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Estágio em Etologia: Felinos em Cativeiro

O estágio supervisionado focou em levantamento bibliográfico sobre etologia, com ênfase em felinos e onças-pardas em cativeiro, abordando comportamento natural e bem-estar animal. As atividades incluíram leitura e síntese de artigos científicos, culminando na elaboração de uma síntese final que relaciona teoria e prática em etologia. O estágio proporcionou uma compreensão aprofundada dos desafios e estratégias para promover o bem-estar de felinos em ambientes controlados.

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Estágio em Etologia: Felinos em Cativeiro

O estágio supervisionado focou em levantamento bibliográfico sobre etologia, com ênfase em felinos e onças-pardas em cativeiro, abordando comportamento natural e bem-estar animal. As atividades incluíram leitura e síntese de artigos científicos, culminando na elaboração de uma síntese final que relaciona teoria e prática em etologia. O estágio proporcionou uma compreensão aprofundada dos desafios e estratégias para promover o bem-estar de felinos em ambientes controlados.

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE - UPM

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE


CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM BIOLOGIA II

LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO E SÍNTESE DE ARTIGOS E ESTUDOS DE


ETOLOGIA

DANIEL GIOIA ÁVILA OLIVIERA

MÔNICA PONZ LOURO

Relatório de estágio apresentado a


Universidade Presbiteriana Mackenzie, Curso
de Ciências Biológicas, como forma de
avaliação da disciplina ESTÁGIO II

_____________________________________ ___________________________________

Assinatura do Aluno Assinatura do Supervisor/Orientador

São Paulo - SP
2025
1. RESUMO

O estágio consistiu em levantamento bibliográfico sobre etologia, com


foco progressivo em felinos e onças-pardas (Puma concolor) em cativeiro. As
atividades incluíram organização temática, leitura e síntese de artigos
científicos. O trabalho abordou comportamento natural e em cativeiro, com
ênfase em bem-estar e enriquecimento ambiental.

2. INTRODUÇÃO

A etologia é o ramo da biologia que estuda o comportamento animal em


seus aspectos naturais e evolutivos, sendo essencial para compreender como
diferentes espécies interagem com o ambiente e com outros indivíduos. Desde
suas bases fundadas por pesquisadores como Konrad Lorenz e Nikolaas
Tinbergen, a etologia tem se desenvolvido como uma ciência integradora, que
relaciona biologia, ecologia, psicologia e neurociências no entendimento dos
comportamentos inatos e adquiridos dos animais (ALCOCK, 2014;
TINBERGEN, 1963). O comportamento animal, especialmente em espécies
selvagens, é moldado por pressões ambientais, necessidades fisiológicas e
interações sociais, refletindo estratégias adaptativas que favorecem a
sobrevivência e o sucesso reprodutivo.

No contexto contemporâneo, a etologia tem ampliado sua aplicação para


além dos ambientes naturais, passando a investigar também o comportamento
de animais mantidos sob cuidados humanos, como em zoológicos, centros de
reabilitação e criadouros. A manutenção de animais em cativeiro, embora tenha
como objetivo principal a conservação e educação ambiental, impõe desafios
significativos à expressão dos comportamentos naturais. Dentre os grupos
mais afetados por essas condições estão os felinos, especialmente os de
médio e grande porte, cuja complexidade comportamental exige ambientes
enriquecidos e manejos específicos para assegurar seu bem-estar
(MALLAPUR et al., 2002; CARLSTEAD, 1998).

Nesse cenário, o presente estágio teve como objetivo a realização de


um levantamento bibliográfico sistemático, organizado por temas, iniciando-se
com a etologia geral e avançando progressivamente para a etologia de felinos
e, por fim, para o estudo específico do comportamento da onça-parda (Puma
concolor) em cativeiro. Esta espécie, também conhecida como suçuarana ou
puma, é o segundo maior felino das Américas e apresenta ampla distribuição
geográfica, o que contribui para uma grande variação em seus padrões
comportamentais. Em cativeiro, no entanto, essa flexibilidade comportamental
pode ser limitada, favorecendo o aparecimento de estereotipias e outros sinais
de estresse crônico, especialmente quando o ambiente não atende às suas
demandas ecológicas e comportamentais básicas (ZUERCHER et al., 2001).

