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Evolução e Formação das Estrelas

O capítulo discute a formação e evolução das estrelas, destacando o papel crucial da gravidade e a fusão nuclear como fonte de energia. O Sol, como estrela mais próxima, serve como exemplo para entender a estrutura interna das estrelas e os processos que ocorrem em seu núcleo. Além disso, aborda a relação entre massa e energia, essencial para compreender a dinâmica das estrelas e a formação do sistema solar.
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Evolução e Formação das Estrelas

O capítulo discute a formação e evolução das estrelas, destacando o papel crucial da gravidade e a fusão nuclear como fonte de energia. O Sol, como estrela mais próxima, serve como exemplo para entender a estrutura interna das estrelas e os processos que ocorrem em seu núcleo. Além disso, aborda a relação entre massa e energia, essencial para compreender a dinâmica das estrelas e a formação do sistema solar.
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As estrelas 6

A gravidade que discutimos no capítulo anterior desempenha um papel 6.1 O Sol . . . . . . . . . . . . 104
crucial na formação das estrelas e planetas. Durante a formação das 6.2 A fonte de energia das
estrelas, a gravidade age para reunir as partículas que compõem a estrela. estrelas . . . . . . . . . . 105
À medida que mais partículas são atraídas, a força gravitacional aumenta, 6.2.1 Energia de repouso . . . 106
permitindo que mais partículas sejam atraídas. No entanto, há limites, 6.3 O núcleo dos átomos . . 107
pois a força da gravidade, embora positivamente relacionada à massa, é 6.3.1 A força forte . . . . . . . 108
inversamente relacionada à distância entre os corpos. Em vez de obter um 6.3.2 Energia nuclear . . . . . 109
único corpo massivo no universo, ao longo do tempo ocorreu a formação 6.4 A evolução estelar . . . 113
de bilhões de estrelas de tamanhos diferentes. De fato, o universo visível 6.4.1 Estrelas muito menos
tem 150 bilhões de galáxias, cada uma com um bilhão de estrelas. Embora massivas que o Sol . . . 115
essas estrelas absorvam a maior parte da matéria do universo – nosso Sol, 6.4.2 Estrelas com massa
por exemplo, tem bem mais de 99% da matéria do nosso sistema solar – próxima à do Sol . . . . . 115
6.4.3 A evolução de estrelas
algumas partículas permanecem livres para formar planetas, cometas e
massivas . . . . . . . . . . 117
outros corpos não estelares* .
6.5 A formação do sistema
Neste capítulo vamos estudar as consequências da gravidade para a solar . . . . . . . . . . . . 120
evolução de planetas e estrelas no nosso Universo. 6.6 A formação da Terra . . 122
6.6.1 Diferenciação . . . . . . . 122
Objetivos de Aprendizagem do Capítulo 6 6.6.2 A atmosfera da Terra . . 123
6.7 Problemas . . . . . . . . 125
▶ Descrever o que é uma estrela, sua composição e evolução.
▶ Explicar o que é energia de repouso e a relação entre massa e
energia.
▶ Explicar como o núcleo dos átomos consegue se manter unido,
e no que consiste os processos de fissão e fusão nuclear.
▶ Descrever a formação do sistema solar e da Terra.

Este capítulo requer que você tenha familiaridade com o conceito


de função. Por isso, dê uma olhada no Apêndice E antes de ler este
capítulo e estude os termos e conceitos que você não conhece antes
de prosseguir.

6.1 O Sol

As estrelas são muito mais do que bolas de gás uniformes; elas têm uma
estrutura interna complexa e dinâmica que está em constante mudança e
evolução. O Sol é a única estrela que está perto da Terra e, portanto, é a
única estrela sobre a qual temos um conhecimento detalhado que nos
permite falar sobre como as várias partes de uma estrela funcionam.
Se compararmos com literalmente milhões de outras estrelas mais distan-
tes, o Sol parece ser uma estrela bastante comum. Embora não possamos
“espiar” o centro do Sol, podemos aplicar algumas teorias para modelar
os processos que ocorrem no interior das estrelas. Com isso, podemos
* Há também matéria escura (ou talvez energia escura) em todo o universo que ainda não
entendemos completamente, mas provavelmente representa 90–99% por cento da massa
total do Universo. A matéria escura pode explicar movimentos de estrelas e galáxias que
não podemos compreender em termos de suas próprias forças gravitacionais. A energia
escura também pode explicar peculiaridades na luz emitida por algumas supernovas.
6 As estrelas 105

inferir que no seu centro está o núcleo, compreendendo cerca de 10%


do volume total do Sol. Este núcleo é a fornalha do Sol, onde ocorrem
as reações nucleares, e a energia gerada no núcleo através destas rea-
ções flui para fora do centro.1 A cerca de 4/5 do caminho, no entanto, 1: Nas profundezas do Sol, essa trans-
o mecanismo de transferência de energia muda e o material rico em ferência de energia ocorre em grande
parte por meio de colisões de partículas
hidrogênio no Sol começa a sofrer convecção em larga escala.2 Essa de alta energia, como os raios gama e
região externa, compreendendo os turbulentos 200.000 km superiores raios-X, geradas pelas reações nucleares
do Sol, é chamada de zona de convecção. Assim, a energia é trazida do do núcleo.
núcleo para a superfície em um processo gradual, primeiro por colisões 2: Volte na Seção 2.5.2 para relembrar o
que é convecção.
e depois por convecção.
A única parte do Sol que realmente vemos é uma fina camada externa.
Podemos observar talvez 150 km dentro do Sol; se tentarmos ir mais
fundo, o material estelar torna-se muito denso, não sendo transparente.
A parte externa do Sol, a parte que realmente emite a maior parte da luz
que vemos, é chamada de fotosfera. O Sol não tem um limite externo
nítido, mas gradualmente se torna mais fino e mais fino à medida que se
afasta da superfície. Essas camadas gasosas geralmente não são visíveis
da Terra.3 3: Durante um eclipse total do Sol, no
entanto, quando a Lua passa na frente do
O Sol emite constantemente um fluxo de partículas – principalmente íons Sol, o halo espetacular do Sol, chamado
(átomos eletricamente carregados) de hidrogênio e hélio – no espaço ao de cromosfera e coroa, pode se tornar
visível por alguns minutos.
seu redor. Esse fluxo de partículas, chamado de vento solar, é “soprado”
para a Terra e para os outros planetas o tempo todo. Como as partículas são
carregadas, elas afetam os campos magnéticos dos planetas; a interação
do vento solar com os limites externos da atmosfera da Terra também dá
origem à aurora boreal.
O fluxo de energia no Sol não é um assunto muito simples, conforme
vamos ver a partir da seção seguinte. Ainda assim, vale a pena apreciar
um fato: leva algumas dezenas de milhares de anos para a energia chegar
à fotosfera, mas apenas oito minutos para os fótons viajarem do Sol até a
Terra. Uma vez que a luz solar atinge nosso planeta, já sabemos ao menos
parte do seu destino: uma pequena fração da energia transportada pela
luz proveniente do Sol é convertida em energia química pelo processo
de fotossíntese nas plantas e armazenada em grandes moléculas. Como
vimos no Capítulo 3, esta é a principal fonte de energia para a maioria
dos seres vivos do planeta. Outra fração da energia da luz solar aquece o
ar no equador e determina os padrões climáticos da Terra.

6.2 A fonte de energia das estrelas

Uma vez que entendemos o princípio de conservação de energia descrito


na Seção 2.4, ou seja, o fato de que a energia tem que vir de algum
lugar e que a quantidade total de energia em um sistema fechado é
constante, duas questões surgem naturalmente sobre as estrelas: (1)
qual é a fonte de energia delas? E (2) Como elas podem continuar a
queimar, emitindo enormes quantidades de energia para o espaço, mas
permanecem aparentemente inalterados por tão longos períodos de
tempo?
Até meados da década de 1930 não tínhamos uma resposta para es-
tas perguntas. Várias pessoas tentaram explicar a fonte de energia do
Sol, chegado a calcular quanto tempo o Sol poderia queimar se fosse
6 As estrelas 106

inteiramente composto de carvão, o melhor combustível disponível na


época4 . 4: A resposta é cerca de 10.000 anos.

Hoje, entendemos que o Sol está realmente usando um combustível,


mas esse combustível é o hidrogênio, que é consumido por meio de
reações de fusão nuclear. De forma bem resumida, as estrelas são feitas
principalmente de hidrogênio, o material mais comum no universo. À
medida que uma estrela se forma, a gravidade puxa o hidrogênio para
uma “bola” densa que se aquece. As estrelas deveriam, então, tender a
diminuir de tamanho. Conforme a temperatura e a pressão no centro de
uma estrela aumentam, os elétrons são então arrancados do hidrogênio
e de outros átomos, criando um plasma5 composto principalmente de 5: O plasma é um outro estado da maté-
prótons (o núcleo do átomo de hidrogênio) e elétrons. ria (para além de sólido, líquido e gás)
no qual o gás se encontra ionizado.
Os prótons, ao ficarem próximos uns dos outros, tendem a se repelir
devido à força elétrica entre eles, conforme vamos ver mais adiante.
Enquanto mais matéria se acumula no centro da estrela, a temperatura e
a pressão passam a aumentar, fazendo com que os prótons se movam
mais rapidamente. Eventualmente, eles adquirem energia suficiente para
superar a repulsão elétrica e começam a se fundir. A fusão no interior
de uma estrela tem dois efeitos importantes. Mais obviamente, talvez,
ela contrabalança a própria força da gravidade e permite que as estrelas
mantenham um equilíbrio aproximado em tamanho e geração de energia
por bilhões de anos. A gravidade é inicialmente mais forte que a fusão, e
a estrela se comprime, aumentando o número de reações de fusão até
que um equilíbrio seja alcançado. Este é um resultado notável: somente
porque a gravidade e a fusão podem se equilibrar é que as estrelas
duram tanto. Eventualmente, as estrelas esgotarão sua energia nuclear
e a gravidade dominará em um colapso final da estrela, gerando um
intenso flash final de energia chamado supernova (que podemos observar
frequentemente no céu).

