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Economia, Poder Político e Ética Social

O documento aborda a relação entre economia e poder político, definindo a economia como a ciência que estuda a utilização de recursos escassos e a interação entre oferta e demanda. Discute também a responsabilidade social das empresas, enfatizando a importância de contribuir para uma sociedade mais justa e sustentável. Além disso, explora conceitos éticos, como a ética kantiana e a responsabilidade moral, destacando a necessidade de liberdade e consciência nas ações humanas.

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Economia, Poder Político e Ética Social

O documento aborda a relação entre economia e poder político, definindo a economia como a ciência que estuda a utilização de recursos escassos e a interação entre oferta e demanda. Discute também a responsabilidade social das empresas, enfatizando a importância de contribuir para uma sociedade mais justa e sustentável. Além disso, explora conceitos éticos, como a ética kantiana e a responsabilidade moral, destacando a necessidade de liberdade e consciência nas ações humanas.

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ECONOMIA E PODER POLÍTICO

CONCEITO:
o Economia pode-se definir como a ciência que estuda como as sociedades
usam os recursos escassos e os processos de produção, a troca ou
intercâmbio e consumo de bens e de serviços.
o O termo deriva do grego cujo significado é: “administração do lar ou a
família”.
o A economia consiste em dar os critérios mais racionais, para que os
recursos existentes escassos sejam repartidos da melhor maneira possível
mais eficiente e de forma .

ECONOMIA E PODER POLÍTICO


2) Dentro da economia existem: a microeconomia e a macroeconomia.

o A microeconomia estuda os comportamentos dos indivíduos


(consumidores e produtores) e o mercado onde interagem. A
macroeconomia estuda o resultado dos comportamentos desses
indivíduos. A economia é usada em várias organizações humanas, sejam
públicas ou privadas, além de domínios como finanças, agricultura,
mercado de trabalho.

3) Conceitos básicos: oferta e demanda

o A oferta são os produtos e tem relação com a quantidade de produtores


capazes de produzi-los.
o A demanda está relacionada com os usuários que querem esses produtos e
estão dispostos a pagar uma quantidade (preço) por eles num determinado
tempo e dentro dos níveis possíveis de preços determinados pelos
produtores. Dependendo do preço terá mais usuários ou menos.
o O ponto de união entre oferta e demanda é chamada equilíbrio de mercado.
4) Em democracias, o Poder político é exercido pelos eleitos pela maioria dos
cidadãos, que é necessariamente constituída por trabalhadores não
proprietários de meios de produção social, boa parte dos quais ganha a vida
como assalariados de empresas capitalistas; ao passo que no capitalismo, o
Poder econômico é exercido pelos capitalistas, mas não por todos por igual.

Aspectos positivos da economia globalizada:

o - maior disponibilidade de poupança, condição necessária para a elevação


da taxa de crescimento econômico;
o - maior eficiência nos investimentos, direcionando os recursos existentes
para as oportunidades mais produtivas;
o - disponibilidade de instrumentos para melhor gerenciamento de riscos
financeiros, por parte de governos e empresas;
o - maior facilidade de financiamento de déficits fiscais, já que os governos
deixam de depender apenas dos mercados domésticos.

Aspectos negativos da economia globalizada:

o - Os riscos macroeconômicos da maciça entrada de capitais nas economias


de países em desenvolvimento merecem especial destaque, em virtude da
rapidez com que suas consequências podem ser sentidas. Cumpre
mencionar, inicialmente, os efeitos cambiais e monetários
o - a entrada de capitais provocará o efeito de expansão monetária, com
possíveis impactos sobre a taxa de inflação doméstica.
o - trazendo em seu núcleo uma provável recessão doméstica.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

CONCEITO:
a) Responsabilidade social é quando as empresas decidem, voluntariamente,
contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo.

