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Relações de Comutação do Momento Angular

O documento aborda as relações de comutação do momento angular na mecânica quântica, detalhando como os operadores L̂x, L̂y e L̂z são definidos e suas propriedades hermitianas. Ele também discute a generalização do momento angular e as relações de comutação associadas, além de introduzir operadores J+ e J− para simplificar cálculos. Finalmente, o texto explora a formulação do problema e a teoria geral do momento angular, incluindo autovalores e autovetores relacionados.

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Relações de Comutação do Momento Angular

O documento aborda as relações de comutação do momento angular na mecânica quântica, detalhando como os operadores L̂x, L̂y e L̂z são definidos e suas propriedades hermitianas. Ele também discute a generalização do momento angular e as relações de comutação associadas, além de introduzir operadores J+ e J− para simplificar cálculos. Finalmente, o texto explora a formulação do problema e a teoria geral do momento angular, incluindo autovalores e autovetores relacionados.

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Relações de Comutação Caracterı́sticas do Momento

Angular

B. Relações de Comutação Caracterı́sticas do Momento


Angular

B-1. Momento Angular Orbital


Para obter os observáveis Lx , Ly , Lz associados, na mecânica quântica, aos três compo-
nentes do momento angular de uma partı́cula sem spin, aplicamos simplesmente as regras
de quantização estabelecidas na Seção B-5 do Capı́tulo III.
Considere, por exemplo, a componente Lz do momento angular clássico:

Lz = xpy − ypx (B-1)

Associamos às variáveis de posição x e y os observáveis x̂ e ŷ, e às variáveis de mo-


mento px e py os observáveis p̂x e p̂y . Embora a fórmula (B-1) envolva produtos de duas
variáveis clássicas, nenhuma precaução especial precisa ser tomada ao substituı́-las pelos
correspondentes operadores, pois x̂ e p̂y comutam, assim como ŷ e p̂x (ver as relações
de comutação canônicas (E-30) do Capı́tulo II). Portanto, não precisamos simetrizar a
expressão (B-1) para obter o operador L̂z :

L̂z = x̂p̂y − ŷ p̂x (B-2)

Pelo mesmo motivo (x̂ e p̂y comutam, assim como ŷ e p̂x ), o operador obtido é Her-
mitiano.
Do mesmo modo, encontramos os operadores L̂x e L̂y correspondentes às componentes
Lx e Ly do momento angular clássico. Isso nos permite escrever:

L̂ = R̂ × P̂ (B-3)

1
Como conhecemos as relações de comutação canônicas dos observáveis de posição R̂
e momento P̂, podemos calcular facilmente os comutadores dos operadores L̂x , L̂y e L̂z .
Por exemplo, vamos avaliar [L̂x , L̂y ]:

[L̂x , L̂y ] = [ŷ p̂z − ẑ p̂y , ẑ p̂x − x̂p̂z ] (1)


= iℏ(ẑ p̂z + p̂z ẑ) − iℏ(ŷ p̂y + p̂y ŷ) (2)
= iℏL̂z (B-4)

O resultado fundamental dessas relações de comutação é puramente geométrico. Discu-


tiremos esse ponto em detalhes no Complemento BVI, no qual demonstraremos a ı́ntima
relação entre o momento angular de um sistema em relação a um ponto e as rotações
geométricas desse sistema em torno desse ponto.
Cálculos análogos fornecem os outros dois comutadores, e obtemos finalmente:

[L̂x , L̂y ] = iℏL̂z (3)


[L̂y , L̂z ] = iℏL̂x (4)
[L̂z , L̂x ] = iℏL̂y (B-6)

Assim, estabelecemos as relações de comutação para os componentes do momento


angular de uma partı́cula sem spin.
Esse resultado pode ser generalizado para um sistema de partı́culas sem spin. O
momento angular total de tal sistema, na mecânica quântica, é:

N
X
L̂ = L̂i (B-7)
i=1
com:

L̂i = R̂i × P̂i (B-8)

Agora, cada um dos momentos angulares individuais L̂i satisfaz as relações de co-
mutação (B-6) e comuta com L̂j quando i ̸= j (operadores que atuam em espaços de
estados de partı́culas diferentes). Assim, vemos que as relações (B-6) continuam válidas
para o momento angular total L̂.

