ESTRATÉGIAS DE ENSINO UTILIZADAS PELOS PROFESSORES DA
EDUCAÇÃO BÁSICA FRENTE À PANDEMIA DA COVID-19
Renata Hellena Miranda Freire de Lima1
Patrícia de Negreiros Santos Silva 2
Joseval dos Reis Miranda3
RESUMO
Diante do advento da pandemia causada pela COVID-19, organizações de saúde, em específico, a
Organização Mundial da Saúde (OMS), estabeleceram medidas sanitárias de distanciamento e
isolamento social para evitar a proliferação do vírus, que levou ao fechamento das instituições de
ensino e à necessidade da criação de estratégias para dar continuidade ao ensino frente essa nova
realidade. A presente pesquisa objetivou analisar as estratégias de ensino adotadas por professores da
educação básica para minimizar os impactos negativos da ausência do ensino presencial. Foi realizada
uma revisão bibliográfica narrativa e analisados três artigos publicados com experiências de ensino em
meio a pandemia da COVID-19, trazendo tanto estratégias da rede pública quanto da rede privada de
ensino. As discussões trazidas procuraram abordar assuntos que permeiam a realidade brasileira, como
a desigualdade social, que refletiu grandemente no cotidiano de estudantes que não tinham acesso às
tecnologias. Dentre as estratégias utilizadas, uma escola adotou o projeto “É de casa!”, que indicava a
construção de portfólios das atividades realizadas. Enquanto o estudo da organização “Todos pela
Educação” apontou que duas das estratégias mais usadas pela rede pública foram a utilização de
plataformas on-line e a distribuição de materiais digitais via redes sociais. Quanto aos estudantes sem
acesso à internet, a estratégia encontrada foi a disponibilização de material impresso. Com relação às
escolas privadas, os jogos on-line foram uma importante estratégia adotada. Diante de tudo, os
docentes mostraram-se bem atuantes e compromissados em oferecer aos estudantes o melhor diante da
conjuntura atual.
Palavras-chave: Ensino Remoto Emergencial, Educação Básica, Estratégias de Ensino.
INTRODUÇÃO
Em 30 de janeiro de 2020, foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS),
estado de emergência em nível mundial em decorrência do novo coronavírus SARS-CoV-2
(doença coronavírus 2019), baseado nos crescentes índices de contaminação não só na
Província de Hubei da República Popular da China, local onde teve início a doença
coronavírus 2019 (COVID-19), mas em nível internacional (VELAVAN; MEYER, 2020).
Diante dessa situação, foi necessária a aplicação de medidas de distanciamento social,
que levaram ao fechamento generalizado da maioria das instituições, tanto de iniciativa
pública como privada. As escolas, creches e universidades foram umas das primeiras a
1
Graduanda do Curso de Pedagogia da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, renatahmfl@[Link];
2
Graduanda do Curso de Pedagogia da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, patriciaangel_jp@[Link];
3
Professor orientador. Doutor em Educação. Professor da Universidade Federal da Paraíba, Centro de Educação,
Departamento de Metodologia da Educação - UFPB, josevalmiranda@[Link].
encerrarem suas atividades devido o avanço da COVID-19 no Brasil. Esse fato levou gestores
e professores à necessidade de repensar as formas de desenvolverem o processo de ensino-
aprendizagem. Assim, o ensino remoto de maneira emergencial foi adotado como um
mecanismo de manutenção das aulas e do contato com os estudantes. Foi preciso que de
maneira muito rápida, sem a devida preparação, os professores construíssem estratégias de
ensino que viabilizassem a continuidade de seu trabalho em meio a essa nova realidade.
O ensino remoto não pode ser confundido com o ensino à distância (EAD), pois ele foi
efetivado em um momento de emergência, ou seja, é uma medida passageira. Além disso, não
houve nenhuma formação prévia dos professores para atuarem nessa modalidade de ensino.
Assim, o ensino remoto emergencial se configura como uma medida adotada de extrema
importância para que de alguma forma a oferta do ensino escolar não seja interrompida
totalmente. No ambiente virtual, dispõe-se de várias ferramentas tecnológicas que não são
elaboradas exclusivamente para a educação. Algumas das plataformas utilizadas são Google
Meet, Zoom, Hangouts, sendo possível o compartilhamento de conteúdo por meio do
Whatsapp. É possível observar, dessa forma, que o ensino remoto comporta uma extensa
variedade de ferramentas. (RONDINI, PEDRO, DUARTE, 2020).
