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Ressonância em Circuitos RLC Série

O capítulo aborda o fenômeno da ressonância em circuitos RLC, destacando sua importância em aplicações como comunicação e filtragem de frequências. A ressonância ocorre quando a reatância indutiva e capacitiva se igualam, resultando em uma impedância mínima e corrente máxima no circuito. O texto também discute as características de circuitos ressonantes e a operação de filtros RLC série passa-faixa.

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Ressonância em Circuitos RLC Série

O capítulo aborda o fenômeno da ressonância em circuitos RLC, destacando sua importância em aplicações como comunicação e filtragem de frequências. A ressonância ocorre quando a reatância indutiva e capacitiva se igualam, resultando em uma impedância mínima e corrente máxima no circuito. O texto também discute as características de circuitos ressonantes e a operação de filtros RLC série passa-faixa.

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Capítulo 5 RESSONÂNCIA

Circuitos que contêm indutância e capacitância podem apresentar


o fenômeno denominado de ressonância que é importante em
muitas aplicações. A ressonância é a base para a seletividade de
freqüência em sistemas de comunicação. A capacidade de um
receptor de rádio ou televisão selecionar certa freqüência que é
transmitida por uma estação particular e, ao mesmo tempo,
eliminar freqüências de outras estações está baseado no princípio
da ressonância. Em sistemas de potência, o princípio da
ressonância é usado na filtragem de freqüências indesejadas à
operação adequada de uma carga.

As condições em um circuito RLC que produzem ressonância e as


características de circuitos ressonantes são abordadas neste
capítulo.

A ressonância pode ocorrer em circuitos RLC de estrutura série,


paralela ou mista.

5.1. Ressonância Série

Lembrando que reatância capacitiva varia com o inverso da


freqüência e que reatância indutiva varia diretamente com a
freqüência, o efeito combinado dessas reatâncias como função da
freqüência será examinado nesta seção.

No circuito RLC série, mostrado na Figura 5.1, será avaliado o


comportamento das reatâncias XL e XC e da corrente com a
freqüência da fonte de tensão senoidal.

Figura 5.1: Circuito Ressonante Série

A impedância do circuito é dada por:

Profa Ruth Leão Email: rleao@[Link]


5-2

Z = R + jX L − jX C
(5.1)
= Z ∠ ±θ

2

+ ⎜ ωL −
1 ⎞
Z = R2 ⎟
⎝ ω C ⎠ (5.2)
−1
⎡ ωL − (1 / ωC ) ⎤
θ = ±tg ⎢ ⎥⎦
⎣ R

Pela equação de Z, verifica-se que para valores baixos de f ou ω,


XC é alto e XL é baixo e o circuito assume características
capacitivas (ângulo da impedância negativo). À medida que a
freqüência cresce, XC decresce e XL aumenta até que XC=XL e as
duas reatâncias se cancelam tornando o circuito puramente
resistivo. Quando em um circuito RLC série XC=XL é dito que o
circuito está em ressonância. A freqüência em que ocorre a
ressonância é denominada de freqüência ressonante, ω0. Se a
freqüência cresce ainda mais XL torna-se maior do que XC, e o
circuito é predominantemente indutivo (ângulo da impedância
positivo).

Capacitivo Indutivo:
XC > XL XL > XC

Figura 5.2: Variação da impedância com a freqüência.

Na ressonância a magnitude da impedância é mínima, Z=R, e XL e


XC têm a mesma magnitude de modo que a freqüência ressonante
é dada por:

X L =X C (5.3)

Profa Ruth P. S. Leão Email: rleao@[Link] URL: [Link]/~rleao


5-3

1
fo = (5.4)
2π LC

Quaisquer que sejam os valores de L e C haverá sempre uma


frequência para a qual surge o fenômeno de ressonância,
designada por frequência de ressonância (f0).

Na frequência ressonante f0, a impedância do circuito da Figura 5.1


torna-se:

Z=R

ou seja, a impedância atinge na ressonância série o seu


valor mínimo possível, igual ao valor da sua parte real
(resistência). Para um dado valor da tensão aplicada ao bipolo
a corrente será máxima à frequência de ressonância.

Considerando que a amplitude da fonte de tensão permanece


constante à medida que sua freqüência varia, a amplitude da
corrente aproxima-se de zero para valores pequenos e grandes de ω.
− O capacitor impede a passagem de corrente a freqüências
baixas.
− O indutor impede a passagem de corrente a freqüências altas.

A magnitude da corrente no circuito é dada por:

V
I= (5.5)
R 2 +(ωL − 1 / ωC )2

A corrente atingirá valor máximo quando a freqüência for tal que


ω0L=1/ω0C, sendo ω0 a freqüência ressonante do circuito. O ângulo
da corrente é definido por:
−1
⎛ ω L − (1/ ωC ) ⎞
θ = ∓tg ⎜ ⎟ (5.6)
⎝ R ⎠

Para frequências abaixo de ω0 o circuito apresenta natureza


capacitiva (XC>XL), a corrente é adiantada da tensão e o ângulo da
corrente é positivo. Ao contrário, para frequências acima de ω0 o
circuito é indutivo, a corrente é atrasada da tensão e o ângulo da
corrente é negativo. O gráfico da magnitude e do ângulo da

Profa Ruth P. S. Leão Email: rleao@[Link] URL: [Link]/~rleao


5-4

corrente versus freqüência assume a forma mostrada nas Figuras


5.3 e 5.4.

Figura 5.3: Amplitude da corrente variando com a freqüência.

Ângulo de Fase da Corrente


◊ (grau)

ω◊ (rad/s)

Figura 5.4: Ângulo da corrente versus a freqüência.

Na ressonância a corrente é limitada somente pela resistência do


circuito como mostra a Figura 5.5. Quanto maior a resistência,
menor a corrente na ressonância, e vice-versa.

Profa Ruth P. S. Leão Email: rleao@[Link] URL: [Link]/~rleao


5-5

Figura 5.5: Variação da corrente para R grande e pequeno.

Com base nas Figuras 5.2 e 5.5, um circuito ressonante série tem
impedância mínima e corrente máxima na freqüência ressonante
ω0. Assim, na freqüência ressonante a tensão de entrada é
aplicada sobre o resistor.

Embora as reatâncias indutiva e capacitiva se anulem na


ressonância, a queda de tensão sobre cada um dos componentes
RLC do circuito não é nula. Na ressonância série, as tensões sobre
o indutor e sobre o capacitor são iguais em magnitude e defasadas
de 180º.
IXL

V
I IR

IXC
Figura 5.6: Diagrama fasorial de circuito RLC série em ressonância.

A queda na resistência é obtida por divisor de tensão:

R
VR = I R = VF (5.7)
2
⎛ 1 ⎞
R + ⎜ ωL −
2

⎝ ωC ⎠

A tensão no resistor, VR, varia proporcionalmente à corrente⏐I⏐e


tem o mesmo perfil da corrente.
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5-6

De modo semelhante, as quedas na capacitância e indutância são


dadas, respectivamente, por:

VC = I
1
=
(1ωC) VF (5.8)
ωC ⎛ 1 ⎞
2

R 2 + ⎜ ωL − ⎟
⎝ ωC ⎠

ωL
VL = I ωL = VF (5.9)
2
⎛ 1 ⎞
R 2 + ⎜ ωL − ⎟
⎝ ωC ⎠

A Figura 5.7 mostra as curvas de queda de tensão na resistência,


indutância e capacitância de um circuito série em função da
freqüência. A tensão VR tem seu valor máximo na freqüência
ressonante. A curva de VR é a imagem da curva I, pois VR=RI.
|VF|
vL

vR
vC

ω0

Figura 5.7: Tensão sobre resistor, indutor e capacitor.

Note que a tensão no capacitor é igual a da fonte, VC = VF, quando


f=0, porque nesta condição o capacitor oferece oposição infinita à
passagem de corrente, ou seja, é aberto. O valor máximo da
tensão no capacitor acontece para um valor de freqüência menor
do que a freqüência ressonante. Na ressonância XC é decrescente
(XC↓, f↑), ao passo que, na ressonância, a corrente não varia (a
declividade é nula). A queda ⏐VC⏐=⏐I⏐XC deve, portanto, ser
decrescente. Conseqüentemente, a queda tem atingido seu valor
máximo antes da ressonância.

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5-7

Figura 5.8: Tensão VR, VL e VC.

Dependendo dos parâmetros do circuito RLC série, a tensão


máxima sobre o capacitor pode ser maior que a tensão da fonte,
como pode ser visto na Figura 5.8.

Para encontrar a freqüência à qual a magnitude de |VC| é máxima,


é obtida a derivada de ⏐VC⏐ (Equação 5.8) em relação à ω e então
calculado o valor de ω que torna a deriva nula.

d VC
=−
[( )
VF (1 2) 2 1 − ω 2 LC (− 2ωLC) + 2ωR 2 C 2 ]
[(1 − ω ]
(5.10)
dω )
32
LC + ω R C
2 2 2 2 2

O valor de ω maior do que zero que torna a derivada nula é:

2
1 1⎛R⎞
ωV = − ⎜ ⎟ (5.11)
C max
LC 2 ⎝ L ⎠

Observe que ωmax < ω0. Substituindo ωmax em ⏐VC⏐, determina-se o


valor máximo de tensão a que o capacitor é submetido, i.é.

( )
VF
VC ωVC max = (5.12)
R 2C ⎛ R 2C ⎞
⎜1 − ⎟
L ⎝ 4L ⎠

O valor de capacitância para o qual a queda de tensão no capacitor


é máxima é obtido a partir da derivada de |VC| em relação a C, i.é.

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5-8

d VC
=0
dX C
(5.13)
L
C max = 2
R +X L 2

Substituindo (5.13) em (5.8) obtém-se o valor máximo de queda de


tensão sobre o capacitor com a variação de C:

VF
VC ,max =
XL ⎛ R 2 + X L2 ⎞
R +⎜ XL −
2

R + X L2
2
⎝ XL ⎠
VF (5.14)
=
⎛ 1 ⎞
BL R 2 + ⎜ X L − ⎟
⎝ BL ⎠

em que BL representa a susceptância indutiva do circuito série,


definida como:

XL
BL = (5.15)
R 2 + X L2

Note também que VL tende a VF quando f tende a infinito, i.e., toda


tensão da fonte é transferida para o indutor. A queda máxima de
tensão no indutor ocorre após a ressonância. No caso de
⏐VL⏐=⏐I⏐XL, tanto ⏐I⏐ como XL são crescentes antes da
ressonância e o produto deve ser crescente. Na ressonância, ⏐I⏐
não está variando, mas XL é crescente e, portanto, a queda é
crescente. A queda continua a crescer até que a diminuição de
corrente compense o aumento em XL. Este ponto pode ser
determinado por:



d VL ⎜ L
( ⎛
ωL ωL − 1ωC ⎜ L + C

) ⎞⎞
2 ⎟⎟
(ωC) ⎠ ⎟
=⎜ − ⎟ ⋅ VF (5.16)

( ) ( )
1 2 2 32
⎛ 2 1
2
⎜⎜ ⎜ R + ωL − ωC ⎟⎞ ⎛
⎜ R + ωL − ωC ⎟
2 1 ⎞ ⎟⎟
⎝⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎠

O valor de ω que torna a derivada nula, e que, portanto


corresponde ao valor máximo de ⏐VL⏐ é dado por:

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5-9

L ± L2 − 4C 2 R 2
ωV = (5.17)
L max
2C 2 R 2

O valor de indutância para o qual a queda de tensão através do


indutor é máxima é obtido a partir da derivada de |VL| em relação a
L, i.é.

d VL
=0
dX L
(5.18)
1 ⎛ R 2 +X C 2 ⎞
L max = ⎜⎜ ⎟⎟
2πf ⎝ XC ⎠
ou
(
L max = C R 2 + X C 2 ) (5.19)

A ressonância pode ser produzida num circuito série variando-se


ou f, ou L, ou C. As características gerais de um circuito em
ressonância são as mesmas, indiferentemente de qual seja o
parâmetro variado para produzir ressonância.

