PERFIL DAS INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À
SAÚDE NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DE UM
HOSPITAL DE REFERÊNCIA NA MESORREGIÃO OESTE DO
RIO GRANDE DO NORTE
Recebido em: 27/07/2023
Aceito em: 08/03/2024
DOI: 10.25110/arqsaude.v28i1.2024-10539
Kalidyjamayra Oliveira Reis de Freitas 1
Maria Eduarda Varela Cavalcanti Souto 2
Caio Augusto Martins Aires 3
José Veríssimo Fernandes 4
Christiane Medeiros Bezerra 5
Ellany Gurgel Cosme do Nascimento 6
Marquiony Marques dos Santos 7
Thales Allyrio Araújo de Medeiros Fernandes 8
RESUMO: As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) ocorrem com mais
frequência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a exposição maior dos
pacientes a procedimentos e dispositivos invasivos, quadro clínico debilitado e sua
manipulação pela equipe assistencial exigindo uso elevado de antimicrobianos, o que
pode promover um risco de desenvolvimento de resistência bacteriana a estes, cujas
consequências podem ser a dificuldade de tratamento, internamento prolongado, risco de
óbito e maior custo associado. Tem como objetivo descrever as IRAs relacionando os
agentes etiológicos e o tratamento antimicrobiano em uma UTI de um hospital de
referência da mesorregião do Rio Grande do Norte. Trata-se de um estudo descritivo,
retrospectivo e transversal de abordagem quantitativa. Foram inseridos 1.682 pacientes
1
Mestranda em Saúde e Sociedade pela Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte (UERN).
E-mail: kalidyjamayrareis@[Link] ORCID: [Link]
2
Graduanda em Medicina e aluna de iniciação científica pela Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
E-mail: mariasouto@[Link] ORCID: [Link]
3
Doutor e Professor Adjunto do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal Rural do
Semi-Árido (UFERSA).
E-mail: [Link]@[Link] ORCID: [Link]
4
Doutor e Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN).
E-mail: [Link]@[Link] ORCID: [Link]
5
Mestre e Professora Adjunta do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte (UFRN).
E-mail: christiane_medeiros@[Link] ORCID: [Link]
6
Doutora e Professora Associada da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da Universidade do Estado
do Rio Grande do Norte (UERN).
E-mail: ellanygurgel@[Link] ORCID: [Link]
7
Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Técnico de
Nível Superior da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
E-mail: marquionymarques@[Link] ORCID: [Link]
8
Doutor e Professor Associado da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da Universidade do Estado do
Rio Grande do Norte (UERN).
E-mail: thalesallyrio@[Link] ORCID: [Link]
Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 28, n. 1, p. 42-58, 2024. ISSN 1982-114X 42
internados na UTI geral do hospital estudado entre 2017-2020. Os dados foram coletados
a partir de fichas de registro que foram tabuladas e analisadas nos softwares Microsoft
Office Excel® e Statistical Package for the Social Sciences utilizando estatística
descritiva simples com apresentação de frequências, tendências e dispersão. A análise
dos resultados revelou mediana de idade de 57 anos, prevalência do sexo masculino e
existência de comorbidades em 57,9% dos casos, especialmente infecção prévia a
admissão na UTI. O tempo médio de permanência na UTI foi 11,4 dias e taxa de
mortalidade de 52%. Quanto aos dispositivos invasivos, observou-se uso de sonda vesical
de demora (96,8%), ventilação mecânica (79,4%) e cateter venoso central (83,7%).
Constatou-se 790 IRAS da UTI com crescimento bacteriano em 48,2%. As principais
densidades de incidência (DI) de IRAS/1.000 pacientes-dia foram: IPCSL-CVC 1,8; PAV
27 e ITU-AC 22,3. Quanto aos antibióticos, observou-se Lenght of therapy de
872,5/1.000 pacientes-dia, sendo os mais prescritos: vancomicina (N=633), meropenem
(N=625), ceftriaxona (N=479), amicacina (N=463) e polimixina B (N=448). Os valores
destaques de Days of therapy/1.000 pacientes-dia: meropenem (N=305,7), amicacina
(N=260,4), polimixina B (N=256,4), vancomicina (N=229,3) e imipenem (N=165,3). As
bactérias mais isoladas nas culturas foram: Acinetobacter spp., Pseudomonas spp. e
Klebsiella spp., as quais apresentaram resistência, principalmente, a: ceftazidima (51,5%
- 87,3%); cefepima (61,6% - 85,3%); ciprofloxacino (56% - 84,6%) e meropenem (31,7%
- 80,3%). Identificou-se não conformidades no tratamento com antibióticos em 455
pacientes, que envolvem principalmente polimixina B, vancomicina, meropenem e
ceftriaxona. Conclui-se que há elevados níveis de tempo de permanência na UTI e uso de
dispositivos invasivos, assim como DI de IRAS alta com identificação microbiológica de
bactérias importantes, especialmente por seu perfil de resistência acentuado com destaque
para antibióticos da classe dos carbapenêmicos e cefalosporinas de 3a e 4a geração.
