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Vício em Apostas Online: Impactos e Reflexões

O documento discute o crescimento das apostas on-line no Brasil e seu impacto negativo, comparando o vício em apostas ao vício em crack. Relatos de viciados, como o de Henrique, ilustram as consequências financeiras e psicológicas devastadoras desse comportamento, enquanto especialistas destacam a necessidade de regulação para mitigar os problemas associados. A falta de controle no setor é apontada como um fator que contribui para o aumento da ludopatia entre os jogadores.

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Vício em Apostas Online: Impactos e Reflexões

O documento discute o crescimento das apostas on-line no Brasil e seu impacto negativo, comparando o vício em apostas ao vício em crack. Relatos de viciados, como o de Henrique, ilustram as consequências financeiras e psicológicas devastadoras desse comportamento, enquanto especialistas destacam a necessidade de regulação para mitigar os problemas associados. A falta de controle no setor é apontada como um fator que contribui para o aumento da ludopatia entre os jogadores.

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ALUNO(A):_________________________________________________DATA:___/___/___ PROF°: JEIMISSON CLESIO

SÉRIE:_____ TURMA:____

CULTURA DIGITAL - 2ª UNIDADE

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos têm transformado o mercado de


apostas on-line, com plataformas digitais seguras, como aplicativos e sites
interativos, tornando a atividade acessível. Porém, esse fácil acesso aumentou o
vício em apostas esportivas. Você vai refletir sobre a relação entre apostas e
tecnologia, vai elaborar propostas de intervenção para reduzir o impacto negativo.
Vai também compreender a edição de vídeos e o pensamento computacional.
O avanço dos jogos online no País e o aumento do número de adeptos às bets, depois da sua
legalização em 2018 pelo governo de Michel Temer, preocupa o grupo de Jogadores Anônimos (JA),
entidade voltada para a recuperação de viciados. “A bet é o novo crack, é uma pandemia. A tendência
dos últimos dois anos e para os próximos dois anos é que isso cresça muito”, disse um membro do
JA, sob a condição de anonimato, em uma reunião realizada na quinta-feira, 5, à noite, acompanhada
pela reportagem do Estadão.

O grupo se define como uma “irmandade cujos membros compartilham suas experiências, energia e
esperança para parar de jogar, manter-se abstinente e ajudar outros jogadores compulsivos a fazerem
o mesmo”. Embora não colete dados ou estatísticas formais, um membro do JA relata um aumento
significativo nos casos e afirma que o impacto das apostas afeta homens e mulheres de forma
semelhante, independentemente da classe social.

O membro relata que há casos em que carros, casas, economias de anos são perdidas nas bets e
outros jogos de azar. As dívidas dos viciados muitas vezes chegam a R$ 2 milhões. “As histórias que
mais me doem são as de pessoas que saem de casa com o dinheiro para comprar o almoço para a
família e deixam tudo no caça-níquel”, conta.

Na visão do neurocientista Álvaro Machado Dias, professor doutor da Unifesp [...], o tipo de jogo
oferecido pelas bets tem similaridade com videogames, pois precisam ter a medida certa de
dificuldade para que o jogador pense que pode ganhar. [...]

Mas, segundo o Instituto Brasileiro Jogo Legal (IJL) – uma ONG que trabalha pela legalização e criação
de um marco regulatório para essas atividades –, é “fácil culpar as bets”. “Pesquisa da OMS
(Organização Mundial da Saúde) comprova que 97% dos jogadores têm uma relação saudável com as
apostas. [...]”.

O Estadão apurou outros números: a OMS estima que até 5,8% da população pode preencher os
critérios para o diagnóstico de ludopatia, a compulsão pelo jogo, e a porcentagem de pessoas
impactadas pela prática é pelo menos três vezes maior. O instituto afirma que os problemas dos
jogadores compulsivos só serão resolvi dos com a regulação das bets, que entra em vigor em 2025.

[...] No Jogadores Anônimos, a principal medida para superar o vício é tirar o controle financeiro da
pessoa. O Pix, o meio eletrônico de pagamento, é a principal ferra menta para os aplicativos de
aposta, por causa da rapidez da operação. Os viciados em jogo, por vezes, colocam sua vida em risco
e afetam a vida dos familiares. [...]
“Quando meu avô morreu, lá na Bahia, eu não tinha como ir. Já estava endividado e inventei desculpas
para minha família”. Esse relato é de um viciado em jogos de azar, mais especificamente em apostas
esportivas online, as bets. Economista, empregado em um banco e com uma renda líquida de R$ 11
mil, em dois anos, ele contraiu uma dívida entre R$ 150 mil e R$ 200 mil apostando em esportes.

