0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações25 páginas

Conservadorismo e Cultura no Brasil Atual

O artigo analisa como o passado autoritário do Brasil, especialmente durante o regime militar (1964-1985), influencia o crescimento da extrema-direita atual, destacando as estratégias digitais conservadoras e suas principais influências, como o projeto Orvil e Olavo de Carvalho. Também examina a guerra cultural importada dos EUA, focando na Lei Rouanet como ferramenta para desacreditar a classe artística, utilizando retórica de ódio nas redes sociais. O estudo sugere que a polarização política atual é um eco de um passado não resolvido, dificultando o diálogo entre diferentes facções.

Enviado por

Thainá Evelyn
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações25 páginas

Conservadorismo e Cultura no Brasil Atual

O artigo analisa como o passado autoritário do Brasil, especialmente durante o regime militar (1964-1985), influencia o crescimento da extrema-direita atual, destacando as estratégias digitais conservadoras e suas principais influências, como o projeto Orvil e Olavo de Carvalho. Também examina a guerra cultural importada dos EUA, focando na Lei Rouanet como ferramenta para desacreditar a classe artística, utilizando retórica de ódio nas redes sociais. O estudo sugere que a polarização política atual é um eco de um passado não resolvido, dificultando o diálogo entre diferentes facções.

Enviado por

Thainá Evelyn
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Camilla Machuy Inimigo à esquerda:

Universidade Federal do Rio


de Janeiro – ECO-UFRJ Conservadorismo brasileiro e as
camillamachuy@[Link] origens da guerra Contra a
Marco Schneider Cultura
Universidade Federal do Rio
de Janeiro – PPGCI – IBICT/
ECO-UFRJ
Universidade Federal
Fluminense - PPGMC-UFF
art68schneider@[Link] Enemy on the left:
Brazilian Conservatism and the Origins of the
Priscila Seixas
Universidade Federal
Culture Wars
Fluminense – PPGMC-UFF
seixasburburinho@[Link]

Inimigo a la izquierda:
Conservadurismo en Brasil y el origen de la
lucha contra la Cultura

Este trabalho está licenciado sob


uma licença Creative Commons
Attribution 4.0 International
License.

Copyright (©):
Aos autores pertence o direito
exclusivo de utilização ou
reprodução

ISSN: 2175-8689

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

353
RESUMO
O presente artigo demonstra como o passado autoritário brasileiro, em particular as duas
décadas de regime militar (1964 – 1985), ecoa no presente e fomenta o crescimento da extrema-
direita no país. Investiga as estratégias digitais das correntes políticas mais conservadoras e
duas de suas principais influências: o projeto Orvil e a obra do autoproclamado filósofo Olavo de
Carvalho. Além disso, faz um diagnóstico da modulação brasileira da guerra cultural importada
dos EUA, com foco na midiatização da Lei Rouanet como estratégia da extrema-direita para
desacreditar a classe artística e desqualificar sua crítica, um expediente capitaneado por
parlamentares conservadores que se utilizam da retórica do ódio nas redes sociais digitais.
PALAVRAS-CHAVE: Autoritarismo; Cultura; Extrema-direita; Midiatização; Lei Rouanet.

ABSTRACT
This article demonstrates how Brazil's authoritarian past, in particular the two decades of
military rule (1964-1985), echoes in the present and fosters the growth of the far right in the
country. It investigates the digital strategies of the most conservative political currents and two
of their main influences: the Orvil project and the work of the self-proclaimed philosopher Olavo
de Carvalho. In addition, it makes a diagnosis of the Brazilian modulation of the cultural war
imported from the USA, focusing on the mediatization of the Rouanet Law as a strategy of the
extreme right to discredit the artistic class and disqualify its criticism, an expedient led by
conservative parliamentarians who use the rhetoric of hatred in digital social networks.
KEYWORDS: Authoritarianism; Culture; Far-right; Mediatization; Rouanet Law.

RESUMEN
Este artículo demuestra cómo el pasado autoritario de Brasil, en particular las dos décadas de
gobierno militar (1964-1985), resuena en el presente y fomenta el crecimiento de la extrema
derecha en el país. Investiga las estrategias digitales de las corrientes políticas más
conservadoras y dos de sus principales influencias: el proyecto Orvil y la obra del
autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho. Además, diagnostica la modulación brasileña de la
guerra cultural importada de [Link]., centrándose en la mediatización de la Ley Rouanet como
estrategia de la extrema derecha para desacreditar a la clase artística y descalificar sus críticas,
un expediente liderado por parlamentarios conservadores que utilizan la retórica del odio en las
redes sociales digitales.
PALABRAS CLAVE: Autoritarismo; Cultura; Extrema derecha; Mediatización; Ley Rouanet.

Submetido em 08 de março de 2023


Aceito em 11 de agosto de 2023

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

354
Introdução
A ascensão da extrema-direita no Brasil, na segunda década do século XXI,
pode ser considerada como um soluço na democracia do país, ao qual muitos creditam
o advento das plataformas digitais. No entanto, é temerário entender o surgimento ex
nihilo de tais ideologias no Brasil, já nos tempos contemporâneos. Forças políticas
opostas sempre disputaram ideologicamente a supremacia política de suas
respectivas épocas e, nesse sentido, é importante lembrar que o pensamento
conservador tem longa história no Brasil e ressurge em moldes parecidos, embora os
contextos sejam ressignificados. Por exemplo, o flerte do conservadorismo brasileiro
com o fascismo remonta ao crescimento dessa ideologia na Europa. Na década de
1930, a Ação Integralista Brasileira (AIB) ganhou as ruas e massificou o movimento
(Secco, 2022). Seu principal líder era o intelectual conservador Plínio Salgado. Sua
proposta política queria propor uma nova política:
[...] buscava romper as tradições da velha política com um discurso
autoritário, antiliberal, antidemocrático, anticomunista, baseado em
uma estrutura nacionalista e na concepção cristã radical e
conservadora. Esses elementos foram potencializados quando viu a
prática desse modelo na Itália, identificando caminhos para um novo
Brasil (Caldeira Neto; Gonçalves, p. 13, 2020).

Se os ideais ainda soam familiares nos dias de hoje, talvez seja porque o AIB
é considerado por estudiosos como o primeiro partido político de massa no Brasil
(Trindade, 1979; Schwarcz; Starling, 2018), destacando-se por adotar uma postura
corporativista, venerando lideranças políticas e buscando dominar o Estado. Além
disso, sua retórica antissemita ultrapassava o tom comum na sociedade brasileira da
época. O partido encontrava apoio entre diversos setores das classes médias urbanas,
incluindo funcionários públicos, padres, profissionais liberais, poetas, comerciantes e
industriais, bem como em áreas de colonização alemã e italiana. Nesse sentido,
Trindade (1979) aponta os apoios vitais da Igreja Católica e das Forças Armadas para
a manutenção da popularidade do grupo. Aliás, havia muitos integralistas dentro dos
batalhões e o movimento rapidamente ganhou força política, contribuindo ativamente
para o golpe que instituiu o Estado Novo, em 1937 (Trindade, 1979). Com grande

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

355
apoio popular e mais de 500 mil aderentes, o movimento continuou influenciando os
rumos do país:
Os integralistas eram tolerados pelas autoridades mesmo quando se
envolviam em ações ilegais e muitos foram oficiais superiores das
Forças Armadas que participaram ativamente do golpe de 1964 que
derrubou o Presidente de centro-esquerda João Goulart, embora ele
fosse um moderado (Secco, 2022 p.41).

