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Assistência de Enfermagem no Puerpério

O documento aborda a assistência de enfermagem no período puerperal e no aleitamento materno, destacando a importância do cuidado materno e as mudanças físicas e emocionais que a mulher enfrenta após o parto. O puerpério é dividido em três fases e é um período crítico que requer atenção especial para prevenir complicações como infecções e depressão pós-parto. Além disso, enfatiza a relevância do aleitamento materno exclusivo e a necessidade de orientação sobre métodos contraceptivos durante esse período.
Direitos autorais
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Assistência de Enfermagem no Puerpério

O documento aborda a assistência de enfermagem no período puerperal e no aleitamento materno, destacando a importância do cuidado materno e as mudanças físicas e emocionais que a mulher enfrenta após o parto. O puerpério é dividido em três fases e é um período crítico que requer atenção especial para prevenir complicações como infecções e depressão pós-parto. Além disso, enfatiza a relevância do aleitamento materno exclusivo e a necessidade de orientação sobre métodos contraceptivos durante esse período.
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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PERÍODO PUERPERAL E


NO ALEITAMENTO MATERNO
 Aula 1 - Assistência de enfermagem no puerpério

 Aula 2 - Direitos da gestante e da parturiente

 Aula 3 - Introdução ao aleitamento materno

 Aula 4 - Manejo do aleitamento materno

 Aula 5 - Revisão da unidade

 Referências

Aula 1

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PUERPÉRIO


Olá, estudante! Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à
assistência de enfermagem no puerpério e aleitamento materno, como conceito, classificação,
alterações, complicações, anticoncepção e lactação.

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à assistência de
enfermagem no puerpério e aleitamento materno, como conceito, classificação, alterações, complicações,
anticoncepção e lactação.

O material apresenta os principais temas que deverão ser estudados e, além deste, você também pode contar
com as questões apresentadas e com os vídeos contidos nas aulas, que serão de suma importância para
você.

Participe ativamente das atividades!

Mantenha uma rotina de estudos que possibilite sua dedicação aos processos de leitura, participação e
realização das atividades propostas. É de extrema importância para que você obtenha sucesso tanto em
construção e desenvolvimento de aprendizagem quanto em sua aplicação.

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Desde já desejamos a você bons estudos!

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PERÍODO PUERPERAL

O puerpério, também denominado pós-parto, é o período que ocorre após o parto, quando ocorrem os
processos involutivos e de recuperação do organismo materno após a gestação.

O puerpério tem duração de 6 a 8 semanas, período dividido em:

Puerpério imediato: inicia-se após o nascimento do bebê e se estende até o término da segunda hora
após o parto.

Puerpério mediato: inicia-se da terceira hora após o nascimento do bebê e se estende até o décimo dia
após o parto.

Puerpério tardio: inicia-se a partir do décimo primeiro dia após o parto, e se estende até o retorno das
menstruações ou 6 a 8 semanas nas lactantes.

Durante a gestação, o corpo da mulher passa por várias mudanças para adaptação do feto; já após o
nascimento as mudanças ocorrem para que o organismo materno retorne ao estado pré-gravídico.

A principal complicação no puerpério é a infecção puerperal.

Para Silva, Laranjeira e Osanan (2019, p. 252),

No período puerperal, a mulher costuma vivenciar muitas ansiedades e o surgimento de


sintomas depressivos. A necessidade de amparo e proteção durante o período gestacional
se mantém, os quais são por vezes confundidos com depressão patológica. Associados às
perdas vivenciadas e à necessidade de adaptações da mulher após a chegada de um filho,
observam-se estados de humor rebaixado – baby blues ou blues puerperal.

Nenhum método contraceptivo é completamente livre de efeitos colaterais, mas a contracepção geralmente
apresenta menos riscos do que a gravidez. No entanto, alguns distúrbios ou medicamentos podem aumentar
os riscos de alguns contraceptivos. A OMS (World Health Organization, 2015) atualizou suas diretrizes
baseadas em evidências, chamadas critérios médicos de elegibilidade, para o uso de todos os métodos
contraceptivos reversíveis altamente efetivos por mulheres com várias condições de saúde.

A prescrição de contracepção reversível de longo prazo (endoceptivos e dispositivos intrauterinos) no


puerpério imediato tem sido orientada com o objetivo de otimizar o planejamento familiar em mulheres com
alto risco reprodutivo (Silva; Laranjeira; Osanan, 2019).

A amamentação é importante à saúde do lactente sob os aspectos nutricional, imunológico, gastrintestinal,


psicológico, do desenvolvimento e da interação entre mãe e filho (Organização Mundial da Saúde,2008). Com
o intuito de prevenir a desnutrição precoce e reduzir a morbimortalidade infantil, a OMS recomenda o

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aleitamento materno exclusivo (AME) até o sexto mês de vida e a sua complementação até os 2 anos de idade
ou mais (OMS, 2008).

A amamentação traz inúmeros benefícios, integrados com a minimização de risco para desenvolver doenças
cardiovasculares, diabetes mellitus, câncer antes dos 15 anos de idade e sobrepeso/obesidade. O efeito
protetor do leite materno contra o sobrepeso/obesidade é de crescente importância em virtude do problema
da obesidade infantil em todas as regiões do mundo, em particular nos países desenvolvidos (Montenegro;
Rezende Filho, 2017, p. 305).

No entanto, pelo menos 85% das mães em todo o mundo não seguem essas recomendações, e apenas 35%
das crianças com menos de 4 meses são exclusivamente amamentadas (OMS, 2003).

A amamentação na primeira hora de vida acaba intensificando a formação de laços afetivos entre mãe e filho,
promovendo o contato pele a pele entre eles.

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PUERPÉRIO, COMPLICAÇÕES E CONTRACEPÇÃO

O puerpério é um período crítico na vida de uma mulher após o parto, e compreender seus aspectos é
fundamental para profissionais de saúde e técnicos que trabalham com cuidados maternos e neonatais.

O período imediato também pode ser chamado de quarto período do parto, dando continuidade aos outros
dois períodos, mediato e tardio.

Imediatamente após a dequitação (expulsão da placenta), o útero inicia o processo de involução, e a retração
uterina é característica do miométrio, que permite ao órgão manter-se em tamanho reduzido após várias
contrações.

O colo do útero retorna tipicamente ao seu estado de pré-gravidez até a sexta semana após o parto; aos
poucos se fecha, mas nunca retoma seu aspecto pré-gestacional. Nas consultas puerperais podem ser
observadas tais mudanças, inclusive pelo exame citopatológico.

A vagina pode apresentar-se edemaciada, muito vascularizada e lisa, com sensibilidade à


dor, e o tônus muscular é bem menor, entre a terceira e a quarta semana, reaparecem as
rugas próprias da mulher não gestante. Já o períneo apresenta, com frequência, edema e
equimose (termo médico e nome correto das manchas roxas mais comuns que aparecem
e comumente chamamos de hematomas) por 1 ou 2 dias após o parto. Os lóquios
consistem nas perdas vaginais que a mulher apresenta no pós-parto, são constituídos por
coágulos dissolvidos, exsudatos produzidos no interior do útero. No início são vermelhos
(lóquios rubros), compostos principalmente por eritrócitos, e costumam durar de 1 a 3
dias; depois são serosos (lóquios serosos), de cor rosada e serosa, permanecendo por 4 a
10 dias, com predominância de leucócitos; por último, ficam esbranquiçados e amarelados
(lóquios brancos) e duram de 10 a 14 dias, podendo se estender até 6 semanas (Santos et
al., 2010, p. 220, 221).

