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Entendendo a Gravidade e Seus Princípios

O documento discute a evolução do entendimento sobre a gravidade, desde a visão Aristotélica até as contribuições de Newton, Galileu e Kepler. Newton, em particular, formulou a lei da gravitação universal e as três leis do movimento, que revolucionaram a física e a compreensão do universo. O capítulo também aborda a importância do método científico e a transição de ideias sobre movimento ao longo da história.
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Entendendo a Gravidade e Seus Princípios

O documento discute a evolução do entendimento sobre a gravidade, desde a visão Aristotélica até as contribuições de Newton, Galileu e Kepler. Newton, em particular, formulou a lei da gravitação universal e as três leis do movimento, que revolucionaram a física e a compreensão do universo. O capítulo também aborda a importância do método científico e a transição de ideias sobre movimento ao longo da história.
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A gravidade 5

Os avanços obtidos por Tycho Brahe, Kepler e Galileu levaram à coleta 5.1 A visão Aristotélica
de uma grande quantidade de dados sobre os movimentos da Lua e sobre o movimento dos
dos planetas. No entanto, ainda faltava uma compreensão do que faz corpos . . . . . . . . . . . 85
os planetas girarem em torno do Sol. Por incrível que pareça, uma das 5.2 O princípio de inércia de
teorias propostas naquela época era que os planetas se movimentavam Galileu . . . . . . . . . . 86
porque atrás deles existiam anjos invisíveis batendo suas asas e impelindo 5.3 A visão Newtoniana do
os planetas para frente. movimento . . . . . . . . 88
5.4 A lei da gravitação de
Graças a Newton, hoje sabemos que o “anjo” invisível não passa de um
Newton . . . . . . . . . . 90
movimento gerado por uma força da natureza: a força gravitacional, ou 5.4.1 A experiência de Caven-
força da gravidade. Isaac Newton nasceu em 1642, no dia de Natal. Filho dish . . . . . . . . . . . . 92
póstumo de um fazendeiro, teve de custear seus estudos trabalhando, 5.4.2 A força gravitacional nas
e foi graças à ajuda de um tio que conseguiu entrar na Universidade proximidades da Terra . 94
de Cambridge em 1661. Quando se formou, em 1665, Isaac Barrow, seu 5.4.3 O movimento dos corpos
professor de matemática, encorajou-o a permanecer em Cambridge. celestes . . . . . . . . . . 95
5.5 O que é a gravidade? . . 96
No verão de 1665, a peste se alastrou rapidamente por Londres, dizimando
5.5.1 Gravidade e relatividade 99
cerca de 70.000 pessoas* . A peste provocou o fechamento da Universidade,
5.6 Problemas . . . . . . . . 100
e Newton refugiou-se em sua fazenda. A melhor descrição do que fez
nesse período foi dada por ele próprio cinquenta anos mais tarde:

“No princípio de 1665, achei o método para aproximar séries e a regra


para reduzir qualquer potência de um binômio a uma tal série (binômio
de Newton e série binomial). No mesmo ano, em maio, achei o método
das tangentes de Gregory e Slusius (fórmula de interpolação de Newton)
e em novembro o método direto das fluxões (cálculo diferencial); no ano
seguinte, em janeiro, a teoria das cores (experiências com o prisma sobre
decomposição da luz branca), e em maio os princípios do método
inverso das fluxões (cálculo integral), e no mesmo ano comecei a pensar
na gravidade como se estendendo até a órbita da Lua e... da lei de Kepler
sobre os períodos dos planetas... deduzi que as forças que mantêm os
planetas e suas órbitas devem variar inversamente com os quadrados de
suas distâncias aos centros em torno dos quais as descrevem: tendo
então comparado a força necessária para manter a Lua em sua órbita
com a força da gravidade na superfície da Terra, e encontrado que
concordavam bastante bem. Tudo isso foi feito nos dois anos de peste,
1665 e 1666, pois naqueles dias eu estava na flor da idade para invenções,
e me ocupava mais de matemática e filosofia do que em qualquer época
posterior.”

Para efetuar o cálculo da força gravitacional a que Newton se refere, ele


já devia dispor da formulação dos princípios fundamentais da dinâmica,
embora não se refira explicitamente a isso. Todos esses resultados foram
obtidos por Newton em sua fazenda, entre 23 e 24 anos de idade.
Em 1669, Newton tornou-se o sucessor de Barrow em Cambridge. No
início de 1684, Robert Hooke, Christopher Wren e Edmund Halley tiveram
* Um ano mais tarde viria o Grande Incêndio de Londres, que arrasou dois terços da cidade

e mudaria para sempre o conceito de cidades no mundo.


5 A gravidade 84

uma discussão em Londres sobre qual seria a órbita de um planeta atraído


pelo Sol com uma força que variasse com o inverso do quadrado da
distância. Seria uma elipse, conforme descrito pela 1𝑎 lei de Kepler?
Hooke acreditava que sim, mas não conseguiu provar. Alguns meses
mais tarde, Halley foi a Cambridge e perguntou a Newton qual seria
a forma da órbita. Newton respondeu imediatamente: “Uma elipse”. –
“Como sabe?”, perguntou Halley, ao que Newton respondeu: “Ora, já sei
isso há muitos anos. Se me der alguns dias, certamente reconstruirei a
prova.”
De fato, Newton havia resolvido esse problema em 1676 ou [Link]
persuadiu Newton a expor suas investigações sobre gravidade e a mecâ-
nica celeste. Newton escreveu-o em 18 meses, e Halley, embora não tivesse
muitos recursos, subvencionou a publicação. Os “princípios matemáticos
da filosofia natural,” usualmente citado como “Principia”, publicado em
1687, é muitas vezes considerado como a obra científica mais importante
e de maior influência até hoje escrita.
No livro I dos “Principia”, Newton formula os princípios fundamentais
da dinâmica (as três leis de Newton) e estuda os diferentes tipos de
órbitas possíveis de uma partícula sob a ação de uma força do tipo da
gravitacional (variando com o inverso do quadrado da distância): órbitas
elípticas, hiperbólicas e parabólicas; mostra também a relação com as
leis de Kepler. Inclui ainda o tratamento da ação de uma esfera sobre
um corpo externo. No livro II, discute o movimento de corpos num
meio com resistência e problemas de mecânica dos fluidos. No livro
III, intitulado “O sistema do mundo”, aplica a lei da gravitação para
discutir o movimento dos satélites em torno dos planetas e dos planetas
em torno do Sol; mostra como calcular as massas dos planetas em termos
da massa da Terra; calcula o achatamento da Terra devido à sua rotação;
calcula o efeito, conhecido como precessão dos equinócios, produzido
sobre a órbita da Terra por esse achatamento; discute as perturbações do
movimento da Lua devidas à ação do Sol; explica as marés, e; calcula as
órbitas dos cometas.
Não há dúvidas que os “Principia” revolucionou a nossa forma de ver o
mundo. Mas, para ter uma noção de como o trabalho de Newton impactou
nossa visão do Universo, precisamos contextualizar sua obra.

Objetivos de Aprendizagem do Capítulo 5

▶ Definir o princípio de inércia e contextualizar sua aplicação.


▶ Descrever as três leis de Newton e saber aplicá-las em problemas
diversos, incluindo movimentos circulares de corpos celestes.
▶ Descrever a força gravitacional e sua relação com a força peso.
▶ Explicar o que é a gravidade e como este conceito é relevante
na Física.

