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Construtivismo nas Relações Internacionais

A aula aborda o construtivismo nas Relações Internacionais, uma corrente teórica que questiona os fundamentos da disciplina e se inspira em outras áreas do conhecimento, como a Teoria Social e a Filosofia da Linguagem. Os temas discutem os pressupostos do construtivismo, suas críticas às teorias hegemônicas e as contribuições de autores como Nicholas Onuf, Friedrich Kratochwill e Alexander Wendt. A aula também explora a importância da linguagem e da interação social na construção da realidade internacional, destacando a capacidade dos Estados de alterar suas identidades e interesses.

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Construtivismo nas Relações Internacionais

A aula aborda o construtivismo nas Relações Internacionais, uma corrente teórica que questiona os fundamentos da disciplina e se inspira em outras áreas do conhecimento, como a Teoria Social e a Filosofia da Linguagem. Os temas discutem os pressupostos do construtivismo, suas críticas às teorias hegemônicas e as contribuições de autores como Nicholas Onuf, Friedrich Kratochwill e Alexander Wendt. A aula também explora a importância da linguagem e da interação social na construção da realidade internacional, destacando a capacidade dos Estados de alterar suas identidades e interesses.

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TEORIAS CONTEMPORÂNEAS

DE RELAÇÕES
INTERNACIONAIS
AULA 2

Profª Natali Hoff


CONVERSA INICIAL

Nesta aula da disciplina, será abordada mais uma corrente teórica


pertencente ao chamado quarto debate das Relações Internacionais, situado ao
final dos anos 1980 (Nogueira; Messari, 2005). Trata-se do construtivismo, uma
metateoria que lança questões em relação aos fundamentos mesmos da
disciplina: seus pressupostos epistemológicos, conceituais e metodológicos. Tal
como outras abordagens ligadas ao quarto debate, o construtivismo também se
alimenta de contribuições oriundas de outras áreas do conhecimento, nesse
caso específico, da Teoria Social e da Filosofia da Linguagem.
A aula está organizada da seguinte forma: no Tema 1, serão apresentados
os pressupostos mais básicos do construtivismo, as suas fontes teóricas e,
também, as críticas que endereçam as teorias até hegemônicas nas Relações
Internacionais – como o realismo, o liberalismo e as ramificações mais recentes
deles, caso do neorrealismo de Kenneth Waltz ou do neoliberalismo
institucionalista de Robert Keohane.
Os Temas 3, 4 e 5, por sua vez, tratarão, respectivamente, dos autores
Nicholas Onuf, Friedrich Kratochwill e Alexander Wendt, os três grandes nomes
do construtivismo nas Relações Internacionais. Ainda que compartilhem uma
série de pressupostos, a começar pelo peso concedido ao aspecto interpretativo
e ideacional – e não apenas material ou bélico – das relações entre os atores
internacionais, os três autores possuem arcabouços conceituais próprios: Onuf
e Kratochwill rompem de maneira mais radical com os pressupostos das teorias
tradicionais, calcando-se, sobretudo, em discussões oriundas da Filosofia da
Linguagem. Wendt, por outro lado, busca uma aproximação maior entre as
inovações construtivistas e as teorias neorrealistas, partindo inicialmente de um
debate crítico com a teoria de Waltz.
O Tema 5 fechará esta aula apresentando alguns exemplos de pesquisas
empíricas inspiradas pelos pressupostos construtivistas, como aquelas que se
debruçam sobre tópicos como “comunidades epistêmicas” ou processos de
“securitização”.

TEMA 1 – O CONSTRUTIVISMO NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Tal como outras abordagens pertencentes ao “quarto debate” – tais como


o pós-estruturalismo e a teoria crítica – o construtivismo reavalia muitos dos

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pressupostos básicos das teorias até então dominantes nas Relações
Internacionais, como o realismo e o neorrealismo. Tal reavaliação é feita,
sobretudo, com base em contribuições oriundas de outras disciplinas, como a
Teoria Social (em especial, a teoria da estruturação, associada ao sociólogo
Anthony Giddens) e a Filosofia da Linguagem (responsável pela chamada virada
linguística nas ciências humanas em geral).

Saiba mais
A Teoria Social não está circunscrita a uma disciplina acadêmica
específica, sendo um rótulo generalista que designa os estudos acerca da vida
social e dos produtos culturais da atividade humana. Ela perpassa, portanto, as
ciências sociais e as humanidades em geral, segundo Giddens e Turner, 1999.
Já a chamada virada linguística refere-se a uma mudança de enfoque, por
parte de um conjunto de filósofos do século XX (sendo Ludwig Wittgenstein um
dos mais notáveis), na maneira como os problemas filosóficos são tratados:
como problemas de linguagem. Com o passar do tempo, a expressão passou a
designar qualquer teoria que dê centralidade à relação entre linguagem e
realidade (Sampaio, 2017). No caso específico das Relações Internacionais, a
“virada linguística” ocorreu durante o já mencionado “quarto debate”, a partir das
contribuições de abordagens como a construtivista e a pós-estruturalista.

