Sífilis
Definição
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e
exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum,
que pode causar vários sintomas e ter diferentes fases. Se não
tratada, a longo prazo, pode atingir órgãos vitais e levar a sequelas
irreversíveis.
A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com
uma pessoa infectada ou para a criança durante a gestação ou parto.
O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-
natal previne a sífilis congênita e é fundamental.
Como prevenir
O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a
medida mais importante de prevenção da sífilis, por se tratar de uma
Infecção Sexualmente Transmissível.
O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-
natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.
Sintomas
Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da
doença, que divide-se em:
1. Sífilis primária — sintomas
Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria
(pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais
da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa
lesão é rica em bactérias.
Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus,
podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.
2. Sífilis secundária — sintomas
Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses
do aparecimento e cicatrização da ferida inicial.
Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam,
incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são
ricas em bactérias.
Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo
corpo.
3. Sífilis latente — fase assintomática — sintomas
Não aparecem sinais ou sintomas.
É dividida em sífilis latente recente (menos de dois anos de
infecção) e sífilis latente tardia (mais de dois anos de infecção).
A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento
de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
4. Sífilis terciária — sintomas
Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção.
Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões
cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo
levar à morte.
Como é feito o diagnóstico
O teste rápido (TR) de sífilis está disponível nos serviços de saúde do
SUS, sendo prático e de fácil execução, com leitura do resultado em,
no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial.
Esta é a principal forma de diagnóstico da sífilis.
O TR de sífilis é distribuído pelo Departamento das IST, do HIV/Aids e
das Hepatites Virais/Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da
Saúde (DIAHV/SVS/MS) como parte da estratégia para ampliar a
cobertura diagnóstica da doença. Nos casos de TR positivos
(reagentes), uma amostra de sangue deverá ser coletada e
encaminhada para realização de um teste laboratorial (não
treponêmico) para confirmação do diagnóstico.
Deve-se avaliar a história clínico-epidemiológica da mãe, o exame
físico da criança e os resultados dos testes, incluindo os exames
radiológicos e laboratoriais, para se chegar a um diagnóstico seguro e
correto de sífilis congênita.
Tratamento
O tratamento de escolha é a penicilina benzatina (benzetacil), que
poderá ser aplicada na unidade básica de saúde mais próxima de sua
residência.
Esta é, até o momento, a principal e mais eficaz forma de combater a
bactéria causadora da doença.
Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser
iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina. Este é o
único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical, ou seja,
de passar a doença para o bebê.
A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a
reinfecção da gestante. São critérios de tratamento adequado à
gestante:
Administração de penicilina benzatina.
Início do tratamento até 30 dias antes do parto.
Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis.
Respeito ao intervalo recomendado das doses.
Sífilis Congênita
A sífilis congênita é uma doença transmitida para criança durante a
gestação (transmissão vertical). Por isso, é importante fazer o teste
para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for
positivo (reagente), tratar corretamente a mulher e sua parceria
sexual, para evitar a transmissão.
Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3
momentos:
Primeiro trimestre de gestação.
Terceiro trimestre de gestação.
Momento do parto ou em casos de aborto
A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento,
durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança.
Complicações
São complicações da sífilis congênita:
aborto espontâneo;
parto prematuro;
má-formação do feto;
surdez;
cegueira;
deficiência mental;
morte ao nascer.
A infecção por sífilis pode colocar em risco não apenas a saúde do
adulto, como também na gestação, a sífilis pode apresentar
consequências severas, como abortamento, prematuridade,
natimortalidade, manifestações congênitas precoces ou tardias e
morte do recém-nascido. Em formas mais graves da doença, como no
caso da sífilis terciária, se não houver o tratamento adequado pode
causar complicações graves como lesões cutâneas, ósseas,
cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.
Gonorreia
Definição
Infecção bacteriana do trato genital, principalmente da uretra. Agente
etiológico: Neisseria gonorrhoeae. É uma IST.
Causa
A infecção por esse diplococo gram negativo, ocorre na maioria das
vezes, por transmissão sexual em relações desprotegidas: vaginal,
oral e retal (cervicite, uretrite, faringite, entre outras). No entanto,
também pode ocorrer em recém-nascido, no momento da passagem
pelo canal do parto (conjuntivite gonocócica neonatal) e em crianças,
como resultado de abuso sexual.
O ser humano é o principal reservatório dessa bactéria. Na maioria
dos casos, os indivíduos acometidos são assintomáticos ou
oligossintomáticos (apresentam poucos sintomas). Na presença de
sintomas, costumam aparecer de 2 a 14 dias após o sexo
desprotegido.
Diplococos gram-negativos de Neisseria gonorrhoeae. Imagem de
microscopia eletrônica, de domínio público.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico clínico-epidemiológico é possível, e muitas vezes,
suficiente para iniciar o tratamento. No entanto, são necessários
exames confirmatórios da presença do gonococo.
Sendo os mais utilizados:
Coloração pelo método de Gram (mais utilizada para secreção
uretral do homem) – em variadas amostras, são evidenciados
diplococos intracelulares gram negativos e cultura;
Cultura – swabs obtidos de amostras são cultivados em meios
específicos;
NAATs (testes de amplificação de ácido nucleico) – a partir de
swabs genitais, orais ou retais, o material genético do gonoco é
amplificado (muitas vezes, juntamente com o da Clamídia).
Complicações
Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis: ocorre predominantemente nas
mulheres acometidas e trata-se de uma peri-hepatite
gonocócica ou por Clamídia. Se apresenta com dor abdominal
no hipocôndrio direito, náuseas e vômitos, febre, de forma
semelhante à doença hepática o biliar.
DIP: caracterizada por dor à mobilização do colo uterino,
dispareunia, desconforto em baixo ventre. Caso não
diagnosticada e tratada adequadamente, pode ser uma causa
de infertilidade.
Artrite gonocócica séptica: causada por uma artrite séptica com
efusão, com 1 ou 2 articulações envolvidas (principalmente
punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos). Seu início geralmente
é agudo, com dor intensa, limitação articular e febre. Sinais
flogísticos locais costumam estar presentes: edema, hiperemia
e hipertermia.
Infecção gonocócica disseminada (IGD) ou Síndrome artrite-
dermatite: é decorrente de uma bacteremia (gonococo atinge
corrente sanguínea) a partir de uma gonorreia genital, e se
apresenta com febre, poliartralgia migratória, astenia e lesões
cutâneas (pequenas, pouco dolorosas, base hiperêmica ou
papulares, vesiculares – ocorrendo nas extremidades distais).
Tratamento
O tratamento tradicional para quadros não complicados era
realizado com a administração de Ceftriaxona (cefalosporina de
3ª geração), na dose de 500mg, via intra-muscular (IM), em
dose única. Atualmente, além da Ceftriaxona, se prescreve
Azitromicina, na dose de 1g, por via oral (VO), em dose única –
uma vez que coinfecções entre Gonoco e Clamídia são comuns.
Uma alternativa à Azitromicina, é a Doxiciclina, 100mg, 2 vezes
por dia, por 7 dias. Em casos de DIP, esse tratamento se
estende para 14 dias.
Prevenção
Simples e de fácil acesso, se dá pelo uso de preservativos
(feminino e masculino) – em todas as exposições sexuais
(inclusive, no sexo oral).
Técnico de Enfermagem Turma — 8
Professor: Fabio Ribeiro
Disciplina: Saúde do Adulto e do Idoso
Sífilis e Gonorreia
Olho d’Água das Cunhãs — MA
2025