2
B-2. Generalização: definição de um momento angular
Os três operadores associados aos componentes de um momento angular clássico arbitrário
satisfazem, portanto, as relações de comutação:

[Jx , Jy ] = iℏJz , [Jy , Jz ] = iℏJx , [Jz , Jx ] = iℏJy (B-6)

Pode-se demonstrar, além disso (cf. Complemento BVI), que a origem dessas relações
está nas propriedades geométricas das rotações no espaço tridimensional. Por essa razão,
adotaremos um ponto de vista mais geral e definiremos um momento angular J⃗ como
qualquer conjunto de três observáveis Jx , Jy , Jz que satisfaçam:

[Jx , Jy ] = iℏJz , [Jy , Jz ] = iℏJx , [Jz , Jx ] = iℏJy (B-9)

Introduzimos então o operador:

J 2 = Jx2 + Jy2 + Jz2 (B-10)

⃗ Este operador é Hermitiano,


que representa o quadrado escalar do momento angular J.
uma vez que Jx , Jy e Jz são Hermitianos. Assumiremos que J 2 é um observável.
Vamos demonstrar que J 2 comuta com os três componentes de J: ⃗

[J 2 , Ji ] = 0 para i = x, y, z (B-11)

Realizemos o cálculo, por exemplo, para [J 2 , Jx ]:

[J 2 , Jx ] = [Jx2 + Jy2 + Jz2 , Jx ]


= [Jy2 , Jx ] + [Jz2 , Jx ] (B-12)

Como Jx comuta consigo mesmo, o termo [Jx2 , Jx ] = 0. Os dois comutadores restantes


são obtidos a partir das relações (B-9):

[Jy2 , Jx ] = Jy [Jy , Jx ] + [Jy , Jx ]Jy = Jy (iℏJz ) + (iℏJz )Jy = iℏ(Jy Jz + Jz Jy ) (B-13a)


[Jz2 , Jx ] = Jz [Jz , Jx ] + [Jz , Jx ]Jz = Jz (iℏJy ) + (iℏJy )Jz = iℏ(Jz Jy + Jy Jz ) (B-13b)

A soma dessas duas expressões é nula, o que confirma que:

[J 2 , Jx ] = 0

3
De forma análoga, mostra-se que J 2 comuta com Jy e Jz .

A teoria do momento angular em mecânica quântica é inteiramente fundamentada


nas relações de comutação (B-9). Note que essas relações implicam que não é possı́vel
medir simultaneamente os três componentes de um momento angular. No entanto, J 2
e qualquer componente individual de J⃗ são compatı́veis, ou seja, podem ser medidos
simultaneamente.

B-3. Formulação do Problema


Vamos retornar ao exemplo de uma partı́cula sem spin em um potencial central, menci-
onado na introdução. Veremos no Capı́tulo VII que, nesse caso, os três componentes do
momento angular L da partı́cula comutam com o hamiltoniano; portanto, isso também é
válido para o operador L2 .
Temos, então, à nossa disposição quatro constantes do movimento: L2 , Lx , Ly e Lz .
No entanto, esses quatro operadores não comutam todos entre si; para formar um conjunto
completo de observáveis comutantes com o hamiltoniano, devemos escolher apenas L2 e
um dos três outros operadores, por exemplo, Lz .
Para uma partı́cula sujeita a um potencial central, podemos então procurar auto-
estados do hamiltoniano que sejam também autovetores de L2 e de Lz , sem perda de
generalidade. No entanto, é impossı́vel obter uma base do espaço de estados composta
por autovetores comuns aos três componentes de L, uma vez que esses três observáveis
não comutam entre si.
A situação é a mesma no caso geral: como os componentes de um momento angular
arbitrário J não comutam, eles não são diagonalizáveis simultaneamente. Procuraremos,
portanto, o sistema de autovetores comuns a J2 e Jz , observáveis correspondentes ao
quadrado do módulo do momento angular e à sua componente ao longo do eixo-z.

C. Teoria Geral do Momento Angular


Nesta seção, determinaremos o espectro de J 2 e Jz no caso geral e estudaremos seus
autovetores comuns. O raciocı́nio será análogo ao utilizado no Capı́tulo V para o oscilador
harmônico.

