“Qualquer objeto pode ser influenciado através da imaginação e da
vontade, e carregado com qualquer fluido, elétrico ou magnético, com
os elementos ou com o Akasha. Mas segundo as leis da analogia e as
experiências realizadas, ficou demonstrado que nem todos os objetos
e nem todos os líquidos são adequados para manter ou acumular por
muito tempo uma energia represada. Assim como a eletricidade, o
magnetismo e o calor possuem bons ou maus condutores, também as
energias superiores têm essa característica. Os bons condutores têm
uma enorme capacidade de acumulação, pois conseguem armazenar
as energias nele introduzidas e preservá-las dentro de si. Esses
acumuladores são chamados, na Ciência Hermética,
de condensadores fluídicos. Existem três grupos principais de
condensadores fluídicos: Sólidos, Líquidos e Aéreos.”
Essas são as palavras de Franz Bardon em seu livro “o Caminho do
Adepto”, e deixam muito claras a função e o que são esses
condensadores. Por “fluidos”, Bardon se refere ao fluído elétrico, fluído
magnético e fluido eletromagnético, que não são necessariamente a
eletricidade e o magnetismo físicos, mas análogo a eles (ou seja,
pertencem à mesma família mas em níveis diferentes), então por
“condensador fluídico” ele se refere a uma substância que tem a
capacidade de armazenar (condensar), preservar e conduzir essas
energias sutis (que como ele mesmo diz, podem também ser de
origem elemental ou outras quaisquer, como a Vontade, a Mente,
Emoções, etc). Infelizmente, o termo “condensador fluídico” parece ter
sido usado apenas por Bardon, mas isso não significa que ele tenha
sido o único ou o primeiro a utilizá-los. Ao longo da história da magia,
muitas foram (e são) as misturas de resinas, metais, essências, e até
de gases para criar esses compostos, de forma que mesmo não
usando a nomenclatura de Bardon, não falta material disponível a
respeito.
Essas substâncias podem ser feitas de forma a serem mais afinadas
com um tipo de energia do que com outras, ou seja, há
condensadores fluídicos próprios para cada um dos elementos, ou
cada um dos planetas, signos, fluidos, etc, assim como há
condensadores de ação universal, ou seja, afinados com todo tipo de
energia que neles for carregada. Também podem ser simples (feitos
de um único material e usados para energias mais mentais/astrais) ou
compostos (feitos de vários materiais e usados para energias mais
astrais/materiais densas).
Formas de uso
As formas de uso dessas substâncias são tão variadas e ricas que eu
creio ser muito difícil que alguém consiga listar absolutamente todas,
então veremos as principais.
A imantação de imagens é bastante comum, e é feita de duas
maneiras. A primeira consiste em passar o condensador fluídico pela
superfície da imagem e esperar que seque, e a segunda maneira
consiste em fazer um buraco na imagem (ou aproveitar um interior oco
já existente) e preenche-lo com o condensador, selando o orifício para
que a substância não escape. A imagem é tratada dessas maneiras
para então ser usada como receptáculo de alguma energia ou
entidade (como um servo astral, e para saber mais a respeito
deles, clique aqui).
A realização de efeitos ou feitiços também é largamente usada
entre os conhecedores dessas substâncias, e comumente se
aproveitam de analogias elementais para surtir efeito.
Para o elemento fogo, costuma-se embeber um pedaço de papel
cartão ou outro material com um condensador fluídico do elemento
fogo, esperar que seque, carrega-lo com a energia desejada (ou seja,
a energia do efeito que você quer manifestar através do elemento
fogo, ou feitiço, etc), e então o papel é queimado.
Para o elemento água, algumas gotas de condensador fluídico do
elemento água são pingadas em uma pequena bacia com água
corrente de um rio ou similar, e após o carregamento desse líquido
com a intenção/efeito/feitiço, essa bacia é esvaziada novamente no rio
para que a parte sutil do elemento água realizem esse desejo
imediatamente.
Para o elemento ar, colocamos um pouco de água em uma panela e
misturamos essa água com algumas gotas de um condensador
fluídico do ar, efetuando o carregamento da intenção (evite água da
torneira, ela está contaminada com uma série de substâncias
químicas usadas no tratamento). A panela então é colocada no fogão
ou em uma estufa quente (o calor não deve vir de fontes elétricas,
deve ser fogo de lenha/carvão/gás). Conforme essa água evapora, a
parte sutil do elemento ar irá realizar essa intenção.
