História do Grafite: Da Pré-História à NYC
História do Grafite: Da Pré-História à NYC
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Panorama Histórico
2.1
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Pinturas Rupestres
Figura 1- Imagem de uma pintura rupestre encontrada nas cavernas de Lascaux, França
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1
Filme dirigido pelo cineasta Werner Herzog em 2011, sobre as pinturas rupestres
das cavernas de Chauvet Pont d'Arc na França.
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2.2
Os tesouros de Pompéia
2.3
O surgimento do grafite moderno em Nova Iorque
“No início, havia a palavra: TAKI 183. Um nome. Um número. E o início de alguma coisa.”
James E. Walmesley
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ponto de em 1971 o principal jornal da cidade, The New York Times dedicar uma
matéria inteira a este novo fenômeno que chegava às ruas. A matéria, intitulada
de “TAKI 183’ spawns Pen Pals” (traduzindo livremente seria algo como “Taki
183 se multiplica em Pen Pals”), foi a primeira a contar a história sobre a, até
então, pouco conhecida atividade de espalhar assinaturas pelas ruas. Como
Demetrius mesmo relata em seu depoimento para o livro The History of
American Grafite, “escrever nossos nomes era algo que eu e meus amigos
gregos do bairro fazíamos, no entanto também decidi escreve-lo no ocupado
centro de Manhattan desde que arrumei um emprego como entregador. Foi lá
que provavelmente o repórter viu minha assinatura e se interessou.” (GASTMAN,
17).
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Figura 3- A primeira reportagem sobre grafite, publicada no jornal New York Times, em
1971. (Fonte: [Link])
22
frente.
2.3.1
O estilo Nova Iorque
2
“Nenhum dos pioneiros desta forma de arte chamava o que faziam de grafite.
Muitos deles sequer tinham uma palavra para definir o que faziam. No início dos
anos 70, os pioneiros de Nova Iorque chamava o que faziam de writing (escrever)
e eles mesmos de writers (escritores). (GASTAMAN, 2010, p.5)
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Figura 4- Jovens Nova Iorquinos exibindo suas assinaturas, em foto de John Naar, 1971
(Fonte: The Faith of Graffiti)
Não demorou muito para que os tags evoluíssem para formas mais
complexas: competindo diretamente pelo espaço urbano com um número
crescente de tags de outros escritores, com peças publicitárias cada vez mais
chamativas e ao mesmo tempo esteticamente influenciadas por elas, a tipografia
adotada pelos artistas urbanos foi gradativamente adquirindo um estilo próprio. A
simplicidade dos tags dava lugar à letras mais encorpadas, coloridas, que se
destacavam em um ambiente já saturado de informações das mais variadas
fontes. Nascia então o conceito de piece3, assinaturas feitas inicialmente em
duas cores, onde uma assume o papel do preenchimento e outra do contorno.
Posteriormente se tornam mais complexas e coloridas, tendo efeitos de luz,
sombra e tridimensionalidade incorporadas ao seu vocabulário. Novas
combinações eram criadas, novas famílias tipográficas surgiam quase que
diariamente. As letras, cada vez mais emaranhadas e ilegíveis eram feitas para
3
“A única alternativa viável era fazer uma piece, para se sobressair no meio do
nome de todos os outros em um formato maior com letras grandes”. Depoimento
dado pelo writer COCO 144 ao livro History of American Grafite (GASTMAN,
2010, p. 71)
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evitar que fossem copiadas por grafiteiros iniciantes. Nascia então o Wild Style, o
primeiro estilo reconhecido dentro da história do grafite. Estas novas assinaturas
frequentemente vinham acompanhadas de ilustrações, geralmente personagens
claramente influenciados pela estética dos quadrinhos underground ou dos
desenhos animados. A qualidade gráfica de cada pintura era o fator
determinante nesta “competição”: as cores, a vivacidade, técnica e originalidade,
cada um destes elementos dava vida à cultura do grafite que a essa altura se
difundia pelo mundo. Não apenas o domínio de determinado bairro ou região
distinguia cada grupo de grafiteiros (ou crew em inglês), como também
passaram a diferenciar-se através do estilo de suas pinturas. Criaram uma
espécie de “identidade corporativa” estabelecendo padrões e um modo de
comunicar suas características coletivas ao mundo. Talvez este tenha sido o
primeiro uso do design dentro da cultura da street art, do mesmo modo como as
grandes corporações o utilizaram para transmitir a forma e a natureza das
organizações para a população.
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Figura 5- Tipografia típica do estilo nova Iorque de grafite, elaborada para cartaz do filme
Wild Style, de Charlie Ahearne (Fonte: [Link])
2.3.2
A propagação do Grafite através das linhas de trem
Cada vez mais presente neste novo cenário urbano, o grafite conquistava
cada vez mais adeptos. Um grande número de jovens de classes menos
favorecidas aderia ao movimento, que crescia na cidade de Nova York,
principalmente no Brooklyn, no Queens e em algumas áreas do Bronx. A
presença crescente de tags pela cidade sinalizava uma nova proposta de
demarcação de fronteiras e, dentro deste novo cenário, um dos principais alvos
de tags eram os trens.
