0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações19 páginas

Poder Constituinte e Mutação Constitucional

O documento aborda o poder constituinte, suas características e distinções entre poder originário e derivado, além de discutir a mutação constitucional e a reforma constitucional. Destaca que o poder constituinte originário é ilimitado e incondicionado, enquanto o poder constituinte derivado possui limites explícitos e implícitos. O texto também menciona a inadmissibilidade da teoria da dupla revisão constitucional na doutrina brasileira.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações19 páginas

Poder Constituinte e Mutação Constitucional

O documento aborda o poder constituinte, suas características e distinções entre poder originário e derivado, além de discutir a mutação constitucional e a reforma constitucional. Destaca que o poder constituinte originário é ilimitado e incondicionado, enquanto o poder constituinte derivado possui limites explícitos e implícitos. O texto também menciona a inadmissibilidade da teoria da dupla revisão constitucional na doutrina brasileira.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

EBQ Edital baseado em Questões

MAGISTRATURA TRABALHISTA
Rodada 26 - Dez/2018
Direito Constitucional
Poder Constituinte. Poder Constituinte Originário, Derivado ou Instituído
(Reformador, Decorrente e Revisor). Mutação Constitucional.

“Você não tem que ser grande para começar,


mas você tem que começar, para ser grande”
Zig Ziglar

1 ► 2015 / TRT16 / Juiz do Trabalho

O poder constituinte originário é o poder político por meio do qual se


estabelece uma nova Constituição. Trata-se de poder inicial (não se funda
em nenhum outro poder), ilimitado (por não necessitar observar o direito
positivo anterior), incondicionado (não estando adstrito ao cumprimento de
regras formais), permanente (não se esgota com a realização da
Constituição, podendo a qualquer momento ser estabelecida nova ordem
jurídica) e extraordinário (devendo ser exercido excepcionalmente).

֎ Verdadeira.

 Nathália Masson [2016] apresenta as quatro características


essenciais do poder, tradicionais na ótica positivista:
(nossa síntese):

Poder inicial:
 Inaugura uma nova ordem jurídica, revogando a anterior, se houver
 o produto de seu trabalho, a Constituição:
o é a base do ordenamento jurídico
o é o documento que inaugura juridicamente um novo Estado

1
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
o ocasiona a ruptura total com a ordem anterior.

Segundo Canotilho, sobre o poder constituinte, "não existe, antes dele, nem
de facto nem de direito, qualquer outro poder. É nele que se situa, por
excelência, a vontade do soberano (instância jurídica-política dotada de
autoridade suprema)".

Ilimitado:
não se submete ao regramento posto pelo direito precedente
pode estabelecer o que bem se entender
possuidor de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica
as normas jurídicas anteriormente estabelecidas não são capazes de limitar
a sua atividade, restringindo juridicamente sua atuação.

Incondicionado:
não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado pelo
ordenamento jurídico que o antecede

Autônomo: Nathália Masson [2016] assine define: “para alguns


doutrinadores essa característica é só uma maneira diferente de expressar
o fato de o poder ser ilimitado. Entendemo-la como a capacidade de definir
o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como sua
estruturação e os termos de seu estabelecimento”.

2 ► 2015 / TRT16 / Juiz do Trabalho

O poder de reforma eventualmente se confunde com o fenômeno da


mutação constitucional, já que aquele pode se dar por meio de um processo
informal de mudança da Constituição, quando ocorre a alteração do sentido
e alcance das normas constitucionais por obra de todos os atores políticos
que protagonizam a interpretação da norma ápice.

֎ Falsa. Mutação Constitucional é o fenômeno de alteração da Constituição


sem a necessidade de se socorrer à emenda de seu texto. É a alteração do
significado da Constituição sem que se realize qualquer alteração de seu
texto, o qual se realiza por intermédio da interpretação.

2
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
 Nathália Masson [2016] assim preleciona: “Diferentemente dos dois
procedimentos anteriores (reforma e revisão constitucional), aqui temos um
mecanismo informal de mudança, que não origina quaisquer alterações no
texto da Constituição, que permanece íntegro. As modificações perpetradas
por este procedimento são de ordem interpretativa: o texto segue
intacto, mas o que se extrai dele é algo novo, que sofreu os impactos
renovadores da releitura; o texto é o mesmo, mas o sentido que ele
possui de altera. Realizadas pelo poder difuso, um poder também
derivado, mas não escrito, as mutações operam verdadeiro renascimento
de alguns dispositivos ao permitirem que estes sejam relidos, que seja dado
um novo significado à norma (que paira subjacente ao texto)”.