Destaca-se também a presença de não conformidades na administração de antibióticos
que podem contribuir para a seleção de bactérias multirresistentes.
PALAVRAS-CHAVE: Infecções relacionadas à assistência à saúde; Unidade de Terapia
Intensiva; Resistência bacteriana a antibióticos.
PROFILE OF HEALTH CARE-RELATED INFECTIONS IN THE
INTENSIVE CARE UNIT OF A REFERENCE HOSPITAL IN THE
WEST MESOREGION OF RIO GRANDE DO NORTE
ABSTRACT: Health Care-Related Infections (HAI) occur more frequently in the
Intensive Care Unit (ICU) due to the greater exposure of patients to invasive procedures
and devices, weakened clinical status and their handling by the care team, requiring high
use of antimicrobials, which can promote a risk of developing bacterial resistance to these,
whose consequences may be difficult treatment, prolonged hospitalization, risk of death
and higher associated costs. It aims to describe the IRAS relating the etiological agents
and antimicrobial treatment in an ICU of a reference hospital in the mesoregion of Rio
Grande do Norte. This is a descriptive, retrospective and cross-sectional study with a
quantitative approach. A total of 1,682 patients admitted to the general ICU of the hospital
studied between 2017-2020 were included. Data were collected from registration forms
that were tabulated and analyzed in Microsoft Office Excel® and Statistical Package for
the Social Sciences software using simple descriptive statistics with presentation of
frequencies, trends and dispersion. The analysis of the results revealed a median age of
57 years, prevalence of males and the existence of comorbidities in 57.9% of cases,
especially infection prior to admission to the ICU. The average length of stay in the ICU
was 11.4 days and the mortality rate was 52%. As for invasive devices, the use of an
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indwelling urinary catheter (96.8%), mechanical ventilation (79.4%) and central venous
catheter (83.7%) was observed. There were 790 IRAS in the ICU with bacterial growth
in 21.67%. The main HAI incidence densities (DI)/1,000 patient-days were: IPCSL-CVC
1.8; PAV 27 and UTI-AC 22.3. As for antibiotics, a Length of therapy of 872.5/1,000
patient-days was observed, with the most prescribed being: vancomycin (N=633),
meropenem (N=625), ceftriaxone (N=479), amikacin (N= 463) and polymyxin B
(N=448). The highlighted values of Days of therapy/1000 patient-days: meropenem
(N=305.7), amikacin (N=260.4), polymyxin B (N=256.4), vancomycin (N=229.3) and
imipenem (N=165.3). The most isolated bacteria in cultures were: Acinetobacter spp.,
Pseudomonas spp. and Klebsiella spp., which showed resistance mainly to: Ceftazidime
(51.5% - 87.3%); cefepime (61.6% - 85.3%); ciprofloxacin (56% - 84.6%) and
meropenem (31.7% - 80.3%). Non-compliance was identified in the treatment with
antibiotics in 455 patients, which mainly involve polymyxin B, vancomycin, meropenem
and ceftriaxone. It is concluded that there are high levels of ICU length of stay and use of
invasive devices, as well as high IRAS ID with microbiological identification of
important bacteria, especially due to their accentuated resistance profile, with emphasis
on antibiotics from the carbapenem class and cephalosporins from 3rd and 4th generation.
Also noteworthy is the presence of non-compliance in the administration of antibiotics
that may contribute to the selection of multidrug-resistant bacteria.
KEYWORDS: Health Care-Related Infections; Intensive Care Unit; Bacterial resistance
to antibiotics.
PERFIL DE LAS INFECCIONES RELACIONADAS CON LA
ATENCIÓN A LA SALUD EN LA UNIDAD DE CUIDADOS
INTENSIVOS DE UN HOSPITAL DE REFERENCIA EN LA
MESOREGIÓN OESTE DEL RIO GRANDE DEL NORTE
RESUMEN: Las Infecciones Relacionadas con la Atención de la Salud (IRAS) ocurren
con mayor frecuencia en la Unidad de Cuidados Intensivos (UCI) debido a la mayor
exposición de los pacientes a procedimientos y dispositivos invasivos, el debilitamiento
del estado clínico y su manejo por parte del equipo asistencial, requiriendo un alto uso de
antimicrobianos , lo que puede promover un riesgo de desarrollar resistencia bacteriana a
estos, cuyas consecuencias pueden ser un tratamiento difícil, hospitalización prolongada,
riesgo de muerte y mayores costos asociados. Tiene como objetivo describir las IRAs que
relacionan los agentes etiológicos y el tratamiento antimicrobiano en una UTI de un
hospital de referencia en la mesorregión de Rio Grande do Norte. Se trata de un estudio
descriptivo, retrospectivo y transversal con enfoque cuantitativo. Se incluyeron un total
de 1.682 pacientes ingresados en la UCI general del hospital estudiado entre 2017-2020.