Após o período de redemocratização, o cenário político brasileiro se viu


envolto em um embate pela hegemonia, com destaque para duas forças principais: a
direita conservadora na economia e liberal nos costumes, representada pelo PSDB
(com exceção da eleição de Collor de Mello), e a esquerda moderada, liderada pelo PT.
No entanto, esse panorama político sempre esteve sob a influência do Centrão, um
grupo de parlamentares em geral conservadores, porém marcado por sua essencial
natureza oportunista e pela falta de coerência ideológica ou programática sólida, fator
que impedia qualquer das forças em disputa de conquistar uma maioria no Congresso
Nacional.
Nas últimas eleições majoritárias, o protagonismo que antes era da direita
moderada foi tomado pela extrema-direita, que se mostrou tão conservadora quanto
a anterior no que diz respeito ao receituário neoliberal. Contudo, a diferença crucial
se deu na pauta dos costumes e da cultura, onde a extrema-direita adotou uma postura
ultrarreacionária, inclusive abraçando o negacionismo científico. Essa mudança no
campo da direita foi evidente nas eleições de 2018, que conduziram o ex-militar Jair
Messias Bolsonaro ao poder, e, mais recentemente, no processo eleitoral concluído
em 2022, que resultou no terceiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa troca de liderança no espectro político gerou uma divisão sem precedentes desde
o fim da ditadura militar, tornando o diálogo entre as diferentes facções quase
impossível. A polarização e as discordâncias acentuadas dificultam a busca por
consensos e soluções para os desafios do país, criando um ambiente político
desafiador e complexo.
Exploramos aqui a hipótese de que os fundamentos deste cenário, erigido
com o auxílio das plataformas digitais, são oriundos de um passado mal resolvido. O

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

356
eco de um passado que ainda se faz muito presente. Para compreender esse quadro,
a pesquisa se organiza metodologicamente enquanto uma investigação de abordagem
qualitativa e caráter exploratório1, que visa através da análise de documentos e
revisão bibliográfica entender como o conservadorismo da extrema-direita
desembocou em um ataque contra a Cultura. Nesse sentido, também são apresentados
exemplos de notícias extraídas de veículos digitais2 e publicações em sites de redes
sociais digitais que servem como pano de fundo dos embates gerados pela extrema-
direita sobre a Lei Rouanet.
É necessário lembrar que o Brasil viveu duas décadas sob o regime
autoritário das Forças Armadas, entre 1964 e 1985. Nesse período, além do recurso à
força bruta, incluindo tortura e assassinato (Arquidiocese de São Paulo, 1985), para
reprimir qualquer tipo de oposição à sua condução política, os militares e seus
asseclas recorreram ao revisionismo histórico e ao doutrinamento ideológico
(Figueiredo, 2011). Este é o caso, por exemplo, da publicação intitulada “Orvil:
tentativas de tomada do poder” (2012): “um projeto sigiloso do Exército brasileiro”
(Rocha, 2021, p.32), que hoje em dia está disponível na internet gratuitamente. Outro
exemplo é o amplo espaço concedido por décadas ao autointitulado filósofo Olavo de
Carvalho na grande imprensa corporativa. Comecemos pelo Orvil.

1 O Orvil
O livro (Orvil é livro ao contrário) é um documento produzido pelas Forças
Armadas brasileiras com o objetivo de servir de justificativa para o golpe militar de
1964. Na obra autobiográfica A Verdade Sufocada: a história que a esquerda não quer
que o Brasisl conheça, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do
Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna
(DOI-CODI), órgão responsável pela repressão durante o regime militar no Brasil,
descreve o Orvil “um trabalho minucioso, em que processos, inquéritos e documentos

1
Segundo Gil (2002), pesquisas exploratórias têm como objetivo o aprimoramento de ideias a partir da consideração de vários
aspectos do objeto estudado.
2 Destaca-se o fato de que não se trata, necessariamente, de grandes veículos de comunicação, mas espaços de reprodução do

pensamento de extrema-direita.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

357
foram estudados e analisados” (Ustra, 2007. p. 10). O Orvil foi desenvolvido entre os
anos de 1985 e 1988, mas foi proibido de circular (Pedreti, 2021). A coordenação do
projeto foi do chefe do Centro de Informações do Exército (CIE) à época, o general
Sérgio Augusto de Avellar Coutinho. No entanto, o livro tem como organizadores o
tenente José Conegundes Nascimento e o tenente-coronel Licio Maciel. (Figueiredo,
2011). Segundo o jornalista Lucas Figueiredo, as versões ali descritas podem ser
consideradas revisionismo histórico e uma das principais teorias da conspiração
propagada pelas Forças Armadas:
Vista por uma potente lente de aumento, a realidade foi distorcida e
se transformou num fantasma assustador, que vagava pela história a
arrastar quatro correntes: 1) Quem havia sido contra o regime militar
era de esquerda; 2) Quem é de esquerda é comunista; 3) Quem é
comunista é perigoso; 4) Por intermédio do Movimento Comunista
Internacional (mais conhecido como MCI), Moscou, Pequim e Cuba
nunca desistiriam de colocar suas mãos peludas sobre o Brasil. Tendo
o anticomunismo como pano de fundo, o Orvil enveredava por
definições equivocadas. O golpe de 1964, por exemplo, não fora um
golpe, mas sim uma “revolução democrática” (Figueiredo, 2011, p.
78).

Neste sentido, Rocha (2021) estabelece, também, uma conexão profunda


entre a Doutrina de Segurança Nacional (DSN) e o pensamento político do
bolsonarismo, especificamente relacionando-o ao Orvil. A DSN pode ser entendida
como um derivado da política estadunidense adotada durante a Guerra Fria e
moldada para obedecer a interesses das Forças Armadas no Brasil em caráter
estratégico, como quer Fico (2001):
Produzida, basicamente, no âmbito da ESG3, a “doutrina” supunha
que o Brasil se integrava ao contexto internacional da Guerra Fria
considerando (a) sua grande população e extensão territorial; (b) seu
posicionamento geopolítico, que lhe conferia importância estratégica
no âmbito das relações políticas internacionais e (c) sua
vulnerabilidade ao comunismo, à luz de supostas fragilidades
internas (população “despreparada” e políticos “corruptíveis”).
Desse diagnóstico, decorria que (a) o Brasil tinha condições de se
tornar uma das grandes potências mundiais e (b) era necessário
precaver-se contra a “ameaça comunista” (Fico, 2001, p.41).

