REALISMO CLASSICO:
Depois da Primeira Guerra Mundial, muitas pessoas acreditavam que o mundo poderia
viver em paz, com países cooperando entre si. Mas essa ideia não deu certo. A Liga
das Nações, que foi criada para manter essa paz, fracassou quando surgiram regimes
autoritários, como o fascismo na Itália, e mais tarde, com a Guerra Fria. Por isso,
surgiu uma nova forma de pensar as relações entre os países: o realismo.
Os principais pensadores dessa visão foram Edward Carr, Hans Morgenthau e Raymond
Aron.
Essa linha de pensamento parte da ideia de que o ser humano tem uma natureza
imperfeita — somos egoístas, buscamos o poder e, muitas vezes, agimos com
violência. Essa visão vem de pensadores antigos como Hobbes, que dizia que o homem
é como um lobo para os outros homens. Por isso, seria necessário um Estado forte
para controlar esse comportamento e manter a ordem.
Segundo os realistas, os Estados agem da mesma forma que os indivíduos: cada um
pensa apenas em si e no que é melhor para seus próprios interesses. Isso faz com
que a possibilidade de guerra esteja sempre presente. Não existe uma paz permanente
entre os países — o que existe é um jogo de forças, onde cada um tenta manter ou
aumentar seu poder.
Carr: Influenciado por Hegel e Marx, propõe uma dialética entre utopia (ideais) e
realidade (poder). Critica o idealismo por ignorar forças históricas como o
fascismo.
Morgenthau: Inspirado por Hobbes, Maquiavel e Nietzsche, busca uma ciência política
baseada em leis objetivas da natureza humana, com a busca por poder como motor das
RI.
Aron: Influenciado por Weber e Tocqueville, rejeita determinismos e foca na guerra
como prática social, considerando a pluralidade de atores e contextos históricos.
LIBERALISMO CLASSICO:
o liberalismo é a aceitação do indivíduo como o valor máximo, levando em
consideração seu isolamento das conexões com a identidade coletiva. acredita que as
sociedades humanas precisam ser melhoradas e seguir o caminho progressista. O
Estado não é mais necessário, e a primeira era do governo nacional mundial não se
baseia no princípio do poder politico mas em estruturas econômicas e
administrativas, como corporações e sistemas de gestão.
O autor considerado pai do liberalismo, John Locke, a natureza humana é
essencialmente guiada pela razão e pela tolerância, ou seja, as pessoas tendem
naturalmente a agir de forma justa e cooperativa. Ao mesmo tempo, o ser humano
nasce com a mente vazia — como uma folha em branco — e desenvolve seus valores
morais e noções de justiça a partir das experiências vividas e da educação
recebida. Portanto, diferentemente da ideia de Hobbes de que a condição natural do
ser humano é um conflito constante de todos contra todos, os seguidores de Locke
acreditam que, em seu estado natural, os indivíduos têm uma tendência à paz e ao
respeito mútuo, especialmente em relação à própria vida e à propriedade dos outros.
NEOREALISMO
Kenneth Wlatz é visto como o criador do Neorealismo, ele vê o sistema internacional
como uma estrutura anárquica, onde os Estados agem por autopreservação. O realista
clássico inicia sua análise a partir do Estado individual. O neorrealista, depois
de Kenneth Waltz, começa a partir da estrutura global, constituída pelos Estados
individuais e influenciando seu perfil. o neorrealista diz que o princípio
principal da política de Estado nas Relações Internacionais é o princípio da “auto-
ajuda”.
REALISMO OFENSIVO:
John Mearsheimer, um dos principais representantes do neorrealismo ofensivo,
Mearsheimer acredita que os Estados não se contentam apenas com a segurança e
estabilidade, os Estados estão sempre buscando aumentar seu poder de forma
agressiva, visando alcançar a hegemonia regional. Mearsheimer acredita que a
hegemonia está sempre focada em fortalecer seu poder e enfraquecer seus rivais,
caso contrário, pode perder o momento de sua dominação. Um exemplo claro disso, na
visão de Mearsheimer, é a relação entre Estados Unidos e China. Ele vê os EUA como
a hegemonia regional do continente americano, enquanto a China está se tornando a
hegemonia regional da Ásia. Isso inevitavelmente levará a um confronto entre os
dois países, pois os EUA tentarão impedir que a China se torne forte o suficiente
para desafiar sua posição.
REALISMO DEFENSIVO:
acreditam que a anarquia do sistema internacional — ou seja, a ausência de uma
autoridade central acima dos Estados — faz com que os Estados se tornem altamente
preocupados com sua própria segurança. Essa preocupação excessiva gera o que se
chama de “dilema de segurança”, uma situação em que, ao tentar se proteger
aumentando suas capacidades militares, um Estado acaba sendo percebido como uma
ameaça pelos outros. Esses outros Estados, por sua vez, também reagem reforçando
suas defesas, o que gera instabilidade, desconfiança mútua levando consequentemente
a uma corrida armamentista.
TEORIA CRÍTICA
Influenciada pela Escola de Frankfurt, Max Horkheimer, em seu ensaio "Traditional
and Critical Theory", de 1937, definiu pela primeira vez a Teoria Crítica como uma
teoria social que vai além da explicação da sociedade como ela é e, em vez disso,
busca criticá-la e transformá-la. De acordo com a Teoria Crítica, a ideologia serve
como o principal motor da opressão, e o objetivo é analisar e superar essas ideias
que impedem a liberdade humana. Propõe-se a pensar o histórico e o estrutural: não
apenas o <o que é, mas como chegou a ser assim e quem se beneficia disso.
TEORIA DA ESCOLA INGLESA
Normalmente, não é considerado como um paradigma independente, pois possui
características comuns ao realismo e ao liberalismo, sendo uma combinação original
de elementos que caracterizam ambas as abordagens. Ela propõe que os Estados operam
não apenas em um sistema anárquico, mas dentro de uma sociedade internacional onde
normas, regras e instituições regulam o comportamento estatal. O principal nome da
Escola Inglesa, Hedley Bull, em seu livro, A Sociedade Anárquica, diz que o mundo é
formado por Estados soberanos que se relacionam não só por interesse ou poder, mas
também por normas comuns. Quando vários Estados interagem regularmente e
compartilham valores e regras, eles formam uma “sociedade internacional”, que
apesar de anárquica, é organizada em torno desses princípios. a Escola Inglesa
acredita que o mundo internacional não é só um campo de batalha entre interesses
egoístas, como dizem os realistas, nem apenas um sistema baseado em instituições,
como dizem os liberais. Ela vê o mundo como uma sociedade sem governo, mas com
regras, valores e interações sociais que moldam o comportamento dos países. Essa
visão valoriza tanto o poder quanto a moral, tanto os interesses quanto os
princípios, e por isso oferece uma perspectiva mais equilibrada e complexa das
relações internacionais.
CONSTRUTIVISMO
O construtivismo é uma abordagem nas relações internacionais que propõe uma maneira
diferente de entender como os países interagem no cenário global. Uma das ideias
centrais do construtivismo é que a realidade internacional não é algo fixo ou
determinado apenas por fatores objetivos. Em vez disso, ela é construída
socialmente através das interações e percepções compartilhadas entre os atores
internacionais, destaca a importância das ideias, crenças e identidades na formação
das relações entre os Estados. o construtivismo propõe que é essencial considerar
não apenas os fatores materiais, mas também as construções sociais que moldam as
identidades, interesses e comportamentos dos Estados no sistema internacional.