FECHAMENTO DE TUTORIA - SP6 SCA II
1. Discutir os instrumentos e protocolos utilizados em urgência e emergência
pediátrica para avaliação de sinais e sintomas em situações críticas (Protocolo
ACCR, EVA, TAP, Escala de Glasgow, parâmetros dos SSVV etc.);
Referências: Prefeitura Municipal de Bauru - Acolhimento e Classificação de Risco (2023)
-Acolhimento e Classificação de Risco (ACCR): O Conselho Federal de Enfermagem, por
meio da Resolução 423/ 2012, determina que a avaliação e classificação de risco para
priorização da assistência médica em Serviços de Urgência e Emergência é uma atividade
privativa do enfermeiro. Além disso, é importante considerar também a resolução 736/2024,
que dispõe sobre sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do
Processo de Enfermagem. Logo, o enfermeiro que atua no serviço de classificação de risco,
deverá estar dotado dos conhecimentos, competência e habilidades que garantam rigor técnico
- científico ao procedimento. Além disso, o processo de Avaliação e Classificação de Risco,
realizado pelo enfermeiro, deve ser orientado por um protocolo direcionador.
● Funções do enfermeiro:
✓Operação do processo de classificação de risco;
✓ Consulta de enfermagem;
✓ Avaliação dos sinais e sintomas / queixas / duração;
✓ Determinação do nível de risco;
✓ Ordenação do fluxo de pacientes para priorização da assistência médica;
✓ Supervisão técnica no serviço de Triagem e acolhimento;
✓ Orientações e informações a pais/acompanhantes/criança (nível de risco, tempo de espera,
dúvidas sobre condutas médicas, internações e exames);
✓ Fazer chamada dos pacientes para atendimento em consulta de enfermagem quando
necessário ;
✓ Aferir todos os sinais vitais necessários na classificação de risco (Frequência cardíaca
(FC); Frequência respiratória (FR); Temperatura axilar (Taxº) e SATO2; A critério médico ou
por avaliação do Enfermeiro podem ser aferidos pressão arterial e glicemia capilar se houver
indicação clínica.
✓ Realizar aferição de medidas antropométricas (peso, altura deverá ser verificada em casos
especiais ou por solicitação do Pediatra no departamento de emergência, podendo ser
realizada rotineiramente no atendimento de demanda espontânea ofertado pelas UBSs;
✓Intermediar atendimento entre de acolhimento e classificação do enfermeiro e do
atendimento médico, acionando equipe médica em casos de urgências ou emergências;
O acolhimento com classificação de risco de pacientes deve ser feito no máximo após 30min
após a abertura da ficha do paciente, tendo tempo estimado de duração de 2 a 5 minutos.
Logo, deve ser eficiente e direcionado.
→A primeira etapa se inicia com seis perguntas: motivo da consulta, alergia a medicações,
se usa assistência pediátrica regular, comorbidades associadas, medicações em uso e pesagem
do paciente.
Devem ser avaliados os SSVV: FR, FC, SPO2, Táx. (levar em consideração os parâmetros
estabelecidos para cada faixa etária).
Atenção: Na presença de discriminadores evidentes de emergência ou muita urgência, como
convulsões, nível de consciência comprometido, apneia, cianose e outros, o paciente é
enviado para sala de emergência para abordagem médica rápida ou imediata, antes de
qualquer procedimento administrativo. O processo de classificação de risco, então, será feito
posteriormente.
→Na segunda etapa deve ser realizado os discriminadores do nível de urgência (Existe o
protocolo do Ministério da Saúde e o Protocolo de Manchester para a classificação de risco).
