VÍRUS
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Alunos:Fernanda, Davi,Stephany e Luiz
Descoberta dos vírus
01 Os Pioneiros da Virologia
O marco inicial da descoberta dos vírus é frequentemente atribuído
a Dmitri Ivanovsky, um botânico russo. Em 1892, Ivanovsky estava
investigando uma doença que afetava as plantas de tabaco,
conhecida como doença do mosaico do tabaco. Ele descobriu que o
agente causador da doença podia passar por filtros que eram
pequenos o suficiente para reter bactérias. Inicialmente, ele
acreditava que se tratava de uma toxina bacteriana.
No entanto, foi o cientista holandês Martinus Beijerinck quem, em
1898, aprofundou esses experimentos e concluiu que o agente
infeccioso não era uma bactéria, mas sim algo novo e diferente. Ele
chamou essa substância infecciosa de "vírus", do latim para
"veneno", e a descreveu como um "contagium vivum fluidum" (fluido
vivo contagioso), reconhecendo que ele se replicava apenas em
células vivas. Beijerinck é amplamente considerado o pai da virologia
moderna.
Transmissão do vírus
Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, o que significa que eles
precisam de uma célula hospedeira viva para se replicar. Para isso, eles
desenvolveram diversas estratégias de transmissão, que podem variar
amplamente dependendo do tipo de vírus e do hospedeiro que infectam.
As principais formas de transmissão dos vírus incluem:
1. Transmissão por Gotículas Respiratórias:
* **Gotículas maiores:** Produzidas ao tossir ou espirrar, essas gotículas
contendo vírus se depositam rapidamente em superfícies ou nas mucosas
(olhos, nariz, boca) de pessoas próximas. Exemplos incluem resfriados e a
gripe.
* **Aerossóis (partículas menores):** Podem permanecer suspensas no ar
por mais tempo e viajar distâncias maiores, especialmente em ambientes
fechados e mal ventilados. Exemplos notáveis são o vírus do sarampo e o
SARS-CoV-2 (causador da COVID-19).
2. Contato Direto:
* **Pessoa a pessoa:** Através do contato físico próximo, como toque, aperto
de mão ou beijo. O vírus pode ser transferido de uma pessoa infectada para a
pele ou mucosas de outra pessoa.
* **Contato com lesões:** Alguns vírus são transmitidos através do contato
direto com lesões ou feridas, como o vírus do herpes.
3. Contato Indireto (Fômites):
* Através do contato com objetos ou superfícies contaminadas (fômites) que
foram tocadas por uma pessoa infectada. Se uma pessoa toca uma superfície
contaminada e depois toca seus olhos, nariz ou boca, ela pode se infectar.
Exemplos incluem alguns vírus que causam resfriado comum ou norovírus
(que causam gastroenterite).
. 4 Transmissão Fecal-Oral:
* Ocorre quando partículas virais presentes nas fezes de uma pessoa infectada são ingeridas por outra
pessoa, geralmente devido à má higiene das mãos após o uso do banheiro ou por alimentos/água
contaminados. Exemplos incluem o vírus da hepatite A e o norovírus.
5. Transmissão por Vetores:
* Envolve um organismo (o vetor) que transmite o vírus de um hospedeiro para outro. Os vetores mais
comuns são insetos.
* **Arbovírus:** Vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos (dengue, zika, chikungunya, febre
amarela) e carrapatos.
6. Transmissão Sanguínea e Fluidos Corporais:
* Compartilhamento de agulhas:** Usuários de drogas injetáveis podem compartilhar agulhas
contaminadas.
* **Transfusões de sangue:** Embora raras hoje em dia devido à triagem rigorosa, podem ocorrer se o
sangue doador estiver contaminado.
* **Contato sexual:** Vírus transmitidos sexualmente (ISTs) são passados através de fluidos corporais
durante o sexo vaginal, anal ou oral. Exemplos incluem HIV, HPV e herpes genital.
* **De mãe para filho (vertical):** Durante a gravidez (via placenta), no parto ou através da amamentação.
Exemplos incluem HIV, vírus da hepatite B e zika.
7. Transmissão por Animais (Zoonoses):
* Alguns vírus podem ser transmitidos de animais para humanos, seja por contato direto com o animal
infectado, mordidas (como o vírus da raiva), ou através do consumo de carne contaminada.
É importante notar que um mesmo vírus pode ter múltiplas formas de transmissão, e a eficácia de cada via
pode variar dependendo de fatores como a carga viral do indivíduo infectado, a estabilidade do vírus no
ambiente e a susceptibilidade do hospedeiro.
Tipos de Vírus
A classificação dos vírus é complexa, mas geralmente se baseia em seu
material genético, estrutura e presença de um envelope:
Material Genético (Classificação de Baltimore):
Vírus de DNA: Podem ter DNA de fita dupla (ex: herpesvírus) ou simples
(ex: parvovírus).
Vírus de RNA: Podem ter RNA de fita dupla (ex: reovírus), fita simples senso
positivo (ex: poliovírus), fita simples senso negativo (ex: gripe) ou
retrovírus, que usam RNA para fazer DNA (ex: HIV).
Vírus com intermediário de DNA/RNA: Possuem DNA de fita dupla, mas a
replicação envolve RNA (ex: hepatite B).