 STF: Exemplos de mutação constitucional:


(1) a renovação do entendimento quanto ao inciso XLVI do art. 5° da CF/88,
o que permitiu à Corte rever sua antiga jurisprudência firmada no sentido
da constitucionalidade da vedação à progressão de regime nos crimes
hediondos, para acatar a inconstitucionalidade de tal proibição - que acabou
expressa na súmula vinculante nº 26:

STF, súmula vinculante 26: "Para efeito de progressão de regime no


cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da
execução observará a inconstitucionalidade do art. 22 da Lei n2
8.072/1990, de 25 de julho de 1990, sem prejufzo de avaliar se o
condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do
benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a
realização de exame criminológico".

(2) o cancelamento da súmula 394 da Corte, consagrando o entendimento


de que a perpetuatio jurisdictionis haveria de ser superada para afastar a
competência do STF naqueles casos em que cessasse o mandato da
autoridade submetida ao foro especial por prerrogativa de função. Vejamos:

STF, súmula 394: "Cometido o crime durante o exercício funcional,


prevalece a competência especial por prerrogativa
de função, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a
cessação daquele exercido. (Cancelada "ex nunc" pelos lnq 687 QO-RTJ
179/912, AP 315 QO-RTJ 180/11, AP 319 QO-DJ de 31/10/2001, lnq 656
QO-DJ de 31/10/2001, lnq 881 QO-RTJ 179/440 e AP 313 QO-RTJ
171/745)''.

3
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Informativo 159 STF - Súmula 394: Cancelamento

Concluído o julgamento de questão de ordem na qual se discute o


cancelamento ou a revisão da Súmula 394 do STF ("Cometido o crime
durante o exercício funcional, prevalece a competência especial por
prerrogativa de função, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam
iniciados após a cessação daquele exercício.") (v. Informativos 149 e 69).
O Tribunal, por unanimidade, cancelou a Súmula 394 por entender que o
art. 102, I, b, da CF - que estabelece a competência do STF para processar
e julgar originariamente, nas infrações penais comuns, o Presidente da
República, o Vice-Presidente, os membros do Congresso Nacional, seus
próprios Ministros e o Procurador-Geral da República - não alcança aquelas
pessoas que não mais exercem mandato ou cargo. Após, o Tribunal, por
maioria, rejeitou a proposta do Min. Sepúlveda Pertence para a edição de
nova súmula a dizer que "cometido o crime no exercício do cargo ou a
pretexto de exercê-lo, prevalece a competência por prerrogativa de função,
ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados após a cessação
daquele exercício funcional". Vencidos, nesse ponto, os Ministros Nelson
Jobim, Ilmar Galvão e Néri da Silveira, que o acompanhavam para acolher
a proposta de edição de nova súmula. Em seguida, o Tribunal, por
unanimidade, decidiu que continuam válidos todos os atos praticados e
decisões proferidas com base na Súmula 394 do STF, é dizer, a decisão tem
efeito ex nunc. Em consequência, o Tribunal resolveu a questão de ordem
dando pela incompetência originária do STF e determinou a remessa dos
autos à justiça de 1º grau competente.
Leia em Transcrições a íntegra do voto do Min. Sydney Sanches, relator.
Inq 687-SP (QO) e Inq 881-MT (QO), rel. Min. Sydney Sanches; AP 313-DF
(QO), AP 315-DF (QO), AP 319-DF (QO) e Inq 656-AC (QO), rel. Min.
Moreira Alves, 25.8.99.

3 ► 2015 / TRT1 / Juiz do Trabalho

Thomas Paine afirmou "A vaidade e a presunção de governar para além do


túmulo é a mais ridícula e insolente das tiranias". Partindo-se das premissas
de que a Constituição é feita para durar (estabilidade), mas que a
imutabilidade absoluta é um risco à sua legitimidade, especialmente
perante as gerações futuras (adaptabilidade), tem-se que o mecanismo
institucional que, de maneira informal, permite a modificação do sentido e
do alcance do texto constitucional positivado é a reforma constitucional.