5.1.1 Filtro RLC Série Passa-Faixa

Um filtro passivo Passa-Faixa é um circuito que permite a


passagem de sinais de tensão e corrente com freqüências situadas
numa faixa intermediária, atenuando os sinais com freqüências
abaixo ou acima dessa faixa. A faixa intermediária é delimitada por
uma freqüência de corte inferior (ωCI) e uma freqüência de corte
superior (ωCS).

Em um filtro passa-faixa ideal:


− Para sinais de freqüência intermediária, ou seja, acima da
freqüência de corte inferior e abaixo da freqüência de corte
superior do filtro, o ganho é unitário, portanto, o módulo do sinal
de saída é igual ao de entrada.
− Para sinais de freqüências abaixo da freqüência de corte inferior
ou acima da freqüência de corte superior o ganho do filtro é
nulo, ou seja, o módulo do sinal de saída é totalmente atenuado.

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5-10

Figura 5.9: Resposta de Filtro Ideal Passa Faixa.

Um circuito RLC como o apresentado na Figura 5.10 pode


comportar-se como um filtro Passivo Passa-Faixa real.
Vout

Figura 5.10: Circuito de um Filtro Passivo Passa-Faixa Série.

Um filtro Passa-Faixa é baseado na ressonância que ocorre entre


indutores e capacitores em circuitos ca. Como visto nas Figuras 5.7
e 5.8, na freqüência ressonante a tensão nos terminais do resistor
é igual à tensão de entrada do circuito, portanto, um circuito RLC
série com saída em R apresenta característica de um filtro passa
banda com saída máxima na freqüência ressonante.

Para sinais de freqüências baixas o indutor do circuito da Figura


5.10 apresenta baixa reatância indutiva e tende a comportar-se
como um curto-circuito, porém, o capacitor apresenta alta reatância
capacitiva e tende a comportar-se como um circuito aberto. Desta
forma, a maior parcela da tensão de entrada estará sobre o
capacitor e a tensão sobre o resistor de saída será muito baixa, ou
seja, o sinal será atenuado. Pode-se dizer que o circuito “impede a
passagem” de sinais de baixa freqüência.

Para sinais de freqüências altas o capacitor apresenta baixa


reatância capacitiva e tende a comportar-se como um curto-circuito,
porém, o indutor apresenta alta reatância indutiva e tende a
comportar-se como um circuito aberto. Desta forma, a maior
parcela de tensão de entrada estará sobre o indutor e a tensão
sobre o resistor de saída será muito baixa, ou seja, o sinal será
atenuado. Pode-se dizer que o circuito “impede a passagem” de
sinais de alta freqüência.

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5-11

Para sinais de freqüências intermediárias, ou seja, sinais cujas


freqüências estiverem numa faixa próxima à freqüência de
ressonância do circuito, o indutor e o capacitor juntos apresentarão
baixa reatância e tenderão a comportarem-se como um curto
circuito. Desta forma, a maior parcela da tensão de entrada estará
sobre o resistor de saída. Pode-se dizer, então, que o circuito
“deixa passar” sinais dentro de uma determinada faixa de
freqüência.

[Link] Ganho e Fase

Para o circuito da Figura 5.10, a tensão de saída em função da


tensão de entrada pode ser dada pela expressão:
R
Vout = ⋅Vin (5.20)
R + j ( X L − XC )

Ou ainda:

Vout R
= ⋅ (5.21)
Vin ⎛ 1 ⎞
R + j ⎜ωL −
⎝ ωC ⎟⎠

Operando na Eq. 5.21, obtém-se:

Vout 1
= (5.22)
Vin ⎛ ωL 1 ⎞
1+ j ⎜ − ⎟
⎝ R ω RC ⎠
Ou

Vout 1
=
Vin ⎛ 1 − ω 2 LC ⎞
1− j ⎜ ⎟
⎝ ω RC ⎠

Portanto, a função de transferência para um Filtro Passa-Faixa é


dada por:

1
H ( jω ) = (5.23)
⎛ ωL 1 ⎞
1+ j ⎜ − ⎟
⎝ R ω RC ⎠

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5-12

Verifica-se que a função de transferência H(jω) é uma grandeza


complexa e que o Ganho de Tensão é dado pelo módulo da
Função de Transferência e a Fase é o ângulo, na forma polar.
Portanto, as expressões para o Ganho de Tensão e a Fase para
um filtro Passa-Faixa Série são, respectivamente:

1
GV = H ( jω ) = (5.24)
2
⎛ 1 − ω 2 LC ⎞
1+ ⎜ ⎟
⎝ ω RC ⎠

⎛ 1 − ω 2 LC ⎞
∠H (ω ) = α = tg −1 ⎜ ⎟ (5.25)
⎝ ω RC ⎠

O ângulo α define a diferença de fase entre tensão de saída e de


entrada.

Um circuito que inclui dois elementos de armazenamento (dois


capacitores, ou dois indutores, ou um capacitor e um indutor)
pertence à categoria de filtros de 2ª ordem.

[Link] Freqüência de Corte

A faixa ou banda de passagem é uma importante característica de


um circuito ressonante. A banda de passagem é a faixa de
freqüências para a qual a resposta da saída do circuito é igual ou
maior do que 70,7% de seu valor de entrada. Note que no circuito
da Figura 5.10 a tensão de saída Vout é a imagem da corrente no
circuito RLC.

Em um circuito RLC série a tensão VR é máxima na freqüência de


ressonância e cai para freqüências inferior e superior a ω0. A Figura
5.11 ilustra a banda de passagem na curva resposta de um circuito
RLC série. Note que ω1 anterior a ω0 corresponde ao ponto em que
a corrente no circuito ou a tensão de saída sobre o resistor é
I=0,707Imax, ou ainda, Vout=0,707Vin e é comumente chamada de
freqüência de corte inferior. A freqüência ω2 acima de ω0 onde a
corrente é novamente 0,707Vin corresponde à freqüência de corte
superior. Outras denominações para ω1 e ω2 são freqüências
críticas, freqüências de -3 dB, e freqüências de meia potência.

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5-13

Figura 5.11: Banda de passagem em um circuito RLC série ressonante.

A expressão para a banda de passagem é, pois, definida como a


diferença de freqüência correspondente a 1/√2=0,707 do valor
máximo.

β = ω 2 − ω1 = f 2 − f1 (5.26)

Segundo a Figura 5.11, a banda de passagem β corresponde à


faixa de freqüência para a qual a amplitude da tensão de saída é
dada por:

1 V
Vout = VR ≥ VR (ω0 ) = in (5.27)
2 2

O ganho na freqüência de corte é dado por:

Vout 1
GV (ωc ) = = = 0, 707 (5.28)
Vin 2

Então, com base na Eq. 5.24, para um Filtro Passa-Faixa RLC


série tem-se que:

1 1
= (5.29)
2
2 ⎛ 1 − ω 2 LC ⎞
1+ ⎜ ⎟
⎝ ω RC ⎠
que resulta em

Profa Ruth P. S. Leão Email: rleao@[Link] URL: [Link]/~rleao


5-14

2
⎛ 1 − ω 2 LC ⎞
1+ ⎜ ⎟ =2
⎝ ω RC ⎠
1 − ω 2 LC
=± 1
ω RC

Esta igualdade fornece duas equações de 2º grau:

ω 2 LC + ω RC − 1 = 0
(5.30)
ω 2 LC − ω RC − 1 = 0

Resolvendo essas equações quadráticas para ω resulta em 4


raízes (duas raízes por equação). Duas dessas raízes serão
negativas, sem significado físico uma vez que ωc>0, e as outras
duas raízes positivas representarão as freqüências de corte
superior e inferior.

Como a expressão do ganho é de 2a ordem, obtém-se duas


equações de 2o grau, cada uma com duas soluções que
corresponderão à freqüência de corte superior e à freqüência de
corte inferior do filtro passa-faixa série:

2
R ⎛ ⎞
R 1
ω 1= − + ⎜ ⎟ +
2L
⎝ 2L ⎠ LC
(5.31)
2
R ⎛R⎞ 1
ω 2= + ⎜ ⎟ +
2L
⎝ 2L ⎠ LC

Substituindo a Equação 5.31 em 5.26, a largura da faixa de


passagem torna-se:

R
β = ω 2 − ω1 = [rad/s] (5.32)
L

As freqüências críticas ω1 e ω2 podem então ser re-escritas em


função de β e de ω0:

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5-15

β 2
ω 1= − + ⎛⎜ β ⎞⎟ + ω 02
2 ⎝2⎠
(5.33)
β ⎛β ⎞
2

ω 2= + ⎜ ⎟ + ω 02
2 ⎝2⎠

[Link] Freqüência Central

A freqüência central de um filtro passa-faixa ocorre justamente na


freqüência de ressonância e é dada pela média geométrica das
freqüências de corte, i.é.

ω0 = ω1ω2 [ rad s] (5.34)

Em casos ideais (R muito pequeno) a freqüência ressonante está


centralizada e pode ser definida como:

ω1 + ω 2
ω0 = (5.35)
2

Na condição de ressonância o ganho será unitário, pois, toda a


tensão de entrada estará disponível na saída. Assim,

1
GV ( jω0 ) = =1 (5.36)
2
⎛ 1 − ω LC ⎞ 2
1+ ⎜ ⎟
⎝ ω RC ⎠

Para isso:

1 − ω 2 LC = 0 ∴
1 (5.37)
ω0 =
LC

[Link] Freqüências de Meia Potência

A potência do sinal correspondente à faixa de freqüência Δω = ω2 -


ω1 é dada por:
⎛ I (ω0 ) ⎞
2 2
1 Vin
P ≥ R ⋅⎜ ⎟ = ⋅ (5.38)
⎝ 2 ⎠ 2 R

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5-16

que corresponde à metade da potência do circuito ressonante.