Este capítulo requer que você tenha familiaridade com o conceito


de função. Por isso, dê uma olhada no Apêndice E antes de ler este
capítulo e estude os termos e conceitos que você não conhece antes
de prosseguir.
5 A gravidade 85

5.1 A visão Aristotélica sobre o movimento dos


corpos

Não temos como explicar o movimento dos astros sem discutir o que
provoca este movimento. Mais de 2.000 anos atrás, os gregos buscaram
entender parte deste problema. Eles tinham uma boa compreensão da
física de objetos flutuantes e algumas das propriedades da luz, mas
estavam confusos sobre o movimento. Um dos primeiros a estudar o
movimento seriamente foi Aristóteles, talvez o mais notável filósofo-
cientista da Grécia antiga.
Aristóteles dividiu o movimento em duas classes: movimento natural e
movimento forçado. O movimento natural tinha a ver com a natureza
dos corpos. Para ele, o universo era feito de quatro elementos: água, terra,
fogo e ar. O lugar natural da terra, por ser mais pesada, ficava embaixo.
A água, por ser mais leve que a terra, ficava acima. Os mais leves, fogo e
ar, ficavam mais acima ainda. Usando estes quatro elementos, Aristóteles
foi capaz de descrever o movimento de vários corpos assumindo que
os objetos tendem a voltar ao seu lugar na natureza. Por este motivo, a
fumaça sobe: ela tende a voltar ao seu lugar natural, o ar. Da mesma
forma, quando jogamos uma pedra para o alto, a pedra – que é composta
de terra – cai porque tende a voltar ao seu lugar natural, que é embaixo
de todos os elementos. Isto explica também porque objetos mais pesados
caem mais rápido que objetos mais leves, afinal quanto mais pesada for
uma pedra, maior a quantidade de terra esta pedra tem.
Os movimentos que não eram naturais deveriam ser forçados com
um puxão ou empurrão. Por exemplo, uma caixa parada no chão não
se movimenta naturalmente. Para fazer com que esta caixa se mova,
precisamos forçar o movimento, por exemplo, empurrando a caixa. É
preciso fazer uma força sobre o objeto para que o movimento ocorra.
Enquanto aplicarmos uma força, o movimento forçado ocorre.
As ideias de Aristóteles explicam o que acontece se empurramos ou
puxamos algo, mas falha quando aplicamos a mesma ideia a um projétil.
Por exemplo, se atirarmos uma flecha de um arco, a flecha continua se
movendo mesmo depois de ser empurrada e perder contato com o arco.
Nestas situações, Aristóteles imaginou que o meio no qual o projétil viaja
(no caso, o ar) continua a exercer força sobre a flecha, impulsionando a
flecha para seu alvo.
Esta ideia de o meio fazer força quando a flecha é liberada do arco
foi rejeitada por Hiparco, que supôs que a força que a pessoa e o arco
fazem na flecha era transferida para a própria flecha. Assim, uma flecha
disparada para cima com um arco tem mais potência – ou ímpeto –
para subir do que a terra tem para puxar a flecha de volta para baixo.
Com o tempo, esse ímpeto que existe dentro da flecha vai acabando,
e tão logo isto aconteça ela passará a seguir seu movimento natural,
Figura 5.1: Representação dos movi-
caindo imediatamente em direção ao chão (Figura 5.1). De fato, este mentos forçado, misto e natural num
movimento pode ser visto em qualquer projétil no qual a resistência diagrama retirado de Platica Manual
de Artilleria, de Luis Collado, publi-
do ar não é desprezível (tente lançar uma garrafa de plástico vazia e cado em 1592. (Imagem retirada de
veja o movimento feito), mas não pode explicar o movimento de objetos [Link]
pesados, como uma bala de canhão.
5 A gravidade 86

Mesmo com estas falhas de raciocínio lógico, a teoria de Aristóteles e


Hiparco foi propagada por centenas de anos, com algumas modificações.
Avicenna, um persa que viveu por volta do ano 1000, propôs que um
projétil recebe uma inclinação do arco, e não uma força; esta inclinação
não acaba com o passar do tempo. No vácuo, por exemplo, o projétil
se moveria para sempre, seguindo a inclinação dada a ele. No ar, a
resistência do projétil acaba superando a inclinação, e faz com que o
projétil em algum momento volte ao chão.
Já Averroes definiu força como “um trabalho feito para mudar a condição
de um corpo”, por volta de 1150. Averroes introduziu a ideia de que os
objetos têm resistência para começar a se mover, mas aplicou esta ideia
apenas aos corpos celestes. Foi Tomás de Aquino, em aproximadamente
1250, que estendeu o conceito aos objetos terrestres. Kepler seguiu o
modelo de Averroes-Aquino definindo esta resistência dos corpos em
começar a se mover como inércia, que viria a se tornar o conceito central
da dinâmica de Newton.
Por volta de 1330, o francês Jean Buridan tentou quantificar o ímpeto de
um objeto a partir da sua inércia e da sua velocidade em movimento. A
ideia de Buridan viria a culminar no que hoje chamamos de momento
linear ou quantidade de movimento de um objeto. O discípulo de
Buridan, Alberto da Saxônia, ampliou a teoria dividindo a trajetória de
um projétil em três etapas. Na primeira, o corpo se move na direção do
ímpeto dado pelo impulsor. Na segunda etapa, o ímpeto diminui e o
corpo começa a tender para baixo. Por fim, na terceira etapa o movimento
natural domina e puxa o corpo para baixo até cair no chão.
Mesmo com aperfeiçoamentos ao longo dos milênios, duas afirmações
de Aristóteles prevaleceram por cerca de 2.000 anos. A primeira era que
objetos pesados necessariamente caem mais rápido do que objetos mais
leves. A outra era que objetos em movimento devem necessariamente
ter forças exercidas sobre eles para mantê-los em movimento. Apesar de
sabermos que elas estão erradas, não é supreendente que você também
pense deste jeito de forma inconsciente. Esta visão de mundo predominou
por milênios, o que demonstra ser bastante intuitiva.

5.2 O princípio de inércia de Galileu

As ideias de Aristóteles foram completamente invertidas por Galileu.


Nascido na cidade Pisa em 1564 e filho de uma nobre família florentina,
Galileu Galilei é indiscutivelmente uma das figuras mais fascinantes da
história da ciência.
O contato de Galileu com a teoria do movimento começou quando ele
foi para a universidade em Pisa, na Itália, para estudar medicina. Mas
logo depois de entrar, Galileu passou a estudar matemática e se dedicou
muito pouco aos cursos médicos, até abandonar os estudos de medicina
em 1585. Foi como estudante em Pisa que Galileu demoliu a ideia de que
coisas pesadas caem mais rápido do que coisas mais leves, citando como
contra-exemplo o fato de que pedras de granizo de diferentes tamanhos
atingem o chão ao mesmo tempo caindo da mesma altura.
5 A gravidade 87

Aliás, também é atribuído a Galileu o suposto experimento de soltar


objetos de pesos diferentes da Torre inclinada de Pisa para mostrar que
eles caem com a mesma velocidade e chegam no chão ao mesmo tempo.
Vários historiadores da ciência acreditam que seja muito improvável
que Galileu tenha realizado de fato este experimento. É mais provável
que este experimento do alto da torre tenha sido apenas um argumento
hipotético, mas quer ele tenha realizado o experimento ou não, a proposta
de fazer um experimento para testar uma ideia, e usar os resultados
como evidência para descrever a natureza, foi central para as práticas de
Galileu, e se tornaria a base do método científico moderno.
Mas foi realizando outro experimento que Galileu descobriu um fato notá-
vel sobre o movimento, que foi essencial para a nossa atual compreensão.
Usando bolas de pesos diferentes e planos inclinados, Galileu enunciou
o princípio da inércia. Numa época em que os relógios não tinham o
segundo ponteiro, determinar com exatidão a duração de eventos num
experimento, como quanto tempo uma bola leva pra descer um plano
inclinado, não era fácil. Para contornar o problema, Galileu usou um
relógio d’água e a pulsação do seu próprio pulso para medir o tempo
que as bolas levavam para atingir o fim de um plano inclinado. Fazendo
estes experimentos, Galileu mostrou que os efeitos do movimento eram
os mesmos tanto sobre objetos leves quanto sobre objetos pesados. Isso
ia contra a teoria de Aristóteles – e até mesmo contra o senso comum.
Os cientistas da época argumentaram contra dizendo que, se Galileu
estivesse certo, uma pena e uma bola de canhão chegariam no chão ao
mesmo tempo. Galileu afirmava – corretamente – que quando vemos
uma pena ou uma folha de papel cair mais lentamente que uma bala de
canhão é porque a resistência do ar atrapalha mais o movimento da pena
ou da folha do que o da bala1 . 1: Este experimento é tão famoso na his-
tória da humanidade que foi repetido
À medida que a inclinação do plano inclinado diminuía, Galileu percebeu 400 anos depois pelos astronautas ame-
que as bolas poderiam andar uma distância cada vez maior, e que a ricanos que chegaram na Lua durante a
missão Apollo 15; você pode encontrar
razão pela qual as bolas paravam em algum momento era o contato
o vídeo deste experimento no YouTube,
da bola com a superfície do plano inclinado. Galileu supôs que se não como neste link.
houvesse esta resistência entre a bola e a superfície do plano, a bola
continuaria se movimentando em linha reta indefinidamente† . A partir

Figura 5.2: Experimento do plano inclinado proposto por Galileu para demonstrar o princípio da inércia. À medida que a inclinação do
plano inclinado do lado direito diminui, a bola tende a se movimentar cada vez mais longe; no limite em que a inclinação fosse zero e a
fricção causada pela superfície do plano não existisse, a bola em movimento tenderia a permanecer em movimento, em linha reta e com
velocidade constante.

