Direitos e Garantias Fundamentais
Direitos e Garantias Fundamentais
Disposições gerais
Disposições gerais
Direito Garantia
Honra Indenização por dano em caso de violação.
Direito à informação Sigilo de fonte, quando necessário ao exercício profissional.
Liberdade de manifestação do pensamento Proibição do anonimato.
Disposições gerais
Igualdade
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguinte...
São titulares dos direitos e deveres individuais e coletivos as pessoas físicas e jurídicas que estiverem no território nacional.
A Constituição estabelece como fundamentais os direitos de proteção ao que há de mais importante para cada pessoa:
Nascer
Permanecer vivo
Viver com dignidade
Igualdade
Direito à vida:
▪ O direito à vida será garantido antes do nascimento (proteção à vida intrauterina), devendo ser compreendido tanto sob o ponto de vista da proteção para
não ser morto, como o direito de ter uma vida digna.
▪ Existem desdobramentos relevantes sobre o direito à vida que merecem destaque:
▪ Aborto: O direito à vida proíbe e permite. A proibição do aborto encontra seu fundamento no direito à vida assegurado desde a concepção, sendo
que as situações em que será permitido são aquelas em que se protege o direito à vida da genitora com dignidade, como no caso do aborto
sentimental quando a gravidez decorre de estupro.
▪ Eutanásia: O direito à vida proíbe que se ponha termo ao sofrimento em decorrência de uma doença incurável ou dolorosa.
▪ Ortotanásia: O direito à vida com dignidade impede que se prolongue a vida a qualquer custo, por maior sofrimento que isso possa causar.
Direito à morte:
▪ Testamento vital: Manifestação de vontade do maior capaz de não se submeter a determinado tratamento, sobrepondo-se a orientação médica ou desejo
dos familiares.
▪ Transfusão de sangue: Sendo o paciente maior e capaz sua decisão deverá prevalecer. Por outro lado, sendo o paciente menor ou incapaz, cabe aos médicos
priorizar o direito à vida (STJ).
Igualdade
Igualdade formal Igualdade material
Todos são iguais perante a lei. Nós não somos iguais.
Existem várias situações em que a própria constituição faz distinção entre as pessoas, como no caso de aposentadoria para homens e
mulheres; obrigatoriedade do serviço militar em tempo de paz; as prerrogativas de função; ao imunidades para os parlamentares; reserva
de vagas em concurso público para deficientes. Além das situações de distinção expressamente reconhecidas pelo constituinte originário o
STF tem se posicionado pela constitucionalidade de normas que estabelecem tratamento distinto entre aqueles que a priori seriam iguais,
seja para assegurar o acesso ao ensino superior, seja para impedir o acesso a cargos públicos (limite de idade).
Súmula 683, STF: O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do
cargo a ser preenchido.
Legalidade
Art. 5º [...]
II Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
Não se confunde com o princípio da Reserva Legal, que atende a observância de determinada lei para regular certas matérias.
Art. 7º [...]
I Relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos.
XXII Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
XXIII Adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei.
Somente uma norma elaborada de acordo com o processo legislativo previsto no artigo 59, da CRFB/88, pode estabelecer uma obrigação de
fazer ou não fazer algo. As normas infralegais (decretos, resoluções, portarias...) podem, apenas, regulamentar o que consta das leis. A
reserva legal pode ser simples ou qualificada:
Simples Qualificada
Nos termos da lei... Art. 5º, LX. A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando
Na forma da lei... a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
Lei Complementar...
É qualificada quando o legislador constituinte já estabelece as condições para atuação do legislador infraconstitucional.
Proibição da tortura
Art. 5º [...]
III Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
Além da discussão sobre a natureza absoluta ou relativa da determinação constitucional, é preciso observar as questões relacionadas ao
uso de algemas nos termos da Súmula Vinculante nº 11 do STF.
Pontos relevantes:
▪ Tatuagens: Podem sofrer restrições em concursos em caso de conterem obscenidades, ameaças reais, incitação à violência,
iminente ofensas à dignidade da pessoa humana.
▪ Denúncias anônimas: O STF entende que um inquérito policial não pode iniciar exclusivamente como base em denúncias
anônimas, que podem servir para dar início a investigações policiais, desde que seguida da devida apuração dos fatos nela
noticiados.