Los datos fueron recolectados a partir de formularios de registro que fueron tabulados y
analizados en el software Microsoft Office Excel® y Statistical Package for the Social
Sciences utilizando estadística descriptiva simple con presentación de frecuencias,
tendencias y dispersión. El análisis de los resultados reveló una mediana de edad de 57
años, predominio del sexo masculino y la existencia de comorbilidades en el 57,9% de
los casos, especialmente infección previa al ingreso en UCI. La estancia media en la UCI
fue de 11,4 días y la tasa de mortalidad fue del 52%. En cuanto a los dispositivos
invasivos, se observó el uso de catéter urinario permanente (96,8%), ventilación mecánica
(79,4%) y catéter venoso central (83,7%). Había 790 IRAS en la UCI con crecimiento
bacteriano en el 48,2%. Las principales densidades de incidencia (DI) de IRAS/1.000
pacientes-día fueron: IPCSL-CVC 1,8; PAV 27 y UTI-AC 22.3. En cuanto a los
antibióticos, se observó una Duración de la terapia de 872,5/1.000 días-paciente, siendo
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los más prescritos: vancomicina (N=633), meropenem (N=625), ceftriaxona (N=479),
amikacina (N= 463) y polimixina B (N=448). Los valores destacados de Días de
terapia/1.000 pacientes-día: meropenem (N=305,7), amikacina (N=260,4), polimixina B
(N=256,4), vancomicina (N=229,3) e imipenem (N=165,3). Las bacterias más aisladas
en cultivos fueron: Acinetobacter spp., Pseudomonas spp. y Klebsiella spp., que
mostraron resistencia principalmente a: ceftazidima (51,5% - 87,3%); cefepima (61,6% -
85,3%); ciprofloxacino (56% - 84,6%) y meropenem (31,7% - 80,3%). Se identificó
incumplimiento en el tratamiento con antibióticos en 455 pacientes, los cuales involucran
principalmente polimixina B, vancomicina, meropenem y ceftriaxona. Se concluye que
existen altos índices de estancia en UCI y uso de dispositivos invasivos, así como elevado
IRAS ID con identificación microbiológica de bacterias importantes, especialmente por
su acentuado perfil de resistencia, con énfasis en antibióticos de la clase carbapenémicos
y cefalosporinas de 3ra y 4ta generación. También es destacable la presencia de
incumplimiento en la administración de antibióticos que pueden contribuir a la selección
de bacterias multirresistentes.
PALABRAS CLAVE: Infecciones relacionadas con la atención de la salud; Unidad de
Cuidados Intensivos; Resistencia bacteriana a los antibióticos.
1. INTRODUÇÃO
Os hospitais são locais críticos para a seleção e disseminação de cepas bacterianas
resistentes. Esse fato é determinado por uma combinação de fatores: pacientes
imunocomprometidos, uso intensivo e prolongado de antimicrobianos e ocorrência de
infecções hospitalares por bactérias patogênicas altamente resistentes (SOUSA et al.,
2011).
Dentre os ambientes hospitalares, as unidades de terapia intensiva (UTI) se
destacam. Pacientes de UTI são propensos a adquirir infecções em virtude da redução dos
mecanismos imunológicos de defesa, causada principalmente, pela gravidade da doença,
doenças subjacentes (diabetes, câncer, etc.), presença de múltiplos dispositivos invasivos,
resultando em perturbação da anatomia e barreiras de proteção imunológica e
administração de várias drogas. Além disso, o uso de antibióticos de amplo espectro
selecionam e/ou podem levar ao surgimento de microrganismos multirresistentes aos
antibióticos (ALP; DAMANI, 2015).
Como uma das fontes mais comuns de danos evitáveis, as infecções relacionadas
à assistência em saúde (IRAS) representam a maior ameaça à segurança do paciente.
Estimativas recentes da morbidade e da mortalidade nacional, associadas à IRAS,
mostram sua evidência enquanto um grande problema de saúde pública (SINÉSIO et al.,
2018).
O uso ideal de antibióticos é crucial no ambiente de cuidados intensivos,
especialmente em uma era de aumento da resistência aos antibióticos e falta de
desenvolvimento de novos antimicrobianos (LUYT et al., 2014). O aumento da
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resistência bacteriana a vários agentes antimicrobianos acarreta dificuldades nos cuidados
terapêuticos individuais e contribui para aumento das taxas de IRAS (SANTANA et al.,
2014).
Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar as IRAs e a relação
entre as bactérias isoladas e o uso de antimicrobianos associados ao tratamento dessas
infecções na UTI de um hospital de referência da mesorregião oeste potiguar no
quadriênio 2017-2020.
