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Coma, Amor e Negócios: A-Nueng

A-Nueng continua em coma após três meses, enquanto a narradora, que começou um negócio de entrega de comida, se revezava com a avó de A-Nueng para cuidar dela. A relação entre a narradora e a mãe de A-Nueng, Piengfah, evolui, e elas discutem sobre o amor e as preferências de A-Nueng, revelando a complexidade de seus sentimentos. Em meio a isso, a narradora lida com suas próprias inseguranças e a pressão emocional da situação, enquanto busca apoio em um programa de rádio que A-Nueng gostava de ouvir.

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Coma, Amor e Negócios: A-Nueng

A-Nueng continua em coma após três meses, enquanto a narradora, que começou um negócio de entrega de comida, se revezava com a avó de A-Nueng para cuidar dela. A relação entre a narradora e a mãe de A-Nueng, Piengfah, evolui, e elas discutem sobre o amor e as preferências de A-Nueng, revelando a complexidade de seus sentimentos. Em meio a isso, a narradora lida com suas próprias inseguranças e a pressão emocional da situação, enquanto busca apoio em um programa de rádio que A-Nueng gostava de ouvir.

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46-A

Três meses se passaram... E A-Nueng ainda estava em coma.

Todos nós que esperávamos que a garota voltasse para nós, começávamos a perder a esperança. Chet,
que inicialmente ficou furioso ao descobrir que eu estava visitando a filha dele, agora agia como se nada
tivesse acontecido. A avó de A-Nueng e eu nos revezamos para ficar ao lado de sua cama. E enquanto
eu esperava ela voltar pra nós, também comecei meu negócio.

Sim... Meu serviço de entrega de comida.

Comecei aos poucos, usando o palácio como cozinha central e não aceitando muitos pedidos por dia.
Comecei a enviar amostras para a empresa da Sam.

Eu acreditei no boca a boca. A famosa amiga de Sam, Kate, também promoveu meu negócio
gratuitamente. Pouco tempo depois fiquei muito conhecida. Procurei trabalhadores de escritório que não
queriam sair para comer porque era muito caro e preferiam pagar pela entrega semanal de comida.
Simplesmente cozinhei de acordo com os menus que meus clientes escolheram.

Os lucros foram satisfatórios. Eu estava pensando em contratar cozinheiros para ajudar na cozinha e
encontrar um lugar para uma cozinha central maior. Mas por mais ocupada que eu estivesse com meus
negócios, nunca me esquecia de encontrar tempo para visitar a garota no hospital. E eu agia como se
A-Nueng não fosse um paciente... Ah, dava pra perceber que eu estava me enganando. Mas isso me
deixava feliz.

- Você deveria descansar um pouco, Khun Nueng. Eu posso ficar com ela.

-Não. Disse a mim mesma que se A-Nueng recuperasse a consciência, eu seria a primeira pessoa que
ela veria... Tudo bem, vou incluir você também, mãe - Ri um pouco. Eu estava começando a ter
conversas educadas com a avó de
A-Nueng. - Com sua permissão.

Peguei um gravador de voz que comprei há algum tempo. Usei ele pra gravar minha própria voz. Eu
contava histórias sobre o que acontecia todos os dias a A-Nueng, como se... Ela pudesse me ouvir e
compreender. Pelo menos, se ela ainda estivesse viva e respirando, saberia o que acontecia todos os
dias.

Me ouvir em seu sonho era melhor que nada...

- Khun Nueng você está aqui. Você me trouxe comida? - Piengfah, que ia visitar a filha e também se
revezava com a mãe, estendeu a mão para pedir comida. Ela era uma das minhas clientes que
continuava elogiando minha comida sem parar. - Ah... sua comida prolonga minha vida. Eu não quero
voltar.

-Amanhã?

- Sim... Mas volto logo. Acho que vou voltar pra cá.

