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Rute: Lealdade e Redenção na Bíblia

O Livro de Rute narra a história de lealdade e redenção entre Noemi, Rute e Boaz, ambientada durante o período dos Juízes em Israel. Rute, uma moabita, demonstra uma lealdade extraordinária a sua sogra Noemi, enquanto Boaz, um parente resgatador, age com bondade para restaurar a dignidade da família. A narrativa destaca temas de lealdade, provisão divina e inclusão, culminando na genealogia que conecta Rute à linhagem do Rei Davi.

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Rute: Lealdade e Redenção na Bíblia

O Livro de Rute narra a história de lealdade e redenção entre Noemi, Rute e Boaz, ambientada durante o período dos Juízes em Israel. Rute, uma moabita, demonstra uma lealdade extraordinária a sua sogra Noemi, enquanto Boaz, um parente resgatador, age com bondade para restaurar a dignidade da família. A narrativa destaca temas de lealdade, provisão divina e inclusão, culminando na genealogia que conecta Rute à linhagem do Rei Davi.

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O Livro de Rute: Uma História de Lealdade e Redenção

O livro de Rute é um dos livros mais curtos e cativantes da Bíblia Hebraica, encontrado entre os livros históricos do
Antigo Testamento. Embora breve, ele oferece uma narrativa rica em temas como lealdade familiar, fidelidade a Deus,
provisão divina e o conceito de redenção. A história se passa durante o período dos Juízes, um tempo de grande
instabilidade em Israel, o que contrasta com a beleza e a esperança da trama

Personagens Principais

A narrativa gira em torno de três personagens centrais:

 Noemi: Uma mulher de Belém de Judá que, devido a uma fome severa, emigra para Moabe com seu marido
Elimeleque e seus dois filhos, Malom e Quiliom. Ela enfrenta a perda de toda a sua família masculina e retorna
para sua terra natal amargurada, acreditando que a mão de Deus se voltou contra ela.
 Rute: Uma mulher moabita que se casa com Malom, filho de Noemi. Após a morte do marido, ela demonstra
uma lealdade extraordinária à sua sogra, recusando-se a abandoná-la e declarando sua famosa frase: "Para onde
quer que fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu
Deus." (Rute 1:16). Sua decisão de seguir Noemi para Belém é o ponto de virada da história.
 Boaz: Um rico e nobre parente de Elimeleque (marido de Noemi), dono de terras em Belém. Ele é um homem
justo e íntegro, que age com bondade e honra em relação a Rute e Noemi, cumprindo o papel de "resgatador"
(goel).

A Trama Detalhada / Capítulo 1: A Tragédia e o Retorno

A história começa em Belém de Judá, onde uma fome severa força Elimeleque, Noemi e seus dois filhos a migrar para
Moabe. Lá, os filhos se casam com mulheres moabitas: Malom se casa com Rute e Quiliom com Orfa. Tragicamente,
Elimeleque, Malom e Quiliom morrem, deixando Noemi e suas duas noras viúvas e sem filhos.

Ao saber que a fome havia terminado em sua terra natal, Noemi decide retornar a Belém. Ela encoraja Rute e Orfa a
ficarem em Moabe e se casarem novamente em sua própria terra. Orfa, após alguma hesitação, se despede de Noemi e
volta para sua família. Rute, no entanto, demonstra sua inabalável lealdade, declarando sua intenção de seguir Noemi e
abraçar seu povo e seu Deus.

Noemi e Rute chegam a Belém e são recebidas com comoção pela comunidade, que mal reconhece a Noemi abatida pela
dor. Noemi expressa sua amargura, pedindo para ser chamada de "Mara" (amarga), pois sente que Deus a havia "tratado
com amargura".

Capítulo 2: Rute no Campo de Boaz Chegando a Belém, Noemi e Rute se encontram em uma situação de pobreza e
vulnerabilidade. Rute decide ir para os campos para respigar (colher os grãos que os ceifeiros deixavam para trás),
uma prática permitida pela Lei Mosaica para ajudar os pobres. Por providência divina, ela acaba no campo de Boaz, um
parente de Elimeleque.