3 Escola Superior de Guerra.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

358
O sentimento anticomunista, portanto, desempenhou um papel crucial ao
fornecer uma justificativa ideológica para o golpe militar e para a manutenção do
regime ditatorial no Brasil por mais de duas décadas. A exploração desse medo
coletivo foi fundamental para a sustentação do autoritarismo e para legitimar a
violação dos direitos humanos e das liberdades democráticas durante esse período
sombrio da história brasileira, como explica Motta (2000):

O anticomunismo forneceu argumento principal para duas das


rupturas institucionais mais sérias do período republicano, origem
dos regimes autoritários de maior duração já experimentados (ou
sofridos) pelo país. No interior da coalizão governante,
especialmente entre os militares, a preocupação com o tema
permaneceu significativa. O argumento anticomunista ocupou
posição destacada nas disputas de poder travadas no interior do
Estado, por diversas vezes conduzindo à ação os setores da extrema-
direita. Outrossim, o regime militar manteve constante vigilância
sobre os comunistas e a esquerda, fazendo uso do formidável
aparelho repressivo construído após 1964 sempre que considerava
necessário (Motta, 2000, p.344).

No entanto, hoje, 60 anos após a década de 1960, o cenário político e


ideológico global mudou significativamente. O fim da Guerra Fria, a queda do Muro de
Berlim e a dissolução de regimes comunistas em vários países enfraqueceram a
ideologia comunista como uma força política global relevante, portanto, o temor de
uma ameaça comunista já não faz sentido. No entanto, a narrativa anticomunista
continua muito viva nas ideologias da extrema-direita como forma de mobilizar pelo
medo e violência e conquistar apoio popular. Essa, por exemplo, era uma das
principais bandeiras da campanha e do governo de Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro é, sem dúvida, o presidente de extrema-direita mais


radical do mundo eleito democraticamente nas últimas décadas. Sob
seu governo, o Brasil foi considerado o país que lidou pior com a
pandemia de Covid-19, com mais de 500.000 mortes até junho de
2021, de acordo com estatísticas do governo. No mês anterior, o
Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, culpado pela falta
de vacinas no Brasil, renunciou sob várias pressões políticas
diferentes. Um diplomata de carreira que foi recomendado pelo
filósofo Olavo de Carvalho - que se aproximou da família Bolsonaro

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

359
há anos - Araújo considerava a Organização Mundial da Saúde
"globalista" e argumentou que o vírus, ao qual ele chamou de
"comunavírus", era um dispositivo ideológico de um "projeto
globalista" que levaria ao comunismo (Rocha; Solano; Medeiros,
2021, p. xiii, tradução nossa).

De mesma sorte, Rocha (2021) destaca outros remanescentes da ideologia


que prevaleceu no regime militar, como a apologia à tortura, que ainda está muito viva
no discurso do ex-presidente. Em uma declaração polêmica, em 1999, Bolsonaro
afirmou a necessidade de realizar um “trabalho” que, segundo ele, não foi feito
durante a ditadura: “matar uns 30 mil, começando pelo FHC”4, referindo-se ao ex-
presidente Fernando Henrique Cardoso. Essa análise revela como a perspectiva
política do bolsonarismo pode estar associada a elementos da DSN e do Orvil, e como
o discurso conservador autoritário sobreviveu até os tempos de hoje:
As palavras precariamente alinhadas pelo capitão reformado, numa
sintaxe balança, mas não cai, dá corpo a uma doutrina draconiana e a
uma interpretação delirante da história brasileira: de um lado, a
Doutrina de Segurança Nacional (DSN), de outro, o Orvil. Como se
percebe, traços caracteristicamente brasileiros da guerra cultural
bolsonarista. Conscientemente ou não, a ascensão de uma juventude
de direita no Brasil abraçou tanto a DSN quanto a matriz
conspiratória do Orvil (Rocha, 2021, p.225).

Rocha (2021) considera que a obra influencia a sociedade brasileira até hoje,
talvez hoje mais do que nunca, acreditamos. Seus argumentos inverossímeis tentam
justificar as práticas antidemocráticas que o país testemunhou nos últimos anos. É
inegável, no entanto que, apesar das suas contradições fundamentais, a ideologia do
Orvil esteve presente no Planalto, considerando a lógica de pensamento
implementada pelo governo de Jair Bolsonaro. Segundo inúmeros autores (Rocha,
2021; Prado, 2021; Lacerda, 2019; Figueiredo, 2009), as ideias presentes no Orvil
foram fonte de inspiração para ideólogos, como foi o caso de Olavo de Carvalho. Esse
se autointitulava filósofo e foi ideólogo do governo de Jair Bolsonaro.
2 Olavismo e guerra cultural

4
A entrevista concedida por Bolsonaro ao um canal de TV, em maio de 1999, está disponível no link do canal do Youtube:
[Link] Acesso em: 13 jul. 2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

360
Para a devida compreensão dessa seção, apresenta-se dois conceitos que
norteiam a discussão: a compreensão do que é cultura e a noção de ideologia. Por
cultura, fala-se da esfera política — a Cultura, em letra maiúscula —, como também da
cultura presente no trabalho de Furtado (1984). Na perspectiva do teórico brasileiro,
“a cultura é o tecido do ser humano; ela reflete a forma como o homem vê o mundo e
a si próprio, determinando sua maneira de agir e de se relacionar com seus
semelhantes” (Furtado, 1984, p.15). Ele acredita que a cultura pode contribuir para a
construção de uma sociedade mais plural e que valoriza as diferenças. Por ideologia,
reflete-se a partir de Eagleton (1997), como uma questão discursiva, uma forma de
vida imaginada, um conjunto de crenças, valores e práticas sociais que as pessoas
assumem como verdadeiros e que lhes permitem dar sentido à realidade e orientar
suas ações no mundo. Ou seja, são mobilizações dos sistemas sociais em que os
indivíduos buscam moldar suas percepções de realidade.
Dito isso, é necessário abordar a forte conexão entre as diretrizes do Projeto
Orvil e os elementos retóricos que apoiam a agenda da Nova Direita brasileira para
começar a entender os valores que compõem o bolsonarismo e seu ataque à Cultura.
Num primeiro momento, é importante observar o papel desempenhado pelos
intelectuais na transmissão do sistema de crenças conservadoras. Um dos nomes mais
relevantes é o de Olavo de Carvalho. O trabalho de Carvalho é conhecido por ter um
“alinhamento cego com a narrativa conspiratória de Orvil” (Rocha, 2021, p.31). Ele é
um filósofo autoproclamado influenciado ideias de René Guenon, um dos fundadores
do Tradicionalismo, movimento intelectual muito influente da extrema-direita
contemporânea (Vasconcelos, 2022; Teitelbaum, 2020; Sedgwick, 2023). Carvalho
possui mais de 40 livros publicados, abrangendo diversos temas como Esoterismo,
Astrologia, Filosofia, Religião, Metafísica Oriental e Política, de acordo com seu
entendimento desses temas.
Carvalho se tornou uma das figuras mais influentes no governo de Bolsonaro,
e é frequentemente referido como o guru ideológico e o fundador intelectual da Nova
Direita brasileira. Carvalho dedicou-se a promover inúmeras teorias conspiratórias
sobre invasão comunista, Terra plana, geocentrismo, criacionismo e ciência falsa,