▪ Direito de resposta: É preciso destacar que só pode ser invocado quando se trata de matérias veiculadas nos meios de
comunicação social, não sendo possível no caso de ofensas individuais, como as que ocorram nas redes sociais. Estas podem
dar origem a ações de natureza cível ou até de ordem criminal, mas não serem para o ajuizamento da ação de direito de Imagem extraída do site [Link]
resposta. Hoje a matéria é regulada pela lei 13.188/2015, que dispõe sobre o direito de resposta ou retificação do ofendido
em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social.
No julgamento da ADPF 187, em decisão unânime, o STF decidiu que os direitos constitucionais de reunião e de livre
expressão do pensamento garantem a realização dessas marchas e que o art. 287, CP deve ser interpretado conforme a
Constituição de forma a não impedir manifestações públicas em defesa da legalização de drogas. No julgamento da ADI 4274,
a Suprema Corte julgou procedente a ação direta para dar ao § 2º do artigo 33 da Lei 11.343/2006 interpretação conforme à
Constituição, para dele excluir qualquer significado que enseje a proibição de manifestações e debates públicos acerca da
descriminalização ou legalização do uso de drogas ou de qualquer substância que leve o ser humano ao
entorpecimento episódico, ou então viciado, das suas faculdades psicofísicas.
A liberdade de consciência assegura o direito de formar a convicção de forma livre sem qualquer barreira decorrente de uma ou outra
ideologia. Tendo a liberdade de crença uma definição semelhante, apenas voltada para o aspecto religioso.
Art. 19, CRFB. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I Estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na
forma da lei, a colaboração de interesse público.
A colaboração de interesse o público é regulada pela lei 13.019/2014 que estabelece o regime jurídico das parcerias entre a administração
pública e as organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em termos de
colaboração, em termos de fomento ou em acordos de cooperação, permitindo a colaboração para o desenvolvimento de programas que
contribuam para a alfabetização, promoção e prevenção da saúde, cultura, conservação do patrimônio histórico e artístico etc.
No que se refere a proteção aos locais de culto e as liturgias merece destaque a questão da permissão para o sacrifício de animais em
cultos religiosos, sobrepondo a liberdade de crença e de culto sobre o meio ambiente.
Imperativo de consciência
Art. 5º [...]
VIII Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se
a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Quanto à alternativa referida no texto constitucional, assim dispõe o art. 3º, §2º, da lei 8.239/1991:
Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente
militar.
Aquele que alegar motivo de crença religiosa, convicção filosófica ou política em tempo de paz poderá eximir-se de prestar
atividade de caráter essencialmente militar durante o período do serviço militar obrigatório. Neste caso, o objetor de
consciência deverá prestar o serviço alternativo previsto na lei, consistente em atividades de caráter administrativo,
assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo.
Liberdade de expressão
Art. 5º [...]
IX É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.
Honra e imagem: A honra pode ser objetiva (a forma como a sociedade vê uma pessoa) ou subjetiva (a forma como a pessoa pensa de si
própria). A imagem por sua vez pode ser compreendida em 3 modalidades:
➊ Imagem social: Corresponde ao que as pessoas pensam do ofendido.
➋ Imagem-retrato: É a imagem física do indivíduo.
➌ Imagem autoral: É a imagem do autor que participa de obras coletivas.
Intimidade e vida privada: A intimidade é o círculo menor que se encontra no interior do direito à vida privada. São as relações entre
amigos ou familiares, que se refere ao que é exclusivo da pessoa. Já a vida privada abrange uma gama maior de relacionamentos, como os
comerciais, de trabalho, o convívio diário.
Vida privada
Direito à intimidade:
▪ Sigilo bancário: Pode ser quebrado por decisão judicial ou por CPI; Intimidade
▪ Sigilo fiscal: Pode ser quebrado por decisão judicial, por CPI ou pelo FISCO.
Vida privada
Inviolabilidade da casa
Art. 5º [...]
XI A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial.
Noite Dia
Flagrante delito Flagrante delito
Desastre Desastre
Prestar socorro Prestar socorro
... Determinação judicial
18h às 6h 6h às 18h
A lei de abuso de autoridade apresenta como criminoso o ingresso de autoridade pública, sem consentimento do morador, para cumprir
mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21 horas ou antes das 5 horas. Tal disposição não altera o que já se aplicava
anteriormente, tendo apenas criminalizado a conduta do agente público. Assim, se o agente público, munido de mandado judicial,
ingressar na casa da pessoa após as 18h e antes da 21h ou após às 5h e antes das 6h não comete crime. Por outro lado, eventuais provas
encontradas não formam obtidas de forma lícita e não podem ser admitidas no processo.