Com ou Sem Envelope:
Envelopados: Possuem uma camada externa lipídica (ex: HIV, gripe,
coronavírus).
Não Envelopados (Nus): Não têm essa camada (ex: adenovírus,
poliovírus).
Simetria do Capsídeo: A forma da capa proteica que protege o material
genético pode ser icosaédrica, helicoidal ou complexa.
Hospedeiro: Também podem ser categorizados pelo tipo de organismo
que infectam, como vírus de animais, plantas, bactérias (bacteriófagos)
ou fungos.
Essa diversidade é a razão pela qual os vírus impactam de tantas formas
diferentes a vida no planeta.
Tipos de tratamento
Tratamento Medicamentos Antivirais
Imunomoduladores e Outras
Terapias: Vacinas (Prevenção, não
Sintomático/Suporte: Para Específicos: Para infecções mais Em alguns casos, substâncias que Tratamento):
a maioria das infecções graves ou persistentes (ex: HIV, modulam a resposta imunológica do É crucial mencionar as
hepatite B e C, herpes, algumas paciente podem ser usadas:
virais comuns (ex: gripes), existem medicamentos
vacinas, pois elas são a
Interferons: Proteínas produzidas
resfriado, gripe leve), forma mais eficaz de
que não matam o vírus, mas naturalmente pelo corpo em
prevenir muitas infecções
foca-se em aliviar os inibem sua replicação dentro resposta a infecções virais. Formas
virais. Elas preparam o
das células. Eles podem agir sintéticas podem ser usadas para
sintomas com repouso, tratar algumas hepatites virais, sistema imunológico para
bloqueando a entrada do vírus,
hidratação e a cópia de seu material embora tenham muitos efeitos reconhecer e combater um
colaterais. vírus antes que a infecção
medicamentos para genético ou a liberação de
Anticorpos Monoclonais: Anticorpos se estabeleça. Embora não
dor/febre, enquanto o novas partículas virais.
desenvolvidos em laboratório que sejam um tratamento para
Exemplos incluem aciclovir
sistema imunológico para herpes e a terapia
podem neutralizar o vírus ou suas uma infecção ativa, são a
toxinas. Usados para algumas
combate o vírus. antirretroviral para HIV. infecções virais graves.
base da saúde pública viral.
Profilaxia
Profilaxia é o conjunto de medidas tomadas para prevenir uma doença ou condição de saúde, em vez de
tratá-la depois que já se manifestou. O principal objetivo é evitar que a doença aconteça, diminuir o risco
de infecção ou reduzir sua gravidade caso a exposição ocorra.
Existem diferentes níveis de profilaxia:
Profilaxia Primária: Visa evitar a doença antes mesmo que ela apareça. Isso inclui ações como vacinação
(para prevenir infecções), boa higiene (lavar as mãos, saneamento básico), alimentação saudável e uso de
equipamentos de proteção (máscaras, luvas).
Profilaxia Secundária: Foca na detecção precoce de uma doença já existente (mas ainda sem sintomas)
para evitar que ela piore ou cause complicações. Exemplos são exames de rastreamento como
mamografias ou colonoscopias.
Profilaxia Terciária: Busca reduzir o impacto de uma doença que já está manifestada, prevenindo
complicações, recorrências ou incapacidades, e melhorando a qualidade de vida. A reabilitação após um
acidente vascular cerebral ou o tratamento contínuo de doenças crônicas são exemplos.
Um tipo comum é a profilaxia medicamentosa (quimioprofilaxia), que usa remédios para prevenir doenças,
seja antes da exposição (PrEP), como a PrEP para HIV, ou depois da exposição (PEP), como a PEP para HIV
após um contato de risco.
Em resumo, a profilaxia é fundamental para manter a saúde e prevenir doenças, em vez de apenas reagir a
elas.
Diagnóstico dos vírus
O diagnóstico de infecções virais é crucial para o tratamento e controle de doenças, e é feito
principalmente por métodos que buscam o vírus em si ou a resposta do nosso corpo a ele.
1. Métodos Diretos (Detectam o Vírus):
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Considerado o "padrão ouro", ele amplifica e detecta
o material genético (DNA ou RNA) do vírus na amostra. É muito sensível e ideal para
diagnóstico precoce (ex: COVID-19, HIV, gripe).
Testes de Antígenos: Buscam proteínas específicas do vírus. São mais rápidos e baratos que o
PCR, mas menos sensíveis (ex: testes rápidos de COVID-19, gripe).
Isolamento Viral (Cultura): Cultiva o vírus em células para observá-lo, mas é demorado e
mais usado em pesquisa.
Microscopia Eletrônica: Permite ver o vírus diretamente, mas é complexa e não é de rotina.
2. Métodos Indiretos (Detectam a Resposta Imune):
Sorologia (Testes de Anticorpos): Identificam anticorpos (IgM para infecção recente e IgG
para infecção passada ou imunidade) produzidos pelo corpo em resposta ao vírus (ex:
hepatites, sarampo, COVID-19 para verificar imunidade).
O processo envolve coleta de amostra, análise laboratorial e interpretação dos resultados
em conjunto com os sintomas. Um diagnóstico preciso é vital para guiar o tratamento,
controlar a disseminação e monitorar a saúde pública.