Logo após o parto, a mulher pode ficar esgotada pelo trabalho muscular, com o rosto coberto de suor,
presença de inspiração costal profunda e ritmo respiratório diminuído. Neste primeiro momento, ela
necessita de repouso e silêncio – está sonolenta e pode ficar desinteressada pelo que ocorre à sua volta, até
mesmo pelo filho que acaba de chegar (Zugaib, 2015).

A infecção puerperal é qualquer infecção bacteriana do trato genital feminino no pós-parto. O principal sinal é
febre, e algumas vezes a puérpera relata sangramento com odor ou infecção da ferida operatória (no caso de
cesárea).

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O puerpério é considerado um período de maior fragilidade psíquica para a mulher e corresponde a um


estado de alteração emocional em que a mãe se liga intensamente ao recém-nascido, adaptando-se a ele e
atendendo às suas necessidades básicas. Há um predomínio da comunicação não verbal; só há troca de
olhares entre mãe e filho, o que torna o momento especial e reconfortante, e isso deve ser observado pela
equipe, que deve notar sinais de tristeza ou mesmo de depressão.

Para as mães que estão amamentando de maneira exclusiva, a ovulação durante as primeiras 10 semanas
depois do parto é pouco provável, mas pode acontecer. Essas mães, na própria maternidade, devem ser
orientadas acerca de contraceptivos e aleitamento exclusivo.

O início da anticoncepção no pós-parto é importante para prevenir a gravidez indesejada e o pequeno


intervalo interpartal e suas conhecidas implicações – recém-nascido pequeno para a idade gestacional, parto
pré-termo (Montenegro; Rezende Filho, 2017, p. 301).

A lactação não é o método mais eficaz para evitar uma futura gestação por ser um método temporário. Por
isso, a paciente deve ser orientada a respeito de métodos contraceptivos desde o acompanhamento pré-natal,
sendo esclarecida de todos os métodos disponíveis. Inclusive, o SUS oferece planejamento familiar, e a
paciente pode escolher o método que prefere utilizar.

PUERPÉRIO

Durante o puerpério, um momento de mudanças não só para a mãe, mas para os outros membros da família,
a enfermagem desempenha papel importante ao auxiliar as pessoas a se adaptarem às mudanças, facilitando
uma passagem tranquila para a maternidade e a paternidade (Santos et al., 2010, p. 224).

A assistência de enfermagem durante o período puerperal é de extrema importância, com as seguintes ações:

Verificar sinais vitais, como pressão arterial (PA) e temperatura, na admissão na sala de recuperação.

Controlar sangramento vaginal; estar atento aos sinais de sangramento e choque.

Observar presença de calafrios.

Manter a puérpera aquecida até que se normalize seu estado.

Observar presença de vômitos.

Mantê-la em repouso, em decúbito dorsal, com a cabeceira ligeiramente elevada.

Anotar em impresso próprio toda a evolução da puérpera.

Comunicar a enfermeira responsável a respeito de qualquer intercorrência com a puérpera e seu estado
clínico.

Existem várias causas que predispõem a infecção puerperal, e alguns fatores aumentam o risco da
complicação no pós-parto:

Procedimento cirúrgico (fórceps, cesariana, extração a vácuo).

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Histórico de diabetes mellitus, inclusive o diabetes gestacional.

Trabalho de parto prolongado.

Uso de sonda vesical de demora.

Anemia.

Toques vaginais em excesso durante o trabalho de parto.

Ruptura prolongada das membranas.

Extração manual da placenta.

Paciente HIV positiva.

Um quadro de alteração da saúde mental nesse período que causa grande preocupação é a depressão pós-
parto, que tem início após quatro semanas do nascimento. Os sintomas incluem irritabilidade, choro
frequente, sentimentos de desamparo, desinteresse e desesperança, falta de energia e de motivação,
desinteresse sexual, alterações alimentares e do sono. A mãe recente não se considerar capaz de lidar com as
novas situações e acaba se tornando uma paciente poliqueixosa.

As mudanças de humor são comuns no período puerperal: alterações hormonais, conflito


sobre o papel materno, insegurança pessoal, perdas anteriores de fetos ou gestações sem
sucesso, desconfortos físicos e cansaço. A depressão puerperal é atribuída às alterações
hormonais, geralmente são episódios temporários de depressão e choro por qualquer
motivo e não duram muito tempo. As mães devem ser informadas que esses sentimentos
são comuns. A psicose puerperal diz respeito às formas confuso-delirantes, que ocorrem,
via de regra, entre o segundo e décimo quinto dia, pós-parto, e se caracterizam por estado
confusional, seguido de delírio alucinatório (auditivo ou visual), cujas crises agudas são
mais frequentes na fase vespertina, são em geral precedidas de manifestações depressivas
e apáticas (Barros, 2006, p. 202).

A depressão pós-parto (DPP) é uma condição de saúde mental que afeta algumas mulheres após o parto. Ela
pode ser causada por uma combinação de fatores hormonais, genéticos, emocionais e sociais, e pode se
manifestar de diversas formas, incluindo sentimentos de tristeza profunda, ansiedade, fadiga, mudanças de
apetite e dificuldade em se relacionar com o bebê. É importante destacar que o DPP é uma condição médica
tratável e não deve ser negligenciada.

Uma mãe recente está apresentando sinais de depressão pós-parto; ela se sente triste, isolada e incapacitada
de cuidar especificamente de seu bebê, e o problema precisa ser abordado para garantir o bem-estar da mãe
e do filho. É preciso investigar os sinais e procurar o que está ocasionando a depressão pós-parto, e a equipe

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deve buscar o histórico familiar e social, mudanças hormonais e eventos estressantes. Deve-se avaliar o risco
para a mãe e bebê, e assim e oferecer apoio principalmente psicológico, já que o puerpério é um período
difícil para muitas mulheres.

As mães que amamentam integralmente podem ficar amenorreicas no pós-parto por 8 a


12 meses, enquanto as não lactantes, por menos de 2 meses. A fim de se evitar a gravidez,
aconselha-se que, se ainda amenorreicas ou indistintamente após o retorno das regras, as
não lactantes procurem proteção anticoncepcional aos 30 a 40 dias, e as lactantes, após 3
a 6 meses (Montenegro; Rezende Filho, 2017, p. 311).

Durante a amamentação, o corpo da mulher passa por mudanças hormonais que podem afetar sua
fertilidade. No entanto, a amamentação não é um método contraceptivo confiável por si só, pois as mulheres
ainda podem ovular e engravidar durante esse período. Portanto, é crucial considerar opções de contracepção
compatíveis com a amamentação. Assim, é preciso avaliar o histórico médico da mulher e verificar se ela está
amamentando exclusivamente, porque isso pode afetar a escolha do método contraceptivo. E, claro,
conversar com ela para discutir as preferências da mãe e, assim, optar pelo método escolhido.