Resumidamente, os pontos de maior divergência entre os construtivistas


e as teorias dominantes – principalmente, os neorrealistas, representados por
autores como Kenneth Waltz – residem: (I) na maneira como os Estados são
caracterizados pela visão tradicional, quer dizer, como atores cuja ação tem
como princípio fundamental a sobrevivência e o autointeresse, sendo a
segurança e a defesa os aspectos fundamentais de suas políticas; (II) na
caracterização realista e neorrealista da realidade internacional, que privilegia os
aspectos materiais dela (o poder e os recursos bélicos dos atores); (III) na
naturalização da “anarquia” como princípio imutável dessa realidade
internacional e, portanto, como principal variável explicativa do comportamento
dos atores estatais – o que significa, na prática, a negação de qualquer “agência”
ou autonomia de ação aos Estados, reduzidos por essa via a meros efeitos da
estrutura (anárquica e desigual) do sistema internacional (Pereira; Blanco, 2021).
E quais são as posições construtivistas em cada um desses pontos de
contenda? Em relação ao primeiro ponto, o da caracterização do Estado, é

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preciso fazer uma ressalva preliminar. Enquanto Onuf e Kratochwill colocam em
xeque a própria centralidade dos Estados como unidades de análise básicas das
relações internacionais, Wendt aceita essa premissa tradicional de centralidade,
ainda que discorde da caracterização dos atores estatais como entidades
guiadas universalmente pela sobrevivência e autointeresse e focadas nas
questões de segurança e defesa, em detrimento da cooperação. Para ele, o
sistema internacional pode ser compreendido por analogia a uma espécie de
“sociedade”; e os Estados, como indivíduos que compõe esse sistema social
(ibidem).
Assim como os indivíduos de uma sociedade, continua Wendt, os Estados
possuem capacidade reflexiva de aprendizado, alterando por essa via a maneira
como as instituições funcionam e a maneira como se relacionam uns com os
outros, também os Estados seriam portadores de tal capacidade reflexiva,
revisando constantemente o que querem (seus “interesses”) e a maneira como
veem a si mesmos e aos demais (as “identidades”).
A capacidade que os Estados possuem em alterar sua própria natureza
leva ao segundo ponto de divergência acima levantado, o da caracterização da
realidade internacional a partir de seu aspecto material – quer dizer, relativo ao
poder e aos recursos bélicos. Para Wendt, os “mundos material, subjetivo e
intersubjetivo interagem na construção social da realidade” (Adler, 1999, p. 216,
grifo do original). O que significa dizer que não é possível, como fazem os
realistas, tratar a dimensão material da realidade internacional, a do poder e das
armas, como “um ponto de partida esvaziado de ideias” (Wendt, 2014, p. 53),
quer dizer, como uma realidade imune à necessidade de interpretação típica das
relações intersubjetivas. Assim como a relação entre duas subjetividades
individuais demanda um processo de mútua interpretação, de entendimento
comum a respeito do que está acontecendo (uma relação amistosa ou conflitiva,
por exemplo), também a relação entre atores estatais envolve a incidência de
elementos ideacionais – crenças, conjecturas, conhecimentos prévios etc.
Essa nova maneira de enxergar a realidade internacional, como sendo
construída ou edificada também “de baixo”, a partir de interações entre atores
dotados de reflexividade (ou aprendizado, simplesmente) e, portanto, de agência
(ou capacidade de ação inovadora), leva ao terceiro ponto de discordância já
mencionado. Enquanto realistas e neorrealistas naturalizam a “anarquia” como
princípio fixo e imutável do sistema internacional – dada a ausência de algum

