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SACI: Análise Comportamental de Malware Windows

O artigo apresenta o SACI, uma solução para análise comportamental automatizada de executáveis suspeitos em MS Windows 10 e 11, que utiliza um driver de filtro e uma arquitetura modular para monitorar atividades maliciosas. O SACI coleta informações sobre a vida útil do malware, tokens de segurança, operações de I/O, alterações no Registro e criação de processos. A abordagem modular e a escalabilidade do SACI visam melhorar a detecção e análise de malware, superando limitações de ferramentas existentes.

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SACI: Análise Comportamental de Malware Windows

O artigo apresenta o SACI, uma solução para análise comportamental automatizada de executáveis suspeitos em MS Windows 10 e 11, que utiliza um driver de filtro e uma arquitetura modular para monitorar atividades maliciosas. O SACI coleta informações sobre a vida útil do malware, tokens de segurança, operações de I/O, alterações no Registro e criação de processos. A abordagem modular e a escalabilidade do SACI visam melhorar a detecção e análise de malware, superando limitações de ferramentas existentes.

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Anais Estendidos do SBSeg 2024: SF

SACI: Solução para Análise Comportamental Automatizada


de Código Infeccioso em SO MS Windows Modernos
Bernardo Tomasi1 , Davi C. Ribeiro1 , Pedro Friedrich1 , Ruibin Mei1 ,
Yago Furuta1 , Jorge Correia1 , André Grégio1
1
Departamento de Informática – Universidade Federal do Paraná (UFPR)
SecRET ([Link]) – Curitiba – PR – Brasil
{bpt22, dcr23, phfr24, rm23, yyvf22, jpcorreia, gregio}@[Link]

Abstract. Although operating systems evolve their defenses, malicious code re-
mains the main way to infect users. In this article, we propose SACI, a solution
for automated behavioral analysis of suspicious executables for MS Windows
10 and 11. Through a filter driver and an infrastructure that promotes high
availability and scalability, SACI allows obtaining information about malware’s
lifetime on the monitored system, as well as provides data on its security tokens,
I/O operations, Registry changes, process creation tracking and use of threads.

Resumo. Embora os sistemas operacionais evoluam suas defesas, os códigos


maliciosos continuam sendo a principal forma de infectar usuários. Neste ar-
tigo, é proposto o SACI, uma solução para análise comportamental automa-
tizada de executáveis suspeitos para MS Windows 10 e 11. Por meio de um
filter driver e uma infraestrutura que promove alta disponibilidade e escalabili-
dade, SACI permite a obtenção de informações a respeito do tempo de vida do
malware no sistema monitorado, além de fornecer dados sobre os seus tokens de
segurança, operações de E/S, alterações no Registro, rastreamento da criação
de processos e a utilização de threads.

1. Introdução
A segurança dos sistemas e seus usuários é constantemente desafiada por exemplares de
malware cada vez mais sofisticados e evasivos. A evolução dos sistemas operacionais
nem sempre é suficiente para impedir esse tipo de infecção, ainda mais se o malware
conseguir acesso privilegiado ao alvo. Ferramentas públicas para análise dinâmica de
malware sofrem de instabilidade e dificuldade de manutenção causadas por uso de me-
canismos de monitoração não-nativos e funções não documentadas, incorrendo em sua
descontinuidade. Este artigo apresenta o SACI, uma Solução para Análise Comporta-
mental Automatizada de Código Infeccioso com abordagem baseada em driver de filtro
e arquitetura modular baseada em microsserviços, cujo foco é na alta disponibilidade, es-
calabilidade e automatização. O SACI permite registrar atividades maliciosas de forma
inovadora, possibilitando análise de ataques como escalada de privilégio por meio da mo-
nitoração de tokens de segurança, aumentando assim a capacidade de identificar eventos
infecciosos que visam manipular as credenciais de segurança do Windows.

2. Trabalhos Relacionados
Nesta seção, discute-se criticamente os trabalhos mais próximos deste, com
ênfase nas diferenças das soluções propostas quando comparadas ao SACI.