† Na verdade, Galileu cometeu um erro ao interpretar seus achados: ele supôs que, uma
vez que a Terra está girando, o movimento inercial da bola deve fazer a bola girar também,
e não permanecer em linha reta. Coube a René Descartes demonstrar, anos mais tarde,
que objetos em movimento continuam em linha reta a não ser que uma força aja sobre
5 A gravidade 88

daí, Galileu concluiu que se algo estiver se movendo, sem nada o tocando
e totalmente imperturbado, ele se moverá para sempre, viajando com
velocidade uniforme e em linha reta (Figura 5.2). Por que ele continua
viajando? Galileu não soube explicar, mas percebeu que isso é o que
acontece.

Problema 5.2.1 No vagão de um trem, duas crianças bricam de futebol


de botão. Quando o trem freia, jogadores, traves e bolinha são lançados
para frente. Como explicar isso utilizando o princípio da inércia de
Galileu?

5.3 A visão Newtoniana do movimento

Galileu fez um grande avanço em entender o movimento quando ele


descobriu o princípio da inércia: se um objeto é deixado sozinho e não
é perturbado, ele continua a se mover com uma velocidade constante
em uma linha reta se originalmente ele estava se movendo assim, ou
continua parado se ele estava parado. Obviamente, este nunca parece ser
o caso na natureza, pois se deslizamos um bloco através de uma mesa ele
para, mas isso acontece porque ele não foi deixado sozinho – ele está em
contato com a mesa, e ao se mover ele entra em contato com a superfície
da mesa, causando o que chamamos de atrito. É necessário uma certa
imaginação para achar a regra certa, e essa imaginação foi fornecida por
Galileu.
A próxima coisa necessária é a regra para achar como um objeto muda a
sua velocidade se alguma coisa o está afetando. Esta foi a contribuição
de Newton. Newton escreveu três leis: A primeira lei era uma simples
reafirmação do princípio da inércia de Galileu, descrito acima. A segunda
lei forneceu uma maneira específica de determinar como a velocidade
muda sobre as diferentes influências chamadas de forças. A terceira lei
trata de um princípio de reciprocidade entre dois objetos, e é importante
para descrever as forças em uma certa extensão. Por ora, vamos discutir
a segunda lei, que afirma que o movimento de um objeto é modificado
por forças da seguinte maneira: a taxa de mudança temporal da quantidade
de movimento de um objeto é proporcional à força.
Quantidade de movimento não é a mesma coisa que velocidade. Muitas
palavras são usadas em física, e todas elas têm um significado muito
preciso, apesar de não serem assim na linguagem cotidiana. A quantidade
de movimento é um exemplo; se exercermos um certo empurrão com
nossos braços em um objeto que é leve, ele se move facilmente; se
empurrarmos na mesma quantidade um outro objeto que é muito mais
pesado no senso comum, então ele se move muito menos rápido. Na
verdade, devemos mudar as palavras de “leve” e “pesado” para menos
massivo e mais massivo, respectivamente, porque existe uma diferença a
ser entendida entre peso de um objeto e sua inércia (isto é, o quão difícil
é colocar um objeto em movimento.) Peso e inércia são proporcionais, o
que pode causar uma certa confusão para você.
Usamos o termo massa como uma medida quantitativa da inércia, e
podemos medir massa, por exemplo, ao balançar um objeto em um

eles para mudar a direção da sua trajetória.


5 A gravidade 89

círculo em uma certa velocidade e medindo quanta força é necessária


para mantê-lo no círculo. Dessa maneira, achamos uma certa quantidade
de massa para cada objeto. Por outro lado, a quantidade de movimento
de um objeto é o produto de duas partes: sua massa e sua velocidade.
Assim, a Segunda Lei de Newton pode ser escrita matematicamente desta
maneira2 : 2: Na ciência, usamos o símbolo Δ toda
Δ(𝑚𝑣) vez que queremos expressar uma dife-
𝐹= . (5.1) rença entre duas situações; por exemplo,
Δ𝑡
Δ𝑡 representa uma diferença entre dos
Existem muitos pontos a serem considerados. Ao escrever qualquer lei instantes de tempo, ou seja, um intervalo
de tempo.
como essa, usamos muitas ideias, implicações e suposições intuitivas, e
podemos tomar muitas coisas como certas. Por exemplo, que a massa
de um objeto é constante; isso não é verdade, mas devemos começar
com a aproximação de Newton que a massa é constante, a mesma em
todos os tempos, e que, no futuro, quando colocarmos dois objetos juntos,
suas massas se somam. Essas ideias foram implementadas por Newton
quando ele escreveu sua equação. Se a massa não muda, então a única
forma de mudar o numerador da equação acima é mudando a velocidade,
e podemos então escrever que

𝑚Δ𝑣
𝐹= = 𝑚𝑎, (5.2)
Δ𝑡
onde a aceleração, 𝑎 , é a taxa de mudança da velocidade. Existem algu-
mas implicações em relação à força. Como uma aproximação grosseira,
pensamos na força como um tipo de empurrão ou puxão que fazemos
com nossos músculos, da mesma forma que Aristóteles. Mas podemos
defini-la com maior precisão agora que temos essa lei de movimento. A
coisa mais importante a se perceber é que a relação não envolve somente
mudanças no valor da quantidade de movimento, da velocidade ou
da aceleração. Estas coisas todas têm uma certa direção (ou seja, elas
“apontam” para uma direção no espaço); então, a mudança destas coisas
pode acontecer apenas na direção, mesmo que o valor delas seja o mesmo
em intervalos de tempo diferentes.
A Segunda Lei de Newton diz mais do que o efeito de uma dada força varia
inversamente com a massa; ela também diz que a direção da mudança na
velocidade e a direção da força são as mesmas. Assim, devemos entender
que uma mudança em uma velocidade (ou uma aceleração) tem um
significado mais amplo do que na linguagem comum: A velocidade de
um objeto se movendo pode mudar pelo aumento da sua velocidade,
pela sua diminuição (quando diminui dizemos que acelerou com uma
aceleração negativa), ou mudando a sua direção de movimento.
Logo, se um corpo se acelera, uma força foi aplicada na direção do
movimento. Por outro lado, se o movimento muda para uma nova direção,
uma força deve ter sido aplicada lateralmente. Newton acrescentou a ideia
de que é necessária uma força para mudar a velocidade ou a direção do
movimento de um corpo. Por exemplo, se uma pedra for presa a um fio
e estiver girando em círculo, será necessária uma força para mantê-la
no círculo. Teremos de puxar o fio. Quanto mais massivo for um objeto,
maior será a força necessária para produzir uma dada aceleração3 . 3: A massa pode ser medida prendendo-
se outras pedras na ponta do mesmo
A ideia brilhante resultante das considerações acima é que não é neces- fio e fazendo-as percorrer o mesmo cír-
sária nenhuma força tangencial (isto é, na direção do movimento) para culo à mesma velocidade. Desse modo,
descobre-se que força é necessária, pois
manter um planeta em sua órbita, porque os planetas viajariam naquela
o objeto mais massivo exigirá mais força.
5 A gravidade 90

direção de qualquer maneira. Se não existisse nada para o perturbar, o


planeta deveria ir em uma linha reta, de acordo com o princípio de inércia.
Mas o movimento real desvia-se da linha reta que o corpo iria percorrer
se não houvesse força. O desvio é essencialmente em ângulos retos ao
movimento, não na direção do movimento. Em outras palavras, devido
ao princípio da inércia, a força necessária para controlar o movimento
de um planeta ao redor do Sol não é uma força ao redor do Sol, mas na
direção do Sol.