2. METODOLOGIA
Tratou-se de um estudo retrospectivo, observacional, corte-transversal, de
abordagem descritiva através de pesquisa em fichas de notificação de IRAS preenchidas
pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) de pacientes admitidos na UTI
geral do Hospital Regional Dr. Tarcísio de Vasconcelos Maia, localizado em
Mossoró/RN, referência no atendimento de urgências e emergências para mais de 60
municípios da região oeste do RN. É um hospital de grande porte, com 157 leitos, sendo
29 de terapia intensiva, que presta atendimento contínuo tipo “porta aberta” de média e
alta complexidade, 24hs/dia, com disposição à população dos seguintes serviços:
urgência/emergência e internamento, com acolhimento e classificação de risco; clínica
médica; clínica cirúrgica; clínica pediátrica; UPI 1 e 2 (Unidade de Paciente Infectado);
ortopedia; traumatologia; oftalmologia; neurologia; psiquiatria; otorrinolaringologia;
cirurgia buco-maxilo-facial; assistência de enfermagem; serviço social; nutrição e
dietética (para acompanhantes, pacientes e funcionários); fisioterapia; terapia
ocupacional; psicologia; serviço de hemodiálise na beira do leito; centro cirúrgico com
quatro salas; UTI geral; serviço de diagnóstico e imagem como: raios X, endoscopia,
ultrassonografia e tomografia computadorizada, além de um laboratório com serviços de
análises clínicas e de microbiologia.
Foram incluídos no estudo dados de todos os pacientes que ocuparam leito na UTI
geral, durante o quadriênio 2017-2020 e que tiveram fichas de notificação devidamente
preenchidas com todas as informações de interesse de controle de infecção (fluxo do
paciente, dispositivos/procedimentos invasivos, registro de antimicrobianos usados,
culturas com antibiograma, etc. Foram excluídas do estudo as fichas incompletas ou não
preenchidas.
Os dados foram coletados das 1.682 fichas no período de dezembro de 2021 à
julho de 2022, considerando paciente/ocupação/leito/mês. As informações coletadas e
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condensadas em um banco de dados específico de acesso exclusivo aos pesquisadores e
orientador responsáveis.
Foi realizada análise estatística descritiva para caracterização da população
estudada com exposição de tabelas de frequência absoluta e relativa, medidas de
tendência central e dispersão e apresentação de indicadores de monitoramento de IRAS,
de perfil de culturas e de uso de antibióticos. O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética
e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte pelo parecer 2.279.190 de
28/10/2021 e registro na plataforma Brasil sob o número CAAE: 1525821.9.0000.5294.
3. RESULTADOS
A população estudada (N=1.682) teve predomínio do sexo masculino (62%) e da
faixa etária de maiores de 60 anos (44,6%), porém com mediana de idade de 57 anos.
Embora a UTI fosse para adultos, houve também a ocupação por 05 pacientes menores
de 15 anos. Quanto ao diagnóstico de admissão, prevaleceram as causas naturais (67,9%),
que dizem respeito a doenças não relacionadas a agentes e traumas externos, como por
exemplo: acidente vascular encefálico, pancreatite, pneumonia, aneurisma, infarto agudo
do miocárdio. Entre as causas externas, destacaram-se os traumas, violências,
intoxicações exógenas e acidentes (vide tabela 1).
A maioria dos pacientes foram encaminhados à UTI oriundos do pronto-socorro
(51,9%) e apresentam comorbidades (57,9%), destacando-se a infecção prévia à UTI
(N=649) com 38,6% dos pacientes acometidos. A tabela 1 expõe as características
demográficas da população em estudo.
A média do tempo de internação na UTI foi de 11,4 dias e entre os pacientes que
desenvolveram IRAS na UTI (N=541) a média foi de 15,5 dias.
Quanto a evolução dos pacientes, há um número considerável de óbitos (N=642),
que equivale a uma taxa de mortalidade geral de 52% na UTI. Essa taxa de mortalidade
sobrepõe-se às altas que totalizam 32% (N=539). Os pacientes com transferência externa,
ou seja, para outra instituição hospitalar, tem evolução final desconhecida. Ainda no que
tange aos desfechos clínicos, descortina-se uma taxa de mortalidade por/com IRAS de
aproximadamente 49% e letalidade de 29,6%. A taxa de melhora clínica geral é menor
(43,6%) que a taxa de mortalidade. A taxa de readmissão gira em torno de 2,2%.
No que tange a presença de IRAS, uma parcela de 32,2% dos pacientes
desenvolveu IRAS após entrar na UTI, sendo 139 em 2017, 127 em 2018, 120 em 2019
e 155 em 2020. Destaca-se que em meados de agosto de 2020, a UTI ampliou seus leitos
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de 09 para 20, fato que pode justificar esse aumento na quantidade de pacientes
acometidos por IRAS. Foram registradas 790 IRAS, destas 381 por bactérias (48,2%), 36
por fungos (4,6%) e 373 por critério clínico (47,2%) sem identificação de agente
etiológico. Analisou-se também as densidades de incidência (DI) das principais IRAS:
Pneumonia Associada à Ventilação (PAV) 27/1.000 pacientes‐dia, Infecção do Trato
Urinário Associada à Cateter (ITU-AC) 22,3/1.000 pacientes‐dia e Infecção Primária de
Corrente Sanguínea Laboratorial Associada à Cateter Venoso Central (IPCSL-CVC)
1,8/1.000 pacientes‐dia - segundo uso de dispositivos invasivos.
Tabela 1: Características demográficas dos pacientes internados na UTI de um hospital
de referência na mesorregião Oeste Potiguar no período de 2017 a 2020.