VERMELHO - prioridade zero: emergência (atendimento imediato)
➢ Abuso sexual com sangramento em genitália e/ou região anal, e/ou sinais de laceração
local;
➢ Acidentes com animais peçonhentos (todos os tipos);
➢ Acidentes com veículos motorizados ou não, com velocidade acima de 35 km/h;
➢ Acidentes com material biológico;
➢ Anafilaxia ou reações alérgicas associadas a insuficiência respiratória;
➢ Alteração no nível de consciência com ECG <10 e/ou história de uso de drogas ou
intoxicação exógena de qualquer natureza;
➢ Cefaléia intensa acompanhada de rigidez na nuca, sinais de meningite, abaulamento
das fontanelas, febre e vômito em jato;
➢ OBS: Toda criança < 7 dias de vida deve ser atendida como prioridade, devido o risco
de hiperbilirrubinemia, anomalias cardíacas congênitas não diagnosticadas e sepse.
AMARELO/LARANJA - prioridade 1: urgência/atendimento até 15-60min
Pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido possível,
porém não correm risco imediato de vida. Como por exemplo:
➢ Agressão física/violência doméstica, sinais normais e sem ferimentos hemorrágicos;
➢ Abuso sexual, sem sangramento de genitália ou ânus;
➢ Alteração aguda de comportamento – agitação, letargia ou confusão mental, sem
história de trauma e sem história prévia de doença mental;
➢ Oligúria ou anúria, com sinais de desidratação grave e/ou edema
facial/generalizado/sinais de distensão abdominal acentuada;
➢ Cefaléia intensa de início súbito ou rapidamente progressiva, acompanhada de um ou
mais sinais ou sintomas neurológicos: parestesias; alterações do campo visual, dislalia,
afasia, sem alterações de sinais vitais;
➢ Cefaleia, associada à dor cervical, com ou sem história de trauma;
➢ Síncopes;
➢ Diarreia: >5 evacuações/dia ou evacuações com presença de sangue;
➢ Diarreia associada a vômitos/náuseas persistentes com sinais de desidratação
moderada: letargia, mucosas ressecadas, turgor pastoso, alterações de SSVV.
➢ E outros…
VERDE - prioridade 2/urgência menor: Atendimento em até 2h.
Pacientes em condições agudas (urgência relativa) ou não agudas atendidos com prioridade
sobre consultas simples e crianças até 2 meses de idade independente da queixa que apresenta.
➢ Cefaléia em pacientes com diagnóstico conhecido de enxaqueca;
➢ Dor epigástrica;
➢ Dor de ouvido de moderada intensidade, febre baixa;
➢ Dor de garganta: com presença de placas esbranquiçadas e febre baixa; dor torácica
não aguda, moderada e sem dispneia;
➢ Diarreia (4 episódios) e sem sinais de desidratação;
➢ Diarreia e vômito sem sinais de desidratação; Distúrbios neurovegetativos;
➢ Irritação / prurido / lacrimejamento/ ardência ocular;
➢ Situações especiais:
•RN entre 8-28 dias com queixas clínicas;
•Deficiente físico e/ou mental;
•Pessoas em privação de liberdade e/ou sob tutela do conselho tutelar.
AZUL - prioridade 3/não urgente: Atendimento entre 3 e no máximo 4h
➢ Dor leve ou desconforto na garganta ou ouvido, sem febre e sem secreção ou placas
associadas;
➢ Hérnias (umbilical, inguinal, epigástrica) sem sinais de estrangulamento;
➢ História de asma fora de crise.
-Escala visual analógica (EVA): Consiste em auxiliar na aferição da intensidade da dor no
paciente. É importante para verificar a evolução do paciente durante o tratamento e em cada
atendimento, de maneira mais fidedigna.
A EVA pode ser utilizada no início e no final de cada atendimento, registrando o resultado
sempre na evolução do paciente.
Para utilizar a EVA o atendente deve questionar o paciente quanto ao seu grau de dor sendo
que 0 significa ausência total de dor e 10 o nível de dor máxima suportável pelo paciente.
Dicas sobre como interrogar o paciente:
● Você tem dor?
