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HIV: Transmissão, Diagnóstico e Tratamento

O documento aborda o vírus da imunodeficiência humana (VIH), detalhando sua transmissão, diagnóstico, tratamento e epidemiologia. O VIH compromete o sistema imunológico, levando à síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), e os testes de diagnóstico são essenciais para identificar infetados e iniciar terapias. A epidemiologia revela que a maioria dos casos em Portugal ocorre entre homens de 25 a 45 anos, com a transmissão predominante sendo heterossexual.

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O documento aborda o vírus da imunodeficiência humana (VIH), detalhando sua transmissão, diagnóstico, tratamento e epidemiologia. O VIH compromete o sistema imunológico, levando à síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), e os testes de diagnóstico são essenciais para identificar infetados e iniciar terapias. A epidemiologia revela que a maioria dos casos em Portugal ocorre entre homens de 25 a 45 anos, com a transmissão predominante sendo heterossexual.

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VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (VIH): TRANSMISSÃO, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E

EPIDEMIOLOGIA
Maria Ribeiro1,2 & Miguel Pessanha2
1Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Bragança.
2Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda. Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior

xilote@[Link]
[Link]ÇÃO
A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) é uma doença infeciosa pandémica que tem como agente 4.4. Diagnóstico
etiológico o vírus da imunodeficiência humana (VIH)1. A doença causada pelo VIH compromete o funcionamento São várias os motivos que justificam a realização do teste do VIH (Figura 4). Os testes podem ser
do sistema imunológico, tornando mais suscetível o corpo humano a doenças oportunistas2. A SIDA é a fase divididos em quatro grupos, nomeadamente, deteção de anticorpos; deteção de antígenos;
terminal da infeção e caracteriza‐se por um longo período assintomático cuja duração pode variar entre meses a cultura viral e amplificação do genoma do vírus.
anos3. O VIH é um vírus que, devido à sua incapacidade de autorreprodução (replicação), precisa de infetar uma O teste de VIH é geralmente um processo Identificar infetados
para iniciar a terapia
célula que servirá como hospedeira para a produção de novos vírus. Os vírus, de uma forma geral, podem ser de duas etapas, nomeadamente, deteção
divididos em duas classes1: aqueles cujo material genético consiste em DNA; e, aqueles cujo material genético de anticorpos no sangue e saliva e, no caso Acompanhamento do
Identificar novos Fazer o teste do desenvolvimento da
consiste em RNA, como o VIH. Os vírus de RNA são chamados retrovírus e o seu processo de reprodução é um do resultado ser positivo, um ensaio portadores para HIV doença e
evitar
i a transmissão
i ã confirmação do
PORQUÊ?
pouco mais complexo que o dos vírus compostos de DNA4. Existem dois tipos de vírus VIH, nomeadamente, VIH‐ chamado Western blot que é feito para diagnóstico

