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Análise Crítica de Letras de Canções

Atividade 01: primeiro dia de aula
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CURSOS TÉCNICOS INTEGRADOS AO ENSINO MÉDIO

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURAS II

ATIVIDADE 01 (1º semestre de 2025)

TEXTO 1

FRICOTE, Luiz Caldas e Paulinho Camafeu

Nêga do cabelo duro De violeta


Que não gosta de pentear Na boca e na bochecha
Quando passa na praça do tubo
O negão começa a gritar Pega ela aí
Pega ela aí
Olha a nêga do cabelo duro
Que não gosta de pentear
Pra que?
Quando passa na praça do tubo
Pra passar batom
O negão começa a gritar
De que cor?
De cor azul
Pega ela aí
Na boca e na porta do céu
Pega ela aí

Pra quê?
Pra passar batom
De que cor?

1. Por que a letra da canção “Fricote” expressa ideias machistas?

2. De que forma a letra da cação agride a identidade das mulheres negras?

3. A letra de fricote veicula ideias sexistas? Exemplifique.

4. Por que, na contemporaneidade, letras como a da canção “Fricote” são inaceitáveis?

TEXTO 2

ENERGIA DE GOSTOSA, Ivete Sangalo et al

Hoje é dia de jogar Sol na pele e meter um bronze de fitinha


Hoje é dia de botar o decote pra jogo e passar o batom de mainha
Ela primeiro ela, ela segundo ela, ela terceiro ela
Ela se arruma só pra ela
Ela primeiro ela, ela segundo ela, ela terceiro ela
E as amiga dela
Autoestima lá em cima

Energia de gostosa
Ela passa balançando a lace
Decidida, bonita e cheirosa
Ela bate no peito que é foda
Energia de gostosa
Se sozinha ela já dá trabalho
Quando junta as amiga, incomoda
Sai de baixo que lá vem a tropa
Energia de gostosa

5. Ainda que o carnaval seja uma festa marcada pela hipersexualização feminina, quais diferenças
podem ser destacadas entre as letras das canções “Fricote” e “Energia de Gostosa”, no que se refere
à autoestima e a força das mulheres?

6. Quais são as principais razões para as diferenças apontadas na resposta à questão de número 5?

TEXTO 3

MARCO DOS 40 ANOS DE AXÉ MUSIC, CANÇÃO TEM MENSAGEM RACISTA E SEXISTA

A abertura oficial do Carnaval de Salvador, nesta quinta-feira (27), será marcada por uma
homenagem aos 40 anos do axé music. Grandes estrelas que consolidaram o movimento musical vão
se apresentar na capital baiana.
O destaque será o cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Caldas, 62 anos,
considerado o pioneiro do axé music pelo lançamento do álbum "Magia", em 1985. A obra foi um
imenso sucesso comercial e ajudou a divulgar esse estilo de música carnavalesca para o Brasil.
Apesar disso, uma das canções de maior sucesso do álbum, cantada (e dançada)
massivamente na folia daquele ano, nas emissoras de rádio e nos programas de tevê, não deverá
fazer parte das homenagens em 2025.
Ou, pelo menos, se tocada nos trios da folia, causará constrangimento público pela
mensagem racista e sexista da sua letra.
"Fricote", de Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, é um marco na história do axé music. A
coreografia embalou multidões nas ruas de Salvador e chamou atenção da indústria fonográfica
nacional para a produção musical da cidade.
A música é o carro-chefe de um álbum repleto de hits como a canção que dá nome à obra,
que passeiam por diferentes gêneros musicais, como reggae, merengue, frevo, já revelando a
diversidade daquele movimento. "Magia" sintetizava as experimentações que Luiz Caldas já
realizava no trio Tapajós e na banda Acordes Verdes, com parceiros como os músicos Alfredo Moura
e Carlinhos Brown, outra referência primordial.
No entanto, um olhar contemporâneo vê o quanto a composição é carregada de mensagens
racistas e machistas.
A letra ridiculariza a negra que "quando passa pela Baixa do Tubo, os negões começam a
gritar". A partir daí, é uma sucessão de trocadilhos com conotação sexual, zombando das
possibilidades que se podem fazer com o corpo daquela mulher negra: "Pega ela aí, pega ela aí, pra
quê? Pra passar batom. De que cor? De violeta, na boca e na bochecha".
Parece uma brincadeira boba, bem típica da atmosfera burlesca do Carnaval. Mas, na
verdade, é o registro de uma época em que o racismo recreativo era normalizado e aceito, e os
estereótipos sobre pessoas negras eram tratados como meros divertimentos.
A naturalização do deboche em relação à estética negra e a objetificação do corpo feminino
são reflexos de uma sociedade que ainda pouco questionava criticamente essas representações.
Ainda que o Carnaval seja um espaço de irreverência e permissividade, o discurso de
"Fricote" reforça uma tradição de desqualificação do corpo negro, principalmente da mulher negra,
que persiste ainda hoje em muitos aspectos da cultura popular brasileira.
Felizmente, ao longo dos últimos 40 anos, avançamos em direção a uma consciência racial e
de gênero maior, para não achar mais graça nesse tipo de tratamento da mulher negra retratado
naquela canção.
Ainda que o Carnaval continue marcado pela hipersexualização feminina, numa obsessão dos
compositores em mandar as mulheres descerem, sentarem e empinarem, nota-se uma crescente
produção musical que exalta a autoestima e a força das mulheres.

André Gomes. Disponível em:


<[Link]

7. O texto menciona a evolução da sociedade em relação à consciência racial e de gênero. Cite


situações nas quais essa evolução costuma ser notada.
8. Ao criticar a letra de "Fricote", o texto apresenta uma análise do racismo e sexismo presentes na
canção. Como você faria para sustentar uma opinião contrária, caso acreditasse que a música
representa apenas uma irreverência típica do Carnaval? Quais evidências você usaria do texto para
defender sua visão?
9. No texto, há uma reflexão sobre a naturalização do deboche em relação à estética negra e a
objetificação do corpo feminino. Se você tivesse que formar uma opinião sobre a forma como o
Carnaval pode ou não perpetuar esses estereótipos, quais argumentos você usaria?

TEXTO 4
PIXAIM, Lílian Rocha
meu cabelo na sociedade gosto dele assim
incomoda eurocentrada crespo
causa surpresa do liso molejo mirando o céu
indignação da escravidão desenhado à nanquim
mostra postura do estilo viva
presença aceito. o meu cabelo
negra sem preconceitos pixaim!

10. Escreva uma análise contrastiva entre os textos 1 e 4, enfocando presença/ausência da voz
feminina e (des)valorização da estática negra. Analise as diferenças associando aos distintos
momentos históricos de produção desses textos e as sociedades que eles espelham.

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