INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO
GRANDE DO NORTE
FILIPE GABRIEL VIANA DE OLIVEIRA; KAIK DA SILVA MACHADO; MATEUS
FELIPE TAVARES DE SOUZA; RAYAN MATHEUS GOMES DO NASCIMENTO
RELATÓRIO DA VISITA TÉCNICA ÀS EMPRESAS ARMIL E CGM, EM
PARELHAS/RN, PELAS DISCIPLINAS PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DE MINAS E PRÁTICA DE CAMPO
NATAL/RN
2024
FILIPE GABRIEL VIANA DE OLIVEIRA; KAIK DA SILVA MACHADO; MATEUS
FELIPE TAVARES DE SOUZA; RAYAN MATHEUS GOMES DO NASCIMENTO
RELATÓRIO DA VISITA TÉCNICA ÀS EMPRESAS ARMIL E CGM, EM
PARELHAS/RN, PELAS DISCIPLINAS PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DE MINAS E PRÁTICA DE CAMPO
Relatório técnico-científico apresentado ao
Curso Técnico em Mineração do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio Grande do Norte, em cumprimento às
exigências legais como requisito parcial à
obtenção do título de Técnico em Mineração.
Orientadora: Maria Carolina de
Albuquerque Feitosa Amador.
NATAL/RN
2024
RESUMO
Esse trabalho retrata o que foi observado na aula de campo realizada entre 25 e
26 de novembro de 2024, no município de Parelhas, Rio Grande do Norte. O
presente relatório tem por objetivo expor o que foi aprendido durante a visita à Armil
e Casa Grande Mineração (CGM), e, por fim, obter nota para a avaliação da matéria
de Prática de Campo.
Palavras-chaves: Mineração; Armil; Casa Grande Mineração; Técnico em
Mineração.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO…………………………………………………….5
2 GEOSÍTIO CRUZEIRO……………………...5
2.1 TRILHA………………………………………………………..5
2.2 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E GEOLOGIA REGIONAL….6
2.3 DESMONTE E LAVRA……………………………………………7
2.4 CONTROLE DE QUALIDADE……………………………………8
2.5 BRITAGEM E REBRITAGEM……………………………………11
2.6 HOMOGENEIZAÇÃO E TESTES FÍSICOS E QUÍMICOS…..12
2.7 MOAGEM………………………………………………………….14
3 CONCLUSÃO…………………………………………………….14
5
1 INTRODUÇÃO
Tendo a necessidade de uma aula prática em campo para a conclusão do Curso
Técnico Integrado em Mineração, foi realizada uma viagem, organizada pela
professora e coordenadora Maria Carolina, ao município de Parelhas, no estado do
Rio Grande do Norte. A viagem tinha como o objetivo a visita técnica a mina ***** e a
Armil, porém, devido a um problema físico com o ônibus disponibilizado pelo Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, a ida ao local
da lavra não pôde ser realizada.
A saída do IFRN se deu às 7:40h do dia 25 de Novembro de 2018 (segunda feira)
com chegada ao IFRN campus Parelhas às 12:30 para que os alunos pudessem
almoçar. Após isso, o destino era uma das minas próximas a cidade, lavrada pela
CSM, entretanto devido ao problema com o amortecedor do ônibus não foi possível
o comparecimento. Mesmo assim, as informações de lavra serão passadas pelo
engenheiro e estarão presentes nesse trabalho.
Na terça feira (26), os alunos chegaram no local em que se localiza a Armil e a
CSM, onde ocorre o beneficiamento dos minérios. A Casa Grande Mineração é
responsável pela lavra e por parte do beneficiamento, já a Armil é responsável pelo
beneficiamento laboratorial. Ambas as empresas dividem o mesmo dono.
As empresas atuam há 25 anos, possuindo 55 concessões e usando de 8 delas
para atender sua demanda de material e não haver a sobrecarga de apenas um
local.
2 ARMIL E CASA GRANDE MINERAÇÃO
2.1 HISTÓRICO
As atividades de mineração em Parelhas por intermédio das empresas citadas
deram-se início por volta dos anos 1990 e 2000. A história delas no local está ligada
principalmente a extração de quartzito e outros minerais importantes para a
construção civil e várias áreas da indústria, até para ração animal, por exemplo.