6.2.1 Energia de repouso

Para explicar um pouco melhor de onde vem a energia que está no


hidrogênio, precisamos entender o conceito de energia de repouso.
Como o próprio nome sugere, acontece que podemos associar energia
com a massa de um objeto, mesmo ele estando em repouso.6 Este tipo 6: Como já vimos, um objeto com massa
de energia só se tornou evidente a partir do início do século XX, com a em movimento tem energia cinética.
teoria da relatividade proposta por Einstein.
Quando estudamos o movimento, vimos que o que altera o estado de
um objeto é uma força aplicada durante um certo período de tempo.7 Ao 7: Isto é, Δ𝑝 = 𝐹 · Δ𝑡 , onde 𝑝 é a quanti-
analisarmos esta equação, sempre tratamos a massa de um objeto como dade de movimento do objeto, 𝑝 = 𝑚𝑣
(Seção 5.3).
constante, que não depende de nenhuma outra grandeza física. Por mais
de 200 anos esta forma de ver o mundo parecia descrever corretamente
a natureza. Mas o fato é que ela não é correta. Einstein percebeu que a
massa de um objeto se altera quando este objeto está se movendo: quanto
maior a velocidade de um objeto, maior a sua massa:
𝑚0
𝑚 = 𝑚(𝑣) = q , (6.1)
𝑣2
1− 𝑐2
6 As estrelas 107

onde 𝑚0 representa a massa de um objeto quando está em repouso, e


𝑐 é a velocidade da luz.8 O motivo que demoramos tanto tempo para 8: O valor de 𝑐 é aproximadamente 3 ×
perceber que a massa varia com a velocidade está relacionado com o 108 m/s.
fato de que a mudança só é significativa para velocidades próximas da
velocidade da luz. Para velocidades com as quais estamos acostumados
no nosso dia a dia, esta variação é imperceptível.9 9: Por mais doido que tudo isso possa pa-
recer, várias das partículas fundamentais
Uma outra consequência da teoria de Einstein é que a energia de qualquer são tão pequenas que conseguem chegar
objeto pode ser relacionada com a sua massa, 𝑚 , através da equação: a estas velocidades altas, próximas da
velocidade da luz. E estes efeitos de va-
riação da massa foram comprovados ao
𝐸 = 𝑚𝑐 2 , (6.2)
longo do século XX com essas partículas.

E como acabamos de mencionar que a massa depende da velocidade


do objeto, a equação acima implica que a energia do objeto pode ser
quebrada em duas partes: uma parte relacionada com a massa do objeto
quando ele está em repouso, que vamos chamar de 𝑚0 𝑐 2 , onde 𝑚0 é
a massa de repouso do objeto, e; uma parte que representa a energia
cinética do objeto, 𝐾 , que é a energia relacionada com o movimento.
Dessa forma,
𝐸 = 𝑚𝑐 2 = 𝑚0 𝑐 2 + 𝐾 (6.3)

Para objetos que vemos e que lidamos no nosso dia-a-dia, as velocidades,


por mais altas que sejam, ainda são muito pequenas quando comparadas
com a velocidade da luz. Isso significa que a massa desses objetos
praticamente é a mesma se o objeto está parado ou se movimentando a
algumas milhares de km/h. Logo, a sua energia de repouso é sempre a
mesma.10 10: Por isso ignoramos a energia de re-
pouso destes objetos quando fazemos cál-
culos de blocos e outros objetos caindo na
Problema 6.2.1 Uma relação matemática muito útil na Física é a
Terra, e consideramos apenas a energia
expansão de Taylor, que você irá estudar em Cálculo I. Usando esta cinética dos objetos.
expansão, podemos mostrar que:

(1 + 𝑥)𝑛 ≈ 1 + 𝑛 · 𝑥

quando |𝑥| ≤ 1. Utilize esta aproximação para mostrar que, no limite


de baixas velocidades, a energia cinética, tal como proposta na equação
6.3, se reduz à

1
𝐾= 𝑚𝑣 2 .
2

Uma consequência importante é que a relação entre a massa e a energia


expressa uma equivalência entre essas duas grandezas físicas. Dessa
forma, a mudança de massa de um objeto, como um núcleo de hidrogênio,
pode levar à liberação de energia. É exatamente essa conversão de massa
em energia que a principal fonte de energia das estrelas.

6.3 O núcleo dos átomos

A equivalência entre massa e energia é o que está por trás da energia


criada nas estrelas. Mas para entendermos o processo de fusão que
leva a esta mudança de massa das partículas que existem nas estrelas,
precisamos compreender o que se passa no núcleo dos átomos. Vamos
6 As estrelas 108

estudar esta história em detalhes no Capítulo ??, mas eis aqui um breve
resumo para que posssamos compreender o processo de fusão.
Até o final do século XIX pensávamos nos átomos como indivisíveis. Em
1897, no entanto, o inglês Joseph Thomson identificou uma partícula cha-
mada elétron. Thomson descobriu que o elétron tem uma carga elétrica
negativa e é muito menor e mais leve do que o menor átomo conhecido.
Como não havia lugar de onde uma partícula como esta pudesse vir,
exceto dentro do átomo, a descoberta de Thomson forneceu evidências
para acreditarmos que os átomos não são os blocos de construção funda-
mentais da matéria, mas são compostos de coisas menores e ainda mais
fundamentais.
Em torno de 1910, o escocês Ernest Rutherford, que foi aluno de Thomson,
descobriu que os átomos são formados por um núcleo atômico. Ruther-
ford percebeu isso jogando partículas em movimento rápido contra uma
folha fina de ouro e observando como estas partículas se espalham ao co-
lidirem com átomos de ouro da folha. Em experimentos posteriores com
“balas” atômicas ainda mais rápidas, outros cientistas descobriram que
mesmo os núcleos atômicos podem se quebrar em fragmentos menores.
Assim, como o próprio átomo, o núcleo é formado por pedaços menores,
sendo os mais importantes o próton e o nêutron.
Aproximadamente iguais em massa, o próton e o nêutron podem ser
considerados os blocos de construção primários do núcleo. Os prótons
têm carga elétrica positiva e são da ordem de 1.800 vezes mais massivos
que os elétrons. Os nêutrons não têm carga elétrica e são levemente mais
massivos que os prótons. Isto faz com que praticamente toda a massa de
um átomo esteja localizada em seu núcleo.
Saber a massa das partículas é importante porque, como vimos, ela é
relacionada com a energia das partículas. Assim, o núcleo atômico não
é somente onde o átomo guarda toda a sua massa, mas também onde
ele guarda toda a sua energia. O número de núcleons (isto é, partículas
dentro do núcleo) é, então, uma medida da energia do núcleo (e, com
boa aproximação, também do átomo).

6.3.1 A força forte

Mencionei no final da Seção 6.2 que os prótons, por terem carga elétrica
positiva, tendem a sentir uma força de repulsão entre eles. De forma
similar à gravitação, esta força de repulsão depende do inverso do
quadrado da distância entre eles. Considerando as distâncias minúsculas
envolvidas no núcleo, os prótons deveriam se repelir fortemente. Mas
não é o que observamos. Uma pergunta natural, portanto, é como os
prótons conseguem se manter juntos no núcleo.
Por tudo o que já estudamos no Capítulo 5, concluímos que, de alguma
forma, para que o núcleo se sustente, tem que existir uma força ainda
mais forte do que a força elétrica para “segurar” o núcleo, ao menos nestas
distâncias minúsculas. De fato, o que mantém os prótons e nêutrons
juntos no núcleo é a força forte. Essa força descreve a interação entre as
partículas que estão no núcleo, é mais forte que a força da gravidade ou
repulsão elétrica, e é confinada às distâncias muito curtas, características
do tamanho do núcleo. Neste intervalo de distância, a atração da força
6 As estrelas 109

forte é maior que a repulsão elétrica, e isso mantém os componentes


do núcleo, isto é, os prótons e nêutrons, todos juntos. Para distâncias
maiores que alguns fentômetros (10−15 m), a força forte é praticamente
inexistente, e para distâncias muito menores que alguns fentômetros, ela
também age como uma força de repulsão bastante intensa.
A existência da força forte traz à tona outra característica curiosa. Quando
a gente pesa 10 moedas, sabemos que o peso das 10 moedas juntas é
simplesmente o peso individual somado 10 vezes. Isso não é verdade
para o núcleo dos átomos. Quando prótons e nêutrons interagem, parte
da sua massa é convertida na energia que os mantém juntos. Essa energia
é chamada de energia de ligação. Em outras palavras, é mais favorável,
energeticamente falando, termos um conjunto de nêutrons e prótons
um pertinho do outro do que todos separados a distâncias maiores que
alguns fentômetros. É como se, ao arranjarmos as 10 moedas em uma
certa maneira, sua massa total fosse menor que a soma do valor da massa
das 10 moedas.
Uma outra consequência disso é que se quisermos separar o núcleo
partícula por partícula, teremos que fazer uma força a mais, assim como
temos que fazer uma força a mais para separar dois ímãs. A energia
de ligação tem tudo a ver com a estabilidade do núcleo. Quanto mais
fortemente ligado o núcleo, mais estável ele será.
A Figura 6.1 mostra a energia de ligação por nucleon em função do
número de massa, 𝐴, para vários núcleos.11 Observe que a energia de 11: O número de massa é simplesmente
ligação atinge o pico nas proximidades de 𝐴 = 60. Ou seja, no caso a soma do número de prótons mais o
número de nêutrons.
dos elementos que conhecemos até hoje, o ferro (𝐴 = 56) é o que
apresenta a maior energia de ligação, e portanto a maior estabilidade.
Núcleos com números de massa maiores ou menores que 60 não são tão
fortemente ligados quanto aqueles próximos ao meio da tabela periódica.
A diminuição da energia de ligação por núcleon para 𝐴 > 60 implica que
a energia é liberada quando um núcleo pesado se divide em dois núcleos
mais leves, um processo que chamamos de fissão nuclear. A energia é
liberada na fissão porque os nucleons em cada núcleo resultante estão
mais fortemente ligados uns aos outros do que os nucleons no núcleo
original.