b) dois níveis:

o o nível interno relaciona-se com os trabalhadores e, a todas as partes


afetadas pela empresa e que, podem influenciar no alcance de seus
resultados;
o - O nível externo são as conseqüências das ações de uma organização sobre
o meio ambiente, os seus parceiros de negócio e o meio em que estão
inseridos.
o - A responsabilidade social implica a noção de que uma empresa não tem
apenas o objetivo de fazer lucro, mas, trazer benefício financeiro às pessoas
que trabalham na empresa, também deve contribuir socialmente para o seu
meio envolvente, exemplo, cultura e boas condições para a sociedade.
o Existem diversos fatores que originaram o conceito de responsabilidade
social:
o - em um contexto da globalização e das mudanças nas indústrias, surgiram
novas preocupações e expectativas dos cidadãos, dos consumidores, das
autoridades públicas e dos investidores em relação as organizações.
o Os indivíduos e as instituições, como consumidores e investidores,
começaram a condenar os danos causados ao ambiente pelas atividades
econômicas e também a pressionar as empresas para a observância de
requisitos ambientais e exigindo à entidades reguladoras, legislativas e
governamentais a produção de quadros legais apropriados e a vigilância da
sua aplicação.
o Os primeiros estudos que tratam da responsabilidade social tiveram início
nos Estados Unidos, na década de 50, e na Europa, nos anos 60. As
primeiras manifestações sobre este tema surgiram em 1906, porém essas
não receberam apoio, pois foram consideradas de cunho socialista, e foi
somente em 1953, nos Estados Unidos, que o tema recebeu atenção e
ganhou espaço.
o Na década de 70, começaram a surgir associações de profissionais
interessados em estudar o tema, e somente a partir daí a responsabilidade
social deixou de ser uma simples curiosidade e se transformou em um novo
campo de estudo.

RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA


o - Existe também a responsabilidade social corporativa, que é o conjunto de
ações que beneficiam a sociedade e as corporações que são tomadas pelas
empresas, levando em consideração a economia, educação, meio-
ambiente, saúde, transporte, moradia, atividades locais e de governo.
o Geralmente, as organizações criam programas sociais, o que acaba gerando
benefícios mútuos entre a empresa e a comunidade, melhorando a
qualidade de vida dos funcionários, e da própria população.
o Responsabilidade Social Empresarial está intimamente ligada a uma gestão
ética e transparente que a organização deve ter com suas partes
interessadas, para minimizar seus impactos negativos no meio ambiente e
na comunidade. As empresas de hoje em dia têm cada vez mais uma
consciência social, o que é traduzido pela responsabilidade social
demonstrada.

RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL


o A responsabilidade social está intimamente relacionada com práticas de
preservação do meio ambiente. Assim, uma empresa responsável a nível
social deve ser conhecida pela criação de políticas responsáveis a nível
ambiental, tendo como um dos seus principais objetivos a sua
SUSTENTABILIDADE.

RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL


o Etimologicamente, a palavra sustentável tem origem no latim "sustentare" ,
que significa sustentar, apoiar e conservar. O conceito de sustentabilidade
está normalmente relacionado com uma mentalidade, atitude ou estratégia
que é ecologicamente correta, e viável no âmbito econômico, socialmente
justa e com uma diversificação cultural. É o bom uso dos recursos naturais
da terra, como a água, as florestas, etc.

É a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade:

o Tem uma abordagem científica - os problemas morais, onde a ética se ocupa


de um objeto próprio: o setor da realidade humana que chamamos moral;

o Como ciência – a ética parte de certo tipo de fatos visando descobrir os


princípios gerais
o Neste sentido, embora parta de dados empíricos, isto é, da existência de um
comportamento moral efetivo, não pode permanecer no nível de uma
simples descrição ou registro dos mesmos, mas os transcende com seus
conceitos, hipóteses e teorias.

o Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e


objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar
conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível,
comprováveis. (VÁSQUEZ, A. S. Ética, capt. I, pp. 12 a 14)

A ÉTICA E A MORAL

o Os conceitos de moral e ética, embora sejam diferentes, são com freqüência


usados como sinônimos.

o Ética vem do grego = ethos, modo de ser adquirido, caráter, costume;


o Moral vem do latim = mos, moralis, referente ao que é relativo ao costume

o Em sentido amplo – a moral é o conjunto de regras de conduta admitidas em


determinada época ou por um grupo de homens.

o Nesse sentido, o homem considerado moral ou imoral é aquele que age


bem ou mal na medida em que acata ou transgride as regras do grupo.

o A ética ou filosofia moral é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão


a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral.
(ARANHA, M. L. de; MARTINS, M. H. P. Filosofando, capt 27 – A Moral);
(ARRUDA, Maria Cecília Coutinho de. Fundamentos de Ética Empresarial e
Econômica, capt.2, p. 41
PLATÃO:
O mundo sensível é uma cópia do mundo ideal;

o Atuar eticamente é atingir o mundo ideal;


o A inteligência bem utilizada conduz ao bem;
o O autêntico sábio procura o ideal e retifica quando erra.