4
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
֎ Falsa. Não é a reforma constitucional e sim a mutação constitucional!
Como já trouxemos o conceito de mutação constitucional, aproveitamos a
questão para tratar do poder constituinte derivado.

 Pedro Lenza [2015] assim preleciona: “O poder constituinte derivado


é também denominado instituído, constituído, secundário, de segundo grau,
remanescente. [...] Derivam, pois, do originário o reformador, o decorrente
e o revisor. Vejamos cada um deles. [nossa síntese do texto doutrinário]:

- reformador:
 tem a capacidade de modificar a Constituição Federal, por meio de
um procedimento específico; estabelecido pelo originário, sem que haja
uma verdadeira revolução.
- derivado decorrente:
 assim como o reformador, por ser derivado do originário e por ele
criado, é também jurídico e encontra os seus parâmetros de manifestação
nas regras estabelecidas pelo originário.
 Missão: estruturar a Constituição dos Estados-Membros ou, em
momento seguinte, havendo necessidade de adequação e reformulação,
modificá-la.
- derivado revisor:
 fruto do trabalho de criação do originário, estando, portanto, a ele
vinculado.
 "poder" condicionado e limitado às regras instituídas pelo originário,
sendo, assim, um poder jurídico.
 O art. 3º do ADCT determinou que a revisão constitucional seria
realizada após 5 anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto
da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão
unicameral. [...] No ordenamento jurídico pátrio, a competência revisional
do art. 3º do ADCT proporcionou a elaboração de meras 6 Emendas
Constitucionais de Revisão (n. 1, de 1º .03.1994- DOU, 02.03.1994 -,e as
de ns. 2 a 6, de 07.06.1994, publicadas no DOU em 09.06.1994), não sendo
mais possível nova manifestação do poder constituinte derivado revisor em
razão da eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada da aludida regra”.

4 ► 2015 / TRT16 / Juiz do Trabalho

5
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
No âmbito do poder de reforma, os limites implícitos exercem a mesma
autoridade daqueles explicitados na Constituição, uma vez que eles
também se voltam ao asseguramento da identidade constitucional.

֎ Verdadeira. O Poder (Constituinte Derivado) de Reforma possui limites


implícitos e explícitos.

 CF/88, Art. 60 – aponta os limites expressos ao poder constituinte


derivado de reforma ou reformador da Constituição.

DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou


do Senado Federal;

II - do Presidente da República;

III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da


Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus
membros.

§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção


federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso


Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos,
três quintos dos votos dos respectivos membros.

§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara


dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a


abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

6
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida
por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa.

 Alexandre de Morais [2016] assim ensina “Canotilho refere-se a


certas garantias que pretendem assegurar a efetividade das cláusulas
pétreas como limites tácitos para aduzir que, às vezes, “as Constituições
não contêm quaisquer preceitos limitativos do Poder de revisão, mas
entende-se que há limites não articulados ou tácitos, vinculativos do poder
de revisão. Esses limites podem ainda desdobrar-se em limites textuais
implícitos, deduzidos do próprio texto constitucional, e limites tácitos
imanentes numa ordem de valores pré-positiva, vinculativa da ordem
constitucional concreta”.
A existência de limitação explícita e implícita que controla o Poder
Constituinte derivado-reformador é, igualmente, reconhecida por Pontes de
Miranda, Pinto Ferreira e Nelson de Souza Sampaio, que entre outros
ilustres publicistas salientam ser implicitamente irreformável a norma
constitucional que prevê as limitações expressas (CF, art. 60), pois, se
diferente fosse, a proibição expressa poderia desaparecer, para, só
posteriormente, desaparecer por exemplo, as cláusulas pétreas. Além disto,
observa-se a inalterabilidade do titular do Poder Constituinte derivado-
reformador, sob pena de também afrontar a Separação dos Poderes da
República”.

5 ► 2015 / TRT16 / Juiz do Trabalho

A ampla maioria da doutrina constitucional brasileira não adere à teoria da


dupla revisão ou dupla reforma constitucional.

֎ Verdadeira.