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

361
entre muitas outras ideias famosas e não tão conhecidas, que vão contra o senso
comum e o conhecimento acadêmico. Além disso, ele teve uma presença importante
nas redes sociais e projetou e ministrou um curso de filosofia para mais de 2.000 (dois
mil) alunos. Três de seus ex-alunos tornaram-se ministros no governo Bolsonaro:
Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub
(Educação).
Menos em seus livros e mais em sua presença nas redes sociais, Olavo de
Carvalho fomentou inúmeras ideias sobre teorias da conspiração estapafúrdias como
o uso de fetos abortados no refrigerante Pepsi5, terraplanismo6, além do menosprezo
e negacionismo em relação à pandemia de Covid-197, doença que o matou. Foram
inúmeras teorias disseminadas desde os primórdios das redes sociais. Desde 2004, na
plataforma Orkut, comunidades eram criadas para comentar as teorias olavistas e que
fomentavam assuntos conspiratórios. A jornalista Michele Prado explora o
crescimento da extrema-direita no Brasil em seu livro Tempestade Ideológica e expõe
alguma das ideias disseminadas pelo ideólogo:
Foi no Orkut que um nome começou a ganhar muito mais relevância
do que seus artigos em jornais lhe proporcionavam: Olavo de
Carvalho. Nas comunidades dedicadas ao filósofo, já se lia conceitos
que futuramente iriam permear todo o debate da direita nas redes
sociais. Em “Olavo nos Odeia”, comunidade criada dia 09 de junho de
2004, os seguintes tópicos já estavam presentes na descrição da
comunidade:
VOCÊ SABIA:
- A ONU apoia o terrorismo?
- Há uma conspiração comunista global e o movimento gay é parte
dela?
- A Lei da Inércia é falsa e Isaac Newton era burro?
- Há livros ensinando crianças a fazer sexo oral com elefantes?
- O Brasil hoje é uma ditadura comunista?
- A mídia apoia os gays para promover o controle populacional?

5 Postagem do Twitter: Anos depois de a Pepsi, sob chuva de denúncias, romper o contrato com o laboratório que usava fetos na
pesquisa de adoçantes, o mito "Olavo mentiu sobre a Pepsi" ainda se repete na porra da mídia como verdade inquestionável.
Disponível em: [Link] Acesso em: 21 fev. 2022.
6 Postagem do Twitter: Não estudei o assunto da terra plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que mostram a planicidade

das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 fev. 2022.
7 Postagem do Twitter: O medo de um suposto vírus mortífero não passa de historinha de terror para acovardar a população e fazê-

la aceitar a escravidão como um presente de Papai Noel. Disponível em:


[Link] Acesso em: 21 fev. 2022.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

362
- O marxismo nasceu do satanismo?
- Darwin é o pai do nazismo?
- A web foi criada para combater o ateísmo?
- O ser humano não precisa de cérebro para viver?
- O nazismo e FMI são de esquerda?
- Bill Clinton era um agente de Pequim?
- Os EUA entraram no Vietnã para perder?
- Há 40 milhões de comunistas no Brasil?
- Não há diferença genética entre humanos e chimpanzés na
gestação?
- O empresariado nunca se organizou politicamente?
- A ditadura foi branda e tinha eleições democráticas?
- Che Guevara invadiu Angola oito anos após a sua morte?
- O PT é responsável pela morte de 50 mil pessoas por ano?
- O general Geisel era comunista? [...] (Prado, 2021, p.22).

A maior teoria da conspiração defendida pelo ideólogo e, essa sim,


entranhada por toda sua obra, é a da existência de uma elite mundial de esquerda –
liderada por contraditoriamente bilionários – que teria controle da cultura em escala
planetária com o objetivo de instaurar o comunismo em todos os países democráticos
do mundo. A partir dessa influência, esse grupo teria o poder de extinguir todos os
valores da chamada civilização judaico-cristã-ocidental, como a família e as religiões.
Essa é, sem dúvida, umas das teorias mais consolidadas em grupos conservadores e
em toda a extrema-direita brasileira. Essa é a base, por exemplo, para as políticas de
cunho negacionista e antiestablishment do governo Jair Bolsonaro, do qual Olavo de
Carvalho foi o principal mentor ideológico. Para combater o inimigo oculto e
implacável do comunismo que tem poder para destruir toda a realidade conhecida
pela sociedade atual, é possível justificar qualquer atitude para defender tais ideais.
Em seu best-seller, O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota
(2013), Olavo apresenta um texto intitulado Guerras culturais. Carvalho (2013)
apresenta que as guerras culturais possuem movimentos, sutis e de longuíssimo prazo
que escapam à percepção não só das massas como da quase totalidade das elites
políticas, econômicas e militares. Segundo o ideólogo, as guerras culturais são ações
planejadas estrategicamente para a condução e manipulação da cultura e da vida de
toda a população.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

363
Tal lógica se assemelha com algumas das constituições ideológicas presentes
no Orvil. É preciso assinalar que a pavimentação ideológica criada por Olavo de
Carvalho no decorrer dos anos, através de todas as suas produções e posicionamentos
em redes sociais digitais, corresponde ao seu principal objetivo, que é colocar toda a
cultura brasileira contra a parede. Ele não concorda com os encaminhamentos pelos
quais o mundo ruma e, por conseguinte, menospreza ações empreendidas pelos
militantes, termo recorrente e que, para ele, representa uma porção populacional que
não tem capacidade reflexiva. A discussão presente no livro sobre a guerra cultural é
importante e necessária para o processo reflexivo deste artigo. O termo se refere ao
conflito entre diferentes visões de mundo e valores que se intensificou nos últimos
anos, especialmente no âmbito da cultura e das artes. Antes de mais nada, faz-se
necessário refletir sobre a origem desse conceito.
De acordo com Santos (2021), sua origem é controversa. Porém, “a expressão
se tornou popularizada através da publicação de ‘Culture Wars’, de James Davison
Hunter, em 1991” (Santos, 2021, p. 181). Pela interpretação do pesquisador, a obra
apresentava o embate entre duas visões de mundo antagônicas que dividiam a
sociedade dos Estados Unidos da América, uma progressista e outra conservadora, e
as discussões eram sobre questões sociais, políticas, econômicas e comportamentais.
O trabalho de Santos (2021) se debruça naquilo que ele denomina Retórica
da Guerra Cultural, pautada pela dicotomização a partir de uma diferenciação entre
duas polêmicas públicas, seguindo uma lógica maniqueísta, visando a aniquilação da
voz do adversário e, portanto, buscando ressaltar aspectos como o ressentimento,
ódio, inveja e ou indignação. (Santos, 2021, p. 219-222). Essa lógica impede o
estabelecimento de diálogos para formar pontes entre diferentes pontos de vista. O
objetivo é a não promoção da comunicação, ou seja, não ter debates.
Segundo Rocha (2021), essa guerra tem sido alimentada por uma série de
fatores, como a polarização política em redes sociais digitais, puxada por uma nova
extrema-direita, que busca impor suas visões e valores ao conjunto da sociedade,
utilizando-se de inúmeros subterfúgios discursivos, entre os quais destacamos a
sobrecarga de desinformação. Essa guerra cultural tem gerado um clima de

