo, fogo, paixão, força,
enquanto que a cor azul está associada ao conservadorismo, austeridade, monotonia,
dependência, tecnologia, liberdade, saúde e confidencia.
Também, pode-se dizer que a cor branca significa a pureza, a inocência, paz, a simplicidade, a
esterilidade e a rendição.
E para finalizar, a cor preta significa mistério, poder, sofisticação, formalidade, anonimato,
modernidade e medo e a cor cinza é elegância, humildade, respeito, reverência, sutileza.
Alguns aspectos como sombras, contrastes, ofuscamento e o ambiente, são importantes
quando se considera os efeitos da iluminação.
O ofuscamento é a sensação de cegueira quando, olha-se diretamente para a luz. É o resultado
de luz indesejada no campo visual, e geralmente é causado pela presença de uma ou mais
fontes luminosas excessivamente brilhantes. Ela causa desconforto, redução da capacidade ou
ambos.
As sombras acontecem quando a luz não incide diretamente no objeto, e depende da abertura
do foco de iluminação.
O contraste ajuda a visão a ter uma melhor identificação do objeto e é utilizado quando se
precisa um alto grau de precisão visual. Isso pode ser notado quando se visualiza um ambiente
no qual o piso e o teto possuem cor escura, causa uma percepção de um ambiente baixo, e
com cores mais claras, tem-se a percepção de um ambiente com o pé direito mais alto. Para os
olhos, cores frias e claras no teto, passam a impressão de um ambiente maior, pois refletem
mais a luz.
O foco está relacionado com a faixa de luz que é direcionada ao objeto. Quanto mais foco,
mais nítida é a imagem.
A utilização de luminária com formato cônico e fundo espelhado, melhora o direcionamento
do faixo de luz e assim ajuda a ressaltar os detalhes dos objetos.
Um bom sistema de iluminação é aquele que assegura níveis de luz e que garantem o conforto
visual. Com isso se conclui que a luz e suas cores fazem parte do nosso cotidiano e de tudo a
nossa volta. Elas estão nas informações, sinalizações, diferenciação de zonas de circulação,
tipos de ambientes que se destinam a atividades mais diversas.
“A visão e, consequentemente, a percepção da luz, como um dos principais sentidos que
permitem aos humanos apreender o espaço e suas qualidades é determinante no
comportamento do indivíduo em suas relações com o espaço e vice-versa. Ainda neste
contexto, os aspectos relativos aos níveis de iluminamento e distribuição da luz nos ambientes
contribuem para a distribuição das pessoas e dos grupos em função de personalidades, tarefa e
ambiente, ou seja, interferem nos limites do “espaço pessoal” do indivíduo”. (SOMMER,
1973).
3. Metodologia
A investigação foi feita através de uma pesquisa de campo e estudo de caso, e a metodologia
utilizada foi exploratória, baseada na abordagem qualitativa e quantitativa.
As medições foram realizadas no dia 28 de julho de 2018, os ambientes estavam sem a
presença dos alunos, por se tratar de um sábado e sem a possibilidade de ser realizado durante
as aulas, realizadas nos mesmos períodos em que a escola ministra as aulas.
Descrição dos períodos estudados:
Período da Manhã – realizado das 09 horas e 45 minutos às 10 horas e 20 minutos,
temperatura ambiente de 15°C, condições meteorológicas nublado;
Período da Tarde – realizado das 14 horas e 50 minutos às 15 horas e 20 minutos, temperatura
ambiente de 22°C, condições meteorológicas sol com muitas nuvens.
Os aparelhos utilizados foram: Um Luxímetro modelo digital da ICEL Manaus LD-510, com
taxa de amostragem de 2,5 vezes por segundo, correção de co-seno, temperatura de operação
de -10°C a +50°C, Trena da marca Vonder, modelo Plus de 10 metros e fita de 32 milímetros.
Para cada sala de aula foram realizadas três leituras nas seguintes configurações:
Primeira – iluminação artificial acesa com as cortinas totalmente fechadas (luz);
Segunda – iluminação artificial acesa com as cortinas totalmente abertas (luz+sol);
Terceira – iluminação artificial desligada com as cortinas totalmente abertas (sol).
Para realizar a análise e comparação dos dados utilizaram-se os padrões estabelecidos pela
NBR 5413/92 – Iluminância de Interiores – ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
1992, a qual estabelece os valores de iluminância médias mínimas em serviço para a
iluminação artificial em interiores, onde realizem atividades de comércio, indústria, ensino,
esporte e outras.
A metodologia utilizada para realizar este estudo foi embasada na NBR 5382/85 – Verificação
de Iluminância de Interiores – ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, 1985, pois
a mesma normatiza o modo pelo qual deve ser realizada a verificação da iluminância de
interiores de áreas retangulares, através da iluminância média sobre um plano horizontal,
proveniente da iluminação geral.
Para o estudo de caso, sala de aula, deve-se ter a seguinte iluminância mínima, média e
máxima: 200 – 300 – 500 lux, sendo que o valor da iluminância a ser utilizada irá depender da
velocidade e precisão da tarefa, refletância do fundo de trabalho e idade dos usuários.
Os postos de trabalho são formados de sete aglomerados circulares, compostos por seis mesas
brancas e um centro circular azul. A Fotografia 1 exemplifica um ambiente de sala de aula
facilitando a compreensão e composição dos postos de trabalho bem como a distribuição das
luminárias.
Fonte: próprio autor, 2018.
Fotografia 1 - Exemplo de uma sala de aula