VIDEO RESUMO

Olá, estudante!

Você verá no vídeo um breve roteiro do que foi visto na aula: conceito e classificação do puerpério e suas
alterações anatômicas e fisiológicas. Serão abordadas as complicações pós-parto, depressão e blues pós-
parto, além da anticoncepção e da lactação.

 Saiba mais
Olá, estudante! Para mais informações a respeito do assunto tratado nesta aula, recomendamos este
livro voltado à enfermagem:

RICCI, S. S. Enfermagem Materno-Neonatal e Saúde da Mulher. São Paulo: Grupo GEN, 2019. E-book.
ISBN 9788527735728.

Aula 2

DIREITOS DA GESTANTE E DA PARTURIENTE

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Olá, estudante! Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados aos
direitos da gestante e da parturiente.

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados aos direitos da gestante e
da parturiente. O material apresenta os principais temas que deverão ser estudados, e você também pode
contar com as questões apresentadas e com os vídeos que no decorrer das aulas, que serão de suma
importância para você.

Participe ativamente das atividades!

Mantenha uma rotina de estudos que possibilite sua dedicação aos processos de leitura, participação e
realização das atividades propostas. É de extrema importância para que você obtenha sucesso tanto em
construção e desenvolvimento de aprendizagem quanto em sua aplicação.

Desde já desejamos a você bons estudos!

DIREITOS NO CICLO-GRAVÍDICO

A Rede Cegonha é uma estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para
assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo, a atenção humanizada durante a gravidez, o
parto e o puerpério, bem como também garantir às crianças o direito ao nascimento seguro, crescimento e
desenvolvimento saudáveis. Tem ainda a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-
infantil no país, e será implantada, gradativamente, em todo o território nacional, respeitando o critério
epidemiológico, a taxa de mortalidade infantil e a razão entre mortalidade materna e densidade populacional
(Brasil, 2017).

Dá a garantia de realização de todos os exames necessários e a vinculação da gestante a uma maternidade de


referência para o parto.

Os componentes da Rede Cegonha são: pré-natal, parto e nascimento, puerpério e atenção integral à saúde
da criança e sistema logístico (transporte sanitário e regulação).

A Lei Federal n. 11.108, de 7 de abril de 2005, obriga os serviços de saúde do SUS a permitirem a presença de
um acompanhante da parturiente durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato
(Moron, 2011, p. 1740).

O direito da mulher de ter uma pessoa por perto e de sua escolha visa evitar abusos e intervenções
desnecessárias ao parto, fazendo com que a assistência profissional seja adequada e respeitosa, e que a
gestante receba cuidados obstétricos durante toda a gestação e após o parto, além de obter informações e o

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consentimento acerca de qualquer procedimento que venha a ser realizado.

A instituição precisa ter uma política que garanta o direito do acompanhante de permanecer ao lado da
mulher o tempo todo. E as pessoas da equipe também precisam estar empoderadas no sentido de dizerem
que este é direito do acompanhante. Ou seja, é necessário haver pessoas zelando para que essas normas
sejam cumpridas – o que não ocorre em muitos lugares. Às vezes até há uma política institucional, mas
ninguém responsável para garantir que, de fato, esse direito seja exercido (ProQuest, 2022).

Além disso, a Lei n. 11.634/2007 garante que toda a gestante assistida pelo SUS tenha direito ao
conhecimento e à vinculação prévia à maternidade na qual será realizado seu parto, bem como à maternidade
na qual será atendida nos casos de intercorrência pré-natal.

A violência obstétrica pode ser do tipo física, verbal, psicológica, sexual e de negligência da assistência, e não
diz respeito apenas a médicos, enfermeiros e demais profissionais de saúde, mas pode ser atribuída, também,
a toda a estrutura de hospitais e clínicas. Cesárea sem indicação, manobra de Kristeller e episiotomia podem
ser apontados como situações de violência obstétrica.

A violência obstétrica (VO), se caracteriza de diversas formas, sendo um termo usado no


Brasil para referir-se às práticas agressivas ou invasivas contra gestantes e puérperas, em
que essas ações pode ser cometida por qualquer profissional da saúde que negligencie
assistência a parturiente, além de violências verbais, físicas e psicológicas, assim como o
uso de tecnologias e procedimentos desnecessários durante o ciclo gravídico-puerperal
sem o consentimento da parturiente, impedindo a autonomia da gestante sobre seu
próprio corpo (Nogueira, 2022, p. 67).

LEIS NO ÂMBITO MATERNO

A Rede Cegonha é uma rede temática que foi instituída em 2011, como uma inovadora estratégia do
Ministério da Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Portaria nº 1.459 (Brasil, 2021).

Segundo a OMS (2013):

As diretrizes que compõem a Rede Cegonha são:

Acolhimento com avaliação e classificação de risco e vulnerabilidade, ampliação do


acesso e melhoria da qualidade do pré-natal;

Vinculação da gestante à unidade de referência para o parto, e ao transporte seguro;

Boas práticas e segurança na atenção ao parto e nascimento;

Atenção à saúde das crianças de 0 a 24 meses, com qualidade e resolutividade;

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Acesso às ações de planejamento reprodutivo.

Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2021), toda mulher tem direito ao atendimento na gravidez, no parto e
após o parto. Para isso, deve buscar a unidade de saúde mais próxima de sua residência para realizar o pré-
natal. Durante esse período, a equipe de saúde deve informar qual maternidade ou hospital deverá ser
buscado no momento do parto ou em caso de intercorrências.

A Lei Federal nº 11.108/2005, conhecida como a Lei do Acompanhante, determina que os serviços de saúde do
SUS, da rede própria ou conveniada, são obrigados a permitir à gestante o direito ao acompanhante durante
todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto.

O acompanhante, na ocasião do parto, oferece benefícios à paciente no período intraparto. Muitas vezes, o
isolamento das pessoas queridas durante o trabalho de parto desencadeia aumento do estresse da
parturiente, interferindo no parto e prolongando-o.

Na assistência à saúde, na consulta ambulatorial ou na internação, a presença do acompanhante é um tema


que muitas vezes ficava sob os critérios dos profissionais e dos serviços, que determinavam em quais casos
poderiam permitir ou mesmo estimular tal presença (Zugaib, 2021, p. 1380).

O acompanhante não precisa ser o companheiro afetivo da gestante, mas um parente ou mesmo um amigo, e
a escolha da mulher deve ser respeitada.

Além disso, há outras iniciativas que foram naturalizadas com o tempo, e que atualmente passando
despercebidas pelas grávidas, como fazer cesárea sem indicação médica, episiotomia corte realizado para
ampliar o canal de parto , e a manobra de Kristeller, quando a barriga da mulher é empurrada para facilitar o
nascimento do bebê muitas vezes, com o médico em cima da mulher (ProQuest, 2021).

