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Aula - Conceitos básicos de RFT na prática clínica
A aula de hoje tem como objetivo discorrer sobre uma teoria que, juntamente com o
contextualismo funcional, embasa a Terapia de Aceitação e Compromisso. Estamos
falando da RFT, que é a sigla em inglês para Relational Frame Theory, conhecida
também como Teoria das Molduras Relacionais ou dos Quadros Relacionais.
A RFT é uma abordagem pós-skinneriana que conserva os princípios da análise do
comportamento. É uma teoria complexa que se predispõe a estudar e explicar a
cognição e a linguagem humana. No entanto, na aula de hoje focaremos nos
conceitos que podem ser aplicados na clínica, já que esse é o objetivo do curso.
RFT e a linguagem
A RFT se propõe a pesquisar sobre como funciona a mente humana e propõe que a
cognição e a linguagem humana evoluíram ao longo da nossa espécie e isso trouxe
repercussões tanto positivas quanto negativas para o ser humano.
Inclusive, para a ACT, o sofrimento humano é um dos resultados desse nosso
sistema de linguagem e da cognição humana. Isso porque, palavras ditas, lidas ou
imaginadas são símbolos que têm o poder, apenas na espécie humana, de nos
levar a qualquer lugar, mesmo que para alguma experiência que aconteceu há anos
atrás ou alguma que nunca aconteceu em nossa vida, pelo simples fato de sermos
humanos e termos a capacidade de abstrair.
Essa capacidade, exclusivamente humana, nos permite reagir a um estímulo
inexistente, como se ele estivesse presente, pelo simples fato dele ter sido evocado
por uma palavra. Isso não acontece com um cachorro, por exemplo. Para ele, é
necessário que se tenha a presença de algum indicativo de perigo no ambiente para
que ele reaja de acordo com o seu condicionamento.
Essa capacidade da linguagem dos humanos é vista pela ACT como uma faca de
dois gumes, pois enquanto nossa linguagem e cognição nos ajudam a prever
cenários, resolver problemas e, muitas vezes, nos proteger, também é responsável
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por um sofrimento gigantesco que só pode ser visto em nossa espécie: sofrer
mesmo na ausência do estímulo, por prever um cenário que nem existe.
E como isso acontece?
Quando somos crianças, aprendemos as coisas por meio de equivalência entre
estímulos e isso começa a acontecer, normalmente, um pouco antes dos 2 anos de
idade, que é quando as primeiras relações sensório-motoras da criança se
transformam. É quando o aparecimento da linguagem estabelece relações de
equivalência entre palavras e significados. Dessa forma, ela não precisa mais estar
diante de algo concreto para pensar, ela consegue evocar símbolos já aprendidos.
E o que isso tem a ver com a ACT?
Através da RFT entendemos que aprendemos por meio de relações. Isso é algo
importante a ser compreendido, pois o ser humano se comporta diante de palavras
ou símbolos do mesmo modo que ele faria se estivesse diante de eventos ou
objetos a que esse símbolo se refere. Ou seja, respondemos a um contexto verbal,
como se ele fosse real, alterando nossos pensamentos, sentimentos e ações.
Nas molduras relacionais, a nossa forma de responder ao ambiente sempre
acontecerá a partir de equivalências e isso nos faz entender que o sofrimento
humano é inevitável e a gente não está, necessariamente, respondendo
comportamentalmente ao ambiente como ele é, e sim ao que ele significa para nós,
a partir da nossa história de vida, do nosso histórico de aprendizado.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
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