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A Armil (Figura 1) e a CSM contribuíram exponencialmente para o
desenvolvimento econômico e social local, gerando empregos, desenvolvimento na
região e apoiando a comunidade. A atividade mineral em Parelhas é importante não
apenas para a economia local, mas também para o abastecimento de materiais para
outras regiões.
Figura 1: Entrada da empresa ARMIL, em Parelhas/RN
Fonte: Acervo Pessoal (2024)
2.2 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E GEOLOGIA REGIONAL
Figura 2: Localização do município de Parelhas/RN
7
Fonte: FamilySearch (2024).
Parelhas está localizada no estado do Rio Grande do Norte, Brasil, na região do
Seridó. A cidade está situada a aproximadamente 230 km da capital, Natal.
A geologia da região de Parelhas é bastante diversificada, com predominância de
formações geológicas que incluem rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. O
município é conhecido pela presença de quartzitos (Figura 3), que são amplamente
explorados pelas empresas de mineração atuantes no presente trabalho.
Figura 3: Mapa litológico simplificado do Rio Grande do Norte
Fonte: FAPERN (2006).
2.3 DESMONTE E LAVRA
As minas da Armil em Parelhas são a céu aberto e há em média 3 detonações por
mês, usando de explosivos granulados e encartuchados com uma razão de
carregamento de 0,560kg/m^3. Possui malha A = 1,30m - E = 1,70m.
Para a lavra são usados os equipamentos de furação PW5000 e o compressor
XMS400, tendo apoio da escavadeira hidráulica CAT360, pá carregadeira CAT930 e
um caminhão basculhante com capacidade de 9m^3.
Como a visita ao local não foi possível, todas as poucas informações presentes
foram fornecidas pelo engenheiro da mina.
8
2.4 CONTROLE DE QUALIDADE
O controle de qualidade em relação aos produtos minerais requisitados pelos
clientes da Armil e CGM é de suma importância para a continuação do contrato entre
eles, haja vista o asseguramento pelo contratado dos requisitos técnicos essenciais
que o comprador apela.
Durante a visita técnica às empresas Armil e CGM, em Parelhas/RN, os técnicos
de mineração efetivos e estagiários da empresas expuseram a sequência e todos os
controles de qualidade das empresas. Entre eles, há as seguintes etapas:
amostragem, ensaio químico, ensaio físico, controle estatístico do processo, geração
de relatórios para assegurar ao comprador a qualidade do produto (conforme
ABNT), testes cerâmicos, ensaios de comparação com padrões.
A amostragem consiste na coleta representativa de amostras em diferentes
etapas da prospecção mineral, contudo, com ênfase no produto final, a fim de
garantir que não haja nenhum desvio do padrão requisitado pelo cliente.
Por conseguinte, a análise química assegura a pureza do produto final, o qual
definirá importantes características fisico-químicas da futura cerâmica produzida.
Nas empresas visitadas, usam-se o espectrofotômetro de absorção atômica para
verificar a composição química como um todo das amostras analisadas. Outrossim,
caso as amostras apresentem alto teor de pureza de certo mineral, para atenderem
os requisitos técnicos dos clientes e para não aumentar consideravelmente o valor
de seu produto, o qual rescindiria acordos antes feitos, a Armil e CGM optam por
fazer um blend entre produtos com baixas e altas concentrações. Logo, o resultado
é uma concentração dentro do comum visto no mercado e com o preço adequado ao
que se é pedido.
Também no teste químico, é analisado a concentração de sílica (SiO2), alumina,
(Al2O3), óxido de ferro (Fe2O3) e óxidos alcalinos, que, no geral, se caracterizam
como ametais associados ao oxigênio, como óxido de potássio (K2O), Na2O.
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Em ressonância à etapa anterior, o ensaio físico trabalha conjugadamente ao
ensaio físico, porquanto o grau de pureza de determinados minerais interferem em
suas características físicas. Com isso, são feitos testes granulométricos, analisam a
densidade aparente, a plasticidade do produto e o teor de umidade das amostras
analisadas.
Além disso, é feito com recorrência o controle estatístico do processo, o qual revê
se determinadas amostras estão divergindo do padrão de produção. Tal etapa é de
suma importância para afirmar o compromisso com os clientes, pois, com um
determinado produto atenuado, pode-se interferir na qualidade do material feito pela
empresa que receberá essa matéria prima.