 Nathália Masson [2016] assim preleciona: “Vale informar que é essa


limitação implícita, que proíbe qualquer reestruturação do art. 60, CF/88,
que culmina na inadmissibilidade do procedimento conhecido como "dupla
revisão". Segundo este procedimento, seria válido alterar, num primeiro
momento, a cláusula pétrea protetora, com o intuito de suprimi-la ou
restringi-la, e, na etapa seguinte, modificar a cláusula protegida. (...)
Admitir o procedimento da "dupla revisão" nos parece ser o mesmo que

7
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
aceitar que o sistema constitucional está cotidianamente ameaçado por
uma severa desestruturação, com óbvia perda de sua identidade básica.
Ilógico, ademais, seria constituir um sistema de limites no art. 60, CF/88 e
não respeitá-lo depois! (...) há na doutrina quem defenda o procedimento
da dupla revisão, isto é, a não imunidade à revogação/supressão das
disposições consagradoras das cláusulas pétreas, de modo que estas
possam ser objeto de emenda restritiva ou supressiva e, na ocasião
seguinte, já desmanteladas as cláusulas protetoras, os dispositivos
petrificados é que seriam vítimas do ataque abolitivo. Na visão desses
autores, o sentido e a funcionalidade das cláusulas pétreas seria o de, tão
somente, tornar o mais dificultoso e demorado possível o processo de sua
superação, acaso este seja deflagrado. Estar-se-ia, com isso, conferindo
maior estabilidade a cercos conteúdos do texto constitucional sem, contudo,
torná-los insuperáveis”.

6 ► 2015 / TRT01 / Juiz do Trabalho

O filósofo norte-americano John Elster, no seu clássico livro "Ulisses e as


sereias" defende a ideia da Constituição como um instrumento de pré-
compromisso ou de autolimitação, de acordo com o qual retira-se do
alcance das maiorias eventuais direitos que constituem condições de
possibilidade para a própria democracia. Servindo-se dessa ideia, a
Constituição brasileira de 1988 também se protegeu das paixões
partidarizadas e resguardou os seus valores fundamentais das maiorias de
ocasião. Nesse sentido, dentre os apresentados, NÃO possui uma proteção
jurídica reforçada (superrigidez) em face do poder constitucional de
reforma:

a forma e sistema de governo.

֎ Verdadeira. Forma e sistema de governo não estão listados no artigo


60, § 4º, CF/88, que trata das cláusulas pétreas. Há quem defenda que
sejam cláusulas pétreas implícitas, e, neste caso, a resposta desta
assertiva seria “falsa”. Para um melhor conhecimento do tema sugerimos o
estudo do título “Limitações implícitas” dentro do capítulo que trata do
PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO do livro de Nathália Masson [p. 138-
144, 2016].

 CF/88, Art. 60 § 4º, CF/88

8
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

7 ► 2015 / TRT8 / Juiz do Trabalho

Com relação ao Poder Legislativo e processo legislativo:


A matéria constante de proposta de emenda constitucional rejeitada ou
havida por prejudicada poderá ser objeto de nova proposta, na mesma
sessão legislativa.

֎ Falsa.

 CF/88, Art. 60 § 5º: A matéria constante de proposta de emenda


rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “Trata-se de regra diferente da


prevista para as leis complementares e ordinárias, em relação às quais é
permitido o oferecimento de novo projeto de lei (quando rejeitado) na
mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos
membros de qualquer das Casas do Congresso (art. 67)”.

8 ► 2015 / TRT2 / Juiz do Trabalho

Sobre a possibilidade de alteração material da Constituição Federal:


Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos,
equivalentes as emendas constitucionais, nos termos do art. 5°, § 3°, da
CF, não poderão ser aprovados na vigência de intervenção federal, de
estado de defesa ou de estado de sítio.

֎ Verdadeira.

 CF/88, Art. 60 § 1º: A Constituição não poderá ser emendada na


vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

9
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Art. 5º § 3º: Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em
dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais.

09 e 10 ► 2015 / TRT2 / Juiz do Trabalho

Sobre a possibilidade de alteração material da Constituição Federal:

A Constituição poderá ser emendada mediante proposta de cidadãos, nos


casos previstos na Constituição Federal.

(e)

A Constituição poderá, ainda, ser emendada mediante proposta de um


terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal.

֎ Falsas. Duas assertivas da mesma questão. A primeira por não estar


relacionada no rol do art. 60 da CF/88 e a segunda por ter trocado o termo
“ou” pelo “e”, vejamos:

 CF/88, Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante


proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados OU
do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus
membros.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “trata-se de iniciativa privativa e


concorrente para alteração da Constituição. Havendo proposta de emenda
por qualquer pessoa diversa daquelas taxativamente enumeradas,
estaremos diante de vício formal subjetivo, caracterizador da
inconstitucionalidade”.

