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Rio Atrato: Sujeito de Direito e Natureza

O documento discute a crise ecológica e civilizatória atual, propondo uma mudança de paradigma nas relações entre humanos e a natureza, com foco no reconhecimento do Rio Atrato como sujeito de direito pela Corte Constitucional Colombiana. Destaca a importância de um novo constitucionalismo latino-americano que valoriza cosmovisões indígenas e propõe uma reorientação das práticas jurídicas e sociais. A análise inclui reflexões sobre a colonialidade e a necessidade de um desenvolvimento sustentável que respeite os direitos da natureza.
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Rio Atrato: Sujeito de Direito e Natureza

O documento discute a crise ecológica e civilizatória atual, propondo uma mudança de paradigma nas relações entre humanos e a natureza, com foco no reconhecimento do Rio Atrato como sujeito de direito pela Corte Constitucional Colombiana. Destaca a importância de um novo constitucionalismo latino-americano que valoriza cosmovisões indígenas e propõe uma reorientação das práticas jurídicas e sociais. A análise inclui reflexões sobre a colonialidade e a necessidade de um desenvolvimento sustentável que respeite os direitos da natureza.
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Disciplina - Temas de Ética Ambiental turma 2023.

Professora Dra. Rita Simões Bonelli


Professora Dra. Jessica Hind Ribeiro Costa

O Reconhecimento Jurídico do
Rio Atrato como Sujeito de
Direito: reflexões sobre a
mudança de paradigma nas
relações entre o ser humano e
a natureza.

Nelson Vicente Portela Pellegrino


Autoras

+ Ana Stela Câmara - Doutora em Direito pela UFCe, coord.


Geral de pesquisa no CEU Christus, prof.a. de Direito
Ambiental
+ Marcia Maria Fernandes - Especialista em Direitos
Humanos pela Universidade Regional do Cariri - URCA, e
em Gestão Integrada de Recursos Hídricos em Bacias
Hidrográficas pela UFCe
Vivemos uma crise ecológica e
civilizatória sem precedentes na
história da humanidade, devido à
adoção de um modelo
insustentável de
desenvolvimento, capitalista,
fundado em relações de
exploração e desigualdade entre
povos e espécies distintas -
Antropocentrismo
Sul Global

+ Construção de relevante práxis


sulamericana, desconstrução
do paradigma colonizador da
modernidade, atualmente
dominante, proposta de uma
reorientação das relações ser
humano-natureza, e também
nas suas ordens jurídicas
instituídas.
Rio Atrato
(Colômbia)

+ O estudo se propõe a análise da


decisão da Corte Constitucional
Colombiana, a qual reconheceu
ao Rio Atrato a condição de
sujeito de Direito, e as suas
consequências além do caso
concreto
O trabalho se divide em três seções:
• mudança de paradigmas ocasionado
pelo reposicionamento das relações
ser numa-natureza na América Latina
do Sul;
• contextualizar o caso, expondo-se
características relevantes do Rio e das
disputas de interesses que levaram à
judiciarização do caso;
• o conteúdo da sentença e os
impactos dela decorrentes.
+ Capitalismo - Modernidade -
revolução industrial - novos
processos de produção e
consumo - desenvolvimento
pautado no domínio e
apropriação da natureza a fim de
fornecer bens e serviços à
humanidade - antropocentrismo.
Tudo reduzido a mercadoria -
esgotamento do recursos não
renováveis - Boff( 1995 ), a terra
está doente.
+ Novas reflexões epistêmicas e ideológicas na América
Latina acerca do processo de desenvolvimento,
exploração e apropriação da natureza- crítica ao
processo violento de dominação - colonialismo -
colonialidade
Catherine Walsh ( 2008 ), identifica quatro
frentes de percepção da colonialidade :

+ A colonialidade do poder aponta para uma hierarquia


social, a partir do critério racial e sexual, do saber propaga
o eurocentrismo nas searas epistemológica e científica, a
desvalorização e a desumanização daqueles que fogem ao
padrão eurocêntrico de racionalidade e etnicidade, a
colonialidade da mãe natureza e da vida em si. O processo
de colonização da natureza da sociedade mercantilista
capitalista a partir de práticas de exploração, se propõe a
construção de discursos hegemônicos e excludentes de
quem tem direito a conhecer, explorar, proteger e e
resguardar a natureza.
+ Protagonismo de países
como Bolívia e Equador,
ruptura com antigas
tradições constitucionais
europeias de matriz
eurocentrica, cultura
normativa, individualista
e atropocêntrtrica.
+ Novo Constitucionalismo Latino
Americano, Boaventura e Sousa Santos,
citando Viciano e Martinez ( 2010, p.26 ),
modelo teórico e prático, necessidade
de superação do conceito de
constituição como mera limitadora do
poder ( constituído), Constituição como
fórmula democrática, onde o poder
constituinte (a soberania
popular)expressa sua vontade sobre a
configuração e limitação do Estado, mas
também a própria sociedade.
+
+ Constrições da Bolívia, em 2009, e Equador em 2008,
concretização do novo Constitucionalismo Latino Americano
- Estados Plurinacionais - Cosmovisão Andina -
reconhecimento da tradição indígena - alteração da matriz
de produção do conhecimento, determinando nova forma
de pensar.

+ Expressos no paradigma ancestral comunitário que se


assenta nas ideias contidas no Vivir Bien/ Buen Vivir ou Suma
Qamanã ( Bolívia), é Bem Viver ou Sumak Kawsay (
Equador).
+
+ Parâmetro que abarca muitas áreas e tem repercussão
nas estruturas sociais, jurídicas e econômicas de uma
sociedade.
+ Reconhecimento de um Estado Plurinacional na
Bolívia, a partir da união dos povos indígenas
originários e da luta pelo reconhecimento dos seus
direitos e da diversidade cultural ali existente.
+ É, portanto, a partir do
horizonte de Vivir Bien/
Buen Vivir que é possível
reconstituir a harmonia e o
equilíbrio da vida a partir da
escuta e prática da herança
ancestral.

+ E como no Brasil é chamado


o giro ecocêntrico, que
ostentava bandeira do
reconhecimento dos direitos
da natureza.

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