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Anais Estendidos do SBSeg 2024: SF

[Ribeiro et al. 2020] e [Figueiredo et al. 2022] propõem analisadores baseados no Cuc-
koo Sandbox [Guarnieri 2013], uma ferramenta para análise dinâmica de malware em
sistemas Linux, Darwin e Windows. Em relação as informações coletadas, nota-se como
principais diferenças que o Cuckoo permite a captura de tráfico de rede e obtenção de
dump da memória do sistema monitorado (ainda não suportadas pelo SACI), porém não
permite monitorar tokens de acesso, um dos principais atrativos do SACI. Além disso, o
monitoramento em sistemas MS Windows nas iterações mais recentes do Cuckoo é feito
por meio de hooks em modo de usuário, cujos problemas são discutidos na Seção 3.4.1 e
agravados pelo fato do projeto estar inativo e descontinuado. Em contrapartida, o SACI
tem uma forma de monitoramento atualizada de acordo com a documentação vigente do
MS Windows, com projeto que visa o suporte à longo prazo. [Botacin et al. 2021] tam-
bém desenvolveram uma ferramenta Web (Corvus) que suporta análise dinâmica de exe-
cutáveis de sistemas MS Windows por meio de um driver de filtro [Botacin et al. 2018].
No entanto, a ferramenta não inclui análise de tokens de acesso, tampouco um filtro para
carregamento de imagens, como é o caso do SACI. Além disso, a plataforma Corvus
está fora do ar e era compatível apenas com Windows 7 e 8. Já [Souza and Silva 2021]
propuseram Freki, que utiliza um método de análise dinâmica com base num processo
de depuração supervisionada, no qual as instruções propriamente executadas pelo agente
malicioso são identificadas. Já o SACI foca em mostrar os efeitos que um dado malware
tem de fato no sistema, ao relacionar diferentes subsistemas do kernel do Windows com
os resultados obtidos na monitoração.

3. Arquitetura e Implementação do SACI


Projetou-se SACI como uma arquitetura modular composta por microsserviços de análise
e frontend, gerenciados por um orquestrador de container. Os ambientes de execução são
provisionados pelo Proxmox [Proxmox 2024] e pré-carregados com um daemon cuja fun-
ção é iniciar o driver de monitoração, fazer requisições de eventos e criar os registros dos
resultados, e um driver de filtragem com quatro filtros e um componente de comunicação
que fazem a captura e transmissão das informações coletadas para o daemon.

3.1. Microsserviços
A arquitetura do SACI, ilustrada na Figura 1, é baseada em microsserviços, isto é, com-
ponentes independentes e interconectados responsáveis por diferentes funcionalidades da
aplicação, permitindo uma distribuição eficiente das tarefas e uma escalabilidade modular
da aplicação. Cada microsserviço desempenha um papel específico na cadeia de proces-
samento de análise de malware, garantindo um sistema robusto e ágil para os usuários,
bem como a facilidade de manutenção e atualização contínuas.
Frontend. Este microsserviço constitui a interface de usuário da aplicação SACI e integra
todas as funcionalidades disponíveis para os usuários finais, incluindo o envio de arquivos
executáveis para análise. O Frontend atua como o ponto de entrada para os usuários,
encaminhando as amostras de malware para o microsserviço responsável pela análise.
Análise. Este microsserviço é o núcleo da funcionalidade do SACI, e implementa rotas
para receber os arquivos enviados pelos usuários através do Frontend e para a retirada
de relatórios. Além disso, esse microsserviço se comunica com a API do Proxmox para
pedir um ambiente de execução.

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Anais Estendidos do SBSeg 2024: SF

Figura 1. Arquitetura da aplicação SACI.

Ambiente de execução. A plataforma Proxmox é utilizada para virtualização sob de-


manda. Ela permite a criação de novas máquinas virtuais a partir de um template con-
figurado com o necessário para a execução controlada das amostras de malware. Este
ambiente, apagado ao final da execução, inclui o driver de filtro, que monitora a execução
do malware e registra as atividades relevantes em um formato JSON.

3.2. Orquestração de containers


A arquitetura de microsserviços do SACI requer um agente orquestrador de containers
para coordenar a execução dos componentes da aplicação Web de forma que estes se co-
muniquem. Cada microsserviço pode sofrer uma carga variável de requisições, fazendo
com que os com maior demanda tenham mais réplicas do container distribuído nos Nodes.
O orquestrador também possui um balanceador de carga que distribui as requisições entre
as réplicas, diminuindo gargalos e aumentando a escalabilidade das requisições. Além
disso, caso um container precise ser atualizado, o orquestrador consegue atualiza-lo indi-
vidualmente, de modo que a aplicação Web tenha alta disponibilidade.