ARISTÓTELES:
Ética é a ciência de praticar o bem.

o O bem de cada coisa está definido na sua natureza: esse bem é uma meta a
alcançar. Portanto, do bem depende a auto-realização do agente, isto é, a
felicidade. O bem do homem é viver uma vida virtuosa e a virtude mais
importante é a sabedoria;

o Toda ação livre tem como finalidade o bem. O bem é o objeto de nossas
aspirações: a felicidade.

A essência da felicidade reside na vida contemplativa e intelectual.

HÁ TRÊS TIPOS DE BENS:


Exteriores do corpo e da alma: os bens da alma são os mais importantes e são os
bens por excelência

ÉTICA KANTIANA – ÉTICA DO DEVER (1724-1804)

o - Enquanto Sócrates, Platão e Aristóteles tinham propostas éticas


fundamentadas na idéia do bem e na observação da realidade, para kant o
fundamento da ética era o dever.
o - De acordo com kant, aspirar ao bem é egoísmo e o egoísmo não pode
fundamentar os valores morais.
o - A única atitude não egoísta é a boa vontade, ou seja, agir por obrigação.
o A boa vontade tem a bondade em si mesma, fundamenta-se na retidão, na
intenção de agir por obrigação, por cumprir um dever;
o - Para que um ato seja bom não basta que seja legal, mas que seja feito por
dever. Caso contrário, não terá valor moral.
o - Isso não significa que a pessoa não deva procurar a felicidade: “porque o
fato de não estar satisfeito com a própria situação, de ver-se carregado de
preocupações e desejos, não satisfeitos, poderia representar uma forte
tentação de infringir o dever”.

O QUE É O DEVER?
o - O dever corresponde à lei que provem da razão e se impõe a todo ser
racional. É uma espécie de fato que não pode ser deduzido de um princípio
superior:
o - Traduz-se na consciência pelo imperativo categórico.
o - O imperativo categórico, diferentemente do imperativo hipotético
condicional – se queres isso, faça aquilo – declara a ação objetivamente
necessária em si mesma, sem relação a nenhuma finalidade. É um
mandato.
o - A fórmula: “age sempre de acordo com uma máxima que possa erigir em
lei universal”. Uma máxima que possa ser erigida em lei universal é racional
e objetiva; aquela que não pode sê-lo permanece subjetiva e empírica.
o Exemplo: roubar não é ético, porque o homem não pode querer que esta
ação – o roubo – se converta em lei universal.
o - De acordo com Kant, não basta atuar conforme o dever, por exemplo, um
comerciante atua honestamente, de acordo com o dever, é preciso agir por
dever. Agir por dever é a necessidade de cumprir uma ação por respeito à lei
o Diz Kant, “Age sempre como se a máxima da tua ação tivesse que ser erigida
em lei universal da natureza”;
o - “Age sempre de tal maneira que trates o humano, em ti ou em outro, como
um fim e nunca como meio. A idéia de fim aqui é expressão do dever, não de
seu fundamento. A pessoa deve submeter sua ação à razão, pois é a razão
que torna humano o homem”
o O dever não se impõe exteriormente: provém da razão que constitui o
homem;
o - Submeter-se a uma lei estranha (objeto exterior) é incompatível com a
dignidade da pessoa humana, como ocorria com as éticas anteriores.
o - Qual a questão que fica sem explicação em Kant? A questão da liberdade
o Ser livre é agir sem estar determinado por causas estranhas, mas
determinando cada um a lei de sua própria ação. Liberdade e ética são
idênticas. O homem é razão e sensibilidade. Se fosse somente razão, seria
sempre ético. Caso fosse somente sensibilidade, suas ações estariam
sujeitas à heteronímia. Por ser razão e sensibilidade, a necessidade racional
impõe-se a ele como um dever a cumprir.