No entanto, em um país extremamente desigual socioeconomicamente como o Brasil,
o ensino remoto se torna desafiador para alguns e inviável para outros, no que tange, a
aquisição de aparelhos tecnológicos como celular, computador e como o próprio acesso à
internet, para dar continuidade aos estudos. É necessário, dessa forma, que sejam pensadas
estratégias de ensino tanto para os estudantes que possuem acesso a aparelhos tecnológicos e
internet, como àqueles que não dispõem desses recursos.
É necessário ainda que, tratando-se da importância da oferta diversificada de
estratégias dentro do ensino remoto, sejam trazidos jogos, visitas a museus virtuais, uso de
laboratórios remotos e uma série de outros recursos atualmente à disposição. Criando
possibilidades para que todos os estudantes participem do processo de ensino e aprendizagem
no contexto de emergência supracitado. (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020).
Diante do exposto, a presente pesquisa buscou discutir a respeito das estratégias de
ensino que foram colocadas em prática por professores atuantes na educação básica, diante da
necessidade da continuação das atividades educativas frente à nova realidade de isolamento
social ocasionada pela pandemia do COVID-19.
METODOLOGIA
O presente estudo buscou discutir a respeito das diversas estratégias de ensino
utilizadas por professores das redes públicas e privadas de ensino, utilizando como
metodologia a revisão de literatura narrativa, que segundo Cordeiro et al (2007, p.429)
“quando comparada à revisão sistemática, apresenta uma temática mais aberta [...]; não
exigindo um protocolo rígido para sua confecção; a busca das fontes não é pré-determinada e
específica, sendo frequentemente menos abrangente.”
Os artigos foram pesquisados nas bases de dados do Google Acadêmico utilizando as
palavras-chave: “ensino remoto”, “COVID-19”, “educação básica” e “estratégias de ensino”.
A partir do resultado inicial de artigos disponíveis, foram selecionados 3 artigos para o
presente estudo, com bases em maneiras diferentes de trazer experiências sobre as estratégias
de ensino utilizadas no ensino remoto nesse período de pandemia da COVID-19. Procuramos
selecionar um artigo que trouxesse a experiência de uma turma específica de uma escola
pública, um artigo mais amplo com dados nacionais da rede pública de ensino e um artigo que
trouxesse a experiência de uma escola privada.
REFERENCIAL TEÓRICO
A pandemia causada pela COVID-19, doença infecciosa, identificada pela primeira vez
em dezembro de 2019, na província de Hubei (China) trouxe grandes mudanças para o modo
como nos relacionamos socialmente. Todos os setores da sociedade foram atingidos, porém, a
educação sofreu um abalo sem precedentes, o fechamento generalizado das instituições
escolares - importante espaço de interação social - afetou milhares de estudantes em todo o
mundo. Segundo a UNESCO (2020, on-line), “A crise de saúde causada pela COVID-19
resultou no fechamento de escolas e universidades, afetando mais de 90% dos estudantes do
mundo”.
Professores, estudantes e toda a comunidade escolar tiveram que se adaptar as
novas formas de aprender e ensinar, condicionando professores e estudantes a um novo
modelo pedagógico de emergência, o ensino remoto, que tem sido uma importante
ferramenta para minimizar a total falta de acesso ao ensino.
A educação escolar ocupa lugar central em nossas vidas, seja como família de
crianças e jovens, seja como estudantes, seja como profissionais que atuam nas
escolas. Os(as) professores(as), “da noite para o dia”, tiveram que se descolar e
deslocar-se de um cotidiano relativamente estável de preparação, realização e
acompanhamento de aulas, para uma configuração de ensino e aprendizagem
bastante diversa: o ensino remoto. (DOS SANTOS; LIMA; DE SOUZA, 2020, p.