3.3. Fluxo do driver


A seguir, explica-se o fluxo de dados da arquitetura do SACI. A Figura 2 ilustra o fluxo
da interação entre a amostra monitorada pelo driver de filtro (setas vermelhas) e o com-
ponente daemon do SACI (setas verdes).
Fluxo Malware -> driver de Filtro (setas vermelhas):
1. O malware submetido ao SACI será executado no ambiente virtualizado e irá co-
meçar a interagir com o SO, mais especificamente com o Executivo do Windows.
2. Os filtros irão receber notificações sobre as ações do malware dos componentes
executivos ao qual este está associado.
3. O driver cria uma representação interna do evento reportado e anexa à lista de
eventos.
Fluxo SACI daemon -> driver de Filtro (setas verdes):
1. O SACI Daemon irá fazer requisições de eventos para o driver por meio de inter-
rupções (IRP) para as quais Executivo do Windows irá criar uma lista de entrada
e saída usada para o retorno dos dados monitorados.
2. O driver, ao receber a IRP, retira o evento mais antigo da lista configurada pelo IO
Control e copia seus componentes para o buffer provido pelo Daemon.
3. Uma vez que o driver complete a IRP, o Daemon pode então acessar seu buffer,
para onde os dados de um evento foram copiados, e armazená-los em um JSON.

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Anais Estendidos do SBSeg 2024: SF

Figura 2. Fluxo das interações entre malware, SACI Daemon e driver de filtro.

3.4. Componentes do driver


Filtro de Sistema de Arquivos. Toda vez que uma aplicação em modo usuário inte-
rage com o sistema de arquivos, o I/O Manager cria uma estrutura contendo todas as
informações necessárias para a identificação e descrição da operação solicitada. Essa es-
trutura, denominada I/O Request Packet (IRP), então, percorre a device stack e passa de
driver à driver até que requisição é finalizada por um dos device objects, que ou chama a
função IoCompleteRequest() ou registra uma rotina de finalização através da função IoSet-
CompletionRoutineEx(). Nesse processo, o filter driver do SACI intercepta determinadas
IRPs, de forma indireta, pelos callbacks registrados no filter manager; cria uma estrutura
interna e, através do parâmetro FLT_CALLBACK_DATA dos callbacks, obtêm os dados
relevantes que incluem: o nome do arquivo envolvido, a major function, o pid do processo
que realizou a requisição, o pid do processo pai, thread id, session id, path completo do
executável, bem como os tokens de segurança. A respeito dos IRPs, o filter driver do
SACI foca nos três principais e mais comuns I/O Request Packets: IRP_MJ_CREATE,
IRP_MAJOR_READ e IRP_MAJOR_WRITE, que correspondem às operações de cri-
ação, leitura e escrita, respectivamente. Assim, é possível obter informações crucias a
respeito do funcionamento de malwares ao observar como esses processos maliciosos
interagem com o sistema de arquivos e impactam o sistema como um todo.
Filtro de Criação Processos e Threads. Em sistemas Windows, cada processo é re-
presentado por uma estrutura opaca interna ao kernel. Essa estrutura, conhecida como
EPROCESS, embora não formalmente documentada, apresenta uma série de atributos
que tanto identifica quanto caracteriza um dado processo. Nesse contexto, o filter driver
do SACI, através dos handles recebidos pelos callbacks registrados nas funções PsSet-
CreateProcessNotifyRountine() e PsSetCreateThreadNotifyRoutine(), obtêm a estrutura
EPROCESS a partir da função PsLookupProcessByProcessId(). Com isso, uma estrutura
interna é criada contendo os tokens de segurança, bem como o path completo de tanto o
processo recém criado ou deletado, quanto o path completo do processo pai. A obtenção
dos paths ocorre por meio da estrutura EPROCESS através da função SeLocateProces-
sImageName(). Em relação ao monitoramento de threads, por sua vez, apenas um único
PID e path são reportados, correspondendo ao processo que a thread atual está execu-