CONDIÇÕES DA RESPONSABILIDADE MORAL


o Atos morais são aqueles nos quais podemos atribuir ao agente uma
responsabilidade não só pelo que se propõe a realizar, mas também pelos
resultados ou conseqüências da sua ação;
o - O problema da responsabilidade moral está relacionado com o da
necessidade e liberdade humanas, pois somente admitindo que o agente
tem certa liberdade de opção e de decisão é que pode responsabilizá-lo
pelos seus atos.
o Não basta julgar determinado ato segundo uma norma ou regra de ação,
mas é preciso examinar as condições concretas nas quais se realiza, a fim
de determinar se existe a possibilidade de opção e de decisão necessária
para poder imputar-lhe uma responsabilidade moral.
o - Exemplo: roubar é um ato reprovável do ponto de vista moral e tanto mais
se a vítima é um amigo.
o - E se tratando de um cleptomaníaco? Continuaríamos a reprovar a sua ação
julgando-o responsável?
o Nestas condições não se pode imputar uma responsabilidade moral e seria
necessário eximi-lo dela, considerando um doente que realiza um ato –
normalmente ilícito – por não conseguir se autocontrolar
o - Portanto, quais são as condições necessárias e suficientes para poder
imputar a alguém uma responsabilidade moral por determinado ato?
o que o sujeito não ignore nem as circunstâncias nem as conseqüências da
sua ação; ou seja, que o seu comportamento possua um caráter consciente;
o que a causa dos seus atos esteja nele próprio e não em outro agente que o
force a agir de certa maneira, contrariando a sua vontade; ou seja que a sua
conduta seja livre.
A IGNORÂNCIA E A RESPONSABILIDADE MORAL
o - A ignorância é sempre uma condição suficiente para eximir da
responsabilidade moral?
o - Ex: o motorista que estava viajando e se chocou com outro que estava
enguiçado numa curva da rodovia, provocando graves prejuízos materiais e
pessoais pode alegar que não viu o carro que ali estava estacionado
(ignorava a sua presença) porque a luz dos seus faróis eram muito fraca?
o - Neste caso, o motorista ignorava, mas podia e devia não ignorar, se tivesse
feito a revisão dos seus faróis.
o - Ex: a criança, em certa fase do seu desenvolvimento, quando não
acumulou a experiência social necessária e unicamente uma consciência
moral embrionária, não somente ignora as circunstâncias dos seus atos,
mas também desconhece a sua natureza boa ou má.
o - Ex: na antiga sociedade grega, as relações propriamente morais só podiam
ser encontradas entre os homens livres e não podiam verificar entre os
homens livres e os escravos, visto que os escravos não eram reconhecidos
como pessoas A
o Quem dá ao neurótico um objeto que lhe provoca uma reação específica de
cólera não pode ser responsabilizado pela sua ação se afirma
fundadamente que ignorava estar tratando com um doente desta natureza,
ou que com o objeto em questão, pudesse provocar nele uma reação tão
desagradável;
o - É necessário acrescentar que, não só não as conhecia, mas que não podia
e não tinha a obrigação de conhecer.
o - Em resumo: a ignorância das circunstâncias, da natureza ou das
conseqüências dos atos humanos autoriza a eximir um indivíduo da sua
responsabilidade pessoal, mas essa isenção estará justificada somente
quando, o indivíduo em questão não for responsável pela sua ignorância; ou
seja, quando se encontra na impossibilidade subjetiva (por razões pessoais)
ou objetiva (por razões históricas e sociais) de ser consciente do seu ato
pessoal