1
O ponto de operação em que Vout = Vin é denominado de meia
2
potência.

As freqüências de corte inferior e superior são também


denominadas de freqüências de meia potência. Tal denominação
advém do fato de que a potência de saída a essas freqüências é
metade da potência entregue pela fonte na condição de
ressonância, ou seja, na ressonância,

Pmax = I max ⋅ R
2
(5.39)

A potência em ω1 ou ω2 é:

Pω1 = I ω1 ⋅ R
2

= (0,707 I max ) ⋅ R = (0,707 ) ⋅ I max ⋅ R


2 2 2

(5.40)
= 0,5 ⋅ I max ⋅ R
2

= 0,5Pmax

[Link] Decibel (dB)

O Decibel é uma medida logarítmica da relação entre duas


grandezas físicas de mesma natureza, sendo adotado para
expressar o ganho nas curvas de resposta em freqüência de
circuitos eletrônicos. O nome Decibel deriva do sobrenome de
Alexander Graham Bell. Os logaritmos são usados para comprimir
escalas quando a faixa de variação de valor é muito ampla. O
Decibel (dB) equivale a um décimo de um Bel (B).
O decibel para a relação entre potência de saída e potência de
entrada de um filtro é expresso como:

⎛P ⎞
dB = 10 log10 ⎜ out ⎟ (5.41)
⎝ Pin ⎠

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5-17

Na freqüência crítica ou de corte a potência de saída é 50% da


potência de entrada, como visto na Equação 5.40. Assim, os
decibéis para esta condição de operação correspondem a:

dB = 10log10 ( 0,5) = −3db (5.42)

A freqüência de corte ou de meia potência é também conhecida


como freqüência de -3 dB.

As potências médias de entrada e de saída são dadas por:


Vin2
Pin = (5.43)
Rin
e
2
Vout
Pout = (5.44)
Rout

Calculando o ganho de potência em dB, tem-se:

⎛ Vout
2

⎛P ⎞ ⎜ R ⎟ ⎛ Vout
2
⋅ Rin ⎞ ⎡⎛ V ⎞ 2 R ⎤
= 10 log ⎜ out ⎟ = 10 log ⎜ 2 out ⎟ = 10 log ⎜ 2 ⎟ = 10 log ⎢⎜ ⎟ ⋅ ⎥
out in
[Link]
⎝ Pin ⎠ V
⎜⎜ in R ⎟⎟ ⎝ Vin ⋅ Rout ⎠ ⎢⎣⎝ in ⎠
V Rout ⎥

⎝ in ⎠
2
⎛V ⎞ ⎛ R ⎞
GP ,dB = 10 log ⎜ out ⎟ + 10 log ⎜ in ⎟
⎝ Vin ⎠ ⎝ Rout ⎠ (5.45)
⎛V ⎞ ⎛ Rin ⎞
= 20 log ⎜ out ⎟ + 10 log ⎜ ⎟
⎝ Vin ⎠ ⎝ Rout ⎠

Como o ganho de tensão é a relação entre a tensão de saída e a


tensão de entrada, pode-se concluir da equação 5.45 que o ganho
de tensão em dB é calculado pela expressão:

⎛V ⎞
GV ,dB = 20 log ⎜ out ⎟ (5.46)
⎝ Vin ⎠

Em condição de operação de casamento de impedância quando se


dá a máxima transferência de potência entre entrada e saída, tem-
se que Rin=Rout, e assim os ganhos de potência e tensão serão
iguais, ou seja,

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5-18

⎛ R ⎞
10 log ⎜ in ⎟ = 10 log (1) = 0 (5.47)
⎝ Rout ⎠
e
GV ,dB = GP ,dB
⎛P ⎞ ⎛ Vout ⎞ (5.48)
10 log ⎜ out ⎟ = 20 log ⎜ ⎟
⎝ Pin ⎠ ⎝ Vin ⎠

[Link] Curvas Características de Filtro RLC Série Passa-Faixa

Com a expressão do ganho e da fase, podem-se traçar as curvas


de resposta em freqüência para o ganho e a fase de um filtro
passa-faixa RLC série, como indicam as Figuras 5.12.a e 5.12.b.

Freqüências entre ω1 e
ω2 passam através do
filtro com amplitudes
maior ou igual a 70,7%
do máximo.
Freqüências fora da
banda são reduzidas a
menos que 70,7% do
máximo e consideradas
rejeitadas.

Figura 5.12.a: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Passa-Faixa RLC


Série – Ganho de Tensão

Figura 5.12.b: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Passa-Faixa RLC


Série – Fase

Para
ω→0⇒ XC → ∞ ⇒ Vout=0 ⇒ GV=0
α=arctg(1/0)= arctg(∞)=90º
ω→∞⇒ XL → ∞ ⇒ Vout=0 ⇒ GV=0
α= arctg(-∞)=-90º

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5-19

ω=ω0 ⇒ Vout=Vin ⇒ GV=1


α= arctg(0)=0º

A curva do ganho de tensão em dB para um filtro passa-faixa RLC


série é apresentada na Figura 5.13. Utilizando o Diagrama de Bode
para representar o ganho de um filtro passa-faixa obtém-se o
gráfico da Figura 5.14.

Figura 5.13: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Passa-Faixa RLC


Série. Ganho de Tensão em dB – Escala Logarítmica.

Figura 5.14: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Passa-Faixa RLC


Série. Ganho de Tensão em dB – Escala Logarítmica
Diagrama de Bode – Aproximação por Assíntotas.

A curva de resposta em freqüência para o ganho em Decibéis pode


ser dada pela expressão já conhecida:

GV ,dB = 20 log ( GV ) (5.49)

[Link] Seletividade

Um circuito seletivo restringe sua operação para uma determinada


faixa de freqüência, i.é.
− Transmite sinais a determinadas freqüências com maior
facilidade do que em outras freqüências.

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5-20

− Elimina sinais de uma faixa de freqüência indesejada.

A curva resposta da tensão, mostrada nas Figuras 5.13 e 5.14, é


também denominada de curva de seletividade. A seletividade
define quão bem um circuito ressonante responde a certa
freqüência e discrimina as demais freqüências. Quanto mais
estreita a banda de passagem, maior a seletividade.

Normalmente assume-se que um circuito ressonante aceita


freqüências dentro de sua banda de passagem e elimina
completamente as freqüências fora da banda. Na realidade, tal não
acontece, uma vez que sinais com freqüências fora da banda de
passagem não são completamente eliminados. Suas magnitudes,
entretanto, são bastante reduzidas. Quanto mais distante a
freqüência estiver das freqüências críticas, maior é a redução na
magnitude do sinal.

Outro elemento que influencia a seletividade é a declividade da


curva resposta. Quanto maior a declividade nas freqüências
críticas, maior a seletividade do circuito, ou seja, mais estreita é a
banda de passagem, como pode ser visto na Figura 5.15.

Maior
seletividade

Menor
seletividade

β1
β2

Figura 5.15: Curvas de seletividade.

[Link] Fator de Qualidade

Por definição o fator de qualidade ou grau de seletividade de um


circuito é a relação entre a reatância na frequência ressoante e a
resistência do circuito.

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5-21

ω0 L
Q= (5.50)
R

Como a banda de passagem de um filtro RLC série passa faixa é


definida como sendo β=R/L, tem-se que o fator de qualidade pode
ser re-escrito como:

ωo
Q= (5.51)
β

i.e. a relação da freqüência ressonante ωo pela largura da faixa de


passagem β.

Nota-se que quanto maior o fator de qualidade Q menor é a largura


da banda de passagem e, portanto mais seletivo é o circuito.

Em um circuito RLC série, Q pode ser expresso como:

ω o ω0 L 1 L
Q= = = (5.52)
β R R C

As freqüências críticas ou de meia potência podem também ser


expressas em função de ω0 e Q e a Equação 5.33 por ser re-escrita
como:

2
ω0 ⎛ω ⎞
ω 1= − + ⎜⎜ 0 ⎟⎟ + ω02
2Q ⎝ 2Q ⎠
⎡ ⎛ ⎞
2⎤
1 1
= −ω0 ⎢ − 1 + ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥
⎢ 2Q ⎝ 2Q ⎠ ⎥⎦

ω0 ⎛ω ⎞
2 (5.53)
ω 2= + ⎜⎜ 0 ⎟⎟ + ω 02
2Q ⎝ 2Q ⎠
⎡ ⎛ ⎞
2⎤
1 1
= ω0 ⎢ + 1 + ⎜⎜ ⎟⎟ ⎥
⎢ 2Q ⎝ 2Q ⎠ ⎥⎦

Em um circuito com alto grau de seletividade tem-se que:

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5-22

ωo β
ω 1≈ω o − =ω o −
2Q 2
ωo β (5.54)
ω 2 ≈ω o + =ω o +
2Q 2

A Equação 5.54 mostra que circuitos com alto grau de seletividade


a freqüência ressonante está centralizada entre as freqüências
críticas, podendo ser calculada pela média aritmética de ω1 e ω2.

A magnitude da tensão VL e VC à freqüência ressonante em função


de Q é definida como:

VF
V L = I(ω o )ω o L = ω o L = Q ⋅ VF
R
I(ω o ) VF (5.55)
VC = = = Q ⋅ VF
ω oC ω o CR

A Equação 5.55 demonstra as curvas de tensão sobre os


componentes do circuito RLC série apresentadas nas Figuras 5.7 e
5.8. Para Q<1 a tensão |VL(ω0)| e |VC(ω0)| são menores que |VF|
(Figura 5.7), e para Q>1 tem-se o contrário, |VL(ω0)| e |VC(ω0)|
maiores que |VF| (Figura 5.8).

O valor máximo de tensão a que o capacitor é submetido pode


também ser definido em função de Q. Tem-se, a partir da Equação
5.12 que:
VF
VC (ω max ) =
R 2C ⎛ R 2C ⎞
⎜1 − ⎟
L ⎜⎝ 4L ⎟⎠
1 (5.56)
= ⋅ VF
1 ⎛ 1 ⎞
⋅ ⎜1 − ⎟
Q ⎝ 4Q 2 ⎟⎠
2 ⎜

Para circuitos com alto grau de seletividade (Q grande) |VC(ωmax)|


aproxima-se de Q.|VF|, como mostrado anteriormente, significando
que ωmax tende a ω0.

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5-23

[Link] Filtro RLC Série Passa Faixa com Carga

Para que haja um bom acoplamento entre o filtro e sua carga é


necessário que a impedância de saída, Z0, do filtro seja bem menor
que o valor da carga. Assim, a corrente solicitada pela carga é
pequena.