GESTANTES E PARTURIENTES

Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2021, [s. p.]), os objetivos da Rede Cegonha são:

Realização de pré-natal (de risco habitual e de alto risco) com captação precoce da
gestante, com realização dos exames preconizados e com acesso aos resultados destes
em tempo oportuno;

Acolhimento às intercorrências na gestação;

Prevenção e tratamento das DST/HIV/Aids e Hepatites;

Suficiência de leitos obstétricos e neonatais (UTI, UCI e Canguru);

Práticas de atenção à saúde baseada em evidências científicas;

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Acompanhamento da puérpera e da criança na atenção básica com visita domiciliar na


primeira semana após a realização do parto e nascimento, bem como a busca ativa de
crianças vulneráveis;

Orientação e oferta de métodos contraceptivos;

Promoção do acesso ao transporte seguro nas situações de urgência para as gestantes,


as puérperas e os recém-nascidos de alto risco;

Implantação e/ou implementação da regulação de leitos obstétricos e neonatais, assim


como a regulação de urgências e a regulação ambulatorial (consultas e exames), entre
outras.

A Rede Cegonha é, atualmente, o programa mais completo já criado pelo governo federal.

Para Zugaib (2021),

Aspectos técnicos e as diferenças culturais devem ser analisados. Os serviços de saúde


devem apresentar infraestrutura propícia e preparada para que a estadia do
acompanhante seja boa para todos.

Deve haver um esforço para garantir o direito a serviços de saúde às parturientes, para que recebam apoio de
sua família ou de pessoas próximas nesse momento de vulnerabilidade, apreensão e medo, no
acompanhamento pré-natal e pós-parto.

No entanto, apesar de a legislação nacional apresentar crescentes modificações, o que mostra interesse por
favorecer possíveis mudanças na cultura dos serviços de saúde, modificações que ainda precisa ser debatido
nas conjunturas da própria instituição e na esfera da crítica e da autocrítica do padrão da assistência
hospitalar (Zugaib, 2021, p. 1381).

É importante debater e combater o descaso no tratamento com as gestantes, que pode ser modificado com a
humanização da assistência a gestante e com a empatia por parte dos profissionais. Deve haver estratégias
bem-vistas para diminuir a prática do mau atendimento, como a implantação da Rede Cegonha, que prioriza o
atendimento humanizado a mulheres grávidas, minimizando a mortalidade materna e neonatal, oferecendo
assistência humanizada ao parto, aborto e puerpério (Nogueira, 2022).

A comunicação da equipe com a parturiente é importante, especialmente por profissionais que atuam
diretamente na assistência a ela, como os profissionais médicos e equipe de enfermagem, já estarão todo
tempo ao seu lado, seja no pré-natal ou na hora do parto. A equipe deve sempre comunicar a paciente o que
está fazendo e explicar os procedimentos que pretende realizar.

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Os casos mais comuns de violência obstétrica e mais notáveis são: xingamentos, recusa no atendimento,
realizar procedimentos e tomar condutas sem explicar ou pedir autorização da paciente, como fazer vários
exames de toque.

É fundamental garantir o bem-estar das gestantes e o respeito aos seus direitos. O problema que
enfrentamos é a violação dos direitos das gestantes durante o ciclo gravídico, que inclui questões como o
acesso inadequado à assistência médica pré-natal – algumas mulheres podem não receber atendimento pré-
natal adequado devido a barreiras financeiras, geográficas ou culturais , ou um atendimento no parto em que
a opinião e a vontade da mulher não são ouvidas. A mulher deve ser orientada desde o pré-natal, e precisa
saber que existem leis que a protegem, principalmente da violência obstétrica.

Apesar dos avanços, desafios ainda permanecem para garantir que as instituições cumpram esse direito
garantido por lei em sua totalidade, sendo necessário reforçar os princípios de equidade, integralidade,
universalidade e humanização (Lopes, 2022).

VÍDEO RESUMO

Olá, estudante!

Você verá no vídeo um breve roteiro do que foi visto nesta aula, que trata das diretrizes e objetivos da Rede
Cegonha e da Lei do acompanhante, e alguns exemplos do que se considera violência obstétrica.

 Saiba mais
Olá, estudante!

Para mais informações a respeito do tema desta aula, indicamos os artigos:

Folder – Rede Cegonha (Ministério da Saúde);

COSTA, T. R. M da. Conhecendo os direitos e as violências no parto: cartilha à gestante. Belém:


Neurus, 2023. E-book. Disponível em: [Link] Acesso em: 28 ago. 2023.

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Aula 3

INTRODUÇÃO AO ALEITAMENTO MATERNO


Olá, estudante! Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à
introdução ao aleitamento materno.

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à introdução ao
aleitamento materno. Este material apresenta os principais temas que deverão ser estudados, você também
poderá contar com as questões apresentadas e com os vídeos que resumem as aulas, de suma importância
para você.

Participe ativamente das atividades!

Mantenha uma rotina de estudos que possibilite sua dedicação aos processos de leitura, participação e
realização das atividades propostas. É de extrema importância para que você obtenha sucesso tanto em
construção e desenvolvimento de aprendizagem quanto em sua aplicação.

Desde já desejamos a você bons estudos!

ALEITAMENTO MATERNO

A principal função das mamas é a produção do leite, e o ideal é que o bebê seja amamentado exclusivamente
até os 6 meses de vida, sem a introdução de qualquer outro alimento: essa é uma das maneiras mais
eficientes de proporcionar nutrição, proteção imunológica e psicológica ao recém-nascido.

As mamas, desde o momento da concepção, passam por alterações morfológicas e funcionais progressivas,
com a finalidade de se prepararem para produzir e oferecer ao recém-nascido o mais completo alimento
encontrado na natureza: o leite humano (Ciampo et al., 2010).

Nos primeiros dois dias do pós-parto, há poucas transformações nas mamas; é possível observar apenas
secreção de colostro, substância amarelada já existente na gravidez, com grande concentração de proteínas e
anticorpos que ajudam a imunizar o bebê contra infecções. É uma pequena quantidade, mas que satisfaz ao
recém-nascido nos seus primeiros dias de vida. Segue-se um leite de transição por volta de duas a três
semanas, para, finalmente, surgir o leite maduro, definitivo.

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Por volta do terceiro dia de pós-parto, todavia, ocorre aumento na consistência das
mamas, que se tornam pesadas, congestas e dolorosas, levando poucas pacientes a
relatarem a sensação de parestesia (formigamento), ocorre o processo de um afluxo
volumoso de leite às mamas da mulher que amamenta, denominado apojadura
(Montenegro; Rezende Filho, 2017, p. 306).

O aumento do fluxo sanguíneo nas mamas produz calor na região, que pode ser confundido com uma febre
patológica (conhecida como febre do leite) – daí a importância de se atentar à questão da frequência das
mamadas e se está havendo a alternância entre as mamas.

A técnica de preparo das mamas para o aleitamento inicia-se com as orientações feitas no período pré-natal.
Desde o início da gestação, a mulher deve se preparar e ser orientada em relação à amamentação. Ela pode
escolher algumas entre as várias posições diferentes para amamentar, contanto que mãe e bebê estejam
confortáveis.

Para Zugaib e Francisco (2015, p. 508):

O exame físico das mamas é de suma importância, pois é por meio dele que se podem
diagnosticar as anormalidades anatômicas, prevendo suas possíveis complicações e
corrigindo-as sempre que possível.