6.3.2 Energia nuclear

Vimos que toda a energia de um átomo está concentrada na massa do seu


núcleo. Mas é possível “retirar” esta energia do núcleo? Essa foi uma das
grandes conquistas da ciência no século XX que, se por um lado levou à
geração de energia nuclear, por outro levou à bomba atômica.
Existem dois grandes processos pelos quais energia pode ser extraída
do núcleo: a fissão e a fusão nuclear. Como mencionei acima, na fissão o
núcleo de um átomo é “partido”. Como cada núcleo tem uma energia de
ligação diferente, teríamos que colocar energia no processo para reparti-
lo. No entanto, vimos que alguns núcleos mais pesados são instáveis, e
portanto acabam se dividindo em duas partes, cuja soma das massa é
menor que a original! Essa massa faltante é liberada como energia.
Um núcleo que é bastante comum na geração de energia por fissão é
o urânio-235 (235
92 U), que é um dos tipos de átomos de urânio com um
6 As estrelas 110

Figura 6.1: Energia de ligação por nu-


cleon em função do número de massa
para diferentes núcleos. (Imagem reti-
rada de Serway2010.)

núcleo composto por 92 prótons e 143 nêutrons12 . Este tipo de urânio é 12: Tipicamente usamos a nomenclatura
𝐴 N para nos referir a um núcleo. Nesta
bastante incomum na natureza; cerca de 7 a cada 1.000 átomos de urânio 𝑝
notação, o núcleo do átomo N tem 𝑝
na natureza são urânio-235. Se colidirmos um nêutron (𝑛 ) com um núcleo prótons no seu núcleo e um total de 𝐴
de urânio-235, o nêutron têm energia suficiente para provocar a fissão núcleons (prótons e nêutrons); logo, o
do urânio-235. A “quebra” do urânio-235 resulta num núcleo de bário número de nêutrons do núcleo é dado
(Ba) e num de criptônio (Kr), além de outros três nêutrons. Podemos por 𝐴 − 𝑝 .

representar este processo por uma reação nuclear:

235
92 𝑈 + 𝑛 −→143 90
56 𝐵𝑎 +36 𝐾𝑟 + 3𝑛

Problema 6.3.1 A massa do urânio-235 é 235,04395 Da13 . Numa das 13: A massa de átomos e núcleos é ge-
possíveis reações de fissão induzida por um nêutron, este núcleo de ralmente medida em unidade de massa
atômica (u), ou dalton (Da). Um dalton
urânio é quebrado num núcelo de bário-143 (m = 142,92054 Da) e um
é definido como 1⁄12 da massa de um
de criptônio-90 (m = 89,91959 Da), além de três nêutrons. O nêutron átomo neutro não ligado de carbono-12
tem massa de 1,008665 u. (a) Determine a diferença de massa entre em seu estado fundamental nuclear e
os sistemas inicial e final. (b) Esta diferença de massa entre os dois eletrônico, e em repouso. 1 Da equivale
a 1 , 66 × 10−27 kg.
sistemas é liberada na forma de energia; podemos utilizar o fator de
conversão de massa, no qual 1 Da = 931,5 MeV/c2 , para calcular a
energia liberada resultante deste processo de fissão, em unidades de
MeV (1 MeV = 106 eV, onde eV é uma unidade de energia tipicamente
utilizada na escala atômica). Utilizando estas informações, determine
a energia liberada neste processo de fissão.

Na fusão nuclear, dois núcleos leves se combinam, ou se fundem, para


formar um novo núcleo, mais pesado. No processo, parte da massa dos
dois núcleos originais é convertida em energia. Portanto, o processo de
fusão aumenta a energia de ligação por núcleo (desde que o produto
final desse processo de fusão seja mais leve que o ferro).
A reação mais comum de fusão combina quatro núcleos de hidrogênio
(H), ou seja, quatro prótons, e gera um núcleo de hélio (He). Mas não é
6 As estrelas 111

tão simples assim, não dá pra colocar hidrogênio num potinho e esperar
eles formarem hélio. Para que a fusão aconteça, os prótons14 devem 14: Um núcleo de hidrogênio comum é
colidir e superar a alta repulsão elétrica entre eles, chegando a distâncias composto por um único próton, sem nêu-
trons. Assim, usamos os termos núcleo de
muito pequenas onde a força forte pode atraí-los. Eles têm que estar em hidrogênio e próton de forma equivalente.
velocidades altíssimas para ter alguma chance da fusão acontecer.
A fusão nuclear é o processo básico de produção de energia nas estrelas.
O Sol, por exemplo, é mantido através desse processo, e as altas pressões
e temperaturas no núcleo das estrelas fornecem as condições para a
fusão acontecer. A luz que vemos do Sol é o resultado da conversão de
600 milhões de toneladas de hidrogênio em hélio acontecendo a cada
segundo.
Os processos de fusão que ocorrem nas estrelas dependem do seu
tamanho. Atualmente, conhecemos duas cadeias de reação principais,
que foram descobertas pelo cientista Hans Bethe em 1938: a cadeia
próton-próton e o ciclo CNO.
Na cadeia próton-próton (que é o processo que ocorre no Sol), dois
núcleos de hidrogênio, ou prótons, se combinam para gerar um núcleo
com um próton e um nêutron, além de outras partículas como neutrinos
(𝜈𝑒 ) e pósitrons ( 𝑒 + ).15 Esse núcleo é parecido com o núcleo de hidrogênio, 15: Neutrinos são partículas quase sem
mas pelo fato de ter um nêutron damos um nome especial a ele: deutério. massa (muito leves) e sem carga elétrica,
capazes de interagir com outras partícu-
Este é um processo de interação fraco e demorado, cerca de 10 bilhões de las através da gravidade e da força nu-
anos em média.16 Isso explica porque o Sol já existe há aproximadamente clear fraca. Por não terem carga e serem
5 bilhões de anos e não explodiu instantaneamente após sua formação. O muito leves, quase não interagem com
deutério recém-formado pode então capturar rapidamente outro próton a matéria. Já um pósitron é a antipartí-
cula do elétron, isto é, ela tem a mesma
e formar um núcleo de hélio contendo 2 prótons e 1 nêutron (32 𝐻𝑒 ). massa do elétron, porém, ao contrário do
Podemos resumir estas reações da seguinte forma: elétron, tem carga elétrica positiva.
16: Esta estimativa corresponde à meia-
1
1𝐻 +11 𝐻 −→21 𝐻 + 𝑒 + + 𝜈𝑒 + 0 , 42 𝑀𝑒𝑉 vida, isto é, o tempo que demora para que
metade dos núcleos originais tenham
1
1𝐻 +21 𝐻 −→32 𝐻𝑒 + 5 , 49 𝑀𝑒𝑉 decaído.

𝑒 + 𝑒 − −→ 1 , 02 𝑀𝑒𝑉
O resultado líquido dessas três reações é a fusão de três prótons em um
núcleo de He-3 mais um neutrino e radiação eletromagnética. A energia
liberada pelas três reações é 0,42 + 5,49 + 1,02 MeV = 6,93 MeV.
A próxima etapa envolve três reações diferentes através das quais a fusão
pode prosseguir até chegar num núcleo de hélio com 2 prótons e 2
nêutrons (42 𝐻𝑒 ). No Sol, 86% do tempo, dois núcleos de 32 𝐻𝑒 se fundem
da seguinte forma:

3
2 𝐻𝑒 +32 𝐻𝑒 −→42 𝐻𝑒 + 2𝑝,

liberando um total de 12,86 MeV de energia. Ao todo, o ciclo próton-


próton gera um total de 2 × 6 , 93 + 12 , 86 = 26 , 7 MeV. Esta é exatamente
a diferença de massa entre 4 prótons e um He-4.
Nos 14% do tempo restantes, o 32 𝐻𝑒 encontra um 42 𝐻𝑒 existente no Sol e
se funde para
3 4 7
2 𝐻𝑒 +2 𝐻𝑒 −→4 𝐵𝑒 + radiação.

Este núcleo de berílio-7 (74 𝐵𝑒 ) então captura um elétron para formar o


lítio, que por sua vez tem uma reação de fusão para formar dois núcleos
6 As estrelas 112

de 42 𝐻𝑒 :
7
4 𝐵𝑒 + 𝑒 − −→73 𝐿𝑖 + 𝜈𝑒
7
3 𝐿𝑖 +11 𝐻𝑒 −→42 𝐻𝑒.