4
tipo de governo mundial com capacidade de impor o cumprimento das regras e
da ordem –, construtivistas a tratam como um resultado específico (entre outros
possíveis) das interações e dos entendimentos comuns construídos pelos
agentes de tal sistema: “A autoajuda e a política de poder são instituições e não
características essenciais da anarquia. A anarquia é o que os estados fazem
dela” (Wendt, 1992 p. 5, grifo do original).
Esse debate a respeito da relação entre atores e o sistema do qual fazem
parte tem sido um dos tópicos centrais da Teoria Social (justamente uma das
fontes teóricas dos construtivistas) até os dias atuais, recebendo, nela, a
designação de debate agência/estrutura. Em linhas gerais, debate-se quem deve
ter precedência explicativa nos modelos teóricos, se os agentes – os indivíduos
ou as coletividades tratadas como unidades individualizadas (empresa, Estado
ou qualquer outro tipo de organização) – ou a estrutura que esses agentes
integram. Por “estrutura”, no contexto específico desse debate, entendam-se as
características mais abrangentes de uma sociedade (local, nacional ou
internacional), tais como as hierarquias de poder, as distribuições de recursos
(econômicos, culturais, bélicos etc.) ou a cultura hegemônica de uma época.
A chamada Teoria da Estruturação, do sociólogo britânico Anthony
Giddens, é uma das várias tentativas, presentes na Teoria Social, de resposta
ao problema agência/estrutura. Segundo Giddens, as estruturas designam os
recursos e as regras envolvidos na produção e na reprodução de sistemas
sociais (Giddens, 2009). Esses recursos e regras, contudo, não são elementos
externos aos indivíduos, mas sim elementos internalizados pela via da
socialização ou aprendizado social. Recursos e regras tornam-se, assim,
capacidades e inclinações, as quais se externalizam na forma de
comportamentos “estruturantes”, quer dizer, comportamentos que reforçam ou
alteram as estruturas (recursos e regras) iniciais. Trata-se, portanto, de um
processo de coconstituição, em que nem indivíduos nem estrutura possuem
precedência ou preponderância explicativa (Pereira; Blanco, 2021).
Voltando às Relações Internacionais, a aplicação dessa noção de
coconstituição resulta em uma visão do Estado como agente dotado da
capacidade de promover mudanças na estrutura do sistema internacional. Sem
essa capacidade, o Estado deixa de ser agente e se transforma em mero efeito
da estrutura (anárquica) desse sistema, respondendo de maneira mecânica a
ele (o comportamento autointeressado, centrado na segurança e na defesa, de

5
acordo com realistas e neorrealistas) (ibidem). Na visão de Wendt, portanto, os
Estados acumulam conhecimentos ao longo do tempo e são capazes de alterar
interesses e identidades, construindo ativamente, por meio da interação com
outros atores estatais, a estrutura característica da realidade internacional em
dado momento.
Em resumo, pode ser afirmado que, para os construtivistas, o
comportamento dos Estados depende de “conhecimento compartilhado, do
significado coletivo que eles atribuem à situação, de sua autoridade e
legitimidade, das leis, instituições e recursos naturais que eles usam para achar
seu caminho, de suas práticas, ou mesmo, algumas vezes, de sua criatividade
conjunta” (Adler, 1999, p. 203).
Até o momento, foram explorados os princípios básicos do construtivismo,
nascidos da negação ou da revisão das premissas das teorias hegemônicas. É
preciso, contudo, atentar também para as divergências internas a essa
abordagem; sobretudo as diferenças entre Onuf e Kratochwill, de um lado, e
Wendt, de outro. Enquanto os primeiros enfatizam o papel do discurso e da
linguagem nas relações internacionais, rompendo mais radicalmente com as
visões tradicionais da área, como a da centralidade do Estado como ator, o
último aposta na construção de pontes conceituais entre o construtivismo e as
demais abordagens. Os próximos temas explorarão justamente tais
particularidades.

TEMA 2 – FRIEDRICH KRATOCHWIL

Com formação em Filosofia, História e Ciência Política, o alemão Friedrich


Kratochwill é, ao lado de Onuf, responsável por introduzir, na disciplina de
Relações Internacionais, a chamada virada linguística – mudança de enfoque
que coloca a linguagem no centro da análise da realidade. Sua obra Rules,
Norms, and Decisions (“Regras, Normas e Decisões”), publicada em 1989, é um
dos marcos do início do construtivismo na área, sendo antes um estudo de
Teoria Social do que uma análise especificamente sobre as relações
internacionais (Pereira; Blanco, 2021).
O interesse do autor está em desvendar as funções da linguagem para a
interação intersubjetiva e para a construção da ordem social, estendendo,
também, esse conhecimento para o estudo das relações entre atores
internacionais. O autor parte da premissa de que não há interação (entre
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indivíduos ou entre Estados) que não seja moldada pelas normas implícitas à
linguagem e à produção de discursos efetivos e entendimentos compartilhados.
A linguagem torna-se, assim, o ponto de partida para a análise tanto dos cenários
domésticos quanto internacionais.
Contudo, o tipo de enfoque sobre a linguagem, aqui, não é o mesmo da
linguística estrutural de Ferdinand de Saussure (1857-1913) – inspiração de
muitas das abordagens pós-estruturalistas, como a de Jacques Derrida (1930-
2004) –, que olha para as relações internas a uma língua: como sons, letras e
palavras se relacionam entre si, a fim de produzir significado. Kratochwill parte
de uma tradição filosófica que analisa a linguagem em seu uso social cotidiano,
como instrumento que permite “fazer coisas”: prometer, ameaçar, desculpar,
demandar etc.
Trata-se de uma visão pragmática a respeito da linguagem, que deriva de
autores da Filosofia da Linguagem do século XX, como Ludwig Wittgenstein
(1889-1951) e John L. Austin (1911-1960). Wittgenstein, por exemplo,
considerava que qualquer tentativa de analisar a linguagem fora de seu contexto
e uso rotineiros seria fútil e inadequada: “Para Wittgenstein, a significação [...]
deve ser buscada na mescla de língua e prática, dentro do complexo de jogos
linguísticos vigentes nas formas de vida” (Giddens, 1999, p, 295). Em sua visão,
a linguagem não seria um sistema de signos dotado de coerência interna
completa, à maneira de um sistema matemático, mas antes uma série de “jogos
linguísticos” em que as palavras e as sentenças só adquiririam significado por
meio do uso prático contextual: em suma, a linguagem deveria ser
compreendida, portanto, como um instrumento para “fazer coisas”, quer dizer,
realizar objetivos.
Austin desenvolveu e sistematizou a visão wittgesteiniana sobre a
linguagem, elaborando a partir dela a “teoria dos atos de fala”, utilizada por
Katrochwill em sua análise da realidade internacional. De acordo com essa
teoria, as palavras e sentenças não apenas descrevem aspectos da realidade,
em um sentido informativo, mas são elas mesmas uma forma de agir sobre a
realidade, em um sentido performativo (Pereira, Blanco, 2021). Assim, toda
língua possui um conjunto de “palavras-ação”, quer dizer, palavras (e sentenças)
que geram efeitos normativos sobre os receptores delas: a declaração “eu
aceito”, por exemplo, gera uma vinculação a um “contrato de casamento”
(ibidem).