Boaz, ao observar Rute, pergunta sobre ela a seus servos e fica impressionado com sua dedicação a Noemi e com sua
fama de mulher virtuosa. Ele demonstra uma grande bondade para com Rute, permitindo que ela respigue livremente
em seus campos, oferecendo-lhe água e alimento, e instruindo seus ceifeiros a deixarem ainda mais grãos para ela. Rute
fica surpresa e agradecida pela gentileza de Boaz.

Ao retornar para casa, Rute conta a Noemi sobre a bondade de Boaz. Noemi reconhece a mão de Deus e a importância
de Boaz como um parente resgatador (goel), alguém que tinha o direito e a responsabilidade de resgatar a propriedade
e a linhagem da família de Elimeleque.

Capítulo 3: A Proposta de Casamento Noemi, percebendo a bondade de Boaz e a necessidade de segurança para Rute,
elabora um plano audacioso para que Rute peça a Boaz que cumpra seu papel de resgatador. Ela instrui Rute a se banhar,
ungir-se, vestir suas melhores roupas e ir até a eira (local onde os grãos são debulhados e separados), onde Boaz estaria
dormindo após o trabalho.

No meio da noite, Rute deita-se aos pés de Boaz. Quando ele acorda assustado, Rute revela sua identidade e seu pedido:
"Estende a tua aba sobre a tua serva, porque tu és o remidor" (Rute 3:9). Este é um pedido formal para que ele a tomasse
como esposa e resgatasse a linhagem.
Boaz, novamente, elogia a virtude de Rute e sua decisão de buscar um resgatador fiel, em vez de um homem jovem.
Ele aceita o pedido, mas revela que há um parente mais próximo com direito de resgate que ele. Boaz promete resolver
a questão na manhã seguinte.

Capítulo 4: O Resgate e a Linha de Davi Pela manhã, Boaz vai até a praça da cidade e convoca os anciãos e o parente
mais próximo. Ele apresenta a situação: Noemi está vendendo parte da terra de Elimeleque, e o parente mais próximo
tem o direito de resgatá-la, mas ao fazer isso, também deve casar-se com Rute, a fim de levantar descendência para o
falecido.

O parente mais próximo, inicialmente, mostra-se disposto a resgatar a propriedade, mas recua quando descobre que isso
envolverá casar-se com Rute e "prejudicar sua própria herança". Ele então cede o direito de resgate a Boaz,
simbolizando a transação através da remoção de sua sandália.

Boaz, diante dos anciãos e do povo, declara publicamente sua intenção de comprar a propriedade de Elimeleque e de
Quiliom, e de tomar Rute como sua esposa, para "levantar o nome do falecido sobre a sua herança" (Rute 4:10). O
povo e os anciãos abençoam a união, pedindo que Rute seja como Raquel e Lia, que edificaram a casa de Israel.

Boaz se casa com Rute, e ela concebe um filho, que é chamado de Obede. As mulheres de Belém celebram o
nascimento e declaram que Noemi agora tem um "restaurador de alma e mantenedor de sua velhice".

O livro conclui com uma genealogia que revela a importância de Obede: ele é o pai de Jessé, que é o pai do Rei Davi.
Isso estabelece Rute, a moabita, como uma das ancestrais do próprio Davi e, consequentemente, de Jesus Cristo.

Temas Centrais

 Lealdade (Hesed): A lealdade de Rute a Noemi é o motor da história, demonstrando um amor e um


compromisso que transcendem as obrigações familiares e culturais. O termo hebraico hesed (bondade amorosa,
lealdade, graça) é central aqui, e Rute e Boaz são exemplos vivos dele.
 Provisão Divina: Embora Deus não fale diretamente no livro, Sua mão é claramente vista nos eventos que se
desenrolam, desde Rute encontrando o campo de Boaz até a restauração de Noemi.
 Redenção: O conceito do goel (resgatador) é fundamental. Boaz, como parente resgatador, age para restaurar a
dignidade, a propriedade e a linhagem da família de Elimeleque, salvando Noemi e Rute da pobreza e da
extinção da linhagem. Isso prefigura a redenção espiritual.
 Inclusão de Gentios: Rute, sendo uma moabita (um povo geralmente hostil a Israel), é acolhida e se torna uma
figura central na linhagem messiânica, destacando a graça de Deus que se estende além das fronteiras étnicas de
Israel.
 Fé e Virtude: A história celebra a fé e a virtude de Rute, que, mesmo em circunstâncias adversas, age com
integridade e amor.