1640)
Dessa forma, é considerado que, apesar de o ensino remoto não substituir os encontros
pedagógicos presenciais, ele pode ser um importante caminho para os que têm condições de
acesso. É preciso diante desse contexto, “unir esforços para refletir sobre as estratégias
pedagógicas mais adequadas às diversas realidades, a fim de que os impactos e as
consequências da pandemia sejam, ao menos, atenuados” (OLIVEIRA; SOUZA, 2020 apud
RONDINI; PEDRO; DUARTE, 2020, p.49). O ensino remoto nos apresentou novos dilemas
e, diante disso, nos deparamos com diversos desafios, que necessitam ser enxergados sob
vários pontos de vista:
De um lado, o aluno e a família diante de suas (im)possibilidades em relação ao
acesso aos recursos tecnológicos, conexão à internet e à mediação familiar para os
estudos. De outro, professores diante de um novo formato de ensino cuja prática não
lhes era comum e que exige, além dos recursos tecnológicos e de organização de
espaço e tempo, habilidades com o manuseio dos aparelhos, aplicativos e plataformas
de gravação, edição e envio de conteúdo. (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021, p. 38)
A partir desse contexto e segundo a visão de Nóvoa (2020) as formações on-line,
realizadas durante a pandemia, cumprem um papel importante, mesmo diante da dificuldade
dos encontros presenciais. Para ele, é necessário manter o diálogo com os professores, mesmo
que só seja possível realizá-lo por meio das tecnologias. “Claro que não é o ideal. Mas é o
possível nesta altura.” (NÓVOA, 2020, on-line). Afirma ainda, que é preciso aproveitar os
momentos de crise para repensar o ensino e a educação:
A crise nos obriga também a um processo de ressignificação da escola, de
transformação das nossas práticas educativas escolares, de construção da educação e
da escola como um bem comum e como um bem público através da renovação das
nossas práticas pedagógicas e das nossas práticas educativas. (NÓVOA, 2020, on-
line).
No entanto, o advento da pandemia evidenciou ainda mais a desigualdade social do
país, colocando em risco a aprendizagem de crianças que vivem em situação de
vulnerabilidade social, econômica e cultural, que vivem em um núcleo familiar
desestruturado, sem apoio familiar para dar continuidade aos seus estudos no ensino remoto
emergencial. A falta de recursos econômicos para obtenção de instrumentos tecnológicos,
como celular, computador e o próprio acesso à internet tem sido um fator bem difícil de lidar.
Assim, o ensino remoto é visto como um recurso tecnológico fundamental neste período de
emergência, porém, é importante salientar que excluiu muitos estudantes do processo
educacional pois,
[...] 20% dos domicílios brasileiros – o equivalente a 17 milhões de unidades
residenciais – não estão conectados à internet, o que impossibilita o acesso de alunos
ao material de ensino à distância disponibilizado em seus portais por muitas escolas
públicas do ensino fundamental e do ensino médio. [...] Mais de 40% das residências
não possuem computador e, entre os que possuem, poucos possuem softwares
atualizados e capacidade de armazenamento. E são de uso comum de 3 ou mais
pessoas (DOS SANTOS; LIMA; DE SOUZA, 2020, p. 1636).
Neste sentido, de acordo com o Instituto de Pesquisa econômica Aplicada (IPEA):
Para 1,8 milhões de alunos que não têm equipamentos, haveria necessidade de
distribuir tablets ou celulares com chip de dados. Os que sequer têm acesso ao sinal
de internet são 3,2 milhões – para eles, recomenda-se a utilização de kits de TV
digital ou apostilas e outros materiais físicos. O diagnóstico teve como base a análise
de dados da Pnad Contínua de 2018 (IBGE) e mapeou o perfil da população sem
acesso à internet em banda larga ou 3G/4G em domicílios. Os números mostram que
a falta de acesso é mais marcante no meio rural e prejudica principalmente
estudantes negros e de baixa renda. O estudo também revela que a Bahia é o estado
com maior número absoluto de estudantes sem acesso à internet em banda larga ou
3G/4G, seguido pelo Pará, Maranhão, Ceará, São Paulo e Minas Gerais. (PORTAL
DO GOVERNO BRASILEIRO, 2020, on-line).
A percepção da diferença do acesso aos meios digitais fica mais latente quando
comparamos estudantes da rede pública com estudantes da rede privada de ensino. Assim
como mostram os dados da Pnad Contínua de 2020, publicados pelo Instituo Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE):
Nas escolas particulares, 92,6% dos alunos tinham telefone celular para uso pessoal,
este percentual era de apenas 64,8% entre aqueles da rede pública. A maior
diferença ocorreu na região Norte, apenas 47,5% de estudantes da rede pública
tinham o próprio aparelho celular. A diferença social volta a ganhar força quando o
meio de acesso à web é o computador — 81,8% dos estudantes da rede privada
acessavam a internet pelo computador, este percentual era apenas 43,0% entre os
estudantes da rede pública. (DUNDER, 2021, on-line).
