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Relaxamento da Prisão Ilegal: Casos e Teoria

O documento aborda o caso de João, que foi preso em flagrante por tráfico de drogas, e discute a ilegalidade da prisão, destacando falhas no procedimento policial e no cumprimento das normas legais. A peça jurídica sugere o relaxamento da prisão com base em diversos fundamentos legais, incluindo a falta de comunicação imediata à autoridade judiciária e a ausência de advogado. O texto também orienta sobre como identificar a ilegalidade da prisão e os procedimentos para solicitar o relaxamento.

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Relaxamento da Prisão Ilegal: Casos e Teoria

O documento aborda o caso de João, que foi preso em flagrante por tráfico de drogas, e discute a ilegalidade da prisão, destacando falhas no procedimento policial e no cumprimento das normas legais. A peça jurídica sugere o relaxamento da prisão com base em diversos fundamentos legais, incluindo a falta de comunicação imediata à autoridade judiciária e a ausência de advogado. O texto também orienta sobre como identificar a ilegalidade da prisão e os procedimentos para solicitar o relaxamento.

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Módulo: 1

Tema: Relaxamento da Prisão Ilegal


Aula I: Casuística
Profa. Priscila Silveira

- 04892005592
CASUÍSTICA
No dia 15 de novembro de 2022, João, representante comercial,
primário e sem antecedentes, estava a caminho do aeroporto
internacional de Brasília quando parou em um bar para tomar água e
aguardar um tempo até a chegada de seu colega que o levaria ao
aeroporto para embarcar com destino a São Paulo. Dentro do bar,
João foi abordado por policiais civis que teriam recebido uma
denúncia anônima afirmando que João era traficante e iria viajar para
São Paulo transportando drogas. Durante a abordagem, os policiais
pediram a João para abrir a mala que carregava consigo, o que foi
atendido imediatamente, tendo sido encontrado dentro da mala
apenas algumas roupas, sapatos e itens de uso pessoal.

- 04892005592
CASUÍSTICA
Os policiais, no entanto, desconfiaram do nervosismo de João, e
procederam a busca pessoal, momento em que encontraram 2.750
gramas de cocaína colados ao corpo de João com fita adesiva. A
droga foi imediatamente apreendida e João preso. Os policiais ainda
apreenderam as passagens aéreas, R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos
reais) em espécie e dois aparelhos celulares que estavam em poder
do preso. João foi apresentado à autoridade policial competente, que
ouviu os agentes que efetuaram a prisão e as testemunhas que
estavam no bar no momento da prisão, ordenou a apreensão da
droga, dos valores e celulares e determinou a lavratura do auto de
prisão em flagrante delito de João, que se recusou a assinar o auto de
prisão, razão pela qual a autoridade policial não determinou que a
assinatura de testemunhas a rogo de João.

- 04892005592
CASUÍSTICA
A droga foi encaminhada para exame preliminar, cujo resultado foi
positivo para cocaína. No dia 17 de novembro a família de João foi
comunicada da prisão e a nota de culpa foi entregue ao preso. João
alegou não possuir advogado. Nessa mesma data, o auto de prisão
em flagrante foi enviado ao juízo competente e cópia para o
Ministério Público e para a Defensoria Pública. Diante da situação
narrada, como advogado de João adote a medida judicial cabível.

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Módulo: 1
Tema: Relaxamento da Prisão Ilegal
Aula II: Teoria da Peça I
Profa. Priscila Silveira

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Teoria da peça I
 Cabimento: O relaxamento é utilizado no caso de uma prisão
ilegal.

Se a prisão é ilegal, o juiz deve colocar o preso em liberdade de


forma imediata e sem condições.

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Teoria da peça I
 Fundamento legal:
Constituição Federal de 1988
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade
judiciária;

- 04892005592
Teoria da peça I
 Fundamento legal:
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo
de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz
deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado,
seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o
membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá,
fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
(Vigência)
I - relaxar a prisão ilegal;

- 04892005592
Teoria da peça I
 Como identificar a ilegalidade?

A ilegalidade pode decorrer da própria imposição da prisão, isto é, se ela


for imposta fora das hipóteses legais ou de alguma irregularidade na
elaboração do mandado/auto de prisão e seu devido encaminhamento à
autoridade competente, incluindo o excesso de prazo (art. 5º, LXXVIII, da
CF).
Os motivos podem ser dos mais diversos, que vão desde o excesso de
prazo para oferecimento da denúncia, inobservância das formalidades do
inquérito ou mesmo a ausência de motivos para a manutenção da prisão.
O fundamento legal para concessão do relaxamento da prisão vai
depender da situação concreta, ora enfrentada.
- 04892005592
Teoria da peça I
 Como identificar a ilegalidade?