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

364
intolerância e destruição do diálogo e da convivência democrática, o que representa
uma ameaça à própria democracia brasileira. No Brasil, Olavo de Carvalho tornou-se,
talvez, o principal tutor ideológico dessa extrema-direita.
Ainda sobre a própria noção de “guerra cultural”, por se tratar de uma
expressão em disputa, é necessário apontar seus usos entre os conservadores e
liberais. De acordo com o Burke Instituto Conservador, através de texto de Ismael de
Oliveira Luz (2022), a definição de guerra cultural é entendida para além dos
discursos ideológicos, em uma apreensão parecida com a de Olavo de Carvalho. A
citação descrita abaixo parece um plágio grosseiro do pensamento de Gramsci sobre
o elemento cultural presente nas disputas pela hegemonia, dessa vez com tons
autoritários e com sinal invertido, no sentido do irracionalismo conservador:
Uma guerra cultural não é simplesmente um conflito entre discursos
ideológicos, não se trata de saber quem tem ou não tem razão
argumentativa. A guerra cultural é a conquista total e absoluta do
campo psicológico, imaginativo, intelectual e espiritual e somente
por meio de uma elevada estrutura simbólica e artística que seja
capaz de permear e preencher a alma humana nos seus mais
profundos recônditos é que uma cultura se sobrepõe e absorve uma
outra de menor valor simbólico. Uma guerra cultural é o “bom
combate” mencionado pelo apóstolo Paulo, aquele que se vence pela
manifestação tácita da luz. (Luz, 2022, n.p).

Como é ressaltado em Rocha (2021), “tal como ensinada na pregação de Olavo


de Carvalho nas últimas duas décadas, a retórica do ódio é uma técnica discursiva que
pretende reduzir o outro ao papel de inimigo a ser eliminado” (Rocha, 2021, p.153).
Essa construção narrativa conspiratória faz com que uma porção substancial da
população brasileira se sinta à vontade para disseminar o ódio e impor sua visão de
mundo. Aqui, é visto como a retórica do ódio é ferramenta capaz de desprestigiar a
existência de outras opiniões. Trata-se de uma forma de deslegitimar pontos de vista
contrários ao que é expresso dentro da lógica ultraconservadora.
Em uma dada publicação no Facebook, Olavo de Carvalho aponta para uma
série de personagens da vida sociopolítica brasileira que caem com a ascensão de Jair
Bolsonaro ao poder. Na Figura 1 podemos constatar alguns dos procedimentos
apontados por Rocha (2021) como aqueles presentes na retórica do ódio:

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

365
Figura 1 – Publicação de Olavo de Carvalho no Facebook

Fonte: captura de tela por uma das autoras a partir de publicação no Facebook, 20188.

Como podemos notar, o quarto ponto se refere às milhares de carreiras e


biografias de políticos, intelectuais e artistas de esquerda, a grande parte dos artistas
em geral. Neste ponto, avançaremos no debate de uma modalidade concreta de ação
das forças reacionárias no Brasil, a midiatização da Lei Rouanet como expediente de
vilanização de artistas e produtores culturais.

8
CARVALHO, Olavo de. O que cai com a ascensão do Bolsonaro. [S. l.], 11 out. 2018. Facebook: [Link]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 fev. 2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

366
3 Midiatização da Lei Rouanet e desqualificação da classe artística
Antes de tudo, destaca-se como se compreende midiatização neste estudo. Do
ponto de vista comunicativo, a midiatização é um processo peculiar do tecido da
realidade social e é construído na e através dos processos comunicacionais, conforme
observamos em Couldry e Hepp (2013) e na leitura do trabalho deles feita por Lelo
(2021). Nessa perspectiva, ao discutir sobre o processo de midiatização de algum fato,
lida-se com a disseminação de informações sobre ele e a maneira como ele significa e
pode oferecer significados ao mundo.
Por vezes, um objeto ou acontecimento acaba passando por transformações
de sentido devido aos efeitos da midiatização. Apesar de se tratar de uma legislação
que data de 1991, ou seja, antes da chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) e de
Luiz Inácio Lula da Silva ao poder presidencial, a Lei Rouanet é encarada por seus
detratores de direita como uma criação comunista e petista que beneficiaria apenas
uma pequena parcela de artistas, que poderiam sobreviver e produzir seus conteúdos
artístico-culturais sem o auxílio do mecanismo.
Ao que parece, a tentativa de criar um estado de angústia e aflição em relação
a Lei de Incentivo à Cultura — outro nome como é conhecida a lei — teve o objetivo
de estremecer uma das supostas bases de apoio ao PT, dentro da narrativa
bolsolavista. Os questionamentos sobre a Lei Rouanet não sugestionaram uma
mudança em prol da democratização dos recursos financeiros. A retórica do ódio
impressa na lógica bolsolavista contra o setor cultural brasileiro é ideológica. Tratou-
se de uma guerra cultural em que os que representam a extrema-direita deveriam se
consagrar como os vencedores.
No entanto, como parte das lógicas que parecem não fazer sentido, chamadas
de dissonâncias cognitivas por Rocha (2021), a realidade se torna de difícil apreensão
por parte da extrema-direita. A partir de matéria, publicada pela Agência Estado9, isso
é notável quando se leva em consideração que o responsável pela Lei Rouanet na

9Agência Estado. Rouanet é lei benéfica, afirma secretário nacional de Fomento e Incentivo à Cultura. Itatiaia, Belo Horizonte, 12
jan. 2020. Disponível em: [Link] Acesso em: 22 fev.
2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

367
época do governo de Jair Bolsonaro, o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura,
Camilo Calandreli, aponta como certos casos deram uma imagem negativa para a Lei
Rouanet. Ao fazê-lo, porém, ele acreditou que a Lei Rouanet era um sucesso e que o
movimento conservador deveria abocanhar tais recursos federais. É importante frisar
que, independentemente de qual seja o governo em vigor, a Lei de Incentivo à Cultura
está disponível para todos aqueles que submetem seus projetos culturais e devem
aguardar aprovação para a captação de recursos.
É importante lembrar também que a Lei Rouanet foi fortemente atacada
através de diferentes meios pelo discurso bolsolavista e seus apoiadores. A
midiatização da Lei Rouanet foi um processo pelo qual, através de diferentes aparatos
de comunicação, a legislação foi vilanizada e tratada como um problema a ser
solucionado. Com a ascensão ao poder, tal ódio é ressignificado e transformado em
justificativa para que haja mais projetos culturais ligados ao conservadorismo da
extrema-direita, como se pode identificar através do chamamento realizado pelo
então secretário Calandreli.
Da mesma maneira, em uma publicação no Facebook, Olavo de Carvalho
expressa sua insatisfação ao saber que a turma esquerdista havia dito que o cineasta
Josias Teófilo havia obtido dinheiro junto da Agência Nacional do Cinema (Ancine)
para fazer um filme sobre Bolsonaro. Em tom de correção, ele disse que o filme não
era sobre Bolsonaro e que a Ancine não iria dar nenhum dinheiro, mas que o cineasta
teria autorização legal para obter patrocínio. Olavo de Carvalho havia descrito o
mecanismo da Lei Rouanet sem tomar conhecimento em sua publicação, conforme
Figura 2.
Figura 2 – Publicação de Olavo de Carvalho no Facebook falando sobre
financiamento de filme.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