Dessa forma, entendendo que a realidade dos estudantes da rede pública diverge da
realidade dos estudantes da rede privada de ensino, é necessário que as escolas considerem
estratégias de ensino que contemplem tanto aos estudantes que possuam acesso à internet,
quanto àqueles que não possuem esse acesso. “Adotar um ensino cujas práticas levam em
conta apenas aspectos técnicos e superficiais, pode colaborar para que sejam reforçadas
inúmeras formas de exclusão social, tendo em vista que cada situação particular imprime um
modo próprio de vida.” (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021, p. 39).
Assim, tornou-se ainda mais necessário considerar tanto os aspectos globais, como os
específicos de cada indivíduo, a fim de reconhecer “a unidade humana em meio às
diversidades individuais e culturais, e as diversidades individuais e culturais em meio à
unidade humana.” (MORIN, 2014, p.25).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O primeiro artigo analisado foi de Arruda e Nascimento (2021), que realizaram uma
pesquisa-ação sobre as atividades realizadas durante o período de ensino remoto em uma
turma de 5º ano do ensino fundamental de uma escola da rede municipal de ensino da cidade
de Vertente do Lério-PE. As estratégias de ensino praticadas nesse estudo, foram pautadas em
uma perspectiva freiriana, que considera que “ensinar não é transferir conhecimento, mas
criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” (FREIRE, 2018, p.24).
O estudo de Arruda e Nascimento (2021) chamou atenção para dois importantes
aspectos, o olhar voltado ao aluno e a importância das relações sociais. Dessa forma, os
autores ressaltaram que “as salas de aula se diluíram dentro das casas de cada estudante e isso
exige uma pedagogia da sensibilidade, empatia e humanização.” Precisando ainda levar em
consideração que, “no contexto das aulas remotas, faz-se necessário potencializar o olhar
sobre a convivência, sobre os fazeres e sobre a percepção do humano, em detrimento do uso
excessivo dos conhecimentos pertencentes aos programas.” (p.39-40) Os autores retratam
ainda que:
As aulas remotas nos colocaram diante da possibilidade de repensar as práticas e o
modelo de ensino que ainda é predominante em nossas escolas. Não apenas pela
necessidade de repensar o uso das tecnologias, mas pela forma com que
frequentemente as aulas são centradas na transmissão de conteúdos e na concepção
cognitivista de indivíduo. (ARRUDA; NASCIMENTO,2021, p.40)
Com relação às abordagens de ensino imediatamente após o Decreto Estadual Nº
48.810 de 16 de março de 2020, no qual o Governo de Pernambuco suspendeu o
funcionamento das aulas nos estabelecimentos públicos e privados do Estado, Arruda e
Nascimento trazem que:
Durante as duas primeiras semanas, os contatos entre professor e alunos e seus
familiares foi escasso. A falta de retorno dos alunos e familiares impossibilitou o
professor de se comunicar com eles, já que não dispunha de seus números
telefônicos. Próximo a completar os 15 dias cujas aulas haviam sido enviadas, a
Secretaria Municipal de Educação anunciou a antecipação do recesso escolar de
julho e, após este período, a gestão da Escola iniciou um trabalho de organização e
orientação pedagógica para (re)iniciar as aulas remotas. (ARRUDA;
NASCIMENTO,2021, p.43)
Após o período de recesso, essencial para que a escola se organizasse, a estratégia
definida foi da montagem de um grupo no aplicativo de mensagens Whatsapp para ser a via
de comunicação e envio das atividades diárias de estudo a serem realizadas pelos alunos. Os
professores transformaram seu planejamento em um projeto denominado “É de casa!”, que foi
a alternativa pedagógica encontrada para manutenção do vínculo com os estudantes e
promoção de situações de aprendizagem e trocas de experiência (ARRUDA; NASCIMENTO,
2021).
O “Portfólio É de casa!” contém uma folha para cada dia de aula em que são
registrados o plano da aula (componentes curriculares, eixo, objetos do
conhecimento, habilidades, situação didática e recursos) e uma lista de frequência
com legenda (vermelho para alunos não alcançados, amarelo para alunos atendidos
apenas por ligação telefônica, verde claro para alunos alcançados por meio de
aparelho celular com acesso à internet e verde escuro para alunos que apenas
enviaram a atividade respondida via Whatsapp ou impresso sem interagir com o
professor). Além disso, um espaço da página é dedicado aos registros fotográficos
como prints de tela das videochamadas, fotos das atividades realizadas e imagens
ilustrativas. (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021, p.43).