A importância do estudo do comportamento de felinos em cativeiro está


diretamente relacionada à promoção de seu bem-estar, ao desenvolvimento de
práticas de manejo adequadas e à elaboração de estratégias de
enriquecimento ambiental. Tais estratégias visam estimular comportamentos
naturais, reduzir o estresse e promover uma melhor qualidade de vida para os
animais mantidos em instituições. A análise etológica, portanto, oferece
ferramentas fundamentais para avaliar e aprimorar as condições de cativeiro,
contribuindo tanto para a conservação ex situ quanto para a geração de
conhecimento científico aplicável à biologia da conservação (YOUNG, 2003).

Dessa forma, o estágio possibilitou a imersão teórica em temas centrais


da etologia aplicada, proporcionando não apenas uma compreensão
aprofundada sobre o comportamento animal, mas também uma visão crítica
sobre os desafios e potencialidades da manutenção de felinos em ambientes
controlados. A seguir, serão apresentadas em detalhes as atividades
desenvolvidas, os conteúdos abordados e os principais achados obtidos ao
longo do período de estágio.

3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES REALIZADAS

O estágio supervisionado foi realizado no período de 24 de março a 6 de


junho de 2025, totalizando 180 horas obrigatórias, cumpridas no turno da tarde,
das 13h às 17h, com dedicação de segunda a sexta-feira, tanto em modalidade
presencial no campus da Universidade Presbiteriana Mackenzie quanto em
regime de home office. O objetivo principal do estágio foi desenvolver um
levantamento bibliográfico aprofundado sobre etologia, com foco progressivo
em felinos em geral e, posteriormente, em onças-pardas (Puma concolor)
mantidas em cativeiro.

Na primeira semana do estágio, compreendida entre os dias 24 e 28 de


março, as atividades estiveram voltadas à organização inicial da rotina de
trabalho. Nesse período, foi realizada uma reunião com a supervisão de
estágio para alinhamento das expectativas e das metodologias a serem
utilizadas. Em seguida, foi elaborado um cronograma de atividades semanais,
segmentado por temas, de modo a garantir uma progressão lógica e
aprofundada ao longo das semanas. Também foi definida a estratégia
metodológica para o levantamento bibliográfico, contemplando a seleção das
bases de dados, os critérios de inclusão de artigos, a padronização das
anotações e a forma de organização das referências. Softwares como
Mendeley e planilhas digitais foram configurados para garantir eficiência no
armazenamento e acesso rápido ao material coletado. Essa semana foi
fundamental para estruturar o desenvolvimento do trabalho nas semanas
seguintes, garantindo clareza na execução das tarefas.

Entre os dias 31 de março e 4 de abril, o foco foi direcionado ao estudo


da etologia geral. As tardes de trabalho foram dedicadas à leitura aprofundada
de livros clássicos e contemporâneos da área, como as obras de Konrad
Lorenz, Nikolaas Tinbergen e John Alcock, além da busca ativa por artigos
científicos em plataformas como SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Os
principais conceitos da etologia foram revisados e sistematizados, incluindo
comportamento instintivo, aprendizagem, imprinting, comunicação,
territorialidade e seleção natural de comportamentos. Além da leitura, foram
elaborados resumos analíticos e fichamentos, discutindo as implicações desses
conceitos em contextos de pesquisa com animais silvestres. Essa etapa teve
grande importância para construir uma base teórica sólida para as etapas
seguintes.

Durante a semana de 7 a 11 de abril, o foco das atividades passou a ser


a etologia de felinos de forma ampla. A literatura consultada nessa etapa
incluiu artigos científicos e livros especializados que abordavam os
comportamentos típicos da família Felidae, tanto em espécies selvagens
quanto domesticadas. As análises envolveram temas como territorialidade,
comunicação por feromônios e vocalizações, padrões de caça, reprodução,
interações sociais e marcação de território. Foram feitas comparações entre o
comportamento de grandes felinos como leões, tigres e onças, e de espécies
menores como gatos domésticos e jaguatiricas. Além disso, foram identificadas
variações comportamentais de acordo com o habitat e a disponibilidade de
recursos, aspectos que influenciam diretamente a etologia de cada espécie.
Essa fase foi marcada por um aprofundamento teórico significativo, que serviu
de transição para a abordagem do comportamento em cativeiro.

