10
Aula
SUMÁRIO
O Programa de Análise Estatística SPSS 10.0 –III
Análises da Normalidade da Distribuição
Produção de Tabelas
Introdução à
Informática
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
Objectivos
Realizar a análise da distribuição da normalidade dos dados
Leitura dos Outputs e Produção de Tabelas
1 Análise da Normalidade da Distribuição
A escolha dos procedimentos estatísticos a aplicar baseia-se num conjunto de
pressupostos de características dos dados. Uma destas características é a
normalidade da distribuição que pode originar, por exemplo, a utilização de
técnicas não-paramétricas em detrimento das paramétricas.
Estas análises devem ser sempre realizadas, embora por vezes se utilize a regra de
que se o n dos grupos for superior a trinta se poderá utilizar os procedimentos
paramétricos.
O SPSS inclui, dentro das análises descritivas, um conjunto de possibilidades de
avaliar a normalidade da distribuição. Neles poderemos, além da normalidade, a
existência de valores que foram mal digitados e de outliers (valores dentro da
amplitude esperada mas próximos dos limites e fora do “normal”).
As estatísticas que podem ser utilizadas para esta análise decorrem do teste de
Kolmogorov-Smirnov (para amostras com N>50) e o Shaphiro-Wilk (para
amostras com N<50) e da análise do ratio entre o valor da curtose e do erro padrão
de curtose - se for superior a 1.96 a distribuição provavelmente não será normal
(Ntoumanis, 2001). Outros autores apresentam o ratio acima de 2 (Pestana &
Gageiro, 1998) ou 2,5 (Morgan & Griego, 1998) para discriminar a normalidade da
distribuição.
Estes dois procedimentos podem ser acedidos através do comando Analyse |
Descriptive Analysis | Explore e serão o objecto do seguinte exercício.
Exercício Cálculo da Normalidade da Distribuição
Com o ficheiro assiduidade1 carregado
A. Faça Analyse | Descriptive Analysis | Explore
B. Na caixa de diálogo Explore coloque a variável mpres na caixa
Dependent list e a genero na Factor list (para que a análise seja
realizada em cada um dos grupos)
C. Clique em Plots. Escolha as opções Histogram, Normality plots with
tests e retire a opção Stem and Leaf.
a. Desta forma estará a pedir para fazer um histograma (que facilita
a leitura da normalidade) e os testes de normalidade.
D. Verifique os valores de normalidade no teste Kolmogorov-Smirnov
(pois o N>50).
a. Se o valor de significância for <.05 terá de aplicar testes não
paramétricos
ULHT: Ano Lectivo 2001-2002 Aula 10. Página 2
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
b. Também poderá utilizar o ratio entre a curtose e o erro padrão de
curtose, embora menos preciso
c. Por último, se fizer uma análise dos gráficos Q-Q e os dados se
situarem perto da linha, significará que não haverá problemas na
normalidade
Neste caso a distribuição dos dados não poderia ser considerada normal para a
média de presenças nos homens pois os valores são menores que .05. Repare que
existem muitos pontos denominados outliers e os pontos não se distribuiem
harmoniosamente na linha do gráfico Q -Q.
Seria então aconselhável a utilização dos testes não paramétricos para o estudo das
presenças nos homens. Por outro lado como o n deste grupo é maiores que 30,
poderiamos avançar com alguma segurança para os testes paramétricos nos
procedimentos que sejam resistentes a distribuições não normais.
No grupo das mulheres não houve problemas ao nível da normalidade.
Tabela 1 - Análise descritiva do procedimento Explore
Descriptives
GENERO Statistic Std. Error
MPRES 1,00 Mean ,3409 2,153E-02
95% Confidence Lower Bound ,2982
Interval for Mean Estatísticas descritivas
Upper Bound
,3835
5% Trimmed Mean ,3200
Median ,3000
Variance 5,657E-02
Std. Deviation ,2378
Minimum ,00
Maximum 1,35
Range Neste caso temos
1,35
1,662/,219=7,58, portanto a
Interquartile Range ,1768 distribuição não será normal..