Variável Categoria n (%)
Feminino 640 (38)
Sexo
Masculino 1.042 (62)
0-14 anos 5 (0,3)
15-19 anos 75 (4,5)
20-29 anos 129 (7,7)
Faixa etária 30-39 anos 208 (12,4)
40-49 anos 208 (12,4)
50-59 anos 307 (18,3)
≥ 60 anos 750 (44,6)
Externa 540 (32,1)
Diagnóstico por causa
Natural 1142 (67,9)
Centro Cirúrgico 594 (35,3)
Clínica Cirúrgica 52 (3,1)
Origem interna do
Clínica Médica 142 (8,4)
paciente
Pronto-Socorro 873 (51,9)
Unidade de Paciente Infectado 21 (1,2)
0 708 (42,1)
1 461 (27,4)
2 286 (17)
Quantidade de 3 160 (9,5)
comorbidades presentes 4 49 (2,9)
5 15 (0,9)
6 1 (0,1)
7 2 (0,1)
Não 1.033 (61,4)
Infecção prévia à UTI
Sim 649 (38,6)
Fonte: Elaboração própria.
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Os principais dispositivos invasivos utilizados na UTI foram CVC, Ventilação
Mecânica (VM) e Sonda Vesical de Demora (SDV), os quais têm relação com IPCSL-
CVC, PAV e ITU-AC. O percentual de tempo em que o paciente fez uso durante a
internação na UTI de CVC, VM e SVD foram 83,7%, 79,4% e 96,8%, respectivamente,
mostrando quão exposta ao risco está a população analisada.
As culturas foram analisadas para bactérias e espécime clínico como ponta de
cateter, sangue, secreção traqueal, urina, outros relacionados às partes moles e outros
diversos. A figura 1 apresenta informações relativas à presença de bactéria na
cultura/espécime clínico após admissão na UTI. Nessas culturas, as bactérias mais
prevalentes foram: Acinetobacter spp., Pseudomonas spp. e Klebsiella spp.
Bactérias isoladas /espécimes clínicos
Stenotrophomonas maltophilia
Shigella spp.
Escherichia coli
Burkholderia cepacia
BGN não fermentador
Streptococcus spp.
Staphylococcus coagulase negativa
Pseudomonas spp.
Pseudomonas aeruginosa
Proteus spp.
Staphylococcus aureus
Klebsiella spp.
Enterobacter spp.
Acinetobacter spp.
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200
Sangue Urina
Secreção Traqueal Ponta de cateter
Outros relacionados a partes moles Outros diversos
Figura 1: Realização de culturas por bactéria e espécimes clínicos analisados em 2017-
2020 em pacientes após admissão na UTI de um hospital de referência na mesorregião
Oeste Potiguar.
Fonte: Elaboração própria
Considerando as três espécies bacterianas mais isoladas, foi elaborado o perfil de
resistência aos antibióticos, sem levar em conta a resistência intrínseca (RI) nesse
percentual, a seguir:
Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 28, n. 1, p. 42-58, 2024. ISSN 1982-114X 49
Tabela 2: Perfil de resistência das principais bactérias de culturas realizadas em
pacientes internados na UTI de um hospital de referência na mesorregião Oeste Potiguar
no período de 2017 a 2020.
Antibióticos Resistência Bacteriana em Culturas
destaques Acinetobacter spp. Pseudomonas spp. Klebsiella spp.
Ceftazidima 87,3% 77,8% 51,5%
Cefepima 85,3% 70,7% 61,6%
Ciprofloxacino 84,6% 66,7% 56,0%
Meropenem 80,3% 69,6% 31,7%
Ceftriaxona NA NA 82,0%
Cefotaxima NA NA 73,7%
Gentamicina 23,6% 31,2% 31,5%
Amicacina 23,8% 23,3% 9,3%
NA- Não aplicável
Fonte: Elaboração própria
Essas bactérias alertam para a resistência aos antibióticos das classes,
especialmente, das cefalosporinas de 3a e 4ª geração, bem como aos carbapenêmicos.
O cenário de consumo de antibióticos expõe que 89% dos pacientes usaram
antibióticos na UTI e o período de terapia na qual estão expostos a antibióticos (LOT) foi
de 872,5/1.000 pacientes-dia. Os antibióticos com maior quantidade de prescrições
médicas foram: vancomicina (N=633), meropenem (N=625), ceftriaxona (N=479),
amicacina (N=463) e polimixina B (N=448).
Porém, ao estudar o consumo, foi levado em conta a quantidade de dias de uso de
antibiótico/1.000 pacientes-dia (DOT), pois ele é capaz de mensurar o número de dias de
uso de cada antibiótico independentemente do número de doses ou dosagem
administrada, assim apresenta DOT geral de 1.881/1.000 pacientes-dia. Os antibióticos,
cujos valores de DOT se destacam, foram: meropenem (305,7/1.000 pacientes-dia),
amicacina (260,4/1.000 pacientes-dia), polimixina B (256,4/1.000 pacientes-dia),
vancomicina (229,3/1.000 pacientes-dia) e imipenem (165,3/1.000 pacientes-dia).