A produção de 26,7 MeV de energia a partir da fusão de quatro prótons


em um núcleo de He-4 é a razão básica pela qual o Sol brilha. O que
acontece com essa energia? Parte dela é carregada por neutrinos. Devido
à sua baixa interação com a matéria, esses neutrinos podem deixar o Sol
imediatamente em caminhos retos. Os fótons, por outro lado, interagem
com os elétrons e íons presentes no Sol, são absorvidos e reemitidos em
direções aleatórias e levam, em média, cerca de 50.000 anos para chegar
à superfície do Sol.
Para que esses processos de fusão aconteçam, os prótons dos núcleos
precisam superar a repulsão elétrica entre eles. Assim, a fusão é restrita ao
núcleo interno do Sol, que se estende do centro a cerca de 20% do raio solar.
O núcleo contém cerca de 10% da massa do Sol. No núcleo, a densidade é
de até 150 toneladas/m3 e a temperatura é de aproximadamente 1 , 36 × 107
(13,6 milhões) K. As altas temperaturas e densidades no núcleo do Sol
são suficientes para que a cadeia de fusão próton-próton prossiga.
O outro ciclo descoberto por Bethe, o ciclo CNO, tem este nome por causa
dos símbolos químicos dos elementos carbono, nitrogênio e oxigênio.
No ciclo CNO, o carbono serve como um catalisador para fundir quatro
prótons em um núcleo de He-4. Isso significa que ao final do ciclo é
obtido um núcleo de carbono-12, igual ao que iniciamos. O ciclo CNO
requer temperaturas muito mais altas do que o Sol fornece e, portanto, é
dominante apenas em estrelas significativamente mais massivas que o
nosso Sol.

É possível gerar energia na Terra pelo processo de fusão nuclear?

A resposta é sim e talvez. Em 1952, a primeira bomba de hidrogênio


foi detonada pelos Estados Unidos. As bombas de hidrogênio usam
reações de fusão nuclear para atingir a produção máxima de energia.
As altas temperaturas e pressões necessárias para que a fusão aconteça
são obtidas usando uma bomba nuclear do tipo fissão como gatilho.
Então, sim, é possível atingir as condições necessárias para que as
reações de fusão nuclear aconteçam, obtendo uma liberação de energia
muito grande.
No entanto, para gerar energia precisamos controlar o processo de
fusão, de forma a manter a geração de energia suave. A detonação
de bombas de hidrogênio não pode ser considerada uma fusão
“controlada”. A fusão controlada como meio de produção de energia
útil pode ser a solução para os problemas globais de energia. Durante
as últimas quatro ou cinco décadas, grandes somas de dinheiro foram
dedicadas à obtenção da fusão controlada, até agora com pouco
sucesso. Alcançar as altas pressões e temperaturas necessárias para a
fusão termonuclear tem sido uma meta difícil de alcançar.
Atualmente, dois projetos importantes prometem um grande pro-
gresso. Um é o ITER, uma colaboração internacional para construir
um reator de fusão termonuclear com tecnologia de confinamento
magnético. Em 2006, a União Europeia, EUA, China, Rússia, Japão,
Índia e Coréia do Sul concordaram em financiar este projeto em
6 As estrelas 113

conjunto em Cadarache, no sul da França. Os custos do projeto serão


de aproximadamente 15 bilhões de dólares. Espera-se que o ITER
forneça 500 MW de potência sustentada por aproximadamente 10
minutos. Esta é uma melhoria de várias ordens de magnitude sobre o
que foi alcançado com reatores de fusão até agora, e um grande passo
em direção ao ponto de equilíbrio – isto é, extraindo pelo menos tanta
energia quanto foi colocada.
A outra abordagem muito promissora é a fusão a laser. Na Califórnia,
EUA, o Departamento de Energia americano construiu a National Ig-
nition Facility. Lá, os lasers mais poderosos do mundo são disparados
em pequenos cilindros ocos e os raios-X liberados da interação dos
lasers com as paredes do cilindro comprimem o combustível de fusão
nuclear no interior, conseguindo assim a ignição por fusão.

6.4 A evolução estelar

Saber como o Sol funciona nos ajuda a entender a variedade de outras


estrelas que vemos. Quando você olha para as estrelas no céu noturno,
uma das primeiras coisas que você percebe é que elas não são todas
iguais. Muitas das diferenças nas aparências das estrelas surgem das
muitas variedades de estrelas em si. Algumas estrelas brilham mil vezes
mais que o Sol, enquanto outras são mil vezes mais fracas. Algumas
estrelas contêm 40 vezes mais massa que o Sol, enquanto outras têm
muito menos. Como estamos prestes a ver, o comportamento de cada
estrela depende principalmente de apenas dois fatores: sua massa total e
sua idade.
No início do século XX, dois astrônomos, Ejnar Hertzsprung, da Dina-
marca, e Henry N. Russell, dos EUA, descobriram independentemente
uma maneira de encontrar ordem na diversidade das estrelas. O produto
de seu trabalho, chamado diagrama de Hertzsprung-Russell (H-R), é
uma técnica gráfica simples amplamente usada hoje em dia (Figura 6.2).
Funciona assim: no eixo vertical do gráfico marcamos a quantidade de
energia liberada por uma estrela, medida pela estimativa da distância
e do brilho da estrela. No eixo horizontal do gráfico, anotamos a tem-
peratura da superfície da estrela, conforme determinado por sua cor.
Cada estrela tem sua própria combinação característica de energia e
temperatura e, portanto, aparece como um único ponto no diagrama de
Hertzsprung-Russell.
Quando as estrelas são traçadas dessa maneira, a maioria (as como o
Sol) cai em uma faixa que se estende do canto superior esquerdo ao
canto inferior direito do diagrama. Isto é, a maioria das estrelas segue
uma tendência de estrelas muito quentes emitindo muita energia, até
estrelas relativamente frias emitindo menos energia. Os objetos neste
agrupamento são chamados de estrelas da sequência principal. Todas
essas estrelas estão na fase de queima de hidrogênio de suas vidas, e
sua energia é produzida nas reações de fusão que descrevemos na seção
6.3.
Dois aglomerados adicionais de estrelas aparecem no diagrama H-R.
Uma aglomeração, no canto superior direito, corresponde a estrelas
que emitem muita energia, mas cujas superfícies são muito frias. Essas
6 As estrelas 114

Figura 6.2: Um diagrama de


Hertzsprung-Russell traça a tem-
peratura de uma estrela versus sua
produção de energia. Estrelas no estágio
de queima de hidrogênio, incluindo
o Sol, estão ao longo da sequência
principal, enquanto gigantes vermelhas
e anãs brancas representam estágios
subseqüentes da vida estelar. (Imagem
retirada de Trefil.)

estrelas devem ser muito maiores que o nosso Sol, de modo que a baixa
temperatura (e, portanto, a emissão de baixa energia de cada metro
quadrado de área de superfície) seja compensada pela grande área da
superfície. Estrelas desse tipo são chamadas de gigantes vermelhas e
geralmente aparecem um tanto avermelhadas no céu.
Outro agrupamento de estrelas aparece no canto inferior esquerdo do
diagrama H-R. Essas estrelas, chamadas anãs brancas, têm emissão
de energia muito baixa, mas temperaturas de superfície muito altas.
Consequentemente, as estrelas anãs brancas devem ser muito pequenas,
tipicamente do tamanho da Terra. Tanto as gigantes vermelhas quanto
as anãs brancas desempenham papéis cruciais nos ciclos de vida das
estrelas.
Mas qual é o ciclo da vida de uma estrela? Como tudo na vida, cada
estrela também passa por um ciclo; elas nascem, vivem, e morrem. O
ciclo de uma estrela inclui a formação de poeira e gás, um período de
fusão nuclear e o fim das reações nucleares.
Todas as estrelas nascem nas profundezas do espaço, em nuvens de gases
e outros resíduos. A teoria moderna da formação de estrelas e planetas
foi apresentada pela primeira vez pelo matemático e físico francês Pierre
Simon Laplace. De acordo com Laplace, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás
uma grande nuvem de poeira e gás foi coletada na região agora ocupada
pelo sistema solar. Tais nuvens de poeira e gás, chamadas nebulosas, são
comuns em toda a nossa galáxia. Elas normalmente contêm mais de 99%
de hidrogênio e hélio.
Por causa da gravidade, uma nebulosa vai lentamente entrar em colapso.
Esse colapso faz com que a nuvem gire cada vez mais rápido. A rotação
rápida significa que parte do material nas partes externas da nebulosa
começa a girar em um disco plano. O grande caroço no meio representa o
material que eventualmente se tornará uma estrela, e o material no disco
achatado fino se tornará os planetas e o restante do sistema estelar (Figura
6.3). À medida que uma nova estrela começa a se formar, e à medida
que mais e mais massa penetra na região circundante da nebulosa, a
pressão e a temperatura no centro da estrela central começam a subir.
6 As estrelas 115

Quando essa massa central atingir um tamanho crítico, a pressão e a


temperatura no fundo se tornarão altas o suficiente para iniciar reações
de fusão nuclear. Nesse momento, uma estrela nasce. Podemos dizer
que toda estrela começa como uma imensa bola de hidrogênio e hélio,
formada pelo colapso gravitacional de uma nebulosa – este estágio é
representado pelas estrelas da sequência principal no diagrama H-R. O
destino final de qualquer estrela, no entanto, depende da massa total de
hidrogênio e hélio.