Na semana seguinte, de 14 a 18 de abril, a atenção se voltou à etologia


de felinos em ambientes de cativeiro. As tardes de estágio foram utilizadas
para reunir e estudar artigos que tratavam de modificações comportamentais
em função do confinamento. Nessa etapa, temas como estereotipias, estresse,
estratégias de enriquecimento ambiental e impactos do ambiente físico sobre o
bem-estar dos animais foram centrais. Estudos de caso realizados em
zoológicos e centros de conservação no Brasil e em outros países forneceram
exemplos práticos de como o cativeiro influencia negativamente (ou, em alguns
casos, positivamente) os padrões naturais de comportamento. Foram também
discutidas soluções adotadas para amenizar os efeitos do confinamento,
incluindo o enriquecimento ambiental alimentar, cognitivo, sensorial e social.
Essa semana reforçou a importância do bem-estar animal como componente
essencial na manutenção de felinos em cativeiro.

Entre os dias 21 e 25 de abril, o estágio foi dedicado ao aprofundamento


sobre a etologia específica da onça-parda (Puma concolor). Foram reunidos e
lidos artigos científicos que descreviam o comportamento dessa espécie em
vida livre, com atenção especial aos seus hábitos solitários, estratégias de
caça, delimitação de território e padrões reprodutivos. Também foram
investigadas as características ecológicas da espécie, sua ampla distribuição
geográfica e sua plasticidade comportamental. Durante essa semana,
procurou-se compreender como os comportamentos naturais da onça-parda
podem ser afetados quando ela é mantida sob cuidados humanos, o que
preparou o terreno para a etapa seguinte do estágio.

Na semana de 28 de abril a 2 de maio, as leituras se concentraram em


estudos de comportamento da onça-parda em cativeiro. Foram selecionados
artigos que abordavam desde observações comportamentais até análises
sobre estresse e adaptações da espécie ao confinamento. Com base nessas
leituras, foram identificadas as principais estereotipias apresentadas por
indivíduos em cativeiro, como pacing (caminhar repetitivo), lambedura
excessiva e agressividade redirecionada. Além disso, foram avaliadas
diferentes abordagens de enriquecimento ambiental aplicadas a esta espécie,
destacando-se aquelas que promovem a exploração e estimulam
comportamentos naturais. Os estudos também discutiam o papel do desenho
do recinto e da interação com tratadores e visitantes na saúde comportamental
dos animais.

Entre os dias 5 e 9 de maio, iniciou-se a etapa de organização e revisão


do material coletado. No início da semana artigos simples e de leitura rápida
foram analisados. Os artigos lidos ao longo das semanas foram reanalisados,
os resumos complementados e sistematizados em um banco de dados
pessoal. Algumas leituras foram retomadas para aprofundamento de trechos
anteriormente destacados. Houve também a reorganização das temáticas por
afinidade e a identificação de possíveis lacunas no levantamento. Esse
processo permitiu não apenas revisar o conteúdo estudado, mas também
preparar a base teórica que subsidiaria a síntese final do estágio.

Na semana seguinte, de 12 a 16 de maio, deu-se início à redação da


síntese bibliográfica final. Utilizando-se da estrutura temática organizada nas
semanas anteriores, foi possível construir um esquema (texto e mapa mental)
coerente e fluido que percorre desde os fundamentos da etologia até as
particularidades do comportamento da onça-parda em cativeiro. As sessões de
escrita foram intercaladas com releituras de textos-chave para garantir a
fidelidade das informações e a correção conceitual. Essa etapa demandou um
trabalho minucioso de redação científica, buscando uma linguagem clara,
objetiva e tecnicamente precisa.
Entre os dias 19 e 23 de maio, o texto final foi concluído e submetido a
uma intensa revisão gramatical, ortográfica e de formatação. Também foram
conferidas as citações e referências bibliográficas. Após a análise ortográfica
no resto da semana foram confeccionados gráficos com os resultados obtidos
na análise de dados. Ao fim da semana novos artigos gerais foram lidos e
analisados com o objetivo de solidificar o conhecimento. A finalização do
“documento” coincidiu com o encerramento oficial das 180 horas obrigatórias
do estágio, totalizadas até o dia 23 de maio.