368
Fonte: captura de tela elaborada por uma das autoras no Facebook, 201810.

A Cultura só entra em disputa justamente por ser um campo estratégico. Ao


ascender ao poder, Jair Bolsonaro emprega em seu discurso todo o escopo falacioso
das palavras falseadas de Olavo de Carvalho. Como mentor e guru ideológico, Olavo
de Carvalho impõe a retórica do ódio, reducionismo que visa aniquilar os inimigos,
presente no discurso bolsolavista. O bolsolavismo é um sistema de crenças que impõe
valores vinculados ao conservadorismo e, principalmente, ao imaginário autoritário
brasileiro que não foi abandonado desde a ditadura.
A geração de notícias falsas também faz parte do repertório que tenta
vilanizar a Lei Rouanet. De acordo com o portal eletrônico Gaúcha Zero Hora (GZH), a
notícia falsa abaixo que envolve o suposto uso da Lei Rouanet pela cantora Pabllo
Vittar demonstra a articulação que é promovida contra a Lei Rouanet. Esse tipo de
informação disseminada incentiva a criação de um repertório negativo sobre a
legislação que povoa o imaginário dos indivíduos. Acompanhe a Figura 3.
Figura 3 – Notícia falsa sobre a utilização da Lei Rouanet por Pabllo Vittar

Fonte: captura de tela elaborada por uma das autoras a partir de GZH11.
Ao contrário do que se pode sugerir, uma vez que a Cultura é constantemente
atacada, ela ocupa um lugar central das discussões da extrema-direita. O conceito de
guerra cultural, empregado pelos membros desse grupo político, visa opor dois
grandes grupos, um progressista e outro conservador, para que apenas um deles se
sobreponha como pensamento vencedor. A lógica aplicada a tal processo se baseia na

10 CARVALHO, Olavo de. A turma esquerdista espalhou que o Josias Teófilo estava embolsando dinheiro da Ancine para fazer um
filme sobre o Jair Bolsonaro. [S. l.], 27 jul. 2019. Facebook: [Link]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 22 fev. 2023.
11 PABLLO Vittar beneficiada pela Lei Rouanet? Veja essa e outras 5 notícias falsas sobre a cantora. GZH, [S. l.], 27 dez. 2017.

Disponível em: [Link]


[Link]. Acesso em: 20 fev. 2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

369
competição presente no neoliberalismo econômico. A ideia é que através da
competição é possível garantir que as pessoas possam melhorar suas capacidades e
garantir que os melhores consigam fazer a sociedade progredir (Dardot; Laval, 2016).
O trabalho Dardot e Laval (2016) avança nas discussões sobre os impactos do
neoliberalismo na sociedade contemporânea. Graças à tal contribuição, é possível
esboçar certos encaminhamentos no que diz respeito às proposições narrativas que
estão em disputa na contemporaneidade. Através do espírito de batalha empregado
pela guerra cultural, o massacre de quem não é visto nem como humano ou tendo
capacidade de viver é quase inevitável. São empregados termos que tornam amorfa a
percepção dos indivíduos envolvidos que estão do outro lado.
Numa perspectiva democrática, na batalha das ideias a luta envolve sempre
diversos grupos que estão tentando compor alianças, através da tentativa de criação
de consensos. Trata-se de um processo que privilegia o diálogo e está aberto aos
indivíduos pertencentes a grupos distintos. Dessa forma, não é um processo de
exclusão, mas de inclusão. São estabelecidos elos que podem recompor os lados
envolvidos em outra forma que possa servir tanto um lado quanto o outro.
Em compensação, a força empregada pelos membros da política da extrema-
direita brasileira representa outro estilo de pensamento. Há a imposição de seus
valores e costumes para que sejam impregnados em toda a sociedade, de maneira
indiscriminada. Há um objetivo nítido com tal ação: replicar suas crenças e aniquilar
a existência do contraditório.
Quando se fala em aniquilação, esse é o termo mais correto para ser
empregado. É possível reconhecer através de expressões como turma esquerdista ou
quando Olavo de Carvalho diz que “os representantes do atual esquema de poder não
podem aceitar uma derrota de maneira alguma, porque não será só uma derrota, será
a sua total destruição enquanto grupos, enquanto organizações e até enquanto
indivíduos”, (Facebook, 2018, n.p.), conforme visto nas capturas de tela acima.
A derrota do grupo rival significa, nesse sentido, o grande triunfo. É uma
espécie de briga infantilizada motivada por satisfações prazerosas momentâneas, mas
carregada de ameaças de assassinato. Tanto a estigmatização de um grupo complexo

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

370
através de termos pejorativos quanto a catarse produzida por um massacre subjetivo
demonstram o viés violento presente na retórica do ódio bolsolavista (Rocha, 2021).
Ainda retomando os ditos já citados de Olavo de Carvalho no Facebook
(2018), a esquerda vista como ameaça comunista não está lutando pelo poder nem para
vencer uma eleição, está lutando pela sua sobrevivência política, social, econômica e
até física. O deleite do ideólogo bolsonarista está na possibilidade de não existência
de todos aqueles que ele enxerga como adversários. É uma ficção de uma realidade
não vivida, mas fabricada através de suposições alucinantes que tentam produzir um
sentido orientado para a violência.
Em relação à fala da derrota da dita esquerda nas eleições de 2018
representar a aniquilação de todo um conjunto de vidas, talvez isso se relacione aos
acontecimentos ocorridos em janeiro de 2023. Uma semana após a posse do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2023, após vencer as eleições
presidenciais de 2022, emergem em Brasília hordas armadas e com a intenção de
destruir o patrimônio do Planalto, com ampla cobertura da imprensa nacional12, e
internacional13 que classificaram as ações como antidemocráticas e terroristas.
Os atos antidemocráticos foram realizados no dia 8 de janeiro de 2023,
motivados pela insatisfação de certos grupos apoiadores do então presidente Jair
Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais do ano anterior. Diante de narrativas
criadas a partir de desinformações em escala massiva, que, por exemplo, apontam
para supostas fraudes eleitorais, negadas posteriormente14, tais indivíduos
acreditaram ter razões para depredar o patrimônio público federal. Se, até então, a
violência era apenas simbólica, vinculada ao subjetivo, naquele momento se tornou
concreta. Apenas quando a crueldade se torna explícita torna-se possível se dar conta
das problemáticas envolvidas através do discurso de ódio. A guerra cultural da

12 G1. Terrorismo em Brasília: o dia em que bolsonaristas criminosos depredaram Planalto, Congresso e STF. G1, Brasília, 8 jan.
2023. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 10 abr. 2024
13 NICAS, Jack; SPIGARIOL, André. Bolsonaro Supporters Lay Siege to Brazil’s Capital. The New York Times. Rio de Janeiro;

Brasília, 8 jan. 2023. Disponível em: [Link]


[Link]. Acesso em: 10 abr. 2024
14 MILITÃO, Eduardo. PF diz não ter encontrado evidência de fraudes nas urnas nos dois turnos. UOL, Brasília, 25 nov. 2022.