“Minha esposa sugeriu de trocarmos o sofá e o fogão. A gente, como viciado, mente e manipula, então
a convenci de deixarmos para depois”, conta Henrique, nome fictício usado para identificar o jogador
que prefere manter o anonimato. Ele conta que, aos poucos, foi deixando de fazer coisas comuns pela
bagunça que as bets fizeram em suas finanças. [...]

Sua história com as bets começou em 2016, quando era estagiário em um banco. “Tinha colegas que
brincavam com as bets, eu tinha medo de me envolver, de fazer meu cadastro. Até que um dia falei ‘vou
fazer aqui, só pra brincar’”, conta. Começou com valores pequenos, de R$ 10, R$ 20, mas com o tempo,
foi aumentando. “Uma vez coloquei R$ 50 e ganhei R$ 100, aí pensei ‘se eu tivesse colocado R$ 500’,
falei para minha esposa, mas ela não ligou muito.”

Ele já jogava valores por volta de R$ 1 mil, R$ 2 mil, mas foi em 2022 quando sua compulsão pelo jogo
piorou muito. Após descobrir um câncer, com o medo da morte, Henrique fez das bets uma fuga e
começou a jogar ainda mais. Ao longo de um dia, gastou o valor de todo salário. Em uma única aposta,
ele chegou a apostar R$ 8 mil, aproximadamente 70% de sua renda. Até mesmo o FGTS, que sacou
pela doença, foi para o jogo.

Foi então que começaram os empréstimos, seja com bancos ou com a família e amigos. Como uma
bola de neve, a situação ia sempre piorando. Um empréstimo vinha para pagar o outro, pagar as
despesas do cotidiano e, claro, apostar mais. Dessa forma, era obrigado pegar cada vez valores
maiores.

“Na minha cabeça, eu tinha perdido a mão. Pensava que com o próprio jogo eu ia ter um ganho, resolver
o problema, então pararia de jogar e vida que segue”, explica. O prazer era tanto que Henrique cogitava
viver das apostas, mesmo que só estivesse perdendo dinheiro. Ele jogava o dia inteiro, afinal, era só
sacar o celular e abrir os aplicativos. Apostava durante o trabalho, enquanto estava com amigos e até
dirigindo. [...]

Além de deixar de trocar a mobília da casa, Henrique relata que a ausência no velório do avô foi um dos
picos de sua compulsão. [...]
[...] Em agosto de 2024, Henrique já está há quase nove meses sem jogar e conta que já não tem mais
vontade de jogar. Atualmente ele faz parte do Jogadores Anônimos e ajuda outros apostadores a
lutarem contra sua compulsão.

ATIVIDADE

1. Por que o grupo Jogadores Anônimos compara as apostas on-line ao vício em crack?
2. O que ocorre frequentemente com as finanças dos apostadores compulsivos?
3. Como a semelhança entre apostas on-line e videogames, mencionada pelo neurocientista Álvaro
Machado Dias, pode contribuir para a dependência?
4. De que forma o relato de Henrique ilustra o impacto psicológico das apostas on-line na vida de um
apostador?
5. Como a falta de regulação no setor de apostas on-line contribuiu para o aumento dos casos de vício
em jogos, segundo o texto?
6. De que forma a comparação das apostas on-line ao crack pode influenciar a percepção pública
sobre a ludopatia?
7. Quais são os impactos do vício em apostas on-line nas relações familiares e sociais do apostador?
8. Considerando o relato de Henrique, quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos viciados
em apostas ao tentar se recuperar?
9. O fato de a porcentagem dos jogadores que apresentam problemas graves ser baixa, como
menciona o Instituto Jogo Legal, diminui a gravidade do vício em apostas? Por quê?
10. Como a implementação de uma regulamentação rigorosa para as apos tas on-line poderia mudar
a dinâmica do vício no Brasil?
11. Em sua opinião, qual seria o impacto da continuidade do crescimento das apostas on-line sem
controle adequado no comportamento das futuras gerações?

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