o - A segunda condição para que se possa responsabilizar uma pessoa por um


ato é que a causa deste esteja dentro dele próprio e não provenha de fora
(coação externa), ou seja, de algo ou de alguém que o force – contra a sua
vontade – a realizar o referido ato;
o - Quando o agente moral está sob a pressão de uma coação externa, perde
o controle dos seus atos, sendo-lhe fechado o caminho da eleição e da
decisão pessoais, realiza um ato nem escolhido nem decidido
pessoalmente.
o Ex: um motorista de carro, que roda na cidade à velocidade regulamentar e
que dirige com habilidade, depara-se de repente com um pedestre que cruza
imprudentemente a rua. Para não atropelar, vê-se forçado a fazer uma curva
brusca e atropela uma pessoa que, na esquina, esperava o ônibus.
o - Pergunta-se: o motorista é moralmente responsável? Não, pois a causa do
seu ato estava fora dele.
o Como dizia Aristóteles, a coação externa pode provir não de algo –
circunstâncias imprevistas – que forcem a agir de certa maneira contra a
vontade do agente, mas de alguém que consciente e voluntariamente o
force a realizar um ato que não quer fazer, isto é, que o agente não escolheu
e não decidiu
o - Ex: Se alguém, de pistola na mão, force Pedro a escrever umas linhas em
que difama outra pessoa, pode ele ser considerado responsável pelo que
escreveu?
o - Ex: Se João tem obrigação de acudir ao seu amigo Paulo, que se encontra
numa situação muito crítica, e Tadeu, um inimigo seu, lho impede, barrando-
lhe o caminho com o uso de uma força superior à sua, não ficará João isento
de qualquer responsabilidade moral, seja qual for a gravidade das
conseqüências de não ter acudido Paulo?
o Portanto, a coação externa pode anular a vontade do agente moral e eximi-
lo da sua responsabilidade pessoal;
o - Mas isso não pode ser tomado em sentido absoluto, porque há casos em
que, apesar de suas formas extremas, sobra-lhe certa margem de opção, e,
por conseguinte de responsabilidade moral.
o Existe a possibilidade de resistir em alguns casos, tratando-se de atos cujas
conseqüências afetam profundamente a amplos setores da população ou à
sociedade inteira.
o - Ex: o famoso processo Nüremberg contra os principais dirigentes do
nazismo alemão: nenhum deles aceitou a sua responsabilidade legal (e,
ainda menos, moral) pelos crimes monstruosos cometidos pelos nazistas.
o - Todos eles alegavam ignorância dos fatos ou a necessidade de cumprir
ordens superiores.
o - Neste caso, é evidente que a ignorância, em certos casos, ou a coação, em
outros- de acordo com o que afirmamos anteriormente -, não podiam
absolver os nazistas de sua responsabilidade penal e, ainda menos, da
moral.
o Em regra, o homem só pode ser moralmente responsável pelos atos cuja
natureza conhece e cuja consequências pode prever, assim como por
aqueles que, por se realizarem na ausência de uma coação externa, estão
sob seu domínio e controle.
o Assim, podemos dizer que um indivíduo normal é moralmente responsável
pelo roubo que comete, à diferença do cleptomaníaco que rouba por um
impulso irresistível.
o O assassinato é reprovável moralmente e quem o comete contrai, além de
outras responsabilidades, uma responsabilidade moral.
o Mas poderíamos considerar moralmente responsável o neurótico que mata
no momento de crise aguda?
o Neste caso, o sujeito não tem consciência, pelo menos quando realiza tais
atos, dos motivos verdadeiros, da sua natureza moral e das suas
consequências.
o Nestes casos, atuam sob uma coação interna a que não podem resistir e,
portanto, ainda que os seus atos possuam a sua causa no seu íntimo, não
são propriamente seus, porque não puderam exercer um controle sobre
eles.
o Estes são casos de coação interna em que o sujeito não pode resistir de
maneira alguma, (pessoas doentes, que embora se comportam de maneira
normal, mostram zonas de comportamento que se caracterizam por sua
anormalidade, ex; cleptomaníaco, maníaco etc.
o Mas existem casos em que é possível resistir a ponto de a pessoa ser
responsabilizado moralmente, ex: desejos, paixões, ciúmes etc.)

o A consciência – como a moral em geral – pertencem a homens reais que se


desenvolvem historicamente;

o A consciência moral é um produto histórico; algo que o homem cria e


desenvolve no decurso da sua atividade prática e social. Evolui de acordo
com as exigências do desenvolvimento social.
o -A consciência moral do burguês, na França do séc. XVIII, já não podia ser a
do nobre decadente da corte de Luís XVI

o Somente em sociedade o indivíduo toma consciência do que é permitido e


proibido, do obrigatório e do não obrigatório num sentido moral.

o Portanto a consciência moral, é o produto de um longo processo de


desenvolvimento da humanidade. Tem caráter social e não biológico,
porque na interioridade da sua consciência o sujeito não escuta apenas a
sua própria voz, mas também a da sociedade que lhe proporciona os
princípios e as normas morais conforme as quais julga e avalia.

o A consciência moral efetiva é sempre consciência de um homem concreto


individual, mas, por isso mesmo, de um homem que é essencialmente
social

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