Ainda na pesquisa, identificou-se algumas não conformidades na execução do
esquema terapêutico prescrito em 455 pacientes na UTI. As não conformidades dizem
respeito a: 1) pacientes que estavam em uso de antibióticos conforme prescrição médica
e por alguma razão, não identificada na pesquisa, continuaram com prescrição, porém
sem administração do antimicrobiano, ou seja, houve interrupção do antimicrobiano
durante o uso e 2) pacientes que estavam e permaneceram com prescrição médica do
antimicrobiano sem sequer iniciarem o tratamento, razão também não identificada na
pesquisa. Essas situações foram descritas nas tabelas 3 e 4 apresentadas em sequência:
Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 28, n. 1, p. 42-58, 2024. ISSN 1982-114X 50
Tabela 3: Caracterização de não conformidades no uso de antimicrobianos
pelos pacientes internados na UTI de um hospital de referência na mesorregião Oeste
Potiguar no período de 2017 a 2020.
Antimicrobianos Antimicrobianos
interrompidos durante o prescritos, mas não
uso administrados
Tipos de Antimicrobianos 28 26
Quantidade em dias de falta de uso 1.057 390
Quantidade de tratamentos 434 195
Fonte: Elaboração própria
Tabela 4: Antimicrobianos de destaque nas não conformidades em seu uso nos
pacientes internados na UTI de um hospital de referência na mesorregião Oeste Potiguar
no período de 2017 a 2020.
Antimicrobianos Quantidade de dias de Quantidade de tratamentos
interrompidos durante o uso interrupção interrompidos
Polimixina B 292 68
Vancomicina 132 55
Meropenem 138 57
Antimicrobianos prescritos, Quantidade de dias de Quantidade de tratamentos
mas não administrados prescrição prescritos
Polimixina B 98 15
Meropenem 33 24
Ceftriaxona 32 22
Fonte: Elaboração própria
4. DISCUSSÃO
A incidência de IRAS demonstrada na pesquisa mostra-se bastante elevada, cerca
de 32,2% de acometimento dos pacientes analisados, principalmente com relação a PAV
e ITU. Nessa mesma linha se mostra o estudo de Vieira (2022), ocorrido no Paraná, no
qual a maior prevalência entre os sítios de infecção dos pacientes internados em UTI foi
PAV, segundo lugar ITU-AC e então IPCSL- CVC. Já a análise das topografias das IRAS,
segundo Pereira et al. (2016) em seu estudo no Ceará mostrou ser a infecção respiratória
a mais prevalente, constituindo 48,1% do total de IRAS.
A incidência de IRAS, especialmente do ponto de vista da resistência bacteriana,
vem aumentando significativamente nos últimos tempos, ocasionada principalmente pelo
uso excessivo e muitas vezes inadequado de antibióticos. É apontado por Pittet et al.
(2008) que essas infecções afetam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo e é
uma questão global importante para a segurança do paciente. Ela atinge entre 5 e 10% das
admissões em hospitais de cuidados agudos em países desenvolvidos e em países em
desenvolvimento, o risco é de duas a vinte vezes maior e a proporção de pacientes
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infectados frequentemente ultrapassa 25%. Deste modo, são encontrados elevados índices
de bactérias resistentes em torno do mundo, assim como demonstrado também no
presente trabalho.
Segundo Singh et al. (2021), a resistência aos antibióticos está aumentando dia a
dia. A. baumannii resistente a carbapenêmicos, P. aeruginosa resistentes a
carbapenêmicos e cefalosporinas de terceira geração e Enterobacteriaceae resistente a
carbapenêmicos são consideradas uma ameaça urgente para o mundo. A OMS concedeu
a prioridade máxima para a pesquisa e desenvolvimento de novos antibióticos contra
essas bactérias. No presente estudo, estes três patógenos (Acinetobacter spp.,
Pseudomonas spp. e Klebsiella spp) foram identificados como as bactérias mais
prevalentes com alta resistência a carbapenêmicos e cefalosporinas de terceira e quarta
gerações, além de quinolonas.
No que concerne ao uso de antibióticos, tem valor de DOT geral elevado de
1.881/1.000 pacientes-dia, bem como por tipo de antibióticos, como por exemplo de
meropenem, polimixina B e vancomicina. LOT de 872,5/1.000 pacientes-dia, cujos
valores mostram consumo alto na UTI. Um estudo de Bezerra et al. (2021) feito em UTI
de um hospital universitário de Recife mostra que esses três antibióticos estavam entre os
mais consumidos.
Waele et al. (2018) coloca que a exposição prolongada a antibióticos é um
relevante contribuinte para o desenvolvimento de resistência, e historicamente o uso de
antibióticos na UTI tem sido alto. Durante os quatro anos da pesquisa, viu-se também que
o uso de antibióticos tem sido progressivamente elevado, tanto em dias de exposição a
antibioticoterapia quanto como o uso de politerapia.