● Como você classifica sua dor? (deixe ele falar livremente, faça observações na pasta
sobre o que ele falar)
Questione-o:
a) Se não tiver dor, a classificação é zero.
b) Se a dor for moderada, seu nível de referência é cinco.
c) Se for intensa, seu nível de referência é dez.
-Triângulo de Avaliação Pediátrico (TAP): baseia-se exclusivamente na observação da vítima.
Realiza-se durante o momento em que a equipe se aproxima da criança, sem tocar, apenas ao
observar. Pode haver situações em que a aplicação de todos os componentes do TAP não é
possível, no caso de a criança estar coberta com algum cobertor por exemplo.
O objetivo é determinar nos primeiros 10 a 15 segundos, se o estado fisiológico é ou não
potencialmente crítico.
Essa avaliação rápida define a urgência da intervenção e a celeridade com que é necessário
implementar um tratamento adequado ao seu desenvolvimento.
É constituído por três componentes:
1. Trabalho respiratório: notar se há esforço respiratório/ auscultar para identificar a
presença dos MUV e/ou RA. Além disso, é importante notar o posicionamento da
criança no leito, uma vez que algumas posições proporcionam o desconforto
respiratório.
2. Aparência: reflete a eficácia da ventilação, da oxigenação, da perfusão cerebral e do
normal funcionamento do SNC.
3. Perfusão periférica: determina a qualidade da circulação nos órgãos vitais. Logo,
deve-se avaliar a coloração da criança (pele, lábios, mucosas e leitos ungueais),
Pálida? Cianótica? Corada? Apresenta sinais óbvios de hemorragia? Criança
sudoreica?
Interpretação do TAP: é possível obter uma avaliação rápida da condição fisiológica da
criança e identificar um dos seguintes problemas:
• Dificuldade respiratória;
• Falência respiratória;
• Choque;
• Disfunção do SNC e/ou alterações metabólicas.
OBS: Nunca ignorar o lactente pálido, com olhar vago ou que não responde de forma
adequada a estímulos. A aparência reflete a gravidade da doença/lesão, mas por si só não
permite definir a causa.
OBS: Os três lados do TAP (Trabalho Respiratório, Aparência e Perfusão Periférica) podem
ser avaliados de forma aleatória, contrariamente ao que acontece na sequência de prioridades
ABCDE. // O TAP não substitui a avaliação dos sinais vitais e a avaliação ABCDE, que
fazem parte do exame primário.
-Escala de coma de Glasgow: avalia o nível de consciência do paciente. A avaliação inclui:
abertura ocular, resposta verbal, resposta motora e resposta pupilar.
A pontuação varia de 3 a 15, com valores de:
● 3 a 8 indicando lesão cerebral grave (coma);
● 9 a 12 lesão moderada;
● 13 a 15 lesão leve.
obs: 15 é a melhor pontuação.
Locais para estímulo da dor: leito ungueal, escápulas, processo xifóide.
2. Identificar os principais protocolos de avaliação e condutas em urgências e
emergências pediátricas, bem como seus objetivos (incluindo APH, Suporte
Básico de Vida em Pediatria, qualidade da RCP e Suporte Avançado de Vida em
Pediatria);
1. Atendimento Pré-Hospitalar (APH) em Pediatria
● Objetivos:
○ Realizar triagem e atendimento inicial adequado fora do ambiente hospitalar.
○ Estabilizar o paciente até sua chegada ao hospital.
○ Minimizar o tempo entre o evento e a intervenção.
● Protocolos e Condutas:
○ Avaliação da cena e segurança.
○ Aplicação do XABCDE pediátrico:
■ X (Exsanguinação): Prioridade máxima na avaliação inicial, com foco
no controle de hemorragias externas graves antes de qualquer outra
intervenção
■ A (Airway) : Avaliação das vias aéreas para garantir a passagem do ar,
incluindo a proteção da coluna cervical em caso de suspeita de lesão
■ B (Breathing): Avaliação da respiração, ventilação e oxigenação,
incluindo a identificação de distúrbios respiratórios e a necessidade de
suporte ventilatório.