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A teoria dos atos de fala, de Austin, estabelece ainda a distinção entre
três dimensões dessas palavras e sentenças que funcionam como “ações”: (I) a
dimensão locucionaria de uma declaração (o conteúdo informativo dela ou o que
ela diz); (II) a dimensão ilocucionária dessa declaração (a ação que ela produz,
como quando se faz uma promessa ou ameaça); e (III) a dimensão ou efeitos
perlocucionários da declaração (o impacto dela sobre os receptores ou ouvintes:
a raiva causada por um xingamento, por exemplo) (ibidem).
Kratochwill aplica essas ideias em sua teoria acerca da realidade
internacional, enfatizando o peso que as declarações e discursos trocados entre
os atores possuem na construção dessa realidade: acordos, ameaças,
promessas etc. são palavras-ação que moldam efetivamente a maneira como
esses atores decidem e se comportam. Se elas são capazes de gerar tais efeitos,
é porque o histórico de interação entre os atores já foi capaz de criar
“entendimentos normativos comuns” que tornam a comunicação entre eles
possível. Embora uma “ameaça” possa violar as regras do Direito Internacional,
ela ainda assim é regida por normas implícitas, nascidas da “socialização” dos
atores no sistema internacional (Kratochwill, 1989).
Analisar o comportamento dos atores no sistema internacional pressupõe,
segundo o autor, desvendar a “estrutura normativa subjacente à ação”, quer
dizer, as regras, implícitas ou explícitas, que não apenas orientam as ações dos
atores, mas são os próprios meios utilizados para realizar objetivos, compartilhar
significados, estabelecer comunicação, criticar ou justificar ações (ibidem, p. 11).
A teoria realista, segundo Kratochwill, por não atentar para esses efeitos
performativos dos discursos e normas, encontra-se incapaz de explicar de
maneira satisfatória como uma ordem normativa internacional pode surgir em um
ambiente internacional supostamente dominado pela política de poder e
autointeresse dos Estados (ibidem, Capítulo 2). O neoliberalismo institucional,
por sua vez, também seria incapaz de explicar como os regimes internacionais
se alteram, por não reconhecer o poder performativo dos Estados em
estabelecer entendimentos normativos comuns na arena internacional (ibidem,
p. 61).
Em resumo, a abordagem construtivista de Kratochwill advoga por uma
análise que dê ênfase às “regras do jogo”, tanto implícitas (entendimentos
comuns) quanto explícitas (normas jurídicas), que caracterizam o sistema
internacional e que são construídas pela interação entre os atores ao longo do

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tempo. Tais regras não apenas diminuem a incerteza com que os atores se
movem nesse “jogo”, mas também servem como forças de socialização que
disseminam valores comuns.