11 ► 2015 / TRT2 / Juiz do Trabalho

10
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Sobre a possibilidade de alteração material da Constituição Federal:
A proposta de emenda constitucional será discutida e votada em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se
obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

֎ Verdadeira.

 CF/88, Art. 60. § 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa


do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se
obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “a proposta de emenda será


discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em 2 turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos
respectivos membros.
Diferente é o processo legislativo de formação da lei complementar e da lei
ordinária, que deverá ser discutido e votado em um único turno de votação
(art. 65, caput), tendo por quorum a maioria absoluta (art. 69) e a maioria
relativa (art. 47), respectivamente.
No tocante ao processo legislativo, interessante notar que o texto aprovado
por uma Casa não pode ser modificado pela outra sem que a matéria volte
para a apreciação da Casa iniciadora. O Congresso Nacional tem utilizado a
técnica da PEC Paralela, ou seja, a parte da PEC que não foi modificada é
promulgada e a parte modificada volta para reanálise, e como se fosse uma
nova EC, para a Casa iniciadora. A não observância desse requisito formal
caracterizará o vício de inconstitucionalidade”.

12 ► 2015 / TRT2 / Juiz do Trabalho

Sobre a possibilidade de alteração material da Constituição Federal:


A emenda à Constituição será promulgada pelas mesas da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal e, na omissão destes, pelo Presidente da
República, com seu respectivo número de ordem.

֎ Falsa. Não há na Constituição Federal qualquer competência do


Presidente da República para promulgar ou vetar as emendas.

11
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
 CF/88, Art. 60. § 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo
número de ordem.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “outra imposição formal é que a


promulgação da emenda seja realizada pelas Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, com o seu respectivo número de ordem.
O número de ordem nada mais é do que o numeral indicativo da quantidade
de vezes que a Constituição foi alterada (pelo poder constituinte derivado)
desde a sua promulgação. Lembramos que, iniciado o processo de alteração
do texto constitucional através de emenda, discutido, votado e aprovado,
em cada Casa, em 2 turnos de votação, o projeto será encaminhado
diretamente para promulgação, inexistindo sanção ou veto presidencial.
Após promulgada, o Congresso Nacional publica a emenda constitucional”.

13 e 14 ► 2015 / TRT2 / Juiz do Trabalho

[adaptada – duas assertivas da mesma questão] No tocante às


possibilidades de reforma da Constituição brasileira, marque a única
assertiva CORRETA, considerando o ordenamento jurídico atualmente em
vigor:

O § 4º do art. 60 da Constituição Federal, ao estabelecer que não seja


objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a forma
federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a
separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais, impõe limites
materiais ao poder constituinte de reforma.

(e)

A iniciativa popular, também chamada iniciativa concorrente, pode ser


exercida por meio da apresentação ao Congresso Nacional de emenda
constitucional, desde que subscrita por, no mínimo, um por cento do
eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não
menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

֎ Verdadeira a primeira assertiva, conforme comentários (esquemas) das


questões anteriores, apontamos somente para conhecimento do que a

12
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
banca considerou correto. E a segunda assertiva foi considerada falsa
(provavelmente pelo fato de que os requisitos aqui são os previstos para a
iniciativa popular de lei, sendo que a questão trata sobre Emenda
Constitucional. Fala ainda que é apresentada perante o Congresso Nacional,
o que está errado, afinal, é apresentado à Câmara, mas a ideia é apontar a
existência de outra corrente sobre o tema defendida por variados
doutrinadores.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “Conquanto desejável, o sistema


