UNIDADE IV: Processo de ensino e aprendizagem
O Processo de Ensino
Ensinar é a actividade que tem por finalidade que o outro obtenha o conhecimento. Para
que se tenha um ensino de forma que realmente agregue valor é preciso que o professor como
sendo um transmissor de conhecimentos se utilize de métodos e técnicas adequadas que tenham
base não apenas no contexto geral como o local, assim a necessidade básica do aluno será
encarada como uma ponte para o ensino e não como um obstáculo.
Segundo Libâneo (1994, p. 90) “a relação entre ensino e aprendizagem não é mecânica,
não é uma simples transmissão do professor que ensina para um aluno que aprende.” Ele mesmo
concluiu que é algo bem diferente disso “é uma relação recíproca na qual se destacam o papel
dirigente do professor e a actividade dos alunos.”
Dessa forma podemos perceber que “O ensino visa estimular, dirigir, incentivar,
impulsionar o processo de aprendizagem dos alunos.” Ensinar envolve toda uma estrutura que
tem por finalidade alcançar a aprendizagem do aluno através de conteúdo. A relação de ensino e
aprendizagem não deve ter como base a memorização, por outro lado os alunos também não
devem ser deixados de lado sozinhos procurando uma forma de aprender o assunto, o professor
nesse caso sendo apenas um facilitador (Libâneo, 1994).
Segundo Libâneo (1994, p. 91) “O processo de ensino, ao contrário, deve estabelecer
exigências e expectativas que os alunos possam cumprir e, com isso, mobilizem suas energias.
Tem, pois o papel de impulsionar a aprendizagem e, muitas vezes, a precede.”
Para que os alunos possuam um ponto de vista que fuja do empírico e do senso comum
é preciso conteúdos com caráter científico e sistemático, dentre os diversos pontos que o autor
cita, vale destacar que o aluno precisa ter assimilado o conteúdo anterior antes que um novo seja
transmitido. E o professor anos após anos necessita de um aprimoramento e actualização da
matéria que lecciona (Libâneo, 1994).
Actividades do professor
Ao professor cabe não apenas seguir as orientações curriculares como também estar
atento à realidade de seus próprios alunos, ao meio social em que vivem, o que o chama a
intervir no próprio processo curricular. Concebe-se o professor como um mediador decisivo
entre o currículo estabelecido e os alunos, um agente activo no desenvolvimento curricular
(Masetto, 2003, p. 72). Neste processo de mediação estão inseridos os objectivos e conteúdos
que se querem atingir; o ensinar e aprender, ligados aos contextos didácticos concretos que cada
professor vivencia em seu dia-a-dia.
Cabe ao professor, que pretende desenvolver um conjunto de conhecimentos e
habilidades nos alunos, estar sempre atento ao nível de conhecimentos que o aluno já traz
consigo, isto é, seus conceitos quotidianos a fim de organizar actividades significativas e
contextualizadas que possibilitem o dar saltos qualitativos na construção do conhecimento.
Podemos dizer que, talvez, uma das qualidades mais importantes do professor seja a de
saber lançar pontes (ligações) entre as tarefas escolares e as condições prévias dos alunos para
enfrentá-las, pois é daí que surgem as forças impulsoras da aprendizagem (Libâneo, 1994, p. 95).
Aprendizagem
Aprender é o processo de assimilação de qualquer forma de conhecimento, desde o mais
simples onde a criança aprende a manipular os brinquedos, aprende a fazer contas, lidar com as
coisas, nadar, andar de bicicleta etc., até processos mais complexos onde uma pessoa aprende a
escolher uma profissão, lidar com as outras.
Dessa forma as pessoas estão sempre aprendendo (Libâneo, 1994). Para que se possa
haver aprendizagem é necessário que haja todo um processo de assimilação onde o aluno com a
orientação do professor passa a compreender, reflectir e aplicar os conhecimentos que foram
obtidos, assim à aprendizagem é observada com a colocação em prática por parte do aluno dos
conhecimentos que foram transmitidos durante uma aula ou actividade.
Para que se possa haver a aprendizagem é preciso um processo de assimilação activa
que para ser efectivo necessita de actividades práticas em várias modalidades e exercícios, nos
quais se pode verificar a consolidação e aplicação prática de conhecimentos e habilidades
(Libâneo, 1994). É de conhecimento, entretanto, que tal prática não anula as outras, mas que o
processo de assimilação activo é composto de diversos componentes como os objectivos,
conteúdos, métodos e formas organizativas.