4
C-1. Definições e Notação
C-1-a. Os Operadores J+ e J−

Ao invés de utilizar as componentes Jx e Jy do momento angular J, é mais conveniente


introduzir as seguintes combinações lineares:

J+ = Jx + iJy , J− = Jx − iJy (5)

Assim como os operadores de criação e aniquilação do oscilador harmônico, J+ e J−


não são hermitianos: são adjuntos um do outro.
A partir de agora, utilizaremos apenas os operadores J+ , J− , Jz e J 2 .
Utilizando as relações (B-9) e (B-11), é direto mostrar que esses operadores satisfazem
as relações de comutação:

[Jz , J+ ] = ℏJ+ (6)


[Jz , J− ] = −ℏJ− (7)
[J+ , J− ] = 2ℏJz (8)
[J 2 , J+ ] = [J 2 , J− ] = [J 2 , Jz ] = 0 (9)

Vamos agora calcular os produtos J− J+ e J+ J− . Obtemos:

J− J+ = (Jx − iJy )(Jx + iJy ) = Jx2 + Jy2 + i[Jx , Jy ] (10)


J+ J− = (Jx + iJy )(Jx − iJy ) = Jx2 + Jy2 − i[Jx , Jy ] (11)

Usando a definição (B-10) do operador J 2 , podemos reescrever essas expressões como:

J− J+ = J 2 − Jz2 − ℏJz (12)


J+ J− = J 2 − Jz2 + ℏJz (13)

Somando as relações acima, obtemos:

1
J 2 = (J+ J− + J− J+ ) + Jz2 (14)
2

5
C-1-b. Notação para os Autovalores de J 2 e Jz

De acordo com (B-10), J 2 é a soma dos quadrados de três operadores hermitianos. Con-
sequentemente, para qualquer ket |ψ⟩, o elemento de matriz ⟨ψ| J 2 |ψ⟩ é positivo ou nulo:

⟨ψ| J 2 |ψ⟩ = ⟨ψ| Jx2 + Jy2 + Jz2 |ψ⟩ ≥ 0 (15)

Isso já era de se esperar, pois J 2 corresponde ao quadrado do valor absoluto do mo-
mento angular J. Em particular, todos os autovalores de J 2 são positivos ou nulos. Se
|ψ⟩ é um autovetor de J 2 , então:

J 2 |ψ⟩ = λ |ψ⟩ (16)

e λ deve ser da forma (j(j + 1))ℏ2 , onde j é um número real e adimensional:

λ = j(j + 1)ℏ2 , j≥0 (17)

Essa notação visa simplificar os argumentos a seguir e não afeta os resultados finais.
Como J tem dimensão de ℏ, o autovalor de J 2 deve ter dimensão ℏ2 . Já vimos que j deve
ser positivo ou nulo; pode-se mostrar que a equação quadrática:

j(j + 1) = λ/ℏ2 (18)

possui uma única raiz positiva ou nula. Assim, a especificação de j determina unica-
mente λ.
Quanto aos autovalores de Jz , que têm as mesmas dimensões de ℏ, tradicionalmente
se escreve:

Jz |ψ⟩ = mℏ |ψ⟩ (19)

onde m é um número adimensional.

C-1-c. Equações de Autovalores para J 2 e Jz

Denotaremos os autovetores comuns a J 2 e Jz pelos ı́ndices j e m, que caracterizam


os autovalores associados. Contudo, J 2 e Jz não constituem, em geral, um conjunto
completo de operadores que se comutam mutuamente (C.S.C.O., do inglês Complete Set of
Commuting Operators) (veja, por exemplo, § A do Capı́tulo VII), e é necessário introduzir
um terceiro ı́ndice para distinguir entre os diferentes autovetores que correspondem aos
mesmos autovalores (j(j + 1))ℏ2 e mℏ de J 2 e Jz (este ponto será ampliado em § C-3-a
abaixo). Chamaremos esse ı́ndice de α (que não implica necessariamente que ele seja

6
sempre discreto).
Assim, tentaremos resolver as equações simultâneas de autovalores:

J 2 |j, m, α⟩ = j(j + 1)ℏ2 |j, m, α⟩ (20)

Jz |j, m, α⟩ = mℏ |j, m, α⟩ (21)

C-2. Autovalores de J2 e C2
Conforme a Seção B-2 do Capı́tulo V, começaremos provando três lemas que nos permi-
tirão determinar o espectro de J2 e C2 .

C-2-a. Lemas

Lema I (Propriedades dos autovalores de J2 e C2 ).