Figura 6.3: À medida que a nebulosa


que formou o sistema estelar entrou em
colapso, ela começou a girar e se achatar
em um disco. Os estágios na formação do
sistema estelar incluem (a) uma nebulosa
girando lentamente, (b) um disco acha-
tado com centro massivo, (c) planetas
em processo de nascimento representa-
dos como concentrações de massa na
nebulosa e (d) o sistema solar. (Imagem
retirada de Trefil.)

6.4.1 Estrelas muito menos massivas que o Sol

Se uma estrela é muito mais leve que o Sol – digamos, talvez, 10% da
massa do Sol – ela será apenas grande o suficiente para começar a queima
de hidrogênio de maneira lenta e adequada. Uma estrela tão pequena,
chamada anã marrom, brilha levemente em comparação com o Sol, com
temperaturas superficiais de apenas alguns milhares de graus. A fusão
nuclear prossegue de forma relativamente lenta, de modo que essa estrela
continuará a brilhar de forma constante por uns 100 bilhões de anos sem
qualquer mudança significativa no tamanho, temperatura ou produção
de energia.

6.4.2 Estrelas com massa próxima à do Sol

O Sol e outras estrelas de massa semelhante desfrutam de uma posição


mais central na sequência principal de Hertzsprung-Russell (Figura 6.4).
Para estas estrelas, as temperaturas e pressões do núcleo são muito mais
altas e a queima de hidrogênio prossegue a uma taxa muito mais rápida.
Consequentemente, o Sol tem uma temperatura superficial mais alta que
qualquer anã marrom, e completa sua fase de queima de hidrogênio
muito mais rapidamente – em questão de alguns bilhões de anos.
Uma maneira de encarar a vida de uma estrela como o Sol é pensar
nela como uma batalha contínua contra a força da gravidade. Desde o
momento em que a nuvem de gás original do Sol começou a se contrair,
a força da gravidade agiu sobre cada partícula, forçando cada partícula
para dentro. O aumento da temperatura no centro aumentou a pressão no
interior da estrela e equilibrou a força da gravidade. Mas esse equilíbrio
é temporário. O Sol pode evitar o puxão interno da gravidade apenas
6 As estrelas 116

enquanto tiver hidrogênio para consumir. Quando todo o hidrogênio no


núcleo for esgotado, a quantidade de energia gerada vai diminuir e a
gravidade começará a assumir o controle. O Sol começará a se contrair e
esquentar.
Essa situação dramática terá dois efeitos. Primeiro, a temperatura na
região imediatamente ao redor do núcleo começará a subir. Qualquer
hidrogênio remanescente começará a sofrer reações de fusão nuclear.
Assim, uma concha que queima hidrogênio começará a se formar em
torno do núcleo extinto. O segundo efeito é que a temperatura no núcleo
aumentará até que o hélio, o resquício da queima do hidrogênio, comece
também a sofrer reações de fusão nuclear. A fusão do hélio vai gerar
carbono e energia. O Sol então se parecerá com uma cebola, com um
núcleo que queima hélio cercado por uma camada na qual o hidrogênio
está sendo consumido. No caso do Sol, a temperatura nunca fica alta o
suficiente para iniciar a fusão do carbono; portanto, a queima de hélio
é o estágio final de produção de energia. Em estrelas mais massivas,
esse processo de sucessivos ciclos de fusão nuclear pode durar um bom
tempo.
Quando o núcleo consumir todo o combustível nuclear, as conchas
que queimam hidrogênio em torno da região central serão puxadas.
Esse colapso aumentará a quantidade de energia gerada pela fusão, e o
aumento da energia fará com que a superfície do Sol se expanda. Em
sua expansão máxima, o Sol agonizante se estenderá além da órbita
de Vênus. Ao mesmo tempo, a massa do Sol diminuirá e os planetas
se moverão para fora. No final, apenas Mercúrio e talvez Vênus serão
engolidos. Durante esta fase de sua vida, o Sol emitirá quase 10.000 vezes
mais energia do que hoje, mas o fará através de uma superfície muito
maior. Consequentemente, essa superfície será mais fria que hoje. De
fato, nosso Sol se tornará um gigante vermelho.
À medida que o carbono se acumula no núcleo, um lento colapso ocorrerá.
Os elétrons do núcleo serão comprimidos em um volume cada vez menor.
Chegará um momento em que os elétrons alcançarão o ponto onde
não poderão ocupar o mesmo estado. Nesse ponto, o princípio de
Pauli assumirá o controle e o colapso será interrompido. Uma força
externa permanente será exercida em cada elemento da estrela; esta força
cancelará a força da gravidade.
Quando o Sol atingir esse estágio, ele deverá ter um tamanho aproxi-
madamente igual ao tamanho da Terra (embora ainda será centenas de
milhares de vezes mais massivo que a Terra) e não estará mais gerando
energia por meio de reações nucleares. O Sol estará muito quente e
levará muito tempo para se resfriar. Durante esta fase, a temperatura de
cada parte da superfície do Sol será muito alta, mas, como o Sol será
muito pequeno, a quantidade total de radiação proveniente dele não
será muito grande. Em outras palavras, será uma anã branca. A maior
parte do carbono (que é o produto final da queima de hélio) permanecerá
bloqueada na anã branca e não será devolvida ao cosmos.
Estrelas com até cinco ou seis vezes a massa do Sol seguirão aproxima-
damente o mesmo caminho. Mas cada estrela terá um tempo de vida
diferente; um dos paradoxos da astronomia é que estrelas maiores – aque-
las com mais combustível de hidrogênio – têm vida útil mais curta. Esse
paradoxo surge porque as maiores estrelas precisam queimar hidrogênio
6 As estrelas 117

Figura 6.4: O ciclo de vida do Sol em


um diagrama de Hertzsprung-Russell.
O Sol começou a queimar hidrogênio
em seu núcleo há mais de 4,5 bilhões de
anos na sequência principal (no ponto
1), e permanecerá próximo a esse ponto
no diagrama por mais vários bilhões de
anos. À medida que o hidrogênio no nú-
cleo é consumido, no entanto, um curto
período de queima de hélio (ponto 2)
moverá a posição do Sol no diagrama
rapidamente para cima em direção ao
ponto 3 do estágio de gigante vermelha).
Uma vez consumido o hélio, as reações
de fusão nuclear cessarão e o colapso
gravitacional fará com que o Sol aqueça
(ponto 4). Eventualmente, o Sol esfriará
até se tornar uma anã branca (ponto 5).
(Imagem retirada de Trefil.)

a uma velocidade muito alta para superar a intensa força da gravidade.


Assim, uma estrela quatro vezes maior que o Sol completará seu ciclo
em menos de um bilhão de anos, em comparação com o período de 11
bilhões de anos do Sol. Mas todas essas estrelas terão essencialmente a
mesma história de vida: sequência principal → gigante vermelha → anã
branca.

6.4.3 A evolução de estrelas massivas

As estrelas com mais de 10 vezes a massa do Sol terminam suas vidas


de maneira bastante diferente. Para essas estrelas, a pressão exercida
pela gravidade é alta o suficiente para que o hélio no núcleo não apenas
queime carbono, mas também passe por reações de fusão para produzir
outros átomos como oxigênio, magnésio, silício e outros núcleos maiores.
Para uma estrela assim, os sucessivos colapsos e queimas de núcleos
produzirão uma estrutura com uma forma de várias camadas de cebola
(Figura 6.5).
Figura 6.5: O interior de uma grande
De fato, nas maiores estrelas essa cadeia de queima nuclear continua estrela exibe camadas concêntricas de
até que o ferro seja produzido. Como mencionei no final da seção 6.3.1 reações de fusão, produzindo elemen-
(Figura 6.1), o ferro é o núcleo mais fortemente ligado. Para separar o tos progressivamente mais pesados em
direção ao núcleo. (Imagem retirada de
núcleo de ferro e adicionar mais prótons e nêutrons a ele precisamos Trefil.)
adicionar mais energia. Ou seja, não é possível extrair energia do ferro
por qualquer tipo de reação nuclear.
Os núcleos das estrelas grandes acabarão se enchendo de ferro e, não
importa o quão alta a pressão e a temperatura cheguem, o ferro simples-
mente não queimará para produzir uma força compensatória à gravidade.
Na verdade, os núcleos de ferro se acumulam até que a força da gravidade
se torna tão grande que mesmo a pressão dos elétrons que não podem
ocupar o mesmo estado não é capaz de impedir o colapso. Com as incrí-
veis pressões e temperaturas no centro da estrela, os elétrons acabam se
combinando com prótons dentro dos núcleos de ferro e formam nêutrons.
6 As estrelas 118