Piengfah deveria retornar à Austrália no dia seguinte. Ela me contou isso com tristeza. Ela estava
preocupada com a filha, mas o marido exigiu que ela voltasse. No final, eles concordaram em se mudar
pra cá depois de consertar tudo lá. Se o marido não se mudasse, ela simplesmente se divorciaria dele.

Adivinha se o marido concordou? Claro... ela era sua esposa, afinal.


- Vou pra casa procurar roupas limpas. Fique com Khun Nueng primeiro, Fah

- Está bem.

Depois que a vovó saiu do quarto, Piengfah comeu e esqueceu as boas maneiras porque estava
morrendo de fome. Eu não pude deixar de rir disso. Minha melhor amiga olhou pra mim com o canto do
olho e suspirou.

- Não ria. Está delícioso.

- Não disse nada. Como quem cozinhou, fico feliz em ver você comendo assim.

- Você é tão talentosa. Invejo que A-Nueng - Piengfah olhou para a filha e torceu a boca. - Que tipo de
mãe sou eu pra dizer isso?

- Uma mulher louca... Ai - Fingi gritar quando Piengfah me bateu suavemente no ombro. Então eu ri. - O
que?

- Você. Você é tão fria com todos, mas tão gentil com minha filha. Em que sou diferente da minha filha?
Ela saiu de dentro de mim
- Piengfah fez beicinho. - E de todas as pessoas nesse mundo, você teve que se apaixonar por uma
garota de 19 anos como A-Nueng. Eu não entendo nada disso.

- Eu também não me entendo. Nunca entendi - Dei de ombros e concordei com Piengfah. - Você me
conhece desde que éramos crianças. Você sabe que nunca amei ou gostei de ninguém, seja homem ou
mulher. Acredite, quem mais se surpreende com isso sou eu... Não há razão quando se trata de amor.

- Se existisse não seria amor... Plutão? Eu li esse também.

- Você também lê romances?

- Encontrei quando estava mexendo nas coisas de A-Nueng. Antes que eu percebi, Ah... já estava no fim.
É um bom romance.

- Temos o mesmo gosto.

- Não quero deixar minha filha

- Não se preocupe, eu cuidarei dela.

- Posso confiar em você? - Piengfah me olhou com o canto do olho. Mostrei os dentes para ela porque
sabia que ela estava sendo sarcástica, como se estivesse dizendo para deixar a galinha com o monge ou
deixar o peixe com o gato.

- Mas chegamos até aqui... No final você fez com que todos nós fossemos gentis com você.

- A sério? Então você vai deixar A-Nueng e eu ficarmos juntas se ela voltar pra nós?

- É difícil dizer... Honestamente, Khun Nueng, quando eu estava apaixonada por você, valia tudo. Mas
quando é minha filha é diferente... Você é perfeita, mas ainda não... - Minha melhor amiga parecia que
tinha cocô de cachorro na boca. -Honestamente, ninguém é tão perfeita quanto você nesse mundo.
Estou sendo muito confusa.

Acho que entendi como Piengah se sentia. Quando você é mãe e vê que sua filha tem uma namorada,
você não pode deixar de se preocupar com ela porque isso não lhe parece natural.

Mas se não fosse eu, ninguém seria uma pessoa tão perfeita...

- Mas...

- Huh?

- Algo está em minha mente. Me deixe perguntar francamente agora que minha mãe não está aqui.

- Sobre?

- A-Nueng realmente tem essas preferências?

Meu queixo caiu quando ouvi a pergunta que minha melhor amiga tinha feito. Tanto o sujeito quanto
quem perguntou eram inadequados pra essa conversa, ou seja, uma mãe perguntando se sua filha é
sadomasoquista.

Como devo responder a isso...?

- Você está me deixando desconfortável.

- Você estava falando e falando então…

- Tem certeza de que pode aceitar?

- Me diga.

- A-Nueng gosta quando eu uso um bastão. Se tivermos cordas, ele gosta de ter as mãos e os pés
amarrados. Ele me pediu para aprender como amarrar em hojojutsu...