5.4 A lei da gravitação de Newton

A partir da melhor compreensão da teoria do movimento, Newton


reconheceu que o Sol poderia ser a sede ou a organização das forças que
governam o movimento dos planetas. Newton provou que o fato de que
áreas iguais são percorridas em tempos iguais é um sinal da proposição
de que todos os desvios são precisamente radiais – que a lei das áreas
é uma conseqüência direta da ideia de que todas as forças se dirigem
exatamente em direção ao Sol.
Em seguida, analisando-se a terceira lei de Kepler, é possível mostrar
que, quanto mais afastado o planeta, mais fracas são as forças. Se dois
planetas a diferentes distâncias do Sol são comparados, as forças são
inversamente proporcionais aos quadrados das respectivas distâncias.
Com a combinação das duas leis, Newton concluiu que deve existir uma
força, inversamente proporcional ao quadrado da distância, na direção
de uma linha entre os dois objetos.
Newton supôs que essa relação se aplicava de forma mais geral do que
apenas ao Sol segurando os planetas. Galileu já havia observado que
Júpiter tinha luas girando ao seu redor, como a Lua gira em volta da
Terra, e Newton teve certeza de que cada planeta “prendia” suas luas
com uma força. Ele já conhecia a força que nos prende sobre a Terra4 , 4: Já se sabia que algo atraía os corpos na
então ele propôs que essa era uma força universal – que tudo atrai todo direção da Terra, mas antes de Newton
a maioria supunha que este efeito fosse
o resto. local e só existisse nas vizinhanças da
superfície da Terra. As pessoas acredita-
O próximo problema foi se a atração da Terra sobre seus habitantes era
vam que, longe da Terra, as regras eram
a “mesma” que a sobre a Lua, ou seja, inversamente proporcional ao diferentes.
quadrado da distância. Se um objeto na superfície da Terra cai 5 metros
no primeiro segundo após liberado do repouso, que distância cai a Lua
no mesmo tempo? Poderíamos dizer que a Lua não cai. Mas se nenhuma
força agisse sobre a Lua, ela se afastaria em linha reta. Em vez disso, ela
percorre um círculo, então ela realmente cai em relação a onde estaria se
nenhuma força atuasse. Podemos calcular a partir do raio da órbita da
Lua (de cerca de 386 mil km) e do tempo que ela leva para circundar a
Terra (aproximadamente 29 dias), qual a distância que a Lua percorre
em sua órbita em um segundo e, depois, calcular quanto cai em um
segundo.
O resultado de quanto a Lua cai em um segundo se ajusta bem à lei
do inverso do quadrado, porque o raio da Terra é de 6,4 mil km e, se
algo a 6,4 mil km do centro da Terra cai 4,9 metros em um segundo,
algo equivalente a 386 mil km, ou 60 vezes mais distante, deveria cair
apenas 1/(60)2 de 5 metros, que também é cerca de 7/5 milímetros.
Querendo colocar essa teoria da gravitação a teste através de cálculos
5 A gravidade 91

similares, Newton fez seus cálculos com muito cuidado e encontrou uma
discrepância tão grande que considerou a teoria contestada pelos fatos e
não publicou os resultados. Seis anos depois, uma nova determinação
do tamanho da Terra mostrou que os astrônomos vinham usando uma
distância incorreta até à Lua. Quando Newton soube disso, ele refez os
cálculos com os valores corretos e obteve uma bela concordância.
Essa ideia de que a Lua “cai” é meio confusa porque, como você vê, ela
não chega mais perto. A ideia é interessante o suficiente para merecer
uma explicação adicional: a Lua cai no sentido de que ela se afasta da linha
reta que percorreria se não existissem forças. Vamos tomar um exemplo na
superfície da Terra. Um objeto solto perto da superfície da Terra cairá
4,9 metros no primeiro segundo. Um objeto atirado horizontalmente
também cairá 4,9 metros; mesmo que esteja se movendo horizontalmente,
ele cai os mesmos 4,9 metros no mesmo tempo. A Figura 5.3 mostra
um experimento que demonstra isso. Em uma rampa inclinada está
uma bola que será impelida uma pequena distância à frente e sairá
com um movimento horizontal. Na mesma altura está uma bola que
cairá verticalmente, e existe um circuito elétrico arrumado de forma que
no momento em que a primeira bola deixar a rampa, a segunda bola
será liberada. Que elas chegam à mesma altura no mesmo momento é
testemunhado pelo fato de colidirem em pleno ar.
Um objeto como uma bala, disparado horizontalmente, poderia ir longe Figura 5.3: A figura mostra que o mo-
vimento na direção vertical é indepen-
em um segundo, mas continuará caindo 4,9 metros se disparado horizon-
dente do movimento na direção horizon-
talmente. O que acontece se dispararmos uma bala cada vez mais rápido? tal. Isto é demonstrado pelo fato de que
Não se esqueça de que a superfície da Terra é curva. Se a dispararmos com as duas bolas colidem se forem libera-
das da mesma altura no mesmo instante
rapidez suficiente, ao cair 4,9 metros poderá estar exatamente à mesma de tempo. (Imagem retirada de Feyn-
altura anterior em relação ao solo. Como isso é possível? Ela continua man2008)
caindo, mas a Terra está curvada, de forma que a bala cai “ao redor” da
Terra. A pergunta é, quanto a bala deve percorrer horizontalmente em
um segundo para que a Terra esteja 4,9 metros abaixo?
Na Figura 5.4, vemos a Terra com seu raio 𝑅 = 6.400 km e o caminho
tangencial, retilíneo, 𝑥 que a bala deveria percorrer se não existisse força.
Se usarmos o teorema da média geométrica, podemos mostrar que

𝑥 2 = 𝑠 · (2𝑅 − 𝑠) ≈ 𝑠 · 2𝑅, (5.3)

e com isso veremos que a distância horizontal percorrida é a raiz quadrada


entre os 4,9 metros caídos e os 12.800 quilômetros de diâmetro da Terra,
que resulta em aproximadamente 8 km. Então, vemos que, se uma bala
se move com 8 km por segundo, ela continuará caindo em direção à
Figura 5.4: Aceleração em direção ao
Terra os mesmos 4,9 m/s, mas nunca ficará mais próxima, porque a Terra centro de uma trajetória circular. Da geo-
continuará curva, o que faz ela se afastar da bala. metria plana, 𝑥/𝑆 = (2𝑅 − 𝑆)/𝑥 ≈ 2𝑅/𝑥 ,
onde 𝑅 é o raio da Terra, 6.400 km; 𝑥 é a
distância “percorrida horizontalmente”
em um segundo; e 𝑆 é a distância “de
queda” em um segundo (4,9 m). (Ima-
gem modificada de Feynman2008)
5 A gravidade 92

Problema 5.4.1 (Teorema da média geométrica) Podemos demonstrar


o teorema da média geométrica a partir do teorema de Pitágoras. Con-
sidere a Figura 5.5, na qual pode-se verificar três triângulos retângulos:
△𝐴𝐷𝐶 , △𝐷𝐵𝐶 e △𝐴𝐵𝐶 .

(a) Use o teorema de Pitágoras para escrever uma relação entre as


arestas dos três triângulos.
(b) Some as duas equações obtidas em função de ℎ 2 , e use a terceira Figura 5.5: Problema 5.4.1.
relação para mostrar que ℎ 2 = 𝑝𝑞 . Esta relação é conhecida como
teorema da média geométrica.
(c) Aplique a relação acima no problema discutido anteriormente
para mostrar a equação 5.3. Qual foi a aproximação feita para se
chegar no resultado final? Ela faz sentido? Justifique.