Dentro de mais ou menos um segundo, todos os prótons nos núcleos de


ferro são transformados em nêutrons e todos os elétrons desaparecem.
Nesse ponto, o núcleo da estrela começa um colapso catastrófico, que con-
tinuará até que outra força apareça para neutralizar a gravidade. Nesse
caso, a força é fornecida pela pressão de degeneração dos nêutrons, que,
como os elétrons, estão sujeitos ao princípio de exclusão de Pauli.
O núcleo entra em colapso tão rápido que passa do ponto em que os
nêutrons podem equilibrar a gravidade. Dessa forma, o gás externo
da estrela começa uma queda livre em direção ao interior da estrela.
Quando o colapso do gás denso encontra o núcleo de nêutrons, ondas de
choque intensas são criadas na estrela e toda a parte externa da estrela
literalmente explode. De longe, a estrela repentinamente parece brilhar
no céu, geralmente em questão de um dia ou mais. Chamamos esse
evento dramático de supernova.
Durante a explosão, ondas de choque intensas atravessam a estrela
explodindo, elevando a temperatura o suficiente para formar todos os
elementos químicos da tabela periódica. Em um conjunto complexo de
colisões, alguns núcleos até o ferro, criados pelas sucessivas reações de
fusão, absorvem nêutrons e depois decaem, formando núcleos até o
urânio e além. Todos os elementos além do ferro são criados no turbilhão
de curta duração da explosão da supernova.
Na nossa galáxia, as supernovas provavelmente acontecem a cada 30 anos
mais ou menos. Não vemos a maioria desses eventos por causa da poeira
intermediária, mas podemos ver eventos iguais em galáxias vizinhas. Em
23 de fevereiro de 1987, por exemplo, uma supernova foi vista na Grande
Nuvem de Magalhães, uma pequena estrutura semelhante a uma galáxia
perto da Via Láctea. Embora a supernova estivesse a 170.000 anos-luz
da Terra, causou um grande alvoroço na ciência porque foi a primeira
supernova a ser observada em observatórios modernos. Talvez a maior
surpresa da experiência tenha sido o fato de haver poucas surpresas. As
intrincadas teorias de reações nucleares que ocorrem nessas incrivelmente
complexas poucas horas em que uma estrela explode foram amplamente
confirmadas.

Estrela de nêutrons

Depois que uma estrela explode, a supernova é cercada por uma nuvem
de material ejetado da estrela. Essa nuvem em expansão se dissipa no
espaço interestelar, deixando para trás o núcleo de nêutrons criado no
colapso, que é chamado de estrela de nêutrons. Uma estrela de nêutrons
é essencialmente um núcleo incrivelmente denso e muito pequeno. Uma
estrela típica de nêutrons pode ter 16 km de diâmetro. Essa mudança
drástica de tamanho faz com que a taxa de rotação da estrela aumenta.
Algumas estrelas de nêutrons em nossa galáxia giram 1.000 vezes por
segundo (1.000 Hz).17 17: Apenas para referência, você pode
comparar essa rotação com o movimento
Em paralelo à rotação cada vez maior, a força do campo magnético da tranquilo de rotação do Sol, que gira uma
estrela de nêutrons aumenta à medida que a estrela entra em colapso. vez a cada 26 dias.
Algumas estrelas de nêutrons em nossa galáxia possuem campos até um
trilhão de vezes o do campo magnético na superfície da Terra.
6 As estrelas 119

Esses dois efeitos – o forte campo magnético e rotação rápida – podem se


combinar para produzir um tipo especial de estrela de nêutrons, que os
astrônomos chamam de pulsar (Figura 6.6). Os primeiros pulsares foram
descobertos em 1967 por Jocelyn Bell. As partículas em movimento rápido
aceleram por causa do intenso campo magnético da estrela de nêutrons
em rotação, e com isso emitem radiação eletromagnética. A maior parte
dessa radiação está na faixa de rádio do espectro eletromagnético;
portanto, o sinal da estrela de nêutrons é visto principalmente com
radiotelescópios.

Figura 6.6: Um diagrama esquemático


de um pulsar revela seus dois atributos
principais – rotação rápida e um campo
magnético intenso. Essa combinação de
características produz um padrão pul-
sante, semelhante a um farol, de radiação
energética. (Imagem retirada de Trefil.)

Uma maneira de pensar sobre um pulsar é imaginá-lo como um holofote


no céu. As ondas de rádio são emitidas continuamente ao longo de um
eixo que vai entre os pólos magnéticos norte e sul da estrela de nêutrons,
e essa linha descreve um círculo no espaço à medida que a estrela de
nêutrons gira. Se você estiver na fila, verá uma explosão de ondas de
rádio toda vez que o pólo norte ou sul do pulsar estiver apontando em
sua direção e nada quando não estiver. Em outras palavras, você verá
uma série de pulsos de ondas de rádio. A assinatura de um pulsar no
céu é uma série de pulsos regularmente espaçados, tipicamente algumas
dezenas a milhares por segundo. O pulsar representa um possível estado
final de uma supernova. Todos os pulsares são estrelas de nêutrons,
embora provavelmente todas as estrelas de nêutrons não sejam vistas
como pulsares pelos astrônomos da Terra.

Buracos negros

Ocasionalmente, uma estrela grande pode morrer de uma maneira que


não leva à formação de um pulsar. Se uma estrela é grande o suficiente –
talvez 50 ou mais vezes mais pesada do que o Sol – pode haver processos,
ainda pouco conhecidos, pelos quais até a pressão de degeneração dos
nêutrons é superada e a estrela entra em colapso. O resultado é a vitória
final da gravidade, um buraco negro. Um buraco negro é um objeto tão
denso, uma massa tão concentrada que nada, nem mesmo a luz, pode
escapar de sua superfície.
Não sabemos com que frequência os buracos negros são formados. Os
astrônomos reconhecem muitos buracos negros, inclusive um deles no
centro da nossa galáxia. Não podemos ver esse buraco negro supermas-
sivo no centro da Via Láctea, mas ele faz com que as estrelas próximas
se movam descontroladamente em órbitas estreitas, algumas das quais
levam apenas uma dúzia de anos para serem concluídas.
6 As estrelas 120

6.5 A formação do sistema solar

A revolução iniciada por Copérnico alterou radicalmente as percepções


humanas do nosso lugar no universo. Em vez de ocupar o que foi
considerado por muitos como o centro da criação, a Terra tornou-se
apenas um dos vários planetas que orbitam o Sol. O sistema solar, que
inclui muitos mundos – o Sol, os planetas e suas dezenas de luas, além de
todos os outros objetos ligados gravitacionalmente ao Sol – exibe várias
características distintas.
A teoria moderna da formação estelar também ajuda a explicar muitas
das características distintivas do sistema solar – a rotação do Sol, as
órbitas dos planetas e a distribuição de massa em um grande objeto
central e muitos corpos orbitais muito menores. De acordo com a hipótese
nebular, há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás uma grande nuvem de
poeira e gás se acumulou na região agora ocupada pelo sistema solar.
Essas nuvens de poeira e gás ou, como vimos, nebulosas, são comuns
em toda a nossa galáxia, a Via Láctea. Elas normalmente contêm mais de
99% de hidrogênio e hélio, com quantidades menores de todos os outros
elementos que ocorrem naturalmente.
Sob a influência da gravidade, a nebulosa lentamente, inexoravelmente,
começou a desmoronar sobre si mesma. Como no caso da formação de
estrelas a partir de uma nebulosa, o colapso fez com que a nuvem girasse
cada vez mais rápido. O giro rápido teve várias consequências. Por um
lado, isso significava que parte do material nas partes externas da nuvem
começou a girar em um disco plano. A grande protuberância representa
o material que eventualmente se tornaria o Sol e o material no disco fino
e achatado eventualmente se tornaria os planetas e o resto do sistema
solar.
O achatamento da nebulosa em um disco explica outra característica do
sistema solar. Os planetas tiveram que se formar neste disco rotativo de
material e, portanto, suas órbitas finais tiveram que ficar próximas ao
plano do disco. O fato de todas as órbitas planetárias estarem próximas
ao mesmo plano, então, é uma simples consequência da rápida rotação
do sistema solar quando a nuvem nebular começou a se contrair.
Em qualquer aglomerado de matéria como o disco giratório, por acaso,
a matéria é mais densamente coletada em algumas regiões do que em
outras. Essas regiões exercem uma força gravitacional mais forte do que
suas vizinhas, de modo que a matéria próxima tende a gravitar em torno
delas. Uma vez que a matéria próxima entra, a concentração de matéria
naquele ponto é ainda maior e ela puxa ainda mais material para dentro
dela. À medida que o material se acumula, os grãos sólidos começam a
se unir. Essa consequência da força gravitacional leva à rápida quebra
do disco em pequenos objetos chamados planetesimais, que variam
em tamanho, desde pedregulhos até massas com vários quilômetros de
diâmetro. Uma vez que isso aconteceu, o processo de atração gravitacional
continua em uma escala maior. Planetesimais colidem uns com os outros;
objetos maiores capturam os menores e continuam crescendo.†
†O método primário de investigar esta fase da formação do sistema solar é através do
uso de modelos de computador. Muitos desses modelos descrevem um sistema solar
primitivo com muitos objetos do tamanho de Marte girando, colidindo uns com os outros,
quebrando-se, reformando-se e até mesmo sendo completamente ejetados do sistema
solar antes que as coisas se acomodassem em algo como nosso estado atual.
6 As estrelas 121

Mais ou menos na época em que esse processo estava acontecendo no


início do sistema solar, o material no centro – mais de 99% da massa
da nebulosa original – começou a se transformar em uma estrela. A
energia da luz começou a irradiar do Sol e as diferenças de temperatura
começaram a se desenvolver no disco. As partes mais próximas do Sol
aqueceram, enquanto as mais afastadas esquentaram apenas um pouco.
Como resultado, os sistemas solares internos e externos se desenvolveram
de maneira diferente. No sistema interno quente, compostos como água,
metano e dióxido de carbono estavam na forma gasosa, enquanto mais
longe eles estavam congelados, na forma sólida.
Assim, processos físicos cotidianos relacionados com as fases da matéria
e a resposta à temperatura – processos tão familiares quanto ferver água
e fazer gelo – explicam um dos fatos cruciais sobre o sistema solar. Os
planetas terrestres, incluindo Mercúrio, Vênus, Terra e Marte foram
formados a partir desses materiais que poderiam permanecer sólidos
em altas temperaturas. Consequentemente, eles são mundos pequenos e
rochosos (Figura 6.7).