A impedância de saída do filtro pode ser encontrada desativando a


fonte de entrada e calculando a impedância equivalente entre os
terminais de saída onde a impedância interna da fonte é
desprezada. A impedância de saída Z0 de um filtro RLC série passa
faixa é dada por:

Z 0 = R // j ( X L − X C )
jR ( X L − X C )
= (5.57)
R + j ( X L − XC )
R ( X L − X C ) + jR 2 ( X L − X C )
2

=
R2 + ( X L − X C )
2

Re-escrevendo Z0, tem-se que:

1 + jR
Z0 =
( X L − XC ) (5.58)
R +1
( X L − XC )
2
R

Como não é conhecida a frequência do sinal de entrada do filtro


RLC, para garantir que a impedância de saída do filtro passa faixa
seja bem menor que a impedância da carga é preciso garantir a
boa condição de acoplamento de tensão para toda e qualquer
frequência, ou todos os valores de Z0. Portanto, o valor máximo de
Z0 é um importante número, que será obtido para a condição de
reatância capacitiva infinita e reatância indutiva zero, i.e., quando
ω→0. Assim,

Z 0,max = R (5.59)

Para um bom acoplamento de tensão:

R << RL (5.60)

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5-24

5.1.2 Filtro Passa Faixa RC-RC


Filtros passa-banda podem ser construídos pela posição em
cascata de um filtro passa alta (PA) e um passa baixa (PB) como
mostrado abaixo.
V'out V'in
Vin H1 H2 Vout

Filtro PA Filtro PB
Figura 5.16: Diagrama de Bloco de Filtro Passa-Banda

Figura 5.17: Curvas respostas de filtros: passa alta,


passa baixa e passa-banda.

O filtro passa alta ajusta a frequência de corte inferior (fcI) e o filtro


passa baixa ajusta a frequência de corte superior (fcS) do filtro
passa faixa.

Filtros RC passa alta e passa baixa em cascata formando um filtro


passa-banda são comumente mais usados que filtros RLC passa-
banda ou RL-RL em cascata, uma vez que os indutores são
volumosos requerendo muito espaço na placa de circuito.

Considere o filtro passa faixa formado por filtros RC anti-paralelo,


como mostrado na Fig.5.18, em que o primeiro estágio é PA e o
segundo estágio é PB.

Figura 5.18: Circuitos RC de filtros em cascata: passa baixa e passa alta.

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5-25

A função de transferência para os filtros RC passa-banda é dada


por:

H ( jω ) = H1 ( jω ) ⋅ H 2 ( jω ) (5.61)

Lembrando no Cap.4 as funções de transferências respectivas para


os filtros RC passa alta, H1(ω), e RC passa baixa, H2(ω), tem-se:

1
H1 ( jω ) = (5.62)
1 − j (1 ω R1C1 )
1
H 2 ( jω ) = (5.63)
1 + jω R2C2

Sendo H(jω) dado por:

⎛ 1 ⎞ ⎛ 1 ⎞
H ( jω ) = ⎜ ⎟ ⋅⎜
⎜ 1 − j (1 ω R C ) ⎟ 1 + jω R C ⎟
⎝ 1 1 ⎠ ⎝ 2 2 ⎠

1 (5.64)
=
RC ⎛ 1 ⎞
1 + 2 2 + j ⎜ ω R2C2 − ⎟
R1C1 ⎝ ω R1C1 ⎠

O primeiro filtro (PA com R1 e C1) permite a passagem das


freqüências superiores à freqüência de corte deste. Os sinais que
passarem pelo primeiro filtro avançam até o segundo filtro (PB)
donde são eliminadas as freqüências que são superiores à
frequência de corte do segundo filtro (PB com R2 e C2)

Para que haja um bom acoplamento de tensão nos circuitos RC em


cascata como da Fig.5.18, a impedância de entrada do filtro PB
deve ser muito maior que a impedância de saída do filtro PA.

A impedância de entrada do filtro PB é dada por:

Vin ⎛ 1 ⎞
Z in = = R2 − j⎜ ⎟ (5.65)
I in ⎝ ω C2 ⎠

O valor da impedância de entrada depende da frequência ω. Como


não se conhece a frequência do sinal de entrada do filtro em
cascata, para garantir que a impedância de entrada do filtro passa
baixa (segundo estágio) seja bem maior que a impedância de saída

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5-26

do filtro passa alta (primeiro estágio) é preciso garantir a boa


condição de acoplamento de tensão para toda e qualquer
frequência (ou todos os valores de Zin).

Zin,PB >> Zout,PA ou Zin,2st >> Zout,1st (5.66)


Portanto, o valor mínimo de Zin é um importante número, que
ocorre para 1/ωC2 igual a zero quando ω→∞.

Z in min
= R2 (5.67)

A impedância de saída do filtro PA pode ser encontrada


desativando a fonte de entrada e calculando a impedância
equivalente entre os terminais de saída onde a impedância interna
da fonte é desprezada.

Z out = R1 // − j (1 ωC1 ) (5.68)

Ou seja

R1 ⋅ ( − jX C1 )
Z out =
R1 − jX C1
R1 X C21 − jR12 X C1
=
R12 + X C21
R1 X C21 R12 X C1 (5.69)
= 2 −j 2
R1 + X C21 R1 + X C21
R1 R12
= −j
R12 R12
+1 + X C1
X C21 X C21

Novamente o valor da impedância de saída depende da frequência


ω. Para um bom acoplamento da tensão, é preciso garantir que a
impedância de saída deste filtro PA (1º estágio) seja muito menor
que a impedância de entrada do próximo estágio (PB) para todas
as freqüências. O maior valor de Zout deve ser então considerado e
isso ocorre quando a reatância do capacitor é infinita, i.e., ω→0.

Z out max
= R1 (5.70)

Assim, como Zin do estágio final (filtro PB) deve ser bem maior que
Zout do estágio anterior (filtro PA), tem-se que:

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5-27

R2 >> R1 (5.71)

Na ressonância, a componente imaginária de H(jω) é nula, o que


resulta em:

1
ω R2C2 − =0
ω R1C1
(5.72)
1
ω =
2
0
( R1C1 ) ⋅ ( R2C2 )

Como a frequência central é definida como:

ω0 = ωc1 ⋅ ωc 2 (5.73)

tem-se que as freqüências de corte para os filtros passa alta e


passa baixa são, respectivamente,

1
ωc1 = (5.74)
R1C1

1
ωc 2 = (5.75)
R2C2

ωc1 e ωc2 representam, respectivamente, as freqüências de corte


inferior e superior.

É importante notar que não é possível construir um filtro de banda


estreita fazendo uso de dois filtros de 1ª ordem passa alta e passa
baixa em cascata. Quando ωc2 não é >> que ωc1, o ganho máximo,
|H(ω)|max torna-se menor do que 1, o que significa dizer que as
freqüências de corte estarão abaixo de -3dB. Em assim sendo, a
menor freqüência de corte se deslocará para um valor menor do
que ωc1 e a maior freqüência de corte se deslocará para um valor
maior que ωc2.

Re-escrevendo a função de transferência em função das


freqüências de corte, tem-se:

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5-28

1
H ( jω ) =
R2C2 ⎛ 1 ⎞
1+ + j ⎜ ω R2C2 − ⎟
R1C1 ⎝ ω R1C1 ⎠
1
= (5.76)
ω ⎛ ω ωc1 ⎞
1 + c1 + j ⎜ − ⎟
ωc 2 ⎝ ωc 2 ω ⎠
1
=
ω ⎛ ω ωcI ⎞
1 + cI + j ⎜ − ⎟
ωcS ⎝ ωcS ω ⎠

Note que para que o ganho do filtro seja máximo (H(jω0)=1) é


necessário que ωc2>>ωc1 ou ωcS>>ωcI, i.e., a frequência de corte
superior bem superior à freqüência de corte inferior. Porque os
filtros de 1ª ordem passa alta e passa baixa em cascata trabalham
apropriadamente somente quando ωcS>>ωcI (ou ωcS≥10ωcI), eles
são chamados de filtros de banda larga.

Um caso extremo ocorreria quando as duas frequências fossem


iguais e então haveria uma única freqüência que passaria por este
filtro, a freqüência de corte.

Se, por acaso, a freqüência de corte do filtro PA fosse maior que a


freqüência de corte do filtro PB, não passaria nenhuma frequência
por este filtro.

A banda de passagem, β, e o fator de qualidade, Q, do filtro passa


faixa é então:

β = ωcS - ωcI (5.77)

ω0 ωcS ⋅ ωcI
Q= = (5.78)
β ωcS − ωcI

Como no filtro de banda larga β = ωcS - ωcI ≅ ωcS, tem-se que o fator
de qualidade pode ser obtido como:

ω0 ωcI
Q= = (5.79)
ωcS ωcS

sendo Q pequeno.

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5-29

A ordem dos filtros antiparalelos pode ser invertida, tomando-se


primeiro o filtro passa baixa e depois o filtro passa alta.

Figura 5.19: Circuitos RC de filtros em cascata: passa alta e passa baixa.

Novamente, para que haja um bom acoplamento de tensão para o


arranjo mostrado em (5.19) é preciso que:

R2 >> R1 (5.80)

Ou seja, que a resistência do filtro de 2º estágio seja bem maior


que a resistência do filtro de 1º estágio.

Há, no entanto, razões para a colocação da proposição


apresentada na Fig.5.18. Como o segundo filtro (PB) se comporta
como uma carga para o primeiro (PA), é desejável que esta carga
seja a menor possível, ou seja, que o segundo filtro (PB) demande
a menor corrente possível do primeiro. Ao ter o segundo filtro (PB)
uma frequência de corte maior (define o limite superior da
frequência de corte), supõe-se que os valores das impedâncias
causadas por R2 e C2 sejam maiores e isto resulte em menor
carga para o primeiro filtro.

Ainda, se o circuito mostrado na Fig.5.18 é usado, a resistência dc


entre Vout e terra é R1 + R2. Se a ordem do filtro é invertida como
na Fig.5.19, R1 será a única resistência de Vout para a terra.

Um caso extremo ocorreria quando as duas frequências fossem


iguais e então haveria uma única freqüência que passaria por este
filtro, a freqüência de corte. Se, por acaso, a freqüência de corte do
filtro PA fosse maior que a freqüência de corte do filtro PB, não
passaria nenhuma frequência por este filtro.

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5-30

5.1.3 Filtro RLC Série Rejeita Banda

Como visto na análise dos circuitos RC e RL, o mesmo circuito


pode se comportar como dois tipos de filtros diferentes,
dependendo do local em que é retirada a tensão de saída. De
modo semelhante ocorre para o circuito RLC série. Quando a saída
em um circuito RLC série é tomada sobre R, o circuito apresenta
comportamento de filtro passa faixa. Quando a saída em um
circuito RLC série é tomada sobre os componentes LC como na
Figura 5.20, o circuito deixa passar todos os sinais cujas
freqüências estejam fora de certa faixa, definida por duas
freqüências de corte, e rejeita os sinais cujas freqüências estejam
dentro desta faixa.
Vout

Figura 5.20: Filtro Série Ressonante Rejeita-Faixa.

Um filtro passivo rejeita-faixa é um circuito que atenua, “impede” a


passagem de sinais de tensão e corrente com freqüências situadas
numa faixa intermediária, “permitindo” a passagem de sinais com
freqüências acima ou abaixo dessa faixa. Essa faixa intermediária é
delimitada por uma freqüência de corte inferior (ωCI) e uma
freqüência de corte superior (ωCS).

