Café
Histórico
A literatura especializada menciona várias lendas
sobre as origens do uso da bebida. Não só na
Etiópia, berço do excelente Coffea arabica, os
seus habitantes descobriram os efeitos
estimulantes de cocções de folhas dos cafeeiros,
da polpa, dos frutos, e mais tarde, dos grãos
torrados, mas também em outras partes da
África, de preferência, no ex-Congo Belga, os
habitantes já se valiam do cafeeiro, neste caso,
de outras espécies de Coffea para preparo de
infusões muito antes da ocupação destas regiões
pelos europeus.
2 espécies
• Coffea arabica
(Arábica)
• Coffea canephora
(Robusta)
Altamente resistente à
ferrugem das folhas,
predominando na Ásia
(Vietnã) e 80% dos
plantios da África
Coffea arabica (Arábica) Coffea canephora (Robusta)
Mundo: 171 M sacas
Brasil
• Produção: 54 milhões sc (38 M arábica)
• Consumo: 21 milhões sc
• Exportação: 33 milhões sc
• Minas gerais – cerrado
• Espírito Santo
• Área: 1,4 M ha
Curiosidades...
Plantio Florada Colheita
Dez - fev Set/out Jun/Jul
Tratos culturais
(poda, adubação)
Ano todo
Bienalidade:
O café tem a fisiologia bienal, de acordo com a
produção, ou seja, em um ano a colheita é
maior que o ano seguinte. Isso se dá pelo fato
da planta se esgotar numa safra, perdendo
vigor para a produção do ano seguinte.
Não consegue produzir alimento suficiente
para frutificação e crescimento
Existem formas de amenizar essa
características através de espaçamento,
podas, adubações e manejo de solo.
Variação temporal da produtividade da cultura do café nos estados de Minas Gerais (A),
Espírito Santo (B), São Paulo (C), Paraná (D) e no Brasil (E) ao longo dos últimos 10 anos,
em sacas de 60 kg do produto beneficiado por hectare (sc ha-1).
Preparo de mudas
Para que a semente de café
conserve por muitos meses uma
elevada porcentagem de
germinação ela deve ser
desidratada a sombra após a
eliminação da substância péctica
que envolve.
O teor final de umidade não deve
ser inferior a 8-9%, para não
comprometer o poder de
germinação.
O processo de germinação da
semente de café é relativamente
lento. Em condições bastante
favoráveis de temperatura e de
umidade ela se dá em 3 a 4
semanas.
Condições edafoclimáticas
Temperatura: médias anuais situadas entre 18 e 22 ºC
Precipitação: Quando a época de maturação e da
colheita coincidem com um período de seca relativa no
inverno, a deficiência de chuvas não chega a prejudicar o
cafeeiro, favorecendo a colheita e criando condições
propicias a obtenção de um produto de melhor
qualidade.
Altitude: Altitudes inferiores
a 500 metros são
desfavoráveis à
cultura dos cafeeiros
da espécie arábica.
Escolha do local
Na escolha do local da futura lavoura, devem ser
evitadas as seguintes situações:
1. terrenos voltados para faces sujeitas a ação dos
ventos frios;
2. Locais que tenha tido cafezais há menos de 5 anos,
em caso de áreas sujeitas a nematóides;
3. baixadas úmidas;
4. topografias muito íngremes, solos rasos,
pedregosos ou muito erodidos.
Espaçamento
• Redução do espaçamento a partir da década de 80. Aumento de
stand e adensamento.
- Cultivos tradicionais têm até 3.000 plantas/há;
- Adensados: entre 3.000 e 7.000;
- Superadensados: mais de 7.000 plantas/ha.
• O cafeeiro em espaçamento largo e a pleno sol floresce
abundantemente devido a luminosa e tem um bom índice de
"pegamento" de florada (retenção de frutos após a polinização). A
superprodução de frutos geralmente causa depauperamento da
planta, resultando em seca de ramos e ponteiros, assim como
evidencia bem mais o ciclo bienal de produção.
Em contrapartida, o cafeeiro em plantio mais adensado produz menos
por planta, que se esgota menos, mesmo com ganho de produção
por área. Nesse sistema de plantio, ele está mais próximo das
condições de seu habitat.