Figura 6.7: A maior parte da massa do


sistema solar está no Sol, e a maior parte
do restante está nos planetas jovianos.
(As distâncias nesta figura não estão em
escala.) (Imagem retirada de Trefil.)

Mais longe no sistema solar, encontramos os planetas jovianos, incluindo


Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. As composições desses planetas são
essencialmente as mesmas do material concentrado na nebulosa original;
ou seja, eles contêm grandes quantidades de hidrogênio e hélio. Esses
planetas se formaram a partir de material que se condensou e se acu-
mulou sob a condição de temperaturas mais baixas tão distantes do Sol.
Consequentemente, esses planetas mais externos têm uma composição
química marcadamente diferente dos planetas terrestres internos do
sistema solar.
É possível que os planetas jovianos provavelmente tinham seu próprio
complemento de materiais de alta densidade. Suspeitamos que sob os
milhares de quilômetros de hélio, hidrogênio e outros gases condensados
nesses planetas está escondido um núcleo, como se fosse um pequeno
planeta terrestre, cuja composição é muito parecida com a da Terra e
seus vizinhos. Mas essa matéria rochosa representa apenas uma pequena
fração da massa total desses planetas.18 18: Alguns astrônomos argumentam que
os maiores planetas, Júpiter e Saturno,
Assim como qualquer canteiro de obras tem uma pilha de restos de se formaram por um processo mais pa-
materiais espalhados quando a construção é concluída, o sistema solar recido com o de uma pequena estrela do
que pela acreção de planetesimais. Os
também tem sua “pilha de sucata”. Essas sobras assumem a forma de
detalhes da estrutura e formação dos pla-
asteróides rochosos e cometas gelados que ainda orbitam o Sol. Eles netas jovianos continuam sendo um rico
representam a matéria que nunca foi absorvida pelos planetas. campo de debate nas ciências.
6 As estrelas 122

6.6 A formação da Terra

Após a formação dos planetas, cada objeto evoluiu de maneira distinta.


Para a Terra e os outros planetas terrestres, essa história tinha a ver com
a agitação, colisão e turbulência da nuvem de planetesimais. Uma vez
formados os planetesimais, a formação dos planetas ocorreu rapidamente.
À medida que os planetesimais se moviam em suas órbitas, eles coletavam
planetesimais menores por meio do processo de atração gravitacional.
Então esses planetesimais maiores colidiram e se fundiram no início
de um planeta. À medida que o processo de acumulação prosseguia,
o planeta em crescimento varreu gradualmente todos os detritos que
jaziam perto de sua órbita.
Se você estivesse na superfície do recém-formado planeta Terra durante
esse estágio, teria visto uma chuva constante de detritos que sobraram do
período inicial de formação planetária que caiu na superfície, adicionando
massa ao planeta. Durante esse período, chamado de grande bombardeio,
as grandes quantidades de energia cinética transportadas pela chuva de
pedras foram convertidas em calor, que foi adicionado ao planeta recém-
formado (Figura 6.8). Embora no caso da Terra a adição de material já
tenha diminuído consideravelmente desde o início, ela não parou. Cada Figura 6.8: A impressão de um artista
da superfície da Terra durante o grande
vez que você vê um meteoro,19 por exemplo, você está vendo um objeto bombardeio. (Imagem retirada de Trefil.)
do tamanho aproximado de um grão de areia sendo adicionado ao nosso
planeta. Estima-se que a massa da Terra cresce cerca de 20 toneladas 19: Os meteoros também são chamados
(20.000 kg, ou 2 × 107 g) por dia pelo acúmulo de material que cai do de estrela cadente.

espaço.
Quando a hipótese nebular foi proposta pela primeira vez no século XVIII,
parecia haver pouca chance de que qualquer evidência observacional
direta pudesse ser encontrada para apoiá-la. Em 1992, astrônomos usando
o Telescópio Espacial Hubble detectaram massas espessas de poeira
circundando estrelas recém-nascidas em uma região do espaço chamada
nebulosa de Orion. Observações subsequentes confirmaram a existência
de numerosos discos em torno de estrelas jovens. Parece que, nesses casos,
estamos vendo sistemas solares distantes em processo de nascimento –
observações que nos dão uma medida de confiança em nosso modelo de
como os planetas passaram a existir.

6.6.1 Diferenciação

Cada vez que outro planetesimal atingia a jovem Terra, toda a sua energia
era convertida em calor. Esse calor se difundiu pelo planeta. A superfície
da Terra brilhou em brasa e o interior profundo atingiu temperaturas
de milhares de graus. Eventualmente, a Terra derreteu completamente
ou então foi aquecida a temperaturas altas o suficiente para que ficasse
muito macia o tempo todo. Materiais pesados e densos (como ferro e
níquel) afundaram sob a força da gravidade em direção ao centro do
planeta, enquanto materiais mais leves e menos densos flutuaram até
o topo. O resultado desse processo, chamado diferenciação, é que os
planetas terrestres atuais têm uma estrutura distintamente em camadas.
(A estrutura da Terra é mostrada na Figura 6.9.) Figura 6.9: Estrutura da Terra. As cama-
das principais, que diferem em composi-
De certa forma, o que aconteceu com esses planetas há muito tempo ção química e propriedades físicas, são
o núcleo, o manto, a crosta e a atmosfera
não é muito diferente do que acontece com uma mistura de óleo e água
(não mostrada). Quando examinadas em
detalhes, cada uma dessas camadas é
composta por camadas menores. (Ima-
gem retirada de Trefil.)
6 As estrelas 123

que é sacudida e deixada em repouso. Eventualmente, o óleo mais leve


flutuará para o topo e a água mais pesada afundará sob a influência
da gravidade. A Terra também se separou em camadas de diferentes
densidades quando sofreu diferenciação.
No centro da Terra, com um raio de cerca de 3.400 km, está o núcleo
terrestre, feito principalmente de ferro e níquel. Acredita-se que as
temperaturas no centro da Terra excedam 5.000𝑜 C, mas as pressões são
tão altas – cerca de 3,5 bilhões de g/cm2 – que o núcleo interno de
ferro-níquel é sólido. Um pouco mais longe, as pressões são um pouco
mais baixas, de modo que a região externa do núcleo de ferro-níquel é
na verdade um líquido.
O núcleo de metal é recoberto por uma espessa camada, o manto, que
é rico em oxigênio, silício, magnésio e ferro. As rochas do manto são
semelhantes em composição a algumas rochas familiares da superfície,
mas os átomos nesses materiais de alta pressão são agrupados em formas
muito mais densas.
Na camada mais externa da Terra está a crosta, que é composta dos
materiais mais leves. A espessura da crosta varia de menos de 10 km nas
regiões dos oceanos até 70 km abaixo dos continentes. A crosta é a única
camada da Terra sólida com a qual os seres humanos tiveram contato e
continua sendo a fonte de quase todas as rochas e minerais que usamos
em nossas vidas20 . 20: Você pode se perguntar como pode-
mos descrever partes do interior da Terra
que nenhum ser humano jamais viu. Há
um ramo da ciência, chamado de sismo-
6.6.2 A atmosfera da Terra logia, que estuda (entre outras coisas) a
composição interior da Terra.
A Terra nem sempre teve o tipo de atmosfera que tem hoje. Originalmente,
é provável que a Terra não tinha atmosfera alguma e que, uma vez formada
a atmosfera, sua composição química evoluiu gradualmente até sua forma
atual. A questão de como surgiu e se modificou a atmosfera da Terra é
de extrema importância pois, como vimos em capítulos anteriores, essa
história é indissociável da compreensão acerca da origem e evolução da
vida em nosso planeta.
A Terra primitiva pode ter coletado alguns gases por atração gravitacional.
Durante a formação inicial do Sol, grandes quantidades de material e
radiação foram lançadas. Essa inundação de materiais teria expelido
qualquer atmosfera que a Terra tivesse acumulado. Assim, para todos
os efeitos, a atmosfera primitiva da Terra era uma bola sem ar de rocha
quente (ou mesmo derretida).
Durante o período de resfriamento que se seguiu ao grande bombardeio
e derretimento, grandes quantidades de vapor d’água, dióxido de car-
bono e outros gases teriam sido liberados das profundezas do interior
sólido da Terra. Inúmeros vulcões e fissuras, todos expelindo vapor e
outros materiais, teriam soprado seus gases na atmosfera recém-formada.
Em outras palavras, os gases que formaram o ancestral da atmosfera
atual provavelmente foram originalmente presos nas rochas perto da
superfície da Terra quando a atmosfera original foi varrida. Posterior-
mente, um processo chamado de desgaseificação liberou uma atmosfera
completamente nova.
A liberação de gases, que foi violenta e rápida no início da história
da Terra, ainda não terminou hoje. Tendemos a pensar em erupções
6 As estrelas 124