Outro factor de suma importância é a motivação que pode acontecer de duas formas
distintas, intrínseca e extrínseca, ela é um factor muito importante para que aconteça a
aprendizagem. A motivação é intrínseca quando se trata de objectivos internos, como a
satisfação de necessidades orgânicas ou sociais, a curiosidade, a aspiração pelo conhecimento; é
extrínseca, quando a acção da criança é estimulada de fora, como as exigências da escola, a
expectativa de benefícios sociais que o estudo pode trazer, a estimulação da família, do professor
ou dos demais colegas. (Libâneo, 1994, p. 88)
Para que a aprendizagem seja efectivada é preciso que o professor organize o conteúdo
de uma maneira a atender as necessidades do aluno para que o aluno descubra suas
possibilidades. Aprender de forma alguma pode ser comparado ou relacionado com a decoração
de conteúdos que em nada acrescenta nos pensamentos e habilidades do estudante. A
aprendizagem é algo que modifica o pensamento, não se trata de uma estagnação onde os
conteúdos em nada influenciam na forma do individuo agir.
Para que se possa haver a aprendizagem o aluno necessita ser estimulado com
conteúdos de seu alcance, textos que tratem de sua realidade. Somente quando o aluno demonstra
através de acções alguma forma de mudança crítica podemos dizer que realmente existiu a
aprendizagem.
Características do PEA
O processo de ensino-aprendizagem é uma actividade particular que se distingue pelas
suas características próprias. Assim, dentre outras características, podemos dizer que o PEA
apresenta as seguintes características:
Carácter social
O trabalho docente é influenciado por vários aspesctos sociais, pois o PEA surgiu com o
desenvolvimento/aumento constante do património sócio-cultural e técnico-científico da
sociedade. É a sociedade que o organiza, determinando os objectivos, motivos, conteúdos, meios
e métodos do PEA. É a sociedade que o organiza, determinando os objectivos, motivos,
conteúdos, meios e métodos do PEA.
Assim sendo torna-se importante reflectir sobre o sentido da actividade docente, quer
dizer:
Os aspectos didácticos devem estar subordinados à definição de propósitos educativos
válidos (socialmente) para orientar nosso trabalho;
Os objectivos que nos propomos alcançar junto aos alunos são o elemento fundamental
em nosso trabalho lectivo e quando realmente nos propomos ser educadores;
Diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, a ideia de
educação não é a mesma e, consequentemente, os propósitos de educação e do PEA também não
são os mesmos, havendo, inclusive, possibilidade de adaptações no interior da mesma nação em
função das características dos alunos (sobretudo no que diz respeito ao nível de progresso e
dificuldades de aprendizagem), do contexto social e regional onde se localiza a escola, etc.
O PEA é um processo contextualizado cuja finalidade é conseguir a partir do nível de
partida dos alunos, chegar à uma verdadeira aprendizagem destes com o apoio do trabalho
didáctico do professor.
Os actores principais (professor e alunos) interagem como seres sociais.
Carácter educativo
No âmbito do processo de formação do homem, os termos educação e instrução são
inseparáveis. De facto, a instrução é a transmissão/mediação de conhecimentos, capacidades,
habilidades; podemos também defini-la como sendo o processo e o resultado da assimilação de
conhecimentos sistemáticos, assim como das acções e procedimentos inerentes a eles. Por seu
turno, a educação, pela sua característica fundamental, é o desenvolvimento/formação de
comportamento, atitude e convicções; isto é, a formação de traços/sinais da personalidade.
Assim, é impossível, no verdadeiro sentido, educar sem instruir e vice-versa, daí que,
como se reflecte na figura abaixo, a educação e a instrução estão intrinsecamente unidos e se
relacionam dialecticamente no PEA, apesar de que o alcance dos objectivos da educação é
resultado mais que o ensino, é resultado de todo o conjunto de influências que actuam sobre o
aluno/educando.
A instrução tem como enfoque principal o objectivo de desenvolver nos alunos o saber e
o saber fazer, enquanto quando falamos da educação se tem em vista o desenvolvimento do saber
ser e estar. Mas como vemos na figura, ao realizarmos a educação, ao mesmo tempo se instrui
(quem poderia ser bem educado diante de pessoas idosas se não pudesse lembrar, enunciar, as
regras principais de comportamento que se espera desse indivíduo diante dessa situação?); o
mesmo vemos que ao instruir (ex.: para condução de uma viatura) o indivíduo deve ser educado
para o respeito das normas (neste caso, de trânsito rodoviário), sem as quais a condução
automobilística se transformaria num autêntico problema para a circulação e bem-estar das
pessoas.