Para o elemento terra, você pode separar um pouco do condensador
fluídico próprio desse elemento em um recipiente, efetuar a carga, e
despejar o líquido diretamente na terra para ser absorvido. Também
pode usar uma batata, por exemplo, e fazer um buraco nela, colocar o
condensador lá dentro, efetuar a carga e selar o orifício, enterrando
para que, conforme se decomponha, realize o desejo. Nenhuma das
duas maneiras deve ser feita em local com grande trânsito de
pessoas, e se for difícil para você encontrar algum local assim, use um
vaso comum em sua casa.
Em todos esses casos com trabalho elemental, deve-se ter a certeza
absoluta (enquanto efetua-se a carga) que a parte sutil do elemento
trabalhado realizará o desejo. Se você não tiver um condensador
próprio do elemento a ser trabalhado, use um condensador fluídico
universal. Vale dizer também que os métodos citados foram só
exemplos, de forma que você pode usar as analogias elementais que
quiser para trabalhar com os elementos. Esse tipo de trabalho
elemental pode ser usado também para influenciar as pessoas,
podendo promover curas, por exemplo (ao lidar com o elemento fogo,
a pessoa é influenciada ao entrar em contato com o calor, com o
elemento água sempre que entrar em contato com líquidos, com o ar
conforme ela respira, com a terra conforme ela come, isso apenas
como exemplos, não se restrinja a isso).
Já colocamos um texto a respeito dos espelhos negros aqui na
Serpentarius, e de fato os condensadores são usados nas superfícies
desses espelhos, de forma que eles podem ser convertidos em
emissores, condensadores e receptores de energia (clique aqui para
saber mais sobre espelhos negros).
Nas evocações os condensadores fluídicos são usados para
impregnar os selos a serem usados no rito, mergulhando os papeis
com esses selos nos condensadores e esperando secar, ou então
passando-os na parte de trás de selos gravados em metais ou
madeiras, etc.
Para estimular a sua imaginação, basta dizer que os condensadores
podem ser aplicados em qualquer lugar onde você queira um
represamento/condução/emissão energética, ou a manifestação de
um efeito específico, etc.
Abaixo segue uma pequena lista com alguns exemplos de
condensadores fluídicos:
Sólidos:
Neste grupo incluem-se as resinas e os metais, dentre os quais se
destacam ouro e prata.
Líquidos:
Neste grupo incluem-se as lacas, óleos, tinturas, extratos feitos a partir
de resinas, compostos produzidos a partir de plantas. Os
condensadores líquidos que apresentam a mesma qualidade dos
sólidos ouros e prata são o sangue, sêmen e sangue menstrual,
também chamados de “múmias” (usados em quantidades minúsculas,
de apenas algumas gotas, e NUNCA deve-se usá-los quando o efeito
ou objeto imantado for destinado a outras pessoas, ou seja, só use o
sangue, o sêmen e o sangue menstrual quando o objeto a ser
imantado for para você, ou quando o efeito for apenas para você). Se
você não quiser trabalhar com esses materiais, não se preocupe,
outros condensadores líquidos listados abaixo servem muito bem,
basta carrega-los com intensidade o bastante ou usar as tinturas de
prata ou ouro misturados a esse tipo de condensador (observando que
ouro é mais indicado para energias positivas/elétricas/ativas e prata
para energias negativas/magnéticas/passivas).
Aéreos:
Neste grupo incluem-se os aromas, defumadores, perfumes, água de
cheiro, essências vaporizadas, etc. Você pode buscar referências
alquímicas sobre regência elemental e planetária de vários tipos de
plantas e, ao extrair delas o óleo essencial e usá-los para dar cheiro
ou vaporiza-los em um difusor, usar como condensador fluídico aéreo
que seguirá a mesmíssima regência da planta de onde foi extraído.
Receitas
Ouro e prata (uso universal): costumam ser usados em proporções
microscópicas em qualquer líquido para que este se torne um
condensador fluídico. Tenha certeza de que esses metais estão em
sua forma mais pura possível. Para fazer um condensador eficaz a
partir deles, aqueça um pedaço de ouro no fogo (use uma ferramenta
apropriada para não se queimar), e quando ele estiver incandescente,
mergulhe-o em água destilada em temperatura ambiente (cuidado,
água quente pode espirrar e causar queimaduras sérias, use óculos
de proteção e luvas). Você deve usar água destilada na proporção de
dez vezes a quantidade de ouro que você está usando, de modo que
se você tiver dez gramas de ouro, usará 100ml de água destilada.
Repita esse processo por volta de dez vezes, sempre esperando tanto
o metal quanto a água destilada esfriarem e guarde o líquido em um
recipiente apropriado. O mesmo processo pode ser feito com a prata,
de forma que você terá uma “tintura de ouro” e uma “tintura de prata”.