- Tudo bem, pare com isso... Eu não aguento mais. - Piengfah levantou a mão e sinalizou para eu parar. -
Tentei manter a mente aberta, mas bastou uma frase para deixar ela pasma. Vamos manter isso em
segredo entre vocês duas.

Eu ri até quase engasgar quando vi o rosto da minha amiga ficar vermelho. Ficou claro que ela não era
tão ousada quanto a filha.

- Então... Acho que sei como A-Nueng é parecida comigo.

- Huh?

- Você não quer tentar fazer isso comigo? Aí vou saber se você prefere a mãe ou a filha?

- Por favor, retorne o mais rápido possível para a Austrália.

- KKKKK.

Digamos que a família de A-Nueng e eu nos damos bem. Embora não tenha sido 100%, eles não
estavam tão contra mim como estavam quando ouviram falar de nós pela primeira vez. Talvez tenha sido
porque eu lhes mostrei que estava realmente apaixonada por ela e que levava nosso relacionamento a
sério. E tendo experimentado como é perder alguém importante pra você porque você forçou essa
pessoa a fazer o que você queria, vovó, Chet e Piengfah se acalmaram.

Eu, aquela que fingia ser forte na frente de todos, chorava incontrolavelmente quando estava sozinha. Eu
estava com medo de que um dia A-Nueng parasse de respirar. Agi como se tivesse certeza de que
A-Nueng voltaria para nós na frente de todos, mas na verdade estava com muito medo.

- Por favor, abra os olhos, A-Nueng. Por favor fale comigo .

Se A-Nueng me deixasse... Não haveria ninguém que eu pudesse amar nesse mundo.

Mas eu era alguém que se recuperava rapidamente. Depois de chorar, recuperei a compostura e
continuei lutando. Minha rotina diária incluía terminar meu trabalho, visitar a garota, registrar eventos
diários para A-Nueng e…

Ouvir a rádio.

Tornou-se minha rotina diária porque


A-Nueng disse que gostava. Também foi uma boa distração. Ouvir os problemas e tristezas dos outros
me lembrou que eu não era a única triste e com dor. Outros poderiam estar passando por coisas piores.

- Ah... - Procurei o telefone que normalmente usava para ouvir a rádio. Acontece que foi ao mesmo
tempo que a enfermeira entrou para verificar A-Nueng.
- Enfermeira. Você pode ficar com ela por um momento? Deixei algo no meu carro

- Claro.

Eu havia me apegado ao meu celular e àquele programa de rádio. Corri para o estacionamento para
pegar meu telefone no carro. Assim que consegui, abri a rádio via 4G para ouvir o programa. A pessoa
que ligou estava contando uma história, como sempre.

E me lembrei dessa história. Essa pessoa já tinha ligado antes... Era algo sobre gostar de alguém mas
não saber se expressar, então aquela pessoa pensava que a outra o odiava e não conseguiam
concordar. Ela devia ser fã daquele programa. Eu já tinha ouvido isso duas vezes.

Foi ela também quem... Recebeu um implante ocular e mudou depois de fazer isso. Ela continuou
sonhando com alguém até conseguir desenhar essa pessoa. E essa pessoa existia na vida real.

Ah... Era tão estranho.

Me sentei na varanda do estacionamento enquanto olhava as ruas cheias de luzes quentes. Peguei um
maço de cigarros que há algum tempo queria abrir. Muitas vezes me perguntei por que as pessoas
dependiam da nicotina. Eu peguei um, eles dizem que ajuda a relaxar quando se está estressado. A
maioria das pessoas recorria ao cigarro quando estava deprimido ou apenas queria ver como era. Mas
eu queria usá-lo para reduzir minha dor.

Mas como foi fumado?

-Você fez algo errado?