Destarte, os testes cerâmicos feitos pelos técnicos de mineração na CGM são de
suma importância para a continuação do êxito no beneficiamento mineral como um
todo. Esses testes simulam o comportamento do Feldspato, principal rocha
trabalhada na produção de cerâmica, e avaliam seus impactos finais nas
propriedades da cerâmica.
Nesse mesmo prisma, ainda no teste cerâmico, é feito o fluxo térmico, que mede
o seu ponto de fusão com fornos a alta temperatura e sua deformação piroplástica
durante a sua fusão (Figura 4), além da sua vitrificação e o teste de retração linear,
por meio do princípio de dilatação e compressão térmica.
Figura 4: Testes de cone de fusão e de colorimetria no laboratório da CGM
10
Fonte: Acervo Pessoal (2024).
No eixo citado, também se é avaliado o formato de cone no processo de fusão.
Com base na mesma amostragem, analisam a colorimetria final (Figura 5) após a
queima de uma peça cerâmica feita pelos técnicos (a qual é feita com uma
formulação de cerâmica associada ao feldspato da empresa) verificando a influência
de contaminantes, como ferro, na estética do produto.
Figura 5: Teste de colorimetria em pastilhas cerâmicas feito pelos técnicos em
mineração das empresas
11
Fonte: Acervo Pessoal (2024).
Por fim, a cada produto vendido pela Armil e pela CGM, é associado um relatório
técnico com base na ABNT, a fim de assegurar a qualidade do produto vendido por
eles aos seus compradores, logo, reforçando seu compromisso com eles e sua
responsabilidade em entregar um material de qualidade, que será, posteriormente,
convertido em utilidades para parte da sociedade brasileira.
2.5 BRITAGEM E REBRITAGEM
Após a extração, o material é levado para pilhas com controle físico e químico,
dessas pilhas o material segue para os processos de britagem e rebritagem em um
circuito fechado. Esse circuito conta com um britador de mandíbulas, seguido por um
britador cônico e um britador excêntrico, nessa ordem. As usinas de britagem têm
capacidade superior a 100.000 toneladas por mês.
No processo de britagem, o material é transportado por caminhões até o britador
de mandíbulas, onde ocorre a fragmentação inicial das rochas e minérios. Nesse
estágio, blocos de aproximadamente 70 cm são reduzidos a fragmentos de cerca de
3 mm.
Os fragmentos que ainda excedem 3 mm são direcionados por meio de esteiras
equipadas com ímãs para a remoção de partículas de ferro. Em seguida, o material
passa pelo britador cônico e, posteriormente, pelo britador excêntrico, para atingir o
tamanho de grão desejado.
Durante todo o processo de britagem e rebritagem, uma parte significativa do
material se perde na forma de poeira, exigindo atenção especial para sistemas de
controle ambiental e recuperação de partículas finas.
12
2.6 HOMOGENEIZAÇÃO E TESTES FÍSICOS E QUÍMICOS
Sobre os aspectos de análise química e física dos materiais utilizados pela
empresa armil, ambas as áreas trabalham juntas, para um maior refinamento e
controle de qualidade do produto. Todas as pilhas de materiais que permanecem no
pátio, possuem suas especificações químicas e físicas, permitindo um controle maior
sobre os “blends” de cada material, para no processo de homogeneização, eles
possuirem um controle do percentual de cada material que estará no produto final, a
dosagem vem do cliente, onde este específica o que deseja, e a empresa realiza a
homogeneização até chegar no material.
No primeiro laboratório apresentado (Figura 6), são feitos os testes de
granulometria. Cada bag (pequeno recipiente plástico), recebe uma quantidade de
material que será o equivalente a uma tonelada, e nesta também é identificada para
qual empresa irá o material certo. Um dos testes realizados, é na utilização de um
ferro imantado, que serve para purificar o material e ver o teor de ferro da amostra.
Figura 6: Laboratório físico da CGM: técnicos em mineração expondo seu dia a dia
Fonte: Acervo Pessoal (2024).
