Alunas: Eduarda Prando, Isabele P. Blasi, Luisa G.
Godinho
CINOMOSE
Doença infecto-contagiosa caracterizada por sinais clínicos respiratórios, digestivos, cutâneos e
neurológicos.
Etiologia: Vírus RNA com envelope. Mais resistente ao frio. Os hospedeiros são os canídeos.
Epidemiologia: É de distribuição mundial, infecta cães domésticos de todas as idades, sendo mais
frequente a infecção em cães de 2 a 6 meses de idade. A disseminação é via aerossois e contato direto.
Patogenia: O vírus penetra no organismo principalmente pela via respiratória, infectando o epitélio
respiratório e iniciando sua replicação viral ali. O vírus é captado pelos macrófagos, que ajudam a
disseminar a infecção, que se multiplica nos linfonodos regionais, promovendo uma intensa
multiplicação no tecido linfoide. Em seguida ocorre a disseminação sistêmica. O vírus atinge a
circulação sanguínea (viremia), espalhando-se pelo organismo. Essa ampla proliferação causa um
aumento da temperatura corporal nos primeiros 5 dias de infecção. Dependendo da resposta imune, a
infecção poderá ser mais ou menos intensa (apresentar, ou não, sinais clínicos). A resposta imune
adequada gera uma doença subclínica (sem sinal clínico). Quando há resposta imune média, afeta os
tecidos e causa sinais clínicos. A resposta imune baixa também afeta os tecidos e causa os sinais
clínicos, causando óbito.
Sinais clínicos: digestivos (vômitos, diarreia pastosa a líquida com ou sem presença de sangue e
desidratação), respiratórios (rinite, conjuntivite, descarga naso-ocular, tosse e pneumonia intersticial),
cutâneos (hiperqueratose) e neurológicos (forma mais grave da doença, apresenta tremores, espasmos,
alteração de comportamento, hiperestesia, paralisia, convulsões, incoordenação, diminuição visual).
Patologia Clínica: Apresenta leucopenia por linfopenia, trombocitopenia imunomediada, monocitose,
hipoalbuminemia, hiperglobulinemia.
Diagnóstico: Sorologia - detecção de IgM e IgG - LCR, biologia molecular (RT-PCR, nPCR e
RT-qPCR) e imunocromatografia de fluxo lateral (kit rápido).
Controle e profilaxia: Os anticorpos maternos contra o vírus são transmitidos pelo colostro. Esses
anticorpos declinam lentamente e a vacinação deve ser iniciada entre 6 e 8 semanas de idade. Filhotes
órfãos que não receberam o colostro, devem receber soro hiperimune(dificilmente consegue) no
primeiro dia de vida e repetir 30 dias após, ou optar pela vacinação com vacina monovalente. A atual
estratégia vacinal é baseada em múltiplas doses, administradas em intervalos de 3 a 4 semanas, após a
revacinação anual os anticorpos permanecem por mais de 12 meses. Atualmente, a vacina mais
utilizada é a polivalente, em filhotes colostrados é feita com 60 dias e não colostrados é com 45 dias
de idade. Animais doentes devem ser internados como medida de segurança para reduzir a exposição
de outros ao vírus, que será eliminado em grandes quantidades nas secreções respiratórias em um
período de uma a duas semanas após o início dos sinais clínicos. O vírus é muito sensível a
desinfetantes, então seu uso é importante.
Tratamento: Ainda não está disponível protocolo específico para tratamento da cinomose, é
recomendado tratar os sintomas. Se forem sinais digestivos, será administrado antieméticos. Nos
neurológicos será administrado anticonvulsivantes. Nos respiratórios será administrado
antimicrobianos, antivirais, mucolítico e expectorantes.