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tando. Nesse contexto, o filter driver do SACI tem um papel importante na detecção da
criação de processos por processos maliciosos. Além disso, a partir das funcionalidades
relacionadas à criação e deleção de threads, junto do filtro de Bibliotecas Dinamicamente
Ligadas (DLLs), é possível a identificação do uso de threads remotas por agentes malici-
osos.
Filtro de Registros. Os registros do Windows são uma base de dados hierárquica que é
usada por componentes do sistema e aplicações, para armazenar dados de configurações.
Os arquivos de registro estão espalhados pelo sistema, e são carregados em memória du-
rante o boot, pelo Configuration Manager, componente do executivo do Windows. Por
isso há a necessidade de um monitoramento dos registros separados do sistema de arqui-
vos, além do fato de que os registros voláteis nunca adentram o disco. A monitoração dos
registros é fundamental para a análise de malware, pois estes são alvos de várias técnicas
implementadas por códigos maliciosos. Um exemplo é o ransomware CryptoLocker, que
esteve em atividade durante 5 de setembro de 2013 até maio de 2014, que fazia modifica-
ções nos registros para garantir que o código malicioso fosse executado automaticamente
durante a inicialização do sistema. O monitoramento dos registros é feito a partir de um
callback, que é implementado em cima do mecanismo geral de callbacks executivo, que
pode ser invocado antes ou depois de uma operação de registro. Este callback permite
que tenhamos acessos aos buffers de entradas e saída fornecidos para as operações. Foca-
mos nossa análise em tipos específicos de operações de registro, RegNtSetValueKey
e RegNtDeleteValueKey, que são mais comumente encontradas em técnicas usadas
por códigos maliciosos. Ao ser ativado o callback irá armazenar, o caminho do valor
modificado, e o conteúdo da modificação.
Filtro de Carregamento de Imagens. Uma imagem é um arquivo executável (EXE),
uma DLL, ou um driver (.sys) que pode ser carregado em memória para que seja exe-
cutado. O carregamento de uma imagem em memória é essencial para o funcionamento
do SO, principalmente do MS Windows que depende fortemente das DLLs para imple-
mentação das seus subsistemas(Win32, POSIX, etc.). No entanto, essa mesma funcio-
nalidade também é frequentemente explorada por códigos maliciosos para realizar ata-
ques como injeção de DLL e Process Hollowing. Para monitorar tais ataques, registra-
se uma rotina por meio da função PsSetLoadImageNotifyRoutine(), invocada
pela função PsCallImageNotifyRoutines(), por sua vez invocada pela função
MapViewOfImageSection() após ela ter terminado de mapear a imagem em ques-
tão na memória, mas antes de retornar o fluxo para a função original (provavelmente a
LoadLibrary() ou a CreateProcess()). Assim, tem-se acesso às informações
da imagem carregada antes do ponto de entrada ser chamado. Dessa forma, quando o
filtro for ativado, ele irá registrar o caminho da imagem que foi carregada e o processo
no qual a imagem foi mapeada, e copiará a estrutura IMAGE_INFO, da qual se pode ter
acesso a diversas informações adicionais que permitem distinguir carregamentos de ro-
tina e carregamentos maliciosos (por exemplo, ImageSignatureLevel, que permite ver o
código de integridade associado à imagem).
Tokens. O token de acesso do Windows é um objeto que descreve os atributos (como
a identidade) ou as regras de segurança de um processo ou thread (como os privilégios
do usuário associado), realizando assim uma função significativa na proteção do SO. Por
exemplo, quando um usuário faz login, o sistema compara a senha digitada com os da-