Algumas mulheres ficam muito emocionadas quando o assunto é amamentação, e outras poucas pacientes
são quase dominadas pelo medo de serem incapazes de cuidar de seus bebês. Assim tanto ansiedade quanto
medo podem influenciar a amamentação, fazendo com que a descida do leite não ocorra de forma adequada.

As técnicas de amamentação visam à pega correta da boca do recém-nascido no mamilo da lactante, com
consequente nutrição adequada do bebê e sem prejuízo físico ou psicológico para a mãe, para que essa não
se torne uma experiência ruim e traumática.

Em relação à pega correta, os lábios do bebê devem estar voltados para cima (como a boca de um peixe), e o
nariz deve ficar livre para respirar e abocanhar não só o mamilo, mas também uma boa parte da aréola.

AMAMENTAÇÃO E TÉCNICAS

No início da gestação, já é possível notar alterações nas mamas, principalmente em relação ao tamanho não
só das mamas, mas também dos mamilos e aréolas, que apresentam uma maior vascularização e estrias.

O leite materno é constituído por proteínas, carboidratos, lipídios, sais minerais e vitaminas, por isso é
considerado um nutriente extremamente necessário e importante para o bebê.

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A produção do leite ocorre entre os intervalos das mamadas, e ele fica armazenado na glândula mamária.

Segundo Zugaib (2023, p. 504):

Distinguem-se três tipos de secreção láctea no período puerperal, sucessivamente: o


colostro, o leite de transição e o leite maduro: O colostro é um fluido cremoso, amarelado,
mais denso que o leite, com composição altamente proteica e com baixo teor de gorduras.
Sua excreção dura, em geral, 72 horas, mas pode variar de 1 a 7 dias é de fácil digestão
para o recém-nascido; após o fenômeno da apojadura, o leite materno apresenta aumento
da quantidade de carboidratos e gorduras em sua composição, com redução relativa de
proteínas. A quantidade de água contribui para 87% do volume de leite produzido e o teor
calórico-energético varia de 600 a 750 kcal/dia; O volume de leite produzido aumenta
progressivamente de 500 mL/dia, ao fim da primeira semana, e alcança rapidamente de 1
a 2 L/dia.

Bebês e mães que são capazes de iniciar a amamentação na hora de ouro (primeira hora de vida do bebê)
acabam por apresentar resultados melhores do que aqueles cujas interações iniciais são postergadas por
várias horas. O reflexo do bebê ajuda a manter a amamentação.

Os profissionais precisam estar atentos e ter paciência para orientar a mulher no momento da amamentação.
Eles devem certificar-se de que o bebê se agarra ao mamilo e à aréola de modo que se alimente
adequadamente sem causar dor para a mãe.

É interessante para a mãe ser ensinada a esvaziar as mamas após cada alimentação, para evitar que as duas
mamas não fiquem sobrecarregadas ao mesmo tempo.

Orienta-se à lactante a amamentação de livre demanda, ou seja, ao neonato devem ser oferecidas as mamas
toda vez que ele desejar (ou que a lactante assim julgar), e o tempo das mamadas deverá ser o necessário
para o esvaziamento mamário, o que pode variar de poucos minutos a 1 hora. Assim, é importante alertar a
puérpera que cada criança terá seu período de aprendizado e adaptação, e que toda paciência é necessária, já
que não há regras definidas para se considerar anormal determinado comportamento. Entre 7 e 10 dias, a
frequência das mamadas se torna mais regular – em torno de oito a doze vezes diárias – e o esvaziamento
mamário, mais eficiente (Zugaib, 2023, p. 512).

Antes de amamentar, a mãe deve higienizar as mãos e massagear as mamas em movimentos circulares, para
estimular a descida do leite e verificar se as mamas estão endurecidas.

ALEITAMENTO E SEUS ASPECTOS

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O aumento do volume mamário se deve ao desenvolvimento vascular localizado, o que contribui para o
surgimento de veias visíveis pela pele, chamadas de rede de Haller. Já as mudanças na coloração e
pigmentação das aréolas são visíveis no primeiro trimestre de gestação.

As mamas também apresentam a capacidade de adaptação mediante situações fora do padrão habitual de
lactação. Assim, em casos de gravidez múltipla, a produção de leite aumenta proporcionalmente à nova
demanda estabelecida (Zugaib, 2023, p. 507).

Os cuidados com os mamilos devem incluir exposição solar e higiene com água. Deve-se evitar o uso de
lubrificantes e sabonetes. Quanto mais mamadas, mas leite a mulher produzirá.

As orientações no pré-natal para incentivar o aleitamento são medidas de impacto para a prevalência e
manutenção da amamentação. Uma mulher consegue manter a amamentação por mais tempo do que outra
que só teve orientações no pós-parto.

Segundo Decherney et al. (2014 p. 225):

O bebê deve ser amamentado nas duas mamas a cada alimentação, porque o enchimento
excessivo das mamas é o principal impedimento à manutenção da secreção de leite.
Amamentar em uma mama a cada alimentação inibe o reflexo que é provocado
simultaneamente nas duas mamas. Assim, amamentar alternando as mamas de uma
alimentação para a outra pode aumentar o desconforto por causa do aumento e redução
da produção de leite.

Para garantir a técnica de amamentação adequada, é necessário que a postura materna e a do recém-nascido
estejam apropriadas, e a posição da boca do bebê esteja correta em relação à mama. Recomenda-se que o
ambiente seja agradável e confortável. As mamas devem ser alternadas, já que a primeira mama oferecida é
sempre esvaziada de maneira mais eficiente, pois a fome do bebê é sempre maior ao início da mamada.

Para Santos (2009), a assistência de enfermagem na amamentação se dá ao:

Orientar a mãe quanto à importância do aleitamento materno.

Orientar a mãe quantas vezes forem necessárias sobre a técnica de amamentação,


dando as orientações referentes a ela.

Assegurar conforto para a mãe e o recém-nascido. Evitar oferecer chucas ou


mamadeiras ao recém-nascido e estimular sempre o aleitamento materno.

Posicionar o bebê no colo da mãe nas primeiras horas, para que ela se sinta mais
segura.

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Estimular o recém-nascido a sugar o seio, utilizando a técnica do "dedo de luva". Colocar


um dedo de luva esterilizado no dedo menor de uma das mãos e colocá-lo na boca do
recém-nascido, para que vá́ sugando até́ se acostumar com o seio.

Fazer rodízio dos seios para amamentar, garantindo esvazia- mento completo das
mamas bilateralmente.

Uma mulher que acaba de dar à luz um bebê saudável, ela e o bebê, assim que este é colocado no peito após
o parto, começam a vivenciar um momento especial de amamentação. O bebê, que já mostra reflexos de
busca, começa a mexer a cabeça e os lábios em direção ao seio da mãe, e com o apoio da equipe de
enfermagem, ela é ajudada a posicionar o bebê corretamente, de modo que ele fique alinhado com o mamilo
e com a aréola. A equipe incentiva a mulher a continuar amamentando na primeira hora após o parto,
explicando a importância de fornecer o colostro, o primeiro leite materno rico em nutrientes e anticorpos que
ajudam o bebê a construir sua imunidade, estabelecendo uma base sólida para a jornada de amamentação
que está por vir.