Para identificar a ilegalidade é preciso primeiramente que o causídico:

I – Identifique o tipo de prisão.

II – Feito isso, deverá verificar se os requisitos para a decretação da prisão


foram preenchidos.

III – Se sim, verificar, ainda, a proporcionalidade, necessidade e adequação


da medida (art. 282, do CPP).

- 04892005592
Teoria da peça I
 Qual recurso é cabível no caso de não acatamento do relaxamento de
prisão?

O Código de Processo Penal não prevê o recurso cabível em face da


decisão que denega o relaxamento de prisão.

Portanto, o meio cabível para impugnar a decisão que não acatou o


relaxamento da prisão será cabível Habeas Corpus, nos termos do artigo
647 e inciso II, do 648, ambos do CPP.

- 04892005592
Teoria da peça I
 Cuidado!!! Revogação da prisão: aplica-se aos casos de
prisão cautelar (temporária ou preventiva), que precisam
de requisitos para serem decretadas.

Quando o magistrado constatar que as exigências legais não


estão mais presentes, deve revogar a prisão ou substituí-la
por medidas cautelares diversas.

- 04892005592
Módulo: 1
Tema: Relaxamento da Prisão Ilegal
Aula III: Teoria da Peça II
Profa. Priscila Silveira

- 04892005592
Teoria da peça II
 Endereçamento: Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da
Vara Criminal de Brasília-DF.

 Legitimidade: Pode promover o pedido o advogado,


representando o preso.

 Fundamento da peça: artigo 5º, LXV , da CF ( c/c artigo 310,


inc. I do CPP ou artigo 5º, inc. LI, LXXVIII, da CF).

 Prazo: não há. Enquanto perdurar a ilegalidade.

- 04892005592
Teoria da peça II
 Hipóteses de ilegalidade da prisão:

-Busca pessoal não fora realizada dentro dos ditames legais (artigo 240,
§2º CPP).
-Não advertência do direito a não autoincriminação (art. 5º, LXIII, CF)
- A prisão não fora comunicada imediatamente à autoridade judiciária.
(art. 306 CPP)
- Os autos não foram encaminhados em até 24h para a autoridade
judiciária competente e nem para a defensoria pública, já que o preso
não tinha advogado constituído. (art. 306, §1, CPP)

- 04892005592
Teoria da peça II
 Hipóteses de ilegalidade da prisão:
- Preso recusou-se a assinar o auto de prisão e ninguém assinou.
(art. 304, §3º do CPP)
- Não comunicação imediata da prisão aos familiares. (art. 306,
caput, CPP)
- Nota de culpa entregue ao preso fora do prazo. art. 306, §2º,
CPP)

- 04892005592
Teoria da peça II
 Do Direito: Demonstrar todas as hipóteses de ilegalidade da
prisão, ocasião em que o pedido de relaxamento vai ser
decidido de imediato pelo juiz. Deferida a soltura, o juiz
ordenará a expedição imediata do alvará e o indiciado será
restituído à sua liberdade plena, ou seja, sem condições
impostas pelo juízo. O relaxamento é a invalidação da prisão.

 Do Pedido: Relaxamento da prisão ilegal imposta ao preso,


requerendo-se, ainda, a expedição do alvará de soltura em
seu favor.

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Módulo: 1
Tema: Relaxamento da Prisão Ilegal
Aula IV: Resolvendo a peça
Profa. Priscila Silveira

- 04892005592
Resolvendo a peça
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA...VARA
CRIMINAL DE BRASÍLIA-DF
(cinco linhas)
Inquérito Policial n.º...
(cinco linhas)

JOÃO, nacionalidade, estado civil, profissão, portador


da cédula de identidade - RG n.º e inscrito no CPF/MF sob o n.º...,
residente e domiciliado na Rua..., n.º..., cidade de ..., Estado de..., através
de seu advogado regularmente constituído (instrumento de mandato
anexo - doc. 01), com escritório profissional na Rua, n.º, Bairro, Cidade,
UF, vem, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, com fulcro no
- 04892005592
Resolvendo a peça
que dispõe o artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal, combinado
com o Artigo 310, inciso I, do Código de Processo Penal, requerer o
RELAXAMENTO DA PRISÃO EM FLAGRANTE, em razão dos fatos a seguir
expostos.

