Expressionismo
O movimento expressionista ocorreu em meados do século XX, entre as décadas 1900 e 1930 e
esteve presente em várias artes como: o teatro, artes plásticas, literatura e cinema.
O início do século XX foi marcado pela Revolução Industrial, o que trouxe muitas transformações
sociais e políticas no continente europeu, incluindo a rápida urbanização e mudanças na vida da
sociedade. O movimento expressionista foi majoritariamente desenvolvido na Alemanha por meio
de um grupo artístico chamado Die Brücke (A ponte), o qual era formado por estudantes de
arquitetura.
O Expressionismo prioriza a expressão emocional à representação fiel da realidade, sendo subjetiva
e espontânea. As obras expressionistas contavam com distorções, sínteses, exageros e exploração
das fantasias dos artistas, usando cores e formas para destacar as emoções, que podem ser vistas
em figuras deformadas, alongadas e cores que não correspondem à realidade. Por esses motivos, o
expressionismo foi duramente criticado pelo regime nazista, que afirmava que era uma “arte
degenerada”.
Antes da arte expressionista, as obras de arte eram vistas como objetos decorativos que
precisavam agradar visualmente o público, o que explica o descontentamento com a sociedade do
século passado em relação ao expressionismo, afinal, é um movimento caracterizado por obras que
mostram as emoções do artista, expressam sentimentos por meio da imagem e que retrata
situações cotidianas ruins.
Um exemplo de obra que retrata cenas ruins do
cotidiano é “A menina doente” de Edvard Munch,
que rompe com a representação amável da
natureza e expressa visões subjetivas de um
mundo ameaçador. Munch utiliza das cores para
dramatizar e transmitir medo, horror e
representar o grotesco. Para o pintor, esse
quadro retrata um período em que reconhece
como “Era do Travesseiro”, pois a tuberculose era
algo muito presente na época e levava muitos à
morte. Desse modo, Munch retratou a realidade
da época na obra, representando o sofrimento
com a doença que devastava e entristecia muitas
famílias, representado pela mulher segurando a
mão da menina doente com a cabeça abaixada. Edvard Munch, A Menina Doente, 1907. 4º quadro da série.
Pintura a óleo. 137x139 cm.
Edvard, com o quadro “O Grito” nos revela os
aspectos fundamentais do expressionismo: a
expressão da emoção intensa e a distorção da
realidade. O quadro capta uma sensação de
angústia, desespero e dor por meio da figura
central que, com sua boca aberta em um grito
silencioso que ressoa com a experiência de
ansiedade. Munch descreveu sua inspiração para
a imagem: "Eu estava caminhando pela estrada
com dois amigos, o sol estava se pondo, de
repente, o céu ficou vermelho-sangue, fiz uma
pausa, me sentindo exausto, e me apoiei na cerca,
havia sangue e línguas de fogo acima do fiorde
azul-escuro e da cidade, meus amigos
caminharam, e eu fiquei ali tremendo de
ansiedade, e senti um grito infinito passando pela
natureza.” Edvard Munch, O Grito, 1893. Pintura a óleo. 91 cm x 73,5 cm.
A partir dessa descrição, é comprovado o caráter subjetivo e individualista do expressionismo,
que retrata a realidade da forma que o artista à enxerga e à percebe, com isso, as obras não têm
o fim de dialogar com o público, pelo contrário, são uma forma de manifestar seus gritos
internos diante de uma realidade tão difícil.
Outro nome extremamente influente no
expressionismo é Vincent Van Gogh,
considerado um dos precursores do
movimento. Van Gogh teve uma imensa
contribuição para a arte moderna devido a
sua abordagem inovadora de pintura e o uso
único de cores e pinceladas expressivas, essa
técnica pode ser visualizada na obra ao lado.
No quadro, “A Noite Estrelada” Vincent
utiliza do impasto, técnica que consiste em
utilizar pinceladas curtas e espessas para criar
textura e movimento na tela, criando certa
tridimensionalidade. Além disso, as ondas na Vincent Van Gogh, A Noite Estrelada, 1889. Pintura a óleo.
73 cm x 92 cm.
imagem trazem a sensação de movimento.
As cores azul e amarelo contrastam e intensificam a sensação de luz no céu noturno, atraindo a
atenção do espectador, dramatizando a imagem.
A obra capta a beleza do céu noturno visto pela janela do quarto de Van Gogh no asilo
psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence, na França. É uma representação da paisagem que ele via
antes do nascer do sol, com um céu estrelado e a lua. Dessa forma, a obra também expressa as
emoções internas de Vincent, a solidão que sentia e a busca pela paz em meio ao caos emocional em
que vivia. O céu vibrante e em movimento reflete a alma inquieta e confusa de Van Gogh junto com
sua angústia e sua admiração pelo pedaço de mundo que conseguia enxergar de sua janela.
O artista belga, James Ensor também foi um grande nome para o expressionismo que utilizava de
um estilo próprio e críticas sociais para compor suas obras.
Assim como Van Gogh, Ensor, em sua
obra “A Entrada De Cristo Em Bruxelas”,
utiliza de pinceladas soltas para trazer
movimento à imagem e de formas que
se sobrepõem, criando grande agitação
e um forte impacto visual. Além disso,
as formas se movem em direções
variadas mostrando uma multidão que
acompanha a entrada de Cristo. As
cores utilizadas são vivas, como o
vermelho, amarelo e verde,
intensificando a emoção da cena e James Ensor, A Entrada De Cristo Em Bruxelas, 1888. Pintura a óleo.
destacando figuras centrais em meio às 252,7 cm x 430,5 cm.
cores frias. A maioria das figuras da
pintura fazem expressões exageradas, ou utilizam de máscaras e caveiras, o que confere um
caráter jocoso à imagem.
Ensor inseria muitas críticas sociais em suas obras, neste quadro, James critica a hipocrisia da
sociedade na época, com as figuras representando a devoção e a estupidez da adulação cega.
Desse modo, o artista questiona a autenticidade das crenças religiosas em meio a
superficialidade da sociedade. O pintor também gera uma reflexão sobre dualidade e a futilidade
da natureza humana, representadas pela presença de máscaras que escondem a verdadeira
A dançada
essência - teatro também foi influenciada pelo expressionismo, destacando Mary Wigman como
humanidade.
um dos principais nomes que rompiam com a rigidez técnica e estética do balé clássico. A aluna de
Laban propôs uma dança livre que tem como único objetivo expressar sentimentos e o destino
trágico da humanidade. A dança contava com movimentos, gestos fortes e bruscos, carregados de
emoção, e máscaras expressivas para intensificar o movimento e as mensagens que os bailarinos
queriam passar.
A partir dessa análise sobre o movimento expressionista, é perceptível que os expressionistas
confrontaram a sociedade de sua época provocando uma quebra de paradigmas, influenciando a
visão que temos da arte atualmente, por exemplo: o frequente uso da arte para explorar o íntimo e
questões sociais, a liberdade estética e criativa para uma variedade de estilos artísticos e a
dissolução das fronteiras entre arte alta e arte popular. O expressionista deixou um legado que até
hoje expande as possibilidades da arte.
Feito por: Gabrielle Louise Claussen Tavares – 2 Série C