Uma revisão integrativa mostra que as cefalosporinas de 4ª geração (cefepima),
seguidas do carbapenem e glicopeptídeos, são os fármacos mais consumidos em uma
UTI, além do crescimento significativo do uso de fármacos como o meropenem, bem
como da teicoplamina e vancomicina (MELO et al., 2019). Nessa perspectiva, os
antibióticos mais prescritos identificados nessa presente pesquisa foram, em ordem
decrescente de prescrição: vancomicina, meropenem, ceftriaxona, amicacina e polimixina
B.
Por outro lado, viu-se que os antibióticos mais envolvidos em não conformidades
são: polimixina B, vancomicina, meropenem e ceftriaxona. Interessante frisar que os
antibióticos mais envolvidos na resistência, estão envolvidos também nas maiores
prescrições, uso e nas não conformidades como cefalosporinas de terceira e quarta
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geração, quinolonas e carbapenêmicos, além de aminoglicosídeos, glicopeptídeos e
polimixinas.
É preocupante a crescente prevalência de resistência antimicrobiana a antibióticos
β-lactâmicos (incluindo carbapenêmicos) entre P. aeruginosa e A. baumannii e entre
patógenos da família Enterobacteriaceae (que inclui Klebsiella spp.). As opções de
tratamento para infecções cujas etiologias estão associadas a esses patógenos são
limitadas (MACVANE, 2016). No que concerne as culturas realizadas, observou-se que
houveram 2.957 coletas de amostras clínicas com 21,6% de positividade para bactérias.
A situação colocada por MacVane (2016), anteriormente, foi identificada nesse estudo,
na medida em que as bactérias mais isoladas na UTI, principalmente em secreção
traqueal, foram Acinetobacter spp., Pseudomonas spp. e Klebsiella spp. com acentuado
nível de resistência, principalmente a carbapenêmicos, cefalosporinas de 3a e 4a geração
e quinolonas.
Em um estudo de 2014, Sader et al. analisou os padrões de suscetibilidade
antimicrobiana de bactérias Gram-negativas isoladas de pacientes internados em UTIs no
período de 2009 a 2011. Resultados de suscetibilidade antimicrobiana para 5.989 isolados
bacterianos de pacientes de UTI (3.445 dos Estados Unidos e 2.544 da Europa foram
analisados e comparados com os de 17.244 organismos de pacientes fora da UTI (9.271
dos Estados Unidos e 7.973 da Europa. Escherichia coli, Klebsiella spp. e P. aeruginosa
foram os organismos mais frequentemente isolados de pacientes de UTI, seguido por
Enterobacter spp., Serratia spp., Haemophilus influenzae, Acinetobacter spp., e Proteus
mirabilis. As taxas de suscetibilidade foram geralmente mais baixas entre os isolados de
UTI em comparação com não-UTI. Já um outro estudo, publicado em 2022 por Fabre e
colegas, diz que a resistência antimicrobiana na América latina aos carbapenêmicos entre
os organismos Gram-negativos aumentou drasticamente de 0,3% em 2002 para 21% em
2016, com alguns países relatando uma prevalência de 20% a 50% de acordo com a Rede
Latino-Americana de Vigilância da Resistência Antimicrobiana.
O índice bastante elevado de cerca de 80% de resistência aos carbapenêmicos
pelas cepas de Acinetobacter spp., de Pseudomonas spp. de quase 70% e Klebsiella spp.
de cerca de 32% isoladas, além de outros antimicrobianos no presente estudo é um fato
que reforça a necessidade de preocupação mundial em relação a este problema.
Corroborando essa informação, Wan Nor Amilah et al., (2012) mostra em seu
estudo que o grupo bacteriano com maior proporção de resistência aos carbapenêmicos
foi o das não fermentadoras (Acinetobacter spp - 81% e P. aeruginosa- 40%) em
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detrimento das Enterobacteriaceae (18%). Nessa linha, o estudo de Freire et al. (2023)
que trata de IRAS, principalmente IPCSL-CVC, no período de 2017 a 2020 nas UTIs da
cidade de São Paulo, exibe as seguintes bactérias causadoras de IPCSL-CVC: resistência
a carbapenem em K. pneumoniae de 61%, resistência a carbapenem em P. aeruginosa de
44% e resistência a carbapenem em A. baumannii de 90%. Outro estudo realizado no
Ceará, expõe que A. baumannii apresentou percentuais de resistência de 83% para
ciprofloxacino, 82% para cefepima, 79% para meropenem e 77% para ceftazidima; já
para K. pneumoniae tem-se percentuais de resistência de 71% para cefepima e
ceftriaxona; 47% para ciprofloxacino, 29% para meropenem. Quanto a P. aeruginosa,
percebe-se 55,2% para meropenem; 53% para ceftazidima e gentamicina; 50% para
cefepima; 48,5% para ciprofloxacino e 38,2% para amicacina (RIBEIRO et al., 2019).
Estes resultados demonstram que a resistência aos carbapenêmicos é mais
frequentemente observada nas bactérias não fermentadoras, apesar de ser uma
problemática existente entre todas as bactérias Gram-negativas.