No tocante ao engajamento dos alunos nas atividades, Arruda e Nascimento (2021)
destacam que “os registros apontam para a participação dos pais e/ou responsáveis como fator
decisivo, principalmente quanto à garantia dos equipamentos tecnológicos para comunicar-se
via ligação ou acesso à internet com o professor.” (p.45) Ademais, os autores destacam o
acompanhamento e apoio na realização das atividades por parte da família como peça
fundamental, encontrando na análise dos dados uma relação entre o baixo desempenho de
alguns alunos com o fato de não terem ninguém para acompanhá-los nos estudos em casa.
Dessa forma, a escola considerou como estratégia avaliativa:
[..] a família, as condições sociais e todo o seu contexto também deve ser
considerado, não para justificar a desigualdade ou perpetuá-la como condição
permanente e estática, mas para elaborar estratégias democráticas que garantam o
desenvolvimento de todos dentro de suas possibilidades e potencialidades. [...] em
nenhum momento, houve menção ou realização de avaliação objetiva, pontual ou
somativa. Sendo assim, os pressupostos avaliativos são notados de forma qualitativa
e processual nos consolidados que reúnem os registros diários da realização das
atividades ou a partir dos registros e observações que podem servir de parâmetro
para um possível levantamento conceitual de desempenho. (ARRUDA;
NASCIMENTO, 2021, p. 47-48)
A escola adotou a seguinte postura avaliativa:
A partir deste encontro de formação, os professores receberam a orientação para
incluir no plano de aula diário, o item avaliação. Observamos no registro do dia
seguinte, que o professor incluiu a avaliação nos planos e aula, replicando em todos
os registros diários o seguinte enunciado: “realização e envio da atividade”.
Depreende-se que a avaliação priorizada pelo professor consiste na interação com as
atividades propostas, independentemente do nível de acerto, capricho ou
desempenho notado. Nesse sentido, pode-se afirmar que a aprendizagem dos
conteúdos trabalhados nas atividades não se sobrepõe à análise do esforço,
dedicação e participação dos alunos. (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021, p.50)
Dos 19 alunos matriculados, o alcance geral dos alunos, contando com os
acompanhamentos daqueles que tinham acesso ao Wi-fi ou aos dados móveis do celular ou as
ligações telefônicas, foi de 83% e ao longo dos meses de abril a junho, a média de alcance
diário foi 13 de alunos participantes das atividades propostas. O percentual de alunos sem
acesso à internet permaneceu em 17% ao longo dos meses. (ARRUDA; NASCIMENTO,
2021)
O estudo trouxe que as estratégias metodológicas utilizadas para essa turma se
pautaram no diálogo, na interação e colaboração com a família da vivência cultural, em uma
perspectiva não só conceitual, mas procedimental e atitudinal em consonância com os
objetivos educacionais, criticando as formas de ensino presas às exigências burocráticas e às
pressões e opressões, na busca por uma forma de ensino que tenha empatia, diálogo, apoio e
coerência. (ARRUDA; NASCIMENTO, 2021)
Quanto à orientação pedagógica e da gestão escolar, dentro dos três meses analisados
pelo estudo de Arruda e Nascimento (2021), houve 03 reuniões e 03 encontros de formação
on-line. Por fim, é preciso destacar que o artigo não discutiu acerca de quais foram as
estratégias de ensino utilizadas com os alunos que não tinham acesso a nenhum tipo de
tecnologia.
No tocante ao segundo artigo estudado pela presente pesquisa, a publicação foi
realizada pela organização “Todos Pela Educação”, que se define como uma instituição “sem
fins lucrativos, plural e suprapartidária, fundada em 2006. Com uma atuação independente e
sem receber recursos públicos”, que possui como foco “contribuir para melhorar a Educação
Básica no Brasil.” (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020, p.2)
A pesquisa do Todos pela Educação (2020, p.3) aponta que “o caminho tem sido
viabilizado, principalmente, por meio da disponibilização de plataformas online, aulas ao vivo
em redes sociais e envio de materiais digitais aos alunos”, de acordo com um levantamento
realizado com mais de três mil Secretarias de Educação em todo o país. A pesquisa traz dados
das principais estratégias utilizadas pelas redes estaduais, seguindo das mais utilizadas para as
menos utilizadas: plataformas on-line, videoaulas gravadas (enviadas pelas redes sociais),
materiais digitais via redes sociais, aulas on-line ao vivo (multisseriadas), aulas via TV, aulas
on-line ao vivo (etapa específica), orientações genéricas via redes sociais, tutoria/chat on-line,
e em algumas redes estaduais não foram utilizadas nenhuma das estratégias listadas
anteriormente.