brasileiro não admitiu expressamente a iniciativa popular para propostas de
emendas à Constituição (PEC), apesar de entendermos perfeitamente
cabível, como se verá abaixo.
Ao contrario, de modo expresso, o exercício do poder constituinte derivado
reformador foi direcionado para o rol de legitimados previsto no art. 60, I,
II e III, da CF/88, consagrando a denominada iniciativa concorrente.
Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino, em excelente e recomendada
monografia sobre o tema, observam que, "ao contrário do que foi previsto
em relação ao processo legislativo de elaboração das leis (CF, art. 61, §
2º), não foi contemplada pela vigente Carta da República a possibilidade de
iniciativa popular no processo de reforma da Constituição, isto é, os
cidadãos não dispõem de legitimidade para apresentar uma proposta de
emenda à Constituição"?
Mônica de Melo também observa que "... projeto de lei de iniciativa popular
não pode alterar normas constitucionais, uma vez que o instrumento
próprio é a emenda constitucional, que possui iniciativa própria e
diferenciada das outras espécies"?
No entanto, com o máximo respeito, ousamos discordar, apontando para
uma linha mais ampla da regra prevista no art. 61, § 2º.
Valemo-nos, para tanto, da interpretação sistemática, destacando o art. 1º,
parágrafo único, que permite o exercício do poder de forma direta pelo
próprio povo, e o art. 14, III, ao estabelecer que a soberania popular será
exercida mediante a iniciativa popular.
Nesse sentido, José Afonso da Silva pondera que a iniciativa popular para
PEC pode vir a ser reconhecida "... com base em normas gerais e princípios
fundamentais da Constituição", apesar de não estar esse tipo de iniciativa
popular " ... especificamente estabelecido para emendas constitucionais
como o está para as leis (art. 61, § 2) depender do desenvolvimento e da
prática da democracia participativa que a Constituição alberga como um de
seus princípios fundamentais".

13
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Como responder nas provas de concursos públicos? Tratando-se de prova
escrita, tranquilo: cada um vai desenvolver a linha de raciocínio pela
admissibilidade (interpretação sistemática) ou não (interpretação literal). E
na prova preambular? Com todo o respeito, espero que esse tipo de
pergunta não apareça em nenhum concurso em prova preambular de
múltipla escolha. O que se pode perguntar é se a iniciativa popular de PEC
foi prevista expressamente no texto da CF/88. A resposta é não. O que
temos é a sua admissibilidade em razão de interpretação sistemática.
Cabe alertar, para ter exemplos, que, dos 26 Estados + o DF, 16, portanto
mais da metade, admitem, de forma declarada e expressa [...] a iniciativa
popular para encaminhamento de PEC”. (tal admissão consta nas
constituições estaduais)”.

15 ► 2016 / TRF04 / Juiz Federal

Sobre o processo legislativo:


A Constituição Federal poderá ser emendada mediante proposta de um
terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado
Federal, do Presidente da República ou de mais da metade das Assembleias
Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se cada uma delas
pela maioria absoluta de seus membros.

֎ Falsa. Apesar da abordagem anterior deste artigo vale mencioná-lo


novamente devido à “pegadinha” contida no termo “maioria absoluta” e
abordar a diferenciação entre maioria absoluta e maioria simples.

 CF/88, Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante


proposta:
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de
seus membros.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “Resta saber qual a diferença entre
maioria absoluta e maioria simples. Nos dois casos, busca-se a maioria, só
que, para o quorum de maioria absoluta, a maioria será dos componentes,
do total de membros integrantes da Casa (sempre um número fixo),

14
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
enquanto para a maioria simples a maioria será dos presentes à reunião ou
sessão que, naquele dia de votação, compareceram.
(...)
Então, podemos afirmar que o quorum de votação (ou, melhor dizendo, de
instalação da sessão de votação) é o mesmo tanto para a lei ordinária como
para a lei complementar. A grande diferença (além do aspecto material já
estudado), analisando o aspecto formal, reside no quorum de aprovação:
a) lei ordinária – maioria simples; b) lei complementar- maioria absoluta”.

16 ► 2012 / TJ-RJ / Titular de Serviços de Notas e de Registros

A doutrina constitucional descreve uma maneira de exercício do poder


constituinte que se dá de forma permanente e por mecanismos informais,
o que ocorre, por exemplo, com a interpretação das normas constitucionais.
Essa modalidade de poder constituinte pode ser chamada de Poder
Constituinte Difuso.

֎ Verdadeira.