TEMA 3 – NICHOLAS ONUF

Nicholas Onuf possui formação em Ciência Política e Relações


Internacionais e é, junto a Kratochwill, um dos responsáveis por introduzir a
teoria dos atos de fala – e, por essa via, a centralidade da linguagem e do
discurso para a construção da realidade – na disciplina de Relações
Internacionais. Apoia-se também na teoria da estruturação, do sociólogo
Anthony Giddens, a fim de destacar a agência – a capacidade ativa de escolha
e ação inovadora – que os atores domésticos ou internacionais possuem em
suas interações com os demais.
Em obras como World of Our Making (“Mundo feito por nós”, em tradução
livre), Onuf critica a ênfase dos realistas nos aspectos materiais das relações
entre os atores internacionais, sobretudo a centralidade dada aos poderes
bélicos como estruturadores dessas relações. Ainda que não negue a
importância desses aspectos para a análise, Onuf sustenta que a dimensão
material das relações internacionais não pode ser separada da dimensão social,
quer dizer, das relações sobretudo linguísticas e discursivas que os atores
estabelecem uns com os outros: Em suas palavras, ambas “contaminam-se
mutuamente” (Onuf, 1989, p. 40).
Outro ponto de crítica aos realistas reside na falta de atenção destes à
importância dos fatores econômicos e do acesso desigual aos recursos no
estabelecimento de relações assimétricas entre indivíduos e entre Estados. Além
disso, Onuf rompe também com a separação estanque entre a política mundial
e as políticas domésticas dos países, tal como apresentada pela teoria
neorrealista de Kenneth Waltz, para quem a primeira seria caracterizada pela
anarquia, e a segunda, pela hierarquia (Pereira; Blanco, 2021).
No que diz respeito à dimensão linguística e discursiva das relações entre
os atores internacionais, Onuf parte, assim como Kratochwill, da “teoria dos atos
de fala”, sistematizada por filósofos como John Austin. Como frisado
anteriormente, essa teoria considera a linguagem como um conjunto de palavras
e sentenças que não apenas descrevem a realidade (função descritiva), mas
podem também produzir realidade, sendo consideradas “ações” ou

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“performances” (função performativa). Essa força ilocucionária de algumas
palavras e sentenças pode ser notada, por exemplo, sempre que se demanda
ou se promete algo a alguém: a pergunta “há mais café?” significa, dentro do
devido contexto (uma refeição), a ação de demandar mais café (força
ilocucionária da sentença).
Essa dependência contextual inerente aos atos de fala é o que permite
que a linguagem seja descrita como um jogo (como faz Wittgenstein), em que os
falantes “aprendem a jogar” (se comunicar) por meio da inserção continuada
nessas interações discursivas contextuais (refeição, reunião de trabalho, ato
solene etc.). Tal inserção continuada permite, aos atores, o aprendizado das
regras implícitas que comandam os usos da linguagem em cada situação social,
e que não podem ser deduzidas do conteúdo literal do que se fala.
O que Onuf sustenta, portanto, é que as comunicações entre atores
(domésticos ou internacionais) implica a formação de um entendimento comum
a respeito das regras implícitas a essas comunicações: atos de fala que
transmitam uma promessa ou demanda, por exemplo, quando ouvidos e aceitos
pelos ouvintes/receptores, produzem “vínculos normativos fracos” entre eles e
geram um conjunto de expectativas mútuas sobre como cada ator deve se
comportar. Essa normatividade emergente pode então ser reforçada ou
transformada pelas interações subsequentes, ou ainda ampliada quando mais
falantes e ouvintes são inseridos nas interações (Onuf, 1989).
Onuf procura, assim, mostrar como entendimentos comuns, significados
compartilhados, acordos, convenções e regras emergem a partir da interação
discursiva continuada entre diferentes atores, que constroem a realidade
internacional ao produzir as normatividades que lhes dão configuração. Tais
regras ou normatividades emergentes são classificadas em três tipos pelo autor:
(I) as de instrução; (II) as diretivas; e (III) as de compromisso.
As regras de instrução baseiam-se em atos de fala assertivos, em que
se utilizam verbos como: declarar, afirmar, relatar, atribuir, caracterizar. As
regras diretivas, por sua vez, utilizam verbos associados à ordem e ao
comando, como comandar, exigir, permitir (atos de fala diretivos). Por último, as
regras de compromisso envolvem a atribuição de direitos a outros atores e o
consequente dever de cumpri-los por parte do ator emissor, utilizando os
correspondentes atos de fala de compromisso; aqui, os verbos utilizados

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denotam a noção de promessa ou comprometimento com certo curso futuro de
ação: prometer, oferecer, destinar etc. (Pereira; Blanco, 2021).
Ao aplicar tais regras ou normatividades à análise da política
internacional, Onuf percebe uma associação de cada uma delas a tipos distintos
de assimetria ou domínio nas relações internacionais. O quadro a seguir resume
tais associações:

Quadro 1 – Relação entre tipos de assimetria, tipos de regras e tipos de atos de


fala

ASSIMETRIA REGRA ATO DE FALA


Assertivo (declarar, afirmar,
Hegemonia Regras de instrução
relatar)
Diretivo (comandar, exigir,
Hierarquia Regras diretivas
ordenar)
Compromisso (prometer,
Heteronomia Regras de compromisso
oferecer, destinar)
Fonte: Adaptado de Onuf, 1989, e Pereira e Blanco, 2021.