Esse processo é chamado de Extração da Quintessência pela Via
Quente. (Não confunda essa prática com os “Aurum potabile” ou
“Argentum potabile” alquímicos, eles estão longe de ser a mesma
coisa). Não esqueça de coar esses líquidos com um pedaço fino de
tecido limpo, para filtrar quaisquer sujeiras presentes.
Essas tinturas podem ser usadas sempre que você quiser transformar
outros líquidos em condensadores, ou potencializar os já existentes,
basta apenas gotejar de cinco a dez gotas de água de ouro/prata para
cada 100ml dessas substâncias e agitar bem. Parece ser uma
quantidade pequena, mas é o suficiente para esse propósito. (Observe
que ouro é mais indicado para energias positivas/elétricas/ativas e
prata para energias negativas/magnéticas/passivas)
Especial para espelhos negros (uso universal): (usar esses
materiais pulverizados, e as proporções se referem ao VOLUME, não
ao peso, de forma que se você usar uma colher como medida para
uma parte de ferro, essa mesma colher será usada para medir uma
parte de ouro, cobre, etc).
Chumbo: uma parte (MUITO CUIDADO ao manusear chumbo
em pó, pois é extremamente tóxico).
Zinco: uma parte
Ferro: uma parte.
Ouro: uma parte.
Cobre: uma parte.
Latão: uma parte.
Prata: uma parte.
Resina de Aloe (Gummiresina aloe): uma parte.
Carvão animal (Carbo animalia): três partes. Pode ser
substituído na mesma proporção (ou seja, três partes) por uma
mistura de conchas trituradas (dessas brancas, ou de interior
branco, que se encontra nas praias, ex: Anadara Ovalis, Chione
subrostrata, Anadara brasiliana e Pecten ziczac) até virar pó e
carvão ativado vegetal em pó em igual proporção (ou seja, se
você fizer 10 gramas de conchas trituradas, irá misturar a 10
gramas de carvão ativado vegetal em pó).
Carvão mineral: sete partes.
Todos esses materiais devem ser misturados de forma homogênea e,
caso usado em superfícies, deve-se fixar esse condensador com o
auxílio de um verniz. Também é possível misturar em uma massa de
argila ou gesso, mas neste caso use luvas para não entrar em contato
direto com o chumbo, bem como você deve misturar com calma para
não levantar o pó deste perigoso metal.
Elektro-Magicum: Os antigos magos e alquimistas usavam essa
mistura como condensador fluídico sólido, composto de:
30 gramas de Ouro.
30 gramas de Prata.
15 gramas de Cobre.
6 gramas de Zinco.
5 gramas de Chumbo.
3 gramas de Ferro.
15 gramas de Mercúrio.
A liga desses metais foi bastante usada na fabricação de espelhos,
sinos, adagas e outros objetos de uso ritualístico. Vale ressaltar que
não se tratam dos metais pulverizados e unidos, mas sim de uma
LIGA METÁLICA feita desses metais, em um processo pouquíssimo
conhecido. O resultado é um metal muito interessante de aparência
ouro-pálido. Por eu não ter encontrado uma forma de preparo oficial
(dada a dificuldade em lidar com mercúrio e seu ponto de fusão
baixíssimo), deixo a quem lê a tarefa de buscar esta forma. Ao que me
parece, estudar o fenômeno da AMALGAMAÇÃO pode ser uma boa
pista.
Para trabalhar com a influência planetária:
Não há mistério aqui, basta usar os metais alquimicamente
associados a esses planetas, sendo:
Saturno: chumbo (cuidado no manuseio desse metal,
principalmente em pó, pois é muito tóxico).
Júpiter: estanho.
Marte: ferro.
Sol: ouro.
Vênus: cobre.
Mercúrio: latão (apresenta a mesmíssima regência do metal
mercúrio, só que não é tóxico, de forma que é muito melhor
trabalhar com latão ao invés de mercúrio).
Lua: prata.
Camomila (Simples, uso universal): Faça um chá bem concentrado
de camomila, coe para retirar os restos da planta, coloque o restante
em fogo baixo e deixe evaporar até ter reduzido para cerca de um
terço a quantidade de chá. Feito isso, espere esfriar completamente e
adicione álcool de cereais na mesma medida de chá restante, ou seja,
se você tem 50 ml de chá, adicione 50ml de álcool de cereais.
