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Bodin e Hobbes: Teoria do Estado Absolutista

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Com certeza!

Aqui vai um texto integrado, aprofundado, com contexto histórico e filosófico, que
compara Jean Bodin e Thomas Hobbes no desenvolvimento da teoria do Estado absolutista.

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# Jean Bodin e Thomas Hobbes: Fundadores da Teoria do Estado Absolutista

A formação do Estado absolutista na Europa moderna contou com importantes contribuições teóricas de
pensadores que buscaram explicar a origem e a organização do poder político para garantir a ordem e a
estabilidade diante das crises da época. Entre esses, destacam-se **Jean Bodin (1530-1596)** e
**Thomas Hobbes (1588-1679)**, cujas obras estabeleceram fundamentos essenciais para a
compreensão da soberania e do papel do Estado.

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## Contexto Histórico

Jean Bodin viveu na França do século XVI, em um momento marcado pelas violentas **Guerras
Religiosas** entre católicos e protestantes. O país estava dividido e ameaçado por conflitos internos que
pareciam levar à anarquia. Foi nesse cenário de fragmentação política que Bodin buscou uma teoria
capaz de justificar a centralização do poder político, de modo a garantir a paz social.

Por sua vez, Thomas Hobbes escreveu no século XVII, durante a **Guerra Civil Inglesa**, um período
igualmente caótico, em que a luta pelo poder entre monarquia e Parlamento ameaçava a estabilidade do
Reino Unido. Hobbes, ao presenciar a violência e o descontrole social, refletiu sobre a necessidade de
um poder soberano forte para evitar o retorno ao estado de guerra.

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## Concepção de Soberania e Estado

Para Jean Bodin, a soberania é o poder **absoluto, perpétuo e indivisível** que o Estado deve possuir
para funcionar. O soberano, seja um monarca ou uma assembleia, é a fonte suprema das leis e da
ordem. A sua autoridade não pode ser limitada por nenhuma outra entidade, pois só assim é possível
garantir a estabilidade política:

> “A soberania é o poder absoluto e perpétuo de uma república.”

> — *Les Six Livres de la République*, Livro I

Bodin não fundamenta a soberania em um contrato social, mas a vê como uma característica natural do
Estado, indispensável para evitar a desordem provocada pelas guerras civis e pela multiplicidade de
poderes.

Já Hobbes inicia sua teoria a partir de uma análise do **estado da natureza**, que ele descreve como
um ambiente de conflito permanente, onde reina a insegurança e a vida é “solitária, pobre, bruta e
curta”. Para escapar dessa condição, os indivíduos firmam um contrato social para transferir seu poder a
um soberano absoluto, que terá autoridade máxima para garantir a paz:

> “Os homens concordam em entregar seu direito natural a um soberano, a fim de que haja segurança e
ordem.”

> — *Leviatã*, Capítulo XVII

Portanto, para Hobbes, a soberania nasce da vontade dos indivíduos, que delegam seu poder para
formar um Estado forte, capaz de impor a ordem.

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## Poder Absoluto e Limites

Ambos os autores defendem um **poder soberano absoluto e indivisível**. No entanto, Bodin


reconhece a existência de limites morais e religiosos ao poder do soberano, especialmente no respeito à
lei natural e à religião oficial:

> “A lei divina e a lei natural são superiores à vontade do soberano.”


> — *Les Six Livros de la République*, Livro IV

Já Hobbes defende que o soberano deve ter poder irrestrito para manter a ordem e evitar a guerra civil,
mas admite algumas exceções, como o direito dos súditos à autopreservação, isto é, o soberano não
pode exigir que o indivíduo se suicide ou renuncie à própria vida:

> “O soberano não pode exigir que o súdito se sacrifique, pois preservar a própria vida é o primeiro
direito natural.”

> — *Leviatã*, Capítulo XV

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## Relação entre Estado e Religião

Bodin defende que o soberano deve proteger a religião oficial, visto que ela é parte da ordem moral do
Estado e da estabilidade social. A religião é, para ele, um pilar da ordem política.

Hobbes, por sua vez, coloca a religião sob o controle do soberano, para evitar conflitos religiosos que
possam ameaçar a paz. Para ele, a submissão religiosa é necessária para a estabilidade política:

> “A religião deve estar subordinada ao poder civil para preservar a ordem.”

> — *Leviatã*

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## Conclusão: Legado para o Absolutismo Moderno

Jean Bodin e Thomas Hobbes são, assim, dois pilares do pensamento absolutista moderno, embora suas
abordagens partam de premissas diferentes. Bodin enfatiza a necessidade da soberania como elemento
natural e necessário para a unidade política, enquanto Hobbes funda a soberania no contrato social que
visa evitar o caos do estado natural.
Ambos concordam na importância de um poder central forte, indivisível e absoluto para garantir a
ordem, e influenciaram decisivamente a consolidação do Estado moderno europeu, sobretudo a
monarquia absoluta dos séculos XVII e XVIII.

Seja pela defesa da soberania perpétua e moralmente limitada de Bodin, seja pelo rigoroso absolutismo
justificado pela segurança e paz social de Hobbes, suas teorias fornecem a base intelectual para o
entendimento do Estado como um Leviatã, um poder supremo que detém a autoridade final para
governar e legislar.

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Se quiser, posso ajudar também com exemplos históricos de aplicação dessas teorias ou um resumo para
apresentação. Quer?

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