vulcânicas como envolvendo o fluxo de lava incandescente, mas se você


se lembra de fotos de erupções, provavelmente se lembra de grandes
nuvens de fumaça e vapor que acompanham os fluxos de lava brilhante.
Ainda hoje, mais de 4,5 bilhões de anos após a formação do planeta, os
vulcões liberam grandes quantidades de gases do interior da Terra.
Uma estimativa é que o principal resultado da liberação de gases na Terra
primitiva foi a produção de uma atmosfera composta principalmente
de nitrogênio (N2 ), dióxido de carbono (CO2 ), hidrogênio (H2 ) e água
(H2 O). Presumivelmente, o mesmo tipo de processo estava ocorrendo
nos outros planetas terrestres. Por um tempo, a atmosfera da Terra foi
provavelmente muito quente para a água condensar de um gás para um
líquido, mas eventualmente a temperatura atmosférica caiu e chuvas
torrenciais começaram a encher as bacias oceânicas.
Depois que um planeta adquire uma atmosfera por desgaseificação,
existem várias maneiras pelas quais sua atmosfera pode evoluir e mudar.
A mais simples é a fuga gravitacional. As moléculas em uma atmosfera
aquecida pelo Sol podem se mover com rapidez suficiente para que frações
apreciáveis delas possam realmente escapar da atração gravitacional de
seu planeta. A Lua, Mercúrio e Marte são exemplos de corpos que tiveram
atmosferas mais densas no início de sua história, mas muitos desses
gases escaparam da atmosfera há muito tempo. A maioria dos elementos
leves, como hidrogênio e hélio, foram presumivelmente perdidos da
Terra da mesma maneira, mas os gases mais pesados, como CO2 e vapor
d’água, permaneceram porque eram muito pesados para escapar da força
gravitacional da Terra.
Uma segunda causa de mudança atmosférica que opera apenas na Terra
é o efeito dos seres vivos. Até onde sabemos, não existe vida em nenhum
outro lugar do sistema solar. Quando a Terra tinha 2 bilhões de anos,
os organismos fotossintéticos evoluíram e passaram a usar a energia
do Sol para alimentar as reações químicas essenciais para a vida. Na
fotossíntese, o CO2 e a água são absorvidos pelas estruturas dos seres
vivos, e o oxigênio é liberado como produto residual. À medida que
a vida floresceu no planeta, a quantidade de oxigênio livre também
aumentou, até hoje compor cerca de 20% da atmosfera.
Tendemos a pensar no oxigênio como uma substância benigna e bonita,
mas, do ponto de vista químico, é algo realmente desagradável. O
oxigênio reage violentamente com muitos materiais (pense na queima de
fogo ou na explosão de hidrogênio ou gasolina). Na verdade, a produção
de oxigênio pelos seres vivos na Terra primitiva pode ser considerada o
primeiro evento de poluição global. Assim, as formas de vida afetam e
são afetadas pela atmosfera do planeta em que residem. De fato, muitos
cientistas agora sugerem que você pode dizer se um planeta tem vida
simplesmente olhando para sua atmosfera.
6 As estrelas 125

6.7 Problemas

Revisão de Matemática

Problema 6.7.1 Determine o valor de 𝑚 para que o gráfico da função


𝑓 (𝑥) = 2 𝑥 + 𝑚 − 3 (a) intersecte o eixo y no ponto (0, 5); (b) intersecte
o eixo x no ponto (3, 0).

Problema 6.7.2 Dada a função 𝑓 (𝑥) = 𝑥 2 − 4 𝑥 + 𝑐 , encontre a região de


valores de 𝑐 em que essa função (a) intersecte o eixo x em dois pontos,
(b) intersecte o eixo x em um ponto e (c) não intersecte o eixo x. Faça
um esboço do gráfico da função em cada um dos casos

Energia de repouso

Problema 6.7.3 Exercício 6.2.1.

Problema 6.7.4 O poder explosivo efetivo da bomba atômica lançada


sobre Hiroshima próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial equiva-
leu a aproximadamente 15 quilotoneladas de TNT. Uma quilotonelada
equivale a cerca de 4 · 1012 J de energia. Determine o valor de massa
convertida em energia nessa bomba.

Problema 6.7.5 Nos aceleradores de prótons usados no tratamento de


pacientes de câncer, os prótons são acelerados até 0,61c. Determine a
energia do próton nesse caso, expressando sua resposta em MeV.

Problema 6.7.6 Um elétron é acelerado a partir do repouso até atingir


uma energia relativística final igual a 2,5 MeV. A energia de repouso
do elétron é 𝐸0 = 0 , 5 MeV. Determine:
(a) a energia cinética do elétron quando ele atinge a velocidade final.
(b) a velocidade escalar atingida pelo elétron como uma fração da
velocidade da luz no vácuo, 𝑐 .

Estrelas

Problema 6.7.7 O ano-luz é uma unidade padrão de distância usada


pelos astrônomos. É a distância que a luz percorre em um ano terrestre.
(a) Determine quanto vale 1 ano-luz em km.

(b) A estrela mais próxima do nosso Sol é Alpha Centauri, que está a
cerca de 4,4 anos-luz de distância. Se o Sol fosse do tamanho de uma
bola, a Terra seria do tamanho de uma ervilha a 110 m de distância.
Nesta escala de medidas, qual seria a distância entre nós e a estrela
mais próxima?
6 As estrelas 126

Força e energia nuclear

Problema 6.7.8 (a) Estime a força eletrostática de repulsão entre dois


prótons numa separação de 10−14 m. (b) A partir deste resultado, o que
se pode dizer da força nuclear que mantém os dois prótons no núcleo?

Problema 6.7.9 Calcule a energia de ligação de uma partícula 𝛼 , dado


que as massas do próton, nêutron, e da partícula 𝛼 são, respectivamente,
1,00728 u, 1,00867 u e 4,00150 u.

Fusão em estrelas

Problema 6.7.10 Um dos processos de fusão pela qual energia é gerada


dentro do Sol é chamado de ciclo próton-próton. Este ciclo involve a
fusão de quatro prótons, passo a passo, para formar um núcleo de
He-4:
1
1
𝐻 +11 𝐻 −→21 𝐻 +01 𝛽 (positron) + 𝜈𝑒 + 𝑄 1
2
1
𝐻 +11 𝑝 −→32 𝐻𝑒 + 𝑄 2
3 3 4 1
2 𝐻𝑒 +2 𝐻𝑒 −→2 𝐻𝑒 + 21 𝑝 + 𝑄 3 .
Calcule a energia liberada em cada reação e, consequentemente, a
energia total liberada quando quatro prótons são fundidos para formar
um núcleo de 42 𝐻𝑒 .

Problema 6.7.11 O sol radia energia no espaço numa taxa de 4 × 1026


W. Sua massa é 2 × 1030 kg. Sabendo que 0,7% da massa do Sol pode
ser convertida em energia, estime o tempo de vida do Sol.

Evolução estelar

Problema 6.7.12 Caso fosse possível o Sol encolher até se tornar um


buraco negro, a órbita da Terra seria alterada? Justifique.

Exercícios Extras

Problema 6.7.13 Qual é a energia contida em um grama de matéria?


Como este valor se compara com a ordem de grandeza da sua energia
cinética?

Problema 6.7.14 A estrela mais brilhante do céu é Sírios, que se


encontra a uma distância de 8 , 30 · 1016 m da Terra. Quando vemos a
luz proveniente dessa estrela, para que tempo atrás (em anos) estamos
olhando?

Problema 6.7.15 Estima-se que a densidade média de matéria no


Universo corresponde a algo da ordem de 3 átomos de hidrogênio por
m3 . (a) Estime a massa total contida dentro do raio do Universo; (b)
6 As estrelas 127

Estime o número total de núcleons (nêutrons e prótons) contido nesse


volume; (c) Compare a densidade média de matéria no Universo com
a densidade típica no interior do núcleo atômico.

Problema 6.7.16 Mostre que 1 u de massa convertida em energia


fornece 930 MeV.

Problema 6.7.17 Considere a seguinte reação de fusão, que permite às


estrelas produzir elementos progressivamente mais pesados:

3
2 𝐻𝑒 +42 𝐻𝑒 −→74 𝐵𝑒 + 𝛾.

A massa de 32 𝐻𝑒 é de 3,016029 u, a do 42 𝐻𝑒 vale 4,002602 u, e a do 74 𝐵𝑒


vale 7,0169298 u. A unidade de massa atômica é 1 u = 1 , 66 · 10−27 kg.
(a) Levando em conta que o átomo de Be esteja em repouso após a
reação e desprezando qualquer energia potencial entre os átomos e a
energia cinética dos núcleos de He, calcule a energia mínima possível e
o máximo comprimento de onda possível do fóton 𝛾 liberado durante
a reação? (b) De onde vem esta energia? Justifique.

Problema 6.7.18 O principal processo de produção de energia na


superficie do Sol resulta da fusão de átomos de hidrogênio para
formar átomos de hélio. De uma forma bem simplificada, esse processo
pode ser descrito como a fusão de quatro átomos de hidrogênio
(𝑚𝐻 = 1 , 67 × 10−27 kg) para formar um átomo de hélio (𝑚𝐻𝑒 =
6 , 65 × 10−27 kg). Suponha que ocorra 1038 reações desse tipo a cada
segundo. (a) Considerando essas informações, explique como essa
reação pode produzir energia. (b) Com base nas suposições feitas,
calcule a quantidade total de energia liberada a cada segundo.

Problema 6.7.19 Após deixar a sequência principal, qual será o próximo


estágio evolutivo do Sol? Cite as principais características dessa fase.

Problema 6.7.20 Quando uma estrela encolhe, o que acontece com a


intensidade do seu campo gravitacional na superfície? Explique.

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