VIDEO RESUMO

Olá, estudante!

Conforme estudamos existem algumas mudanças que ocorrem no corpo, e especificamente no seio materno
preparando para o aleitamento. Nesta videoaula vamos estudar os passos e orientações que devem ser dadas
com antecedência para a lactante, como: o processo de produção do leite, a importância da amamentação
exclusiva e por fim, entender os benefícios do aleitamento como: nutrição, proteção imunológica e
psicológica. Vamos lá?

 Saiba mais
Olá, estudante!

O recém-nascido necessita de adequada nutrição, afeto, estímulo e proteção. O aleitamento materno


oferece tudo isto e propicia a ele iniciar melhor a vida. Assim, para que o aleitamento materno seja bem-
sucedido e ocorra por tempo adequado, isto, pelo menos nos primeiros anos, é necessário que a mãe
tenha o apoio da família, da comunidade e dos profissionais da saúde. Todos a dar nesse processo.
Aleitamento materno é responsabilidade de todos!

Para mais informações do assunto, recomendamos a seguinte obra:

LANA, A. P. B. O livro de estímulo à amamentação. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2010. E-book.

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Aula 4

MANEJO DO ALEITAMENTO MATERNO


Olá, estudante! Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à
introdução ao aleitamento materno.

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

Nesta unidade curricular, você será apresentado aos principais tópicos relacionados à introdução ao
aleitamento materno. Este o material apresenta os temas que deverão ser estudados e, além da aula, você
também poderá contar com as questões apresentadas e com os vídeos que resumem as aulas, de suma
importância para você

Participe ativamente das atividades!

Mantenha uma rotina de estudos que possibilite sua dedicação aos processos de leitura, participação e
realização das atividades propostas. É de extrema importância para que você obtenha sucesso tanto em
construção e desenvolvimento de aprendizagem quanto em sua aplicação.

Desde já desejamos a você bons estudos!

MAMAS, ORDENHA E CUIDADOS

A sensibilidade dos mamilos, um sintoma comum durante os primeiros dias de amamentação, geralmente
inicia quando o bebê começa a sugar e o leite começa a fluir, o que pode causar ou não intercorrências
consideradas as causas principais de abandono do aleitamento materno: ingurgitamento mamário, fissuras e
mastite.

Mastite: inflamação da glândula mamária, é um problema comum que pode ocorrer nos primeiros dois dias
até duas semanas após o parto (Ricci, 2019).

Ingurgitamento mamário: decorre de uma produção de leite maior do que a utilizada pelo bebê. Os seios
ficam demasiadamente cheios, parcialmente com leite e parcialmente com aumento de líquido tissular e
sangue. Quando as mamas estão ingurgitadas, o leite não flui bem por causa tanto da pressão do líquido
tissular e do sangue fora dos dutos quanto do mau funcionamento do reflexo da ocitocina, devido à pressão
dentro dos alvéolos (Lana, 2010).

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Fissuras: geralmente ocorrem por erro ao amamentar, e as causas mais importantes são: sucção com a aréola
distendida, sucção não eficiente, uso de lubrificantes, uso de medicamentos e uso de bomba manual (Zugaib,
2015).

Colocar o bebê para mamar é muito simples, se a mãe sabe como fazê-lo – assim, essa prática deve ser
ensinada a ela. Se o bebê não pegar corretamente a mama, vários problemas podem surgir (Lana, 2010, p.
179).

Esses e outros problemas poderiam ser prevenidos se as mulheres fossem orientadas quanto às técnicas
adequadas de amamentação e ordenha desde o pré-natal. Além disso, é importante que ela seja orientada a
procurar os serviços de apoio à amamentação, como um banco de leite, para uma intervenção precoce.

As finalidades da ordenha e do armazenamento de leite humano são inúmeras. Pode-se, por exemplo,
ordenhar o excesso de leite de mamas ingurgitadas para alívio da lactante, desprezando-o em seguida. Outra
possibilidade seria ordenhar e armazenar o leite em ambiente domiciliar, para sua utilização em outro
momento pelo próprio lactente, ou ainda usar o leite ordenhado para armazenamento especial em bancos de
leite, para posterior doação a outros lactentes (Zugaib, 2023, p. 515).

O leite ordenhado e colhido com higiene adequada mantém a validade por 24 horas, quando guardado na
geladeira; por sete dias, no congelador; e um mês, no freezer, desde que o congelamento seja imediato
(Zugaib, 2023).

Para Barros (2006, p. 229) a ordenha é uma técnica que:

[…] consiste em, com os dois polegares na face superior da mama, à altura do limite da
borda areolar, e os dois indicadores na parte inferior da mama, também no limite da
borda areolar, fazer movimentos intermitentes de pressão dirigida à parte interna da
mama sobre a ampola, de tal modo que haja drenagem do leite que está nessa região, em
direção ao mamilo. A cada movimento dos dedos, o leite normalmente flui para fora,
indicando que está havendo a drenagem.

ALEITAMENTO E PUERPÉRIO

As fissuras nos mamilos causam dor intensa e impedem a saída normal do leite, e podem ser causadas pela
pressão da boca do bebê quando a pega está incorreta ou pela retirada da boca do bebê do seio.

Segundo Ricci (2109):

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Além de causar desconforto significativo, é um motivo frequente para as mulheres


pararem de amamentar. Pode resultar de qualquer evento que leve à estase do leite:
drenagem insuficiente da mama, desmame rápido, suprimento excessivo de leite,
compressão das mamas por um sutiã mal ajustado, ducto bloqueado, interrupção
episódica na amamentação e colapso do mamilo por fissuras, rachaduras ou bolhas.

Para Zugaib (2023):

Entre os fatores associados as complicações estão:

Ansiedade da mãe e da família.

Alimentação inadequada da mãe.

Uso de medicamentos que podem interferir na produção do leite materno.

Ausência de orientação adequada.

Falta de preparação das mamas no pré-natal.

Inexistência de alojamento conjunto em maternidades e hospitais.

Amamentação com técnica inadequada – tempo de sucção insuficiente com


consequente esvaziamento incompleto das mamas, o que impede o estímulo à
produção adequada do leite.

Introdução precoce da mamadeira ou alimentação mista.

Na maioria dos casos, o aleitamento não deve ser suspenso, até porque o próprio ato da amamentação ajuda
no tratamento dessas complicações, e o esvaziamento mamário garante a prevenção de ingurgitamento e
fissuras.

Na mastite, uma reação inflamatória é desencadeada, causando hiperemia, febre e muita dor nas mamas.
Pode ser uma mastite inflamatória, e se as compressas frias e drenagem não resolverem, há chances de se
transformar em uma mastite infecciosa.

No ingurgitamento, o leite que sobra no peito forma inicialmente caroços doloridos em número variável, e se
não houver cuidado toda a mama pode ficar empedrada e dolorida (Lana, 2010).

Quando a ordenha do leite é destinada a seu armazenamento, cuidados higiênicos são extremamente
importantes para que não ocorra contaminação excessiva do leite, com consequente alteração de sua
composição e potencial infecciosidade. A técnica para extração láctea deve, portanto, seguir determinados

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preceitos nesse sentido, seja para o armazenamento domiciliar, seja para o uso por bancos de leite (Zugaib,
2023, p. 515).