Espaçamento
Cuidado com a mecanização!!!!!!
• Usa-se espaçamento de 3,0 x 0,6 a 0,7 m ou de 3,2
x 0,7 m, que permitem população de 4.500 a 5.000
plantas por hectare. Denominamos esse sistema
de "adensado mecanizável", que normalmente
exige a realização de podas a cada quatro ou
cinco anos.
• Planta-se também em
espaçamento superadensado
(2,0 x 0,5 m) até o quatro ou
cinco ano de cultivo e
elimina-se metade das linhas.
Variedades
Deve-se observar a Bourbon Vermelho / Bourbon Amarelo
resistência de cultivares
resistentes e tolerantes a
algumas pragas e doenças.
Catuaí
Mundo novo
Preparo do Terreno
• Culturas anuais: aração e gradagem.
• Pastagem, áreas de café ou em solos compactados:
mais de uma aração e gradagem ou até uma
subsolação.
O preparo do terreno deverá ser iniciado a partir de
abril. A seguir faz-se a locação, marcando-se as
covas, que deverão ser alinhadas em nível. Também
os carreadores deverão ser locados. Os carreadores
em nível deverão ter uma largura média de 6 a 7
metros. Os carreadores pendentes terão uma
largura média de 5 a 6 metros.
Preparo das
covas
Preparo das Covas: Sulcador do tipo usado para o
plantio de cana. Em condições normais as covas
deverão ter 60 cm de comprimento, 40 cm de
profundidade e 40 cm de largura.
Plantio: Deverá ser efetuado durante os meses de
chuva, com o solo úmido. Deve-se dar preferência
para o plantio nos dias encobertos ou com
chuviscos leves. Dentro das covas abrem-se
covetas em número de 2 ou 3, dispostas no sentido
das linhas e distantes entre si de 20 a 25cm.
Meu cafezal em flor...
Conservação do solo
-Redução das capinas: durante o período chuvoso, ao mínimo
necessário para reduzir o arrastamento de terra pelas águas da
chuva.
- Alternância das capinas: consiste em se capinar (nas lavouras
plantadas em nível) rua sim rua não. Na capina seguinte o
processo é invertido, fazendo-se a capina nas ruas não
trabalhadas da primeira vez e assim sucessivamente.
- Culturas intercalares: durante a formação do cafezal, pode
plantar culturas ou adubos verdes
- Adubações: efetuar as adubações adequadas para dar à
cultura principal e às intercalares um desenvolvimento
vegetativo vigoroso.
Manejo de podas
Poda: promover a renovação dos ramos produtivos ou de
limitar o crescimento da planta, para facilidade na colheita.
Desbaste: É feito quando há excesso de brotação no tronco
(ramos ortotrópicos, ponteiros ou ladrões). O aparecimento de
um ou outro ramo ladrão na planta não é prejudicial, servindo,
em muitos casos, para a renovação de sua parte aérea. A ação
de fatores externos, como seca, eficiência mineral, geada etc.,
pode, entretanto, provocar uma brotação excessiva, sendo
aconselhável no caso, um desbaste, deixando 1, 2 ou 3 ramos
por planta, conforme haja maior ou menor número de plantas
por cova.
Tipos de Podas
Esqueletamento — É considerado uma das podas mais
drásticas, visto que, elimina-se toda a área foliar do
cafeeiro permanecendo apenas parte dos ramos
laterais junto ao tronco (de 30 a 40 cm). Devido à morte
de grande parte do sistema radicular, deve-se fazer um
acompanhamento rigoroso quanto ao aspecto
nutricional e fitossanitário do cafeeiro.
O alto custo com as desbrotas devido principalmente ao
surgimento dos ramos ladrões, também é fator que deve
ser levado em consideração quando faz-se a opção por
este tipo de poda. Porém, quando o esqueletamento é
realizado no momento correto, ocorre o surgimento de
novos ramos plagiotrópicos, aumentando a área
produtiva da planta e já com resultados significativos a
partir da primeira safra pós-poda. Também é uma poda
indicada na recuperação de cafezais que tenham boas
condições nutricionais (vigor, boa quantidade de ramos).