As lâmpadas utilizadas são do tipo tubular fluorescente, distribuídas em linhas com três
luminárias com suporte espelhado e compostas por duas lâmpadas. Na Sala 3, um par de
lâmpadas localizadas ao fundo e à direita estavam queimadas.
As salas de aula foram escolhidas para que suas configurações possuíssem diferentes
orientações de abertura de luz natural. As janelas estão localizadas a 1,30 metros do piso com
dimensões de 2,45 x 1,55 metros. Possuem orientação de 250° para o Oeste, 160° para o Sul,
70° para o Leste, 340° para o Norte. A Sala 3 possui uma janela com face para o leste, porém
esta não possui iluminação natural uma vez que está voltada para um corredor coberto.
Seguindo a NBR 5382/85, para que ocorressem as medições, as fotocélulas ficaram expostas
a iluminação local até a estabilização e segundo a mesma norma a temperatura ambiente deve
estar entre 15°C e 50°C para que não ocorram erros na leitura do instrumento. Os demais
dados são apresentados pelo Quadro 1.

Ambiente Sala 1 Sala 2 Sala 3


Comprimento (m) 8,30 9,80 10,30
Largura (m) 6,40 6,40 6,55
Pé Direito (m) 3,25 3,25 3,25
Cor das Paredes Branca
Cor do Teto Cinza
Cor do Piso Branco
Cor das Cortinas Azul
N° de Lâmpadas 24 30 30 (2 queimadas)
N° Janelas 4 (2 Sul e 2 Oeste) 5 (2 Leste e 3 Oeste) 2 (1 Norte e 1 Leste)
N° Postos de Trabalho 7 aglomerados + 1 carteira
N° de cadeiras 43 (encosto e assentos na cor azul)
Quadro 1 – Dados dos postos de trabalho
Nas 3 salas de aula e para cada tipo de iluminação foram realizados oito leituras no período da
manhã e oito no período da tarde. O valor a ser analisado será a média aritmética formada
pelo conjunto das oito leituras. Os resultados considerados para análise serão obtidos
conforme o Quadro 2 e ocorre da seguinte forma:

Configuração Tipo de Iluminação


Ambiente Sala 1 Sala 2 Sala 3
Período Manhã Tarde Manhã Tarde Manhã Tarde
N° de Leituras 8 8 8 8 8 8
Média (lux) Média Média Média Média Média Média
Quadro 2 – Exemplo de obtenção dos dados para análise

O subitem 3.4 da NBR 5382/85, diz que “a superfície da fotocélula deve ficar no plano
horizontal, a uma distância de 80 cm do piso” e, como os postos de trabalho estudados
possuem altura compatível com a referida norma, as medições foram realizadas com o
luxímetro apoiado sobre elas.
4. Resultados e análises
As análises dos dados foram realizadas considerando a influência da luz artificial, da luz
natural, os pontos cardeais e suas associações.
As salas de aula apresentam características diferentes entre si, visto que suas janelas apontam
para diferentes pontos cardeais, número de luminárias e quantidade de janelas.
Segundo a Tabela 1 da NBR 5413/92, as salas de aula devem ter a seguinte iluminância
mínima, média e máxima: 200 – 300 – 500 lux e segundo a Tabela 2, o valor utilizado
dependerá da velocidade e precisão da tarefa, refletância do fundo de trabalho e idade dos
usuários. Levando em consideração os pesos apresentados na Tabela 2 da referida NBR, a
iluminância média, 300 lux, é a mais adequada para a utilização das três salas de aula.
4.1 Luz Artificial
A primeira configuração analisada foi com as luzes artificiais ligadas e com as cortinas
fechadas. Os valores podem ser visualizados no Quadro 3.

Configuração Luz Artificial


Ambiente Sala 1 Sala 2 Sala 3
Período Manhã Tarde Manhã Tarde Manhã Tarde
Leitura (lux) 480 471 566 568 507 544
Leitura (lux) 606 630 686 646 576 515
Leitura (lux) 756 744 607 726 573 630
Leitura (lux) 571 652 610 592 437 476
Leitura (lux) 521 502 740 652 754 737
Leitura (lux) 687 530 661 684 314 357
Leitura (lux) 530 543 554 593 541 683
Leitura (lux) 555 547 544 548 376 574
Média (lux) 588 577 621 626 510 565
Quadro 3 – Leituras luz artificial

Todas as salas de aula apresentaram valores médios acima do valor máximo de 500 lux.
Apenas a Sala 3 apresentou três pontos de leitura com valor próximo ao valor médio de 300
lux. Dessa forma, as salas de aula analisadas não estão adequadas conforme a NBR 5413/92.
4.2 Luz Artificial + Luz Natural
A associação de luz artificial mais luz natural foi a que apresentou a pior configuração, das
três analisadas.
Salas com janelas amplas, faces apontadas para o norte, oeste e leste, associadas a um sobre
dimensionamento de iluminação artificial fizeram com que os valores médios, Quadro 4,
ficassem bem acima dos limites aceitáveis.

Configuração Luz Artificial + Luz Natural


Ambiente Sala 1 Sala 2 Sala 3
Período Manhã Tarde Manhã Tarde Manhã Tarde
Leitura (lux) 729 706 1072 789 359 638
Leitura (lux) 934 987 1120 1265 617 594
Leitura (lux) 1333 1269 1300 1487 602 852
Leitura (lux) 1530 1396 6630 1221 687 1135
Leitura (lux) 2090 2100 1513 1802 867 1857
Leitura (lux) 970 1020 1698 1421 811 1198
Leitura (lux) 1250 1240 738 1076 574 1006
Leitura (lux) 830 760 824 796 409 750
Média (lux) 1208 1185 1862 1232 616 1004
Quadro 4 – Leituras luz artificial + luz natural