■ C (Circulation): Avaliação da circulação sanguínea, identificação e
controle de hemorragias, além da reanimação volêmica. (circulação
com controle de hemorragias).
■ D (Disability): Avaliação do estado neurológico, incluindo o nível de
consciência, pupilas e sinais de lesão medular.
■ E (Exposure): Exposição completa do paciente para identificar outras
lesões, além do controle do ambiente para prevenir hipotermia.
○ Transporte rápido e adequado ao nível de gravidade.
2. Suporte Básico de Vida (SBV) em Pediatria
● Objetivos:
○ Reconhecer e intervir precocemente em paradas cardiorrespiratórias.
○ Fornecer ventilação e compressões eficazes até o suporte avançado chegar.
● Protocolos e Condutas (segundo AHA - American Heart Association):
○ Verificação da responsividade e respiração.
○ Solicitação de ajuda e ativação do serviço de emergência.
○ Início da RCP com compressões torácicas (30:2 para um socorrista, 15:2 para
dois socorristas).
○ Uso de DEA (Desfibrilador Externo Automático) assim que disponível.
○ Ventilação com bolsa-válvula-máscara se possível.
Reconhecimento da PCR: podemos encontrar uma criança desacordada em qualquer cenário,
seja na rua, supermercado, praça escola, etc.
Quando nos deparamos com essas situações em locais externos (na rua por exemplo), o
primeiro passo é garantir a segurança da cena.
Com a cena segura podemos testar a responsividade da criança com um um estímulo verbal
(chamando-a em voz alta) e um estímulo tátil (em lactentes, damos suaves batidas nas plantas
dos pés; em crianças mais velhas, leves batidas nos ombros). Caso não haja resposta, devemos
CHAMAR AJUDA: ligar para o SAMU (192) se estivermos em um ambiente extra-hospitalar
ou, em situações hospitalares, solicitar o carrinho de parada/ DEA e outros profissionais.
Após isso, a ajuda já estará a caminho. Agora, deve ser checada a respiração e o pulso
simultaneamente e em menos de 10s (ver, ouvir e sentir).
• Respiração – observar se há movimentação do tórax; • Pulso.
A RCP deve ser iniciada quando houver ausência de pulso e respiração. OU, FC <60 bpm
associada a sinais de perfusão deficiente da ventilação e oxigenação adequada.
Caso a criança apresente pulso palpável, frequência cardíaca > 60 bpm e respiração irregular,
iniciamos ventilação de resgate, ou seja, 1 ventilação a cada 2 a 3 segundos (20 a 30
ventilações/minuto), até que a respiração espontânea seja restabelecida. Reavalie o pulso a
cada 2 minutos.
Compressões torácicas na RCP: Na faixa etária pediátrica, como a principal causa de PCR é a
hipóxia, damos ênfase às compressões torácicas, mantendo a sequência C-A-B.
Detalhes da sequência CAB:
Circulação (C):
Iniciar compressões torácicas o mais rápido possível para restaurar o fluxo sanguíneo para
o coração e outros órgãos vitais.
Via Aérea (A):
Após a circulação estar em andamento, abrir a via aérea para permitir que a pessoa
respire.
Respiração (B):
Após a via aérea estar aberta, fornecer respirações de resgate (boca a boca ou com um
dispositivo).
Em crianças menores de 1 ano:
• 1 socorrista: usar a técnica dos 2 dedos – dois dedos no centro do tórax, logo abaixo da
linha mamilar na metade inferior do esterno.
• 2 socorristas: usar a técnica dos 2 polegares (Essa técnica é preferível com dois socorristas
porque melhora o fluxo sanguíneo).
Em crianças maiores de 1 ano: 1 ou 2 mãos posicionadas sobre o terço inferior do esterno,
paraesternal à esquerda.