A voz de Chet me assustou. Raramente conversamos ultimamente. O pai de


A-Nueng estava com as mãos nos bolsos da calça enquanto olhava pra mim e ria um pouco. Eu parecia
uma criança problemática quando os olhos de Chet se desviaram para o maço de cigarros que eu
tentava esconder nas costas.

- Tarde demais. Me dê um.

- Huh?
Chet pegou o cigarro que tinha na minha mão e ergueu uma sobrancelha.

- Quem recomendou isso pra você? Também é bom. Boa escolha.

- Ah... Acho que vai ser refrescante quando eu fumar.

- Você pode mascar chiclete pra isso. Por que você fumaria...? Você pode me emprestar o isqueiro? - Eu
dei a ele o que ele pediu. Chet olhou para o isqueiro e riu como se me adorasse. - Você comprou mas
não tirou nada da embalagem? Que novata em ser uma garota má.

- Pare de falar tanto - Tirei um dos meus fones de ouvido para poder ouvi-lo claramente, mas também
estava ouvindo o programa com o outro ouvido. - Você fuma?

- Experimentei quando estava no exterior. Eu não sou viciado. Eu só queria experimentar... Por que você
não tenta também?

- Você não vai me impedir?

- Você já pagou por isso. Não desperdice. Experimente.- Chet me entregou um. Eu perderia se não
pegasse, então peguei e coloquei na boca. Chet acendeu ele pra mim. - Inale.

- Não me diga o que fazer. Vou inalar quando quiser - Dei de ombros antes de inalar o mais friamente
que pude. Então eu engasguei.

- Você é tão engraçada. Não fica bem em você.

Saiu líquido do meu nariz e olhos. Eu já estava cansado de fumar. Minha garganta também fedia, e uma
pontada aguda de frio percorreu meu cérebro devido ao sabor de menta. Bem. Me rendo. Assumirei a
personalidade de sempre como a grande genial M.L. Sippakorn de antes (sem fumar) e dei os cigarros
para Chet.

- Você pode ficar com o pacote inteiro.

- Obrigado.

Olhamos novamente em silêncio para as ruas cheias de luzes. Olhei para o pai de
A-Nueng, que estava brigando comigo nos últimos meses. Eu realmente não entendi o que estava
acontecendo.

- Por que você está falando comigo? Você não está mais com raiva de mim?

- Ficarei com raiva de você por toda a minha vida.

- Estou apenas fazendo uma pausa. Estou cansado. - Chet esfregou os olhos como se estivesse muito
cansado. - Não durmo bem há muitos meses. Estou estressado por causa da minha filha... Estou em
constante estado de medo. Se eu também te odiar, o vaso sanguíneo do meu cérebro pode estourar.

- Eu entendo porque você está tão bravo comigo

-Eu te amei o tempo todo. Não fiquei bravo quando você fugiu do nosso casamento. Mas... A questão de
A-Nueng é muito delicada pra mim. Você pode dizer que estou exagerando, mas eu amo minha filha...
Muito. Mesmo que eu não a tenha criado, eu realmente a amo, adoro e tenho pena dela. Estou muito
bravo comigo mesmo porque pensei que ela não existia há mais de dez anos. Por isso, quando a
conheci, queria ser um bom pai. Mas minha raiva a levou a isso.

- Não te culpo apenas por isso. Todos nós a pressionamos até que tudo acabasse assim.

- Se você pudesse voltar no tempo, sabendo que ela sofreria um acidente de carro como esse, você
ainda tentaria nos separar? Você ainda ficaria com tanta raiva de nós?

- Eu deixaria, mas não a deixaria entrar naquele carro.

- Tão mal.

- Você não assistiu as filmagens como eu.

Quando ele disse isso, meu rosto ficou vermelho. Limpei a garganta e chutei o ar. Maldito. Ele não
precisava ser tão direto.

- Se A-Nueng recuperar a consciência, você ainda tentará nos separar?

- Não sei.

- Mas o que aconteceu me ensinou muito. Devemos ser bons com os outros enquanto podemos... A vida
de A-Nueng é dela. Como pais, só podemos apoiá-la da melhor maneira possível. Não concordo com
ela, mas se ela voltar pra nós.