O livro de Rute é mais do que uma simples história de amor e família. Ele é uma narrativa que:

 Oferece esperança em tempos de desespero e perda.


 Ilustra a providência e a bondade de Deus, mesmo quando Sua presença não é explicitamente declarada.
 Mostra a importância da lealdade, da bondade e da integridade nas relações humanas.
 Conecta a história de um indivíduo à grande narrativa da salvação, revelando a origem da linhagem de Davi
e, por extensão, de Jesus.

1. Um dos dois únicos livros da Bíblia com nome de mulher: Junto com o livro de Ester, Rute é um dos raros
livros bíblicos que tem uma mulher como protagonista e dá nome ao livro. Isso já o destaca.
2. Passa-se no Período dos Juízes: Embora seja uma história de amor e redenção, o livro de Rute se passa durante
o período dos Juízes, uma época conhecida pela anarquia e pela frase "cada um fazia o que bem parecia aos seus
olhos". A história de Rute contrasta fortemente com a violência e a infidelidade daquele tempo, mostrando a
fidelidade em meio à crise.
3. A inclusão de uma Moábita na linhagem messiânica: Moabe era um povo descendente de Ló (filho de Ló com
sua filha mais velha, Gênesis 19:37), e historicamente, os moabitas eram inimigos de Israel, sendo até mesmo
proibidos de entrar na assembleia do Senhor (Deuteronômio 23:3-6). A inclusão de Rute, uma moabita, na
linhagem de Davi e, consequentemente, de Jesus, é uma demonstração poderosa da graça e da universalidade da
salvação de Deus, que transcende barreiras étnicas e culturais.
4. A importância do Goel (Resgatador): O livro de Rute ilustra de forma prática a lei do goel ou parente-redentor.
O goel era o parente mais próximo que tinha a responsabilidade de resgatar a propriedade de um parente
falecido, vingar seu sangue ou comprar a liberdade de um parente vendido como escravo. No caso de Rute, Boaz
age como goel para restaurar o nome e a propriedade da família de Elimeleque, e para prover um herdeiro para
Malom através de Rute. Este conceito é uma poderosa prefiguração de Jesus Cristo como nosso Supremo
Resgatador.
5. A ligação com a Festa de Shavuot (Pentecostes): Na tradição judaica, o livro de Rute é lido publicamente
durante a festa de Shavuot (Festa das Semanas ou Pentecostes). Existem algumas razões para isso:
o A história se passa no tempo da colheita da cevada e do trigo, que era a época de Shavuot.
o Shavuot celebra o recebimento da Torá (Lei) no Monte Sinai, e Rute exemplifica a obediência e a
fidelidade aos princípios da Lei, como a lei do respigar e a lei do resgatador.
o A inclusão de Rute, uma gentia que abraça o Deus de Israel, ressoa com a ideia da universalidade da Torá
para todas as nações.
o Davi, descendente de Rute, nasceu e morreu na festa de Shavuot (segundo a tradição judaica).
6. O contraste entre a "amargura" de Noemi e a "bondade" de Boaz e Rute: O livro começa com Noemi
pedindo para ser chamada de "Mara" (amarga) devido às suas perdas. No entanto, a lealdade de Rute e a bondade
de Boaz transformam sua amargura em alegria e redenção, culminando na celebração do nascimento de Obede.
7. A linguagem e o estilo literário: O livro de Rute é notável por sua beleza literária e prosa elegante. É uma
narrativa concisa, com um enredo bem construído e personagens cativantes, o que o torna uma das joias literárias
do Antigo Testamento. É frequentemente classificado como uma "novela" ou "conto curto" bíblico.
8. Significado dos nomes: Os nomes dos personagens carregam significados importantes que refletem a narrativa:
o Elimeleque: "Meu Deus é Rei"
o Noemi: "Minha doçura" ou "Minha delícia"
o Mara: "Amarga" (nome que Noemi adota)
o Malom: "Doente"
o Quiliom: "Consumido" ou "Fraco"
o Orfa: "Aquela que vira as costas" ou "nuca" (refletindo sua escolha de retornar)
o Rute: Significado incerto, talvez "companheira" ou "amiga"
o Boaz: "Nele há força"
o Obede: "Servo" ou "Aquele que adora"