 Pedro Lenza [2015] assim preleciona “O poder constituinte difuso


pode ser caracterizado como um poder de fato e que serve de fundamento
para os mecanismos de atuação da mutação constitucional. Se por um lado
a mudança implementada pelo poder constituinte derivado reformador se
verifica de modo formal, palpável, por intermédio das emendas à
Constituição, a modificação produzida pelo poder constituinte difuso se
instrumentaliza de modo informal e espontâneo, como verdadeiro poder de
fato, e que decorre dos fatores sociais, políticos e econômicos, encontrando-
se em estado de latência. Trata-se de processo informal de mudança da
Constituição, alterando-se o seu sentido interpretativo, e não o seu texto,
que permanece intacto e com a mesma literalidade”.

17 ► 2010 / DPE-BA / Defensor Público

O denominado poder constituinte supranacional tem capacidade para


submeter as diversas constituições nacionais ao seu poder supremo,
distinguindo-se do ordenamento jurídico positivo interno assim como do
direito internacional.

15
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
֎ Verdadeira.

 Pedro Lenza [2015] assim preleciona “O poder constituinte


supranacional busca a sua fonte de validade na cidadania universal, no
pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e
em um conceito remodelado de soberania.
Segundo Maurício Andreiuolo Rodrigues, agindo de fora para dentro, o
poder constituinte supranacional busca estabelecer uma Constituição
supranacional legítima: "faz as vezes do poder constituinte porque cria uma
ordem jurídica de cunho constitucional, na medida em que reorganiza a
estrutura de cada um dos Estados ou adere ao direito comunitário de viés
supranacional por excelência, com capacidade, inclusive, para submeter as
diversas constituições nacionais ao seu poder supremo. Da mesma forma,
e em segundo lugar, é supranacional, pois que se distingue do ordenamento
positivo interno assim como do direito internacional".

18 ► 2014 / Câmara dos Deputados / Analista Legislativo

‘A luz da doutrina atual relativa ao poder constituinte, julgue o item a


seguir: Com o advento de uma nova ordem constitucional, é possível que
dispositivos da Constituição anterior permaneçam em vigor com o status de
leis infraconstitucionais, desde que haja norma constitucional expressa
nesse sentido.

֎ Verdadeira. Trata-se do fenômeno da desconstitucionalização.

 Pedro Lenza [2015] assim ensina “Trata-se do fenômeno pelo qual


as normas da Constituição anterior, desde que compatíveis com a nova
ordem, permanecem em vigor, mas com o status de lei infraconstitucional.
Ou seja, as normas da Constituição anterior são recepcionadas com o status
de norma infraconstitucional pela nova ordem”.

 Nathália Masson assim preleciona: “Quando uma nova Constituição


entra em vigor, o primeiro impacto sentido na ordem jurídica é a revogação
completa e integral da Constituição pretérita. O novo texto constitucional
substitui o antigo por ser o pomo de partida de um novo ordenamento
jurídico que acaba de ser inaugurado e, por isso, rompe e desfaz roda a
estrutura jurídica anterior, deixando carentes de fundamentação lógico-
jurídica (logo, de validade) rodos os diplomas existentes. Pode ocorrer,

16
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
todavia, de as normas da Constituição pretérita, não possuindo qualquer
resquício de incompatibilidade com o novo texto constitucional, isco é,
absolutamente harmônicas com ele, serem recebidas pela nova ordem
principiada, mas rebaixadas ao status de normas infraconstitucionais. É o
fenômeno da desconstitucionalização, segundo o qual as normas da
Constituição pretérita podem ser recebidas pelo novo ordenamento desde
que: (A) guardem congruência material com a nova Constituição; e (B)
sejam convertidas em normas infraconstitucionais. Não tendo sido adotada
expressamente pelo Constituição da República de 1988, a teoria da
desconstitucionalização não pode ser pressuposta, pois sua adoção exige
explícita determinação do poder originário.

19 ► 2014 / Câmara dos Deputados / Analista Legislativo

Em relação ao poder constituinte e ao direito intertemporal, julgue o item


que se segue: Considere que lei editada sob a égide de determinada
Constituição apresentasse inconstitucionalidade formal, apesar de nunca de
ter sido declarada inconstitucional. Nessa situação, com o advento de nova
ordem constitucional, a referida lei não poderá ser recepcionada pela nova
constituição, ainda que lhe seja materialmente compatível, dado o vício
insanável de inconstitucionalidade.

֎ Verdadeiro.

