FACULDADE DE TEOLOGIA, FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS GAMALIEL
CENTRO EDUCACIONAL E CULTURAL DA AMAZONIA
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEAD
GESTÃO ESCOLAR: ADMINISTRAÇÃO, COORDENAÇÃO, ORIENTAÇÃO E
SUPERVISÃO ESCOLAR
LETÍCIA DE JESUS OLIVEIRA ALVES
GESTÃO ESCOLAR SOB UM OLHAR DEMOCRÁTICO
Trabalho de Conclusão de curso
Tucuruí/PA
2024
FACULDADE DE TEOLOGIA, FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS GAMALIEL
CENTRO EDUCACIONAL E CULTURAL DA AMAZONIA
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – NEAD
GESTÃO ESCOLAR: ADMINISTRAÇÃO, COORDENAÇÃO, ORIENTAÇÃO E
SUPERVISÃO ESCOLAR
LETÍCIA DE JESUS OLIVEIRA ALVES
GESTÃO ESCOLAR SOB UM OLHAR DEMOCRÁTICO
Trabalho de Conclusão de Pós-
Graduação, em Gestão Escolar:
Administração, Coordenação, Orientação
e Supervisão Escolar, apresentado à
Faculdade de Teologia, Filosofia e
Ciências Humanas Gamaliel-Fatefig,
como requisito parcial para a obtenção do
título de especialista, sob a orientação do
Prof. Mestre Mílvio da Silva Ribeiro.
Tucuruí/PA
2024
GESTÃO ESCOLAR SOB UM OLHAR DEMOCRÁTICO
Letícia de Jesus Oliveira Alves1
e-mail: [Link]@[Link]
Resumo
O presente artigo aborda uma temática que sempre está em discussão, por se tratar
de um assunto tanto de interesse político, como também educacional: a gestão escolar. Por
possuir um conceito com diversas lacunas é viável aprofundarmos no assunto, na busca de
entender melhor como se dá a gestão no ambiente escolar sob um olhar democrático. Assim,
o objetivo deste trabalho é analisar a Gestão Escolar, seus conceitos e lacunas existentes
ou não, de modo que se possa repensar a prática do gestor escolar. A metodologia utilizada
para a composição desta pesquisa foi a exploratória, de cunho qualitativo, complementada
com pesquisas bibliográficas em artigos e revistas científicas. Ademais, o volume de artigos
científicos e teses que abordam o tema gestão escolar, demonstram a importância que a
mesma apresenta perante a sociedade, tornando relevante a análise dos aspectos
quantitativos e qualitativos desta pesquisa, não se tratando somente do ambiente escolar.
Contudo, a gestão escolar deixou de ter um aspecto mais administrativo, considerando a
função, e passou a buscar o teor mais pedagógico e político da palavra. Assim, a
implantação da gestão sob uma perspectiva mais democrática em escolas públicas, ainda
se restringe à um conjunto de fatores. Porém, vale ressaltar a importância do trabalho
participativo e coletivo em prol de um boa gestão escolar, no intuito de evidenciar a
educação, o respeito e fortalecer as relações entre gestores e alunos.
Palavras-chave: Educação. Gestão escolar. Trabalho coletivo.
Abstract
This article addresses a topic that is always under discussion, as it is a subject of both
political and educational interest: school management. As it has a concept with several gaps,
it is feasible to delve deeper into the subject, in the search for a better understanding of how
management takes place in the school environment from a democratic perspective. Thus, the
objective of this work is to analyze School Management, its concepts and gaps, existing or
not, so that the practice of school management can be rethought. The methodology used to
compose this research was exploratory, of a qualitative nature, complemented with
bibliographical research in articles and scientific journals. Furthermore, the volume of
scientific articles and theses that address the topic of school management demonstrate the
importance that it presents to society, making the analysis of the quantitative and qualitative
aspects of this research relevant, not just dealing with the school environment. However,
school management stopped having a more administrative aspect, considering the function,
and began to seek the more pedagogical and political content of the word. Thus, the
implementation of management from a more democratic perspective in public schools is still
restricted to a set of factors. However, it is worth highlighting the importance of participatory
and collective work towards good school management, in order to highlight education,
respect and strengthen relationships between managers and students.
