1.
INTRODUÇÃO
A fisioterapia domiciliar é uma modalidade de cuidado em saúde que tem se destacado
no atendimento a idosos, por permitir intervenções em um ambiente seguro, familiar e
adaptado às suas necessidades. No caso de pacientes com baixa visão ou cegos, o
atendimento domiciliar possibilita maior personalização do cuidado, promove a
autonomia funcional e contribui para a adesão ao tratamento.
A atuação fisioterapêutica nesse contexto exige comunicação clara, atenção às barreiras
do ambiente e uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como
máscara, luvas e uniforme (pijama cirúrgico). A avaliação inicial deve considerar as
condições físicas, cognitivas e emocionais do paciente, permitindo traçar objetivos
terapêuticos realistas, como o fortalecimento muscular, manutenção da mobilidade,
prevenção de quedas e melhora da função respiratória.
A participação da família também é essencial na continuidade dos cuidados. Dessa
forma, o POP apresentado descreve os procedimentos padronizados para o atendimento
fisioterapêutico domiciliar de idosos com deficiência visual, visando segurança,
funcionalidade e humanização.
2. OBJETIVO
Estabelecer um Protocolo Operacional Padrão (POP) para a conduta fisioterapêutica
domiciliar voltada a pacientes idosos com baixa visão ou cegueira, priorizando a
segurança, a autonomia funcional e a personalização do cuidado.
3. ESTRUTURA DO ATENDIMENTO DOMICILIAR
3.1 Vestimenta e Biossegurança
O fisioterapeuta deve utilizar pijama cirúrgico como uniforme durante o
atendimento domiciliar, transmitindo profissionalismo e higiene.
O uso de luvas descartáveis e máscara facial é obrigatório para garantir a
biossegurança tanto do profissional quanto do paciente.
Deve-se realizar higienização das mãos com álcool 70% antes e após o
atendimento.
3.2 Comunicação e Acolhimento
É fundamental apresentar-se verbalmente ao paciente, mesmo em visitas
recorrentes.
A comunicação deve ser clara, pausada, objetiva e, sempre que possível, com
orientações verbais sobre tudo que será feito.
O tom de voz deve ser tranquilo, acolhedor e respeitoso, criando um ambiente de
confiança.
4. CONDUTA FISIOTERAPÊUTICA PADRÃO
4.1 Avaliação Inicial
Realizar anamnese detalhada, considerando:
o Histórico clínico;
o Diagnósticos prévios;
o Condições cognitivas e emocionais;
o Mobilidade atual e necessidades de auxílio.
Observar e identificar barreiras físicas no ambiente domiciliar que possam
comprometer a segurança do paciente com deficiência visual.
4.2 Transferência da Cama
Informar verbalmente cada etapa do processo de mobilização.
Ajudar o paciente a passar da posição deitada para sentada, com os pés no chão.
Realizar a transferência com técnica segura, evitando puxões.
Utilizar apoio tátil e verbal sempre que necessário.
5. ORIENTAÇÃO EM ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA (AVDs)
5.1 Higiene Pessoal
Conduzir o paciente até o local de higiene (banheiro ou área adaptada),
descrevendo o caminho.
Orientar verbalmente e permitir a exploração tátil dos objetos (sabonete, toalha,
escova, etc.).
Estimular que os itens estejam sempre na mesma posição, facilitando a
memorização e promovendo autonomia.
5.2 Reconhecimento do Ambiente
Descrever a disposição dos móveis e objetos ao redor.
Verificar se o ambiente está seguro:
o Tapetes antiderrapantes;
o Corredores livres;
o Iluminação adequada para acompanhantes.
Incentivar o paciente a reconhecer o espaço por meio do tato e da repetição das
rotas internas.
6. INTERVENÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS
As intervenções devem ser adaptadas às limitações sensoriais do paciente, com foco em
funcionalidade, independência e prevenção de quedas:
6.1 Alongamento Muscular
Executar alongamentos passivos ou ativos assistidos para manter a flexibilidade
e prevenir retrações musculares.
6.2 Fortalecimento Muscular
Utilizar faixas elásticas, halteres leves ou peso corporal, sempre com orientação
verbal contínua e apoio físico, se necessário.
6.3 Mobilidade e Amplitude de Movimento (ADM)
Realizar mobilizações articulares para preservar ou melhorar a ADM,
respeitando o limite do paciente.
6.4 Analgesia
Aplicar técnicas leves de massagem, liberação miofascial ou calor local,
conforme avaliação prévia.
6.5 Reeducação Neuromotora
Estimular padrões de movimento funcional, equilíbrio e marcha, com auxílio e
correções verbais.
6.6 Treino de Equilíbrio e Coordenação
Executar exercícios com base ampla de apoio, progredindo conforme a resposta
do paciente, priorizando segurança.
6.7 Treinamento Respiratório
Incluir técnicas de expansão pulmonar e exercícios respiratórios ativos,
principalmente para idosos acamados.
7. ORIENTAÇÕES FINAIS E ENCERRAMENTO DO
ATENDIMENTO
Posicionar o paciente em local confortável e seguro após a sessão.
Confirmar se o paciente necessita de algo mais.
Higienizar materiais e descartar EPIs conforme normas sanitárias.
Registrar as atividades realizadas e observações relevantes.
Reforçar verbalmente a próxima visita ou orientação de continuidade.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O atendimento fisioterapêutico domiciliar ao idoso com deficiência visual requer uma
conduta sensível, segura e adaptada. O uso deste protocolo contribui para padronizar os
atendimentos, promovendo funcionalidade, conforto e respeito à individualidade do
paciente. A atuação empática e comunicativa do fisioterapeuta é essencial para o
sucesso terapêutico e a melhora da qualidade de vida desses pacientes.