Skewness 1,662 ,219
Kurtosis 3,788 ,435
2,00 Mean ,5343 1,878E-02
95% Confidence Lower Bound ,4973
Interval for Mean Upper Bound
,5713
5% Trimmed Mean ,5301
O Skewness representa a
Median ,5357 assimetria da curva, se ela está
Variance 8,002E-02 desviada para um dos extremos
dos valores. A Kurtosis
Std. Deviation ,2829
representa o achatamento da
Minimum ,00 curva. Se o quociente destes
Maximum 1,35 valores com os respectivos erros
Range padrão for superior a 2 a
1,35
distribuição não será normal.
Interquartile Range ,4286
Skewness ,180 ,162
Kurtosis -,208 ,322
O procedimento Explore apresenta um conjunto de resultados r espeitantes à
análise descritiva, semelhantes aos obtidos no procedimento Case Summaries.
Obtém-se ainda os valores de assimetria (Skewness) e achatamento ou curtose
(Kurtosis) que serão muito fundamentais para o cálculo da normalidade (estes
valores também podem ser pedidos durante o procedimento Case Summaries).
Tabela 2 - Análise da Normalidade segundo o teste Kolmogorov -Smirnov
ULHT: Ano Lectivo 2001-2002 Aula 10. Página 3
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
Com essta análise confirma-se a não normalidade da distribuição dos dados
O SPSS só apresenta esta
Tests of Normality análise porque o n dos
grupos é superior a 50.
a
Kolmogorov-Smirnov
GENERO Statistic df Sig.
MPRES 1,00 ,179 122 ,000
O valor dos homens (1) é
2,00 ,043 227 ,200* significativo para 0.05, portanto
*. This is a lower bound of the true significance. confirma-se a distribuição não
normal. Nas mulheres (2) o valor
a. Lilliefors Significance Correction aponta para uma distribuição
normal
relativos aos homens.
Nos gráficos seguintes podemos visualizar essa irregularidade na distribuição dos
dados, pois nos gráficos Q-Q os dados dos homens tendem a “fugir” à linha
central, com vários dados a se colocarem nos extremos da distribuição. NO gráfico
Q-Q das mulheres verificamos exactamente o oposto, com os dados a se
distribuirem equilibradamente e a acompanhar a linha central, sem valores
extremos.
Normal Q-Q Plot of MPRES Normal Q-Q Plot of MPRES
For GENERO= 1,00 For GENERO= 2,00
3 3
2 2
1 1
Expected Normal
Expected Normal
0 0
-1 -1
-2 -2
-,2 0,0 ,2 ,4 ,6 ,8 1,0 1,2 1,4 -,2 0,0 ,2 ,4 ,6 ,8 1,0 1,2 1,4
Observed Value Observed Value
Figura 1 – Gráficos Q-Q obtidos através do procedimento Explore
O gráfico Box-Plot ou Caixa de Bigodes, também nos dá uma outra forma de
visualizar a distribuição, e novamente se verifica que os homens registaram dados
com características de outliers (aqueles pontos fora do rect ângulo central e
respectivo desvio-padrão), enquanto que as mulheres registam uma maior
harmonização na distribuição.
1,6
Estes valores são outliers e
1,4
53 desiquilibram a distribuição
1,2 91 dos dados nos homens
15
1,0 52
34
90
110
,8 51
72
14
89
33
,6
,4
,2
MPRES
0,0
-,2
N= 122 227
ULHT: Ano Lectivo1,00
2001-2002 2,00 Aula 10. Página 4
GENERO
Figura 2 - Gráfico Box-Plot ou Caixa de Bigodes obtido através do procedimento Explore
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
Por último os histogramas permitem novamente analisar que a distribuição dos
dados nos homens é mais errática do que nas mulheres.