Hegemonia refere-se a um tipo de relação assimétrica em que um ator (ou


conjunto de atores) monopoliza a produção dos significados a respeito da
realidade, transferindo uma ideologia ou visão de mundo aos atores
subordinados, que se mostram então incapazes de estabelecer programas de
ação alternativos àqueles oriundos de tal ideologia ou visão de mundo (Onuf,
1989, p. 209-210).
Hierarquia, por sua vez, descreve uma relação assimétrica entre atores
situados em níveis diferentes de uma dada instituição ou organização. As regras
diretivas são então transmitidas dos níveis superiores aos inferiores, tal qual nas
modernas burocracias dos Estados ou dos Organismos Internacionais.
Por último, a heteronomia (o oposto da “autonomia”) envolve relações
assimétricas entre atores formalmente de mesmo status (como os Estados
nacionais ou os cidadãos de um país), cuja interdependência por meio de trocas
gera ganhos maiores a um dos lados da relação. Aqui, predominam as regras de
compromisso entre os atores envolvidos e, de acordo com Onuf, tais relações
heterônomas são especialmente importantes para explicar as relações
internacionais. A sociedade internacional, nos termos de Onuf, em vez de
anárquica, seria, portanto, heterônoma (Nogueira; Messari, 2005, p. 172): foram

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as regras de compromisso que produziram e regularam as esferas de influência
durante a Guerra Fria, por exemplo (Onuf, 1989, p. 225).
Essa noção de heteronomia está também presente em outras teorias,
como a “interdependência complexa e assimétrica”, associada a Robert
Keohane e Joseph Nye, e a teoria da dependência, de autores como Ruy Mauro
Marini, Theotônio dos Santos, entre outros.

TEMA 4 – ALEXANDER WENDT

Alexander Wendt é um dos principais teóricos estadunidenses das


Relações Internacionais, tendo contribuído para o avanço da teoria construtivista
principalmente por meio do artigo Anarchy is what States Make of it: The Social
Construction of Power Politics (“Anarquia é o que os Estados fazem dela: A
construção social do poder político”), publicado originalmente me 1992, e do livro
Social Theory of International Politics (“Teoria Social da Política Internacional”),
de 1999.
A obra de Wendt tem como ponto de partida o diálogo crítico com as
teorias dominantes da área, em especial o neorrealismo estruturalista de Waltz,
tal como apresentado na obra seminal de 1979, Theory of International Politics
(“Teoria da Política Internacional”). Diferentemente de Kratochwill e de Onuf,
Wendt não incorpora a “teoria dos atos de fala” à sua abordagem, apoiando-se,
contudo, como os demais, nas teses de Giddens a respeito da “coconstituição”
entre estruturas e agentes (Pereira; Blanco, 2021).
Wendt também se diferencia das demais abordagens construtivistas por
aceitar algumas das premissas tradicionais da área, como a de considerar o
Estado como unidade principal de análise. A crítica de Wendt a perspectivas
como a de Waltz está na incapacidade destas em explicar satisfatoriamente os
processos de mudança no sistema internacional (ibidem). Isso ocorre por conta
da maneira como as teorias realistas compreendem a relação entre a estrutura
(anárquica) do sistema internacional e os Estados nele inseridos: como uma
relação causal entre entes independentes, cabendo a preponderância explicativa
às estruturas, que estimulariam certos comportamentos (o autointeresse e o foco
na segurança) dos agentes, ao mesmo tempo que desestimulariam outros (a
cooperação, por exemplo).
Apoiando-se em Giddens, Wendt defende que se foque a capacidade dos
Estados em produzir alterações nas estruturas do sistema internacional, ao
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mesmo tempo que são afetados por elas: os efeitos da estrutura não seriam
apenas constrangimentos ou estímulos à ação, portanto, mas a própria
constituição ou gênese da identidade e dos interesses dos atores estatais –
como eles enxergam a si próprios e aos demais atores (identidades) e quais
preferências políticas possuem (interesses) (Wendt, 2014, p. 104).
Nesse sentido, as estruturas não podem ser pensadas apenas como
distribuições desiguais de recursos materiais e bélicos, gerando efeitos causais
sobre os atores, mas como “cultura”, ou seja, como um complexo de ideias ou
representações coletivas (conceito emprestado da sociologia de Durkheim):
normas, regras, instituições, ideologias e sistemas de ameaças, que funcionam
como forças de socialização e aprendizado para os Estados, gerando padrões
de comportamento ao longo do tempo, assim como constituindo suas
identidades e interesses (ibidem, p. 205-206).
O objetivo central do construtivismo de Wendt, portanto, é o de historicizar
as identidades, interesses e comportamentos dos Estados, mostrando como eles
são criados pela cultura e pelas interações intersubjetivas de um dado momento
do sistema internacional. A “anarquia” do sistema, dada a ausência de um
governo mundial com monopólio de coerção, não é um dado natural, como para
os realistas, mas uma condição que pode adquirir diferentes formas, a depender
das identidades e interesses dos atores que a constroem: a anarquia é o que os
Estados fazem dela, portanto (Wendt, 1992).
Como os Estados são pensados, pelo autor, como atores dotados de
agência – quer dizer, de capacidade reflexiva de aprendizado e inovação – o
cenário de anarquia descrito pelo realismo pode ser modificado pela prática
desses próprios atores estatais. Assim, Wendt apresenta uma tipologia de ao
menos três culturas distintas de “anarquia”, cada uma delas dependente das
decisões e ações tomadas pelos Estados: (I) a hobbesiana, que descreve um
ambiente de inimizade e desconfiança perenes; (II) a lockeana, em que os
Estados são rivais, mas respeitam a soberania uns dos outros; e, por último, (III)
a kantiana, que corresponde a um ambiente em que os atores resolvem suas
disputas sem emprego da força, estabelecendo alianças e cooperação (Pereira;
Blanco, 2021).
Vê-se, dessa forma, que o construtivismo de Wendt aproxima-se muito
mais de algumas das premissas das teorias dominantes da área – como a
centralidade dos Estados como unidade de análise e a noção de “anarquia” para