A Sala 1 que possui janelas apontadas para o oeste e sul, apresentou vários pontos com
valores acima dos 1200 lux e um ponto acima de 2000 lux.
Na Sala 2, no período da manhã o estudo apontou que um ponto de medição chegou ao valor
de 6630 lux, valor maior treze vezes o máximo aceitável pela norma, que é de 500 lux. Isso
ocorreu pelo fato da janela estar voltada para o leste, e o ponto de medição estar na linha de
incidência do sol.
A Sala 3 é a que apresenta a menor área das janelas, e apenas uma com sua face voltada para
o norte. Por esse motivo, ela apresentou a menor variância no período da manhã, variando
pouco mais de 100 lux, com o acréscimo da luz natural.
Como visto, em todas as salas, exceto a Sala 3 no período da manhã, os valores médios de
iluminância ultrapassaram o dobro do limite máximo.
4.3 Luz Natural
Os dados apresentados no Quadro 5, evidenciam os pontos de máxima incidência de luz solar
e também vários pontos de sombra, principalmente na Sala 3.

Configuração Luz Natural


Ambiente Sala 1 Sala 2 Sala 3
Período Manhã Tarde Manhã Tarde Manhã Tarde
Leitura (lux) 253 204 500 253 37 126
Leitura (lux) 360 348 599 407 33 82
Leitura (lux) 628 869 851 896 64 222
Leitura (lux) 1039 511 5790 488 125 612
Leitura (lux) 1596 1603 1031 1274 456 1157
Leitura (lux) 378 390 1291 845 140 705
Leitura (lux) 768 702 222 694 40 132
Leitura (lux) 323 247 330 290 110 328
Média (lux) 668 609 1327 643 126 421
Quadro 5 – Leituras luz natural

Analisando apenas os valores médios, chama a atenção à baixa iluminância, 126 lux, da Sala
3 no período da manhã, devido à falta de janelas, e a alta iluminância, 1327 lux, da Sala 2 no
mesmo período, devido ao fato de possuir duas janelas com suas faces voltadas para o leste.
A Sala 1 e a Sala 2 apresentaram algumas leituras com valores compatíveis com a NBR
5413/92 e valores bem acima dos recomendados.
Na Sala 3 verificou-se vários pontos abaixo do mínimo recomendado, 200 lux, apresentando
valores que chegam a mais de cinco vezes o valor mínimo aceitável pela norma,
principalmente no período da manhã.
Já no período da tarde, a Sala 3 apresentou média abaixo do máximo sugerido por norma,
porém quando se analisa cada leitura efetuada em separado, vê-se uma grande disparidade de
valores, que variam de apenas 82 lux até 1157 lux o qual não é recomendado pela norma.
5. Conclusões e recomendações
O experimento realizado revelou que as três configurações de iluminação estudadas,
apresentam valores acima do máximo sugerido pela NBR 5413/92.
As situações estudadas demonstraram que não é indicado abrir as cortinas, adicionando luz
natural à iluminação artificial, uma vez que o excesso de iluminância pode causar
ofuscamento, fadiga visual e sensação de desconforto.
A configuração mais adequada para as três salas de aula, é a de luz artificial, apresentando
valores médios entre 510 e 626 lux, quando se analisa apenas a Tabela 1 da NBR 5413/92,
que diz que o valor máximo para salas de aula é de 500 lux.
Porém quando se analisa a Tabela 2 da NBR 5413/92, levando-se em consideração os pesos, o
valor ideal é de 300 lux, sendo assim inadequada para os postos de trabalho.
Para a adequação das salas de aula frente à Norma, sugere-se a colocação de cortinas que
bloqueiem com mais eficiência a luz solar e ou a diminuição da potência das lâmpadas e ou a
diminuição do número de lâmpadas nas salas de aula.
O estudo desconsiderou a presença dos alunos, o que em tese, poderiam causar sombra nos
postos de trabalho, diminuindo os valores médios. Dessa forma o presente estudo de caso,
deixa em aberto à possibilidade de uma análise futura.
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15215: Iluminação natural – Parte
4: Verificação experimental das condições de iluminação interna de edificações – Método de medição. Rio de
Janeiro, 2004.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5382: Verificação de iluminância
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