A Figura 5.21 mostra a curva resposta em freqüência de um filtro


rejeita-faixa ideal:
− Para sinais de freqüências intermediárias, ou seja, acima da
freqüência de corte inferior, ωCI, e abaixo da freqüência de corte
superior do filtro, ωCs, o ganho é nulo, portanto, o módulo do
sinal de saída é totalmente atenuado (zero).
− Para sinais de freqüências abaixo da freqüência de corte
inferior, ωCI, ou acima da freqüência de corte superior, ωCs, o
ganho do filtro é unitário, ou seja, o módulo do sinal de saída é
igual ao de entrada.

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5-31

Figura 5.21: Curva de Resposta em Freqüência


para um Filtro Rejeita-Faixa Ideal

Na prática, porém, não é possível obter a resposta em freqüência


de um filtro rejeita-faixa ideal. A Figura 5.22 mostra a resposta real
dos filtros RLC série passa-faixa e rejeita-faixa.

(a) (b)
Figura 5.22: (a) Filtro ressonante passa-faixa com resposta sobre R; (b) Filtro
ressonante rejeita-faixa com resposta sobre LC.

Um filtro RLC série rejeita-faixa é baseado no princípio da


ressonância que ocorre entre indutores e capacitores em circuitos
ca. Sabe-se que para ω=0 o indutor se comporta como um curto
circuito e o capacitor como um circuito aberto, enquanto que para
ω=∞, o capacitor se comporta como um curto circuito e o indutor
como um circuito aberto. Assim, nota-se na Figura 5.22 que para
baixas freqüências, a maior parcela da tensão da fonte (sinal de
entrada) estará aplicada sobre o capacitor e a tensão sobre o
resistor será muito baixa, i.e., sinal de saída será praticamente
igual ao sinal de entrada, e que para altas freqüências, a maior
parcela da tensão de entrada estará aplicada sobre o indutor, i.e.,
sinal de saída praticamente igual ao de entrada.

Na faixa de freqüências entre ω=0 e ω=∞, o indutor e o capacitor


têm impedâncias finitas, diferentes de zero e de sinais opostos. À
medida que a freqüência aumenta a partir de zero, a impedância do
indutor aumenta e a do capacitor diminui. Para algum valor de
freqüência entre as duas freqüências de corte, na freqüência
ressonante, as impedâncias do indutor e do capacitor terão
módulos iguais e sinais opostos. Nesta freqüência, a combinação

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5-32

em série do indutor e do capacitor se comporta como um curto


circuito e, portanto a tensão de entrada estará aplicada sobre o
resistor e a tensão de saída será nula. Esta é a freqüência central
do filtro de banda de rejeição. Pode-se dizer, então, que o circuito
“impede a passagem” (rejeita) sinais dentro de uma determinada
faixa de freqüências.

Figura 5.23: Filtro RLC série rejeita-faixa.

Os filtros de rejeição de banda são caracterizados por parâmetros


semelhantes aos de passa-faixa: duas freqüências de corte,
freqüência ressonante, banda rejeitada e fator de qualidade. A
definição desses parâmetros é exatamente da mesma forma que
para o filtro de passa-faixa.

Os filtros de banda de passagem e os filtros de banda de rejeição


desempenham, portanto papéis complementares no domínio da
freqüência.

[Link] Ganho e Fase

Para o circuito da Figura 5.20, a tensão de saída em função da


tensão de entrada pode ser dada pela expressão:

j ( X L − XC )
Vout = ⋅ Vin (5.81)
R + j ( X L − XC )

Fatorando a expressão, obtém-se:

Vout 1
=
Vin 1 − j R
( X L − XC )
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5-33

ou
Vout 1
= (5.82)
Vin ⎛ ω RC ⎞
1+ j ⎜ ⎟
⎝ 1 − ω LC ⎠
2

Portanto, a função de transferência para um filtro rejeita-faixa série,


é dada por:

1
H ( jω ) = (5.83)
⎛ jω RC ⎞
1+ ⎜ ⎟
⎝ 1 − ω LC ⎠
2

O ganho de tensão e a fase para um filtro rejeita-faixa série são,


respectivamente:

1
GV = H ( jω ) = (5.84)
⎛ ω RC ⎞
2

1+ ⎜ ⎟
⎝ 1 − ω LC ⎠
2

⎛ ω RC ⎞
∠H ( jω ) = φ = tg −1 ⎜ ⎟ (5.85)
⎝ 1 − ω LC ⎠
2

[Link] Freqüência de Corte

Sabe-se que o ganho de tensão na freqüência de corte é:

1
GV ,ωC = = 0, 707 (5.86)
2

Então, para um filtro rejeita-faixa RLC série tem-se que:

1 1
= (5.87)
⎛ ω RC ⎞
2
2
1+ ⎜ ⎟
⎝ 1 − ω LC ⎠
2

Elevando ao quadrado ambos os lados e operando a Eq. 5.88,


obtém-se:
ω RC
=± 1
1 − ω 2 LC

o que resulta em duas equações do segundo grau:

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5-34

ω 2 LC + ω RC − 1 = 0
(5.89)
ω 2 LC − ω RC − 1 = 0

Como a expressão do ganho é de segunda ordem, obtêm-se duas


equações de segundo grau, cada uma como duas soluções que
corresponderão à freqüência de corte inferior e à freqüência de
corte superior do filtro rejeita-faixa RLC série.

2
R ⎛ R ⎞ 1
ω1 = − ± ⎜ ⎟ + (5.90)
2L ⎝ 2 L ⎠ LC

2
R ⎛ R ⎞ 1
ω2 = ± ⎜ ⎟ + (5.91)
2L ⎝ 2 L ⎠ LC

A largura da faixa de passagem torna-se:

R
β = ω2 − ω1 = [rad/s] (5.92)
L

[Link] Freqüência Central

A chamada freqüência central de um filtro rejeita-faixa ocorre


justamente na freqüência de ressonância. Sabe-se que para haver
ressonância série é necessário que as reatâncias capacitiva e
indutiva do circuito se anulem e se comportem como um curto-
circuito.

Nesta situação o ganho será nulo, pois, como pode ser visto no
circuito da Figura 5.20, a reatância total da saída será zero e o seu
comportamento tenderá a um curto-circuito. A tensão de saída será
nula e toda a tensão de entrada estará sobre o resistor. Assim,
para que a expressão do ganho seja igual a zero é necessário que
o termo do denominador seja igual a um valor infinito, então:

1
GV =
2
=0 (5.93)
⎛ ω RC ⎞
1+ ⎜ 0 2 ⎟
⎝ 1 − ω0 LC ⎠

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5-35

1 − ω02 LC = 0
ω02 LC = 1 (5.94)
1
ω0 =
LC

[Link] Curvas Características

A partir das expressões do ganho e da fase, podem-se traçar as


curvas de resposta em freqüência para o ganho e a fase de um
filtro rejeita-faixa RLC série, como indicam as Figuras 5.24.a e
5.24.b.

Figura 5.24.a: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Rejeita-Faixa RLC


Série – Ganho de Tensão

Figura 5.24.b: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Rejeita-Faixa RLC


Série – Fase.

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5-36

Para
ω→0⇒ XC → ∞ ⇒ Vout= Vin ⇒ GV=1
α=arctg(0/1)= arctg(0)=0º
ω→∞⇒ XL → ∞ ⇒ Vout= Vin ⇒ GV=1
α= arctg(1/∞)= arctg(0)=0º
ω= ω0 ⇒ Vout=0 ⇒ GV=0
α= arctg(ω0RC/±0)= ±90º

A resposta em freqüência para o ganho em dB é apresentada na


Figura 5.25.

Figura 5.25: Curva de Resposta em Freqüência do Filtro Rejeita-Faixa RLC


Série. Ganho de Tensão em dB (Escala logarítmica).

Na Figura 5.26 é apresentado o Diagrama de Bode para


representar o ganho em dB de um filtro rejeita-faixa série.

Figura 5.26: Diagrama de Bode - Curva de Resposta em Freqüência do


Filtro Rejeita-Faixa RLC Série. Ganho de Tensão em dB (escala logarítmica)

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5.2. Ressonância Paralela

Em um circuito paralelo ideal a ressonância ocorre quando a


componente imaginária da corrente IL é igual à IC, neste caso, como
a mesma tensão é aplicada sobre L e C, tem-se que XC=XL, como
no circuito série.
I

VF ~ IL L C IC

Figura 5.27: Circuito ressonante paralelo.

Quando XC=XL, a duas correntes IC e IL são iguais em magnitude, e


defasadas de 180º. Portanto, as correntes se cancelam e a
corrente reativa resultante é nula, I=0. A freqüência a qual ocorre
ressonância é a mesma do circuito série.

1
f0 = (5.95)
2π ⋅ LC

O circuito ressonante paralelo da Figura 5.27 é comumente


chamado de circuito tanque ideal. O termo ‘circuito tanque’ refere-
se ao fato de que o circuito ressonante paralelo armazena energia
no campo magnético da bobina e no campo elétrico do capacitor. A
energia armazenada é transferida ciclicamente entre capacitor e
bobina a cada meio ciclo.

No circuito tanque ideal a corrente total da fonte na ressonância é


nula porque a impedância é infinita.

X L ⋅ XC
Z =−j (5.96)
X L − XC

Enquanto em um circuito série ressonante a impedância é mínima,


em um circuito ressonante paralelo a impedância é máxima e
decresce para pequenas e grandes freqüências como indicado na
Figura 5.28. Portanto, no circuito RLC ressonante paralelo ocorre o
contrário do circuito série ressonante, ou seja, a maior oposição
possível a passagem da corrente.

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5-38

Indutivo Capacitivo

X L < XC X C < XL

Figura 5.28: Curva da impedância total em circuito paralelo.

Para freqüências muito baixas, XL é bem pequena e XC muito alta,


e a impedância total é essencialmente igual àquela do ramo
indutivo. Quando a freqüência cresce, a impedância também
cresce, e a reatância indutiva domina (porque é menor do que XC)
até a freqüência ressonante ser alcançada. Na ressonância XC ≅ XL
(para Q>10) e a impedância é máxima. À medida que a freqüência
cresce acima de ω0, a reatância capacitiva domina (porque é menor
do que XL) e a impedância vista da fonte diminui.

5.2.1 Ressonância em Circuito Paralelo

Seja o circuito apresentado na Figura 5.29 para o qual serão


avaliados a corrente total, a corrente no ramo indutivo e capacitivo
e o fator de potência do circuito.

R2
R1 1
V1 1 5
1Vac
0Vdc L1
53.05m
C1
132.626u
2
0

Figura 5.29: Circuito paralelo.

Note que para freqüências baixas, enquanto a corrente no ramo


capacitivo é muito pequena (XC→∞ quando f→0), a corrente no
ramo indutivo é praticamente resistiva (XL→0 quando f→0) e o fator
de potência unitário. Situação análoga ocorre para freqüências bem
maiores que a freqüência ressonante, fator de potência torna-se
unitário. Na ressonância, a componente imaginária da corrente no
ramo indutivo (-jIL) é igual à do ramo capacitivo (jIC) e o fator de
potência do circuito unitário. No entanto, para o circuito da Figura
5.29 a corrente no ramo indutivo não necessariamente é igual à

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5-39

corrente do ramo capacitivo na condição de ressonância (somente


se R1=R2).