Quanto às estratégias das redes municipais, as estratégias mais utilizadas foram a de
materiais digitais via redes sociais, seguido de orientações genéricas via redes sociais,
videoaulas gravadas e disponibilizadas nas redes sociais, plataformas on-line e, aqui surge
uma importante alternativa utilizada, a disponibilização de material impresso, como estratégia
de inclusão dos alunos sem acesso às tecnologias. (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020).
Como forma de comparação, é importante considerar a realidade de uma escola da
rede privada frente a pandemia, e quais suas estratégias de ensino para manter o vínculo
educacional com seus estudantes. Com isso, a partir da pesquisa lograda para a aquisição de
materiais para a construção de tal artigo, foi possível perceber a falta de artigos científicos e
literaturas que tratem das estratégias de ensino adotadas pela rede privada. No entanto, um
artigo foi considerado importante citar, por constar os meios e métodos pedagógicos, como
estratégias de ensino, para se manter o vínculo com a escola.
As escolas privadas também passaram por dificuldades no que concerne ao contexto
pandêmico. Professores tiveram sua rotina alterada pela conjuntura atual e com isso, foram
necessárias adaptações e a elaboração de novos planos.
Para os professores essa mudança foi muito significativa, mesmo que alguns já
utilizassem tecnologias de ensino no seu fazer pedagógico, a migração total para a
realidade on-line exige dedicação, tempo e saúde mental, pois também estamos
suscetíveis a pressão que uma pandemia impõe a toda população. (RUSCHEL;
TREVISAN; PEREIRA, 2020, n.p).
Contudo, é importante destacar que a escola privada, na maioria dos casos possuem
uma boa estrutura para as atividades escolares, e recursos tecnológicos, o que favorece uma
melhor adaptação aos tempos atuais, sendo assim, a escola citada:
[...] já provia de suporte na área de tecnologia e relação estreita com o mundo
universitário já que possui todos os níveis de ensino sob sua tutoria. Já existia uma
parceria com a Google for Education no período anterior a pandemia, essa
plataforma nos auxilia com diversos recursos que contribuem para o
desenvolvimento das atividades do ensino remoto. (RUSCHEL; TREVISAN;
PEREIRA, 2020, n.p).
O meio utilizado para elaboração das aulas remotas foram Google Meet, no qual, se
faz aulas ao vivo, com a participação massiva dos estudantes, o Spotify, que disponibiliza
podcasts (conteúdos em áudio de diversos assuntos), YouTube para visualizar vídeos com
aulas já gravadas, lives e streamings (transmissões em tempo real). Mostrando, que a escola
fez questão de utilizar de todo recurso digital disponível, como estratégias para manter as
aulas. (RUSCHEL; TREVISAN; PEREIRA, 2020)
[...] no qual um ou mais professores da escola ou convidados se dispõem a falar
sobre um tema escolhido em uma live no Facebook da instituição. Isso tem por
objetivo manter o vínculo com os alunos e trazer diferentes temáticas para a
discussão e reflexão não só dos nossos alunos, mas de toda a comunidade que
compõe a escola, pois o conteúdo está disponível a todos. [...], como temática as
Pandemias na História: Impactos e Doenças na Sociedade, unindo conceitos da
História e da Biologia [...] com suas diferentes características e seus impactos na
sociedade, no desenvolvimento da Medicina e métodos de prevenção. (RUSCHEL;
TREVISAN; PEREIRA, 2020, n.p).
A escola utilizou estratégias de ensino bem atraentes para crianças e adolescentes,
como jogos on-line:
[...]- os jogos Assassin’s Creed Odyssey (Ancient Greece) e Assassin’s Creed
Origins (Ancient Egypt), da já consagrada franquia Assassin’s Creed, conhecida por
reproduzir períodos históricos com muita fidelidade, em uma versão totalmente
dedicada à educação em tempos de pandemia. Removeram os elementos do jogo que
envolviam luta, realização de missões e conquistas, e criaram o Discovery Tour, no
qual o jogador possui uma espécie de guia com áudio e texto –[...], feitas com os
mínimos detalhes por uma equipe multicultural de historiadores e arqueólogos.