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dos armazenados em um banco de dados. Caso a senha seja válida, é produzido um


token de acesso contendo informações de identificador de segurança (SID) da conta do
usuário, seus privilégios, o tipo do token (primário ou impersonation token), entre outras.
Além disso, todo processo executado em nome do usuário possui uma cópia do token
de acesso e seus privilégios associados. Assim, sempre que se tenta realizar operações
privilegiadas ou acessar recursos do sistema, o token de acesso é usado para verificação
e controle de acesso. O identificador de segurança (SID) é fundamental no modelo de
segurança do Windows, sendo usado para identificar a entidade de segurança (conta de
usuário/computador, processo executado ou thread autenticada pelo SO) ou um grupo de
segurança. O token primário descreve o contexto de segurança da conta de usuário ligada
ao processo. Por padrão do sistema, quando uma thread do processo interage com um
objeto protegido, esse token é utilizado. Porém quando uma thread representa um identi-
ficador do cliente com a mesma funcionalidade de interagir com objetos protegidos ele é
conhecido como impersonation token. Um privilégio pode controlar o acesso a recursos
ou das tarefas do próprio sistema, enquanto os direitos de acesso controlam o acesso aos
objetos protegidos como os processos e threads. Quando o usuário executa uma opera-
ção privilegiada, o sistema faz uma verificação no token de acesso para determinar quais
privilégios podem ser executados; caso os privilégios não estejam habilitados, o sistema
não executará a operação. Neste contexto, o monitoramento dos tokens é crucial para
análise da extensão do dano de um malware ao sistema alvo, pois muitos deles podem
fazer elevação de privilégios e manipulação de tokens durante o processo de infecção.

3.4.1. Por que usar filtro e não hooking de chamadas de sistema?

O uso de hooks para o monitoramento de códigos maliciosos, seja em modo usuário ou


em modo de kernel, é uma técnica comumente usada por mecanismos de proteção. En-
tretanto, existem muitas deficiências de segurança e implementação nesse tipo de técnica:
enquanto os kernel hooks (como SSDT hooking ou inline patching) comprometem a re-
presentatividade, estabilidade e segurança do ambiente, pois precisam alterar o código do
kernel e, consequentemente, implicam na desativação de mecanismos nativos de proteção
como o KPP (Kernel Patch Protection), os user mode hooks (como Microsoft Detours)
sofrem de problemas diversos para implementação correta e segura, devido à necessidade
de patching nas bibliotecas nativas dos subsistemas Windows, bem como de visibilidade
limitada na monitoração de malware privilegiado que interage diretamente com o execu-
tivo do Windows. Além disso, a evolução dos mecanismos de segurança do sistema e as
formas muitas vezes não documentadas de se fazer hooking os tornam facilmente obsole-
tos. Por outro lado, a implementação do SACI faz uso de mecanismos pré-estabelecidos
para realizar o monitoramento do sistema: o uso de filtros específicos baseados em me-
canismos nativos do sistema e funções documentadas, atuais e suportadas pela Microsoft
permite maior estabilidade na execução do sistema de monitoração e melhor manutenibi-
lidade e suporte à longo prazo.

4. Estudo de Caso
Para avaliar a granularidade da informação capturada por meio do SACI, escolheu-se
como amostra de análise o malware HermeticWiper [CISA 2022], usado contra a Ucrânia
por forças Russas em 2022. Este malware tem como objetivo principal a fragmentação e

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sobrescrita de arquivos no disco para impossibilitar sua recuperação posterior. Dado que
o HermeticWiper é um malware multifacetado, o estudo de caso foca no momento inicial
da infecção, onde a amostra faz a preparação para fragmentar o disco (Figura 3).

Figura 3. Submissão de amostra ao SACI e etapas iniciais de infecção.