Considerando um circuito paralelo genérico como o mostrado na


Figura 5.29, tem-se para a admitância:

Y = Y1 + Y2
1 1
= +
RL + jX L RC − jX C
⎛ R X ⎞ ⎛ R X ⎞ (5.97)
=⎜ 2 L 2 − j 2 L 2 ⎟+⎜ 2 C 2 + j 2 C 2 ⎟
⎝ RL + X L RL + X L ⎠ ⎝ RC + X C RC + X C ⎠
⎛ R R ⎞ ⎛ X X ⎞
= ⎜ 2 L 2 + 2 C 2 ⎟+ j⎜ 2 C 2 − 2 L 2 ⎟
⎝ RL + X L RC + X C ⎠ ⎝ RC + X C RL + X L ⎠

Com a admitância Y da Equação 5.97 multiplicada por VF obtém-se


a corrente total do circuito, formada por suas componentes resistiva
e reativa. Note que tanto a condutância como a susceptância da
admitância Y variam com a freqüência. Na ressonância, a
componente reativa da corrente, e, por conseguinte, a
susceptância, é nula, i.é., a susceptância capacitiva é igual à
susceptância indutiva.
1
ωL ωC
= (5.98)
RL2 + (ω L )
2 2
⎛ 1 ⎞
RC + ⎜
2

⎝ ωC ⎠

Na ressonância a admitância do circuito é mínima e dada por:

⎛ RL
Y (ω0 ) = ⎜ 2 + 2 =
2
(
RC ⎞ RL RC + X C + RC RL + X L
2 2 2
) ( ) (5.99)
2 ⎟
⎝ RL + X L RC + X C ⎠
2
RL2 + X L2 RC2 + X C2( )( )
Por sua vez, na ressonância a impedância do circuito vista pela
fonte é máxima e dada por:

Z (ω0 ) =
1
=
(R 2
L + X L2 )( R
2
C + X C2 ) (5.100)
Y (ω0 ) (
RL R + X
2
C
2
C ) + R (R
C
2
L + X L2 )
Para RL=RC=0, a admitância na ressonância é nula e a impedância
infinita, e o circuito torna-se como o da Figura 5.27 que descreve o
circuito tanque ideal.

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5-40

[Link] Freqüência Ressonante em Circuito RLC Paralelo

Pela Equação 5.98 verifica-se que a ressonância em um circuito


paralelo pode ser obtida pela variação de ω, RL, RC, L e C.

Da Equação 5.98 tem-se que a freqüência ressonante em um


circuito RLC paralelo é dada por:

RL2C − L
RC2 C − L
ω0 = (5.101)
LC

Se RL e RC são iguais, ω0 na Equação 5.101 torna-se:

1
ω0 = (5.102)
LC

que é igual à freqüência ressonante de um circuito RLC série. Esta


equação é também correta quando RL=RC=0 e pode,
conseqüentemente, ser usada como uma boa aproximação quando
RL e RC são muito pequenos.

A. Circuito Não Ressonante

Quando RL2C > L e RC2 C < L ou RL2C < L e RC2 C > L o termo sob o
radical no numerador da Equação 5.91 torna-se negativo e a raiz
imaginária e, portanto nenhuma freqüência real produzirá
ressonância. Portanto, há valores de RL, C, RC, e L num circuito
paralelo, para os quais a ressonância em paralelo é impossível,
qualquer que seja a freqüência. Isto está em oposição com os
circuitos série contendo R, L e C onde há sempre alguma
freqüência ressonante real para quaisquer valores dos três
parâmetros.

B. Ressonância Independente da Freqüência

Para alguns valores dos parâmetros RL, RC, L e C conectados


como na Figura 5.28, o circuito opera em ressonância para todas
as freqüências. Pela Equação 5.98, a condição para ressonância
em paralelo é:

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5-41

1
ωL ωC
=
R + (ω L )
2 2
⎛ 1 ⎞
2
L
RC2 + ⎜ ⎟
⎝ ωC ⎠
1 ω 2C 2 ωC
= ⋅ 2 2 2 =
ωC RCω C + 1 1 + ω 2C 2 RC2
ou
1 1
2
= (5.103)
R 1
+ ω2L
L + ω 2CRC2
L C

Para ser independente da freqüência, uma inspeção da Eq. 5.103


mostrará que as duas condições seguintes devem ser impostas
simultaneamente.

RL2 1 L
Condição 1: = ou RL =
L C C

L
Condição 2: CR C2 = L ou R C =
C

Portanto, para ressonância em todas as freqüências:

L
RL = RC = (5.104)
C

Como o circuito está em ressonância (susceptância resultante


nula), sua admitância deve ser a condutância resultante. Portanto:

L L
C C C
Y=G= + =
L L 1 L
+ ω 2 L2 + 2 2
C C ω C
e
L
Z= (5.105)
C

A Equação 5.105 mostra que a impedância do circuito é, também,


independente da freqüência. Assim, quando RL=RC=√L/C, uma
disposição do circuito como o da Figura 5.29 estará em
ressonância em todas as freqüências e com a mesma impedância
Z=√L/C para todas elas.
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5-42

Em circuitos paralelos com ramo puramente resistivo, a resistência,


R, do ramo paralelo não tem influência sobre a condição de
ressonância.

RL RC

CA
R
L
C

Figura 5.29: Circuito RLC Paralelo.

Y = Y1 + Y2 + Y3
1 1 1
= + + (5.106)
RL + jX L RC − jX C R
⎛1 R R ⎞ ⎛ X X ⎞
=⎜ + 2 L 2 + 2 C 2 ⎟+ j⎜ 2 C 2 − 2 L 2 ⎟
⎝ R RL + X L RC + X C ⎠ ⎝ RC + X C RL + X L ⎠

5.2.2 Ressonância em Circuito Tanque Não Ideal

Para o circuito da Figura 5.31, com R representando a resistência


da bobina e tendo-se desprezado a resistência no ramo capacitivo
(o capacitor é mais puramente reativo), são apresentadas as
curvas de impedância total, corrente total e fator de potência de
deslocamento mostradas na Figura 5.31.

R5
V3 1 100
10Vac C3
0Vdc L3 0.05u
0.1

2
0

Figura 5.31: Circuito Paralelo com Resistência na Bobina.

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5-43

Figura 5.32: Curvas de Impedância Total, Corrente Total e Fator de Potência


de Deslocamento.

A Figura 5.32 mostra que na ressonância a impedância do circuito


é máxima e o fator de potência de deslocamento é unitário. A curva
da impedância da Figura 5.32 mostra que embora na ressonância a
impedância seja máxima, tal condição não assegura que a corrente
seja mínima na ressonância. A corrente será mínima na
ressonância quando a condutância for constante, i.e., Y=G=√C/L.

Os circuitos ressonantes em paralelo oferecem o máximo de


oposição à frequência de ressonância do circuito, isto quer dizer
que oferecem o máximo de oposição à frequência de ressonância
do circuito, e deixam passar, quase sem oposição, todas as outras
frequências que sejam diferentes da frequência de ressonância
(rejeita-faixa).

Os circuitos ressonantes em série funcionam ao contrário dos


circuitos ressonantes em paralelo, ou seja, oferecem o mínimo de
oposição à frequência ressonante do circuito quer isto dizer que
deixam passar através deles sem quase nenhuma oposição a
frequência de ressonância e oferecem o máximo de oposição a
todas frequências que se afastem da frequência de ressonância do
circuito. A tendência destes circuitos em bloquear ou deixar passar
todas as frequências que não sejam as de ressonância aumenta à
medida que essas frequências se vão afastando da frequência de
ressonância.

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5-44

[Link] Banda de Passagem, Freqüências de Corte e Fator Q.

Em um circuito RLC paralelo alimentado por uma fonte de tensão, a


tensão de saída sobre cada um dos ramos paralelos do circuito é a
mesma da entrada.

Ao conectarmos um circuito RLC paralelo a uma fonte de corrente,


tem-se que o circuito da Figura 5.31 torna-se como o mostrado na
Figura 5.33.

Figura 5.33: Circuito RLC Paralelo Alimentado por Fonte de Corrente.

A corrente total do circuito da Figura 5.33 é dado por:

I = (Y1 + Y2 + Y3 ) ⋅ V
⎡1 R ⎛ 1 X ⎞⎤ (5.107)
= ⎢ + 2 L 2 + j⎜ − 2 L 2 ⎟ ⎥ ⋅V
⎢⎣ R RL + X L ⎝ X C RL + X L ⎠ ⎥⎦

Se a fonte de corrente for considerada ideal, o resistor R será


infinito. Contudo, como visto anteriormente, R não tem influência
sobre a condição de ressonância.

Na ressonância, a freqüência que anula a susceptância da Eq.


5.107 é igual a:

RL2C
L−R C 2 1−
ω0 = L
= L (5.108)
2
CL LC

A Eq. 5.107 pode ser re-escrita para o módulo da tensão como:

I
V = (5.109)
G 2 + ( BC − BL )
2

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5-45

Para uma fonte de corrente de magnitude constante, o


comportamento da tensão à medida que a freqüência da fonte varia
é semelhante ao comportamento da corrente no circuito RLC série
apresentada na Figura 5.3. Na ressonância, a admitância total é
mínima, puramente condutiva, e igual à G; em outras palavras, a
impedância total é máxima, puramente resistiva. A curva resposta
da tensão é, portanto, a imagem da curva resposta da impedância,
o que indica que na ressonância, a tensão nos ramos paralelos é
máxima.

A Figura 5.34 mostra a curva da impedância, que é a imagem da


resposta da tensão, em função da freqüência ω.

Zmax
0,[Link]

ω1 ω2
Figura 5.34: Freqüência ressonante e banda de passagem da curva resposta
de Z para um circuito RLC paralelo.

Para determinar a largura de faixa, a freqüência central e o fator de


qualidade, a análise aplicada para um circuito RLC série pode, com
poucas mudanças na notação, ser empregada para um circuito
RLC paralelo. Comparando-se a Eq. 5.5 para um circuito RLC série
re-escrita abaixo:

V
I = (5.110)
R + ( X L − XC )
2 2

com a Equação 5.109 de um circuito RLC paralelo, observa-se uma


correspondência que permite interpretar a Figura 5.34 como a
resposta de tensão em função de ω para o circuito RLC paralelo.

Como G na Equação 5.109 corresponde a R na Equação 5.110 e


BC a XL e BL a XC, a banda de passagem para o circuito RLC
paralelo pode ser expressa, com a devida analogia, à largura da
banda de passagem do circuito série (β=R/L), como:

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5-46

G
β= (5.111)
C

em que G é apresentado em (5.107).