I – DOS FATOS
(Breve narrativa dos fatos)

II- DO DIREITO
A prisão do Requerente é manifestamente ilegal e em
razão disso deve ser imediatamente relaxada senão vejamos:

- 04892005592
Resolvendo a peça
Consoante restará devidamente demonstrado, o Auto
de Prisão em Flagrante violou diversas garantias constitucionais do preso.

Inicialmente impende destacar que a Busca pessoal


não fora realizada dentro dos ditames legais (artigo 240, §2º CPP) vez que
pode ser realizada quando ocorrerem fundadas suspeitas de que alguém
oculte consigo produtos ou instrumentos de crime, nos termos das alíneas
"b" a "f" e "h" do supracitado artigo, o que não ocorreu no presente caso.

E mais, o auto de Prisão em Flagrante é de igual forma


nulo por violação ao direito à não autoincriminação compulsória (princípio
do nemo tenetur se detegere), pois o preso não foi advertido de seu
direito ao silêncio, previsto no Artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição
Federal.
- 04892005592
Resolvendo a peça
Insta ainda destacar que após a efetivação da prisão
em flagrante, houve o descumprimento de várias disposições legais que
acabaram por tornar a prisão de João ilegal.

Nota-se que prisão do Requerente não fora


comunicada imediatamente à autoridade judiciária, e que apenas 48
(quarenta e oito horas) após a prisão em flagrante, o auto fora enviado ao
juízo competente e cópia para o Ministério Público e para a Defensoria
Pública, o que fere o disposto no art. 306, §1º do CPP e art. 50 da Lei de
Drogas, que preceituam que em até 24 (vinte e quatro horas) após a
realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de
prisão em flagrante e a Defensoria Pública, uma vez que João não possuía
advogado, dando-se vista ao Ministério Público no mesmo prazo.
. - 04892005592
Resolvendo a peça
Insta ainda destacar que após a efetivação da prisão
em flagrante, houve o descumprimento de várias disposições legais que
acabaram por tornar a prisão de João ilegal.

Nota-se que prisão do Requerente não fora


comunicada imediatamente à autoridade judiciária, e que apenas 48
(quarenta e oito horas) após a prisão em flagrante, o auto fora enviado ao
juízo competente e cópia para o Ministério Público e para a Defensoria
Pública, o que fere o disposto no art. 306, §1º do CPP e art. 50 da Lei de
Drogas, que preceituam que em até 24 (vinte e quatro horas) após a
realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de
prisão em flagrante e a Defensoria Pública, uma vez que João não possuía
advogado, dando-se vista ao Ministério Público no mesmo prazo.
. - 04892005592
Resolvendo a peça
Neste sentido, observa-se que João se recusou a
assinar o auto de prisão, razão pela qual a autoridade policial
determinou a lavratura sem a assinatura de testemunhas a rogo do
preso, procedimento incorreto, uma vez que o art. 304, §3º do CPP
estabelece que quando o acusado se recusar a assinar o auto de prisão
em flagrante, este deverá ser assinado por duas testemunhas, que
tenham ouvido sua leitura na presença do acusado.

Também, extrai-se do caso em apreço que somente


no dia 17 de novembro a família de João foi comunicada da prisão e a
nota de culpa foi entregue ao preso, o que viola o art. 306 caput e §2º do
CPP, art. 50 da Lei 11.343/06 e o art. 5º LXII da CRFB/88, que

- 04892005592
Resolvendo a peça
determinam que a prisão de qualquer pessoa e o local onde se
encontre serão imediatamente comunicadas ao Juiz competente, ao
Ministério Público e família do preso ou à pessoa por ele indicada,
devendo a nota de culpa ser entregue no prazo de 24 (vinte e quatro
horas) ao preso, mediante recibo, o que não foi obedecido no caso dos
autos.

Assim, conclui-se que a prisão do Requerente se deu


de forma cristalinamente ilegal, devendo ser relaxada nos termos do
art. 5º, LXV da CRFB/88 e art. 310, I do CPP.

- 04892005592
Resolvendo a peça
III- DO PEDIDO
Diante do exposto, requer, após manifestação do
respeitável membro do Ministério Público, o Relaxamento da Prisão em
flagrante imposta ao Requerente, nos termos do art. 5º, inciso LXV, da CF
c/c art. 310, inciso I, do Código de Processo Penal, com a consequente
expedição do alvará de soltura em seu favor, como medida da aplicação do
Direito!
Termos em que,
Pede Deferimento.

Local, data.

ADVOGADO
OAB/UF n.º...
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