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Figura 6- Exemplo dos primeiros grafites feitos nos trens de Nova Iorque, em 1971. (Fonte:
The Faith of Graffiti)
Em 1976 LEE decidiu que iria pintar suas próprias mensagens: o medo
da sua morte, medo da cidade ir a falência – coisas que eram
27
4
“Aqui onde moro não tem metrô, mas em cidades vizinhas a Santa Cruz
existem muitos trens de carga. E a beleza de pintar esses trens é que eles viajam
por todo os EUA, Você pode pintar um trem hoje aqui e amanhã ele ser visto em
Nova Iorque. (Transcrição do site Escrita Urbana: Gripe entrevista Ver)
28
2.3.3
O movimento Hip-Hop
Figura 8- Jovem típico da cultura Hip-hop em seus primórdios, em foto de Martha Cooper
(Fonte: The Hip-Hop files)
Impulsionados pela busca de uma identidade regional, inúmeros jovens
nova-iorquinos aderiam ao movimento que em pouco tempo se revelou um
verdadeiro fenômeno de público. Os eventos e festas de hip-hop atraiam
verdadeiras multidões ávidas para mostrar seus dotes artísticos. A influência
gerada por esta nova forma de expressão encorajou vários novos artistas a
30
mostrarem seus trabalhos que, por sua vez, influenciaram inúmeras gerações
até os dias de hoje.
Em 1982era lançado o filme Wild Style, de Charlie Ahearne
posteriormente Style Wars, talvez o mais prolífico filme sobre o que estava
acontecendo na cultura hip-hop do início dos anos 80. O filme apresenta
diversos grafiteiros influentes na época, sempre intercalados com grandes hits
musicais do movimento hip-hop (como Planet Rock, criada pelo dj Afrika
Bambaataa) e grupos de dança de rua, o que possibilitou uma enorme
divulgação da cultura da arte urbana junto à cultura hip-hop.
2.4
Street Art x Grafite
tempo para praticar arte – ao invés de esportes ou música – e com cada vez
mais praticantes a linguagem do grafite não demorou a se consolidar.
Embalados por este fenômeno surgiram livros, revistas, reportagens e filmes
sobre o assunto, ampliando significativamente a disponibilidade de informação a
respeito de um tema antes restrito à um universo quase particular. No início dos
anos 80 estas publicações cruzaram o Atlântico e chegaram à Europa8,
provocando mudanças profundas sobre a arte de rua que era praticada até
então.
A chegada do grafite a um novo contexto social, fora dos Estados Unidos,
fez com que o movimento ganhasse novos contornos. “Talvez os Europeus
estivessem atrás dos americanos em relação ao estilo, no entanto
conceitualmente eles estavam levando as coisas para direções completamente
novas” (Lewisohn, 2008). A arte de rua deixou de ser apenas uma disputa entre
jovens preocupados em espalhar sua assinatura no intuito de conquistar
notoriedade e passou a estar mais relacionada ao ambiente urbano e ao público
em geral. A nova safra de artistas que surgia não se limitou ao uso da tinta spray
8
“Instalada em New York, a novidade espalhou-se como modismo por outras
capitais. Um dos exemplos mais marcantes foi a cidade de Berlim, que viu seu
muro, de 4,5 m de altura por 166 km de extensão, símbolo do autoritarismo
perverso, preenchido por centenas ou milhares de imagens ao longo de,
aproximadamente, cinco anos. Construído em 1961, com o propósito de impedir a
fuga dos berlinenses do leste, esse muro começou a receber as primeiras
inscrições por volta de 1980.” (Ramos, 1994, p.13 – 14)
31
2.5
A arte de rua nas galerias de arte
dentro das galerias de arte tradicionais. “... geralmente é aceito que quando este
gênero chegou à Europa foi dado a ele um status mais elevado do que este tinha
em terras americanas.” (Lewisohn, 2008)
Em 1979 o comerciante de arte Cláudio Bruni montou uma galeria em
Roma onde apresentou o trabalho de Lee Quinones (um dos nomes mais
respeitados dentro da cultura do grafite, considerados como o “king of the kings”
da época de ouro do grafite nos anos 70) e Fab 5 Fredd, dando um novo
significado à linguagem da arte urbana ao apresenta-la sob um novo contexto.
Esta exposição foi, para muitos de fora de Nova Iorque, o primeiro contato com o
que conhecemos hoje como grafite.
Paralelamente surgiam outros espaços dedicados à exibição de trabalhos
desenvolvidos por artistas de rua. Razor Gallery, Above Ground e The Fun
Gallery eram algumas das primeiras galerias de Nova Iorque, esta última com
exposições de artistas como Jean Michel Basquiat e Keith Haring dentre outros.
Outras galerias como a Fashion Moda, localizada no South Bronx,
realizaram mostras como as que podemos ver hoje, mesclando diferentes estilos
e artistas, o que foi considerado uma quebra dos padrões para a época.
32
2.6
Registro e propagação
Figura 9- Capa do livro Tag Town, de Martha Cooper, sobre o início da cultura do grafite
em Nova Iorque (Fonte: [Link])