O PEA desenvolve a personalidade
Falar da personalidade é falar de pessoa com as suas capacidades e propriedades
intelectuais, produtivas, políticas, estéticas e emocionais determinadas pela sociedade (onde se
incluem todas as instituições), mas com a participação do seu cunho individual, sendo por isso
única.
Uma determinada pessoa que se distingue na sociedade pelas suas qualidades e traços.
A personalidade desenvolve-se na actividade e nas relações. A actividade principal
durante a infância e a juventude é a actividade escolar, isto é, a participação no PEA. Logo a
personalidade desenvolve-se principalmente no PEA. O PEA é de grande importância para a
maneira como a personalidade vai-se desenvolver, para as facetas da personalidade que são
desenvolvidas e para a direcção em que ela se desenvolve através da actividade de
aprendizagem.
O PEA é um processo dinâmico de desenvolvimento, isto é, dialéctico.
Para Fernández (1998), as reflexões sobre o estado actual do processo ensino-
aprendizagem nos permite identificar um movimento de ideias de diferentes correntes teóricas
sobre a profundidade do binómio ensino e aprendizagem.
Entre os factores que estão provocando esse movimento podemos apontar as
contribuições da Psicologia actual em relação à aprendizagem, que nos leva a repensar nossa
prática educativa, buscando uma conceptualização do processo ensino-aprendizagem.
As contribuições da teoria construtivista de Piaget, sobre a construção do conhecimento
e os mecanismos de influência educativa têm chamado a atenção para os processos individuais,
que têm lugar em um contexto interpessoal e que procuram analisar como os alunos aprendem,
estabelecendo uma estreita relação com os processos de ensino em que estão conectados.
Os mecanismos de influência educativa têm um lugar no processo de ensino-
aprendizagem, como um processo onde não se centra atenção em um dos aspectos que o
compreendem, mas em todos os envolvidos.
O PEA tem carácter sistemático e planificado
Quando falamos do carácter sistemático e planificado do PEA isto significa que este
processo:
Tem objectivos
Tem programas com conteúdos estruturados
Decorre num ano lectivo estruturado (com horários e outras actividades planificadas)
Os alunos estão distribuídos por classes na base de um critério especificado (ex: critério
idade, talento no caso de sistemas de ensino diferenciado, etc).
As actividades a realizar na sala de aula são previstas com antecedência, em função das
características dos alunos e do professor, da mateira a ensinar, dos objectivos, dos
meios/condições materiais e humanos existentes, etc.
O PEA é regido por leis que se exprimem em regularidades
PEA é regido por leis que se exprimem em regularidades, primeiro, assumimos que a
lei expressa as relações gerais, necessárias, essenciais, reiteradas e relativamente constantes do
mundo real. Assim, nas ciências pedagógicas existem as chamadas relações didácticas legítimas
(que são reiteradas, essenciais, estáveis e internas).
Por exemplo, Klingberg destaca a existência das relações didácticas legítimas:
Relação entre objectivo-conteúdo-método-meios no PEA;
Relação entre educação e instrução;
Relação entre teoria e prática;
Relação entre condução didáctica e autoactividade;
Relação entre ensino e aprendizagem;
Relação entre homogeneidade e diferenciação;
Relação entre processos de conhecimento e de exercitação;
Relação entre processos de continuidade e de consolidação;
Por sua vez Babanskii reconhece a existência das seguintes leis:
Lei da condicionalidade social do PEA;
Lei da unidade entre o ensino e aprendizagem no PEA;
Lei da unidade ensino e desenvolvimento da personalidade;
Lei da unidade entre planificação, a orientação e a avaliação; dos alunos em um ciclo do
PEA
Referencias bibliográficas
Fernández. F. A (1998). Didática y optimización del processo de enseñanza-aprendizaje. IN:
Instituto Pedagógico Latinoamericano y Caribeño – La Havana – Cuba,
Libâneo, J. C. (1994). Didática. São Paulo: Cortez editora.
Masetto, M. C. (2003). Competência Pedagógica do Professor Universitário. São Paulo:
Summus editorial.