Keywords: Education. School management. Collective work.
1
Graduada em Pedagogia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) - Saõ Paulo.Pós-graduanda em
Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Gamaliel - Tucuruí; Pós-graduanda em Gestão Escolar:
Administração, Coordenação, Orientação e Supervisõ Escolar pela Gamaliel - Tucuruí.
1. INTRODUÇÃO
Com o passar do tempo, a escola tornou-se alvo de diversas discussões,
entre elas, estão as formas de gestão escolar, que têm alcançado maior autonomia e
legitimidade. No entanto, a concepção de gestão escolar mostram algumas lacunas
conceituais, como o cotidiano da gestão e dos sujeitos que compõe a comunidade
escolar (OLIVEIRA E MENEZES, 2018).
Nesse sentido, uma das lacunas refere-se ao fato de que, nas escolas, as
relações entre docentes e discentes, assim como de todos os envolvidos nesse
aspecto, devem convergir para atingir um único propósito pedagógico: a educação.
Por outro lado, nas organizações, as relações entre empregado e empregador
decorrem da compra e venda da força do trabalho, tendo como objetivo a venda de
bens, serviços ou informações. Sendo assim, a diferença está na riqueza
proporcionada pela escola, o “se fazer humano na ação pedagógica” (WELLEN,
2010).
Ademais, a gestão escolar é um tema recorrente do debate político
educacional, pois durante a ditadura militar, com as estruturas administrativas
centralizadas e burocratizadas, os diretores das escolas obedeciam às regras
impostas. Assim, as reivindicações dos educadores tratavam de obter a autonomia
escolar, sendo esta vinculada à necessidade de alternativas curriculares e didáticas
no combate à evasão e repetência que ocorria (KRAWCZYK, 1999).
Segundo Krawczyk (1999), nas décadas de 1950 e 1960 a ideia de autonomia
escolar e liberdade dos educadores tinham o intuito de rebater a vigência das ações
administrativas e intervenções políticas com projetos alheios à realidade escolar.
Todavia, o ápice do processo de centralização administrativa se deu em 1970, com o
silenciar das reivindicações, e logo após isso, em 1980, a gestão escolar volta à
cena do debate político com um novo contexto: a reforma do Estado.
No ano de 1990, o enfoque para a educação ganhou um novo direcionamento.
As novas exigências da economia globalizada começou a interferir nos setores
produtivo e educacional. Assim, somente por meio destas mudanças
socioeconômicas, é que a educação passou a integrar a agenda política como meio
de aumento da produtividade e cidadania globalizada (KRAWCZYK, 1999).
No atual contexto educacional brasileiro, a temática gestão democrática tem
sido alvo de grandes debates, principalmente, nas escolas públicas. A escola
enquanto uma organização humanística, cultural e social deseja que seus
integrantes tenham suas atuações definidas a partir do processo de participação no
desenvolvimento das propostas a serem executadas na escola. Com isso, o gestor
escolar torna-se uma ferramenta imprescindível, ao ser responsável por fomentar e
executar políticas no âmbito da escola que atendam aos anseios e necessidades da
coletividade (FILHO E LIRA, 2015).
Constitucionalmente foram promulgados alguns princípios para nortear essa
nova perspectiva de gestão escolar, assim presente na Constituição Federal de 1988
(CF), em seu artigo 206, inciso de VI, e posteriormente assumidos na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 03 (Lei 9.9394/96) e no
Plano Nacional de Educação de 2014, em seu artigo 02, inciso de VI e na meta de nº
19 do referido plano (Lei 13.005/14).
Com isso, o presente artigo tem como objetivo principal analisar a Gestão
Escolar, conceito, lacunas existentes ou não, de modo que se possa repensar a
prática do gestor escolar, por meio de análise dos aspectos legais, mecanismos,
principais publicações, e da evolução do próprio conceito de gestão, através de
pesquisa bibliográfica.