13
a compreensão do sistema internacional – do que o tipo de construtivismo
proposto por Onuf e Kratochwill. Mais do que uma ruptura, Wendt pretende
revisar o neorrealismo “de dentro”, quer dizer, ainda utilizando parte de suas
premissas fundamentais, mas atualizando-as por meio das inovações teóricas
trazidas pelo quarto debate das Relações Internacionais, em que conceitos e
teorias oriundos de outras áreas, como a Sociologia e a Filosofia, passaram a
ser introduzidos na análise da política internacional.

TEMA 5 – ESTUDOS EMPÍRICOS DE ORIENTAÇÃO CONSTRUTIVISTA

O construtivismo tem, desde o seu aparecimento na área, contribuído


para uma série de inovações em matéria de argumentos metateóricos,
conceitos, modelos analíticos, hipóteses de trabalho e métodos (Adler, 1999).
Várias agendas de pesquisa foram criadas por essa abordagem ou fortemente
transformadas por ela. De maneira geral, o construtivismo tem se mostrado
extremamente útil para a análise de processos de mudança nas relações
internacionais. Adler (1999, p. 231) chama a atenção para pesquisas que
procuram explicar transformações como o fim da Guerra Fria, as mudanças na
economia política global ou ainda a evolução das políticas ambientais no mundo
como efeitos de mudanças nos entendimentos intersubjetivos de agentes-chave
e no surgimento de novas normatividades coletivas.
Agendas de pesquisa inteiras, como a das “comunidades epistêmicas” –
redes de especialistas dotados de autoridade sobre um domínio particular de
políticas (energéticas, ambientais etc.) e imbuídos de crenças normativas
comuns – dificilmente poderiam ser executadas fora das perspectivas
construtivistas (ibidem, p. 232). Tais pesquisas têm colaborado no entendimento
de como os conhecimentos produzidos por comunidades de especialistas afetam
processos de construção política de leis e instituições.
Os estudos estratégicos e sobre guerras e conflitos também têm se
beneficiado das inovações construtivistas, ao focarem a construção social dos
aspectos culturais envolvidos nas decisões militares, na doutrina militar e mesmo
na estratégia: sendo uma situação de “jogo”, envolvendo expectativas recíprocas
a respeito do comportamento do adversário, a estratégia militar depende de
entendimentos intersubjetivos baseados na experiência pregressa dos
envolvidos (ibidem, p. 236).

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A “teoria da securitização”, desenvolvida pela chamada Escola de
Copenhague, é mais um exemplo de aplicação da abordagem construtivista,
dessa vez à área de segurança internacional. A Escola, em particular por meio
de autores como Barry Buzan e Ole Waever, foi responsável por redefinir o
conceito de “segurança”, passando a incorporar ameaças de cunho social,
econômico e ambiental aos Estados (Pereira; Blanco, 2021). Essa redefinição
ocorreu com base nos autores construtivistas ligados à “virada linguística”,
Kratochwill e Onuf, mostrando como a noção de “ameaça” (à segurança dos
atores) é socialmente construída.
O processo de construção social das “ameaças” pressupõe a participação
de agentes securitizadores, responsáveis por ações discursivas produtoras de
novas normatividades e entendimentos coletivos, fazendo com que determinado
tema seja elevado a um status prioritário por parte do Estado e de suas políticas
públicas. Esse processo só é possível graças à aceitação desses discursos por
parte de uma audiência, em geral os quadros parlamentares e as burocracias
ligadas diretamente ao tema em vias de ser “securitizado”. Na linguagem de Onuf
e Kratochwill, esses discursos podem ser analisados como atos de fala dotados
de força perlocucionária, já que produzem comportamentos específicos nos
receptores desse discurso – nesse caso, a securitização de um determinado
tema (ibidem).