Disponível em: [Link]


[Link]. Acesso em: 22 fev. 2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

371
extrema-direita é literalmente bélica: um dos lados deve ser exterminado para que o
outro possa governar sem oposição.
Precisamos recordar a fala de Olavo de Carvalho quando ele diz que a derrota
é a total destruição de indivíduos de um determinado grupo. Torna-se, assim,
perceptível que sua intenção é promover um caos cognitivo por meio do medo da
aniquilação. Só que esse medo orienta não apenas o grupo que está sendo alvo de seu
ataque. Ele afeta também o grupo do qual faz parte, uma vez que dele surge um
instinto de sobrevivência para encarar problemas futuros. Um exemplo desses
problemas é justamente a derrota nas eleições presidenciais de 2022.
Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, a ameaça comunista reaparece e
reacende a chama de apreensão sobre o que virá a seguir. A angústia é, então,
exprimida através de atos violentos, vândalos e antidemocráticos. Realizar tal ato
significa reafirmar um ponto de vista que deve se sobrepor a qualquer outro, sem
possibilidade de coexistência: o autoritarismo em sua forma viva.
Surge então um questionamento: por que a narrativa da extrema-direita
política brasileira é tão brutalmente vinculada à retórica do ódio? Com a tomada do
poder, não haveria a possibilidade de pavimentar outros caminhos ligados a
promoção de consensos entre os diversos setores da população? Em uma resposta
curta, o conceito de guerra cultural empregado pelo bolsolavismo encarcera outras
perspectivas possíveis. Afinal, o extermínio (simbólico ou físico) é o propósito final.

Considerações Finais

Se a guerra é cultural e o objetivo é a aniquilação do inimigo, a sustentação


deve ser amplamente fundamentada através de inúmeros percursos. Os ataques
generalizados contra a Lei Rouanet representam não o início de um debate, mas um
fim em si mesmo. O setor cultural é aquele responsável por ampliar as sensibilidades,
capaz de auxiliar em processos reflexivos a partir da esfera do cotidiano e que
possibilita imaginar outras formas de se viver. Ao arruinar um dos setores da vida
pública que promove processos de afetação, a retórica do ódio ganha espaço ao
convencer pessoas sobre a incapacidade do setor cultural de representar suas
Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]
ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

372
próprias vidas. Dessa maneira, a crítica não se debruça propriamente sobre as
fragilidades da legislação, notadamente imbuída da lógica neoliberal e que não
consegue coibir as desigualdades regionais no que diz respeito aos financiamentos
público. A crítica é à própria forma pela qual a cultura moderna e contemporânea se
desenvolveu no Brasil urbano: como questionamento sistemático, tendencialmente
pluralista, do caráter dogmático dos valores e costumes conservadores.
A tentativa de fixação da Lei Rouanet como sendo um projeto encabeçado
pela esquerda é promovida pela extrema-direita através da reprodução excessiva do
processo de sua midiatização. É importante recordar que a legislação data do ano de
1991, sancionada pelo então presidente Fernando Collor de Mello, sendo o nome da
lei uma homenagem ao seu secretário da cultura à época, Sérgio Paulo Rouanet. É
fundamental frisar que Collor de Mello fez parte do partido dos militares na época da
ditadura, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), e em sua carreira política esteve
sempre ligado ao espectro da direita.
Tais informações são importantes para a realização de uma crítica que descole
as intenções de composição narrativa empreendidas pela extrema-direita em
configurar a Lei Rouanet como uma lei da esquerda. Essa foi a forma encontrada pelos
apoiadores do governo Bolsonaro em construir uma situação para responsabilizar o
setor cultural de acusações que lhe são impingidas, na maioria das vezes infundadas.
A centralidade da Cultura como lugar político imprescindível para a extrema-
direita encontra-se em uma dupla relação. Em primeiro lugar, como lugar a ser
conquistado e imposto. As regras e costumes ditos conservadores devem se sobrepor
a toda construção feita em governos progressistas anteriores. A luta é ideológica,
nesse sentido. Baseados no conceito de “guerra cultural”, para a garantia daquilo que
não foi conquistado em outros tempos autoritários, deve ser assegurado através do
massacre existencial da esquerda. Em segundo lugar, a Cultura também é encarada
como um lugar ainda não ocupado. Nas perspectivas reducionistas empregadas por
indivíduos que fazem parte da extrema-direita, era impossível, ou ao menos
complicado, acessar recursos da Lei de Incentivo à Cultura, visto que muitas das ações
que tinham o dinheiro vindo da renúncia fiscal eram considerados de esquerda.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

373
Dessa forma, deixa-se de perceber a Cultura como uma área que precisa de
políticas públicas, necessariamente, como qualquer outra, e ela começa a ser encarada
como o centro da guerra cultural. Nesse sentido, o discurso bolsolavista buscou
reforçar constantemente características ruins vinculadas à Lei Rouanet. Ao colocar
em pauta o uso indevido ou não de dinheiro público por certas pessoas e instituições,
não se questiona o modelo de política cultural. Assim, o problema não está no modelo
neoliberal da política cultural da Lei Rouanet, mas na suposta falta de acesso pelos
conservadores. A falta de democratização do acesso aos recursos, de maneira
generalizada e, principalmente, aos pequenos e médios agentes culturais não era o
cerne do questionamento.
Contudo, os ataques frequentes ocorridos através da midiatização da Lei
Rouanet significaram a importância dessa área aos planos do governo bolsonarista. A
mobilização feita através de narrativas que foram assimiladas por boa parte da
população representou um grande ganho para a extrema-direita. O sucesso da
polarização nacional em que, de um lado, tem-se apoiadores de ex-presidente Jair
Bolsonaro e, de outro, apoiadores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
significa uma importante vitória na produção de sentido empreendida pela retórica
do ódio.
A retórica do ódio alterou os sentidos da produção da vida cotidiana de
pessoas que encaram a realidade não em sua totalidade, ou seja, percebendo o que
está por trás das relações sociais estabelecidas. O principal é aquilo que as afeta de
maneira a reagir perante o mundo de estigmas que as cerca. Nesse processo
imediato e irrefletido, o mais importante é a permanência de certo sentido que
orienta suas vidas. O contraditório se torna inútil para a compreensão de si mesmas.

Referências
AGÊNCIA Estado. Rouanet é lei benéfica, afirma secretário nacional de Fomento e Incentivo
à Cultura. Itatiaia, Belo Horizonte, 12 jan. 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em: 22 fev. 2023.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

374
ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil: Nunca Mais. Petrópolis, Vozes, 1985.

CALDEIRA NETO, Odilon; GONÇALVES, Leandro Pereira. O fascismo em camisas verdes: do


integralismo ao neointegralismo. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2020.

CARVALHO, Olavo. O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Rio de Janeiro:
Editora Record, 2021.

CARVALHO, Olavo de. O que cai com a ascensão do Bolsonaro. [S. l.], 11 out. 2018. Facebook:
[Link]. Disponível em:
[Link] Acesso em:
21 fev. 2023.

CARVALHO, Olavo de. A turma esquerdista espalhou que o Josias Teófilo estava embolsando dinheiro da
Ancine para fazer um filme sobre o Jair Bolsonaro. [S. l.], 27 jul. 2019. Facebook: [Link].
Disponível em: [Link] Acesso em:
22 fev. 2023.