A variável discreta relativa ao tempo de internação (permanência) foi avaliada
dada a sua relevância, pois em geral quanto mais longa é a permanência do paciente no
hospital, principalmente em UTI, mais exposto à procedimentos e dispositivos invasivos
além da manipulação por parte da equipe de assistência, o que pode favorecer ao
surgimento de IRAS e potencializar a exposição ao uso de antibióticos, levando a uma
maior pressão seletiva para o surgimento de bactérias com alto perfil de resistência. No
caso desse estudo, o tempo de permanência na UTI girou em torno de 11 dias, ao passo
que entre os pacientes que desenvolveram IRAS na UTI (N= 541) a média foi de 15,5
dias. Assim, pode-se inferir que a presença de IRAS aumenta o tempo de internação e
consequentemente os danos físicos e psicológicos, bem como custos econômicos, os
quais, segundo Leal e Freitas-Vilela (2021), possui custo de internação quatro vezes
maior em relação aos pacientes sem infecção.
O principal problema de resistência está relacionado com cepas de Acinetobacter
spp., P. aeruginosa e Enterobacteriaceae capazes de produzir betalactamases de espectro
estendido (ESBL) e cepas produtoras de K. pneumoniae carbapenemases (KPC). A
presença dessas bactérias em processos infecciosos tem elevado o índice de mortalidade,
tornando-se um problema grave em diversos países, inclusive no Brasil (MOTA;
OLIVEIRA; SOUTO, 2018). Essa alta taxa de mortalidade geral foi identificada na UTI
em estudo com percentual de 52% e uma taxa de mortalidade por/com IRAS de
aproximadamente 49% e letalidade de 29,6%.
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Consoante as colocações de Pallares e Martínez (2012) nas quais relata que no
ambiente hospitalar, as alas de cirurgia e UTI apresentam os cenários mais propícios para
o desenvolvimento de infecções hospitalares por bactérias resistentes a antibióticos,
devido à alta prevalência de infecção hospitalar, consumo indiscriminado de antibióticos
e o grau de complexidade do paciente. É imprescindível para garantir o tratamento com
antibiótico adequado para o paciente infectado, conhecer o microrganismo causador e seu
perfil de resistência e assim formular esquemas que se ajustem à realidade do hospital e
da própria infecção em si, pois caso o esquema terapêutico se mostre ineficaz, isso se
refletirá em um aumento na mortalidade do paciente.
Um estudo de Luyt e colaboradores (2014) mostrou que a maioria dos pacientes
que tiveram infecção adquirida na comunidade ou IRAS, incluindo PAV, e que receberam
terapia antimicrobiana adequada tiveram boas respostas clínicas nos primeiros seis dias.
A terapia prolongada facilita a colonização com bactérias resistentes a antibióticos, que
podem preceder episódios infecciosos recorrentes. Encurtar a duração do tratamento para
pacientes de UTI com infecções é possível e não é prejudicial para a maioria deles.
5. CONCLUSÃO
Foi demonstrado que o hospital pesquisado revela uma exposição elevada a
procedimentos e dispositivos invasivos em pacientes assistidos na UTI; densidades de
incidência de IRAS acentuadas, especialmente PAV e ITU-AC; tempo de permanência
na UTI que favorece ao paciente adquirir IRAS, especialmente com etiologia referente a
bactérias resistentes a antibióticos, com predomínio de Acinetobacter spp., Pseudomonas
spp. e Klebsiella spp. Quanto aos antimicrobianos relacionados a resistência, destacam-
se os carbapenêmicos e cefalosporinas de terceira e quarta geração. Esse estudo parece
refletir as tendências nacionais e internacionais das IRAs com aumento da resistência dos
agentes etiológicos a elas associados. Desta forma, é importante a implementação de
medidas que favoreçam a prevenção de IRAS por meio da redução da disseminação de
microrganismos resistentes, otimização do uso e consumo de antibióticos e assim
fortalecimento das práticas seguras para o paciente. Deste modo, é imprescindível
salientar a necessidade do conhecimento dessa realidade para a intervenção adequada na
situação com vistas a garantir o sucesso e redução de danos durante o período de
internação do paciente.
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CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA
Kalidyjamayra Oliveira Reis de Freitas: Desenho do Estudo, Coleta de dados, Análise de
dados, elaboração do manuscrito.
Maria Eduarda Varela Cavalcanti Souto: Coleta de dados e Análise dos Resultados
Caio Augusto Martins Aires: Análise e interpretação dos resultados; Revisão da versão
final do manuscrito
José Veríssimo Fernandes: Análise e interpretação dos resultados; Revisão da versão
final do manuscrito
Christiane Medeiros Bezerra: Análise dos resultados; Revisão da Versão Final do
Manuscrito
Ellany Gurgel Cosme do Nascimento: Análise e interpretação dos resultados; Revisão da
versão final do manuscrito
Marquiony Marques dos Santos: Desenho do Estudo; Análise e interpretação dos
resultados; Revisão da versão final do manuscrito
Thales Allyrio Araújo de Medeiros Fernandes: Desenho do Estudo, Análise dos
Resultados, Elaboração do Manuscrito.
Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, Umuarama, v. 28, n. 1, p. 42-58, 2024. ISSN 1982-114X 58