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Teorias de RI na Guerra do Iraque

O documento analisa a Guerra do Iraque de 2003 sob diversas teorias de Relações Internacionais, destacando a intervenção dos EUA e suas consequências. As interpretações variam desde o realismo clássico, que vê a guerra como expressão de poder, até o marxismo, que a considera uma forma de imperialismo e subordinação econômica. A análise também inclui a crítica à hegemonia neoliberal e a necessidade de transformação da ordem internacional.
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Teorias de RI na Guerra do Iraque

O documento analisa a Guerra do Iraque de 2003 sob diversas teorias de Relações Internacionais, destacando a intervenção dos EUA e suas consequências. As interpretações variam desde o realismo clássico, que vê a guerra como expressão de poder, até o marxismo, que a considera uma forma de imperialismo e subordinação econômica. A análise também inclui a crítica à hegemonia neoliberal e a necessidade de transformação da ordem internacional.
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Aplicação de teorias de RI no caso

da guerra do iraque
por Prof. Dr. Lucas Oliveira
Contexto Histórico: Guerra do Iraque (2003)
Antecedentes
Após os ataques de 11 de setembro de 2001, os EUA adotam uma política externa mais intervencionista, marcada pela
chamada <Guerra ao Terror=.
O governo Bush alega que o Iraque possuía armas de destruição em massa (WMDs) e vínculos com grupos terroristas como a
Al-Qaeda.
Intervenção
Em março de 2003, os EUA lideram uma coalizão (com Reino Unido e outros) que invade o Iraque sem autorização formal do
Conselho de Segurança da ONU.
O governo de Saddam Hussein é derrubado em poucas semanas.
Pós-guerra
Não foram encontradas WMDs.
O país mergulha em instabilidade política, insurgência armada, guerra sectária e crise humanitária.
A ocupação levanta críticas internacionais e é considerada um fracasso estratégico em muitos aspectos.
Interpretações Teóricas da Guerra do Iraque
¶ 1. Realismo Clássico

E.H. Carr

Sistema internacional: Hierárquico e moldado pelo poder.


Poder: Base real das normas e instituições.
Atores: Estados; potências definem as regras.
Interpretação:
Guerra como expressão de interesses mascarados por um discurso idealista.
A moralidade internacional é instrumentalizada pelas grandes potências.

Hans Morgenthau

Sistema internacional: Anárquico e competitivo.


Poder: Interesse nacional guiado pela busca de poder.
Atores: Estados racionais e centrados no interesse.
Interpretação:
Guerra motivada por cálculo de poder, mas excessivamente idealista.
Crítica à moralização da política externa (democracia, liberdade).
Risco de desequilíbrio no sistema internacional.

Raymond Aron

Sistema internacional: Multipolar, interdependente.


Poder: Multidimensional (militar, ideológico, econômico).
Atores: Estados, elites, ideologias.
Interpretação:
A guerra revela a persistência da guerra como instrumento político.
Busca de manutenção da hegemonia dos EUA.
Estratégia de contenção e projeção geopolítica.
2. Marxismo e Relações Internacionais
Lênin 3 Imperialismo como fase superior do capitalismo

Sistema internacional: Capitalista e imperialista.


Poder: Derivado do capital monopolista e financeiro.
Atores: Estados a serviço dos monopólios e corporações.
Interpretação:
Guerra imperialista por recursos e controle de mercados.
Exportação da crise capitalista para a periferia.
Papel das empresas privadas e reconstrução lucrativa.

CEPAL 3 Teoria da Dependência

Sistema internacional: Centro-periferia.


Poder: Assimétrico e estrutural.
Atores: Estados centrais e periféricos.
Interpretação:
A guerra impede o desenvolvimento autônomo do Iraque.
Mecanismo de reforço da subordinação ao capital internacional.
Periferia como espaço de imposição de interesses externos.

Wallerstein 3 Sistema-Mundo Capitalista

Sistema internacional: Capitalista e dividido em centro, periferia e semiperiferia.


Poder: Posição estrutural no sistema-mundo.
Atores: Potências hegemônicas e economias subordinadas.
Interpretação:
Guerra como reação ao declínio da hegemonia dos EUA.
Tentativa de manter centralidade no sistema-mundo.
Conflito reflete a lógica de reprodução sistêmica.

Arrighi 3 Ciclos sistêmicos de acumulação

Sistema internacional: Cíclico, baseado em hegemonias sucessivas.


Poder: Derivado da capacidade de acumulação e controle financeiro/militar.
Atores: Potências hegemônicas, capital financeiro.
Interpretação:
Guerra como indício da fase decadente do ciclo hegemônico dos EUA.
Militarização da política externa como sintoma de crise do modelo.
Semelhança com o declínio britânico no século XX.
3. Teoria Crítica 3 Robert Cox

Sistema internacional: Ordem histórica construída (não dada).


Poder: Relações sociais, ideológicas e materiais que sustentam a hegemonia.
Atores: Estados, empresas, elites transnacionais, sociedade civil.
Interpretação:
Guerra como instrumento de manutenção de uma ordem hegemônica neoliberal.
Papel da ideologia, mídia e aparato militar-industrial na legitimação.
Necessidade de pensar a transformação da ordem, não apenas sua explicação.
 Quadro Comparativo: Interpretação da Guerra do Iraque (2003)

Teórico/Tradição Sistema Internacional Categoria de Poder Atores Centrais Interpretação da


Guerra do Iraque

E.H. Carr Anárquico, Poder como base do Estados (desiguais) Guerra como
hierárquico de fato direito expressão de poder
sob retórica moralista

Morgenthau Anárquico, Vontade de poder Estados (racionais) Ação unilateral


competitivo estatal arriscada, moralismo
perigoso

Aron Plural (ideias, Estratégico, Estados, elites Manutenção da


interesses) multidimensional políticas hegemonia via guerra
estratégica

Lênin Hierárquico, Capital concentrado, Monopólios, Estados Guerra como


imperialista força coercitiva imperialistas imposição do capital
monopolista global

Teoria da Centro-periferia Dependência Estados Subordinação do


dependência estrutural periféricos/centrais Iraque à lógica do
centro capitalista

Wallerstein Sistema-mundo Posição na divisão Hegemonias, Tentativa de


capitalista internacional do periferias reafirmação da
trabalho hegemonia em
declínio

Arrighi Ciclos de acumulação Dominação bélica e Potências Ação militar como


financeira hegemônicas indício do declínio da
hegemonia dos EUA

Cox Ordem histórica Relações sociais e Estados, capital, Guerra como parte de
construída ideológicas ideias uma ordem
hegemônica a ser
superada

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