2. REVISÃO DA LITERATURA
Originário do latim gestione, o conceito de gestão refere-se à ação e ao efeito
de gerir ou de administrar. Muitas concepções foram dadas para o tema no decorrer
dos anos. Andrade (2001), no Dicionário de sinônimos da língua portuguesa, alerta
que, embora a palavra portuguesa gestão, em seu sentido original, expresse a ação
de dirigir, de administrar e de gerir a vida, os destinos, as capacidades das pessoas,
uma parcela da sociedade compreende gestão como funções burocráticas,
destituídas de uma visão humanística, e como uma ação voltada à orientação do
planejamento, da distribuição de bens e da produção desses bens.
Ferreira (2000) diz que a gestão é administração, juntamente a tomada de
decisão, organização e direção. Ou seja, a gestão relaciona-se com a atividade de
impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, cumprir sua função,
desempenhar seu papel, pois ela constitui-se de princípios e práticas decorrentes
que afirmam ou não os princípios sociais, visto que, a gestão da educação se
destina à promoção humana. Desse modo, seus princípios são os princípios da
educação que a gestão assegura serem cumpridos, ou seja, uma educação
comprometida tanto com a “sabedoria” de viver junto respeitando as diferenças,
quanto com a construção de um mundo mais humano e justo para todos os que nele
habitam, independentemente de raça, cor, crença ou opção de vida.
Libâneo (2007) prefere a utilização do termo gestão escolar quando se
associa à escola, e trabalha com a concepção sociocrítica de gestão escolar, ou seja,
nessa concepção, ela é tida como um sistema que agrega pessoas, “considerando o
caráter intencional de suas ações e as interações sociais que estabelecem entre si,
como também o contexto sócio-político, nas formas democráticas de tomada de
decisões”.
Na dimensão política, o gestor escolar exerce o princípio da autonomia, que
requer vínculos mais estreitos com a comunidade educativa, os pais, as entidades e
organizações paralelas à escola. Assim, gestão é a atividade pela qual se mobilizam
meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização ao envolver
aspectos gerenciais e técnico-administrativos.
Desse modo, a gestão escolar democrática, sobre o prisma de prática
transformadora, considera o trabalho coletivo no âmbito escolar. Assim sendo,
considera-o como um dos princípios fundamentais para oferecer uma efetiva
aprendizagem aos educandos, sem, no entanto, descuidar dos processos formativos
dos professores e funcionários da instituição escolar, papel do gestor e de sua
equipe em uma escola. (ATAÍDES, 2012).
Para Ribeiro (2021), quando se tem uma gestão democrática nas escolas,
todos são ouvidos e precisam estar cientes da importância de sua participação nas
tomadas de decisões e elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) que vai
atender as peculiaridades dos alunos de determinada instituição.
Oliveira e Menezes (2018), dizem que o princípio da gestão democrática inclui
a participação ativa de todos os professores e da comunidade escolar como um todo,
de forma a garantir qualidade para todos os alunos.
Todavia, dentro da perspectiva educacional, faz-se necessária a participação
coletiva e democrática, onde a mesma deve estar contextualizada sob conhecimento
de cada profissional atuante na escola, de maneira direta ou não, considerando a
função a ser desempenhada no ambiente escolar. Como exemplo de tal função: a
elaboração de projetos, bem como, outros documentos escolares, e de maneira
especial, o Projeto Político Pedagógico (GOMES, 2013).
Compreende-se, portanto, que gestão democrática é inegavelmente, advinda
do conceito de democracia, por isso, não se pode dissociar esses conceitos, visto
que, são complementares e resultantes do mesmo princípio de origem. Com isso,
conforme a Constituição Federal de 1988, a gestão democrática do ensino público é
um princípio da Educação Nacional, que supõe uma nova maneira de organização
escolar como forma de superação de uma gestão burocrática da escola e da prática
de ensino. (ATAÍDES, 2012).
Nesse contexto, o processo de democratização da escola propõe a
implantação de mudanças com vista ao ensino para a participação cidadã, ou seja, a
equipe diretiva, docentes, alunos e a comunidade constituem o processo educativo
dentro desse olhar democrático, em busca de ações conjuntas para solucionar os
problemas (ATAÍDES, 2012).