É uma situação similar a prática de atos processuais entre as 18 e 20 horas previstos no Código de Processo Civil (art. 172). Os atos podem
ocorrer, como eventual busca e apreensão, mas deve ser observada a inviolabilidade do domicílio das 18 até às 6 horas.
Casos que merecem atenção, como quarto de hotel, quarto de motel, quarto de hospital e habitação coletiva.
O conceito de casa deve observar um caráter amplo, pois compreende, na abrangência de sua designação tutelar, (a) qualquer
compartimento habitado, (b) qualquer aposento ocupado de habitação coletiva e (c) qualquer compartimento privado não aberto ao
público, onde alguém exerce profissão ou atividade.
Entretanto, carro é carro, salvo se for casa.
Licenciado para: luisa soares | E-mail: luisabatista19@[Link] | CPF: 01074315057
Disposições gerais Direitos e Garantias Fundamentais 19
Primeiro destaca-se que a expressão último caso diz respeito tanto ao sigilo de dados como o das comunicações telefônicas.
▪ Ordem Judicial: É preciso observar a reserva de jurisdição. A lei 9.296/96 regulamenta a parte final do inciso XII, estabelecendo que a
interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual
penal dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça. Sendo que as disposições desta lei se
aplicam a interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.
▪ Interceptação telefônica: É a gravação feita por um terceiro sem o conhecimento dos interlocutores.
▪ Gravação Clandestina: É a gravação feita por um dos interlocutores, sem o conhecimento do outro. De acordo com o entendimento
do STF pode ser usada como meio de prova. A lei 9.296/96 estabelece que a captação ambiental feita por um dos interlocutores sem
o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando
demonstrada a integridade da gravação.
▪ Apreensão de dados: Ocorre quando, legalmente, a autoridade tem acesso a dados que não estão sendo transmitidos no momento.
Assim, os e-mails armazenados em um computador não estão protegidos pelo XII, uma vez que este assegura a comunicação de
dados e não os dados em si. O STJ firmou em 2018 jurisprudência quanto a necessidade de autorização judicial para que a polícia
tenha acesso a informações constantes de aparelho celular.
▪ Dados bancários e fiscais são protegidos como direitos da intimidade.
▪ Sigilo telefônico: A quebra de sigilo telefônico se caracteriza pela obtenção junto à operadora de telefonia das ligações feitas a partir
de um aparelho ou recebidas por ele. Estas informações podem ser obtidas por determinação judicial, determinação da CPI ou
solicitação do MP ou Autoridade Policial.
Somente quando houver potencial lesivo na atividade é que a lei poderá exigir inscrição em conselho de fiscalização profissional. Desta
forma, tem-se a exigência de aprovação no exame de ordem como condição para o exercício da advocacia. Enquanto o mesmo não poderá
ser exigido dos músicos (o que já seria assegurado pela liberdade de expressão da atividade artística).
Quanto a exigência de diploma de jornalismo o STF entendeu ser inconstitucional a medida visto que este profissional trabalha com a
informação e assegura o acesso a mesma.
Liberdade de locomoção
Art. 5º [...]
XV É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens.
O STF acolheu a excepcionalidade da restrição à liberdade de locomoção para evitar/minimizar a exposição e contágio por vírus durante
pandemia, observada a razoabilidade e proporcionalidade da medida.
Liberdade de reunião
Art. 5º [...]
XVI Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.
O STF firmou entendimento quanto a ausência de necessidade de notificação à autoridade competente, sendo suficiente qualquer meio
de informação ao poder público quanto a realização da reunião, como se observa de parte do voto do Ministro Luiz Edson Fachin.
"A exigência constitucional de aviso prévio relativamente ao direito de reunião é satisfeita com a veiculação de informação que
permita ao poder público zelar para que seu exercício se dê de forma pacífica ou para que não frustre outra reunião no mesmo
local."
Liberdade de associação
Art. 5º [...]
XVII É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII A criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI As entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
Direito de propriedade
Art. 5º [...]
XXII É garantido o direito de propriedade.
XXIII A propriedade atenderá a sua função social.
XXIV A lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os
casos previstos nesta Constituição.