Se (j + 1)ℏ e mℏ são os autovalores de J2 e Jz , respectivamente, associados ao mesmo
autovetor, então j e m satisfazem a seguinte desigualdade:

|m| ≤ j (C-13)

Para provar isso, considere os vetores

v± = (Jx ± iJy ) |j, m⟩

e note que o quadrado de suas normas é positivo ou nulo:

⟨v+ |v+ ⟩ ≥ 0 (22a)


⟨v− |v− ⟩ ≥ 0 (22b)

Para calcular o lado esquerdo dessas desigualdades, podemos usar as fórmulas (C-7).
Encontramos (assumindo |j, m⟩ normalizado):

⟨v+ |v+ ⟩ = ⟨j, m|(Jx − iJy )(Jx + iJy )|j, m⟩ = (j(j + 1) − m(m + 1))ℏ2 (23a)
⟨v− |v− ⟩ = ⟨j, m|(Jx + iJy )(Jx − iJy )|j, m⟩ = (j(j + 1) − m(m − 1))ℏ2 (23b)

Substituindo essas expressões nas desigualdades (22a) e (22b), obtemos:

7
j(j + 1) − m(m + 1) ≥ 0 (24a)
j(j + 1) − m(m − 1) ≥ 0 (24b)

Ou seja,

j(j + 1) ≥ m(m + 1) (25a)


j(j + 1) ≥ m(m − 1) (25b)

Essas duas condições são satisfeitas simultaneamente apenas se

|m| ≤ j.

Lema II (Propriedades do vetor autovetor)


Seja |j, m⟩ um autovetor de J2 e Jz com os autovalores (j+1)2 ℏ2 e mℏ, respectivamente,
que satisfaz a desigualdade (C-13).
Mostraremos que ele também é autovetor de J2 e C2 que comutam; consequentemente:

[J2 , C2 ] = 0. (C-21)

Os operadores J2 e C2 podem ser escritos como:

J2 |j, m⟩ = j(j + 1)ℏ2 |j, m⟩ . (C-22)

Essa relação expressa o fato de que |j, m⟩ é um autovetor de J2 com autovalor j(j+1)ℏ2 .
Além disso, aplicando a equação do operador (C-3) em |j, m⟩, temos:

C2 |j, m⟩ = λ |j, m⟩ , (C-23)

isto é,

C2 |j, m⟩ = λ |j, m⟩ = (j + 1)2 ℏ2 |j, m⟩ . (C-24)

Portanto, |j, m⟩ é um autovetor de C2 com autovalor (j + 1)2 ℏ2 .


Agora, considere os seguintes pontos:

(i) De acordo com (C-15b), o quadrado da norma do estado

J− |j, m⟩

8
é dado por
∥J− |j, m⟩ ∥2 = ℏ2 [j(j + 1) − m(m − 1)]

e portanto tende a zero quando m = −j. Como a norma de um vetor é zero se, e
somente se, esse vetor for nulo, concluı́mos que todos os vetores

J− |j, −j⟩ = 0.

Essa condição pode ser escrita como:

J− |j, −j⟩ = 0. (C-18)

(ii) É fácil estabelecer o recı́proco da condição (C-18). Aplicando o operador J+ dos


dois lados da equação (C-18) e usando a relação (C-7a), obtemos:

J+ J− |j, −j⟩ = 0, (C-19)

o que, utilizando as relações do álgebra angular, implica que:

ℏ2 [j(j + 1) − (−j)(−j + 1)] = 0. (C-20)

Pela desigualdade (C-13), essa equação só possui solução para m = −j.

(iii) Agora, assumamos m > −j. Pela equação (C-15b), o vetor

J− |j, m⟩

não é nulo, pois o quadrado da sua norma é diferente de zero.

Lema III: Propriedades do vetor J+ Seja |j, m⟩ um autovetor do operador J2 e


Jz com autovalores ℏ2 j(j + 1) e ℏm, respectivamente.

(i) Se m = j, então
J+ |j, m⟩ = 0.

(ii) Se m < j, J+ |j, m⟩ é um autovetor não nulo de J2 e Jz com autovalores

ℏ2 j(j + 1) e ℏ(m + 1),

respectivamente.

9
(i) O argumento é semelhante ao do item (§ C-2-a-i). Segundo (C-14a), o quadrado da
norma de J+ |j, m⟩ é zero se m = j. Portanto,

∥J+ |j, j⟩ ∥2 = 0 =⇒ J+ |j, j⟩ = 0.

O recı́proco também pode ser demonstrado da mesma forma.