Compressões torácicas efetivas:
→Profundidade: Comprimir, no mínimo, um terço do diâmetro anteroposterior do tórax.
● Aproximadamente 5 cm em maiores de 1 ano
● Aproximadamente 4 cm em menores de 1 ano
→Permitir o retorno TOTAL do tórax;
→Frequência: 100 a 120 minuto.
Coordenação compressão e ventilação (para lactentes e crianças até a puberdade):
● 1 socorrista: 30 compressões para 2 ventilações
● 2 socorristas: 15 compressões para 2 ventilações
● OBS: Em adolescentes (após início da puberdade) e adultos: 30 compressões para 2
ventilações com 1 ou 2 socorristas.
MINIMIZAR INTERRUPÇÕES NAS COMPRESSÕES – MÁXIMO 10 SEGUNDOS
Ventilações na RCP:
Enquanto um dos socorristas cuida das compressões torácicas efetivas e de qualidade, o
outro deve focar na ventilação. O primeiro passo para ventilar o paciente é garantir que as
vias aéreas estejam pérvias. Para isso, precisamos posicionar a via aérea por meio das
manobras de elevação do queixo e anteriorização da mandíbula.
Após o posicionamento adequado, iniciamos as ventilações com a bolsa-válvula-máscara
(AMBU) nos pacientes sem uma via aérea definitiva, oferecendo oxigênio a 100%.
Lembre-se de escolher corretamente o tamanho da máscara para o paciente, cobrindo da
ponte nasal à fenda do queixo.
Ao realizarmos a ventilação com o dispositivo bolsa-válvula-máscara, precisamos ter certeza
de que a máscara está bem vedada contra o rosto da criança. Utiliza-se a técnica C-E para
realizar essa vedação. Os dedos polegares e indicadores formam um C sobre a máscara; e os
terceiros, quartos e quintos dedos formam o E, tracionando a mandíbula.
Além do tamanho da máscara, é necessário escolher o volume adequado da bolsa.
Para lactentes e crianças, a bolsa de 450 a 500 mL é adequada para a ventilação. Para
crianças maiores e adolescentes, a de 1000 mL geralmente é necessária para a expansão
torácica.
Com a máscara de tamanho adequado e com a técnica certa, realizam-se 6-8 ventilações por
minuto para 1 socorrista (se a relação compressão/ventilação for de 30:2 e a FC deverá ser de
100 a 120 bpm, isso nos gera um total de 6-8 ventilações em 1 minuto!) ou 12-16 ventilações
por minuto para 2 socorristas (se a relação compressão/ventilação for de 15:2 e a FC deverá
ser de 100 a 120 bpm, isso nos gera um total de 12-16 ventilações em 1 minuto!).
3. Qualidade da RCP (Reanimação Cardiopulmonar) em Pediatria
● Objetivos:
○ Maximizar a perfusão cerebral e coronariana.
○ Reduzir lesões e aumentar a taxa de sobrevivência com bons desfechos
neurológicos.
● Recomendações para qualidade da RCP:
○ Compressões torácicas:
■ Profundidade: 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax.
■ Frequência: 100-120 compressões/min.
■ Retorno completo do tórax.
■ Mínima interrupção entre compressões.
○ Ventilações eficazes com elevação torácica visível.
4. Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS - Pediatric Advanced Life Support)
● Objetivos:
○ Diagnosticar e tratar condições que podem levar à parada cardiorrespiratória.
○ Intervir de forma organizada com equipe treinada e uso de medicações e
dispositivos avançados.
● Protocolos e Condutas:
○ Avaliação contínua XABCDE e monitorização.
○ Identificação de ritmos de parada: assistolia, FV/TV sem pulso, atividade
elétrica sem pulso.
○ Uso de medicações (adrenalina, amiodarona etc.).
○ Intubação orotraqueal se necessário.
○ Controle de causas reversíveis (5 Hs e 5 Ts).