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Eles também realizam um teste de fusibilidade, onde dependendo do teor do
ferro, este fica mais acinzentado, e quanto mais potássio, mais branco, no feldspato,
o titânio é contaminante, para alguns clientes, é necessário realizar a análise
química, devido o fato de que alguns materiais contaminantes podem ser prejudiciais
para a utilização do produto, com essa questão variando de cliente para cliente.
A análise química é realizada em um espectrofotômetro de absorção atômica
(Figura 7), o aparelho lê lítio e detecta os elementos da tabela periódica, os lendo
por emissão de chama por meio de uma chama ou um forno de grafite,
transformando os componentes em átomos livres no estado gasoso. Uma lâmpada
específica para o elemento de interesse emite luz em um comprimento de onda
característico, que atravessa a amostra. Os átomos do elemento absorvem parte
dessa luz, e a intensidade da absorção é proporcional à concentração do elemento.
Essa leitura é realizada de acordo com o cliente, onde ele decide quais elementos
buscar naquela amostra, o mesmo recebe o retorno, vê se está de acordo, e depois
o material é vendido.
Figura 7: espectrofotômetro de absorção atômica no laboratório químico da ARMIL
Fonte: Acervo Pessoal (2024).
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2.7 MOAGEM
No processo de moagem, o moinho de martelos desempenha um papel fundamental
na obtenção do material com a granulometria desejada. Esse moinho utiliza bolas de
alumina maciça como corpo moedor. A alumina é resistente à abrasão e não
contamina o material durante o processo, garantindo a pureza do produto final. O
silo de estocagem tem capacidade de 120 toneladas, o que permite uma operação
contínua e evita interrupções por falta de material.
Em seguida, o material segue para os moinhos, que possuem peneiras acopladas
com malhas que variam de 30 até 325 mesh (30, 60, 100, 200, 300 e 325 são todas
as opções disponíveis). Durante todo o processo de beneficiamento, joga-se água
para diminuir a emissão de poeira, reduzindo assim a contaminação por silicose
tanto para os trabalhadores quanto para os moradores de comunidades próximas.
Além disso, há supervisão por meio de ferro imantado para eliminar possíveis
impurezas metálicas.
Cada moinho de martelos possui cerca de 20 toneladas em molas, que
proporcionam estabilidade e absorvem vibrações, garantindo o controle adequado
da pressão durante a moagem. Todo o sistema é automatizado, oferecendo precisão
no controle dos parâmetros operacionais, como a velocidade dos martelos e a taxa
de alimentação do material. Isso assegura uma produção padronizada e reduz a
necessidade de intervenção manual.
Ao final do processo, o material é reduzido de partículas de até 3 milímetros para
uma granulometria de 325 mesh — o produto obtido por essa peneira se assemelha
a um talco de criança devido à sua baixa granulometria, equivalente a
aproximadamente 44 mícrons. Esse produto é embalado em volumes variados, que
vão desde 1200 kg a granel até pacotes menores de 35 kg, facilitando o transporte e
armazenamento conforme a necessidade dos clientes.
3 CONCLUSÃO
15
A visita técnica às empresas de mineração Armil e CGM proporcionou uma
experiência enriquecedora para os alunos, permitindo-lhes vivenciar de forma prática
os conceitos teóricos aprendidos em sala de aula. Durante a atividade, foi possível
observar todo o processo de beneficiamento mineral, desde a etapa inicial de
britagem até os rigorosos testes de qualidade dos produtos, evidenciando a
aplicação das melhores práticas e tecnologias disponíveis no setor.
Além disso, os expositores das empresas destacaram a importância da atuação do
técnico em mineração, elucidando as competências exigidas pela profissão e os
desafios enfrentados no ambiente de trabalho. Foram apresentados exemplos
práticos da relevância desse profissional nas etapas de operação, controle e gestão
de processos minerários, bem como as possibilidades de crescimento na carreira
dentro de empresas do segmento.
A visita também permitiu aos alunos compreenderem a aplicação das normas
técnicas e regulatórias, como as da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e da Agência Nacional de Mineração (ANM), em cada etapa do
beneficiamento mineral, reforçando a importância do rigor técnico e da
responsabilidade ambiental e social.
Por fim, a atividade consolidou o aprendizado dos alunos, proporcionando uma visão
ampla e prática do mercado de trabalho e contribuindo significativamente para a sua
formação técnica e profissional.