- Por favor, cuide dela pra mim.

Minhas lágrimas estavam chegando, mas eu pisquei para contê-las. Não foi uma permissão.
Simplesmente não sabia o que fazer. Ela tinha que agradecê-lo por tentar ser um bom pai, embora sua
filha não tivesse recuperado a consciência.

- Oque esta escutando? Eu vi que você estava com seus fones de ouvido enquanto conversávamos.

- É um programa de rádio que A-Nueng gosta de ouvir, compartilhei um dos meus fones de ouvido com
ele. - Você pode ouvir enquanto fuma.

- Eu me sinto como um garoto do ensino médio compartilhando fones de ouvido com seu namorado.

- Foi assim que você se envolveu com Fah?

- Não. Eu me envolvi com ela graças a você

- Louco.

Eu ri e nós dois ficamos em silêncio para ouvir o interlocutor. A atual estava encerrando sua história e o
DJ voltou-se para a última chamada do dia.

- Você está no ar, A. Você pode começar a compartilhar sua história.

Sorri ao ouvir o nome, sabendo que era um pseudônimo porque também usei isso quando liguei. Foi
assim que aconteceu. Quem liga pode usar qualquer nome. Ninguém usaria seu próprio nome em um
programa como esse.

- Meu nome é A e tenho 19 anos.

Uau... a mesma idade de A-Nueng.

- Sou fraca desde que nasci. É o resultado da tentativa fracassada da minha mãe de me abortar.

Oh? Eu me endireitei e me concentrei na história do interlocutor porque é... Muito familiar.

- Minha avó me criou. Ela sempre foi muito rígida porque tinha medo que eu engravidasse e que a
criança não tivesse um pai como minha mãe. Para ser sincera, não estou nem um pouco brava com
minha avó. Eu a entendo bem. A decepção sobre a minha mãe a fez ter uma visão sombria do mundo.
Ela não me permitiu ter amigos porque tinha medo que eu tivesse uma má influência. Então eu me sentia
um pouco solitária o tempo todo. Ah... Você não precisa perguntar sobre meninos.
Ninguém podia chegar perto de mim. Mesmo que houvesse alguns que chegassem... Eu não estava
interessada em ninguém. Um dia conheci uma pessoa... Desde a primeira vez que a vi... Para ser exata,
devo dizer que na primeira fração de segundo que vi aquela pessoa, congelei. Eu não conseguia tirar os
olhos daquela pessoa. Disse para mim mesma: “Essa é a pessoa que sempre sonhei conhecer”. Ah... ela
é uma mulher. Ela estava desenhando no mercado.

Meu coração estava batendo forte. Me afastei lentamente do estacionamento. Embora eu não tivesse
certeza, algo me dizia que eu precisava voltar rapidamente.

Agora mesmo!

- Oh? Você já vai? - Chet, que estava curtindo o programa de rádio, me olhou com curiosidade enquanto
eu fugia quando o fone caiu de sua orelha. - O que há de errado, Khun Nueng?

- Agora não, Chet. Agora não!

- Khun Nueng!

Minha pressa fez Chet perceber algo e correr atrás de mim. Coloquei os fones de ouvido que emprestei a
Chet e saí correndo do estacionamento para voltar ao quarto de paciente o mais rápido que pude.

- Eu não sou uma pessoa falante. Eu me comporto muito bem. Mas com essa mulher, agi de forma tão
tola. Tanto que pareço mais com a filha dela do que com alguém que estava flertando com ela. Eu só
queria estar perto dela, sabe. Nossa diferença de idade é de 16 anos. O mais surpreendente é que ela é
amiga da minha mãe. É como um romance, certo? Essa tia é amiga da minha mãe e ex-noiva do meu
pai.