1 e VIH‐2, com características morfológicas e estruturais semelhantes, no entanto diferem entre si em cerca de assegurar que o resultado do primeiro se
55% na sua sequência nucleotídica. O VIH‐1 é o tipo mais virulento, apresenta elevada taxa de mutação, confirma. Se ambos os testes (anticorpos e Avaliar a eficácia do
tratamento
podendo chegar a 50% de variabilidade entre indivíduos de regiões geográficas diferentes. Ambos os Vírus Western blot) são positivos, a
pertencem à Família Retroviridae, ao Género Lentivírus e ao Sub‐Género Lentivírus dos Primatas. probabilidade do paciente estar infetado é
Figura 4 – Motivos que justificam a realização do teste do HIV
Fonte: (7)
superior a 99%.
2. OBJETIVOS
Descrever a estrutura morfológica do HIV, as formas de transmissão, os sintomas, o diagnóstico e a abordagem 4.5. Terapêutica farmacológica
p
terapêutica e a epidemiologia
p g do HIV. p
Os fármacos disponíveis para o tratamento do VIH são9: 1)) inibidores da p
p protéase ((PI),
), atuam no
último estágio da formação do VIH, impedindo a ação da enzima protéase que é fundamental
3. MATERIAL E MÉTODOS para a clivagem das cadeias proteicas produzidas pela célula infestada em proteínas virais
Neste trabalho de investigação faz‐se uma revisão da literatura sobre as formas mais comuns de transmissão, os estruturais e enzimas que formarão cada partícula do VIH; 2) inibidores da transcriptase reversa
testes de deteção, a terapêutica e a epidemiologia associada ao VIH. Neste contexto, foi consultada bibliografia inibem a replicação do VIH bloqueando a ação da enzima transcriptase reversa que converte o
especializada e relatórios científicos e técnicos sobre o tema. RNA viral em DNA (nucleosídeos e não‐nucleosídeos); e, 3) inibidores da ligação e da fusão. Para
penetrar nas células, o VIH une‐se ao recetor da CD4 através da glicoproteína gp120 que está na
4. RESULTADOS superfície. Uma vez unido à CD4, o vírus ativa outras proteínas na superfície da célula humana,
4.1. Estrutura morfológica e replicação conhecidas como co‐recetores CCR5 e CXCR4, concluindo a fusão.
As estruturas morfológicas dos vírus VIH‐1 e VIH‐2 incluem5: proteínas estruturais e funcionais; um genoma de
4.6. Epidemiologia
RNA; um invólucro que é constituído por uma bicamada lipídica e contém uma proteína complexa. Esta proteína
Desde a identificação do primeiro caso de infeção por VIH em Portugal10, em 1983, e até 31 de
é constituída pelas glicoproteínas gp41, transmembrana e gp120, exposta à camada mais externa. No interior, o
Janeiro de 2014 foram notificados cerca de 53000 casos de infeção por VIH nos diferentes
VIH possui a proteína viral denominada p17 (matriz) e, envolvido por esta proteína, está o capsídeo composto
estádios e cerca de 21000 casos de SIDA, sendo que destes, 20% e 41%, respetivamente,
pela p24. Na parte mais interna encontram‐se dois filamentos simples de RNA, a proteína p7 (nucleocapsídeo) e
morreram ao longo do período em análise. A grande percentagem dos portadores de VIH e
três enzimas essenciais, p51 (transcriptase reversa), p11 (protéase) e p31 (integrase) (Figura 1). Na figura 2 pode
doentes com SIDA são homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos. Os grupos
ver‐se o ciclo de vida do HIV.
de maior risco são: heterossexual, toxicodependente e homo/bissexual. A maioria, dos casos
notificados, concentra‐se em três distritos do país: Lisboa, Porto e Setúbal (Tabela 1).
Tabela 1 ‐ Prevalência, incidência e mortes por HIV/SIDA

VIH, 2014 VIH, 2014 SIDA, 2014 SIDA , 2014


Prevalência Incidência Prevalência Incidência
•Total casos notificados de 1983 (1º •920 novos casos, 99,3% adultos •Total de casos notificados de 1983 •294 novos casos, 84,4 % em
caso) a 31 de janeiro de 2014: (≥15 anos); (1º caso) a 31 de janeiro de 2014: adultos (≥15 anos);
52694; •72,5% homens; rácio h/m é de 2,6; 20856; •79,4 Homens, ; rácio H/M é de
•72,3% Homens; rácio H/M é de •Residência : 48,1% Lisboa, 20,9% •79,4% Homens; rácio H/M é de 3,9;
2,6; Norte e 18,8% Centro; 3,0. •Residência: 54,4% Lisboa, 21,8%
Figura 1 ‐ Estrutura do HIV •Idade (99,2%): 66,9% têm entre 25 •Transmissão: 61,3% heterossexual, •75% têm idades entre os 25 e 49 Norte e 13,3% Centro;
Fonte: [6] a 49 anos; 31% homossexual (H) e 4,3% anos. •Transmissão: 63,7% heterossexual,
Figura 2 ‐ Replicação do HIV •Residência (98,4%): 42,5% Lisboa, toxicodependentes; •Origem: 41,8% Lisboa, 22,2% Porto 16,9%, homossexual (H) e 16,1%
4.2. Sintomas Fonte: [6] 19,2% Porto e 11,4% Setúbal; •Infeção: 93,8% HIV tipo I; e 12,4% Setúbal. toxicodependente;
•Transmissão: 45,4% heterossexual •69% dos casos são assintomáticos. •Transmissão: 43% •Origem 68,2 %Portuguesa;
Os infetados desenvolvem sintomas e a esmagadora maioria sucumbe à doença sem tratamento (doença (45,4%); 34,5% toxicodependente e toxicodependente, 40% •Doenças: 26,2% pneumonia por
15,75 homo/bissexual. heterossexual (40%) e 12,7% Pneumocystis (PPC), 14,9%
•O ano que registou maior nº de homo/ bissexual. tuberculose pulmonar e 14,9%,
assintomática) (Figura 3). casos acumulados foi 1999 •Doenças: 26% tuberculose candadíase esofágica .
(n=3333)
( ) pulmonar,
l 21,7% tuberculose
b l extra‐
Estádio I – Assintomático, Lindadenopatia generalizada persistente •Origem(95,9%): 76,7 % Portuguesa pulmonar e 20,7% pneumonia por
Na fase inicial, o n de células T •Infeção: 94,9% HIV tipo I Pneumocystis (PPC).