→Causas reversíveis de PCR:
● Hipóxia;
● Hipovolemia;
● Hidrogênio (acidose);
● Hipoglicemia;
● Hipo ou Hipercalemia;
● Hipotermia;
● Tensão tórax (pneumotórax);
● Tamponamento cardíaco;
● Toxinas;
● Trombose pulmonar;
● Trombose coronariana (IAM).
OBS: na pediatria a HIPÓXIA é a principal causa de PCR.
→Diretrizes de 2020 da American Heart Association (AHA) para ressuscitação
cardiopulmonar (RCP) e atendimento cardiovascular de emergência (ACE):
O primeiro se refere a parada cardiorrespiratória no ambiente intra-hospitalar; já o segundo se
refere ao manejo da PCR no ambiente pré-hospitalar.
→Algoritmo de PCR em pediatria de acordo com a AHA (suporte avançado de vida):
Como já vimos anteriormente no suporte básico de vida, no pré-hospitalar não têm carrinho
de emergência, já no intra-hospitalar, tem…
Carrinho de parada chegou, e agora?
→A partir da chegada do monitor cardíaco/desfibrilador ou DEA (no caso o DEA é para
situações extra hospitalares). Deve-se interromper as compressões e checam-se o pulso e o
ritmo cardíaco no monitor.
Existem os ritmos chocáveis e os não chocáveis.
Ritmos chocáveis: fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso.
Ao detectarmos um ritmo CHOCÁVEL (FV ou TVSP), está indicada a desfibrilação cardíaca
(choque NÃO SINCRONIZADO). A dose inicial da desfibrilação é de 2 J/Kg. Caso não haja
reversão, aumentamos a carga para 4 J/Kg na segunda tentativa, até o máximo de 10 J/Kg.
Além da dose correta, é necessário escolher o tamanho das pás do desfibrilador manual, que
varia conforme peso ou idade da criança.
Mais de 10kg ou mais de 1 ano → pás grandes para adultos;
Menos de 10kg ou menos de 1 ano → pás pequenas para bebês.
OBS: Após administrarmos o choque (lembre-se de avisar toda a equipe antes de aplicá-lo,
para que todos SE AFASTEM DO PACIENTE), e após o choque devemos
IMEDIATAMENTE retomar as compressões torácicas de qualidade sincronizadas com a
ventilação. Após 2 minutos de RCP, checamos o pulso e o ritmo cardíaco no monitor.
Caso o ritmo chocável persista, indicaremos um segundo choque com carga de 4 J/Kg. Após o
segundo choque, está indicado – nos ritmos chocáveis – a administração da adrenalina
endovenosa ou endotraqueal (caso o paciente já esteja com uma via aérea definitiva - TOT ou
TQT).
Não chocáveis: assistolia ou atividade elétrica sem pulso.
Ao se deparar com uma PCR por um ritmo não chocável, não há indicação de desfibrilação.
Deve-se manter as compressões torácicas de qualidade e a ventilação sincronizada, além de
indicar o mais precoce possível a adrenalina.
Adrenalina na PCR por ritmo não chocável: deve ser o mais precoce possível, ou seja, assim
que diagnosticar o ritmo não chocável, devemos administrar o quanto antes a medicação,
idealmente até 5min depois do início da RCP.
3. Discutir a avaliação hemodinâmica e os diferentes tipos de choque em pediatria;
Avaliação hemodinâmica: A avaliação hemodinâmica e o reconhecimento precoce dos
diferentes tipos de choque em pediatria são fundamentais para a redução da morbimortalidade
infantil. Tanto a American Heart Association (AHA) quanto a Sociedade Brasileira de
Pediatria (SBP) enfatizam a importância da identificação precoce e da intervenção rápida no
manejo do choque pediátrico.