Problema 5.4.2 Podemos usar a discussão anterior para encontrar a


aceleração sentida pelo planeta quando este gira ao redor do Sol. Como
já discutimos, esta aceleração muda a direção da velocidade, e não o seu
valor, pois ela é consequência da força necessária para fazer o planeta
continuar girando e não “escapar” em linha reta. A figura abaixo mostra
a situação de um planeta (ou uma Lua) em duas posições diferentes,
registradas em momentos distintos. O lado esquerdo da figura mostra o
deslocamento do planeta ao descrever uma trajetória circular, enquanto
o lado direito mostra as velocidades do planeta nos dois momentos.

(a) Descreva uma relação matemática entre os valores de 𝑣 1 e 𝑣 2 .


Justifique a sua resposta.
(b) Ao se movimentar de um ponto para outro, no sentido anti-
horário, a posição do planeta “girou” um ângulo 𝜃 . Localize este
ângulo na figura da esquerda, e na relação entre as velocidades
da figura da direita.
(c) Utilize a semelhança de triângulos para mostrar que a aceleração
deste planeta é dada por:

Δ𝑣 𝑣2
𝑎= = . (5.4)
Δ𝑡 𝑅
O resultado acima se aplica em que condições?

5.4.1 A experiência de Cavendish

A grande sacada de Newton foi perceber que a força necessária para


manter os planetas girando ao redor do Sol ou a Lua girando ao redor da
5 A gravidade 93

Terra é a mesma, e poderia ser descrita matematicamente como:

𝑚𝑚 ′
𝐹=𝐺 , (5.5)
𝑟2
onde 𝑚 e 𝑚 ′ são as massas dos corpos que se atraem, e 𝑟 é a distância
entre eles. Na Equação 5.5, 𝐺 é uma constante de proporcionalidade,
necessária para poder determinar quantitativamente o tamanho da força
gravitacional entre dois objetos. A princípio, é possível determinar 𝐺
observando o movimento dos planetas (isto é, medindo a velocidade ao
longo de um intervalo de tempo). Mas havia um problema: a massa da
Terra era desconhecida!
Uma pessoa aparentemente improvável que voltou sua mente para este
problema foi um pároco do interior da Inglaterra chamado John Michell.
Apesar de sua situação remota e comparativamente humilde, Michell
foi um dos grandes pensadores científicos do século XVIII e muito
estimado por isso. Entre muitas outras coisas, ele percebeu a natureza
ondulatória dos terremotos e realizou muitas pesquisas originais sobre
magnetismo e gravidade. Mas de tudo o que Michell realizou, nada
foi mais engenhoso ou teve maior impacto do que uma máquina que
ele projetou e construiu para medir a massa da Terra. Infelizmente, ele
morreu antes que pudesse conduzir os experimentos e tanto a ideia
quanto o equipamento necessário foram passados para um cientista
aposentado chamado Henry Cavendish.
Quando montado, o aparelho de Michell parecia nada mais do que uma Figura 5.6: Representação esquemática
versão do século XVIII de uma máquina de musculação. Incorporou pesos, da configuração experimental de Caven-
dish para determinar a constante gravi-
contrapesos, pêndulos, eixos e fios de torção. No coração da máquina tacional. Toda a configuração é colocada
havia duas bolas de chumbo de quase 160 kg, suspensas ao lado de duas em uma caixa para protegê-la das cor-
esferas menores (Figura 5.6). A ideia era medir a deflexão gravitacional rentes de ar. (Imagem retirada de Ma-
zur2015)
das esferas menores pelas maiores, o que permitiria a primeira medição
da força indescritível conhecida como constante gravitacional, e a partir
da qual a massa da Terra poderia ser deduzida.
Como a gravidade mantém os planetas em órbita e faz com que os objetos
caiam, tendemos a pensar nela como uma força poderosa, mas na verdade
não é. Ela só é poderosa em uma espécie de sentido coletivo, quando
um objeto massivo, como o Sol, se apega a outro objeto massivo, como a
Terra. Em um nível elementar, a gravidade é extraordinariamente não
robusta. Cada vez que você pega um livro de uma mesa ou uma moeda
do chão, você supera sem esforço o esforço gravitacional combinado de
um planeta inteiro. O que Cavendish estava tentando fazer era medir a
gravidade neste nível extremamente leve.
Delicadeza foi a palavra chave. Nem um sussurro de perturbação poderia
ser permitido na sala que continha o aparelho, então Cavendish se
posicionou em uma sala adjacente e fez suas observações com um
telescópio apontado por um olho mágico. O trabalho foi incrivelmente
preciso e envolveu dezessete medições delicadas e interligadas, que
juntas levaram quase um ano para serem concluídas. Quando finalmente
terminou seus cálculos, em 1798, Cavendish anunciou que a Terra pesava
pouco mais de 6 × 1024 kg.5 5: Para botar em perspectiva em quão
grande é esse número: 6 bilhões de tri-
Hoje, os cientistas têm à sua disposição máquinas tão precisas que podem lhões de toneladas!
detectar o peso de uma única bactéria e tão sensíveis que as leituras
podem ser perturbadas por alguém bocejando a 22 m de distância,
5 A gravidade 94

mas não melhoraram significativamente as medições de Cavendish.


A atual melhor estimativa para o peso da Terra é de 5 , 9725 × 1024
kg, uma diferença de apenas cerca de 1% em relação à descoberta de
Cavendish. Curiosamente, tudo isso apenas confirmou as estimativas
feitas por Newton 110 anos antes de Cavendish, sem nenhuma evidência
experimental.
Cavendish alegou que ele estava pesando a Terra, mas o que estava
medindo era o coeficiente 𝐺 da lei da gravidade, pois essa é a única forma
de determinar a massa da Terra. 𝐺 apresentou o valor de 6 , 670 × 10−11
N·m2 /kg2 .6 6: Aqui, N representa “Newton”, a uni-
dade padrão que usamos para medir
É difícil exagerar a importância do efeito sobre a história da ciência força.
produzido por esse grande sucesso da teoria da gravitação. Compare a
confusão, a falta de confiança, o conhecimento incompleto que prevaleceu
nos períodos anteriores, quando existiam intermináveis debates e para-
doxos, com a clareza e a simplicidade dessa lei – esse fato de que todas
as luas, planetas e estrelas têm uma regra tão simples que os governam,
e que, além disso, o ser humano consegue entendê-la e deduzir como
deveriam se deslocar os planetas! Esta é a razão do sucesso das ciências
nos anos posteriores, pois deu esperança de que os outros fenômenos do
mundo também poderiam ter leis tão belamente simples.

5.4.2 A força gravitacional nas proximidades da Terra

De acordo com a lei da gravitação universal, todos os corpos se atraem


mutuamente. Consequentemente, podemos dizer que existe uma força
entre você e a Terra. Podemos utilizar a Equação 5.5 para determinar a
atração gravitacional entre você e a Terra (ou entre a Terra e qualquer
outro objeto próximo à sua superfície).
Desde a experiência de Cavendish, sabemos que a massa da Terra é
aproximadamente 𝑚𝑇 ≈ 5 , 972 × 1024 kg. Se considerarmos a Terra como
uma partícula com toda a sua massa localizada no seu centro, localizado Figura 5.7: Interação gravitacional nas
a 𝑅𝑇 = 6.371 km da sua superfície, então proximidades da Terra; nestas condições,
𝑅𝑇 ≫ ℎ .
𝑚 · 𝑚𝑇 𝑚 · 𝑚𝑇
𝐹𝐺 = 𝐺 =𝐺 , (5.6)
𝑟2 (𝑅𝑇 + ℎ)2

onde 𝑚 é a massa do objeto que é atraído pela Terra e ℎ é a altura do objeto


em relação à superfície da Terra. Se estivermos próximo à superfície da
Terra, de forma que ℎ ≪ 𝑅𝑇 , a equação acima se reduz a
!
𝑚𝑇
𝐹𝐺 = 𝑚 𝐺 2 . (5.7)
𝑅𝑇

Ou seja, a força gravitacional faz com que qualquer objeto de massa 𝑚


localizado na superfície da Terra seja atraído pela Terra com uma força
dada pela equação acima.

