UNIDADE V: Planificação no PEA
A planificação Porque e que os professores planificam?
Será que o êxito de um processo de ensino aprendizagem depende da planificação?
Giugni (1986,p.167) considera que, “a organização racional de uma actividade
educativa, como do resto de qualquer actividade, requer necessariamente uma planificação”.
Ainda, Giugni (1986,p.167) afirma que “no caso da Educação física – as actividades
motoras (jogos, exercícios, jogos desportivos e desporto) adquirem valor educativo, quando são
«planeadas» e, supostas, ordenadas e ligadas estreitamente ao desenvolvimento da personalidade
de cada aluno”.
Bento (2003) defende que, na planificação, são determinados e concretizados os
objectivos mais importantes da formação e educação da personalidade, são apresentadas as
estruturas coordenadoras de objectivos e matéria, são prescritas as linhas estratégicas para a
organização do processo pedagógico.
Ainda segundo Bento (2003, pp.15-16) “a planificação é o elo de ligação entre as
pretensões, imanentes ao sistema de ensino e aos programas das respectivas disciplinas, e a sua
realização pratica. È uma actividade directamente situada e empenhada na realização do ensino
que se consuma na sequência:
i. Elaboração do plano
ii. Realização do plano
iii. Controlo do plano
iv. Confirmação ou alteração do plano, etc. ”
De acordo com o pensamento destes autores podemos afirmar que a planificação é um
procedimento importante, e necessário, do trabalho pré-interactivo dos professores, para que o
complexo processo de ensino-aprendizagem se desenvolva com qualidade, harmonia, eficácia e
consiga os resultados desejados.
Através de uma planificação adequada da aula, o professor proporciona mais situações
educativas aos alunos, não há perdas de tempo, confusão no espaço, errada utilização dos
recursos, melhorando assim todo o processo de ensino-aprendizagem, e o seu próprio
desempenho.
Para melhor entendermos como e quando acontece a planificação, temos que situar de
acordo com Damião, M. (1996) as decisões do professor no processo de ensino aprendizagem:
a) Decisões pré-interactivas, referentes a planificação e realização do plano de aula.
b) Decisões interactivas, que são tomadas no momento da aula interagindo com os
intervenientes, turma ou aluno.
c) Decisões pós-interactivas, referentes ao processo de avaliação e reorganização do
processo de ensino.
Modelos e formas de classificar a Planificação
Os vários modelos de planificação baseiam-se nos respectivos modelos de currículo,
tecnológico ou fechado e humanista ou aberto. O primeiro, defendido por Tyler é baseado nos
objectivos de aprendizagem, o segundo defendido por Stenhouse, dá prioridade às actividades a
desenvolver. O modelo de planificação proposto por Tyler (1949) é estruturado nas quatro etapas
que se seguem:
1. Seleccionar objectivos específicos.
2. Seleccionar actividades de aprendizagem a partir de esses objectivos
3. Organizar as actividades com vista a uma aprendizagem óptima.
4. Seleccionar os procedimentos de avaliação para comprovar em que medida se estão alcançar
os objectivos ates definidos.
Do seu lado Stenhouse (1987) defende que na planificação, é importante seguir uma
série de princípios de procedimento:
1. Principio para a selecção do conteúdo, ou, o que se deve ensinar e aprender.
2. Princípios para o desenvolvimento de uma estratégia de ensino e aprendizagem, ou como e
que se deve ensinar e aprender.
3. Princípios de tomada de decisões sobre as sequencias.
4. Princípios para orientar a tarefa de diagnostico do aluno.
5. Princípios para estudar e avaliar o progresso dos alunos.
O plano de aula
O plano de aula é uma espécie de plano de ensino, porém mais detalhado, por abordar
de maneira mais profunda os tópicos gerais que foram previstas no plano de ensino.
Ela [a aula] é feita de prévias e planejadas escolas de caminhos, que são
diversos do ponto de vista dos métodos e técnicas de ensino; [...] também
se constrói, em sua operacionalização, por percalços, que implicam
correções de rota na ordem didática, bem como mudanças de rumo; [...]
está sujeita a improvisos, porque não foram previstos, mas não pode
construir-se por improvisações. (Schewtschik. 2007).
Para elaborar de forma consistente uma aula, é necessário que o professor leve em
consideração o tempo de aula, os objetivos gerais da matéria e a sequência de conteúdos do
plano de ensino. Pois, durante a aula pode acontecer alguns imprevistos, porém é de extrema
importância que se tenha um plano em mãos para que possa contornar a situação e com isso não
tornar a aula em uma perca de tempo. Em relação à avaliação, o professor deve buscar verificar o
rendimento do aluno. Esta deve ser feita no início, durante e no final de cada unidade temática.
Segundo Libâneo (1994), é importante que cada professor ao fim de sua aula faça uma
auto avaliação da sua própria aula, no qual o próprio levante questões sobre ela, tais como, se o
objectivo foi cumprido, se foi satisfatório, entre outros questionamentos.
Importância da Planificação dos professores de Educação Física
Vimos anteriormente os benefícios da planificação, no processo de ensino –
aprendizagem. Estes benefícios abrangem todas as disciplinas, mas segundo vários autores no
caso da educação física existem ainda mais motivos para que ela seja realizada.
A especificidade da Educação Física, obriga os seus professores a desenvolver práticas
que para os outros professores não são tanto importantes. Pieron (1999,p.94) afirma que ”a
importância da organização prévia de uma aula que inclua um número máximo de alunos a
participarem nas actividades, em condições óptimas de segurança constitui um aspecto que
nunca pode estar ausente da planificação”.
Segundo o mesmo autor, a importância dada a planificação deriva de aspectos
didácticos e legais. No geral a organização do ensino exige seguir programas, manuais e planos
de aula. Passando da importância da planificação em educação física procuramos agora abordar a
estrutura da planificação da em educação física.
Retomando a classificação feita por Rey e Santamaria (1992), referente a duração da
planificação, podemos definir que em educação física a planificação a longo prazo é representada
pelo plano anual, a planificação a médio prazo e representada pela unidade didáctica é a
planificação a curto prazo, representada pelo plano de aula.
Referencias bibliográficas
Bento, O. (1996). Planeamento e avaliação em educação física. Lisboa: Livros Horizonte.
Damião, M.(1996). Pré, inter e pós acção. Planificação e avaliação em pedagogia. Coimbra:
Minerva.
Libaneo, José Carlos. (1994). O planeamento escolar. In: Didática. São Paulo: Cortez.
Giugni, G. (1991). Il corpo e il movimento nel processo educativo della persona. Torino: Scuola
Viva/22.
Pieron, M. (1999). Para uma enseñanza eficaz de las actividades físico-deportivas. Barcelona:
INDE
Stenhouse, C (1984). Investigacion y desarrollo del curriculum. Madrid: Morata.
Tyler (1949). Modelos e formas de classificar a Planificação. São Paulo: Cortez
Schewtschik, Annaly. (2007). O planeamento de aula: Um instrumento de garantia de
aprendizagem.