A avaliação hemodinâmica em crianças deve ser sistemática, já que os sinais de choque
podem ser sutis e compensatórios, especialmente nos estágios iniciais. As diretrizes da AHA e
da SBP sugerem uma abordagem baseada na Avaliação Primária e Secundária:
● Avaliação Primária (XABCDE):
○ X (Exsanguinação): Prioridade máxima na avaliação inicial, com foco no
controle de hemorragias externas graves antes de qualquer outra intervenção.
○ A: Vias aéreas com controle da coluna cervical
○ B: Respiração (frequência respiratória, esforço respiratório, uso de musculatura
acessória, ausculta pulmonar)
○ C: Circulação (perfusão periférica, tempo de enchimento capilar, pulso,
pressão arterial, débito urinário, estado de consciência)
○ D: Déficit neurológico (nível de consciência com AVPU ou Escala de Coma de
Glasgow)
○ E: Exposição (verificar sinais de trauma, febre, púrpura, etc.).
● Sinais precoces de choque:
○ Taquicardia
○ Extremidades frias
○ Tempo de enchimento capilar > 2 segundos
○ Pulso periférico fraco
○ Débito urinário reduzido (< 1 mL/kg/h)
Principais tipos de choque:
→Choque hipovolêmico: é o tipo de choque mais comum na pediatria. É decorrente da
redução de volume intravascular, seja por sangramento (hemorragias decorrentes de trauma,
cirurgias, hemorragia interna) ou perda de fluídos/líquidos por vômitos e/ou diarreias, por
exemplo.
O decréscimo do volume intravascular gera uma redução do volume sistólico e da pré-carga
que ocasiona a diminuição do débito cardíaco.
As crianças apresentam sinais clássicos de choque: taquicardia, taquipneia, irritabilidade,
redução dos pulsos e extremidades frias e diminuição da produção de urina e alteração do
nível de consciência.
Nos neonatos pode-se encontrar a fontanela abaulada.
Outros sinais: podem aparecer sinais de desidratação, como escassez da saliva, lágrimas e
olhos fundos. Se a etiologia for hemorrágica, haverá sangramento ou sinais de trauma e dor,
em casos de hemorragia interna.
→Choque distributivo: ocorre devido a vasodilatação periférica anormal associada ao
aumento da permeabilidade vascular e redirecionamento do fluxo sanguíneo, gerando uma
hipovolemia relativa. Esta, por sua vez, causa redução do retorno venoso, da pré-carga e do
débito cardíaco.
O choque séptico, anafilático e neurogênico são tipos de choque distributivo, sendo estes dois
últimos mais raros na pediatria.
→Choque séptico: causa mais frequente de choque distributivo e apresenta alta mortalidade.
Resultante da evolução do estado de sepse, que se configura como uma resposta sistêmica a
uma infecção.
O choque séptico é definido pela presença de sepse associada a disfunção cardiovascular.
Haverá hipotensão não revertida apenas com reposição volêmica, será necessário a
administração de DVA.
O paciente apresenta: acidose metabólica; oligúria; TEC>2s; lactato arterial >2x que o limite
superior e/ou diferença entre temperatura central e periférica é maior que 3°C.
As manifestações do choque séptico variam de acordo com a apresentação do choque (quente
ou frio). Na pediatria geralmente ele se caracteriza como choque séptico frio, mas algumas
crianças podem passar do choque quente ao frio como evidência da piora do quadro. Os sinais
são: taqui ou bradicardia, redução do tempo de enchimento capilar, pressão arterial normal ou
reduzida, pulso reduzido e uma característica marcante é a pele pálida e fria, ou pulso amplo e
a pele quente e com rubor.
Podem apresentar ainda alteração no estado de consciência, hipo ou hipertermia e presença de
petéquias devido aos distúrbios de coagulação.