Também há o site educacional Mozaik Education que possibilita a visualização de
recursos educacionais em três dimensões (3D) que facilitam a compreensão de
conceitos e estruturas que são complexas normalmente, principalmente no ensino de
Ciências e História. (RUSCHEL; TREVISAN; PEREIRA, 2020, n.p).
Os jogos proporcionam ao estudante grande aprendizado, pois ele interage em um só
tempo com várias informações, reforça o aprendizado com as tecnologias e instrumentos
tecnológicos, e percorre várias disciplinas, de maneira fluida e prazerosa. Reforçando a ideia
de Morin (2001), a educação deve privilegiar todas as disciplinas, sem limites entre elas, mas
na interdisciplinaridade, para que o conhecimento faça sentido ao estudante, por isso o autor
enfatiza a importância do contexto, o todo em toda sua complexidade.
A rede privada apresenta uma condição melhor para a continuidade do ensino
remoto do que a escola pública. Grande maioria das famílias já tinham uma internet
de qualidade e equipamentos necessários para que as aulas síncronas pudessem
acontecer. Diversos facilitadores têm a possibilidade de garantir aos alunos a
continuidade de seus estudos. Ferramentas como Google Meet, Formulários,
Kahoot, jogos com transmissão ao vivo, momentos de discussão de temas relevantes
para sociedade e comunidade escolar fizeram parte da vida escolar durante esse
período. (RUSCHEL; TREVISAN; PEREIRA, 2020, n.p)
Esse fato corrobora com as discussões que permearam o artigo em questão desde o
princípio. O relevante aumento da desigualdade social no contexto educacional brasileiro, que
perpassa por outros direitos básicos, como a alimentação, moradia e saúde. O direito a
educação, foi negligenciado em muitas realidades, pela falta de acesso às tecnologias para
estudantes da rede pública.
O cenário da pandemia trouxe à luz, de forma dramática e incontestável, as
contradições ligadas às desigualdades sociais, econômicas, educacionais, étnicas, de
gênero e de classe, que nos obrigam, enquanto sociedade, a fazer perguntas
inadiáveis, no que diz respeito aos caminhos para encontrar as soluções que
respeitem, acima de tudo, o direito a condições dignas de vida. (DOS SANTOS;
LIMA; DE SOUZA, 2020, p.1640).
Diante da exposição dos artigos selecionados para uma análise das estratégias de
ensino das escolas públicas e privadas, foi possível perceber a incansável busca dos
professores em manter o contato com os estudantes. O fator que merece destaque é a falta de
acesso às tecnologias, pois a escola pública não consegue atender todos os estudantes. Em
contrapartida, já havia muitos estudantes da rede privada que possuíam instrumentos
tecnológicos e acesso à internet. Por isso a importância em pensar estratégias.
Para enfrentar o risco da ampliação de desigualdades, ao lançar mão de estratégias
de ensino a distância, é preciso entender que a disposição de recursos tecnológicos é
heterogênea entre os alunos e que aqueles que já têm desempenho acadêmico melhor
tendem a se beneficiar mais das soluções tecnológicas. (TODOS PELA
EDUCAÇÃO, 2020, p.5).
Sendo assim, as estratégias de ensino inclusivas e pensadas em todas as realidades
apresentadas pelos estudantes, são de suma importância para que todos participem do ensino
escolar em tempos adversos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os estudos demonstraram o quanto as medidas iniciais de ensino adotadas para dar
continuidade ao contato da escola com os estudantes, foram difíceis e precisaram passar por
todo um processo de adaptação e formação, tanto por parte dos gestores e professores, como
por parte dos estudantes e familiares. Não foi fácil se preparar ao mesmo tempo em que a
pandemia já estava em curso e as aulas precisavam acontecer sem planejamento ou formação
prévia, no entanto, o esforço de toda a comunidade escolar, as trocas de conhecimento e
publicações de materiais de apoio e relatos de experiência e o fortalecimento da colaboração
entre família e escola, foram fundamentais para a melhora do processo de ensino-
aprendizagem e aperfeiçoamento das estratégias utilizadas desde do início do isolamento
social até os dias atuais.
REFERÊNCIAS
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