NA PRÁTICA

Uma das agendas de pesquisa mais marcadamente influenciadas pela


abordagem construtivista é aquela que se dedica ao estudo de “comunidades
epistêmicas”, grupos de indivíduos dotados de um saber socialmente legitimado
em relação a um determinado tema (meio ambiente, desenvolvimento, defesa
etc.) e capazes de influir nas políticas domésticas e na regulamentação
internacional ligada a ele. As comunidades epistêmicas mostram o peso das
ideias e das práticas discursivas na estruturação da política doméstica e
internacional, tal como conceitualizado pelos autores construtivistas.
A partir da leitura do artigo Comunidades epistêmicas e de prática em
defesa na Argentina e no Brasil: entre a organicidade e a plasticidade (disponível
em: <[Link]
compare os efeitos da atuação das comunidades epistêmicas de cada um dos

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dois países para a evolução diferencial das concepções de defesa de Brasil e
Argentina.

FINALIZANDO

Nesta aula, foram abordadas as perspectivas construtivistas dos três


autores mais representativos dessa linhagem teórica: Friedrich Kratochwill,
Nicholas Onuf e Alexander Wendt. Como visto, os dois primeiros são ligados à
chamada virada linguística nas Relações Internacionais, dialogando
intensamente com teorias como a dos “atos de fala” e rompendo de maneira
mais radical com os pressupostos das teorias dominantes – como a
caracterização do Estado como unidade de análise central da disciplina e da
anarquia como conceito definidor da configuração do sistema internacional. Os
dois autores defendem que se analise o papel do discurso como “ação”
construtora de normatividades e entendimentos compartilhados: a ordem
internacional é, assim, um fenômeno que emerge dos vários vínculos normativos
estabelecidos discursivamente entre os diferentes atores em interação.
Wendt, por outro lado, procura estabelecer um diálogo crítico com as
teorias tradicionais, em especial com o neorrealismo estruturalista de Kenneth
Waltz, incluindo, nesse quadro teórico, uma atenção maior ao processo de
coconstituição entre agentes (os Estados) e estruturas (o sistema de relações
em que estão envolvidos). O autor insiste no fato de que as estruturas do sistema
internacional sejam compreendidas não apenas em seus aspectos materiais (a
distribuição do poder bélico, por exemplo), mas também ideacionais, ou seja,
como representações coletivas que compõem uma “cultura”. Da inserção nela,
os agentes adquirem identidades e interesses específicos, que serão
continuamente revisados ou reforçados pelas interações com os demais
agentes: a configuração do sistema internacional, portanto, longe de ser um dado
objetivo ou natural, é aqui vista como o produto de entendimentos subjetivos
compartilhados.

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REFERÊNCIAS

ADLER, E. O construtivismo no estudo das relações internacionais. Lua Nova,


n. 47, p. 201-246, 1999.

GIDDENS, A.; TURNER, J. Introdução. In: GIDDENS, A.; TURNER, J. (Org.).


Teoria social hoje. São Paulo: Unesp, 1999.

GIDDENS, A. A constituição da sociedade. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

KRATOCHWIL, F. V. Rules, Norms, and Decisions: On the Conditions of


Practical and Legal Reasoning in International Relations and Domestic Affairs.
Cambridge: Cambridge University Press, 1989.

LAPID, Y. The Third Debate: On the Prospects of International Theory in a Post-


Positivist Era. International Studies Quarterly, v. 33, n. 3, p. 235-254, 1989.

NOGUEIRA, J. P.; MESSARI, N. Teoria das relações internacionais: correntes


e debates. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

ONUF, N. G. World of Our Making: Rules and Rule in Social Theory and
International Relations. Columbia: University of South Carolina Press, 1989.

PEREIRA, A.; BLANCO, R. Teorias contemporâneas das Relações


Internacionais. Curitiba: Intersaberes, 2021.

SAMPAIO, E. A virada linguística e os dados imediatos da consciência.


Trans/Form/Ação, v. 40, n. 2, p. 47-70, 2017.

WENDT, A. Anarchy is what States Make of it: The Social Construction of Power
Politics. International Organization, v. 46, n. 2, p. 391-425, 1992.

_____. Teoria Social da política internacional. Rio de Janeiro: PUC-RJ;


Apicuri, 2014.

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