Nas semanas de 26 de maio a 6 de junho, apesar da carga horária já ter


sido cumprida, foram realizadas atividades complementares voluntárias com o
intuito de consolidar ainda mais o aprendizado adquirido. Essas atividades
incluíram a leitura de artigos recém-publicados sobre comportamento de
grandes felinos, a organização dos materiais digitais para uso futuro e a
reflexão crítica sobre a experiência vivenciada. Essa etapa final, embora
extracurricular, representou um momento importante de encerramento
intelectual do processo, reafirmando o compromisso com a formação
acadêmica contínua.

4. REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DO ESTÁGIO

A realização deste estágio supervisionado representou uma etapa


significativa na minha formação como bacharel em Ciências Biológicas,
sobretudo por ter possibilitado a aplicação prática e teórica de diversos
conhecimentos adquiridos ao longo do curso. A proposta do estágio — realizar
um levantamento bibliográfico aprofundado e temático em etologia, com foco
em felinos, especialmente onças-pardas em cativeiro — permitiu articular
conteúdos estudados em disciplinas como Zoologia, Ecologia, Etologia, Bem-
estar Animal, Biologia da Conservação e até mesmo Genética e Evolução,
refletindo a natureza interdisciplinar da Biologia.

A disciplina de Etologia, por exemplo, forneceu a base conceitual


essencial para a análise dos comportamentos animais. Conceitos como
comportamento instintivo, aprendizagem, estereotipias, imprinting e seleção de
comportamentos foram constantemente revisitados durante o estágio e
ajudaram a fundamentar a leitura crítica dos artigos científicos. Além disso, os
princípios dos quatro porquês de Tinbergen — causa, desenvolvimento, função
e história evolutiva — serviram como guia para a interpretação do
comportamento animal tanto em ambientes naturais quanto artificiais.

Já as disciplinas de Zoologia dos Vertebrados e Ecologia contribuíram


significativamente para o entendimento da biologia e dos hábitos naturais dos
felinos. A compreensão da organização taxonômica da família Felidae, bem
como os fatores ecológicos que influenciam o comportamento de predadores
de topo, foram essenciais para contextualizar os dados comportamentais
discutidos na literatura científica. Esses conhecimentos também permitiram
analisar de forma crítica as mudanças comportamentais que ocorrem quando
esses animais são mantidos em cativeiro, destacando a importância da
preservação de seus comportamentos naturais mesmo fora do ambiente
silvestre.

As discussões em sala sobre bem-estar animal, ainda que abordadas de


forma transversal em diferentes disciplinas, também foram extremamente
relevantes. O estágio aprofundou a minha compreensão sobre o papel do
enriquecimento ambiental na redução de estresse e promoção da saúde
comportamental de felinos em cativeiro, consolidando a noção de que o bem-
estar deve ser uma prioridade nas práticas de manejo. Com isso, foi possível
identificar como estratégias simples, baseadas no comportamento natural da
espécie, podem promover melhorias significativas no dia a dia dos indivíduos
em zoológicos ou centros de conservação.

A disciplina de Biologia da Conservação, por sua vez, colaborou para


que o estágio fosse interpretado não apenas como um exercício acadêmico,
mas como parte de um esforço mais amplo em prol da preservação de
espécies. A leitura de estudos sobre a onça-parda em cativeiro evidenciou a
complexidade de manter grandes felinos fora de seu habitat natural e reforçou
a necessidade de abordagens éticas, científicas e comprometidas com a
conservação, mesmo em ambientes controlados.
Esse estágio também me incentivou a pensar em possibilidades futuras
de atuação profissional. O contato intenso com a produção científica e a
sistematização de informações despertaram ainda mais meu interesse pela
área de pesquisa, particularmente no campo da etologia aplicada, da
conservação e do manejo de fauna silvestre. Além disso, o exercício constante
de leitura crítica, escrita científica e organização de dados fortaleceu
habilidades que serão essenciais para minha trajetória acadêmica,
especialmente no que diz respeito a projetos de iniciação científica, pós-
graduação e atuação profissional em instituições de pesquisa, zoológicos ou
ONGs ambientais.