Considerando o circuito tanque não ideal apresentado na Figura


5.33, em que RC=0, e para condições práticas em que a resistência
da bobina RL é muito pequena quando comparada a ωL, ou seja,

RL2 << ω 2 L2 (5.112)

A banda de passagem é dada por:

1 R
+ 2L 2
β= R ω L (5.113)
C

Para uma fonte de corrente ideal, R é infinito e a Eq. 5.113 é


simplificada tornando-se igual a:

RL
β=ω L
2 2
(5.114)
C

Como mencionado anteriormente, em um circuito RLC paralelo a


impedância é máxima na freqüência de ressonância e cai para
freqüências inferior e superior a ω0. A banda de passagem em um
circuito RLC paralelo é a faixa de freqüências para a qual a
impedância no circuito é igual ou maior do que 70,7% de seu valor
ressonante, |Z(ω0)|=|Zmax|; ωcI é a freqüência crítica inferior e ωcs é a
freqüência crítica superior, como ilustra a Figura 5.34.

Assim,

Z(ω 0 ) =
1 1
Z≥ (5.115)
2 2 ⋅G

Invertendo a expressão (5.115), tem-se:

2G ≥ Y = G 2 + ( BC − BL ) (5.116)
2

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5-47

Resolvendo a equação para os dois valores positivos de ω, ou


obtendo-os por analogia à Eq. 5.31, têm-se as freqüências críticas
ou de corte para o circuito paralelo.

2
G ⎛G ⎞ 1
ω1 = − + ⎜ ⎟ + (5.117)
2C ⎝ 2C ⎠ LC

2
G ⎛G ⎞ 1
ω2 = + ⎜ ⎟ + (5.118)
2C ⎝ 2C ⎠ LC

As frequências de corte obtidas a partir das Eq. 5.117 e 5.118


serão tanto mais precisas quanto maior for o fator de qualidade Q
do circuito.

O fator de qualidade de um circuito paralelo pode então ser


calculado como:

ω0 1 C
Q= = (5.119)
β G L

Note que a Eq. 5.119 é análoga à Eq. 5.52.

Sabendo-se que o fator de qualidade de uma bobina é dado por:

XL
Q= (5.120)
RL

Tem-se que a freqüência ressonante em função de Q do circuito


tanque não ideal é dada por:

XL
= ωC
R + X L2
2
L

⎛ Q2 +1⎞ 1
ωL⎜⎜ ⎟⎟ = ∴
⎝ Q ⎠ ωC
2

1 Q2
ω0 = (5.121)
LC Q2 +1

Quando Q≥10, o termo em Q sob a raiz é aproximadamente igual a


1 e a freqüência ressonante paralela é aproximadamente a mesma
que para a freqüência ressonante série, i.e.,
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5-48

1
ω0 ≅ (5.122)
LC

Note que a expressão de ω0 em (5.122) difere da Eq. 5.108, sendo


ω0=√1/LC obtida para bobinas com alto fator de qualidade Q, ou
seja, RL<<XL. No entanto, a expressão precisa para ω0 é raramente
necessária e a equação simplificada para ω0 é suficiente para a
maioria das situações práticas.

Como nos circuitos RLC série, as freqüências de corte ω1 e ω2 dos


circuitos RLC paralelos podem ser expressas em função de β e ω0
e também de ω0 e Q.

β
⎛β ⎞
2

ω1 = − + ⎜ ⎟ + ω 02 (5.123)
2 ⎝2⎠

β⎛β ⎞
2

ω 2 = + ⎜ ⎟ + ω 02 (5.124)
2 ⎝2⎠

ou
⎡ 2⎤
⎢ 1 ⎛ 1 ⎞ ⎥
ω 1 = −ω0 − 1+ ⎜ ⎟ (5.125)
⎢ 2Q ⎝ 2Q ⎠ ⎥
⎣ ⎦
⎡ 2⎤
⎢ 1 ⎛ 1 ⎞ ⎥
ω 2 = ω0 + 1+ ⎜ ⎟ (5.126)
⎢ 2Q ⎝ 2Q ⎠ ⎥
⎣ ⎦

Para condições em que (1/2Q)2 << 1 tem-se que:

ω0
ω 1= − (5.127)
2Q

ω0
ω 2= (5.128)
2Q

e
ω0
β = ω 2 − ω1 = (5.129)
Q

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5-49

Um alto valor de Q do circuito resulta em uma estreita banda de


passagem. Um valor menor de Q causa uma banda mais larga.

[Link] Equivalência de Circuitos Tanques

Considere um circuito tanque não ideal e o circuito RLC paralelo


equivalente como mostra a Figura 5.35.

Rw 1

1
C
Rp Lp C
L

2

(a) (b)
Figura 5.35: Circuito tanque não ideal e RLC paralelo equivalente.

O fator de qualidade Q do circuito em ressonância é igual ao fator


Q da bobina.

X L ωL
Q= = (5.130)
RL RL

A equivalência entre os circuitos da Figura 5.35.a e 5.35.b é dada


por:

RL ωL 1 1
−j 2 = −j (5.131)
R +ω L
2
L
2 2
RL + ω L
2 2
Rp ωL

O ramo capacitivo é o mesmo para os dois circuitos. Assim,

RL2 + ω 2 L2 ⎛ ω 2 L2 ⎞
Rp = (
= RL ⎜ 2 + 1⎟ = RL Q 2 + 1 ) (5.132)
RL ⎝ RL ⎠

RL2 + ω 2 L2 ⎛ RL2 ⎞ ⎛ Q2 + 1 ⎞
Lp = = L ⎜ 1 + 2 2 ⎟
= L ⎜ ⎟ (5.133)
ω2L ⎝ ω L ⎠ ⎝ Q ⎠
2

Para Q≥10, implica que Lp=L. Na ressonância XLp=XC

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5-50

Z=∞
1
I=0 XLp=XC
wo
Rp Lp C
⇒ wo
RL(Q2+1)
Aberto
(Z0=∞)
2

Figura 5.36: Na ressonância a parte LC paralela aparece aberta e a


impedância vista pela fonte é Rp.

No circuito paralelo equivalente, Rp está em paralelo com uma


bobina ideal e um capacitor. Assim os ramos em L e C atuam como
um circuito tanque ideal o qual tem uma impedância infinita na
ressonância. Portanto, na ressonância a impedância total do
circuito tanque não ideal pode ser expressa como a resistência
paralela equivalente.

(
Z 0 = RL Q 2 + 1 ) (5.134)

5.2.3 Filtro Ressonante Paralelo Banda Passante

O circuito ressonante paralelo mostrado na Figura 5.37 com um


resistor em série com um circuito tanque ideal é um tipo de filtro
banda passante. O circuito atua como um divisor de tensão. Na
ressonância, a impedância do tanque é muito maior que a
resistência. Assim, a tensão de entrada é aplicada sobre o tanque,
resultando em uma máxima tensão de saída na freqüência central
ou ressonante.

R Vout

Vin ~ L C

Figura 5.37: Filtro ressonante paralelo passa banda.

Para freqüências acima e abaixo da freqüência central, a


impedância do tanque cai, e a maior queda da tensão de entrada é
sobre R. Como resultado, a tensão de saída sobre o tanque diminui
criando uma característica de passa banda.

Para sinais de freqüências baixas, o capacitor da Figura 5.37


apresenta reatância elevada e seu comportamento tende a um
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5-51

circuito aberto, porém, o indutor apresenta baixa reatância e seu


comportamento tende a um curto-circuito. Desta forma, a maior
parcela da tensão de entrada estará sobre o resistor e a tensão de
saída será muito baixa, ou seja, o sinal será atenuado. Pode-se
dizer que o circuito “impede a passagem” de sinais de baixa
freqüência.

Para sinais de freqüências altas, o indutor apresenta reatância


elevada e seu comportamento tende a um circuito aberto, porém, o
capacitor apresenta baixa reatância e seu comportamento tende a
um curto-circuito. Desta forma, a maior parcela da tensão de
entrada estará sobre o resistor e a tensão de saída será muito
baixa, ou seja, o sinal será atenuado. Pode-se dizer que o circuito
“impede a passagem” de sinais de alta freqüência.

Porém, para sinais de freqüências intermediárias, ou seja, sinais


cujas freqüências estiverem próximas ao valor da freqüência de
ressonância do circuito, o indutor e o capacitor juntos apresentarão
alta reatância e seus comportamentos tenderão a um circuito
aberto, como estudado na seção sobre ressonância paralela. Desta
forma, a maior parcela da tensão de entrada estará sobre o circuito
LC ressonante de saída. Pode-se dizer, então, que o circuito “deixa
passar” sinais dentro de uma determinada faixa de valores de
freqüências.

[Link] Função de Transferência, Ganho e Fase

Aplicando a regra de divisor de tensão ao circuito da Figura 5.37,


obtém-se a função de transferência entre Vout e Vin.

jX L ⋅ ( − jX C ) ⎛ X L XC ⎞
− j ⎜⎜ ⎟
Vout j ( X L − XC ) ⎝ ( X L − X C ) ⎟⎠
= = (5.135)
Vin jX L ⋅ ( − jX C ) ⎛ X L XC ⎞
R+ R − j ⎜⎜ ⎟⎟
j ( X L − XC ) ⎝ ( X L − XC ) ⎠

Fatorando a Eq. 5.135, obtém-se:

Vout 1
=
Vin R ⋅( X L − XC )
1+ j
X L XC

Ou

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5-52

Vout 1
= (5.136)
Vin ⎛ ω RLC − R ⎞
2
1+ j ⎜ ⎟
⎝ ωL ⎠

A função de transferência de um filtro RLC paralelo passa-faixa é


dada por:

1
H ( jω ) = (5.137)
⎛ ω RLC − R ⎞
2
1+ j ⎜ ⎟
⎝ ωL ⎠

O ganho de tensão e a fase são respectivamente:

1
GV =
2
(5.138)
⎛ ω RLC − R ⎞
2
1+ ⎜ ⎟
⎝ ωL ⎠

⎛ ω 2 RLC − R ⎞
α = tg ⎜ −1
⎟ (5.139)
⎝ ωL ⎠

[Link] Freqüência de Corte

Na freqüência de corte o módulo da função de transferência é igual


a 1/√2, i.é.,

1
GV ,ω0 = = 0, 707 (5.140)
2

Então, para um filtro passa-faixa RLC paralelo:

1 1
2
= (5.141)
⎛ R − ω RLC ⎞2 2
1+ ⎜ ⎟
⎝ ωL ⎠

Resolvendo a Eq. 5.141 para ω encontra-se:

L
LCω 2 ± ω −1 = 0 (5.142)
R

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5-53

Esta igualdade fornece duas equações. Como a expressão do


ganho é de segunda ordem, obtêm-se duas equações de segundo
grau, cada uma com duas soluções que correspondem à
freqüência de corte superior e à freqüência de corte inferior do filtro
passa-faixa paralelo.