Direito de propriedade
Expropriação: De acordo com o Art. 243, da CRFB/88, as propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde
forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão
expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. Também
é preciso referir que todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com
destinação específica, na forma da lei.
Requisição administrativa
Art. 5º [...]
XXV No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano.
Direito de herança
Art. 5º [...]
XXX É garantido o direito de herança.
Defesa do consumidor
Art. 5º [...]
XXXII O Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor.
Informação
Art. 5º [...]
XXXIII Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
Acesso ao Judiciário
Art. 5º [...]
XXXV A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.
Segurança Jurídica
Art. 5º [...]
XXXVI A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
O direito pode ser exercitado, mas ainda não foi O direito já foi exercitado. Direito reconhecido por decisão judicial definitiva!
exercitado!
Juiz Natural
Art. 5º [...]
XXXVII Não haverá juízo ou tribunal de exceção.
XXXVIII É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a
competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
LIII Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
Crimes gravíssimos
Art. 5º [...]
XLII A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
XLIII A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
XLIV Constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
Inafiançável
Imprescritível
Graça
Indulto
Pessoalidade da pena
Art. 5º [...]
XLV Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Execução da pena
Art. 5º [...]
XLVIII A pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado
XLIX É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.
L Às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação.
No que se refere a ausência de políticas públicas quanto ao sistema carcerário brasileiro, na ADPF 347 o STF entendeu que se trata de um
estado de coisas inconstitucional, pelo que o Judiciário poderá exigir da administração penitenciária a adoção de práticas como a adoção
de medidas ou a execução de obras emergenciais que assegurem tal direitos.
Proibição de extradição
Art. 5º [...]
LI Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins, na forma da lei.
LII Não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião.
Provas ilícitas
Art. 5º [...]
LVI São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
Presunção de inocência
Art. 5º [...]
LVII Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Identificação criminal
Art. 5º [...]
LVIII O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei.
A Lei 12.037/2009, em seu artigo 3º traz, em seus incisos, as hipóteses de utilização da identificação criminal, in verbis:
Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:
I O documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;
II O documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;
III O indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
IV A identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício
ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa;
V Constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;
VI O estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa
identificação dos caracteres essenciais.
Parágrafo único As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou outra forma de investigação, ainda
que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.
Do texto constitucional, extrai-se que a prisão deve ser por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo em
caso de flagrante e de prisão disciplinar do militar.
A nota de culpa, informando quem ordenou a prisão e seus motivos, assim como o nome do condutor e das testemunhas da prisão, deve
ser entregue ao preso em 24 horas após sua prisão, de acordo com o art. 306, §2º, CPP.
De acordo com a Súmula Vinculante 25 do STF, é ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.
Assistência Judiciária
Art. 5º [...]
LXXIV O Estado prestará assistência JURÍDICA integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos.
Abrange, além do direito de ingressar em juízo sem custos, também o acesso gratuito a consultorias jurídicas ou auxílio profissional
habilitado diverso do ingresso em juízo.
Sobre a gratuidade dos atos necessários ao exercício da cidadania, o art. 30 da Lei 6.015/1973, alterado pela Lei 9.534/1997, assim
determina:
Art. 30. Não serão cobrados emolumentos pelo registro civil de nascimento e pelo assento de óbito, bem como pela primeira certidão respectiva.
§1º Os reconhecidamente pobres estão isentos de pagamento de emolumentos pelas demais certidões extraídas pelo cartório de registro
civil.
§2º O estado de pobreza será comprovado por declaração do próprio interessado ou a rogo, tratando-se de analfabeto, neste caso,
acompanhada da assinatura de duas testemunhas.
Proteção de dados
Art. 5º [...]
LXXIX É assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digitais.
Aplicabilidade imediata
Art. 5º [...]
§1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
Jurisdição do TPI
Art. 5º [...]
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
Hábeas-Córpus
Art. 5º [...]
LXVIII Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
Mandado de Segurança
Art. 5º [...]
LXIX Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.
Mandado de Injunção
Art. 5º [...]
LXXI Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Pode ser impetrado por qualquer pessoa que seja titular de um direito que não pode ser realizado pela falta de regulamentadora.
Conforme o Art. 12, da lei 13.300/2016, o mandado de injunção coletivo pode ser promovido:
Hábeas-Data
Art. 5º [...]
LXXII Conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades
governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
Ação Popular
Art. 5º [...]
LXXIII Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa,
ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.