Por fim, o estágio proporcionou uma vivência acadêmica madura e


coerente com os objetivos do curso de Ciências Biológicas. A interligação entre
teoria e prática permitiu não apenas consolidar os conhecimentos adquiridos
em aula, mas também desenvolver um olhar mais sensível e responsável sobre
o papel do biólogo na promoção do bem-estar animal, na produção e na
aplicação de conhecimento científico de qualidade. Essa experiência reforça
minha convicção de seguir atuando na interface entre ciência, ética e
conservação.

5. AUTO AVALIAÇÃO

A realização deste estágio representou uma oportunidade significativa


de crescimento acadêmico e pessoal, e ao olhar para o processo como um
todo, reconheço com sinceridade tanto os pontos positivos quanto os aspectos
que poderiam ter sido melhores. Desde o início, escolhi a temática da etologia
por ser a área da biologia que mais me toca e desperta meu interesse genuíno.
Sempre me senti à vontade ao estudar comportamento animal, e acredito que
isso ficou evidente na forma como conduzi as leituras, organizei as sínteses e
me mantive engajado ao longo de todas as semanas. A escolha de focar em
felinos, especialmente na onça-parda, também foi motivada por um interesse
pessoal antigo. Esses animais sempre me fascinaram — por sua postura,
instinto, agilidade e por sua importância ecológica — e trabalhar com esse
tema trouxe um prazer intelectual que me acompanhou durante todo o estágio.

Julgo que atuei bem no planejamento e organização das atividades.


Consegui montar um cronograma sólido e cumpri-lo com disciplina, mantendo a
regularidade nas leituras, no registro das informações e na produção dos
textos. A dedicação diária de quatro horas me ajudou a construir uma rotina
eficiente, e acredito que isso foi fundamental para alcançar os resultados
esperados. Outro ponto positivo foi a minha capacidade de síntese e análise
crítica dos textos lidos. Ao longo das semanas, fui percebendo um
amadurecimento na forma como interpretava os artigos, fazia conexões entre
os temas e extraía informações relevantes, o que me deixou mais confiante
para futuras experiências com pesquisa.

No entanto, reconheço que poderia ter aproveitado melhor algumas


oportunidades durante o estágio. Por exemplo, em determinados momentos,
concentrei-me tanto na leitura e organização de dados que deixei em segundo
plano a troca com colegas ou professores sobre os conteúdos estudados.
Acredito que essas trocas poderiam ter enriquecido ainda mais minha
compreensão, trazendo visões diferentes e questionamentos que talvez eu não
tivesse considerado sozinho. Além disso, em algumas etapas, senti que
poderia ter aprofundado mais a análise de determinados artigos, principalmente
aqueles mais técnicos ou com abordagem metodológica complexa, mas, por
vezes, optei por leituras mais diretas por conta do tempo ou da dificuldade de
compreensão.

Se eu tivesse a oportunidade de refazer esse estágio, certamente


incluiria momentos programados de discussão acadêmica — seja com colegas
do curso, professores ou em grupos de estudo — como parte da rotina.
Também investiria mais tempo em leituras que inicialmente me pareceram
desafiadoras, mas que, com mais paciência, poderiam ter ampliado ainda mais
meu repertório. De toda forma, considero que fiz escolhas coerentes com meu
perfil e com os objetivos propostos, e saio dessa experiência com um
sentimento de realização e, ao mesmo tempo, de curiosidade renovada.
O estágio confirmou minha afinidade com a área de etologia e reforçou o
desejo de seguir aprofundando meus conhecimentos nesse campo, seja por
meio de projetos de iniciação científica, de uma futura pós-graduação ou de
experiências práticas com fauna silvestre. Foi, sem dúvida, um processo
formativo rico, que contribuiu para minha identidade como biólogo e para a
construção de um caminho profissional alinhado com aquilo que me move.

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