As freqüências de corte são então:

2
1 ⎛ 1 ⎞ 1
ω1 = − ± ⎜ ⎟ + (5.143)
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

2
1 ⎛ 1 ⎞ 1
ω2 = ± ⎜ ⎟ + (5.144)
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

A banda passante:

β = ω2 − ω1
1 (5.145)
=
RC

E o fator de qualidade:

ω0
Q=
β
(5.146)
R 2C
=
L

[Link] Freqüência Central

A chamada Freqüência Central de um Filtro Passa-Faixa ocorre na


Freqüência de Ressonância. Nesta situação o Ganho do circuito da
Figura 5.37 é unitário, então:

GV ,ω0 = 1 (5.147)
ou
1
2
=1 (5.148)
⎛ R − ω RLC ⎞
2
1+ ⎜ ⎟
0

⎝ ω0 L ⎠

O que resulta para ω0:

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5-54

1
ω0 = (5.149)
LC

A freqüência central é a mesma obtida para o circuito tanque ideal


ou para circuitos com fator de qualidade Q≥10.

5.2.4 Filtro Rejeita-Faixa RLC Paralelo

Um circuito RLC como o apresentado na Figura 5.38 pode


comportar-se como um filtro passivo rejeita-faixa.

Figura 5.38: Circuito de um Filtro Rejeita-Faixa RLC Paralelo.

Para sinais de freqüências baixas, o capacitor do circuito da Figura


5.37 apresenta reatância capacitiva elevada e seu comportamento
tende a um circuito aberto, porém, o indutor apresenta baixa
reatância indutiva e tende a comportar-se como um curto-circuito.
Desta forma, a maior parcela da tensão de entrada estará sobre o
resistor de saída. Pode-se dizer que o circuito “permite a
passagem” de sinais de baixas freqüências.

Para sinais de freqüências altas, o indutor apresenta reatância


indutiva elevada e tende a comportar-se como um circuito aberto,
porém, o capacitor apresenta baixa reatância capacitiva e tende a
comportar-se como um curto-circuito. Desta forma, a maior parcela
da tensão de entrada estará sobre o resistor de saída. Pode-se
dizer que o circuito “permite a passagem” de sinais de alta
freqüência.

Porém, para sinais de freqüências intermediárias, ou seja, para


sinais cuja freqüência estiver numa faixa próxima à freqüência de
ressonância do circuito, o indutor e o capacitor juntos apresentarão
alta reatância e ambos tenderão a comportarem-se como um
circuito aberto, como visto na seção sobre ressonância paralela.
Desta forma, a maior parcela da tensão de entrada estará sobre o
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5-55

circuito LC ressonante e a tensão sobre o resistor de saída será


praticamente nula, ou seja, o sinal será atenuado. Pode-se dizer,
então, que o circuito “impede a passagem” de sinais (rejeita sinais)
de uma determinada faixa de freqüências.

[Link] Ganho e Fase

Para o circuito da Figura 5.38, a tensão de saída em função da


tensão de entrada pode ser dada pela expressão:

Vout R 1
= = (5.150)
Vin R + j X L ⋅ X C ⎛ ωL ⎞
1+ j⎜ ⎟
( X L − XC ) ⎝ R − ω RLC ⎠
2

A função de transferência de um filtro rejeita-faixa paralelo é então:

1
H ( jω ) = (5.151)
⎛ ωL ⎞
1+ j ⎜ ⎟
⎝ R − ω RLC ⎠
2

As expressões para o ganho de tensão e a fase são


respectivamente:
1
GV = H ( jω ) = (5.152)
ωL
2
⎛ ⎞
1+ ⎜ ⎟
⎝ R − ω RLC ⎠
2

⎛ ωL ⎞
∠H ( jω ) = α = tg −1 ⎜ ⎟ (5.153)
⎝ R − ω RLC ⎠
2

[Link] Freqüência de Corte

1 1
GV = = (5.154)
ωL
2
⎛ ⎞ 2
1+ ⎜ ⎟
⎝ R − ω RLC ⎠
2

Operando na Eq. 5.148, obtém-se:

L
ω 2 LC ± ω −1 = 0 (5.155)
R

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5-56

Como a expressão do ganho é de segunda ordem, obtemos duas


equações do segundo grau, cada uma com duas soluções que
correspondem à freqüência de corte inferior e à freqüência de corte
superior do filtro rejeita-faixa paralelo:

2
1 ⎛ 1 ⎞ 1
ω1 = − ± ⎜ ⎟ + (5.156)
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

2
1 ⎛ 1 ⎞ 1
ω2 = ± ⎜ ⎟ + (5.157)
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

[Link] Freqüência Central

A freqüência central de um filtro rejeita-faixa ocorre exatamente na


freqüência de ressonância. Nesta situação, o ganho do circuito da
Figura 5.38 é nulo, então:

GV (ω0 ) = 0 (5.158)
e, portanto

1
2
=0 (5.159)
⎛ ω0 L ⎞
1+ ⎜ ⎟
⎝ R − ω0 RLC ⎠
2

Para que a Eq. 5.159 seja verdadeira, implica que:

R − ω02 RLC = 0 ∴

1
ω0 = (5.160)
LC

Esta é a mesma equação já conhecida para a freqüência de


ressonância de um circuito RLC.

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5-57

5.3. Quadro Resumo sobre Filtros


Circuito Vin Vout Freq. Freqüências de Cortes Tipo de
Central Filtro
ω0 ω1 ω2
RC RC C 1 RC Passa
Série Baixa
R 1 RC Passa
Alta
RL RL L R L Passa
Série Alta
R R L Passa
Baixa
RLC RLC R 2 2 Passa
1 LC R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞
Série − + ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ Banda
2L ⎝ 2 L ⎠ ⎝ LC ⎠ 2L ⎝ 2 L ⎠ ⎝ LC ⎠
L-C 2 2 Rejeita
1 LC R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞
− + ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ +⎜ ⎟ Banda
2L ⎝ 2 L ⎠ ⎝ LC ⎠ 2L ⎝ 2 L ⎠ ⎝ LC ⎠
RLC R- L//C 1 LC 1 ⎛ 1 ⎞
2
1 1 ⎛ 1 ⎞
2
1 Passa
Paralelo L//C − + ⎜ ⎟ + + ⎜ ⎟ + Banda
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC 2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

R 1 LC 1 ⎛ 1 ⎞
2
1 1 ⎛ 1 ⎞
2
1 Rejeita
− + ⎜ ⎟ + + ⎜ ⎟ + Banda
2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC 2 RC ⎝ 2 RC ⎠ LC

5.4. Conclusões

− Em circuitos série a variação de qualquer um dos parâmetros f,


L ou C pode produzir ressonância.
− Em circuitos série contendo R, L e C há sempre alguma
freqüência ressonante real para quaisquer valores dos três
parâmetros.
− Na ressonância série para:
ω < ω0: o circuito apresenta teor capacitivo e a corrente está
adiantada da tensão.
ω > ω0: o circuito apresenta teor indutivo e a corrente está
atrasada da tensão.
ω = ω0: o circuito tem teor resistivo, a impedância equivalente
é mínima e a corrente está em fase com a tensão. A corrente
é máxima e a tensão da fonte está toda sobre a resistência. A
potência dissipada no resistor será máxima. Há tensão no
indutor e no capacitor, iguais em módulo, porém defasadas
de 180o, anulando-se. Para condições em que Q≥1, a tensão
sobre o indutor e capacitor é maior ou igual à tensão da fonte.

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5-58

− Em circuitos paralelos a variação de qualquer um dos


parâmetros f, L, C, RL, ou RC pode produzir ressonância.
− Em um circuito paralelo, podem existir valores de RL, C, RC, e L
para os quais a ressonância é impossível, qualquer que seja a
freqüência, bem como há valores em que o circuito opera em
ressonância para qualquer valor de freqüência.
− As características gerais do circuito são as mesmas quaisquer
que seja o parâmetro variado para produzir ressonância, i.e.,
fator de potência unitário.
− Na ressonância paralela para:
o ω < ω0: o circuito apresenta teor indutivo e a corrente está
atrasada em relação à tensão.
o ω > ω0: o circuito apresenta teor capacitivo e a corrente
está adiantada em relação à tensão.
o ω = ω0: o circuito tem teor resistivo, a impedância
equivalente é máxima e a corrente no resistor é mínima
(igual a da fonte) e estará em fase com a tensão. A
potência dissipada será máxima. Existem correntes no
indutor e no capacitor, iguais em módulo, porém defasadas
de 180, anulando-se.
− São cinco os parâmetros (ω0, ωcI, ωcS, β, Q) que caracterizam um
filtro baseado no circuito RLC, porém apenas dois desses
parâmetros podem ser especificados livremente:
o A freqüência ressonante ou central, ω0, para a qual o
módulo da função de transferência é máxima (|I| em
circuitos série e |Z| em circuitos paralelos).
o As duas freqüências críticas ou de corte, ωCI e ωCS, que
definem a banda passante.
o A banda passante, β, uma medida da largura da banda
de passagem.
o Fator de qualidade, Q, uma segunda medida da largura
da banda de passagem.
− Em um circuito RLC série a amplitude da corrente aproxima-se
de zero para pequenos e grandes valores de ω.
o O capacitor bloqueia a passagem de corrente a
freqüências baixas.

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5-59

o O indutor bloqueia a passagem de corrente a


freqüências elevadas.
− Em um circuito RLC paralelo a amplitude da impedância
aproxima-se de zero e o fator de potência aproxima-se da
unidade para pequenos e grandes valores de ω.
o Para freqüências baixas, enquanto a corrente no ramo
capacitivo é muito pequena (XC→∞ quando f→0), a
corrente no ramo indutivo é praticamente resistiva (XL→0
quando f→0) e o fator de potência unitário.
o Para freqüências bem maiores que a freqüência
ressonante (XL→∞ quando f→∞), a corrente no ramo
capacitivo é praticamente resistiva (XC→0 quando f→∞) e
o fator de potência torna-se unitário.
o Na freqüência ressonante, a componente imaginária da
corrente no ramo indutivo (-jIL) é igual à do ramo capacitivo
(jIC) e o fator de potência do circuito unitário.
− Na ressonância série a impedância do circuito é mínima (XL=XC),
na ressonância paralela, a impedância do circuito é máxima.
− Em um circuito série a corrente é máxima na ressonância; em
um circuito paralelo, a corrente mínima na ressonância quando a
condutância for constante.
− Na ressonância série e paralela o fator de potência é unitário.

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Referências

[1] Floyd, T.L. Principles of Electric Circuits, 6th Ed. Prentice Hall,
2000. ISBN 0-13-095997-9.927p.

[2] Nilsson, James W., Reidel, Susan A., Circuitos Elétricos, LTC,
6a Edição, 2003.

[3] Kerchner, R.M., Corcoran,G.F., Circuitos de Corrente


Alternada, Porto Alegre, Globo, 1973.

[4] Mussoi, Fernando Luiz Rosa. Apostila sobre Resposta em


Freqüência Filtros Passivos. Centro Federal de Educação
Tecnológica de Santa Catarina. 2004. p.86.

[5] Najmabadi, F. Passive Filters. Lecture Notes. 2006.

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