Alguns instrumentos da gestão democrática são: Conselho de Classe,
Regimento Escolar e a elaboração do PPP, que contribuem para que essa gestão se
efetive na prática da escola, mas é claro que outros instrumentos são necessários
para dar transparência e consolidá-la na prática, como: Conselho Escolar, Eleições
para escolha do Dirigente Escolar, Grêmio Estudantil, Associação de Pais, etc
(GOMES, 2013).
3. MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia empregada nesta pesquisa é exploratória, de cunho qualitativo,
e como suporte, pesquisas bibliográficas em artigos e revistas científicas divulgados
pelos meios eletrônicos, levando em consideração, a atualização das informações
contidas nos periódicos. A pesquisa foi realizada nos meses de junho e julho do ano
de 2024. As teorias que serviram como base a este estudo vieram de autores como
Oliveira e Menezes (2018), Wellen (2010), Krawczyk (1999), Filho e Lira (2015),
Andrade (2001), Ferreira (2000), Libâneo (2007), Ataídes (2012), Ribeiro (2021),
Gomes (2013), dentre outros, com épocas diferentes, porém, com uma só finalidade:
debater o assunto.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O volume de artigos científicos e teses que abordam o tema gestão escolar,
evidenciam a importância que vem sendo dada a essa temática no decorrer dos
anos. Após a promulgação da Constituição Federal/88 e da LDB/96, que são
instrumentos de grande importância, principalmente para a gestão escolar, observa-
se a crescente discussão sobre o tema, tornando relevante a análise dos aspectos
quantitativos e qualitativos desta pesquisa.
Na década de 1990, a terminologia administração, passou a ser substituída
pelo termo gestão, simbolizando assim, uma alteração de cunho paradigmático, uma
vez que o conceito de gestão ultrapassa o de administração, pois gestão envolve
comprometimento, dedicação, envolvimento e participação coletiva na tomada de
decisões, e assim, passa a ser um sinônimo de ambiente autônomo e participativo,
implicando assim, na construção de um trabalho coletivo/compartilhado por todos
(FILHO E LIRA, 2015).
A partir da perspectiva da gestão democrática, o gestor escolar passa a
adquirir alguns adjetivos funcionalistas, como por exemplo: orquestrador, articulador,
viabilizador e coletivista, por estabelecer uma dinâmica social e construir um
ambiente educacional de qualidade e seguro aos alunos.
Ademais, o gestor tem o papel de lidar com as competências, valores e
crenças de todos os envolvidos nas ações praticadas pela escola, com a intenção de
convergir esforços para atingir o objetivo maior que é a educação. Nesse sentido, o
gestor escolar é visto como um líder pedagógico, por facilitar ideias, e também por
mitigar conflitos e criar um clima escolar positivo, participativo, coerente e
principalmente saudável.
5. CONCLUSÃO
Gestão escolar é um conceito construído historicamente, impregnado de
valores e significados específicos trazidos dentro de um contexto político e
educacional, os quais vêm sendo construídos e reconstruídos nos últimos anos. A
literatura discute que inicialmente esse conceito estava direcionado aos aspectos
mais administrativos da função e que, com o passar dos tempos, de acordo com as
mudanças sociais e históricas reafirmadas pela legislação em vigor, passou a buscar
o teor mais pedagógico e político da palavra.
A implicação da gestão democrática das escolas públicas não é restrita a
única justificativa, mas sim, a um conjunto de fatores de ordem interna e externa que
obstaculizam sua efetiva implantação: baixos salários, condições inadequadas de
trabalho, falta de organização e interesses dos sujeitos escolares, pais, alunos,
professores e os demais funcionários, excesso de burocracia, e o excesso de poder
do gestor. Convém ressaltar a importância do trabalho participativo a partir dos
mecanismos democráticos: grêmio estudantil, projeto político pedagógico e o
conselho de classe, como meios efetivos de participação coletiva.
Quando a gestão democrática é presente nas instituições o respeito ao
trabalho individual de cada um e o diálogo prevalecem, isso só fortalece as relações
entre direção, professores, demais funcionários e alunos.
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