Problema 5.4.3 Podemos usar a equação da força gravitacional na


superfície da Terra para determinar numericamente o tamanho da
atração da Terra nos objetos próximos à sua superfície.
5 A gravidade 95

(a) Mostre que !


𝑚𝑇
𝐺 2 (5.8)
𝑅𝑇
tem unidades de aceleração.
(b) Uma vez que 𝐺 , 𝑚𝑇 e 𝑅𝑇 são valores constantes e é uma ace-
leração, concluímos que a força gravitacional que a Terra puxa
qualquer objeto próximo à sua superfície faz com que os obje-
tos sejam atraídos para o centro da Terra com uma aceleração
constante. Calcule o valor desta aceleração a partir da equação
acima.

Uma vez que a aceleração com que a Terra atrai um objeto na sua
superfície é constante, tipicamente definimos esta constante como 𝑔 , e
escrevemos que a força gravitacional com que a Terra puxa uma objeto
de massa 𝑚 é dada por 𝐹 = 𝑚 · 𝑔 . Chamamos esta força de força peso. O
peso é, na realidade, a força da gravidade associada a um objeto. O peso
de um objeto depende da sua localização; o peso de um objeto na Terra
é diferente do peso do mesmo objeto na Lua e é quase nulo se o corpo
estiver no espaço sideral.7 O peso de um objeto está relacionado à sua 7: Você consegue explicar por que isso é
massa, que é a quantidade de matéria que existe no corpo. Entretanto, verdade?
massa e peso não são a mesma coisa. No espaço interestelar, o peso de
qualquer corpo é praticamente zero, mas a massa é a mesma que se o
corpo estivesse na Terra.
Há um detalhe sutil na análise que acabamos de fazer – o tempo inteiro
pensamos no fato de que a Terra atrai qualquer objeto para o seu centro,
“puxando” este objeto com uma aceleração 𝑔 . Mas, pensando do ponto
de vista do objeto, poderíamos argumentar que é o objeto quem atrai a
Terra, e portanto a Terra deveria ser puxada em direção ao objeto com
uma determinada aceleração.
Na verdade, isto também ocorre. Ao apresentar os princípios do movi-
mento, Newton descreveu uma propriedade geral sobre qualquer força:
“A toda força que age sobre um objeto corresponde uma outra força
igual e na direção contrária, ou seja, as ações mútuas de dois corpos
um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos”. A
afirmação acima é conhecida como a 3 𝑎 lei de Newton ou princípio de
reciprocidade. Ao aplicar este princípio para o caso que acabamos de
analisar, podemos dizer que se a Terra atrai um objeto de massa 𝑚 com
uma força 𝐹 = 𝑚 · 𝑔 , então este objeto de massa 𝑚 também atrai a Terra
com a mesma força, mas no sentido oposto. Nós apenas não vemos o
resultado desta atração devido à grande inércia da Terra, pois esta força 𝐹
irá provocar uma aceleração na Terra igual a 𝑎𝑇 = 𝐹/𝑚𝑇 . Como a massa
da Terra é muito grande, a aceleração resultante da interação deste objeto
𝑚 na Terra é próxima de zero.

5.4.3 O movimento dos corpos celestes

Também podemos utilizar a lei da gravitação universal para analisar


quantitativamente o movimento de qualquer astro, como o movimento
dos planetas em torno do Sol. Vamos tomar o movimento da Terra em
torno do Sol como um exemplo. Se aproximarmos este movimento como
5 A gravidade 96

circular‡ , podemos usar tudo o que aprendemos neste capítulo para


escrever que a força de atração gravitacional entre a Terra e o Sol, 𝐹𝑇,𝑆
é:
𝑚𝑇 𝑚𝑆
𝐹𝑇,𝑆 = 𝐺 2 , (5.9)
𝑑𝑇,𝑆
onde 𝑑𝑇,𝑆 é a distância média entre a Terra e o Sol (147,88 milhões de km).
É esta força que faz a Terra girar ao redor do Sol, mudando a direção da
velocidade de movimento da Terra. Logo, pela segunda lei de Newton,

𝑚𝑇 𝑚𝑆 𝑣𝑇2
𝐺 2
= 𝑚𝑇 · 𝑎 = 𝑚𝑇 · . (5.10)
𝑑𝑇,𝑆 𝑑𝑇,𝑆

Multiplicando ambos os membros da equação por 𝑑𝑇,𝑆 e dividindo


ambos os membros por 𝑚𝑇 , vemos que a velocidade com que a Terra gira
ao redor do Sol é dada por:
r
𝑚𝑆 𝑚𝑆
𝑣𝑇2 =𝐺 −→ 𝑣𝑇 = 𝐺 . (5.11)
𝑑𝑇,𝑆 𝑑𝑇,𝑆

Considerando a massa do Sol como 1 , 989 × 1030 kg, e a distância entre


o Sol e a Terra dada acima, temos aproximadamente que a velocidade
com que a Terra gira ao redor do Sol é de 𝑣𝑇 ≈ 30 mil m/s, ou 108 mil
km/h.
De uma forma geral, a equação 5.10 é muito mais profunda. Ela nos
diz que para uma dada distância, 𝑟 , entre um astro e um corpo central,
existe uma e apenas uma velocidade, 𝑣 , na qual o astro pode permanecer
em órbita. Mais interessante ainda é o fato de que a velocidade para o
astro permanecer em órbita não depende da massa do astro. Uma laranja
girando em torno da Terra à mesma distância da Lua completaria uma
órbita a cada 29 dias, exatamente como a Lua.

5.5 O que é a gravidade?

Mas será que essa lei da gravitação é tão simples assim? E quanto ao
seu mecanismo? Tudo que fizemos foi descrever como a Terra se move
ao redor do Sol, mas não dissemos o que faz a Terra se mover. Newton
não fez nenhuma hipótese sobre isso; ele ficou satisfeito em descobrir
o que ela fazia sem penetrar no seu mecanismo. Ninguém desde então
forneceu qualquer mecanismo. Isso é uma característica das leis físicas,
elas têm esse caráter abstrato. A lei da conservação de energia (Seção
2.4) é um teorema envolvendo quantidades que têm de ser calculadas e
somadas, sem menção ao mecanismo; de forma análoga as grandes leis
da mecânica são leis matemáticas quantitativas para as quais nenhum
mecanismo está disponível. Por que conseguimos usar a matemática para
descrever a natureza sem um mecanismo por trás dela? Ninguém sabe.
Muitos mecanismos para a gravitação têm sido sugeridos. É interessante
examinar um deles, no qual muitas pessoas têm pensado de tempos em
tempos. No início, fica-se muito entusiasmado e contente ao “descobri-
lo”, mas logo se verifica que não está correto. Isso foi descoberto em torno

‡ Esta
não é uma aproximação ruim, pois apesar de saber que o movimento é uma elipse, a
excentricidade desta elipse é próxima de zero.
5 A gravidade 97