Coloque o líquido em vidro âmbar ou escuro (deve ser vidro, pois o
álcool pode reagir com plásticos e metais) e deixe em local fresco e
escuro. Você pode adicionar 10 gotas de tintura de ouro, se quiser, na
proporção de 10 gotas para cada 100ml de condensador. Sempre que
for utilizar o condensador, misture bem o líquido e depois certifique-se
de tampá-lo bem, para evitar que embolore. Embolorado ele
continuará tendo o mesmo efeito, mas os fungos podem causar danos
à nossa saúde. Um condensador assim preparado deve manter sua
validade por cerca de dois ou três anos. O mesmo processo pode ser
feito com chá verde, flores de lilases brancas, folhas de choupo,
raiz de mandrágora, flor de arnica e flor de acácia, todas de uso
universal e de fabricação simples (ou seja, usadas sozinhas). Se o
condensador for para uso estritamente pessoal, você pode
potencializá-lo com algumas gotas das múmias citadas anteriormente.
Condensador composto de uso universal 1: Raízes de angélica;
folhas de sálvia; flores de tília; cascas de pepino (ou sementes de
abóbora); flores ou folhas de acácia; flores de camomila; flores, folhas
ou raízes de açucena; flores ou casca de canela; folhas de urtiga;
folhas de menta; folhas de choupo; flores ou folhas de violeta,
eventualmente amor-perfeito; folhas ou casca de salgueiro; tabaco
(verde ou seco). Tudo em proporções iguais. Fazer um chá
concentrado de todas elas, esperar esfriar, coar, colocar em fogo
baixo e reduzir o volume tanto quanto possível, esperar esfriar,
completar com álcool na mesma medida (ou seja, se você obter 50ml
de chá, adicione 50ml de álcool de cereais), opcionalmente adicione
tintura de ouro na proporção de 10 gotas para cada 100ml de
condensador, agite bem e guarde em um vidro âmbar bem tampado,
conserve em local fresco e escuro. Agite sempre antes de usar, e
tampe bem após o uso. Se o condensador for para uso estritamente
pessoal, você pode potencializá-lo com algumas gotas das múmias
citadas anteriormente.
Condensador composto de uso universal 2: Raízes de angélica;
folhas de sálvia; flores de tília; cascas de pepino (ou sementes de
abóbora); flores ou folhas de acácia; flores de camomila; flores, folhas
ou raízes de açucena; flores ou casca de canela; folhas de urtiga;
folhas de menta; folhas de choupo; flores ou folhas de violeta,
eventualmente amor-perfeito; folhas ou casca de salgueiro; tabaco
(verde ou seco). Tudo em proporções iguais. Coloque cada um dos
ingredientes para macerar em álcool de cereais separadamente
durante 28 dias. Coe e misture tudo em proporções iguais,
opcionalmente adicione tintura de ouro na proporção de 10 gotas para
cada 100ml de condensador, não é necessário adicionar mais álcool.
Agite bem e guarde em um vidro âmbar bem tampado, conserve em
local fresco e escuro. Agite sempre antes de usar, e tampe bem após
o uso. Esse condensador é mais forte que o anterior, ainda que
preparado a partir dos mesmos materiais em mesma proporção. Se o
condensador for para uso estritamente pessoal, você pode
potencializá-lo com algumas gotas das múmias citadas anteriormente.
Para o elemento fogo: Cebola, alho, pimenta, grãos ou sementes de
mostarda. Proceder tal qual o condensador composto de uso universal
1 ou 2.
Nota: Por causa de sua forte capacidade de irritação esse
condensador fluídico não deve entrar em contato com o corpo,
principalmente com os olhos.
Para o elemento ar: Folhas ou cascas de avelãs, zimbro, flores ou
folhas de rosa, sementes de coentro. Proceder tal qual o condensador
composto de uso universal 1 ou 2.
Para o elemento água: Aveia (poderá ser usada também a palha de
aveia, picadinha), sementes de tubérculos de diversos tipos (como
cenoura, beterraba, nabo, etc), flores ou folhas de peônia, folhas de
cerejeira (eventualmente também a casca). Proceder tal qual o
condensador composto de uso universal 1 ou 2.
Para o elemento terra: Salsa (a raiz, as folhas ou as sementes),
sementes de alcaravia, tanchagem (de folhas largas ou compridas),
flores de cravo ou a erva melissa. Proceder tal qual o condensador
composto de uso universal 1 ou 2.
“Aos olhos de um não-iniciado as receitas aqui apresentadas, em que
se misturam ervas e raízes, podem parecer uma grande bobagem do
ponto de vista farmacológico. Neste caso porém não é considerado o
seu efeito farmacológico, mas o seu efeito mágico. A visão do iniciado
que conhece as propriedades ocultas das plantas com certeza vai
encontrar a correlação correta. Poderíamos montar centenas de
receitas desse tipo, com base nas leis da analogia. Mas essas
indicações já devem ser suficientes para o mago, e certamente ele
conseguirá usá-las adequadamente. Todas as receitas aqui
apresentadas originam-se da prática, e funcionaram muito bem.”
[Franz Bardon]