As técnicas de armazenamento do leite humano são de grande importância, pois um número cada vez maior
de mulheres trabalha fora de casa e necessita de novas rotinas para manter o aleitamento materno exclusivo.
Quando essas mães retornam às suas atividades habituais, por vezes levam os filhos ao trabalho ou fazem
pausas e amamentam nos intervalos.

Qualquer método para a ordenha deve ser explicado à mulher, para que seja uma ordenha correta e eficiente,
e orientações tanto em relação à ordenha quanto à massagem prévia devem ser passadas.

ALEITAMENTO, ORDENHA E PUERPÉRIO

Se a mastite não for tratada adequadamente, pode surgir um abcesso, e as mamas ficam hiperemiadas,
sensíveis e quentes ao toque. O tratamento da mastite concentra-se em: esvaziamento das mamas, controle
da infecção e pega correta do bebê.

Para Zugaib (2021, p. 516):

Para o tratamento do ingurgitamento mamário, deve-se manter o aleitamento exclusivo


sob livre demanda, corrigir as possíveis falhas de técnica de amamentação, iniciar a
mamada pela mama sadia, reduzir os intervalos das mamadas, massagear as mamas e
ordenhá-las antes das mamadas, para permitir a pega adequada e, ao término, para
esvaziar o excesso de leite, devem-se evitar compressas e uso de produtos tópicos que,
além de não possuírem eficiência comprovada, podem, ainda, causar lesões do
tegumento.

Apesar disso, as mamas podem ser sustentadas por sutiãs firmes ou sutiãs esportivos, e as compressas
geladas e analgésicos ajudam a aliviar as dores.

A presença de edema depressível sobre a área inflamada e qualquer grau de flutuação


sugere formação de abscesso. É necessário fazer uma incisão e abrir as áreas loculadas e
providenciar uma ampla drenagem (Decherney, 2014).

Se a fissura for muito grande e dolorosa, suspende-se a amamentação na mama mais afetada por um período
de 24 a 48 horas e faz-se a ordenha manualmente até seu esgotamento. Para evitar ingurgitamento, o leite
ordenhado deve ser oferecido ao recém-nascido por meio de um copinho ou colher pequena, a fim de que o
bebê não deixe de ser nutrido com o leite materno.
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Para Zugaib (2023, p. 515), as recomendações necessárias para a ordenha de leite humano são:

Manter boa higiene, lavando bem as mãos e secando-as com toalha limpa.

O uso de máscaras e gorros é dispensável em ambiente domiciliar.

Massagear as mamas em movimentos circulares da base destas em direção ao mamilo.

Estimular os mamilos com movimentos de exteriorização e tração suaves.

Apoiar uma das mãos sob a mama, retificando os ductos.

A outra mão deve segurar a transição entre a aréola e a mama em formato de “C”.

Eealizar movimentos de compressão e tração da mama e aréola até a extração láctea


ocorrer.

Desprezar os primeiros jatos, pois eles contêm maior número de bactérias, o que é
decorrente da estase do leite nos ductos.

Repetir os movimentos de extração, rodando a posição da mão que comprime para


esvaziamento de todas as áreas.

Alternar as mamas até a redução da quantidade de leite extraído ou a cada 5 minutos.

Ao fim do processo, aplicar um pouco do leite nas aréolas.

O leite posterior, por ser rico em lípides e imunoglobulinas, mantém a emulsão da pele,
além de protegê-la contra contaminações.

Os bancos de leite são centros responsáveis pela coleta, armazenamento e distribuição de leite doado. Fazem
parte de complexos hospitalares de saúde materno-infantil, e sua finalidade é incentivar e dar suporte a
políticas de aleitamento materno. Os produtos distribuídos (colostro, leite de transição, leite maduro, leite
anterior e posterior) não podem ser comercializados pelos bancos de leite, já que se trata de instituições sem
fins lucrativos (Zugaib, 2015).

Quando a ordenha é iniciada, a mulher deve eliminar os primeiros mililitros de leite, por causa de bactérias,
decorrentes de resíduos de leite que se instalam nos ductos mamários entre os intervalos das mamadas. A
ordenha pode ser feita manualmente com o auxílio de bomba tira-leite.

VIDEO RESUMO

Olá, estudante!

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O vídeo traz um breve roteiro do que foi visto nesta aula a respeito do manejo do aleitamento materno,
possíveis complicações mamárias, ordenha e cuidados com o leite armazenado.

 Saiba mais
Olá, estudante!

O estudo e a pesquisa relacionados ao Aleitamento Materno atingiram, em nosso meio, um ponto


inacreditável se nos recordamos dos primórdios dos trabalhos relacionados ao assunto, no final da
década de 1960, início da década de 1970.

A cada dia nos surpreendemos com mais trabalhos envolvendo aspectos antes sequer sonhados. Isso é
muito bom, pois demonstra a importância da amamentação e a preocupação que ela tem desencadeado
nos meios acadêmicos e científicos.

Para aprofundar seus conhecimentos, recomendamos a seguinte obra:

DEL, A.; RUBENS GARCIA RICCO; ALBERTO, C. Aleitamento materno. [s.l: s.n.].

Aula 5

REVISÃO DA UNIDADE

PUERPÉRIO

Olá, estudante!

Na gestação, o corpo da mulher passa por várias mudanças para adaptação do feto, e após o nascimento as
mudanças ocorrem para que o organismo materno retorne ao estado pré-gravídico.

Sabemos que o puerpério tem duração de 6 a 8 semanas, e é dividido em:

Puerpério imediato: inicia-se após o nascimento do bebê e se estende até o término da segunda hora
pós-parto.

Puerpério mediato: inicia-se na terceira hora após o nascimento do bebê e se estende até o décimo dia
pós-parto.

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Puerpério tardio: inicia-se a partir do décimo primeiro dia pós-parto e se estende até o retorno das
menstruações, ou seis a oito semanas para as lactantes.

A infecção puerperal é a infecção bacteriana do trato genital feminino no pós-parto, cujo principal sinal é
febre, mas também poder ser relatados sangramento com odor ou infecção da ferida operatória.

Para Silva, Laranjeira e Osana (2019, p. 252):

No período puerperal, a mulher costuma vivenciar muitas ansiedades e o surgimento de


sintomas depressivos. A necessidade de amparo e proteção durante o período gestacional
se mantém, os quais são por vezes confundidos com depressão patológica. Associados às
perdas vivenciadas e à necessidade de adaptações da mulher após a chegada de um filho,
observam-se estados de humor rebaixado – baby blues ou blues puerperal.

O início da anticoncepção no pós-parto é importante para prevenir a gravidez indesejada e o pequeno


intervalo interpartal e suas conhecidas implicações – recém-nascido pequeno para a idade gestacional, parto
pré-termo (Montenegro; Rezende Júnior, 2017, p. 301).

A Rede Cegonha é uma rede temática instituída em 2011 como uma inovadora estratégia do Ministério da
Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Portaria nº 1.459 (Brasil, 2011).