de 1750. Suponha que existissem muitas partículas movendo-se pelo


espaço a altíssima velocidade, em todas as direções, e sendo só levemente
absorvidas ao atravessar a matéria. Quando elas são absorvidas, dão um
impulso à Terra. Entretanto, uma vez que a quantidade de partículas
em uma direção é a mesma que na direção contrária, os impulsos se
equilibram. Mas, quando o Sol está próximo, as partículas que vêm na
direção da Terra passando pelo Sol são parcialmente absorvidas, então
menos partículas vêm do Sol do que do outro lado. Portanto, a Terra sente
um impulso total em direção ao Sol, e não se leva muito tempo para notar
que é inversamente proporcional ao quadrado da distância – por causa da
variação do ângulo sólido que o Sol subtende ao variarmos a distância.
O que está errado nesse mecanismo? Ele envolve algumas consequências
que não são verdadeiras. Esta idéia específica tem o seguinte problema: a
Terra, ao girar em torno do Sol, colidiria com mais partículas vindas da
frente do que vindas de trás (da mesma forma que quando você corre
na chuva, as gotas no rosto são mais fortes do que na parte de trás da
cabeça). Portanto, a Terra receberia mais impulso da frente e sentiria
uma resistência ao movimento, que reduziria a velocidade em sua órbita.
Pode-se calcular quanto tempo a Terra levaria para parar como resultado
dessa resistência, e em pouco tempo a Terra estaria parada na órbita, de
modo que esse mecanismo não funciona. Nenhum mecanismo jamais foi
inventado que “explique” a gravidade sem também prever algum outro
fenômeno que não existe.
Também não existe nenhuma explicação da gravitação em termos de
outras forças até o presente momento. Ela não é um aspecto da eletri-
cidade ou de qualquer outra coisa desse tipo, de modo que não temos
nenhuma explicação. Porém, a gravitação é muito semelhante a outras
forças que conhecemos, e é interessante observar analogias. Por exemplo,
a força elétrica entre dois objetos com carga elétrica se parece com a lei
da gravitação: a força elétrica é uma constante vezes o produto das cargas,
e varia inversamente com o quadrado da distância. Ela é no sentido
contrário – os semelhantes se repelem. Mesmo assim, não é notável que
as duas leis envolvam a mesma função em relação à distância? Talvez a
gravitação e a eletricidade estejam muito mais intimamente relacionadas
do que imaginamos. Várias foram as tentativas de unificá-las; a chamada
teoria de campos é apenas uma tentativa muito elegante de combinar
eletricidade e gravitação; mas, ao se comparar a gravitação com a ele-
tricidade, o mais interessante são as intensidades relativas das forças.
Qualquer teoria que contenha ambas deve também obter quão forte a
gravidade é.
Se considerarmos, em alguma unidade natural, a repulsão (elétrica) entre
dois elétrons devido às suas cargas e a atração (gravitacional) entre dois
elétrons devido às suas massas, poderemos medir a razão entre a repulsão
elétrica e a atração gravitacional. A razão é independente da distância
e é uma constante fundamental da natureza. A atração gravitacional
em relação à repulsão elétrica entre dois elétrons é 1 dividido por
4 , 17 × 1042 ! A pergunta é: de onde vem um número tão grande? Ele não é
acidental. Consideramos dois aspectos naturais da mesma coisa (elétron).
Esse número fantástico é uma constante natural, então ele envolve algo
profundo na natureza. De onde viria tal número tão espantoso? Há quem
diga que descobriremos um dia a “equação universal”; e uma de suas
raízes será este número. É muito difícil encontrar uma equação com um
5 A gravidade 98

número tão fantástico como raiz natural.


Outras possibilidades foram imaginadas; uma é relacioná-lo à idade do
Universo. Claramente, temos de encontrar outro número grande em outra
parte. Mas nos referimos à idade do Universo em anos? Não, porque os
anos não são “naturais”; eles foram concebidos pelos homens. Como
exemplo de algo natural, consideremos o tempo levado pela luz para
atravessar um próton, 10−24 segundos. Se compararmos esse tempo com
a idade do Universo, 2 × 1010 anos, a resposta é 10−42 . Ele tem quase o
mesmo número de zeros, então foi proposto que a constante gravitacional
está relacionada à idade do Universo. Se isso fosse verdade, a constante
gravitacional mudaria com o tempo, pois, à medida que o Universo
envelhecesse, a razão entre a idade do Universo e o tempo levado pela
luz para atravessar um próton gradualmente aumentaria. É possível que
a constante gravitacional esteja mudando com o tempo? Sem dúvida, as
mudanças seriam tão pequenas que é difícil saber ao certo.
Um teste que alguém pode pensar é determinar qual teria sido o efeito
da mudança nos últimos 𝑙 09 anos, que é aproximadamente o período
da vida terrestre mais primitiva até agora e um décimo da idade do
Universo. Nesse período, a constante gravitacional teria aumentado cerca
de 10%. A partir disso revelou-se que considerando a estrutura do Sol
podemos deduzir que, se a gravidade fosse 10% mais forte, o Sol seria
muito mais do que 10% mais brilhante – através da sexta potência da
constante gravitacional! Se calcularmos o que acontece com a órbita da
Terra quando a gravidade está mudando, descobriremos que a Terra
estaria mais próxima do Sol. De modo geral, a Terra seria cerca de 100 𝑜 C
mais quente, e toda a sua água não estaria no mar, mas sim evaporada no
ar, então a vida não teria começado no mar. Sendo assim, não acreditamos
agora que a constante gravitacional esteja mudando com a idade do
Universo. Mas argumentos como este que acabamos de dar não são muito
convincentes e a discussão não está totalmente encerrada.
É um fato de que a força da gravidade é proporcional à massa, a quanti-
dade que é fundamentalmente uma medida da inércia – de quão difícil
é deter algo que está girando em círculo. Portanto, dois objetos, um
pesado e o outro leve, girando em torno de um objeto maior no mesmo
círculo e à mesma velocidade devido à gravidade, permanecerão juntos
porque girar em círculo requer uma força que é mais forte para uma
massa maior. Ou seja, a gravidade é mais forte para uma dada massa,
justamente na proporção certa para que os dois objetos girem juntos.
Se um objeto estivesse dentro do outro, permaneceria dentro; é um
equilíbrio perfeito. Portanto, astronautas achariam coisas “sem peso”
dentro de uma espaçonave; se por acaso soltassem um pedaço de giz, por
exemplo, este giraria ao redor da Terra exatamente da mesma maneira
que toda a espaçonave, e então pareceria suspenso diante deles no espaço.
É muito interessante que essa força seja exatamente proporcional à massa
com grande exatidão, porque, se não o fosse, haveria algum efeito pelo
qual inércia e peso difeririam. A ausência de tal efeito foi testada com
grande precisão por uma experiência realizada primeiro por Eötvös, em
1909, e mais recentemente por Dicke. Para todas as substâncias testadas,
as massas e os pesos são exatamente proporcionais com 1 parte em
[Link], ou menos. Essa é uma experiência extraordinária.
5 A gravidade 99

5.5.1 Gravidade e relatividade

Outro tema que merece menção é a modificação de Einstein da lei da


gravitação de Newton. Apesar de todo o entusiasmo criado, a lei da
gravitação de Newton não está totalmente correta! Ela foi modificada por
Einstein no intuito de levar em conta a teoria da relatividade. Segundo
Newton, o efeito gravitacional é instantâneo, ou seja, se deslocássemos
determinada massa, sentiríamos imediatamente uma nova força devido
à nova posição daquela massa; desse modo, poderíamos enviar sinais
com velocidade infinita.
Einstein apresentou argumentos que sugerem que não podemos enviar
sinais acima da velocidade da luz, então a lei da gravitação deve estar
errada. Ao corrigi-la, para levar em conta esse atraso, obtemos uma nova
lei. Uma característica dessa nova lei, que é bem fácil de compreender,
é: na teoria da relatividade de Einstein, qualquer coisa que tem energia
tem massa – massa no sentido de ser gravitacionalmente atraído. Mesmo
a luz, que carrega energia, pode ser gravitacionalmente atraída. Quando
um feixe de luz passa pelo Sol, é atraído por ele. Então, a luz não segue
reta, mas é desviada. Durante o eclipse do Sol, por exemplo, as estrelas
que estão ao seu redor devem aparecer deslocadas de onde estariam se o
Sol não estivesse ali, e isso foi observado.
Finalmente, podemos comparar a gravitação com outras teorias. Nos
últimos anos, descobrimos que toda massa é constituída de minúsculas
partículas e que existem várias formas de interações, tais como forças
nucleares, etc. Nenhuma dessas forças, nuclear ou elétrica, se relacionam
para explicar a gravitação. Os aspectos quânticos da natureza ainda não
foram transportados para a gravitação. Quando a escala é tão pequena
que precisamos dos efeitos quânticos, os efeitos gravitacionais são tão
fracos que ainda não surgiu a necessidade de se desenvolver uma teoria
quântica da gravitação. Por outro lado, para ter consistência em nossas
teorias físicas, seria importante verificar se a lei de Newton modificada
na lei de Einstein poderá ser ainda mais modificada para se tornar
consistente com o princípio da incerteza. Esta última modificação ainda
não foi completada ainda.
5 A gravidade 100

5.6 Problemas

- problema 5.4.2

A visão Newtoniana do movimento

Problema 5.6.1 Você está dirigindo em uma estrada retilínea com


velocidade constante de 90 km/h. (a) Existem forças agindo sobre o
carro? Justifique. (b) Se o carro começar a fazer uma curva, mantendo
a velocidade de 80 km/h, as forças que agem sobre o carro serão
equilibradas ou desequilibradas? Justifique.