O malware HermeticWiper é enviado através do microsserviço de Frontend para


o de Análise. Ressalta-se que as requisições podem ser distribuídas para diferentes con-
tainers pelo load balancer do orquestrador. Em sequência, o microsserviço de Análise
interage com a API do Proxmox para provisionar uma máquina virtual Windows a partir
de um template com o driver já carregado. Portanto, novas mudanças na máquina virtual
serão registradas em um overlay. Com isso feito, o malware é executado remotamente e,
ao finalizar, o driver irá gerar um log em JSON com informações sobre esta execução. A
Tabela 1 mostra algumas informações importantes registradas pelo SACI.
No primeiro momento (16:34:38:622), o malware carrega uma DLL ([Link]),
capturada pelo filtro de carregamento de imagens e que, após investigação, descobre-se
servir para compressão/descompressão para o malware usar durante a infecção. No se-
gundo momento (16:34:38:637), o filtro de registro notifica sobre uma alteração para 0 no
valor do \REGISTRY\MACHINE\SYSTEM\ControlSet001\Control\CrashControl, o que
fará com que se o sistema falhar, ele não irá gerar um crash dump, dificultando a análise e
o diagnóstico do culpado. Em seguida (16:34:38:638) ocorre uma elevação de privilégios,
onde o malware irá adquirir o privilégio SeBackupPrivilege. Logo após, tem-se
uma série de interações com o sistema de arquivos (16:34:38:639-16:34:38:655), captu-
radas pela callback registrada com o Filter Manager, as quais serão usados para criação
de um driver, que por sua vez será usado para fazer a fragmentação do disco: ele irá criar
o arquivo xrdr e, por meio de um WRITE, colocar driver comprimido neste arquivo para
então criar o arquivo do driver de fato ([Link]), lendo xrdr e usando a DLL carre-
gada no início para descomprimir o arquivo dentro do [Link]. Após ter terminado de
criar o driver, outra elevação de privilégios ocorre (16:34:38:715), esta detectada a partir

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Anais Estendidos do SBSeg 2024: SF

dos tokens de acesso, onde o malware irá conseguir o SeLoaddriverPrivilege que


permite que ele carregue um driver no sistema.
Tabela 1. Ações e objetos alvos do HermeticWiper no sistema monitorado.
Horário Ação Alvo
16:34:38:622 LOAD_DLL [Link]
16:34:38:637 SetKeyValue \REGISTRY\MACHINE\SYSTEM\ControlSet001\Control\CrashControl
16:34:38:638 PRIVILEGE_ESCALATION SeBackupPrivilege
16:34:38:639 CREATE \Device\HarddiskVolume4\Windows\System32\drivers\xrdr
16:34:38:640 WRITE \Device\HarddiskVolume4\Windows\System32\drivers\xrdr
16:34:38:653 CREATE \Device\HarddiskVolume4\Windows\System32\drivers\[Link]
16:34:38:654 READ \Device\HarddiskVolume4\Windows\System32\drivers\xrdr
16:34:38:655 WRITE \Device\HarddiskVolume4\Windows\System32\drivers\[Link]
16:34:39:715 PRIVILEGE_ESCALATION SeLoaddriverPrivilege

5. Considerações Finais
Este artigo introduziu o SACI, um sistema de análise de dinâmica de malware para Win-
dows 10 e 11, com projeto focado em estabilidade e manutenção. Sua arquitetura e imple-
mentação, baseados em orquestrador com balanceamento de carga e drivers de filtragem,
inovam ao permitir a detecção de escaladas de privilégio por meio da monitoração de to-
kens, bem como análise de malware privilegiado pela monitoração de drivers, coisa que
até então não era possível com o estado da arte.

Agradecimentos
Este trabalho teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Supe-
rior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001 e do C3SL - Centro de Computação
Científica e Software Livre ([Link]

Referências
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threat intelligence para identificação e análise de malware. In Anais Estendidos do XXI
SBSeg, pages 50–57, Porto Alegre, RS, Brasil. SBC.
Botacin, M., de Geus, P. L., and Grégio, A. R. A. (2018). The other guys: automated
analysis of marginalized malware. Journal of Computer Virology and Hacking Techni-
ques, 14:87–98.
CISA (2022). Mar-10375867-1.v1 – hermeticwiper. [Link]
news-events/analysis-reports/ar22-115a.
Figueiredo, G. V., Cattelan, R. G., and Miani, R. S. (2022). Sandbox as a service: au-
tomatizando a configuracão do cuckoo sandbox e a geração de dados para análise de
malware. In WTICG, SBSeg. SBC.
Guarnieri, C. (2013). Cuckoo sandbox. [Link]
Proxmox (2024). Proxmox virtual environment. [Link]
Ribeiro, A. d. S., Canedo, E. D., Mendonça, F. L. L., and Junior, R. T. d. S. (2020).
Malware analysis using the unbox tool. In 17th International Conference on Informa-
tion Technology–New Generations (ITNG 2020), pages 127–135. Springer.
Souza, C. and Silva, F. (2021). Freki: Uma ferramenta para análise automatizada de
malware. In Anais Estendidos do XXI SBSeg, pages 58–65, Porto Alegre, RS, Brasil.
SBC.

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