A Lei Federal n. 11.108, de 7 de abril de 2005, obriga os serviços de saúde do SUS a permitirem a presença de
um acompanhante da parturiente durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato
(Moron, 2011, p. 1740).

Os casos mais comuns de violência obstétrica são xingamentos, recusa ao atendimento, realização de
procedimentos e condutas sem explicação e solicitação da autorização da paciente.

A técnica de preparo das mamas para o aleitamento inicia-se com as orientações dadas no período pré-natal:
a mulher deve ser orientada em relação à amamentação para poder escolher a melhor entra as várias
posições para amamentar, contanto que mãe e bebê estejam confortáveis.

Mastite é uma inflamação da glândula mamária, um problema comum que pode ocorrer desde os primeiros
dois dias até duas semanas após o parto (Ricci, 2019).

Ingurgitamento mamário decorre de uma produção de leite maior do que a utilizada pelo bebê. Os seios
ficam demasiadamente cheios, parcialmente com leite e parcialmente com o aumento de líquido tissular e
sangue. Quando as mamas estão ingurgitadas, o leite não flui bem por causa tanto da pressão do líquido
tissular e do sangue fora dos dutos quanto do mau funcionamento do reflexo da ocitocina, devido à pressão
dentro dos alvéolos (Lana, 2010).

Fissuras geralmente ocorrem por erro ao amamentar, e as causas mais importantes são sucção com a aréola
distendida, sucção não eficiente, uso de lubrificantes, uso de medicamentos e uso de bomba manual (Zugaib,
2015).
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Quando a ordenha é iniciada, a mulher deve eliminar os primeiros mililitros de leite, por causa de bactérias
advindas de resíduos de leite instalados nos ductos mamários entre os intervalos das mamadas.

REVISÃO DA UNIDADE

Olá, estudante!

Você verá no vídeo um breve roteiro do que foi visto na aula – o conceito e a classificação do puerpério e suas
alterações anatômicas e fisiológicas. Serão abordadas as complicações pós-parto, a depressão e o blues pós-
parto, além de anticoncepção, lactação, direitos da gestante e parturiente, técnicas de amamentação e
ordenha.

ESTUDO DE CASO

Imagine que você trabalha em maternidade do seu município, no setor de alojamento conjunto, onde estão
várias pacientes que deram à luz, tanto por via vaginal quanto cesárea, e estão em seus leitos com seus
recém-nascidos e acompanhantes. Você está passando a visita e aferindo os sinais vitais, e uma dessas
pacientes, a Helena, após os sinais aferidos relata algumas queixas. Helena é uma mulher de 24 anos que
recentemente deu à luz seu primeiro filho, um bebê saudável chamado João. Helena e seu marido, Marcos,
parceiro de longa data, estavam ansiosos pela chegada de seu filho, que tiveram depois de muitos anos de
relacionamento. A gravidez foi planejada e bem-recebida pela família e amigos. A gravidez de Helena foi
saudável, e eles estavam bem-preparados para a chegada do bebê. Durante a gravidez, Helena esteve ativa
fazendo exercícios de rotina e tendo acompanhamento no pré-natal. Ela está no terceiro dia pós-parto. Como
muitos casais, ele e o marido não tinham uma compreensão completa dos desafios emocionais e físicos que o
período pós-parto traria – é uma fase crucial para a saúde física e mental das mães, quando ocorrem muitas
mudanças físicas e emocionais. Nos primeiros dias após o parto, Helena experimentou várias mudanças
físicas, incluindo dor pélvica, recuperação da cirurgia – ela deu à luz por meio de uma cesariana planejada
devido a uma complicação detectada durante o terceiro trimestre – e o desafio de amamentar. Helena queixa-
se de ansiedade e inquietação, principalmente pela inexperiência em amamentar e por estar internada na
maternidade. Além das queixas anteriores, Helena sente a mama muito cheia e refere que o bebê não está
conseguindo sugar adequadamente e, quando consegue, ela sente muita dor e pensa em não tentar mais a
amamentação – então, ela pergunta a respeito da introdução de leite artificial. Ela relata que sua mãe teve
quatro filhos e não conseguiu amamentar porque o leite era fraco, e logo introduziu água e outros líquidos na
alimentação desses filhos.

 Reflita
Olá, estudante! Você verá que existem inúmeras maneiras de orientar e prestar assistência adequada
não só à mãe, mas ao esposo e ao recém-nascido. Este estudo de caso examina a experiência de Helena
no período pós-parto, incluindo aspectos físicos, emocionais e sociais, bem como a influência de seu

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ambiente e apoio social. A chegada de um bebê é um momento de grande alegria e transformação na


vida de uma mulher e de sua família, e é fundamental considerar e compreender os desafios para
oferecer o apoio adequado às mulheres nesse período tão sensível de suas vidas. O corpo da mulher
passa por uma série de mudanças na gravidez e no parto, e a recuperação física pode ser um desafio,
inclusive as mudanças emocionais. Helena precisa de orientações e de aprender algumas técnicas que
você, como parte da equipe de enfermagem, pode ensinar, como parte de uma boa e adequada
assistência.

RESOLUÇÃO DO ESTUDO DE CASO

Primeiramente, você deve analisar o prontuário da paciente, que trata do tipo de parto e de quanto tempo de
pós-parto ela está, além de seu histórico médico anterior e da gestação. É preciso ouvir as queixas e dúvidas
da nova mãe, e acalmá-la em relação aos medos e receios, principalmente no que diz respeito à
amamentação. Você precisa saber se Helena já tinha histórico de ansiedade ou depressão, e se fazia ou faz
uso de alguma medicação. Em relação à internação, deve ser explicado à puérpera que é um período normal
para recuperação e bem-estar dela e do bebê, e se necessário repassar para a enfermeira responsável do
setor a necessidade de uma avaliação com o psicólogo do hospital para uma conversa. Também explicar que a
dificuldade de amamentar não é genética, e não é porque a mãe dela não amamentou que ela também não
vai amamentar. Em relação à mama muito cheia, é preciso avaliar por conta das complicações mamária que
podem ocorrer no pós-parto, como fissuras, mastite e ingurgitamento (o problema de Helena). Você deve
orientá-la a antes de cada mamada esvaziar um pouco a mama e desprezar alguns mililitros de leite para o
bebê conseguir fazer a pega correta. Oriente a puérpera a massagear a mama e as técnicas de ordenha, além
da técnica correta para o recém-nascido pegar a mama. Se necessário, o fisioterapeuta ou uma consultora de
amamentação podem ser opções para a paciente. Explicar também que no início é normal a saída de pequena
quantidade de leite, o colostro, que é e de extrema importância para o bebê, e que a introdução de outros
líquidos deve ser feita a partir dos seis meses de vida, junto com a introdução alimentar. Explicar que a
amamentação é um dos momentos mais preciosos e importantes na vida de uma mãe e de seu bebê, e que
além de fornecer nutrição essencial, o ato de amamentar fortalece o vínculo entre mãe e filho, oferece
proteção contra doenças e promove um desenvolvimento saudável – além disso, o contato pele a pele nesse
momento estimula o reflexo da sucção do bebê.

RESUMO VISUAL

Figura | Período puerperal e aleitamento

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Fonte: Elaborado pelo autor.

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Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.

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