Acabei de perder o elevador. Fiquei ansiosa. Esperar que subisse e descesse era muito frustrante. Meu
coração disparou e pensei que poderia ter um ataque cardíaco se continuasse acelerando daquele jeito.
O elevador estava mais lento do que meu coração aguentava. Parecia parar em todos os andares, como
se alguém estivesse pressionando ele pra parar só por diversão. No final, não consegui esperar mais e
subi correndo as escadas de emergência até o sétimo andar.

O andar onde A-Nueng está...

- A tia revelou que ela não era ninguém. Até minha avó, que a princípio a desprezou, ficou surpresa ao
saber que... A tia tinha um título de M. L… Ela fala três idiomas: tailandês, inglês e russo. E ela era a
baterista principal quando eu estava na escola. Ela era uma rainha. Meu Deus... como pode haver
alguém tão perfeita nesse mundo?
Primeiro andar.

- Depois que minha avó descobriu quem era ela, a admirou muito. Então ela me deixou sob seus
cuidados. Ficamos próximas... Ela também se tornou minha tutora.

Segundo andar.

- Ela também foi ao evento do Dia das Mães da minha escola. Você pode dizer que ela é meu tudo... Me
desculpe. Minha voz está um pouco trêmula.

Terceiro andar.

- Ela era minha tutora. Ela me ajudou em tudo até que eu orgulhosamente entrei em uma universidade
de prestígio. Não é ótimo?

Quarto andar.

- Recebi uma recompensa quando entrei na universidade. Nos beijamos. Foi assim que tudo começou...
Você não ouviu errado. Nós duas somos mulheres. Temos 16 anos de diferença. E nós nos beijamos.

Quinto piso.

- Nós cruzamos a linha e vamos longe. É incrível que uma pessoa tão estimada e perfeita tenha se
apaixonado por mim. Ela é uma M.L. Ela é muito bonita. Ela não estava interessada no filho do ex
primeiro ministro ou em qualquer homem importante. Mas ela disse que me amava... Eu não ficaria tão
feliz nem se ganhasse o maior prêmio da loteria.

Sexto andar.

- A voz dela foi a primeira coisa que ouvi quando recuperei a consciência.
Enquanto estava inconsciente, sonhei com ela o tempo todo. Provavelmente porque pude ouvir a voz
dela, a voz que se filtrava pelo meu cérebro, pela minha memória e pelo meu sono. Pareço realmente
obcecada por ela, não é? Talvez eu tenha me apaixonado por ela desde o ventre de minha mãe. Talvez
eu tenha dito a mim mesma desde que fui concebida que... Ela é o meu destino. Eu amarei essa pessoa,
mesmo que seja uma mulher.

Sétimo andar...

Finalmente cheguei ao andar de A-Nueng. Quase vomitei porque corri sem fazer uma pausa. Minhas
lágrimas correram pelo meu rosto enquanto ouvia a garota falar. Tive que me dar um tapa para ter
certeza de que não era um sonho.

Não acredito. Eu não estava sonhando.

- Eu cheguei até aqui... Acho que você está ouvindo. Por favor, permita-me anunciar isso.

Fui lentamente até a frente do quarto de


A-Nueng. Eu tinha muito medo da decepção. Fiquei com medo de que não fosse o que eu pensava. Eu
poderia cair de cara no chão se fosse esse o caso. Então fiquei lá e não ousei abrir a porta. Mas pensei
que o radialista soubesse...

- Tia Nueng! Já falei muito. Você já deve saber que essa é a nossa história. Volte para a sala nesse
instante!
- Estou acordada!

Ao final dessa declaração, abri a porta e vi A-Nueng sentada na cama, me dando seu lindo sorriso .

- Corra e me abrace. Estou na cama há tanto tempo que não tenho mais forças para... Ah, você é tão
forte, Nueng.

A risada de A-Nueng se transformou em choro assim que a abracei. Foi o mesmo pra mim. Chorei como
um bebê porque estava muito feliz porque esse dia finalmente chegou.

A garota estava acordada!

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