A africanidade faz parte da alma carioca há séculos.
A partir da temática “Desafios
para a valorização da herança africana no Brasil”, a redação do Exame Nacional do
Ensino Médio (Enem) de 2024 reconhece a importância e a presença da negritude para
a formação cultural do país. O Rio de Janeiro, em especial, teve sua história e seu
desenvolvimento marcados por costumes, tradições, religiões e pratos típicos da
África. O GLOBO fez uma lista de lugares na cidade que remontam a trajetória
“afrocarioca”.
Pesquisador sobre o ensino de história e memórias da escravidão no Rio de Janeiro,
o educador Pedro Mendes entende que “a cidade não existiria sem as Áfricas que a
fizeram e a fazem até hoje”. O historiador descreve que as heranças e influências
transcendem a presença marcante da população afrodescedente carioca.
— O Rio é uma cidade africana. Foi e é permanentemente africanizada. Isso se deu
por quase três séculos de tráfico muito intenso de africanos, sobretudo de Congo e
Angola, Moçambique e Costa da Mina, para o Rio de Janeiro — contextualiza ele.
Além de uma cultura muito marcada pelo futebol, Pedro destaca a importância das
escolas de samba, tais quais Imperatriz, Mangueira, Mocidade e Portela, como
“espaços muito afrocentrados”.
— Eram espaços de associação e "recreativismo", daqueles excluídos das benesses do
desenvolvimento da cidade ao longo do século XX. Assim como os sindicatos, os
primeiros do Brasil, quando o Rio era a capital da República, que eram negros, como
os sindicatos dos trapicheiros e dos trabalhadores do café, chamados de
Resistência.
A região dos bairros Gamboa, Santo Cristo e Saúde, na zona portuária do Rio de
Janeiro, foi apelidada de Pequena África pelo artista Heitor dos Prazeres.
Considerada uma das áreas mais descoladas do mundo pela revista TimeOut de Londres,
ela é repleta de lugares históricos marcados pela herança africana, como o Cais do
Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos e a Pedra do Sal. Atualmente, é ocupada por
uma população majoritariamente preta.
Antes, o Dia da Consciência Negra não era considerado feriado nem ponto
facultativo, mas a mudança foi aprovada em novembro do ano passado. Confira os
direitos dos trabalhadores. Neste ano, pela primeira vez, o dia 20 de novembro será
feriado nacional
Carolina Maria de Jesus escritora que retratou a vida nas favelas do Brasil
Expondo o racismo e a pobreza em seu livro quarto de despejo
O Dia da Consciência Negra é comemorado no Brasil em 20 de novembro. A data
homenageia Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da
resistência negra contra a escravidão. Essa celebração foi escolhida para destacar
a importância da luta dos negros na história do país e para refletir sobre o
impacto da escravidão e do racismo na sociedade brasileira.
O objetivo do Dia da Consciência Negra é promover a valorização da cultura afro-
brasileira, combater o racismo e estimular discussões sobre inclusão, igualdade e
respeito às raízes africanas presentes na cultura nacional. Em algumas cidades e
estados brasileiros, essa data é considerada feriado.