Esqueletamento
Decote — Continua sendo a poda mais praticada e consiste
simplesmente na eliminação dos ponteiros do cafeeiro.
Experimentos mostram que os decotes mais altos (acima de
1,60 metros), apresentam aumento de produtividade em relação
a outros tipos de poda mesmo com relação ao livre crescimento
(sem poda).
Recepa — É, sem dúvida, a mais drástica de todas as podas,
pois, elimina-se 100% da parte aérea do cafeeiro, cortando os
pés a 40 centímetros do solo. Experimentos mostram que ocorre
a mortalidade de mais de 80% das radicelas do cafeeiro. Deve
ser recomendado somente em último caso, visando a
recuperação total do cafezal, que por algum motivo se encontra
debilitado com perda de saia e alto índice de ramos secos.
Pragas
- Broca do Café - Hypothenemus hampei
Bicho Mineiro - Perileucoptera cofeella
Pragas
-Cochonilha Verde - Planococcus citri
Pragas -Nematóides - Meloidogyne incognita
Doenças
-Mancha Aureolada (Bactéria)
-Ferrugem (Fungo)
- Phoma (fungo) – seca dos ponteiros,
confunde com deficiência de Boro
Quando colher???
O ideal é ter o máximo de grão do tipo cereja no pé.
Evitando, com isso, colher os grãos passados e
os verdes.
O grão cereja está fisiologicamente maduro,
resultando numa melhor qualidade de bebida
Colheita
Normalmente são praticados três sistemas de colheita:
derriça no chão ou colheita no pano. Colheita a "dedo"
e mecanizada.
Pré-beneficiamento
Limpeza e separação:
Inicialmente, o café da roça é separado num
equipamento de lavagem e separação. O café bóia vai
direto para o terreiro de secagem, enquanto o café
verde e o café cereja misturados vão para o
despolpador. No despolpador o café verde é separado
mecanicamente sob pressão indo para o terreiro de
secagem, enquanto o café cereja é descascado por
processo mecânico. Finalmente, o café cereja
descascado (CD) pode ser levado direto para o terreiro
de secagem ou antes passar pelo degomador
mecânico ou fermentativo para retirada do excesso de
mucilagem.
Lavador
Despolpador
Pré-beneficiamento
Secagem
Uma correta secagem natural ou artificial, garantem um produto de boa
característica, influênciando na coloração do café e na qualidade da "bebida".
O teor de umidade do "café da roça" varia conforme o estado de maturação
de seus componentes, podendo-se admitir os limites de 50 a 60% no"cereja",
de 35 a 50% no "passa" e de 25 a 30% no "bóia".
Uma boa secagem deve ser conduzida de modo que sejam observados os
seguintes pontos:
- evitar fermentação durante o processo;
- evitar excessos de temperatura;
- secar até obter o teor de umidade conveniente e,
- obter um produto que depois de beneficiado se apresente uniforme quanto à
cor.
Armazenamento
Embora o café em coco possa ser armazenado com teor de umidade até de
24%, recomenda-se que isso ocorra com 15 a 18%, evitando-se, assim,
possíveis alterações no armazém.
Terreiro
Secador
Classificação
O classificador comum dá os seguintes tipos: Chato 18, Chato
17, Chato 16, Chato 15, Chato 14, Chato 13, moca graúdo, moca
médio e moca miúdo, além de escolhas (leves) e "cabeça"
(maiores que peneira 18).
O café beneficiado, normalmente com teor de umidade em
torno de 11 a 12%, é acondicionado em sacos de juta, com
peso de 60 quilos, e guardados em armazéns limpos e bem
ventilados. Os lotes de café devem ser empilhados
separadamente, segundo a sua origem.
O tipo é determinado tendo em conta o número de defeitos
numa amostra de 300 gramas, de acordo com a tabela de
equivalência dos grãos imperfeitos e impurezas.
A qualidade é conhecida em provas de xícaras, recebendo o
café, conforme as características da "bebida", a classificação
de "mole", "duro", rio e "riado".
Classificação
Armazém, separado por
proprietário e lote
Mesa para
classificar
a bebida