CD4 ˂ 450µl e há um aumento Estádio II – Perda de peso inexplicado (<10% do peso corporal total); infeções recorrentes das vias
Mortes em 2014: 196 ‐ HIV; 126 ‐ SIDA; Homens: 77,6% ; Idade mediana ‐ 49 anos; Transmissão: Heterossexual– 42,9%; Homossexual (H) – 8,7% e
Toxicodependente– 43,9%.
respiratórias superiores; herpes zóster; queilite angular; ulcerações orais recorrentes: erupção pápulo‐
de proteína p24 no sangue. Na pruriginosa; dermatite seborreica; infeções fúngicas do leito ungueal. Fonte: (10)

fase aguda, período em que há Estádio III –Perda de peso severa e inexplicada 8>10% do peso corporal total); diarreia crónica inexplicada

uma replicação do vírus nos por mais de 1 mês; febre persistente inexplicada por mais de 1 mês; candidíase oral; leucoplasia oral 5. CONCLUSÕES
pilosa; TB pulmonar
nódulos linfáticos, o nº de células
Estádio IV – Infeções bacterianas severas (pneumonia, meningite, …); gengivite aguda; anemia O uso de preservativos, de agulhas e seringas esterilizadas ou descartáveis; o controlo do sangue
T CD4 é < 200µl e a carga viral é inexplicada (<8g(dl); neutropenia (0,5x109/litro); plaquetopenia crónica (<50x109/litro)
e derivados, a adoção de cuidados na manipulação de material biológico, bem como o
˃ 75.000 cópias/ml.
Figura 3 ‐ Sintomalogia do HIV q
manuseamento adequado das doenças
ç sexualmente transmissíveis são algumas
g das medidas de
F t [8]
Fonte:
4.3. Transmissão prevenção eficazes para evitar novas infeções.
O VIH é transmitido através de fluidos corporais. Para haver infeção o líquido contaminado de uma pessoa tem
de penetrar no organismo de outra. Menos comumente, o VIH pode ser transmitido através do leite materno e
transfusões de sangue quando não é cuidadosamente filtrado7.

7. BIBLIOGRAFIA
[1]. Korolkovas, A. (1998). Essentials of Medicinal Chemistry, 2nd ed., Wiley: New York, 1988.; [2]. Vaishnav, Y. N.; Wong‐Stall, F.; Annu. Rev. Biochem. 1991, 60, 577.; [3]. Pereira, J. (2000). Vírus da Imunodeficincia Humana ‐ Introdução histórica. Disponível em: Biologias [Link] [4]. Wilson C.;
Claudia, R. B.; Gomes e Walcimar T. Vellasco Junior. (2008). HIV – recentes avanços na pesquisa de fármacos, Quim. Nova, 31 (8): 2111‐2117; [5]. Mitsuya, H.; Shirasaka, T.; Broder, S. (1990). Em Design of Anti‐AIDS Drugs; De Clerq, E., ed.; Amsterdan: Elsevier Press.; [6]. Melo, E.; Bruni, A.; Ferreira, M: (2006). Inibidores da hiv‐
integrase: potencial abordagem farmacológica para tratamento da AIDS. Quim. Nova, 29 (3): 555‐562. Disponível em: [Link] acedido a 7 de abril de 2014 ; [7]. Sydney South West – Area Helath Service. A relação entre a tuberculose e o TB and HIV VIH/HIV – Folha Informativo (sd). NSW Health Factsheet –
Portuguese. Consultado em fevereiro de 2015 e Disponível em: [Link] [8] . Ministro da Saúde (09/10). Guia de tratamento antiretroviral e infecções oportunistas no adulto, adolescente e grávida. REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTÉRIO DA SAÚDE DIRECÇÃO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA; [9]. Cooley; L. & Lewin, S. (2003). HIV‐1 cell entry and advances in viral entry inhibitor therapy, J. Clin. Virol. 2003, 26, 121.; [10] . Departamento de Doenças Infeciosas do INSA. Unidade de Referência e Vigilância Epidemiológica; Programa Nacional para a Infeção
VIH/SIDA – Direção‐Geral da Saúde (colaboração) (Nov/2013). Infeção VIH/SIDA: a situação em Portugal a 31 de dezembro de 2014. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA, IP). Relatórios científicos e técnicos (Documento VIH/SIDA, nº 145). Lisboa.

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