Eu estava me despedindo, seria uma viagem longa em meio a tantos
acontecimentos no País da Terra, Zanawk estava dando os toques finais
no sistema de segurança da caravana, me peguei pensando sobre tudo
que aconteceu durante a guerra. De um dia para o outro não éramos mais
completos estranhos, ajudamos um pouco em meio a um conflito tão
sangrento e graças a isso, cá estava nossa maior conquista: uma
caravana altamente mágica que tinha quartos, sistema de invisibilidade,
tudo que pudesse imaginar, mas por fora era apenas uma estrutura
simples de madeira. Meu irmão estava tenso, nosso pai não parecia bem
depois de perder o braço, assim como nossa mãe estava infeliz, eles
estavam se divorciando e era evidente que muitas coisas iriam mudar a
partir do momento que fossemos embora. Lázaros era a pessoa que eu
não queria abandonar, ele era meu melhor amigo e ao pensar nesse
sentimento, a memória de como nos conhecemos veio a minha mente.
Era uma tarde muito quente quando eu e Zanawk estávamos treinando na
floresta próximo a nossa casa. Eu me sentia entediada, era a quinta vez
que vínhamos ao mesmo lugar, com as mesmas árvores, mesmos
pássaros e fazer as mesmas coisas. Até que me deparei com um
estranho, ele caminhava em meio ao sol e parecia extremamente
desconfortável, seu rosto era pálido, corpo magro e caminhava
cambaleando. Me aproximei um pouco e disse:
- Oi, você precisa de ajuda? - eu tinha plena noção que talvez fosse
burrice fazer isso, mas eu queria muito ajudar ele
- Sai... Sai de perto de mim – sua voz estava fraca, como se ele não
bebesse água fazia dias
- Você precisa de água? - perguntei calmamente
- Não... Eu estou sedento de... Sangue – sua voz quebrava e
retornava aos poucos enquanto ele parecia conflitado de olhar para
mim
Assim, eu ofereci meu próprio sangue para ele, graças ao mesmo que eu
sobrevivi durante a guerra,