O contexto social e cultural da época: Como era a vida para as mulheres, as leis de herança, o papel do goel
(resgatador) em detalhes.
A psicologia dos personagens: As emoções de Noemi, a força de Rute, a retidão de Boaz.
Lições teológicas e espirituais: Como a providência de Deus se manifesta, o significado da inclusão de Rute para a
linhagem messiânica.
O estilo literário: A beleza da prosa, o uso do diálogo.
As leis mosaicas mencionadas: A lei do respigar, a lei do levirato (casamento do cunhado), a lei do goel.

O Contexto Social e Cultural no Período dos Juízes / O período dos Juízes (aproximadamente 1200 a.C. - 1050
a.C.) foi um tempo de transição e considerável instabilidade em Israel. Após a conquista de Canaã, as tribos israelitas
ainda não tinham um governo centralizado (rei), e a liderança era exercida por "juízes" levantados por Deus em
momentos de crise. Este era um período de ciclos de pecado, opressão por nações vizinhas, clamor a Deus, e libertação
por um juiz. O livro de Rute, com sua narrativa de amor e provisão, brilha como um farol de esperança e fidelidade em
meio a esse caos.

1. A Vida para as Mulheres A sociedade israelita antiga era predominantemente patriarcal, o que significa que os
homens detinham a maior parte do poder e da autoridade na família e na sociedade. No entanto, isso não significa que as
mulheres eram completamente desvalorizadas ou sem influência, como alguns podem imaginar.

 Dependência Masculina: A segurança e o status de uma mulher estavam fortemente ligados à sua relação com
um homem – pai, marido ou filho. Mulheres viúvas, especialmente sem filhos, eram extremamente vulneráveis
social e economicamente. Noemi e Rute, ao ficarem viúvas e sem filhos homens, enfrentavam uma situação
precária e sem perspectivas futuras em Moabe, e ao retornar a Belém, a situação era similar. A fala de Noemi
sobre a falta de um "futuro marido" para suas noras em Rute 1:11-13 reflete essa realidade.
 Papéis Domésticos e Sociais: As mulheres tinham papéis vitais no lar e na economia doméstica. Elas eram
responsáveis pela gestão da casa, criação dos filhos, preparação de alimentos (como fazer pão, o que era uma
atividade econômica crucial), e muitas vezes contribuíam para a economia familiar com trabalhos como a fiação
e a tecelagem. A "mulher forte" de Provérbios 31 é um exemplo idealizado de uma mulher com grande
capacidade e influência dentro e fora de casa.
 Trabalho no Campo (Respigar): Para mulheres pobres e viúvas, como Rute, a lei do "respigar" (Levítico 19:9-
10; Deuteronômio 24:19-22) era um direito essencial de subsistência. Essa lei ordenava que os donos de campo
não deveriam colher suas lavouras até a última espiga, mas deveriam deixar as beiradas e o que caía para os
estrangeiros, órfãos e viúvas. Isso demonstra uma provisão divina e uma responsabilidade social para com os
mais vulneráveis. É exatamente isso que Rute faz em Rute 2:3, e sua "casualidade" de cair no campo de Boaz é
vista como a providência de Deus.
 Influência e Respeito: Embora não fossem líderes públicos na maioria dos casos (com exceções notáveis como
Débora, uma juíza e profetisa), mulheres virtuosas e sábias eram altamente respeitadas na comunidade. A
reputação de Rute, por sua lealdade e caráter, era amplamente conhecida em Belém (Rute 3:11), o que é um
testemunho de seu valor.

2. Leis de Herança As leis de herança em Israel eram complexas e visavam manter a terra dentro da família e da tribo,
refletindo a importância da terra como herança divina e base da identidade tribal.