(ii) Se m < j, um argumento análogo ao de § C-2-a-ii, utilizando as fórmulas (C-5) e


(C-2), resulta em:
J2 (J+ |j, m⟩) = ℏ2 j(j + 1)(J+ |j, m⟩),

e
Jz (J+ |j, m⟩) = ℏ(m + 1)(J+ |j, m⟩).

C-2-b. Propriedades Gerais do Momento Angular na Mecânica Quântica

Determinação do espectro de J2 e Jz .
Mostraremos agora que os três lemas anteriores permitem determinar os valores possı́veis
de j e m.
Seja |ψ⟩ um autovetor não nulo de J2 e Jz com autovalores ℏ2 j(j + 1) e ℏm, respecti-
vamente. Segundo o Lema I, existe um inteiro positivo ou zero n tal que:

m + n + 1 = 0. (C-29)

Considere agora a série de vetores:

|ψ⟩ , J+ |ψ⟩ , J+2 |ψ⟩ , ... (C-30)

De acordo com o Lema II, cada vetor desta série (com n = 0, 1, . . .) é um autovetor
não nulo de J2 e Jz , com autovalores ℏ2 j(j + 1) e ℏ(m + n), respectivamente.
A prova é por iteração. Por hipótese, |ψ⟩ é não nulo e corresponde aos autovalores
ℏ2 j(j + 1) e ℏm. O vetor J+n |ψ⟩ é obtido pela ação de J+ sobre J+n−1 |ψ⟩, que é um
autovetor de J2 e Jz com autovalores ℏ2 j(j + 1) e ℏ(m + n − 1). Este último autovalor é
necessariamente maior que m, pois, segundo (C-29),

m + n + 1 > m. (C-31)

Segue-se, de acordo com o ponto (ii) do Lema II, que J+n |ψ⟩ é um autovetor não nulo
de J2 e Jz com autovalores ℏ2 j(j + 1) e ℏ(m + n).
Agora, considere a ação de J+ sobre J+n |ψ⟩. Suponhamos inicialmente que o autovalor

10
associado a J+n |ψ⟩ seja maior que j, isto é:

m + n + 1 > j. (C-32)

Pelo ponto (i) do Lema II, o vetor J+n+1 |ψ⟩ é não nulo e corresponde aos autovalores
ℏ2 j(j + 1) e ℏ(m + n + 1). Isto contradiz o Lema I, pois,

m + n + 1 > j, (C-33)

o que não pode ocorrer.


Logo, deve-se ter m + n + 1 = j. Neste caso, J+n+1 |ψ⟩ = 0, conforme o ponto (i) do
Lema II. Portanto, a série de vetores (C-30), obtida pela ação repetida de J+ sobre |ψ⟩,
é limitada, e a contradição com o Lema I desaparece.
Mostramos assim que existe um inteiro positivo ou zero n tal que:

j − m = n. (C-34)

Um argumento análogo, baseado no Lema III, mostra que existe um inteiro positivo
ou zero p tal que:
j + m = p, (C-35)

pois a série de vetores


|ψ⟩ , J− |ψ⟩ , J−2 |ψ⟩ , ... (C-36)

deve ser limitada para evitar contradições com o Lema I.


Combinando (C-34) e (C-35), obtemos:

2j = n + p, (C-37)

o que mostra que j é um número inteiro ou semi-inteiro (meio inteiro) positivo ou zero.
Além disso, se existir um vetor não nulo |ψ⟩, todos os vetores das séries (C-30) e (C-36)
são também autovetores não nulos de J2 com autovalor ℏ2 j(j +1), e de Jz com autovalores:

ℏm, ℏ(m + 1), ℏ(m + 2), ..., ℏ(m + n), ... (C-38)

Resumindo os resultados:
Se J é um momento angular arbitrário obedecendo às relações de comutação (B-9), e
ℏ2 j(j + 1) e ℏm denotam os autovalores de J2 e Jz , respectivamente, então:

• Os únicos valores possı́veis para j são inteiros ou semi-inteiros positivos ou zero, isto

11
é:
0, 12 , 1, 32 , 2, . . .

(estes valores são os únicos possı́veis, mas nem todos precisam se realizar para todo
momento angular).

• Para um valor fixo de j, os únicos valores possı́veis para m são os 2j + 1 números:

−j, −j + 1, . . . , j − 1, j.

Portanto, m é inteiro se j é inteiro, e semi-inteiro se j é semi-inteiro. Todos estes


valores de m são realizados uma vez que um deles o seja.

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