 Pedro Lenza [2015] assim preleciona: “Uma lei que fere o


processo legislativo previsto na Constituição sob cuja regência foi
editada, mas que, até o advento da nova Constituição, nunca fora
objeto de controle de constitucionalidade, poderá ser recebida pela
nova Constituição se com ela for compatível?
A questão, pela primeira vez, foi objeto de pergunta no concurso público da
PFN (2005/2006-ESAF), gerando muita discussão. Apareceu, também, em
outros momentos como, para se ter um exemplo, em certame elaborado
pelo CESP/UnB no concurso de Consultor Legislativo da Câmara dos
Deputados de 2014 (vide item 4.10.2).
No entender de parte da doutrina, se a lei produzida antes de 1988 ainda
não tivesse sido declarada inconstitucional na vigência do antigo
ordenamento, teoricamente, como ela se presume constitucional, poderia
ser recebida pelo novo ordenamento se com ele fosse compatível do ponto
de vista meramente material.

17
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
Contudo, parece-nos que o Judiciário, ao fazer a análise da recepção, terá
de verificar, também, se a lei que pretende ser recebida pelo novo
ordenamento era compatível, não só do ponto de vista formal, como,
também, material, com a Constituição sob cuja regência foi editada.
Sobre esse tema, assinala Paulo G. G. Branco: "uma vez que vigora
o princípio de que, em tese, a inconstitucionalidade gera a nulidade-
absoluta- da lei, uma norma na situação em tela já era nula desde
quando editada, pouco importando a compatibilidade material com
a nova Constituição, que não revigora diplomas nulos".
Trata-se, como se verificou, elo princípio da contemporaneidade, e a lei que
nasceu "maculada" possui vício congênito, insanável, impossível de ser
corrigido pelo fenômeno da recepção. O vício ab origine nulifica a lei,
tornando-a ineficaz ou írrita”. (grifo nosso)

20 ► 2014 / Câmara dos Deputados / Analista Legislativo

Em relação ao poder constituinte e ao direito intertemporal, julgue o item


que se segue: Suponha que uma lei infraconstitucional tenha sido revogada
pelo advento de uma nova ordem constitucional, por ser com ela
incompatível. Nessa situação, com a entrada em vigor de uma terceira
ordem constitucional, ainda que seja compatível com ela, a referida lei
infraconstitucional não poderá ser restaurada, salvo se houver disposição
constitucional expressa nesse sentido.

֎ Verdadeira. Trata-se do fenômeno da repristinação que, de fato, não é


automática e necessita de previsão explícita pela nova Constituição.

 Pedro Lenza [2015] assim preleciona: “Vejamos a situação: uma


norma produzida na vigência da CF/46 não é recepcionada pela de 1967,
pois incompatível com ela. Promulgada a CF/88, verifica-se que aquela lei,
produzida na vigência da CF/46 (que fora revogada - não recepcionada -
pela de 1967), em tese poderia ser recepcionada pela CF/88, visto que
totalmente compatível com ela. Nessa situação, poderia aquela lei,
produzida durante a CF/46, voltar a produzir efeitos? Ou seja, repristinaria?
Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da
repristinação, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se
pronunciar”.

18
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.
 STF: "EMENTA: Agravo regimental – Não tem razão o agravante. A
recepção de lei ordinária como lei complementar pela Constituição posterior
a ela só ocorre com relação aos seus dispositivos em vigor quando da
promulgação desta, não havendo que pretender-se a ocorrência de efeito
repristinatório, porque o nosso sistema jurídico, salvo disposição em
contrário, não admite a repristinação (artigo 2º, § 3º, da Lei de
Introdução ao Código Civil - atualmente, acrescente-se, nos termos da Lei
n. 12.376/2010, Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). Agravo
a que se nega provimento" (AGRAG 235.800/RS, Rei. Min. Moreira Alves,
DJ de 25.06.1999, p. 16, Ement. v. 01956-13, p, 2660, 1º Turma- original
sem grifas).

Bibliografia:

MASSON, Nathália. Manual de Direito Constitucional– 4. ed. Salvador:


JusPodivm, 2016.

LENZA, Pedro Lenza. Direito Constitcuonal Esquematizado. 19 ed. Ver.


Atual. E ampl. São Paulo: Saraiva, 2015.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. – 32. ed. rev. e atual. até a
EC nº 91, de 18 de fevereiro de 2016. São Paulo: Atlas, 2016.

19
Este curso apostilado está protegido nos termos da Lei 9.610/98.

Você também pode gostar