COULDRY, Nick; HEPP, Andreas. Conceptualizing mediatization: contexts, traditions,


arguments. Communication Theory, v. 23, 2013. p. 191–202.

DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade
neoliberal. Trad. Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2016.

EAGLETON, Terry. Ideologia: uma introdução. São Paulo: Ed. Uniesp; Editora Boitempo,
1997.

FICO, Carlos. Como eles agiam: Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e polícia
política. Rio de Janeiro: Record, 2001.

FIGUEIREDO, Lucas. Olho por olho: os livros secretos da ditadura. Rio de Janeiro: Record,
2011.

FURTADO, Celso. Cultura e desenvolvimento em época de crise. In: FURTADO, Celso. Cultura
e desenvolvimento em época de crise. São Paulo: Paz e Terra, 1984.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

LACERDA, Marina Basso. O novo conservadorismo brasileiro: de Reagan a Bolsonaro. Porto


Alegre: Editora Zouk, 2019.

LELO, Thales Vilela. A midiatização em perspectiva crítica. Galáxia, São Paulo, n. 46, p.
e48797, 2021.

LUZ, Ismael de Oliveira. O que é Guerra Cultural? Burke Instituto Conservador, [S. l.], 22 mar.
2022. Disponível em: [Link]
guerra-cultural/. Acesso em: 21 fev. 2023.

MILITÃO, Eduardo. PF diz não ter encontrado evidência de fraudes nas urnas nos dois
turnos. UOL, Brasília, 25 nov. 2022. Disponível em:
Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]
ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

375
[Link]
[Link]. Acesso em: 22 fev. 2023.

MOTTA, Rodrigo Patto Sá. Em Guarda Contra o Perigo Vermelho: o Anticomunismo no Brasil
(1917-1964). Tese (Doutorado em História Econômica) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2000.

NASCIMENTO, José Conegundes do; MACIEL, Licio. Orvil: tentativas de tomada do poder.
Salto: Schoba, 2012.

PABLLO, Vittar beneficiada pela Lei Rouanet? Veja essa e outras 5 notícias falsas sobre a cantora. GZH,
[S. l.], 27 dez. 2017. Disponível em: [Link]
lazer/musica/noticia/2017/12/pabllo-vittar-beneficiada-pela-lei-rouanet-veja-essa-e-outras-5-
[Link]. Acesso em: 20 fev. 2023.

PEDRETTI, Lucas. Os ecos do Orvil em 2021, o livro secreto da ditadura. Agência Pública, [S. l.],
30 ago. 2021. Disponível em: [Link]
livro-secreto-da-ditadura. Acesso em: 21 fev. 2023.

PRADO, Michele. Tempestade Ideológica. Bolsonarismo: a alt-right e o populismo iliberal no


Brasil. São Paulo: Editora Lux, 2021.

POSTAGEM do Twitter: Anos depois de a Pepsi, sob chuva de denúncias, romper o contrato com o
laboratório que usava fetos na pesquisa de adoçantes, o mito "Olavo mentiu sobre a Pepsi" ainda se repete
na porra da mídia como verdade inquestionável. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 fev. 2022.

POSTAGEM do Twitter: Não estudei o assunto da terra plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que
mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.
Disponível em: [Link] Acesso em: 21 fev.
2022.

POSTAGEM do Twitter: O medo de um suposto vírus mortífero não passa de historinha de terror para
acovardar a população e fazê-la aceitar a escravidão como um presente de Papai Noel. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 fev. 2022.
ROCHA, Camila; SOLANO, Ester; MEDEIROS, Jonas. The Bolsonaro Paradox: The Public
Sphere and Right-Wing Counterpublicity in Contemporary Brazil. Londres: Springer, 2021.

ROCHA, João Cezar de Castro. Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-
político. Goiânia: Caminhos, 2021.

SANTOS, Frederico Rios C. dos. O que se entende por Retórica da Guerra Cultural. Domínios
de Lingu@gem, Uberlândia, v. 15, n. 1, p. 180-227, jan./mar. 2021.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: uma Biografia. São Paulo:
Companhia das Letras, 2018.

SECCO, Lincoln. O bolsonarismo no Brasil. Relações Internacionais, n. 73, p. 41-52, 2022.

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

376
SEDGWICK, Mark J. Traditionalism: the radical project for restoring sacred order. New York,
NY, United States of America: Oxford University Press, 2023.

TEITELBAUM, Benjamin. Guerra pela eternidade: o retorno do Tradicionalismo e a ascensão


da direita populista. Campinas, SP: Editora Unicamp, 2020.

TRINDADE, Hélgio. Integralismo: O fascismo brasileiro na década de 30. São Paulo: Difel -
Difusão Editorial, 1979.

USTRA, Carlos Alberto Brilhante. A Verdade Sufocada: a história que a Esquerda não quer
que o Brasil conheça. Brasília: Editora Ser. 2007.

VASCONCELOS, Francisco Thiago Rocha. As origens intelectuais do fascismo e suas


reinvenções: entre a “revolução conservadora” e o tradicionalismo. Plural, v. 29, n. 01, p.
208-231, 2022.

____________________________________________________________________

Camilla Machuy - Universidade Federal do Rio de Janeiro – ECO-UFRJ


Professora substituta da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (ECO-UFRJ). Doutoranda do programa de pós-graduação em Ciência da
Informação (PPGCI-Ibict/ECO-UFRJ), mestre em Mídia e Cotidiano pelo PPGMC-UFF e
bacharel em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB).
Bolsista do Programa de Excelência Acadêmica(Proex-Capes).
camillamachuy@[Link].

Marco Schneider - Universidade Federal do Rio de Janeiro – (PPGCI – IBICT/ ECO-


UFRJ) - Universidade Federal Fluminense - (PPGMC-UFF). Pesquisador do Ibict e
professor do Departamento de Comunicação Social da UFF e dos programas de pós-
graduação em Mídia e Cotidiano (PPGMC-UFF) e Ciência da Informação (PPGCI-
Ibict/ECO-UFRJ). Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP. Mestre em
Comunicação e Cultura, e bacharel em Produção Editorial, pela ECO-UFRJ, com pós-
doutorado em Estudos Culturais pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea
(PACC-UFRJ). Bolsista de Produtividade CNPq e Cientista do Nosso Estado Faperj.
art68schneider@[Link]

Priscila Seixas - Universidade Federal Fluminense – (PPGMC-UFF)


Doutora em Mídia e Cotidiano pela (PPGMC-UFF). Professora na Faculdade Senac Rio
e no MBA Gestão de Marketing e Estratégias Digitais da Faculdade MACKENZIE
[Link] da Burburinho [Link] do Prêmio Rio Sociocultural 2011 e do
Prêmio Atitude Carioca 2022, finalista do Prêmio SEBRAE Mulher de Negócios 2022.
seixasburburinho@[Link]

Dossiê A Imagem Viva: temporalidades e transformações na cultura visual - [Link]


ISSN 2175-8689 – v. 27, n. 1, 2024
DOI: 10.29146/eco-ps.v27i1.28035

377

Você também pode gostar