Problema 5.6.2 Uma bola de vôlei está quicando no chão, chegando


a uma altura máxima de 1 metro. Quanto tempo essa bola fica no ar?
Quais forças atuam na bola? Considerando que o tempo em que a
bola mantém contato com o chão é de 5 milissegundos, esboce em um
gráfico a força total exercida na bola como função do tempo.

Problema 5.6.3 Um astronauta, utilizando um dinamômetro, deter-


mina o peso de um corpo na Terra e na Lua, encontrando os valores
4,9 N e 0,80 N, respectivamente. Sendo a aceleração da gravidade na
superfície da Terra 9,8 m/s2 , determine (a) a massa do corpo e (b) a
aceleração da gravidade na superfície da Lua.

Problema 5.6.4 Uma bala de fuzil de massa igual a 20 g atinge uma


árvore com velocidade de 500 m/s, penetrando nela uma profundidade
de 10 cm. (a) Calcule a força média que a bala deve exercer na árvore
para penetrar esta profundidade. (b) Calcule a força média exercida
sobre a bala durante a penetração.

Problema 5.6.5 (a) Determine o momento adquirido por uma massa


de 1 g, 1 kg e 103 kg quando cada uma percorre em queda a distância de
100 m. (b) Como o momento adquirido pela Terra é igual em módulo e
de sentido oposto, determine a velocidade (para cima) adquirida pela
Terra. O que se conclui disso?

Problema 5.6.6 Um atleta de 65 kg é capaz de alcançar a velocidade


de 9,5 m/s numa distância de 8 m a partir do repouso. (a) Qual o
tempo necessário para atingir esta velocidade? (b) qual a aceleração
do atleta neste instante? (c) Qual a força necessária para produzir esta
aceleração? (d) De onde vem esta força?
5 A gravidade 101

A lei da gravitação universal

Problema 5.6.7 Determine a intensidade da força com que o Sol atrai a


Terra e da força com que a Terra atrai o Sol. Como esta força se compara
com as forças que experimentamos no nosso dia-a-dia?

Problema 5.6.8 Determine a intensidade da força com que duas


laranjas que estão encostadas uma na outra se atraem. Como esta força
se compara com as forças que experimentamos no nosso dia-a-dia? A
partir deste resultado, o que você pode concluir a respeito da força
gravitacional entre os objetos “normais” que fazem parte do nosso
dia-a-dia?

Problema 5.6.9 Sabendo que o raio do Sol é 110 vezes maior do que o
da Terra e sua densidade é 1/4 da densidade média da Terra, determine
o valor da aceleração da gravidade na superfície do Sol.

Problema 5.6.10 Muitas pessoas acreditam que os astronautas que


orbitam a Terra estão “acima da gravidade”. É possível verificar se
esta afirmação é verdadeira comparando a força da gravidade em um
ônibus espacial, que orbita em torno de 200 km acima da superfície da
Terra, com a força da gravidade na superfície da Terra. Considerando
este cálculo, o que você pode dizer a respeito da afirmação acima?

Problema 5.6.11 Calcule a força da gravidade exercida sobre uma


pessoa de 65 kg (a) na superfície da Terra; (b) a uma distância igual a
duas vezes o raio da Terra; (c) em um poço muito profundo que chega
à metade do raio da Terra; (d) Esboce o gráfico da força gravitacional
em função da distância, a partir do centro da Terra. Que relação você
espera observar?

Exercícios Extras

Problema 5.6.12 Um objeto encontra-se em repouso num plano ho-


rizontal perfeitamente liso. Num instante 𝑡0 uma forca horizontal de
módulo constante é aplicada ao objeto. Sob ação dessa força o objeto é
acelerado e, num instante posterior 𝑡 quando a velocidade do objeto é
𝑣 , a força é retirada. Descreva o movimento do objeto após o instante 𝑡 .

Problema 5.6.13 Nas figuras ao lado (I, II III), as forças que agem sobre
as partículas têm todas o mesmo módulo. As partículas estão todas
em movimento. Qual delas está em movimento retilineo uniforme? Figura 5.9: Problema 5.6.13.
Justifique.

Problema 5.6.14 Uma partícula de massa 0,50 kg está em movimento.


Sua velocidade varia de 3,0 m/s a 5,0 m/s nos primeiros 10 s. Qual é o
módulo da força resultante que age sobre a partícula?
5 A gravidade 102

Problema 5.6.15 (a) Qual é o valor, em newtons, da força média


necessária para fazer parar um automóvel de 1 , 5 × 103 kg a uma
velocidade de 72 km/h em 3 s? (b) E qual seria o valor da força média
necessária para fazer parar o mesmo automóvel num percurso de 20
m?

Problema 5.6.16 (a) Calcule quanto tempo deve atuar uma força
constante de 80 N sobre um corpo de 12,5 kg de massa para lhe
imprimir uma velocidade de 72 km/h a partir do repouso. (b) Quanto
tempo demorará, e em que direção, deve a mesma força atuar sobre o
corpo para deixa-lo em repouso?

Problema 5.6.17 Você decide empurrar um caixote de madeira de 50


kg sobre um piso também feito de madeira, mantendo a velocidade de
2,0 m/s. (a) Qual o valor da força que você deve exercer sobre o caixote
para que a situação acima aconteça? (b) Se você parar de empurrar o
caixote, qual distância o caixote percorrerá, escorregando, até parar? (c)
Qual a origem da força atuando sobre o caixote a partir do momento
que você para de empurra-lo?

Problema 5.6.18 Determine a velocidade com que a Lua gira ao redor


da Terra.

Problema 5.6.19 Que alteração sofreria o módulo da aceleração da


gravidade se a massa da Terra fosse reduzida à metade e o seu raio
diminuído de 1/4 do seu valor real?

Problema 5.6.20 Um satélite de massa 𝑚 gira com velocidade angular


𝜔 constante em torno de um planeta de massa 𝑀 , em órbita circularde
raio 𝑅 . (a) Faça um desenho da situação e represente, por setas, a(s)
força(s) que atua(m) no satélite. (b) Calcule a velocidade angular 𝜔 do
satélite em função de 𝑀 , 𝑅 e 𝐺 (constante de gravitação universal).

Problema 5.6.21 Em certo sistema planetário, alinham-se, num dado


momento, um planeta, um asteróide e um satélite, como representa
a figura. Sabe-se que: (1) a massa do satélite é mil vezes menor que a
Figura 5.10: Problema 5.6.21.
massa do planeta, e; (2) o raio do satélite é muito menor que o raio 𝑅
do planeta. Determine a razão entre as forças gravitacionais exercidas
pelo planeta e pelo satélite sobre o asteróide.

Problema 5.6.22 A massa da Lua é 𝑀𝐿 = 7 , 18 × 1022 kg e o raio da


Lua é 𝑅 𝐿 = 1738 km. Se uma pessoa tem 60 kg, quanto pesará na Lua?

Problema 5.6.23 Se o Sol tivesse uma massa duas vezes maior, a Terra
teria que se mover mais depressa ou mais devagar para se manter na
mesma órbita? Argumente quantitativamente.
5 A gravidade 103

Problema 5.6.24 Um avião está voando horizontalmente com veloci-


dade de 1000 km/h (280 m/s) quando um motor cai. Desprezando
a resistência do ar, suponha que ele leva 30 s para o motor atingir o
solo. (a) Determine a altitude que o avião estava quando o motor cai.
(b) Determine a distância horizontal da queda do motor do avião. (c)
Se o avião de alguma forma continuar a voar como se nada tivesse
acontecido, onde está o motor em relação ao avião no momento em
que o motor atinge o solo? Justifique.

Problema 5.6.25 Uma pedra lançada horizontalmente de uma ponte


atinge a água abaixo. A rocha percorre uma trajetória parabólica suave
no tempo 𝑡 . Qual é a altura da ponte da qual a pedra foi lançada, em
termos de 𝑡 ?

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