De acordo com a AHA: Oligúria, diminuição do DC, aumento da resistência vascular
periférica e trombocitopenia são alguns dos distúrbios fisiológicos que podem aparecer. Nos
exames laboratoriais, leucocitose ou leucopenia, com desvio para a esquerda e plaquetopenia;
acidose metabólica, alcalose respiratória e hipoxemia; tempo de protrombina prolongado; e
aumento dos níveis de creatinina, bilirrubina e lactato são achados possíveis.
Entre os órgãos mais frequentemente afetados, estão pulmões, rins e fígado, ocasionando
lesões/disfunções agudas.
→Choque neurogênico: lesão medular aguda que afeta as vias simpáticas e causa
vasodilatação. Nesse tipo de choque, a taquicardia pode estar ausente, apesar da hipotensão,
com pulsos amplos e pele quente. Haverá alteração no nível da consciência se trauma
cranioencefálico ou se o quadro estiver avançado (AHA, 2020).
O nível de comprometimento desse paciente dependerá da altura da lesão medular. Logo, em
uma lesão mais alta, a criança pode fazer apneia ou respiração diafragmática com movimento
paradoxal da caixa torácica. Além desses, outros sinais são a bradicardia relativa e a
hipotermia.
→Choque anafilático: desencadeado a partir de um estímulo alérgeno, ocasionando uma
liberação exacerbada de imunomediadores, como a histamina, que acarreta numa perda do
tônus vascular e extravasamento de líquido para o interstício. Esse extravasamento gera
edema e hipotensão, que o corpo tenta compensar fazendo taquicardia.
Na avaliação da criança, são sinais clínicos, além da taquicardia e hipotensão: angioedema em
vias aéreas, inclusive com obstrução; dispnéia, tiragem e ruídos adventícios à ausculta
pulmonar, como estridor ou chiado; sinais de disfunção de órgão-alvo e alteração do estado de
consciência. À ectoscopia, nota-se presença de transpiração intensa, urticária, eritema e/ou
prurido.
→Choque cardiogênico: resulta do baixo débito cardíaco que, por sua vez, é consequente à
falência do coração e, portanto, prejuízo em sua contratilidade. Junto à redução do DC, há
também queda do volume sistólico. O organismo tenta compensar com taquicardia e
vasoconstrição.
As principais causas são: anormalidades congênitas ou na frequência cardíaca ou no ritmo.
Alguns achados são: presença de hepatomegalia e estertores pulmonares, alteração do estado
de consciência; taquipneia com sinais de desconforto respiratório e ruídos adventícios na
ausculta pulmonar; redução dos pulsos, hipotensão, presença de arritmias e extremidades frias
e edema periférico. O raio X de tórax pode demonstrar área cardíaca aumentada, sendo
indicado solicitar um ecocardiograma.
→Choque obstrutivo: Causado por condições que afetam o coração e/ou pulmões, o choque
obstrutivo é raro em crianças.
Sua fisiopatologia se refere a situações em que a saída do sangue do coração ou seu retorno é
impedido, quando o volume intravascular está normal.
As principais etiologias são tamponamento cardíaco (mais raro) e pneumotórax hipertensivo
(em traumas), porém outras causas são defeitos cardíacos congênitos e embolismo pulmonar.
As manifestações clínicas, assim como o manejo, irão variar de acordo com a sua etiologia.
4. Descrever aspectos relevantes sobre o Processo de Enfermagem e os cuidados de
enfermagem em situações de urgência e emergência pediátricas.
→O Processo de Enfermagem (PE) é uma metodologia sistematizada que orienta o cuidado
de enfermagem com base em evidências, promovendo decisões clínicas seguras e centradas
no paciente. Em situações de urgência e emergência pediátricas, o PE é adaptado à
necessidade de respostas rápidas e assertivas, respeitando a complexidade da assistência à
criança em situação crítica.
DE para esses casos de UE e pediátricas:
● Perfusão tissular ineficaz
● Padrão respiratório ineficaz
● Troca gasosa prejudicada
● Risco de choque
Risco de infecção
● Hipertermia
● Ansiedade dos pais ou cuidadores