Histogram Histogram
For GENERO= 1,00 For GENERO= 2,00
50 50
40 40
30 30
20 20
Frequency
Frequency
10 Std. Dev = ,24 10 Std. Dev = ,28
Mean = ,34 Mean = ,53
0 N = 122,00 0 N = 227,00
0,00 ,25 ,50 ,75 1,00 1,25 0,00 ,25 ,50 ,75 1,00 1,25
,13 ,38 ,63 ,88 1,13 1,38 ,13 ,38 ,63 ,88 1,13 1,38
MPRES MPRES
Figura 3 - Histograma do procedimento Explore
2 Produção de Tabelas
A apresentação dos dados no documento que relata a vossa investigação também
obedece a um conjunto de regras, denominadas de normas de publicação, que
importa conhecer, de forma a possibilitar uma melhor leitura dos dados.
Existem várias normas de publicação, mas uma das mais seguidas é a da
Associação Psicológica Americana (APA) que será a que passamos a apresentar.
Como decerto irão notar as tabelas não serão as mais espectaculares em termos de
cores ou tipos de letra, mas permitem u ma leitura “limpa” dos dados, e isso é o
mais importante para quem quer analisar os resultados de uma investigação.
Algumas regras são comuns à maioria das tabelas. Os resultados são apresentados
com duas casas decimais (exceptuando os n da amostra e perce ntagens), é utilizada
a fonte Times New Roman, tamanho 12 sem formatações.
A descrição da tabela surge acima da mesma e descreve os resultados que
apresenta, as abreviaturas ou sinaléticas utilizadas (e.g., Masc. ou os asteriscos que
representam a significância de uma análise) são descritas numa nota que se situa
abaixo da tabela. A excepção a esta regra são os M e DP, que representam a média
e desvio-padrão (SD em inglês) que não são incluídos nessa nota.
2.1 Tabelas de análises descritivas
Recordemos os resultados apresentados na tabela 2, onde diferenciámos os dados
segundo o género. A tabela mais segura é a seguinte:
Tabela X
Média, Desvio-Padrão, Mediana e Amplitude segundo o Género
ULHT: Ano Lectivo 2001-2002 Aula 10. Página 5
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
Género n M DP Mediana Amplitude
Masculino 122 ,34 ,24 ,30 1,35
Feminino 227 ,53 ,28 ,54 1,35
Iremos apresentando as tabelas conforme formos introduzindo os procedimentos
estatísticos. As análises à normalidade não são, usualmente, apresentadas em
tabelas, sendo objecto de uma descrição no texto.
Estas tabelas podem ser realizadas no Word ou no Excel. Aconselhamos a
realização no Word, embora indo um pouco ao contrário do que indicámos
anteriormente, pois como o documento será produzido neste programa e como
algumas tabelas implicam a colocação de diferentes números de colunas por linha
(algo com que o Excel não lida tão bem como o Word), pensamos que poderá ser
mais eficaz se as realizar no Word.
Na próxima aula
Revisões e Preparação dos Trabalhos
3 Referências Bibliográficas
Essenciais
Páginas 1-64
Morgan, G., & Griego, O. (1998). Easy Use and Interpretation of SPSS for
Windows. Answering Research Questions with Statistics. Mahwah, NJ: Lawrence -
Earlbaum
Páginas 19-87
Pestana, M., & Gageiro, J. (1998). Análise de Dados em Ciências Sociais. A
Complementaridade do SPSS. Lisboa: Edições Sílabo.
Complementar
Ntoumnis, N. (2001). A Step-by-Step Guide to SPSS for Sport and Exercise
Studies. London & New York: Routledge
Cone, J., & Foster, S. (1998). Dissertations and Theses from Start to Finish.
Washington: APA Publications
Nicol, A., & Pexman, P. (1999) Presenting your Findings. A Pratical Guide for
Creating Tables. Washington: APA Publications
APA (2001). Publication Manual – 5th Edition. Washington: APA Publications
Web/Online
[Link]
Ajuda do SPSS
[Link] - com um tutorial sobre estatística
ULHT: Ano Lectivo 2001-2002 Aula 10. Página 6
I N T R O D U Ç Ã O À I N F O R M Á T I C A
ULHT: Ano Lectivo 2001-2002 Aula 10. Página 7