 Herança Masculina: A regra geral era que a herança da terra passava de pai para filho. A primogenitura (o filho
mais velho) geralmente recebia uma porção dupla da herança.
 Caso de Ausência de Filhos Homens: Se um homem morresse sem filhos homens, a herança passaria para suas
filhas (Números 27:8). Este foi o caso das filhas de Zelofeade, que pleitearam seu direito à herança e Moisés,
consultando a Deus, concedeu-lhes esse direito, estabelecendo um precedente. No entanto, para evitar que a
herança de uma tribo fosse para outra, as filhas herdeiras deveriam casar-se dentro de seu próprio clã tribal
(Números 36:6-9).
 A "Terra de Noemi": Noemi estava em posse de uma parte da terra que pertencia a seu falecido marido,
Elimeleque. Como ela não tinha filhos homens vivos, essa terra estava em risco de sair da linhagem familiar. O
resgate dessa terra é parte fundamental do papel do goel.

3. O Papel do Goel (Resgatador) em Detalhes O termo hebraico goel (‫ )ֹגֵא ל‬é crucial para entender o livro de Rute e a
teologia da redenção. O goel era um parente próximo que tinha a responsabilidade de agir em nome de um membro da
família que estava em apuros ou que havia perdido seus direitos. Suas funções principais incluíam:

 Redimir a Terra (Levítico 25:25-28): Se um parente se tornasse pobre e precisasse vender sua terra (que era
sua herança familiar e a base de sua subsistência), o goel tinha o direito e a obrigação de comprá-la de volta para
manter a propriedade dentro da família. Isso era vital para a continuidade da linhagem e do legado. No livro de
Rute, a terra de Elimeleque (e Malom) precisava ser resgatada por Noemi, e Boaz se oferece para cumprir esse
papel.
 Resgatar Pessoas (Levítico 25:47-49): Se um israelita se endividasse a ponto de ter que se vender como escravo
para um estrangeiro, o goel podia resgatá-lo, pagando o preço de seu resgate para libertá-lo.
 Vingança de Sangue (Números 35:19-21; Deuteronômio 19:6,12): Se um parente fosse assassinado, o goel era
o "vingador de sangue" responsável por executar justiça contra o assassino. Embora não seja um tema central em
Rute, mostra a extensão da responsabilidade do goel sobre a família.
 Cumprir o Casamento de Levirato (Deuteronômio 25:5-10): Embora não seja estritamente o goel em todos os
casos, a lei do levirato estava intimamente ligada à função de resgate da linhagem. Se um homem morresse sem
deixar filhos, seu irmão (ou parente próximo) deveria casar-se com a viúva para levantar descendência para o
falecido. O primeiro filho nascido dessa união seria considerado filho do falecido, mantendo seu nome e sua
herança. Essa é a essência do que Rute pede a Boaz (Rute 3:9, "estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és
o remidor/resgatador"). Ela não pede apenas casamento, mas o cumprimento dessa obrigação de resgate da
linhagem.

Condições para Ser um Goel (no contexto de Rute):

Ser parente próximo: Boaz era um parente de Elimeleque, mas havia outro parente mais próximo que tinha a primeira
opção de resgate (Rute 3:12; 4:1).Ter os meios: O goel precisava ter a capacidade financeira para comprar de volta a
propriedade ou pagar o resgate da pessoa. Boaz era um homem "poderoso e valente" (Rute 2:1), o que implicava riqueza
e influência. Disposição para agir: O goel precisava estar disposto a cumprir essa obrigação. No caso de Rute, o
parente mais próximo declinou porque não queria "prejudicar sua própria herança" (Rute 4:6), pois assumir Rute
significaria também assumir o risco de ter um filho que carregaria o nome do falecido, e não o seu próprio. O Rito da
Sandália (Rute 4:7-8): A desistência do parente mais próximo foi formalizada por um rito público: a remoção da
sandália. Era um costume antigo em Israel que, para confirmar uma transação de resgate ou troca, a pessoa que abria
mão de seu direito tirava a sandália e a entregava ao outro. Isso servia como testemunho público da validade do negócio.
No caso, a sandália do parente mais próximo foi removida, simbolizando que ele estava abrindo mão de seu direito e
transferindo-o para Boaz. Era um ato de desonra para o homem que se recusava, pois a sandália era um símbolo de
autoridade e posse.

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